
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
My Chemical Romance: Uma experiência musical para além da música

segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Em breve nos cinemas?

segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Bed Intruder Song: Música?
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Toujour le MEME?
Trata-se do clip de Dolly Song (Ieva's Polka) cantado pela animação da jumenta virtual Holly Dolly.
A burrinha cantora é um sucesso! “Assinou” com a EMI, e tem quatro discos lançados disponíveis na Lastfm. A música Dolly Song sem dúvida é o seu carro chefe. Um de seus discos é composto inteiramente de remix desta música.
Pesquisando mais a fundo descobri que o sucesso de Dolly Song (Ieva's Polka) se deve a um meme (fenômenos virais da Internet) ou, segundo a wikipedia, “unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se”, que medo... enfim, a história do fenômeno tem mil e um desdobramentos interessantes. Vou tentar contá-la aqui antes de qualquer coisa.
Ievan Polkka é uma canção popular finlandesa cuja letra (sim, há uma letra) foi composta por Eino Kettunen nos anos 1930. Encontrei uma versão antiga (1952) do grupo Lumberjack’s Band. Puro swing finlandês!
Mas o fenômeno começou com o grupo Loituma, também finlandês, que gravou a música em 1995 (lançada nos EUA em 1998). Segue abaixo uma apresentação do grupo em uma emissora de tevê:
Mais ou menos 10 anos depois, precisamente em 2006, os integrantes do grupo perceberam que de uma hora para outra, os acessos ao site do grupo tinham aumentado enormemente. Sem entender nada, eles perceberam que a maioria dos acessos vinha da Rússia, onde há uma tradição de danças folclóricas muito parecidas com a canção Ievan Polkka que eles tinham gravado. Ao pesquisar na Internet para entender o porquê, logo descobriram que se tratava de Loituma Girl, também conhecida como Leekspin, uma animação em Flash de 5 frames estendida em um loop infinito em que uma personagem da série de manga Bleach aparece cantando a música ao mesmo tempo em que gira um alho-poró. Na edição foi utilizada apenas uma parte da canção Ieva's Polka o que, por mais incrível que pareça, não torna a música mais repetitiva do que já é. Eis a animação:
Há inúmeras versões de Loituma Girl no Youtube, muitas ultrapassam um milhão de acessos. Inclusive o videoclip da burrinha Holly Dolly aparece uma referência a Loituma Girl num telão ao fundo. A animação ganhou também seu próprio domínio: www.leekspin.com.au . O site contém um relógio que marca o tempo de permanência do acesso e, logo, da audição da música. Isso potencializou muito o seu sucesso, pois institui um joguinho para os usuários que, passaram a divulgar o site em fóruns sob desafio : “quanto tempo você agüenta? E as respostas eram: eu já estou a mais de tantas horas ouvindo a música!
Fenômenos como este estão sendo classificados em vários “rankins de memes” pela Internet. Em top’s 100 de todos os tempos o Loituma girl sempre aparece, o que faz dele um meme poderoso. Mas o que diabos é um meme? Meme é algo muito mais complexo do que um fenômeno viral da Internet. Vou reproduzir um trechinho maior da explicação que está na Wikipedia:
Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamentos. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autônoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética. (...)
A variação memética cresce quando o meme é transmitido de uma maneira descuidada com a expressão da idéia, enquanto a inércia memética é fortalecida quando a forma de expressão rima ou usa outros dispositivos mnemônicos para preservar a memória do meme antes de sua transmissão.
Nesse sentido, a Wikipedia seria um ótimo exemplo de comportamento mimético uma vez que as pessoas vão editando o seu conteúdo reiteradamente seu conteúdo com o objetivo de aperfeiçoá-lo. Aquilo que “naturalmente” sobrevive a esse crivo segundo as condições de um “ambiente” determinado em certo momento, seria um meme.
O material musical de Ieva's Polka presente nos diversos exemplos aqui citados seria também claramente um meme devido a sua simplicidade. Pode-se perceber que o homem que faz o baixo e as duas mulheres que fazem um fundo cantam as mesmas 3 notas durante toda a música. A melodia também tem uma estrutura bem simples que varia pouco dentro dela mesma. Analisando os 4 cantores conjuntamente (base+solo) pode-se dizer que se trata de uma música de dois acordes em tonalidade menor.
Aqui alguém fez uma compilação de vários vídeos. Alguns são divertidíssimos:
Embora o conceito de meme não aponte para um determinismo de certas formas culturais e considere no processo de seleção “natural” a extinção pura e simples dos memes pela vontade dos indivíduos, a resposta mais óbvia é atribuir aos aspectos musicológicos e físico-sonoros a razão de todas essas edições. Essa é justamente a questão que sempre aparece nas discussões do Labcult e que permanece sem resposta. Como considerar os efeito que a música em si provoca nas pessoas? A resposta que parece mais adequado é de que não se pode tentar encontrar esses efeitos sem considerar as especificidades da situação de escuta. Uma determinada “música de tortura”, usada para conseguir confissões, pode ser apropriada para o prazer estético, como acontece com a cena noise, por exemplo.
