sábado, 24 de abril de 2010
Formuleta 4 acordes do pop
A banda "cômica" Axis of Awesome fez essa apresentação na qual eles mostram como váaaaarias músicas pop têm como base os mesmíssimos quatro acordes, muitas até no mesmo tempo. Apesar de ser uma provocação (bem legal e engraçada) que nos faz pensar sobre a clássica ideia de que as músicas pop seguem sempre a mesma formuleta, fiquei pensando também como são infinitas as possibilidades de reapropriação dos mesmo sons para criar canções com propostas, letras, roupagens completamente diferentes e como essas criações são (sim!) muito criativas. Isso sem contar que tenho certeza de que em muitas dessas músicas as bandas não tinham nem noção de que estavam usando sequências de acordes que já foram usadas. Enfim, embora não seja infinito o número de combinações de acordes que se pode fazer, as maneiras de se repropriar deles o são. Viva a cultura pop!
"Brasil, Portugal - Lá e Cá" - programa de televisão aproxima os dois países
Bacana, muito bacana...
Co-produção das televisões públicas TV Cultura, do Brasil. e RTP2, de Portugal, o programa "Brasil, Portugal - Lá e Cá", que começa a ser exibido simultaneamente nos dois países no próximo domingo, dia 25 de Abril, é uma série de treze episódios que mostram, em ângulos ainda pouco conhecidos, o Brasil aos portugueses e Portugal aos brasileiros.
Mistura de documentário com "talk show", o programa "Lá e Cá" é apresentado pelo jornalista brasileiro Paulo Markun e pelo português Carlos Fino, Conselheiro de imprensa da Embaix ada de Portugal em Brasília.
Em conversas informais, eles debatem as semelhanças e as diferenças entre os dois países, fornecem informações para o telespectador compreender melhor os processos de c ada país e tratam da evolução e perspectiva das relações entre o Brasil e Portugal.
A série aborda assuntos actuais e, quando necessário, resgata informações no passado, procurando sempre manter o olhar voltado para o futuro.Semelhanças e diferenças, curiosidades, subtilezas, resgate histórico e cultural entre dois países tão distantes e, ao mesmo tempo, tão próximos.
Co-produção das televisões públicas TV Cultura, do Brasil. e RTP2, de Portugal, o programa "Brasil, Portugal - Lá e Cá", que começa a ser exibido simultaneamente nos dois países no próximo domingo, dia 25 de Abril, é uma série de treze episódios que mostram, em ângulos ainda pouco conhecidos, o Brasil aos portugueses e Portugal aos brasileiros.
Mistura de documentário com "talk show", o programa "Lá e Cá" é apresentado pelo jornalista brasileiro Paulo Markun e pelo português Carlos Fino, Conselheiro de imprensa da Embaix ada de Portugal em Brasília.
Em conversas informais, eles debatem as semelhanças e as diferenças entre os dois países, fornecem informações para o telespectador compreender melhor os processos de c ada país e tratam da evolução e perspectiva das relações entre o Brasil e Portugal.
A série aborda assuntos actuais e, quando necessário, resgata informações no passado, procurando sempre manter o olhar voltado para o futuro.Semelhanças e diferenças, curiosidades, subtilezas, resgate histórico e cultural entre dois países tão distantes e, ao mesmo tempo, tão próximos.
No primeiro episódio, depoimentos como os da cantora Fafá de Belém, do jornalista português do semanário Expresso, Nicolau Santos, da artista plástica brasileira residente em Portugal, Letícia Barreto , do cantor e e compositor brasileiro Tom Zé e da fadista luso-moçambicana Mariza trazem-nos pontos de vista individuais que contextualizam o cenário sócio-cultural luso-brasileiro.
Os episódios do "Lá e Cá", ficarão disponíveis, logo após o seu lançamento, no site www.tvcultura.com.br/laeca, com a opção de que o público envie os seus comentários e os seus proprios vídeos. Os mais criativos ficarão em destaque.
Exibições: na TV Cultura, aos Domingos, às 21h (horário de Brasília). Na RTP 2, aos Domingos, às 21h (horário de Portugal).
Fonte: http://embaixada-portugal-brasil.blogspot.com/2010/04/brasil-portugal-la-e-ca-programa-de.html. Acessado em 24 de abril de 2010.
Fonte: http://embaixada-portugal-brasil.blogspot.com/2010/04/brasil-portugal-la-e-ca-programa-de.html. Acessado em 24 de abril de 2010.
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Música e Cultura Portuguesa
domingo, 18 de abril de 2010
Ventos de Abril
Entre quinta-feira e sábado passados, o ultra-badalado clube lisboeta Musicbox sediou a segunda edição do projeto/festival Lisboa, Capital, República, Popular, espécie de cereja-no-bolo das comemorações pelo aniversário da Revolução dos Cravos, a ocorrer no próximo domingo, dia 25 de abril. Ano passado desfrutei da benção de estar na capital portuguesa durante as celebrações pelos 35 anos da Revolução e confesso que o ciclo de shows do MusicBox foi das melhores coisas que tive a oportunidade de testemunhar. A proposta, no mínimo original, consiste na reunião de nomes a princípio improváveis, representantes de diversas gerações da música pop portuguesa, em torno da exaltação dos ideais de abril. O concerto a que assisti em 2009 juntava o veterano Sergio Godinho, o neo-trovador JP Simões e o duo brazuca Coupple Coffee em uma singela homenagem ao cantor e compositor Zeca Afonso. Na edição 2010 do festival, a escalação me pareceu ainda mais eclética: Oquestrada, Boss AC e Samuel Úria dividiram o palco na noite de estreia; sexta foi a vez de Carminho, B Fachada e Pedro Abrunhosa juntarem vozes; o encerramento, ontem, contou com Vitorino, Os Quais e a Brigada Victor Jara. Do (neo)fado ao hip hop, do acid jazz à canção alentejana, do pop de tintas luso-tropicalistas ao trovadorismo low-fi made in Flor Caveira, opções para todos os gostos.
