Eleições dos Estados Unidos se aproximando e embora o presidente eleito ainda não tenha sido definido ( ou já?) uma coisa é clara; a música foi um elemento central na campanha americana, particularmente para o candidato Barack Obama. Foram os democratas que lançaram um CD com músicas da campanha interpretadas por grandes nome da música pop americana como Stevie Wonder, Sheryl Crow, Kanye West e John Legend. Intitulado "Yes We Can: Voices of a Grassroots Movement", o álbum tem a renda destinada para a campanha e só após a eleição o lucro ficará com a gravadora responsável "Hidden Beach Recordings". O partido democrata também lançou na internet diversos videoclipes promovendo seu candidato. Com música do vocalista da banda Black Eyed Peas, Will.i.am, e participação da atriz e cantora Scarlet Johansson o vídeo virou hit no You Tube. Isso tudo sem falar nas várias declarações de apoio de artistas como Michael Stipe do R.E.M., Madonna, Joss Stone, Alicia Keys e Jay-Z. Num país que forjou a música pop e que tem em Hollywood um forte referencial para o imaginário social, essa aliança entre cultura e política tem um peso considerável nos rumos da eleição e vem apontando em direção à Obama. Ainda mais quando os jovens são grande parte do eleitorado, capaz de decidir a eleição, como vem apontando as pesquisas (ou será que não devemos confiar muito nelas?). Nos E.U.A. existe até uma fundação chamada "Rock the vote" que usa ícones do mundo pop para inserir os jovens na discussão política. Aqui tem o link para um trabalho apresentado no NP de Tecnologias da Informação e da Comunicação no INTERCOM desse ano que trata justamente do papel das novas tecnologias na campanha americana. Além da música, ressaltada nesse post, os pesquisadores apontam como o celular, o You Tube e outras ferramentas midiáticas foram utilizadas para promover o candidato democrata. Já o republicano John McCain, que não conta com um apoio tão intenso por parte da classe artistica americana, sendo muitas vezes impedido por bandas de utilizar suas músicas na campanha, e nem possui um caixa tão recheado como o de Obama, cita todo arsenal midiático do concorrente com ironia lembrando que "toda campanha publicitária é melhor que o produto".
sexta-feira, 31 de outubro de 2008
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Fazendo games realmente divertidos
Este é o título do último encontro da Quinta com TI, evento produzido pelo Centro de Informática e Telecomunicações do Senac Rio e que termina amanhã, dia 30/10. A apresentação faz parte de uma série de cinco palestras, todas realizadas neste mês de outubro.
A proposta de "Fazendo games realmente divertidos" é esclarecer apectos relativos aos processos de criação, produção, além de outros elementos específicos que configuram a experiência prazerosa de jogar videogame. A palestra será ministrada por Bruna Lima, especialista em Games do Senac Rio, e Yves J. Albuquerque, game designer e produtor da Magus Ludens.
O fato que me enche de orgulho é que Bruna foi aluna da minha disciplina " Criação de Roteiro para Games", curso que ofereci na Universidade Estácio de Sá no ano de 2007, época em que eu morava no Rio de Janeiro. Além de professora, hoje Bruna Lima é roteirista e level designer de jogos eletrônicos. É presença constante nos eventos da área e com certeza um dos nomes mais promissores dos estudos em games, do Brasil.
Para quem quiser conferir, a palestra tem início as 19 hs no centro do Rio de Janeiro, Rua Santa Luzia, 735, 7º andar, Auditório. As inscrições podem ser feitas pelo telefone 4002-2002 e custa apenas um quilo de alimento não perecível por pessoa.
Marcadores:
games
Música, Ídolos, Poder e André Midani
“Midani foi fundamental para que não acontecesse com a MPB o mesmo que se passou com o cinema brasileiro, eterno artesanato acachapado pelo grande cinema internacional. Graças à sua sensibilidade, pude ouvir Lulu, Rita Lee e os Titãs em pé de igualdade com os Rods, os Micks, e afins”.
A declaração da atriz Fernanda Torres, encontrada num “teaser” que recebi do livro “André Midani: Música, Ídolos e Poder – do vinil ao download”, dá a medida da importância de André Midani especificamente (mas também de todos os produtores musicais em geral) para a história da indústria fonográfica no Brasil, contribuindo para o estabelecimento de um mercado interno razoavelmente sólido para a música brasileira (ao contrário das dificuldades sofridas pelo cinema nacional nesse quesito, como faz muito bem em comparar a atriz).
O livro está na minha lista de compras de fim de ano. Que venha logo o meu 13º!
Marcadores:
Indústria fonográfica,
MPB,
música popular masiva
Em Lisboa como os lisboetas...
Salve, salve! Só que agora de Lisboa, pá, onde me encontro desde o último dia 22 de outubro, primeiro com a finalidade de participar do Congresso Narrando a Diáspora Portuguesa, promovido pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e agora aproveitando a convergência cósmica já citada num post anterior para dar início à pesquisa de campo referente à minha tese de doutorado. Escrevo estas linhas num quarto de hotel – melhor dizendo, no quarto de uma pensão no Bairro Alto ironicamente apelidado de quarto BIG, 15 euros a diária – enquanto espero por uma ligação que irá me levar – acreditem! – até uma roda de chorinho lisboeta em plena Alfama, cortesia da colega capiana, ecoína, e no momento lisboeta honorária, Claudia Góes. Até agora, posso dividir minha estadia na belíssima capital portuguesa em dois grandes macro-momentos: houve a “parte séria” da viagem, aquela que compreendeu o congresso propriamente dito (que foi um sucesso, embora com toda a polêmica que um trabalho sobre música massiva sempre vai provocar num evento mais voltado para a discussão literária) e outras atividades acadêmicas relevantes (como, por exemplo, a conferência de Arjun Appadurai sobre identidade e diferença na manhã do dia 27 na Fundação Calouste Gulbenkian, que descobri meio em cima da hora); e a “parte lúdica”, composta por intermináveis passeios pelas ruas do Rossio, pela FNAC do Chiado, bem como por idas a livrarias e restaurantes fenomenais (e Lisboa possui tanto livrarias quanto restaurantes fenomenais a cada esquina, quase sempre contendo livros e pratos fartos e a preços módicos). Há ocasiões em que as duas esferas se misturam, como quando ligo a TV para conferir as inacreditáveis telenovelas e programas vespertinos portugueses – pena que no quarto BIG não há televisão, pois já não consigo viver sem a RTP e a SIC [risos]. O mais curioso é perceber como numa mesma rede – no caso, os canais 1 e 2 da RTP – você pode encontrar tanto bizarrices tipo Portugal no coração (que semana passada passou em retrospectiva a carreira do folclórico Trio Odemira) quanto um programa como Câmera clara, que em sua última edição entrevistou o cineasta Fernando Lopes a propósito dos dez anos de morte do escritor José Cardoso Pires, em uma harmonia que dificilmente eu consigo enxergar na TV aberta brasileira (embora, por aqui, me pareça que a grande maioria dos portugueses – ou pelo menos os portugueses de Lisboa – possua TV a cabo).
Lisboa consegue ser cosmopolita sem ser sufocante. Há muita coisa a se fazer por essas bandas, mas os programas parecem distribuir-se equilibradamente ao longo da semana como que por obra da providência divina. Até o último domingo, tínhamos o festival Doclisboa 2008, que me possibilitou conhecer o majestoso Cinema São Jorge, em plena avenida da Liberdade. Amanhã, confiro um concerto da Count Basie Orchestra (no Campo Pequeno, uma praça de touros!) que vai contar com a participação dos fadistas Carlos do Carmo, Camané e Maria João e da rocker Manuela Azevedo, líder do Clã. Quinta tem o trovador José Mario Branco apresentando um novo espetáculo no Auditório da Culturgest, em parceria com os Gaiteiros de Lisboa, e o Legendary Tiger Man, expoente do novo rock português cantado em inglês, num concerto na casa de espetáculos Santiago Alquimista – dúvida cruel, não? Sexta, vai rolar um show do músico caboverdiano Tito Paris, num dos armazéns que fica à beira do Tejo. E no sábado, nas depedências do Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, já garanti a minha entrada para a apresentação solo de Bernardo Sassetti, ex-tecladista do Madredeus e atualmente compositor de trilhas sonoras para o cinema. Fora os dois fimes portugueses atualmente em cartaz – na verdade são três, mas Aquele querido mês de agosto eu já vi – e a semana que vem, cuja programação ainda não se encontra disponível nas agendas culturais mais detalhadas, como a Time Out Lisboa.