De fato a música Ievan Polkka" é um chiclete de ouvido. Nos fóruns de Internet as pessoas que a postaram descrevem o vídeo como hipinotizante. Agora, desde quando conjuntos vocais de músicas tradicionais são um mega sucesso de entretenimento? Desde que um maluco inventou de associá-los a bizarrice da cena de um personagem de uma animação japonesa girando um alho poró ao infinito. A musicalidade repetitiva é fundamental para essa experiência musical de choque cultural que leva ao entretenimento, mas esse efeito esta na música em si? Não. A utilização do fragmento musical extraído da canção (o meme) vai entrar como elemento de composição dessa experiência que, através da emoção, vai resultar em memória. A “transmissão da memória” deve-se mais a um processo emocional que se associa ao material musical ao mesmo tempo em que o cria através da experiência. Desta forma acredito que os meme são constituídos quando há uma maior infidelidade ao material inicial. Já quando a reprodução é fidedigna, o meme se dilui em interpretações variadas que surgem na expectativa de justamente suscitar outras experiência materiais.
De qualquer forma, o conceito de meme não é o problema em si, mas as apropriações que se tem feito dele como categorias de virais de Internet: Yahoo meme; Twitter meme...
Isso mascara o modo de como que esses sucessos são construídos. Hoje esta bem claro que quando uma música toca repetidamente na rádio, isso não tem nada a ver com os artistas e si, mas com os investimentos de um determinado modelo de negócios de gravadoras. No entanto quando um artista aparece através da Internet ele logo vira um“fenômeno de Internet” cujas únicas razões do sucesso se devem ao talento e a genialidade da sua obra. A grande maioria destes fenômenos de Internet de fato só se torna fenômeno quando remediados pela TV ou quando tem uma boa assessoria na web. Na verdade tudo se trata de uma questão de representação da autenticidade da obra através de diversas estratégias. Quem disse que Ivete Sangalo não tem talento?
Isso sem falar que quando a sociologia se aproximou do evolucionismo das espécies e conceitos da biologia começaram a ser utilizados pela ciência política, alguns resultados catastróficos apareceram... o legal da teoria memética é seu caráter totalizante, o que permite aplicarmos sua lógica a ele mesma. Como colocado por Karl Popper, um dos críticos: "o valor de sobrevivência da inteligência é que ela permite que nós extingamos uma má idéia antes que ela nos extinga."
No caso aqui, o fenômeno Loituma Girl não teve nada a ver com estratégias do grupo vocal Loituma. De fato, de um dia para o outro os acessos do site do grupo aumentaram do nada, mas foi apenas quando o jornal filandês Helsingin Sanomat noticio o «resurgimento do sucesso” de Loituma que então ele aconteceu.
Ao mesmo tempo, diversas empresas se aproveitaram do fenômeno de modo que também contribuíram para a sua aplicação, o que nos leva de volta a querida e memética burrinha Holly Dolly um investimento da empresa alemã chamada Jamba que trabalha com marketing de ringtones, a mesma responsável pelo sucesso do Crazyfrog há alguns anos.
Daí vieram vários comerciais de tv com Ievan Polkka, alguém produziu um alho poró de plástico para crianças... A Yamaha fez um vídeo de promoção para seu sintetizador de voz Vocaloid, tendo criado um mascote em animê japonês especial para o sofware.
Encontrei também um vídeo sensacional que transforma o Ievan Polkka em numa espécie de “pós-Embalos de sábado a noite turco”. O canal do Youtube Loituma TV apresenta-o como o vídeo oficial do famoso grupo Loituma. A produção é profissional, se trata de uma video clip, mas custo a acreditar que ele seja de fato oficial.
O vídeo certamente se baseou em uma aparição de Jim Carrey no programa Saturday Night Live que também foi “loitumizado” por alguém.
Em fim, os virais da Internet não são um fenômeno puramente espontâneo como muitas vezes são descritos. Memes ou não, eles não são jamais la même chose.
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
A Conquista da América? Algumas questões sobre o show de Ivete Sangalo em NY

Sábado, dia 4 de setembro será mais um dia crucial na carreira de Ivete Sangalo. A cantora brasileira mais bem sucedida do momento, com cerca de 9 milhões de discos vendidos e que cobra um cachê em torno de 500 mil reais por apresentação, irá subir no palco da Madison Square Garden, famosa casa de espetáculos localizada em Nova York. Desse show também sairá o seu terceiro DVD ao vivo que será lançado pela Universal Music. Os registros dos shows de uma das principais representantes da “axé music” tem sido acompanhados de uma grande mobilização midiática, com produção caprichada, dando ares de grande acontecimento: O primeiro foi gravado no extinto estádio Fonte Nova em Salvador através do selo MTV ao vivo e sedimentou de vez sua carreira solo ao vender mais de 2,6 milhões de CDs; o segundo, já pela Multishow, levou cerca de 45 mil pessoas ao Maracanã e ainda hoje é o DVD mais vendido na América latina. Dessa vez o evento será fora de casa e, portanto, se revela mais uma estratégia para tentar deslanchar carreiras de artistas brasileiros no cenário musical internacional. Depois dos fiascos de Alexandre Pires e da dupla Sandy e Júnior, ficou claro que essa não é uma tarefa das mais fáceis. Se outros artistas baianos como Daniela Mercury, Carlinhos Brown e a própria Ivete são relativamente populares em países europeus como Espanha, França e Portugal, nos Estados Unidos e seu mercado fonográfico concorrido e quase auto-suficiente, a missão fica mais complicada.