E não só: ao alinhavar artistas e bandas vinculados a momentos históricos, gêneros e públicos tão distintos, o que o Festival Lisboa, Capital, República, Popular desenha é uma espécie de árvore genealógica da música portuguesa contemporânea, com suas redes de filiações, graus de parentesco e a consequente transmissão de "heranças simbólicas", configurando um excelente objeto de estudo, na mesma medida de riqueza do já célebre álbum "O irmão do meio", em que Sergio Godinho - sempre ele - se junta a Caetano Veloso, Milton Nascimento, Jorge Palma, o caboverdiano Tito Paris e à turma do Clã para um delicioso e nada inocente disco de duetos.
***
Ainda no espírito de abril: tem certas coisas que a gente acha que é da esfera do estereótipo e da mitificação até se deparar, cara a cara, com elas. Da mesma forma que é considerado o cúmulo do clichê turístico supor que, no Brasil, é possível andar pelas ruas da cidade e escutar samba saindo das janelas das casas das pessoas, eu também achava que a relação entre Lisboa e o fado se dava apenas por intermédios das casas dedicadas ao gênero. Até que um dia, caminhando pelas ruas de Alfama, tive os ouvidos invadidos pela melodia que compartilho a seguir com todos os labcultianos. E já que estamos falando de clichês, pareço redundante se disser que sinto saudade?
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Música e Cultura Portuguesa
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Remixes e fragmentação das identidades

No nosso encontro na última 6a feira fiquei pensando sobre uma ideia que o Frith explora (ainda que rapidamente) no capítulo 11 do Performing Rites: o fato de que a música é mais parecida com as roupas que usamos (no sentido de construção de identidade pessoal) do que qualquer outra forma de arte. Que música, para além de ser ouvida, é também para ser "vestida". Ele diz que "as músicas que "usamos" são tão moldadas por nossos próprios desejos, nossos próprios corpos, quanto pelas intenções ou corpos ou desejos das pessoas que as criaram" (tradução minha, Frith 2006, p. 237). Ele parte dessa ideia para discutir performance e sons públicos e privados. Mas eu queria levar isso para o fato de que os usos e as apropriações que fazemos das músicas que ouvimos são centrais para a construção dos nossos selves. Ok, até aqui nada de tão novo, ainda mais se entendermos, como inúmeros autores, que gosto é categoria central para construção de identidade no mundo moderno, marcado pela noção de projeto, que acaba se atrelando às escolhas que são feitas e, portanto, ao que (e como) é consumido.
O que me parece senão novo, ao menos mais interessante, é pensarmos sobre como essa cultura do remix, dos mashups e dos samples que vivemos agora (também mencionada por Frith mais à frente - p. 242) pode ser pensada como, de certa forma, uma materialização do nosso entendimento (consciente ou não) de que nossas identidades são fragmentadas, fluidas e estão em permanente construção, exatamente como funciona a lógica da reconstrução potencialmente infinita das músicas (com os remixes) e de sua fragmentação (com mashups e criação baseada em samples, principalmente na música eletrônica). As músicas que muitas vezes "vestimos" seriam, assim, tão fragmentadas e transitórias quanto nossas próprias identidades.
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sábado, 3 de abril de 2010
O batidão do Batida
No último encontro do LabCULT, a propósito de uma conversa sobre as descobertas musicais que fiz durante o meu doutorado-sanduíche em Lisboa, alguém me perguntou o que seria o "batidão" made in Portugal. Citei o exemplo do Buraka Som Sistema, que vem arrebentando Europa e mundo afora graças a uma mistura atrevida de kuduro, funk e demais beats globais; falei da cena hip hop, fortíssima na Margem Sul da capital lisboeta e nos bairros periféricos da Amadora; mas o que me pareceu mais característico do momento musical português e, ao mesmo tempo, mais difícil de definir em poucas palavras, foi o som do projeto Batida - cujo CD de estreia, "Dance Mwangolé", lançado em finais de 2009, já começava a entrar na lista de melhores do ano que passou.
Em Angola, chamam "batidas" às compilações piratas de kuduro que saem dos subúrbios de Luanda para a cidade. Em Portugal, Batida virou o nome de um programa de rádio transmitido pela emissora Antena 3, e de um projeto capitaneado pelos DJs Mpula, Beat Laden e Ikonoklasta. O arquivo fonográfico da gravadora Valentim de Carvalho e o acervo de imagens do canal televisivo RTP referentes à Angola forneceram a base para a recriação proposta pelo trio. Bandas angolanas dos anos 70, discursos do presidente José Eduardo dos Santos e intervenções visuais que dialogam com o imaginário dos quadrinhos e da pop art fazem parte do caldeirão sonoro e audiovisual do Batida. E se a contagiante "Bazuka" não te parecer uma prima distante do nosso funk, melhor consultar um otorrino com urgência.
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