sábado, 28 de março de 2009

Fórum na Tela exibe filmes do português Pedro Costa

Cena de "Juventude em marcha", de Pedro Costa, um dos cartazes da Mostra do FCC/UFRJ


Reproduzo a seguir nota publicada por Luna Meirelles no site do Fórum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro a respeito do ciclo dedicado ao cineasta português Pedro Costa, que começa na próxima segunda (30 de março) e vai até sexta, 3 de abril. Gostaria de convidar a todos para o debate que acontece após a sessão do filme "Ossos" (cartaz de quinta-feira, 2), com a presença do cineasta Joel Zito Araújo (do bom documentário "A negação do Brasil"), mediação do professor e pesquisador Denilson Lopes e humildes pitacos deste que vos blogueia. A iniciativa faz parte da Mostra Jovens Desconhecidos, parte integrante do projeto Fórum na Tela, que tem por objetivo trazer à luz filmes com pouca visibilidade no país. Sempre com entrada franca, as sessões começam às 19h e rolam no Salão Moniz de Aragão do FCC (Avenida Pasteur 250, segundo andar).

"Pedro Costa nasceu em Lisboa, em 1959, e fez o curso de edição e direção, de Antonio Reis, na Escola Superior de Cinema de Lisboa. Em seguida, trabalhou como assistente de direção em diversos filmes portugueses. Seu primeiro curta, Cartas à Julia, foi feito em 1987 e neste mesmo ano também realizou uma série de filmes infantis para a TV portuguesa. Dois anos depois, produziu seu primeiro longa: "O sangue".

O primeiro filme do Ciclo, na segunda, 30 de março, é "Casa de Lava" (Portugal/França/Alemanha, 1994, 110min, cor, com legendas em português). No elenco, Inês de Medeiros, Isaach de Bankolé, Edith Scob e Pedro Hestnes. O filme conta a história de Mariana que, tentando sair do inferno, estende a mão a um homem morto. Ela acredita que pode trazê-lo para o mundo dos vivos. Mas sete dias e sete noites depois, ela percebe que estava enganada: trouxe um homem vivo para o mundo dos mortos.

"No quarto de Vanda" (Portugal/Suiça/Itália/Alemanha, 2000, 170min, cor, com legenda em espanhol) é o filme da terça, 31. Vanda Duarte, Zita Duarte, Lena Duarte e Antonio Semedo Moreno fazem parte do elenco. Na trama, Vanda é uma jovem simples e sensível que não consegue superar o problema da droga. Fechada em seu quarto, isolada do mundo exterior, vive com mágoa seu desconforto e desencanto que partilha com alguns familiares e amigos. Enquanto isso, o bairro onde ela vive começa a ser destruído pelos buldozeres da Câmara de Lisboa, em Portugal, e ela inquieta-se em relação a seu futuro.

Na quarta, 1º de abril, será a vez de "Juventude em marcha" (Portugal/França/Suiça, 2006, 154min, com legendas em espanhol). O filme conta a história de um grupo de moradores do bairro das Fontainhas, no dia da demolição da última barraca, pelas máquinas da Câmara Municipal. Clotilde decide se separar do marido, imigrante caboverdiano que, perdido entre o antigo bairro degradado e seu novo alojamento, decide “adotar” todas as crianças do local como se fossem suas. O longa concorreu à Palma de Ouro, em Cannes, 2006.

"Ossos" (Portugal/1997, 94min, cor, com legendas em espanhol) vai ser exibido na quinta, 2. A trama se passa em Estrela d'África, bairro negro do subúrbio de Lisboa, Portugal. Uma criança, com poucos dias de vida vai sobreviver a várias mortes. O longa é um drama humano e realista e recebeu prêmio de melhor fotografia no Festival de Veneza de 1997. Ainda na quinta, haverá debate com o cineasta Joel Zito de Araújo e com o professor e pesquisador Tiago Monteiro.