Para esse show, Ivete se afasta um pouco mais do gênero que a consagrou. Embora os hits carnavalescos ainda façam parte de seu repertório, estas serão intercaladas por canções de ritmos mais universais. A cantora já adiantou que incluirá nesse disco músicas cantadas em inglês e espanhol (buscando, nesse sentido, o público americano e de origem hispânica). Além disso, mesmo em suas produções anteriores, o axé music já aparecia cada vez mais diluído em canções que flertavam com outros estilos musicais como funk, soul e reggae. Trata-se de uma estratégia orientada para a expansão de sua carreira para além dos trios elétricos.
No que diz respeito a indústria fonográfica e sua crise com os suportes de gravação, o show reafirma a importância das apresentações ao vivo. Uma parceria entre a cantora e a empresa de viagens aéreas Tam promoveu uma bem sucedida venda de pacotes de viagem para assistir o show em Nova York. Não é preciso calcular muito para perceber que ver Ivete Sangalo na cidade americana será muito mais dispendioso do que aguardar sua turnê brasileira, no entanto, entra ai a “economia da experiência” que legitima o investimento feito por cerca de 5 mil fãs: “Assistir Ivete Sangalo no Madison Square Garden é uma experiência única”. Por outro lado, esse evento também relativiza essa crise da indústria fonográfica ao demonstrar a importância da participação das gravadoras em grandes ações promocionais. Como Ivete é hoje a principal artista no cast da Universal, sendo sua recordista em vendas de CDs e DVDs, a gravadora não poupou investimentos para o projeto que traz convidados de fama internacional, cenografia elaborada pelo mesmo artista que trabalhou com Madonna e Black Eyed Peas e uma forte campanha publicitária. Nesse sentido o show realmente é único, uma superprodução que só acontece uma vez para que seja feita a gravação do DVD. Menos interessada em lucrar com a micro-turnê americana, Ivete e sua produtora (a Caco de Telha, pertencente ao irmão da cantora) está voltada para a divulgação de seu trabalho, que depois tende a reverter dividendos para a gravadora e turbinar sua agenda de shows, evidentemente mais simples, pelo país afora.
Por fim, gostaria de lembrar mais uma vez das estratégias de endereçamento dos conteúdos musicais. Em matéria do “New York Daily News" a cantora foi denominada como a “Beyonce do Brasil”. Apesar de aparentemente negar tal comparação, Ivete já buscava essa aproximação desde que ajudou a promover a turnê da artista pop americana esse ano aqui no Brasil. Foi ela quem abriu o show de Beyonce em Salvador e São Paulo. E em comerciais de TV a similaridade física e de performance foi amplamente explorada. Ivete chegou a adotar corpetes que lembram o figurino utilizado por Beyonce em seus shows. A estratégia de usar artistas mais conhecidos como referência ainda é uma forma bem sucedida de posicionar artistas desconhecidos em um determinado mercado musical.
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Direitos autorais livres dos intermediários?
Enquanto isso, no mercado da música brasileiro, artistas já se aproveitam das brechas existentes nos contratos que assinaram com as editoras e gravadoras, pré-internet e celular, para retomar os direitos sobre seus fonogramas, e nos Estados Unidos os artistas que venderam suas obras a partir de 1º de janeiro de 1978 se preparam para retomá-las, como mostra matéria publicada na revista Digital do Globo de ontem:
Lei americana permitirá a artistas e escritores retomar direitos autorais em 2013
André Machado - 23/11/2009
RIO - No que diz respeito ao delicado terreno do entretenimento digital, podemos apostar que o fim do mundo não será em 2012, como quer o filme de Roland Emmerich, mas em 2013. A partir de então, as últimas três décadas da indústria cultural como a conhecemos poderão ir pelos ares graças à letra fria da lei - pelo menos a dos EUA. Isso porque, em 1976, o Congresso americano aprovou o Copyright Act, especificando que, se um compositor ou escritor vendeu os direitos de suas obras a uma gravadora ou editora antes de 1978, tem o direito de retomá-los 56 anos depois da venda (o que já permite a retomada, este ano, de quem gravou ou escreveu algo e cedeu os direitos até 1953, lá).