E aí? Continua achando que por aqui só se dança o vira e se come bacalhau?
Em breve, mais notícias lisboetas.
Até lá!
Lisboa consegue ser cosmopolita sem ser sufocante. Há muita coisa a se fazer por essas bandas, mas os programas parecem distribuir-se equilibradamente ao longo da semana como que por obra da providência divina. Até o último domingo, tínhamos o festival Doclisboa 2008, que me possibilitou conhecer o majestoso Cinema São Jorge, em plena avenida da Liberdade. Amanhã, confiro um concerto da Count Basie Orchestra (no Campo Pequeno, uma praça de touros!) que vai contar com a participação dos fadistas Carlos do Carmo, Camané e Maria João e da rocker Manuela Azevedo, líder do Clã. Quinta tem o trovador José Mario Branco apresentando um novo espetáculo no Auditório da Culturgest, em parceria com os Gaiteiros de Lisboa, e o Legendary Tiger Man, expoente do novo rock português cantado em inglês, num concerto na casa de espetáculos Santiago Alquimista – dúvida cruel, não? Sexta, vai rolar um show do músico caboverdiano Tito Paris, num dos armazéns que fica à beira do Tejo. E no sábado, nas depedências do Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, já garanti a minha entrada para a apresentação solo de Bernardo Sassetti, ex-tecladista do Madredeus e atualmente compositor de trilhas sonoras para o cinema. Fora os dois fimes portugueses atualmente em cartaz – na verdade são três, mas Aquele querido mês de agosto eu já vi – e a semana que vem, cuja programação ainda não se encontra disponível nas agendas culturais mais detalhadas, como a Time Out Lisboa.
E aí? Continua achando que por aqui só se dança o vira e se come bacalhau?
Em breve, mais notícias lisboetas.
Até lá!
Marcadores:
Música e Cultura Portuguesa
terça-feira, 28 de outubro de 2008
"Isso parece uma boate!"
Foto: Ilana Eleá, de celularMuitas vezes, quando achamos que deu tudo errado, que está tudo perdido, encontramos ótimas soluções e as coisas acontecem muito melhor do que havíamos planejado.
Na ONG onde trabalho, estamos oferecendo oficinas semi-preseciais de utilização das mídias na educação para professores de escolas públicas estaduais. São três turmas - duas na Zona Oeste e uma no Centro do Rio de Janeiro. Temos encontros presenciais sobre educomunicação, gestão da comunicação na escola, internet, jornal, rádio, vídeo e planejamento, seguidos, cada um deles, de duas semanas de encontros online. Apesar de sabermos das dificuldades que muitos professores e escolas encontram para o acesso ao computador e à internet, não ficamos preocupados com a possibilidade do curso semi-presencial dar errado, pois, como identificamos na hora da inscrição, quase todos os professores inscritos receberam da Secretaria Estadual de Educação (como já contamos aqui), laptop com modem para conexão com a internet.
Além disso, esperávamos que os professores inscritos, sabendo o tipo de curso, utilizassem minimamente o computador. No entanto, não pensamos que a expectativa deles era justamente que nós os ensinássemos a mexer no computador para que pudessem participar do curso sem atropelos.
Para solucionar esse problema, marcamos, em uma das turmas da Zona Oeste, uma aula extra de informática. Como o laboratório da escola sede do nosso curso está em obras, pedimos às professoras para levar seus computadores portáteis. No dia marcado, lá estavam elas, mas sem os laptops. Não foi esquecimento. A explicação, dada por uma das professoras, não pode ser ignorada, pois resume muitos dos problemas que atingem a educação pública:
- Nosso salário é baixíssimo, a gente nunca recebe aumento. O Estado dá um laptop pra gente ficar feliz, se a gente for assaltado, que dia que ele vai dar outro?
A tutora do curso, responsável pelas encontros a distância, sugeriu:
- Vamos pra lan house.
Eu, é claro, fiquei contentíssima com a sugestão, mas as professoras ficaram com medo.
- Vocês sabem onde estamos? Não sabem que este lugar é perigoso? - disse uma delas, referindo-se à favela da vizinhança.
A coordenadora da escola acalmou todo mundo:
- Nós sempre levamos os alunos pra lan house, desde que a obra do laboratório começou. Podem ficar tranqüilas.
Nada tranqüilas, fomos nós. A excitação era grande. Era a primeira vez que aquelas professoras entravam numa lan house. Tudo era motivo de espanto - a comunidade em volta, o tráfico atuando à luz do dia, o computador, a obrigatoriedade do cadastro com foto e tudo antes de navegar, a entrada em um mundo completamente desconhecido para elas, mas absolutamente familiar para seus alunos.
- Gente, isso parece uma boate! Por que é tudo escuro? - admirou-se uma das professoras, referindo-se ao céu "estrelado", ao corredor escuro, que esconde mais de 20 computadores, às cabines com cortinas pretas.
Durante uma hora, elas aprenderam a navegar no ambiente de formação a distância, fizeram MSN, aprenderam a salvar documentos no computador e enviar por e-mail. Mais do que isso, saíram da lan house visivelmente felizes e orgulhosas de terem começado a superar o que para elas é um desafio. Desvendar os "mistérios" do computador e aproximar-se do universo de seus alunos.
Marcadores:
educação,
inclusão digital,
lan house
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Também sou hype!
É realmente hilária a sátira que Hermes e Renato fazem das novas bandas hype e de todo o seu discurso a favor de um pretenso hibridismo, experimentação sexual e consumo de drogas. Como São Paulo se tornou cenário de grande parte dos códigos que se torna referência na cultura club brasileira, ele é o celeiro da suposta banda "Também sou hype" formada por estudantes de moda que se conheceram na FAAP ou "fritando na balada". A sátira é obviamente dirigida a todos aqueles que se empenham em descobrir as novas tendências desse mercado de música eletrônica onde tanto se fala na mistura do electro com o indie rock, com o surgimento do new rave, mas ainda é frequente a tentativa de dar "um toque brasileiro" a essa mistura. O mais interessante é vermos que a ironia foi muito bem recebida no site rraurl.com, um dos principais veículos de informação da cena eletrônica mundial e que a toda a hora está reproduzindo esse discurso de hibridismo e se dedica, mais do que ninguém, a mostrar qual é o hype da música eletrônica a seu público. Nesse sentido, o que poderia ser recebido como um ataque à própria atividade do site – denunciando uma suposta padronização e exagero no discurso dos artistas que lá figuram – foi recebido sem maiores problemas. Isso nos mostra que nem sempre ironia e critica são encaradas da mesma forma. Mídias específicas supõe legitimidades específicas. A atividade de crítica e comentário, e a forma como será interpretada, dependem intrinsecamente de quem está a proferi-la, para qual público e sobre qual objetivo. Dessa forma, ser ridicularizado nas páginas do Globo, numa revista especializada ou num programa humorístico são vistos como desde ataques inócuos até verdadeiras ofensas que merecem resposta. È a autoridade do veículo que critica o que se põe em jogo na atividade de recepção da crítica. Hermes e Renato são vistos como tão pouco influentes dentro da própria dinâmica das cenas eletrônicas, que sua gozação chega a ser bem recebida. Muito diferente são as reações a reportagens sensacionalistas que tendem a criticar/denunciar o consumo excessivo de drogas nas festas de música eletrônica. Mesmo que as comparações possam parecer estranhas, estamos a comparar tipos distintos de crítica mídiática. Elas nos servem para observarmos que a recepção a determinado comentário está a toda hora relacionada com condições específicas de enunciação(um programa humoristico/um jornal de grande circulação), ideologias por trás delas (escárnio/denuncia), autoridade(você sabe do que está falando?) e efeito imaginados que ela pode provocar (será que nossas festas terão a imagem prejudica?). Percebe-se, assim, que a atividade crítica não é uma simples reflexão e busca de análise de algum produto, mas está sempre atrelada a diferentes mecanismos de produção e recepção midiáticas.
domingo, 26 de outubro de 2008
Em dia de eleição...