Encerrando a semana, "Onde jaz o teu sorriso?" (Portugal/ França, 2001, 104min, cor, com legendas em espanhol), filme da sexta, 3, faz parte da série de documentários Cinéma de Notre Temps, série de retratos de cineastas conduzida por André Labarthe. No longa, o casal de cineastas Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, é filmado na intimidade pela câmera de Pedro Costa durante a edição de seu filme Gente da Sicília. Conhecido pelo rigor, o casal mescla teoria e prática, discorrendo sobre o árduo trabalho de composição de cenas e da montagem."

Conto com a presença de todos!

sexta-feira, 27 de março de 2009

Ciclo de palestras sobre Entretenimento

Inicia-se na próxima segunda-feira o Ciclo de Palestras sobre Entretenimento organizada pelo brother Vinicius Pereira, da UERJ, que tem o apoio do nosso Programa de Pós-Graduação -UFF, dentre outros.
Sempre na última segunda-feira do mês, durante todo o ano, com convidados e debatedores nacionais e internacionais - inclusive esta que vos escreve debatendo um dos próximos temas.
Roberto da Matta abre os trabalhos, tendo como debatedores Livia Barbosa (ESPM), Everardo Rocha (PUC-RIO) e Arnaldo Bloch (O Globo).
No Oi Casa Grande (Av de Melo Franco, 290 - Leblon), às 19.30 h, entrada gratuita. (mediante inscrição prévia, que pode ser feita até hoje no site do evento ou no dia, na portaria do teatro).
Informações - 21-35232323

quarta-feira, 25 de março de 2009

Realidade Sintética

A Fernanda Costa e Silva, LabCultiana que defende a tese dela sobre narrativas digitais no mês que vem (depois eu divulgo) é super discreta. Por conta disto, comentou comigo hoje, assim, assim, como quem não quer nada, do blog "dos meninos" sobre games, chamado Realidade Sintética.
Fui conferir e é super bacana.
Além dela, o querido e sumido Adolfo também colabora. Mas tem também outros colaboradores bacanas - dêem uma conferida.

terça-feira, 24 de março de 2009

Manuel de sobrevivência na CADEG



Por mais incrível que possa parecer, até o mês de janeiro deste ano nunca havia ido ao tradicional sábado português da CADEG. Para aqueles que não estão ligando o nome à pessoa, a CADEG é uma mega central de armazenamento e distribuição de alimentos, como o CEASA e a COBAL – compartilhando com este último o fato de também abrigar alguns bares e restaurantes. A CADEG fica em Benfica (olha o eco!), bairro da zona norte do Rio de Janeiro que junto com São Cristóvão abriga boa parte da comunidade migrante portuguesa carioca. Costumo dizer que entre São Cristóvão e Benfica, os letreiros das casas de comércio ficam irremediavelmente tingidos de verde-e-vermelho. Na CADEG não tinha como ser diferente: do botequim mais pé-sujo à loja de ferragens mais insólita, passando por mercadinhos especializados em temperos e ervas onde é possível encontrar paus-de-canela do tamanho de uma alavanca de marcha, o cheiro de azeite, bacalhau e bagaço de uva é onipresente.

Subindo os dois lances de escada rolante que levam da entrada na Capitão Félix até a rua principal do mercado, basta seguir na direção da Praça Central e dobrar na penúltima transversal à direita. Contornando novamente à direita, ao final do corredor, você chega no Cantinho das Concertinas, que é onde rola a festa portuguesa todo santo sábado. Nenhum mapa, contudo, será necessário quando a música tiver começado: o barulho é tão ensurdecedor que do início da rua principal seus ouvidos já terão avistado as concertinas.