Pode ser um golpe duro para a indústria musical, que tem recorrido a tudo para se manter em pé - de ringtones de celulares a investimentos em turnês e shows, sem falar dos jogos do tipo Guitar Hero e Rock Band. E as editoras não ficam atrás, a vingar a onda iniciada pelo e-reader Kindle, que já tem como concorrentes Sony Reader, Nook (da Barnes & Noble) e, recentemente, até o Intel Reader, capaz de converter textos impressos em forma digital. E sem falar de redes P2P, blogs e torrents com toneladas de ofertas de downloads, projetos como Google Editions e assim por diante.
Tudo isso está registrado na seção 304 da lei (www.copyright.gov/title17/92chap3.html#304). Já na seção 203 está escrito que essa mesma retomada de direitos pode ser levada a cabo 35 anos depois da venda, se ela ocorreu depois de 1º de janeiro de 1978 (www.copyright.gov/title17/92chap2.html#203).
Esses 35 anos da última provisão citada vencem exatamente a partir de 2013, quando os artistas podem requerer de volta seu copyright e revendê-lo diretamente - pela internet... - sem a necessidade de intermediários.
Ainda há muito ranger de dentes, mas o desfecho da história pode não ser negativo. Pelo contrário, afirma Renato Opice Blum, advogado brasileiro especializado em direito digital.
- A retomada dos direitos autorais certamente vai mexer com o mercado, gerar novas negociações e contratos e levar a um melhor aproveitamento das novas tecnologias - diz ele.
Existe um outro aspecto dessa "bomba-relógio" jurídica, que se aplica também ao Brasil, segundo o advogado e presidente do iCommons Ronaldo Lemos.
Nos contratos de artistas e autores brasileiros com as empresas, a questão é diferente da que está acontecendo lá fora.
- Nossa bomba-relógio é outra. Ela consiste no fato de que sempre que um artistas cede suas músicas para a editora, ele autoriza apenas o uso nas tecnologias existentes no momento da cessão - explica o presidente do iCommons. - Em outras palavras, muitos artistas que fizeram contratos nos anos 80 e até nos anos 90 não podem ter suas obras exploradas em ringtones de celular, internet e outras formas de utilização inexistentes até então.
Nos últimos tempos, encarniçadas batalhas judiciais pelos direitos autorais têm sido travadas nos EUA. Os herdeiros do escritor John Steinbeck (dos clássicos "As vinhas da ira", "Sobre ratos e homens"), por exemplo, ganharam em 2006 e perderam em 2008 os direitos sobre seus livros, que ficaram com a Penguin Books. Já em agosto deste ano, os herdeiros de Jerry Siegel, um dos criadores do Super-Homem, ganharam os direitos sobre as primeiras histórias publicadas do herói, numa disputa com a Warner Brothers e a DC Comics.
Segundo o site Law.com, especializado em Direito, esses processos vão ficar ainda mais beligerantes a partir de 2013. De acordo com o site, advogados a serviço de artistas e grupos como Eagles, Journey, Barbra Streisand e outros já estão em campo pesquisando o estado de contratos antigos de seus clientes.
- Algo parecido está acontecendo aqui no Brasil. Artistas como Gilberto Gil, Zé Ramalho e Chico Buarque estão pleiteando nos tribunais interpretações para retomar os direitos que cederam às editoras - lembra Ronaldo. - O fundamento é diferente dos EUA, não por conta de tempo, mas de outras peculiaridades da lei brasileira. A decisão do Gil saiu há alguns anos e ele conseguiu reaver na Justiça todos os seus direitos. O Chico e o Zé Ramalho ainda não têm decisões finais.
Richard Stallman, pai do movimento do software livre e um dos ativistas mais ferrenhos contra o estado atual do copyright, diz num ensaio que a própria concepção dos direitos autorais levou a distorções.
- O sistema de copyright provê privilégios e benefícios a autores e editores, para incentivá-los a escrever mais e publicar mais, em benefício do progresso e do público - diz Stallman, que aponta o erro de dar poder excessivo aos editores por longos períodos. - Mas, se o copyright é uma barganha feita em nome do público, deveria servir ao interesse deste acima de tudo. Eu jamais comprarei um desses e-books encriptados e restritos [leia-se Kindle, por exemplo], e espero que vocês os rejeitem também.
É o caso de esperar para ver o que os artistas farão quando lhes couberem a faca e o queijo na mão. Se a indústria deixar. Em 1999, tentou-se uma emenda ao Ato de 1976, que não vingou. Uma alternativa, ao menos para a indústria musical, seria gravar novas versões de velhas músicas, para criar novos prazos de direitos autorais, e deixar os antigos com os artistas.
Por ora, fica um bom exemplo do grande mestre Ray Charles, que negociou seu contrato com a ABC Records e pediu que os masters de suas gravações pertençam a ele. A reação do dono da gravadora foi algo como "Mas ninguém faz isso...". Entretanto, o cantor conseguiu: o acordo, de novembro de 1959, deu-lhe o direito de reter todos os seus masters após a conclusão do contrato, garantindo-lhe segurança financeira. Um acordo mais liberal do que muitos artistas pop tinham então - e ainda hoje!.