Burnout Paradise no Xbox 360. Obama no outdoor do seu jogo de corrida. Que tal?
Aparições variam de acordo com o tamanho do estado americano em que está o jogador, especialmente em jogos esportivos que buscam simular a realidade.
Via Associated Press.
Foto 360 gamer "Jeffson", Rooster Teeth journal, via Wagner James Au, em Gigaom.
Marcadores:
games
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Fórum de Juventudes - Niterói
Paralelamente à III Semana de Quadrinhos da UFRJ, divulgada por Heitor, acontecerá no Sesc Niterói, de 29 a 31 de outubro, o I Fórum das Juventudes da cidade. A programação inclui debates (chamados de "Rodas de conversa"), exibição de curtas, mostra de artes (teatro, performance poética, grafite, DJ, etc.) e oficinas (vídeo, blog, pinhole, etc.).
Detalhe: a maior parte das atividades, incluindo as oficinas, são conduzidas por jovens, de grupos de arte e comunicação da cidade.
29/10, 17h – Abertura
Mostra interativa com diferentes manifestações
Diálogos Corporais
Performance Poética
Esquete Teatral: Os porquês da vida
Risotopia
Câmera aberta – Nós na Fita
Púlpito – Grupo Virtuação
Painel Interativo – Grupo de fotografia Olho Vivo
Animação – Mostra Geração – Festival do Rio
Sonorizar – Programa Arte Ação Ambiental - MAC
Grafite ao vivo – Movimento Periférico
DJ Erik
Free Style Session com Dom Negrone
30/10
Rodas de conversas
9h as 10h: Os Jovens e as cidades: uso e apropriação dos espaços urbanos - Paulo Carrano – Coordenador do Observatório Jovem – UFF
14h as 15h: Arte – multiplicando olhares, potencializando valores
· Relato de experiência com a artista plástica Helenice Nogueira
· Programa Arte Ação Ambiental e Ação Comuniarte MAC/UFF
Mostra de experiências audiovisuais
10h as 12h: Bate-papo com jovens produtores do Cine Olho
15h as 17h: Dinâmicas audiovisuais e ambientação de set de filmagem com Anti cinema
Oficinas
10h as 12h: Teatro – Núcleo de teatro do SESC Niterói
Animação – E. E. Dom Pedro II - Petrópolis
Blog – Grupo Virtuação
15h as 17h: Vídeo – Nós na Fita
Pin Hole – Grupo de fotografia Olho Vivo
Papéis artísticos e artesanais – Programa Arte Ação Ambiental
Espaço de Convivência*
10h as 12h Percussão Corporal com Katy Ribeiro
15h as 17h Improvisação Poética com Larissa Mitroff e Lisa Ster Cöy
31/10
Roda de conversa
09h as 10h Juventudes: nem promessa de futuros, nem problema do presente, com Diógenes Pinheiro – UNIRIO
14h as 15h Diversidade (En) cena com o Grupo Teatro do Oprimido
Mostra de experiências audiovisuais
10h as 12h Mediação do cineclube Mate com angu
15h as 17h Cineclube Nós na Fita – Curtas sobre Direitos Humanos, com mediação de Miguel Vassy
Oficinas
10h as 12h Blog – Grupo Virtuação
Vídeo – Nós na Fita
Pin Hole – Grupo de fotografia Olho Vivo
15h as 17h Animação – E.E. Dom Pedro II - Petrópolis
Teatro – Núcleo de teatro do SESC Niterói
Espaço de Convivência*
10h as 12h Caricatura com Edílio Reao
15h as 17h Reciclando Batidas, Sciência popular
17h Workshow com o Grupo Sucateando de Arte e Som – Construção do Pensamento Criativo, com Marco Antonio Cândido e Kiko Menezes
*Espaço permanente para troca de saberes, livre expressão e manifestações artísticas com mediação da Flávia Pepe.
Música por assinatura no celular

Mais uma novidade sobre consumo de música que parte da telefonia móvel. Trata-se um novo serviço de download de música via celular que em vez de cobrar por cada arquivo MP3 baixado, passa a cobrar uma mensalidade fixa que permite acesso ilimitado à todas as músicas das quatro grandes gravadoras. O projeto chamado "Comes With Music e Play Now Plus" é mais um passo decisivo que a indústria fonográfica dá rumo a venda de música digitalizada e, também, a afirmação do celular como lugar privilegiado para os novos hábitos de consumo musical. Desde o ringtone essa possibilidade se mostrava bastante viável e com os esforços de seus fabricantes na contrução de aparelhos que acomodem a função MP3 player essa aliança entre gravadoras e empresas de telefonia celular está se mostrando produtiva. Por enquanto esses serviço está disponível apenas em 2 aparelhos da SonyEricsson e Nokia e só deverá ser implatado no Brasil ano que vem. As faixas continuarão sendo vendidas separadamente, mas esse serviço é justificado como mais completo devendo agradar em cheio quem não pára de procurar novos sons na rede. A matéria completa sobre essa nova estratégia de vendas de música está no site Link do Estadão, que tem outros textos bacanas sobre música e tecnologia.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
III Semana de Quadrinhos da UFRJ
Na semana que vem (do dia 28 ao 31) vai rolar um evento sobre quadrinhos organizado pelos alunos da Escola de Belas Artes da UFRJ no SESC de Madureira. Segue a programação do evento cheia de exposições, oficinas e debates.
. 28 a 31/10, 18h às 22h - Exposição dos trabalhos dos alunos dos cursos da Escola de Belas Artes da UFRJ.
. 28/10, 18h às 19h30 - Roteiro para história em quadrinho: iniciação ao planejamento e execução de roteiro para HQs e Mangás; 20h às 21h30 - A importância das HQs como arte: as HQs e suas relações com a comunicação, o imaginário coletivo, a identidade cultural e o público.
. 29/10, 18h às 19h30 - Tirinhas: oficina de criação de personagens e arte seqüencial para HQs; 20h às 21h30 - Mídia digital na arte seqüencial - debate sobre o uso das diferentes mídias para divulgação das HQs, os benefícios e desvantagens para os autores e as perspectivas do mercado no mundo virtual.
. 30/10, 18h às 19h30 - Desenho e arte final: oficina de produção e finalização de HQs; 20h às 21h30 - Quadrinhos e humor político: debate sobre o uso do cartum nos quadrinhos, charges e caricaturas como crítica social, a importância do gênero no Brasil e suas diversas vertentes, do ativismo artístico ao humor editorial.
. 31/10, 18h às 19h30 - Mangá: oficina de diferentes construções, personagens e conteúdo das histórias; 20h às 21h30 - Publicação de HQs no Brasil - debate sobre as possibilidades para publicação de material autoral.
. 28 a 31/10, 18h às 22h - Exposição dos trabalhos dos alunos dos cursos da Escola de Belas Artes da UFRJ.
. 28/10, 18h às 19h30 - Roteiro para história em quadrinho: iniciação ao planejamento e execução de roteiro para HQs e Mangás; 20h às 21h30 - A importância das HQs como arte: as HQs e suas relações com a comunicação, o imaginário coletivo, a identidade cultural e o público.
. 29/10, 18h às 19h30 - Tirinhas: oficina de criação de personagens e arte seqüencial para HQs; 20h às 21h30 - Mídia digital na arte seqüencial - debate sobre o uso das diferentes mídias para divulgação das HQs, os benefícios e desvantagens para os autores e as perspectivas do mercado no mundo virtual.
