Quem já foi a Curitiba ou viu fotos de lá costuma ficar impressionado com a organização e funcionalidade dos meios de transporte na cidade, além de com sua própria paisagem urbana, tida como muito bela. Quem foi o responsável pela atual configuração da metrópole foi Jaime Lerner, que foi prefeito da cidade por três vezes (o último mandato terminou em 1992) e governador do Paraná duas vezes (tendo o último mandato acabado mais recentemente, em 2003).
O urbanista ganhou projeção mundial com suas propostas de cidade sustentável, com seu lema de que "a cidade não é o problema, é a solução" e, por que não dizer, com seu carisma também. Hoje ele dá uma série de palestras mundo afora e, mesmo com seu inglês meio a la Joel Santana, arranca aplausos, risos e admiração das plateias. O vídeo abaixo, que está no site TED - Ideas worth spreading - mostra uma fala dele em 2007:
Apesar de toda a euforia que parece girar em torno de Jaime e suas ideias de transporte coletivo, reciclagem de lixo, moradias mais próximas aos trabalhos das pessoas etc., algumas pessoas o criticam, por exemplo, pelo fato de que ele teria levado Curitiba à falência devido aos altos custos de seus projetos ou ainda porque ele não seguiria seus próprios preceitos, utilizando seu carro como meio de transporte principal (veja os comentários relacionados ao vídeo "O canto da cidade de Jaime Lerner" postado acima).
Ainda assim, a grande maioria parece ter enorme apreço pelo cara, tanto que ele atualmente realiza trabalhos de consultoria para as Nações Unidas para assuntos de urbanismo.
O ponto principal que me chama atenção nisso tudo é a pergunta: é possível,
de verdade, uma grande cidade, uma metrópole, com milhares e muitas vezes milhões de habitantes, sustentável? Acho que tem questões de ordem material muito sérias nesses projetos sustentáveis todos - como a viabilidade econômica - mas há também questões de cunho cultural. Vivemos imersos em uma cultura que pede, aliás, impõe a rapidez, a eficiência, a praticidade, a praticamente qualquer custo. Ao mesmo tempo, essa mesma cultura demanda preocupação ecológica, sustentabilidade, biodiversidade. Sei que muitos afirmam que não se trata de uma dicotomia, que uma vertente não é oposta à outra mas, na prática, em uma hipotética luta de vale-tudo entre uma e outra, quem ganha?