Axé music: livro e documentário investigam o gênero musical
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Rumos da indústria da música
A íntegra da entrevista pode ser acessada aqui.
Vale a pena também conferir o site da Phonobase, que exemplifica algumas questões discutidas no LabCULT. A página inicial traz imagens que ilustram diferentes suportes para a escuta musical, e a empresa diz que seu objetivo é "tentar entender aquilo que chamamos de 'cultura auditiva', ou seja, a forma como as pessoas se relacionam com a música de corpo (o consumo) e de alma (a experiência musical)".
quarta-feira, 22 de julho de 2009
Mais notícias do MPB: "Zélia Duncan retira assinatura do Música Para Baixar"
Zélia Duncan retira assinatura do Música Para Baixar
Enviado por Jamari França - 20.7.2009 | 11h42mZélia está nos Estados Unidos e de lá enviou por e-mail sua posição:
“Eu nunca baixei uma música sequer. Já aceitei uma ou outra de amigos que me mandaram coisas raras, que não se encontram por aí, o que acho tão válido quanto aqueles cassetes que fazíamos antigamente, que copiávamos na casa de um amigo, ou dávamos de presente de aniversário com repertórios sortidos.
Eu realmente entendi de outra forma esse “manifesto” e lamento ver meu nome usado nas trincheiras dessa forma, pois eu defendo que a música não aparece na Internet por um passe de mágica. Alguém criou, alguém gravou, é a nossa profissão, não é um presente dos deuses.
O que sempre defendi foi que tenhamos uma opção para isso tudo, que possamos comprar com facilidade as canções que quisermos ter. Assim como o iTunes proporciona para quem tem cartão internacional, o que não é o meu caso, nem o da maioria esmagadora de brasileiros. Adoro a Internet, me fascina a possibilidade de democratizar, de divulgar, de ser independente, mas não apoio que as pessoas baixem indiscriminadamente as coisas, como se elas não tivessem dono, como se não fosse a nossa vida, nosso suor e nosso trabalho. Defendo as saídas que sejam benéficas para ambos os lados. Viva a Música Brasileira!”
Zélia explicou que não se trata de nenhum tipo de rompimento com Leoni – “eu o tenho em altíssima conta! É um guerreiro incansável e um artista que admiro muito” - nem com os demais signatários. Leoni recebeu com elogios a posição de Zélia:
- Zélia tem uma posição muito coerente. Não esperava menos da minha parceira e amiga. Admiro-a como artista e como pessoa pública, sempre se posicionando, mesmo quando o assunto é espinhoso. Sou a favor da pluralidade de idéias e acho-a indispensável para criarmos soluções boas para todo mundo. No fim das contas o que interessa é encontrarmos caminhos que sejam bons para a música brasileira,” disse Leoni por e-mail.
O assunto foi tema de matéria do Segundo Caderno de “O Globo” neste domingo (leia aqui) assinada por Leonardo Lichote que foi colocada no site e gerou algumas respostas coerentes e outras desbaratadas. Não é verdade que o artista nada ganha pelos discos vendidos nas gravadoras. Ele ganha um percentual por intérprete e um percentual por autor quando é o caso. Também recebe por execução em rádio e pelas músicas que toca nos shows.
O próprio Leoni me disse – “Não quero acabar com o direito autoral - boa parte da minha renda mensal vem daí, mas flexibilizá-lo para adaptá-lo ao novo mundo.”
O artista recebe, não é a parte do leão, que fica entre gravadora e loja. Acho de uma total arrogância dizer que o artista deve ganhar dinheiro mesmo é com show. Com que direito alguém se apropria do trabalho alheio e manda o espoliado se virar de outro jeito. Quem defende essa posição gostaria de ver seu trabalho expropriado desse jeito e alguém mandar que fosse ganhar dinheiro vendendo fruta na feira? Duvido. Se doesse no bolso de quem faz o download gratuito queria ver ele manter a mesma posição.
Se o artistas quer ceder seu trabalho de graça em nome de uma nova realidade de mercado, que o faça. Para se projetar é um mecanismo válido, para se manter sem contrato de uma gravadora é válido. É muito citado o caso dos Arctic Monkeys que se projetaram a partir da internet. Mas onde eles estão hoje? Dentro de uma gravadora. Os que têm se dado bem com esse esquema de venda direta são nomes que enriqueceram ou se projetaram através do velho esquema como Radiohead e Nine Inch Nails.
Para ficar bem clara a minha posição: sou contra o download ilegal e a favor da busca de novos modelos de comercialização de músicas. Sou contra os atravessadores e acredito que no futuro o artista se relacionará diretamente com o fã numa relação benéfica para s dois lados. No blog Música Líquida, de Leoni e Marcelo Pereira, há muito material a respeito e destaco a conferência de Michael Masnock no Midem sobre a experiência bem sucedida de Trent Reznor/Nine Inch Nails. Finalmente, não sou a favor de maneira alguma da penalização dos fãs que baixam músicas.