. 30/10, 18h às 19h30 - Desenho e arte final: oficina de produção e finalização de HQs; 20h às 21h30 - Quadrinhos e humor político: debate sobre o uso do cartum nos quadrinhos, charges e caricaturas como crítica social, a importância do gênero no Brasil e suas diversas vertentes, do ativismo artístico ao humor editorial.
. 31/10, 18h às 19h30 - Mangá: oficina de diferentes construções, personagens e conteúdo das histórias; 20h às 21h30 - Publicação de HQs no Brasil - debate sobre as possibilidades para publicação de material autoral.
Marcadores:
Agenda,
quadrinhos
sábado, 18 de outubro de 2008
Jogos + música
Entre as matérias do Gamasutra esse mês, há uma assinada por Masaya Matsuura, um dos criadores do jogo PaRappa the Rapper, um jogo musical lançado em meados da década de 1990, quando esse tipo de iniciativa, na qual a música é o objetivo do jogo, era raro.
Hoje, vários jogos como Guitar Hero, Rock Band, Wii Music e até Dance Dance Revolution, ajudam a compor esse gênero. Além desses jogos específicos, a música faz parte da maioria dos jogos atuais.
Matsuura, porém, defende a necessidade dos jogos ocidentais ultrapassarem a utilização da música licenciada, buscando uma nova relação – uma relação particular, que vá além da simples adaptação – entre música e jogos:
“The challenge is to discover the next paradigm in which music and games have a positive and complimentary relationship. I cannot overstate the importance of this. We are currently wasting our use of music.”.
O artigo ressalta a importância dos jogos como mídia capaz de alcançar diferentes públicos e afetá-los emocionalmente. Segundo Matsuura, essa capacidade pode e deve ser usada de modo a minimizar diferenças e inspirar respeito entre as diferentes culturas. E por que não aproveitar a música para isso?
Mais um exemplo da transformação e do amadurecimento que vêm surgindo no mercado de jogos na intenção de demonstrar que seu papel representativo vai além do entretenimento...
Hoje, vários jogos como Guitar Hero, Rock Band, Wii Music e até Dance Dance Revolution, ajudam a compor esse gênero. Além desses jogos específicos, a música faz parte da maioria dos jogos atuais.
Matsuura, porém, defende a necessidade dos jogos ocidentais ultrapassarem a utilização da música licenciada, buscando uma nova relação – uma relação particular, que vá além da simples adaptação – entre música e jogos:
“The challenge is to discover the next paradigm in which music and games have a positive and complimentary relationship. I cannot overstate the importance of this. We are currently wasting our use of music.”.
O artigo ressalta a importância dos jogos como mídia capaz de alcançar diferentes públicos e afetá-los emocionalmente. Segundo Matsuura, essa capacidade pode e deve ser usada de modo a minimizar diferenças e inspirar respeito entre as diferentes culturas. E por que não aproveitar a música para isso?
Mais um exemplo da transformação e do amadurecimento que vêm surgindo no mercado de jogos na intenção de demonstrar que seu papel representativo vai além do entretenimento...
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
1001 álbuns online
Parece conto de fadas, mas é melhor.
A dica é do blog do colega Marcos Palácios, o GJOL da UFba. Trata-de um site, hospedado na Romênia, que oferece 1001 álbuns para ouvir online, chamado 1001 de albume de ascultat.
Ainda que o número possa remeter a alguma conta de mentiroso, vale a pena conferir, pois tem coisas muito, muito, muito bacanas.
Pra dizer a verdade, afora uma Cristina Aguilera da vida, é a discoteca dos sonhos. A lista começa com um Frank Sinatra de 1955 e termina com um White Stripes de 2005. Nestes 50 anos de música, a lista passa, simplesmente, por Brian Eno, David Bowie, Rolling Stones, Leonard Cohen, Nick Cave, Velvet Uderground, Goldie (Timeless), Frank Zappa, Kraftwerk e muito mais...
Fui conferir se tinha algum brasileiro. Tem! Milton e Lô Borges, Caetano, Jorge Ben (o maravilhoso África Brasil), Bebel Gilberto e - não sei se entra na categoria Brasil- o Sepultura. Ah! E tem a Astrud cantando bossa-nova naquele disco clássico dos 60 .
O GJOL dá umas diquinhas de navegação, mas me pareceu bem simples.
Confiram, espalhem a dica, aproveitem - pois como tudo que é bom é ilegal, é imoral, engorda ou sai da rede processado pela RIAA.
A dica é do blog do colega Marcos Palácios, o GJOL da UFba. Trata-de um site, hospedado na Romênia, que oferece 1001 álbuns para ouvir online, chamado 1001 de albume de ascultat.
Ainda que o número possa remeter a alguma conta de mentiroso, vale a pena conferir, pois tem coisas muito, muito, muito bacanas.
Pra dizer a verdade, afora uma Cristina Aguilera da vida, é a discoteca dos sonhos. A lista começa com um Frank Sinatra de 1955 e termina com um White Stripes de 2005. Nestes 50 anos de música, a lista passa, simplesmente, por Brian Eno, David Bowie, Rolling Stones, Leonard Cohen, Nick Cave, Velvet Uderground, Goldie (Timeless), Frank Zappa, Kraftwerk e muito mais...
Fui conferir se tinha algum brasileiro. Tem! Milton e Lô Borges, Caetano, Jorge Ben (o maravilhoso África Brasil), Bebel Gilberto e - não sei se entra na categoria Brasil- o Sepultura. Ah! E tem a Astrud cantando bossa-nova naquele disco clássico dos 60 .
O GJOL dá umas diquinhas de navegação, mas me pareceu bem simples.
Confiram, espalhem a dica, aproveitem - pois como tudo que é bom é ilegal, é imoral, engorda ou sai da rede processado pela RIAA.
Marcadores:
músicas online
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Piiiiimba!

A propósito do meu último post aqui no blog, aquele no qual me derramava em elogios ao filme Aquele querido mês de agosto, em meio às farpas direcionadas à seleção de longas portugueses escalados para a última edição do Festival do Rio, a Simone chamou a minha atenção para o fato de eu falar sobre música pimba pra lá e pra cá e em nenhum momento definir o que seria a dita cuja. De fato, para quem não está há exatos doze meses mergulhado numa pesquisa sobre música portuguesa, a expressão "pimba" deve soar, no mínimo, curiosa. Vamos, então, a um esboço de definição, mas conscientes de que, a exemplo do que acontece com quaisquer gêneros musicais, as fronteiras tendem a ser mais difusas do que se imagina.
O pimba seria uma espécie de cruzamento bizarro entre certa vertente da música de matriz rural-folclórica portuguesa e os gêneros musicais populares massivos normalmente percebidos em Portugal como "ligeiros". É mais ou menos como se as ancestrais cantigas de escárnio e maldizer galaico-portuguesas (das quais o nosso Gregório de Matos constitui um ilustre representante barroco) se hibridizassem com os formatos midiáticos do nacional-cançonetismo dos anos 50-70, só que num contexto contemporâneo.
Muito antes do poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) elevar a obscenidade ao status de arte, não sem antes provocar uma tremenda controvérsia junto aos setores mais conservadores da sociedade lusa, as brincadeiras grosseiras, os duplos sentidos e os trocadilhos maliciosos já povoavam o imaginário popular português. Algumas cantigas de trabalho do povo do interior (documentadas pelo antropólogo Michel Gioacometti em sua Antologia... compilada nos anos 40), bem como as tradicionais "desgarradas" (também presentes no filme de Miguel Gomes) tinham por hábito misturar louvores religiosos e trocas de insultos que por vezes beiravam o pornográfico. Hoje considerado uma espécie de "pai do pimba", o sanfoneiro Quim Barreiros (já abordado num post anterior aqui no LabCULT) foi um dos precursores da vertente humorística do gênero, ainda nos anos 70, em canções como "Bacalhau à portuguesa" ("Mariazinha deixa-me ir à cozinha pra cheirar teu bacalhau"), "Chupa Teresa" ("Chupa Teresa, chupa Teresa, que este gelado gostoso é feito de framboesa") e "O tênis" (Ai ai, devagar, o tênis está muito duro mas está quase a entrar"), muito populares nas festas universitárias de recepção aos calouros e nos festivais de verão como os que aparecem em Aquele querido mês de agosto.