Fazia um calor senegalês naquele sábado. Chegamos pouco antes do meio-dia, quando ainda é possível estacionar com calma e descolar uma mesa à vista dos garçons – e longe dos amplificadores. Em dias muito quentes, no entanto, não há ventinho que dê conta de suavizar o mormaço produzido pelas lonas que servem de cobertura. Convém usar roupas leves.
Os shows só começam por volta da uma da tarde. Até lá, o som em playback executa sucessivas pérolas do cancioneiro do Mestre Quim Barreiros – “A cabritinha” tocou duas vezes! – enquanto um ou outro improviso de concertina começa a sugir aqui e ali. Há uma bandeira portuguesa pendurada no meio da rua, entre as lonas, e por todo o lado vêem-se camisetas da seleção de futebol ou que estampam fotografias do ídolo Cristiano Ronaldo. A tarde portuguesa no Cantinho das Concertinas é patrocinada pela Associação de Amigos do Alto Minho, região mais ao norte de Portugal de onde veio a maior parte dos migrantes. Natural, portanto, que muitas das canções do repertório da festa exaltem as belezas dos montes, aldeias e mulheres da terra.

Em dado momento, sinto-me um alienígena. A impressão é que todo mundo ali se conhece de longa data. Alguns presentes recebem exemplares gratuitos do jornal “A voz de Portugal”, que plena era da informação em tempo real obtida via internet, parece subsistir às custas da demanda de entidades associativas, que de alguma forma encontram nas colunas sociais desses veículos um espaço de (auto) representação que outros circuitos lhes negam.
O palco é improvisado numa grande placa de madeira apoiada sobre caixotes de cerveja. Quando sete cabeças bem corpulentas sobem em cima dele, você chega a visualizar aquele treco desmoronando. Com o avançar das horas, depois de uns copitos de cerveja ou vinho verde derramados ao som das concertinas, alguns casais mais animados improvisam um bailarico.
Lembrei-me do António Variações: “Quando fala um português/Falam dois ou três/E se o número aumentar/São outros tantos a falar”. Os presentes se comunicam na base dos gritos e dos tapinhas (tapinhas, não – autênticos tabefes, daqueles bem sonoros) nas costas do próximo. O público é majoritariamente familiar e idoso, embora alguns tocadores de concertina sejam bastante jovens. Será que eles conhecem Os Pontos Negros?

Duas horas, bate a fome. Estranho não haver muitas opções de almoço. O bolinho de bacalhau (R$ 2 a unidade) é dos melhores que já comi, e descem bem com uma cerveja (R$ 3,30 a garrafa de 600 ml). Recusei-me a pagar R$ 70 numa posta de bacalhau que poderia ser comida pela metade do preço em LX. Como não sou fã de carne de porco (as célebres febras), no final das contas arrependi-me de não ter investido nas sardinhas portuguesas (R$ 15, mais batatas, cebola, farofa e vinagrete), pois o galeto que encaramos era de uma safadeza ímpar. Estrategicamente localizada perto da saída, uma barraca de doces vende iguarias supimpas numa média de R$ 3,50 a unidade. Pastéis de nata, barrigas de freira, quindins, pásteis de Santa Clara, pão-de-ló... só faltou o toucinho do céu.



Saí da CADEG matutando a respeito das concertinas num cantinho como uma espécie de metáfora para a condição da música portuguesa no Brasil: presa aos formatos tradicionais e restrita a um circuito de produção e consumo endógenos. Nem saem as concertinas do cantinho, nem o espaço se abre para a entrada de outras sonoridades. Diante dessa aparente falta de interesse mútuo, quem há de querer saber batatinha sobre a Flor Caveira?

segunda-feira, 23 de março de 2009

Comunicação e Estudos Culturais - Mesa Redonda (repassando)