Para encerrar uma declaração de Leoni sobre a questão:
Esse é um assunto que causa muita dúvida e muito debate. Se tentarmos compreender esse novo mundo usando os conceitos antigos vamos ficar frustrados e saudosistas. Eu não acho que a realidade corresponda ao meu ideal. Num mundo perfeito as músicas seriam pagas por download ou streaming. E bem pagas. Acontece que ele não é assim e nenhum sistema de controle se mostrou viável. Todos os processos movidos pela RIAA contra usuários de música resultaram em fortunas para os advogados e nenhum centavo para artistas ou gravadoras. Eu concordo com o Gerd Leonhard sobre esse universo de Música 2.0, temos que desistir do controle e inventar alguma forma de compensação. Para mim o modelo que deve resolver esse problema é o do Spotify: acesso a todo o universo musical on-demand em troca de um pagamento pelo uso do serviço. Esse dinheiro é dividido entre os artistas em função do número de execuções que tiverem.
Eu venho escrevendo regularmente sobre o assunto no meu blog Música Líquida. Sugiro a leitura de alguns textos que sintetizam esse pensamento. Não quero acabar com o direito autoral - boa parte da minha renda mensal vem daí - mas flexibilizá-lo para adaptá-lo ao novo mundo. Alguns casos recorrentes vêem mostrando que, na internet, quanto mais se dá, mais se vende.
domingo, 19 de julho de 2009
MPB agora significa Música para Baixar
Zélia Duncan, Léo Jaime e Leoni encabeçam manifesto que defende fã que baixa música
RIO - O tom é contundente: "Quem baixa música não é pirata, é divulgador!". Extraída do manifesto Música Para Baixar (MPB), a frase sintetiza o teor do texto que, no ar há uma semana, já arregimentou mais de 800 assinaturas on-line. Entre elas, as de artistas como Zélia Duncan (que reforçou seu apoio com o recado "é fundamental que isso aconteça", ao lado de seu nome), Léo Jaime, André Abujamra, Ritchie, Roger Moreira (Ultraje a Rigor) e Leoni - um dos idealizadores do manifesto (leia na íntegra) .
- Existe um discurso oficial das gravadoras de que nós, artistas, somos prejudicados pela chamada pirataria digital. Queríamos mostrar que há uma outra forma de se olhar para a situação - explica Leoni. - O fã que baixa divulga nossa música de graça. Um ótimo exemplo é o caso do compositor americano Corey Smith, que põe suas músicas disponíveis de graça em seu site e à venda no iTunes. Ele fez um teste e tirou as canções do seu site. As vendas delas no iTunes caíram. E voltaram a crescer quando ele voltou a disponibilizá-las gratuitamente.
O manifesto nasceu no 1º Fórum Música Para Baixar, realizado no mês passado em Porto Alegre, como parte da programação do Fórum de Software Livre. Entre suas propostas, o movimento MPB defende a isenção de impostos para a música. Quer ainda debater junto ao Ministério da Cultura a flexibilização dos direitos autorais.
- Os direitos autorais nasceram para incentivar os artistas a produzirem sua obra para a sociedade. Hoje, isso se perdeu em distorções - avalia Leoni. - Uma escola pública de Taubaté foi impedida de fazer sua festa junina porque o Ecad cobrou direitos das músicas que seriam executadas. Eles não tinham dinheiro. Mas uma escola particular tem. Nesse caso, os direitos autorais servem para aumentar a distância entre o ensino público e o privado.
Assinado também por artistas novos emergentes como Macaco Bong e Teatro Mágico (outro que está entre os organizadores do documento), o manifesto define o movimento MPB como uma "reunião de artistas, produtores(as), ativistas da rede e usuários(as) da música em defesa da liberdade e da diversidade musical que circula livremente em todos os formatos e na internet".- Estão aparecendo propostas perigosas de cercear a internet, criar uma vigilância sobre os usuários. É certo acabar com a liberdade de troca de informação da rede em nome de um negócio que está acabando? - pergunta o compositor, referindo-se às gravadoras e ao modelo fonográfico tradicional. - E, na internet, todo cuidado é inútil. É melhor eu pôr minhas músicas no meu site que encontrá-las no Lime Wire (site de compartilhamento) atribuída a outros autores, com qualidade baixa ou vírus.
Vale a pena publicar aqui a íntegra do manifesto, que pode ser encontrada no site do movimento MPB.
Para assiná-lo, acesse: www.petitiononline.com/mpb/
Manifesto Movimento Música para BaixarÉ a partir do surgimento da democratização da comunicação pela rede cibernética, que a conjuntura na música muda completamente.
Um mundo acabou. Viva o mundo novo!