Por outro lado, e num registro algo posterior, foi durante o período da ditadura de Salazar que certas formas musicais, como a canção romântica, tornaram-se produtos de exportação que projetavam uma imagem de Portugal para o mundo, direcionada, sobretudo, à vasta comunidade migrante residente no exterior e com o objetivo de reforçar a ideologia conservadora e tradicionalista do regime. Engana-se quem pensa que o fado era o único gênero musical cuja divulgação era incentivada pelo regime salazarista: enquanto o fado acabou por adquirir a reputação de "artigo de luxo" embalado para o deleite das classes médias européias (sobretudo francesas), à colônia portuguesa no Brasil restava o consolo das lamúrias sentimentais de Tony de Matos, António Calvário, Sebastião Robalinho e Marco Paulo, além do inoxidável Roberto Leal. Em termos quantitativos, os LPs desses artistas superavam - e muito - os álbuns dos fadistas Amália Rodrigues e Carlos do Carmo disponíveis atualmente nas seções de música portuguesa das lojas de discos usados.
Embora já existisse numa "forma incorporada", portanto, o Pimba apenas se nomeia como tal a partir de meados dos anos 90, quando o então desconhecido cantor Emanuel lança o hino "Pimba, pimba" ("E se elas querem um abraço ou um beijinho, nós pimba, nós pimba"), inspirado por uma canção da extinta banda de rock Ex-votos intitulada "Subtilezas porno populares", cuja letra, em dado momento, mencionava qualquer coisa sobre "pimba", numa óbvia metáfora do ato sexual - caso alguém ainda não tenha se dado conta [risos]. Mesclando influências musicais diversas, que passavam pelo nosso forró e também pelo axé-bunda de grupos como É o Tchan, e na esteira do sucesso de Emanuel, o pré-adolescente Saúl bisa a dose com o hit "Bacalhau quer alho", e a popularidade dos cantores pimba aumenta na mesma proporção dos ataques desferidos pela crítica e pela intelligentsia lusa, para quem o pimba vai representar o supra-sumo da ignorância e do mau gosto, espécie de síntese hiperbólica dos estereótipos costumeiramente associados ao povo português, sobretudo no que diz respeito aos papéis de gênero. Em boa parte das canções pimba, notadamente as de viés mais romântico, o homem é sempre aquele cujo destino é ser corneado pela fêmea ardilosa, enquanto à mulher compete ou chorar pelo homem que a abandonou ou tramar uma vingança sórdida atirando-se nos braços de outro homem igualmente cafajeste, conforme atestam algumas músicas do ídolo Tony Carreira ou da cantora Ágata, bastante próximas do imaginário acionado pelo nosso cancioneiro "brega", consagrado por Odair José, Waldick Soriano e congêneres.No entanto, e tais argumentos ficam particularmente claros se nos debruçamos sobre obras de etnomusicologia como Musa lusa, de Jorge Lima Barreto, percebe-se que por trás das críticas ao pimba (e ao pop/rock, e às demais formas de "música ligeira") reside a (não tão) boa e velha postura elitista e apocalíptica que, colocando o texto no lugar do contexto, associa a cultura da mídia e do entretenimento à degeneração sistemática das 'formas superiores' da 'Grande Arte', solapando o fato de tais produtos fazerem parte dos mapas de significância (alô, Grossberg!) de indivíduos das mais variadas faixas etárias, regiões de origem e níveis de escolaridade, o que implica, por sua vez, diversos modos de consumo e apropriação desses produtos. A "pobreza estilística" de uma canção de Tony Carreira, de um romance de Margarida Rebelo Pinto (a Candace Bushnell lusa) ou de um filme como o recente Call girl podem ferir a sensibilidade dos olhos e ouvidos mais "bem treinados", mas o papel que desempenham na atual configuração da cultura da mídia portuguesa não pode ser ignorado.
* * *
Isto posto, parto daqui a exatos sete dias para a Terrinha, a fim de participar do congresso Narrando a Diáspora Portuguesa (1908-2008), promovido pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Uma conjunção astral super favorável à minha pessoa permitiu-me prorrogar a estadia Além-Mar por mais duas semanas, que pretendo aproveitar intensamente no sentido de sondar o que está rolando por lá em termos de cena musical. Assim que pintar uma brechinha na agenda, prometo postar alguma coisa neste espaço. Caso contrário, até a volta!
Marcadores:
Música e Cultura Portuguesa
Um show especial
Hoje, às 21:00, o Odeon, exibe o filme "Artic Monkeys at the Apollo", um registro do show de encerramento da turnê do segundo disco da banda, "Favourite Worst Nightmare". A sessão é única e acontece simultaneamente no Rio, Londres, Luxemburgo e Barcelona. Como nos diz o email de divulgação do filme, "essa é a única oportunidade de assistir ao show da banda numa tela grande e com som dolby 5.1". Devemos então correr para as bilheterias, o mais rápido possível, não? Bom, eu não apostaria muito nisso. A função de um show é antes de tudo a de promover o encontro de fãs com seus artistas preferidos, que agora veremos em carne e osso, pulando no palco, dando o máximo de si e respondendo aos gritos de uma platéia que tanto esperou este momento. Não parece um tanto bizarro ver as reações filmadas a um outro público ao qual você não se inclui e que pode estar em completa desintonia com o que você está sentindo? Só imagino o quanto é bizarro tentar se empolgar com alguém que não se dirige a nós. Eu dificilmente responderia com urros alguém que grita " GOOD NIGHT MANCHESTER ". O pior de tudo é que veremos isso numa cadeira de cinema, um local feito para as pessoas se sentarem e observarem o filme, caladas, sóbrias e atentas, o que em muito se difere de um show de rock, onde circulamos, encontramos nossos amigos, bebemos cerveja, gritamos, vaiamos, pedimos bis! Todo evento de entretenimento supõe formas de escuta e de atenção: a de um show de rock é completamente diferente da consagrada na película cinematográfica e no DVD , suporte em que o filme será lançado. Se você é um fã incondicional da banda, se adiante, mas cuidado com expectativas em excesso.
segunda-feira, 13 de outubro de 2008
"O passado, o presente e o futuro da música" por Lenine
Um Sábado desses, em que fugindo a regra fiquei em casa, assistia o “Altas Horas” do Serginho Groisman quando ele anunciou o cantor Lenine. Ele veio divulgar seu mais novo trabalho intitulado “Labiata” e como é de costume, trouxe consigo sua obra autografada. No entanto, ao apresentar seu novo disco, este além do CD, apresentou também um vinil, quase uma obrigação frente à ascensão do formato e também um pen drive customizado, com a carcaça feita de madeira. Mais bacana, até mesmo do que a apresentação ao vivo dele e sua banda, foi seu comentário sobre o futuro do consumo de música massiva. Ao comentar as três versões do álbum Lenine os descreveu como o passado, o presente e o futuro da música. Sendo que ao contrário de que muitas pessoas poderiam imaginar é que na atual situação o CD é o passado, o pen drive é o presente e o vinil, quem diria, é quem mais se aproximaria do futuro. Hoje, Segunda-feira, relembrei desse evento ao “encontrar”, mais uma vez casualmente, o Lenine numa conversa descontraída na rede de rádio Transamérica onde mais uma vez bradou em favor dos novos hábitos de consumo e soltou outras pérolas. Quando um dos locutores tentou ensaiar um discurso conservador e moralista sobre o hábito de baixar músicas ilegalmente na rede, Lenine rebateu com um argumento bem comum ao nosso grupo de pesquisa. Citando o filho, um adolescente de 14 anos “vidrado” em hip-hop, o cantor apontou que mesmo baixando músicas de forma gratuita na internet, quando o garoto se encanta por alguma obra específica (leia-se álbum) este logo providencia sua cópia física; o CD ou o vinil propriamente dito. Durante a entrevista, o cantor fez um breve histórico sobre a comodificação musical (não com esses termos é claro) relembrando os walkmans, discmans até chegar ao eficiente I-POD. Lenine também comentou como a indústria em torno da música vem investindo forte nos toca-discos. Um dos locutores afirmou que na livraria Cultura já existe vinil nas prateleiras. Fui conferir... é verdade! Também é possível ver os títulos disponíveis pelo site da livraria. E já quase terminando esse post, encontrei no You Tube uma entrevista com o cantor sobre as novas mídias sonoras. Dá uma olhadinha no que o cara fala.
