O jornal não morrerá jamais
27/04/2009 - 00:18 Enviado por: Migliaccio
27/04/2009 - 00:18 Enviado por: Migliaccio
Na coluna Rio Acima publicada aos domingos no Jornal do Brasil, escrevi que não acredito que a internet vá acabar com os jornais impressos em papel.Ninguém aguenta ler um texto de mais de quatro parágrafos na tela do computador. A vocação da internet é para a informação em pílulas: a previsão do tempo, o trãnsito, a hora do cinema, o resultado da Mega-Sena, a nova contratação do Flamengo, a morte do manda-chuva do antigo Congo Belga...O jornal traz muito mais com fôlego de sobra: análise, idéias, opiniões conflitantes, pluralidade. Um golpe de estado na Tanzânia rende no máximo três parágrafos num site de notícias. Num jornal impresso, dá margem a uma deliciosa meia página. Ou página inteira, com fotos e o devido desenvolvimento do tema.A palavra escrita tem seu bálsamo nos jornais, não na web, onde a língua portuguesa muitas vezes se reduz a "vc" "tk", "kd" e outras abreviações ininteligíveis para não iniciados. Quero ver surgirem na tela do computador um Nelson Rodrigues e um Evandro Teixeira, um papa do texto e outro das fotos.O rádio não morreu quando a TV chegou; nem o cinema com o DVD. O jornal em papel nunca perderá a majestade, mesmo com a proliferação de sites de notícias, que, em sua maioria, vivem do nome e da estrutura dos próprios jornais que lhes deram origem.Bom, vou parar por aqui porque estamos na web e você já está a fim de passar para outra página. Se quiser ver a versão completa deste texto, leia o Jornal do Brasil. Inté.

Um comentário:
Oi, Heitor.
Também não acho que o jornal de papel vai acabar, mas acho que o jornal de papel, como é hoje, vai acabar sim.
Discordo dos argumentos do autor do artigo. Tenho dúvidas se os leitores não conseguem ler mais de quatro parágrafos na tela do computador; ao contrário, muita gente anda lendo livro inteiro nas telas, os posts dos blogs têm tamanhos variadíssimos, etc.
E também não vejo nos nossos jornais "análise, idéias, opiniões conflitantes, pluralidade". Ao contrário, acho tudo muito superficial.
Acho que os jornais estão vivendo uma crise enorme (vide as recentes levas de demissões em todos os principais diários impressos do Rio de Janeiro) e precisa repensar suas funções e estratégias, talvez trazendo notícias mais aprofundadas e variadas e pensando a convergência com outras mídias de forma mais criativa.
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