O que antes era um mercado definido por poucos agentes, detentores do monopólio dos veículos de comunicação, hoje se transformou numa fauna de diversidade cultural enorme, dando oportunidade e riqueza para a música nacional – não só do ponto de vista do artista e produtor(a), como também do usuário(a).
Neste sentido, formamos aqui o movimento Música para Baixar: reunião de artistas, produtores(as), ativistas da rede e usuários(as) da música em defesa da liberdade e da diversidade musical que circula livremente em todos os formatos e na Internet.
Quem baixa música não é pirata, é divulgador! Semeia gratuitamente projetos musicais.
Temos por finalidade debater e agir na flexibilização das leis da cadeia produtiva, para que estas não só assegurem nossos direitos de autor(a), mas também a difusão livre e democrática da música.
O MPB afirma que a prática do “jabá” nos veículos de comunicação é um dos principais responsáveis pela invisibilidade da grande maioria dos artistas. Por isso, defendemos a criminalização do “jabá” em nome da diversidade cultural.
O MPB irá resistir a qualquer atitude repressiva de controle da Internet e às ameaças contra as liberdades civis que impedem inovações. A rede é a única ferramenta disponível que realmente possibilita a democratização do acesso à comunicação e ao conhecimento, elementos indispensáveis à diversidade de pensamento.
Novos tempos necessitam de novos valores. Temas como economia solidária, flexibilização do direito autoral, software livre, cultura digital, comunicação comunitária e colaborativa são aspectos fundamentais para a criação de possibilidades de uma nova realidade a quem cria, produz e usa música.
O MPB irá promover debates e ações que permitam aos agentes desse processo, de uma forma mais ampla e participativa, tornarem-se criadores(as) e gestores(as) do futuro da música.
O futuro da música está em nossas mãos. Este é o manifesto do movimento Música Para Baixar.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Coldplay vende mais de 1 milhão de álbuns digitais nos Estados Unidos
Banda liderada por Chris Martin vende mais de 1 milhão de álbuns digitais nos Estados Unidos
De acordo com o NME.com, os britânicos do Coldplay foram os primeiros artistas a vender mais de um milhão de álbuns digitais nos Estados Unidos. Os números, que foram fornecidos pela auditoria Nielsen Soundscan, incluem os resultados de venda dos quatro álbuns de estúdio completos da banda, um disco ao vivo e o mais recente EP, o LeftRightLeftRightLeft.
No mundo todo, o Coldplay já vendeu mais de 2 milhões de álbuns no formato digital.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Gravadoras se rendem à cultura da web?
O texto, do jornalista Leonardo Lichote, diz que estamos em um "momento de virada da relação da indústria [fonográfica mundial] com o meio digital" e que este momento tem reflexos no Brasil. A virada significaria que a indústria começa a "trabalhar com o internauta na lógica da web na qual ele foi acostumado, usando a mesma oferta virtualmente infinita encontrada nos serviços de download ilegal, sem cobrar nada ou a um preço baixo".
Exemplos dessa mudança na indústria da música seriam:
- O site brasileiro Sonora (www.sonora.com.br), que, na lógica da cultura do acesso, permite escutar as músicas gratuitamente, e cobra R$ 19,90 mensais para o download.
- O site Spotify (www.spotify.com), que permite que os usuários escutem as músicas, junto com anúncios publicitários, gratuitamente, e sem anúncios publicitários a 9,99 libras mensais (o serviço ainda não está disponível no Brasil, mas o vídeo de propaganda do site está disponível no endereço acima).
- O site Qtrax (www.qtrax.com), que permite o download gratuito.
- Celulares, como o Nokia 5800 que, quando comprados, permitem que os consumidores baixem músicas por um período de um ano. Os arquivos são protegidos, não sendo permitido gravar as músicas em outros suportes, como um CD.
- Músicas vendidas em pen drive, como as coletâneas Pen Music da EMI.
- Músicas vendidas em estações digitais semelhantes a caixas automáticos, que podem ser baixadas para pen drives ou MP3 players, como a que existe na Fnac.
Deixo as análises para os pesquisadores de música do LabCULT.
quinta-feira, 12 de março de 2009
Evento sobre indústria da música na UFRJ - ECO
quarta-feira, 11 de março de 2009
Álbum que tematiza o excesso de informação é lançado somente pela internet

Felipe Schuery, ex-banda Lasciva Lula, acaba de lançar o álbum Data Crônica . A obra, com 14 músicas, interessa duplamente ao LabCULT. Em primeiro lugar, foi lançada somente na internet (as músicas podem ser baixadas aqui), utilizando como meio de circulação e divulgação MySpace, blogs e Twitter. Em segundo lugar, o próprio tema das músicas: "o excesso de informação e a necessidade de encontrar meios de filtrar tudo isso e produzir algo pessoal", como escreve meu irmão Lucas (leia aqui) no outro blog de que participo, O Caroço. No blog, há também uma mini entrevista com Felipe Schuery (leia aqui), em que o músico fala como surgiu o tema das letras - "croniquetas de uma época regada a informação" - e da importância de se disponibilizar músicas na internet - "consumir o processo (não só o fim) já é fato na geração que nasceu teclando".