Lojas de disco de Montreal
Mais um registro. É da loja de disco de segunda mão do meu quarteirão. Linda, charmosa e ontem estava em liquidação. Em pleno domingão. Aliás, toda semana tem liquidação lá. Vi um disco dos Beatles outro dia por cinco dólares.
Tentador, tentador, meus caros. Meu desafio atual é segurar a onda consumista de bens culturais. Sim, (risos) no popular, falo de discos de vinil, de Cds e de livros. Vou pagar excesso de bagagem, já vi!!
PS - Reparem na imagem da Janis Joplin dentro da vitrine...
PS 2 - Oba! Começou esta semana no Museu de Belas Artes uma mostra sobre a influência da música na obra do Andy Warhol. Vou correndo ver amanhã e depois conto.
Marcadores:
Lojas de disco
Thanksgiving Day
Pois é, meu povo. Hoje é Thanksgiving Day - dia de Ação de Graças. Feriadão, dia das famílias se reunirem em torno de um peru na mesa...ooops, um turkey assado... aqui no Canadá. O fim de semana prolongado teve três lindos dias de outono...como a foto aí mostra.
Mas, o pensamento do dia é de uma leitura que estou fazendo pra aula do Sterne de amanhã. Fala do impacto oral - ou seria aural? - das invenções na criação de uma paisagem sonora - um soundscape - especificamente moderno. Achei engraçada e polêmica e queria compartilhar.
We are told by cultural critics and historians that modernity has been marked by a supreme victory of the visual over the aural in the hierarchy of the senses , but to people between 1870 and the First World War, the most amazing elements in modern society were keenly aural in their impact and influence: the player piano, the gramophone, the telephone, the radio, the subway train, the elevated train and during the Great War, the loudspeaker and high-powered, extremely loud artillery.Nor should I neglect the drill press and electrical lathes that made possible all the others clacking, clicking and crackling noises from mass-produced machines rather suddenly pervading the home, the office and the public throughfare:washing machines, automobiles and motorcycles. In this "Age of Noise", as people began to call it, hearing was crucial in order to make one's way in the world and to keep from being run over when crossing the street or the train tracks.
O que vocês acham?
A referência do texto é "The indefensible ear. A history" -Hillel Schwartz. In: The Auditory Culture Reader. Eds Michael Bull and Les Back, 487-501. New York, Berg, 2003.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Pop Montreal 2
Dark Meat, Teki Latex, Chocolat, La Descente Du Coude, The Death Set, Les Temps Liquides,Ratatat,Neptune; Aiden Penner; Aids Wolf; Ladies of the Canyon; Le monde dans le feu; Winter Gloves; Made in Mexico; DJ Arcade; DJ Erock; Duchess Says; ViciousDelicious; Lucy & the Popsonics; Macaco Bong.
Quantos destes nomes de bandas ou projetos musicais vocês conhecem? Algum? As duas últimas? Pois é, estas são brasileiras,sim. Agradáveis descobertas do PopMontreal – conforme conto a seguir.
Confesso que nunca tinha ouvido falar de umas 355, das 370 atrações do Festival Pop Montreal, que rolou de quinta até ontem e que comentei no último post. Afora Hot Chip, Nick Cave, Burt Bacharach, Wire e umas poucas bandas e projetos locais que ouvi aqui em Montreal, não tinha a menor idéia do resto. Por outro lado, a oferta e as chamadas das bandas era absurda e irresistível.
Só para ter uma idéia, vou me dar ao trabalho de reproduzir o release deesta banda aí da foto de cima, a The Death Set, de Baltimore (USA). Em inglês, of course. Ah! um detalhe. O programa impresso, como tudo mais por aqui, é bilingue francês-inglês. Mas a graça é que os textos não coincidem. A versão em inglês faz piadinhas que só a comunidade anglófona entende e vice-versa.Muito bom!
Mas então, aspas e vamo lá:
A Baltimore two-piece raging punk band with a drum machine and oddball samples give birth to a spazzy lo-fi racket, but of the highest order – gleefully ballistic, a riot of chants and distortions. Sublime pop punk brevity that makes The Libertines look like Dire Straits.
Se o texto já é bom, a minha impressão da banda, sabem qual foi? Di-ver-ti-dis-si-mo! Punk com colagens e sampleamentos, tosco, raw, suarento, numa noite que marcava 4 graus do lado de fora e na porta só tinha gente encasacada, como mostra o contraste da foto dentro do bar com esta outra de fora do bar aí embaixo. Foi todo mundo arrancando as camadas de roupas, sobrando só a camiseta. (Afora, claro, as lindas e stylish girls que já chegaram com seus shortinhos e meias adequados à ocasião.)
Mas, foi assim que desisti de selecionar coisas que pareciam legais e rumei para os bares que são sempre legais. Tem quatro que formam o “meu” quadrilátero de bares bacanas, baratos, cheio de tipos locais, onde dá pra ir sem saber a programação. Chamam Les Foufones Eletriques, Casa del Popolo, Sala Rossa e Divan Orange. (Prometo depois fazer um post só sobre estes espaços.) E aí, o que vi foi um desfile de atrações super divertidas, interessantes e bizarras, como este The Death Set aí de cima, mais Japanther, Aides Wolfe (este eu já conhecia) e outros. Atrações que custavam só 10 dólares pra ver quatro bandas, em média.
Domingão, pra fechar os trabalhos, tinha um mercado de vendas de discos, mais um outro de venda de artigos de artistas e artesãos locais.O primeiro dentro de um clube Português (alô Tiago Monteiro!) – o Sport Benfica. E o outro dentro de uma igreja.
Fui primeiro no de discos. E fiquei louca com a quantidade de vinis bacanas, mais Cds e até instrumentos musicais. Como perdi o show do Nick Cave, minha primeira aquisição foi uma caixa de Cds triplos dele, “Raridades e Lados B”.
Parando num estande, vi que o cara falava português e puxei papo. Aí descubro que a banda que ia tocar naquele momento ali no palco do espaço – chamada Lucy and the Popsonics – é brasileira. E o cara com quem conversava, Fabricio, é de Goiânia, e está lá divulgando o seu selo, Monstro Discos. Descobrimos amigos em comum, fiquei pro show, adorei o electro da dupla - vejam a foto aí da performance - e ainda comprei o CD, A Fábula (ou a farsa) de dois eletropandas.

Não liguei o nome à pessoa. Agora, dando uma olhada nos folhetos que peguei, tô vendo que o Fabricio é o produtor daquele festival bacana de Goiás, o Bananada, e do Goiânia Noise. E um dos responsáveis pela efervescência da cena indie de Goiânia, que já deu matéria no Globo no ano pasado e a gente comentou aqui no LabCult.E também que participou do Symposium do Festival – que era um painel com discussões mais políticas e culturais – na condição de presidente da ABRAFIN – Associação Brasileira dos Festivais Independentes...
Gente, eu nem sabia que esta associação existia e adorei descobrir.
De lá, fui pra tal feirinha de artistas. Tava de bicicleta e no que estou procurando um lugar pra estacionar – o quarteirão já tava lotado de bikes – entrei num bequinho onde vi dois caras estacionando também. Eles estão conversando em português e novamente puxo papo. E novamente descubro que eles são músicos brasileiros da banda de Cuiabá Macaco Bong, também do selo Monstro. E que tocaram sábado no Divan Orange, à tardinha, mas esta eu perdi.
Fuxicando no site da Trama, encontrei o disco todo deles Artista Igual Pedreiro para download. Estou baixando agora e comento depois, mas a música que ouvi me pegou!! Achei ótima.
Então, destas ironias...descobrir duas bandas bacanas do Brasil num festival em Montreal.Ou,scomo dizia Gilberto Freyre na seminal abertura de Casa Grande e Senzala “foi na minha viagem para a América que descobri a urgência de pensar o Brasil”.
Mas, é também por isto que tenho achado esta cidade adorável. Sem estar no centro do mundo - ainda que a quatro horas de Nova York - a cidade tem vida própria e uma cena musical...oops! - eu ia dizer "pujante" mas esta palavra é horrível. Então vamos de cena efervescente, que sustenta um circuito indie, alternativo.
Como sabemos que estas palavrinhas - indie e alternativo - dão pano pra muita discussão, vou deixar para o próximo post a continuação da conversa.
Não liguei o nome à pessoa. Agora, dando uma olhada nos folhetos que peguei, tô vendo que o Fabricio é o produtor daquele festival bacana de Goiás, o Bananada, e do Goiânia Noise. E um dos responsáveis pela efervescência da cena indie de Goiânia, que já deu matéria no Globo no ano pasado e a gente comentou aqui no LabCult.E também que participou do Symposium do Festival – que era um painel com discussões mais políticas e culturais – na condição de presidente da ABRAFIN – Associação Brasileira dos Festivais Independentes...
Gente, eu nem sabia que esta associação existia e adorei descobrir.
De lá, fui pra tal feirinha de artistas. Tava de bicicleta e no que estou procurando um lugar pra estacionar – o quarteirão já tava lotado de bikes – entrei num bequinho onde vi dois caras estacionando também. Eles estão conversando em português e novamente puxo papo. E novamente descubro que eles são músicos brasileiros da banda de Cuiabá Macaco Bong, também do selo Monstro. E que tocaram sábado no Divan Orange, à tardinha, mas esta eu perdi.
Fuxicando no site da Trama, encontrei o disco todo deles Artista Igual Pedreiro para download. Estou baixando agora e comento depois, mas a música que ouvi me pegou!! Achei ótima.
Então, destas ironias...descobrir duas bandas bacanas do Brasil num festival em Montreal.Ou,scomo dizia Gilberto Freyre na seminal abertura de Casa Grande e Senzala “foi na minha viagem para a América que descobri a urgência de pensar o Brasil”.
Mas, é também por isto que tenho achado esta cidade adorável. Sem estar no centro do mundo - ainda que a quatro horas de Nova York - a cidade tem vida própria e uma cena musical...oops! - eu ia dizer "pujante" mas esta palavra é horrível. Então vamos de cena efervescente, que sustenta um circuito indie, alternativo.
Como sabemos que estas palavrinhas - indie e alternativo - dão pano pra muita discussão, vou deixar para o próximo post a continuação da conversa.
Marcadores:
Pop Montreal
Balanço da presença lusitana no Festival do Rio 2008

Se os quatro longas-metragens portugueses selecionados para a edição 2008 do Festival do Rio são, em alguma medida, representativos da produção cinematográfica lusa ao longo do ano que passou, então é possível afirmar que o cenário atual é bem menos promissor do que aquele que se desenhava em 2007, não apenas no que diz respeito à quantidade de filmes selecionados como também – e sobretudo – no que tange à qualidade dos mesmos.
Vejamos: ano passado tivemos dois Manoel de Oliveira (Sempre bela e Cristóvão Colombo – o enigma) e um curta de Pedro Costa (incluído no irregular filme em episódios O estado do mundo) representando a ala “autoral” do cinema luso; Daqui p’ra frente, promissor primeiro filme de Catarina Ruivo; a consistente versão cinematográfica do romance Terra sonâmbula, do moçambicano Mia Couto; e duas legítimas peças de entretenimento à portuguesa, o apenas correto Purgatório, de Joaquim Leitão, e o divertido Dot.com, de Luís Galvão Teles, que merecidamente acabou sendo lançado nos cinemas brasileiros este ano. Além desses filmes, Diário de Sintra, de Paula Gaitán, colocava Portugal em evidência ao abordar os últimos dias de Glauber Rocha durante seu exílio Além-Mar; o estéril e mal resolvido Portugal S.A., do moçambicano radicado no Brasil Ruy Guerra, também buscava lançar um olhar crítico sobre o cenário social, político e afetivo lusitano contemporâneo, aparentemente movido a negociatas escusas, carreiras de cocaína e muito sexo; por fim, Fados, a última diatribe musical do cineasta espanhol Carlos Saura, misturava Caetano Veloso e Carlos do Carmo num tributo de gosto algo duvidoso ao gênero que se transformou em sinônimo de música portuguesa.
Em 2008, não apenas a quantidade de filmes foi drasticamente reduzida como também as produções selecionadas deixaram bastante a desejar em termos de vigor narrativo. Comecemos pelas decepções: após surpreendentes incursões no terreno do entretenimento – vide o terror Coisa ruim, a supracitada comédia Dot.com ou mesmo o proto-drama de guerra Purgatório – os recentes Call girl e Julgamento representam, acima de tudo, um retrocesso. Julgamento, de Leonel Vieira, nem é tão desastroso assim: há bons atores em cena, a temática é atual e pertinente (professor universitário vítima da repressão salazarista seqüestra o torturador que matou seu amigo e obriga-o a confessar seus crimes), e o ‘miolo’ do filme, em que os personagens ficam confinados numa cabana, na dúvida entre executar a vingança e perdoar o algoz, até que envereda com habilidade pela seara do thriller psicológico. Mas a resolução do conflito é preguiçosa e apressada, da mesma forma que a “coincidência” que detona a trama também o é.
Por mais toscas que sejam as seqüências de ação de Julgamento, o filme de Leonel Vieira é O poderoso chefão perto do desastre que é Call girl, sucesso de público na Terrinha e inexplicavelmente adotado por alguns nomes da imprensa brasileira como a “surpresa” do Festival. Em Call girl, materializam-se todas as deficiências e a falta de traquejo dos cineastas portugueses ao manejaram as convenções básicas de um gênero cinematográfico – no caso, o thriller erótico – com o qual não estão acostumados. O roteiro deliberadamente esfrega na cara do espectador uma profusão de deuses ex-machina; o casal protagonista, embora inegavelmente belo, é por demais inexpressivo; e a direção limita-se a alternar planos e contraplanos intermináveis, sem qualquer solução visual criativa – evidência incontestável do modo como a linguagem das nossas telenovelas está “colonizando” o imaginário audiovisual português (não à toa, Call girl é uma produção da TVI, canal privado que de uns tempos pra cá vem desbancando a outrora toda poderosa SIC na preferência do público). Tais elementos fazem do diretor António-Pedro Vasconcellos, egresso do movimento setentista do Novo Cinema Português, uma espécie de Cacá Diegues lusitano, como se Glauber Rocha fosse vivo e incorporasse o espírito de Daniel Filho numa produção capitaneada por Diler Trindade. Divertidíssimo pelas razões erradas, Call girl ainda brinda o espectador com um par de cenas de sexo dignas do saudoso Cine Privê da Band: na tentativa de ser ousado e despudorado (pros padrões lusos, naturalmente), o filme consegue ser apenas constrangedor, alinhavando diálogos com a profundidade de um pires, como “estou mortinha por ser fodida” e congêneres.