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
SERTANEJO UNIVERSITÁRIO
Segue o link para a matéria que fala sobre a emergência do tal sertanejo universitário.
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
Tecnobrega - link para o livro
O excelente livro, vendido pela Aeroplano, também está disponível gratuitamente neste link para download.
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Música, Ídolos, Poder e André Midani
A declaração da atriz Fernanda Torres, encontrada num “teaser” que recebi do livro “André Midani: Música, Ídolos e Poder – do vinil ao download”, dá a medida da importância de André Midani especificamente (mas também de todos os produtores musicais em geral) para a história da indústria fonográfica no Brasil, contribuindo para o estabelecimento de um mercado interno razoavelmente sólido para a música brasileira (ao contrário das dificuldades sofridas pelo cinema nacional nesse quesito, como faz muito bem em comparar a atriz).
O livro está na minha lista de compras de fim de ano. Que venha logo o meu 13º!
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Lançamento do livro: "Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da Música"
O post está um pouco atrasado, mas vale a pena divulgar. Será lançado daqui a pouco, às 19h30, na livraria do Unibanco Arteplex, na Praia de Botafogo, 316 (Rio de Janeiro), o livro Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da Música, de Ronaldo Lemos e Oona Castro (Editora Aeroplano).
Segue o texto de divulgação, enviado por Oona:
"O livro é resultado de um estudo sobre modelos de negócios abertos que realizamos ao longo de 2006 e 2007. A pesquisa foi realizada pelo Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV DIREITO RIO, em parceria com o Overmundo, a FGV Opinião e a FIPE-USP. E contou com o patrocínio do IDRC (International Development Research Centre), órgão do governo canadense de apoio à pesquisa e desenvolvimento.
Publicado pela Aeroplano Editora, o livro faz parte da coleção Tramas Urbanas.
A obra baseia-se em relatórios e materiais produzidos pelos pesquisadores dessas instituições: mais diretamente, compuseram o grupo de pesquisa Ronaldo Lemos, Oona Castro, Hermano Vianna, José Marcelo Zacchi, Alessandra Tosta, Elizete Ignácio, Marcelo Simas, Monique Menezes, Arilson Favareto, Ricardo Abramovay e Reginaldo Magalhães.
Para saberem um pouquinho do se trata, vejam o que Hermano Vianna diz:
Que a indústria fonográfica mundial está em crise, disso ninguém duvida. Todo mundo anda procurando o "novo modelo de negócios". Escondido em Belém do Pará, o tecnobrega testa uma original economia criativa há anos, na marra. As músicas saem direto de estúdios de periferia e são distribuídas nos camelôs da cidade, animando gigantescas festas de aparelhagem, sem mais depender da grande mídia ou gravadoras. Um mundo paralelo cujo funcionamento é finalmente revelado neste livro, estudo pioneiro sobre as novas indústrias culturais que comandam a vida musical mais popular no Brasil de hoje. Quem quiser pensar o futuro da música não pode ignorar as lições tecnobregas da Amazônia digital. (Hermano Vianna)"
terça-feira, 29 de julho de 2008
Cansei de Ser Impresso

quinta-feira, 19 de junho de 2008
Live Nation 3 X 1 Gravadoras

E parece que a indústria fonográfica vai perder mais uma... Burburinhos apontam para uma saída “estratégica” da banda Rolling Stones do selo EMI. Depois de um contrato de 30 anos, a banda parece estar firmando um novo contrato com a Live Nation. Isso mesmo, a mesma empresa que retirou a Madonna da Warner e o Jay-Z da (qual era mesmo a gravadora do rapper?). Verdade que os Stones desmentiram a transação, mas quem vai acreditar nisso quando o que estamos assistindo é um escoamento crescente de grandes artistas das gravadoras. A justificativa para a mudança está associada à insatisfação dos artistas em limitar seus lucros nas vendas de CDs que despencam ladeira abaixo. Assim, as bandas estão menos interessadas nos tradicionais contratos de gravação e mais animadas com a possibilidade de lucrar em cima de turnês e merchandising. Não é por acaso que Madonna confirmou turnê na América Latina, inclusive no Brasil (já começaram a vender os ingressos?). “Shine in Light”, o documentário/espetáculo do Scorcese teve a trilha gravada pela rival Universal, o que para muitos é mais um sinal do rompimento. Enquanto isso a EMI, agora pertencente ao grupo Terra Firma anunciou corte de 2 mil pessoas. Será que a Live Nation também vai contratá-los? Mas a EMI teve uma boa notícia essa semana; o Coldplay já vendeu 125 mil cópias no primeiro dia de lançamento do novo disco “Viva La Vida”. Ou seja, sobrevida para as gravadoras!
A reportagem está na Reuters