Mudando da água turva para o vinho avinagrado, eis que chegamos à Corte do Norte, de João Botelho. Do diretor, aluno aplicado da Escola Manoel de Oliveira de Planos Longos e Adaptações Literárias, já sabia mais ou menos o que esperar. Na linha do anterior (e mais radical) Quem és tu?, A Corte do Norte oferece ao espectador uma sucessão de enquadramentos barrocos visualmente belos e uma discussão sobre memória, herança, representação e conflitos de classe ocasionalmente enfadonha, como costumam ser as adaptações literárias de Agustina Bessa-Luís eventualmente levadas às telas por Oliveira. Como alguns filmes de Godard, A Corte do Norte até que é bom – mas é chaaaato. Há que se ter uma boa dose de paciência para encarar as viagens visuais de Botelho, que com freqüência “congela” o gestual dos personagens como forma de reforçar o modo expressionista, quase caravaggiano, com que usa a luz. Restam alguns planos deslumbrantes da Ilha da Madeira e a versatilidade da bela Ana Moreira, interpretando papéis a perder de vista.
A esta altura o leitor deste blog deve estar se perguntando “mas sobrou alguma coisa digna de nota?”. Sim, sobrou: uma pequena pérola imperfeita chamada Aquele querido mês de agosto, de Miguel Gomes, admirável confusão entre documentário, ficção e metalinguagem pontuada por instantâneos precisos e encantadores de um Portugal interior, nem urbano e nem rural, durante dois “agostos”. No primeiro, uma equipe de cineastas busca atores para um filme; no segundo, o filme tão aguardado pelos produtores (e pelo público, do lado de cá da tela) quase que brota diante dos nossos olhos. Ou seria o mesmo agosto? O agosto das férias, do verão, das procissões religiosas e dos festivais de música que atravessam o país de norte a sul...
Não bastassem seus méritos cinematográficos, o longa ainda se pretende uma cartografia instigante do universo da música pimba, espécie de cancioneiro brega lusitano, constantemente estigmatizado pelo seu caráter assumidamente mercadológico e massivo. Chega a ser surpreendente testemunhar como a juventude do interior se mobiliza em torno dessa música: o que dizer do guitarrista que usa uma camiseta do AC/DC mas se realiza emulando o ídolo romântico Tony Carreira? Mal comparando, seria como se Jorge Furtado fizesse um filme sobre o circuito tecnobrega do Pará e adjacências: Aquele querido mês de agosto é o Saneamento básico do pimba, repleto de causos e personagens insólitos e engraçadíssimos, que levam a platéia às gargalhadas. Jogando contra a pretensão de ser a grande revelação do Festival do Rio 2008, a única coisa que compromete o filme de Miguel Gomes é sua excessiva metragem: são 150 minutos de narrativa difusa e descentrada; lá pelos 100 minutos de projeção, a brincadeira proposta pelo diretor começa a dar sinais de esgotamento. Mas até que isso aconteça, o sentimento que o filme transmite é de um afeto tão grande pelo universo representado que a gente até perdoa seus eventuais deslizes. Aquele querido mês de agosto não apenas proporcionou-me duas horas e meia de belas imagens como também ajudou a iluminar alguns pontos nodais da minha pesquisa. Embora não tão rico quanto em 2007, dá pra exigir mais de um Festival?
Marcadores:
Música e Cultura Portuguesa
Koshiro, "produtor de game".
Quando vi o post da Simone sobre as trilhas sonoras de videogames, pensei na hora em Yuzo Koshiro.O Koshiro fez a trilha da minha trilogia favorita do Mega Drive, o Streets of Rage (lançado no Japão com o título ‘Bare Knuckle’). É uma aventura beat-‘em-up, como o clássico arcade Final Fight. As trilhas do Streets of Rage têm muito fã por aí, e são comercializadas em CD.
Os primeiros trabalhos do Yuzo Koshiro foram para a Nihon Falcom, empresa produtora de jogos de computador. Isto aconteceu em 1986. Foi imediatamente contratado, aos 20 anos de idade, depois de levar para avaliação faixas que ele tinha produzido em casa no seu estúdio improvisado.
Além da habilidade em fazer música deste tipo, Koshiro já tinha uma boa reputação. Quando era adolescente, escrevia artigos para uma revista especializada em informática, e foi através dela que soube da oportunidade de emprego da Nihon Falcom, onde ficou por mais ou menos um ano.
De qualquer maneira, sua carreira foi muito mais significativamente própria de um free-lancer. Na época do Streets of Rage, era independente. Estava entrando na fase em que teria seu nome na tela-título dos jogos, privilégio raro para um produtor de trilhas de videogame.
Voltou a ser aclamado nos anos 2000 por causa de sua faixa no Street Fighter Tribute Album e por participar do Merregnon (um projeto em que vários compositores de videogame mesclam música eletrônica com clássica. Inspirou um pouco o Video Games Live, que aportou pela segunda vez no Rio neste final de semana).

Fiz uma coletânea com algumas das minhas músicas favoritas do Streets of Rage, que sim, eu escuto com muito gosto! São incríveis. Têm tudo a ver com a produção de dance e de techno dos anos 90, são vigorosas e certamente influenciaram a nova geração de música eletrônica.
Mais informações a respeito do moço neste site fã, que transborda de informações e mp3.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Pop Montreal!!
Assim fica difícil concentrar. Começa hoje mais uma maratona.É o Festival PopMontreal.E vai até domingo.Shows de Nick Cave (já sold out), Hot Chip e até do velhinho Burt Bacharach cantando numa igreja linda, sexta-feira, na esquina da minha rua.
Aliás, o festival todo acontece nas redondezas. Milhares de bandas desconhecidas ou mais ou menos conhecidas do circuito indie, que passam por mais ou menos todos os gêneros urbano-undergrounds das últimas quatro décadas - punk, rockabilly, noise, industrial, eletrônica, rock - tocando em todos os bares mais legais aqui do bairro. Djs tocando de graça às tres da tarde numa loja de roupas bacana aqui no quarteirão - a Urban Outfitters. Mais mostra de filmes, uma feira de discos, um simpósio com temas ligados à música. Ufa!!
Tenho um almoço acadêmico , amanhã - dia, que, by the way, ameça ser gelado - 10 graus foi o que deu agora na previsão da tv... E de lá, direto, me entrego ao Pop. Depois eu conto como foi.
PS - A única atração pela qual eu trocaria tudo isto, mas que já passou por aqui no início do verão antes de eu chegar - é Leonard Cohen. (mentira, não é a única. Mas, o cara é daqui, então a esperança de ver um show dele era maior).
Aí, ouvi dizer que ele vai a São Paulo. Chequei no site dele mas não fala nada...alguém sabe desta notícia ou é boato? Estou torcendo pra ser boato, pois vou morrer do coração se o cara tocar no Brasil e eu não estiver aí.
Aliás, o festival todo acontece nas redondezas. Milhares de bandas desconhecidas ou mais ou menos conhecidas do circuito indie, que passam por mais ou menos todos os gêneros urbano-undergrounds das últimas quatro décadas - punk, rockabilly, noise, industrial, eletrônica, rock - tocando em todos os bares mais legais aqui do bairro. Djs tocando de graça às tres da tarde numa loja de roupas bacana aqui no quarteirão - a Urban Outfitters. Mais mostra de filmes, uma feira de discos, um simpósio com temas ligados à música. Ufa!!
Tenho um almoço acadêmico , amanhã - dia, que, by the way, ameça ser gelado - 10 graus foi o que deu agora na previsão da tv... E de lá, direto, me entrego ao Pop. Depois eu conto como foi.
PS - A única atração pela qual eu trocaria tudo isto, mas que já passou por aqui no início do verão antes de eu chegar - é Leonard Cohen. (mentira, não é a única. Mas, o cara é daqui, então a esperança de ver um show dele era maior).
Aí, ouvi dizer que ele vai a São Paulo. Chequei no site dele mas não fala nada...alguém sabe desta notícia ou é boato? Estou torcendo pra ser boato, pois vou morrer do coração se o cara tocar no Brasil e eu não estiver aí.
Assinar:
Postagens (Atom)