A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ convida a todos para a mesa-redonda “Comunicação e Estudos Culturais”, que será realizada na sexta-feira, dia 27 de março, de 09h30m às 12h, no Auditório Anísio Teixeira, no Campus da Praia Vermelha da UFRJ.
O evento contará com participação dos professores Ana Carolina D. Escosteguy (PUCRS), Ângela Freire Prysthon (UFPE) e Jeder Janotti Jr. (UFBA).
Ana Carolina Escosteguy – Professora titular da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS. Pesquisadora do CNPq. Realizou parte de seu doutorado no CCCS da University of Birmingham. Entre os trabalhos mais importantes, publicou Cartografias dos estudos culturais – uma versão latino-americana (Belo Horizonte, Autêntica, 2001, esgotado).
Ângela Freire Prysthon – Professora adjunta da Universidade Federal de Pernambuco. Doutora em Critical Theory and Hispanic Studies pela Universidade de Nottingham. Pesquisadora do CNPq. Autora do livro Cosmopolitismos periféricos: ensaios sobre modernidade, pós-modernidade e estudos culturais na América Latina (2002). Organizadora das coletâneas Interferências contemporâneas (2002), Imagens da cidade: espaços urbanos na comunicação e cultura contemporâneas (2006) e Ecos urbanos (2008) (em parceria com Paulo Carneiro da Cunha Filho).
Jeder Janotti Jr. – Professor do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA. Pesquisador do CNPq. Autor dos livros Heavy metal com dendê (2003) e Aumenta que isso aí é rock and roll (2004). Organizou, juntamente com o professor João Freire Filho, a coletânea Comunicação & música popular massiva (2006).

domingo, 22 de março de 2009

In Rainbows, com ecos

A acústica é péssima, tentei vários lugares diferentes mas não consegui nenhum sem eco, o som - em especial no Kraftwerk - tava baixo (102 decibéis, segundo um dos técnicos de som), o lugar não tem clima, é muito aberto e frio, acaba todo mundo dispersando, a fila no banheiro - inclusive masculino - era enorme, mesmo com um público abaixo do número esperado (minha amiga comprou o ingresso que custou 200,00, na hora, na mão de um cambista, por 150,00).Além disto, o Kraftwerk fez exatamente o mesmo show de 2004. Clássico para alguns. Comodista, para outros.

Isto quer dizer que o show foi ruim? Não, claro que não!

Cheguei em cima da hora do início dos alemães e foi bacana atravessar a passarela ouvindo os primeiros acordes junto com as imagens no telão. E, a viagem ao futuro do passado proporcionada pelo imaginário tecnológico dos caras - que data dos anos 70 - sempre me emociona como certos filmes que previam o futuro de uma outra maneira.

O show conciso e pontual, porém, mostrou que eles sabiam que a noite não era deles.

Já o Radiohead estava endiabrado, Thom Yorke parecia estar se divertindo muito, a platéia dançava e cantava todas, ouvimos ao vivo as músicas que mais amamos da banda (teve até Creeps!), a iluminação é mesmo deslumbrante e minimal, o show durou mais de duas horas e saímos todos felizes. Ou quase.

Pois é. Já falei num outro post e vou repetir. É que eu acho o Radiohead cada vez mais parecido com o U2 - banda que eu gostava muito e que atualmente não suporto - cheios de baladinhas cabeçudas e parecidas umas com as outras. Pop, pop,pop. Chato, chato, chato.
Sinto falta da melancolia, da desconstrução, do desespero, do "no future", dos climas sonoros de OK Computer e Bends, que são os dois discos geniais da banda na década de 90.Foi por isto que não me interessei por ver o show deles no ano passado em Montreal. E, infelizmente, confirmei a impressão neste show, quando me vi, em vários momentos, distraída, pensando em outras coisas ou conferindo se era o Rodrigo Santoro que estava mesmo do meu lado.

Além do mais, tá mais do que claro que o Sambódromo é um projeto arquitetônico infeliz, que não funciona nem pra Carnaval ...


sábado, 21 de março de 2009

Foi bom pra vc, meu bem?

Radiohead, ontem, na Apoteose...vocês gostaram?

Posto aí um dos filminhos, bem tosco, feito com minha câmera.

Amanhã, comento os shows.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Lan houses em nova abordagem

Quando escrevi o projeto para entrar no mestrado da UFF (setembro de 2007), as lan houses constituíam local de acesso à internet para 30% da população brasileira conectada. Nesta época, a maior parte das opiniões que encontrei na mídia promoviam a separação: de um lado, as lan houses como espaço de entretenimento, de outro, os telecentros como espaço de formação da cidadania. Um ano depois, a pesquisa anual realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil apresentou dados que surpreenderam muita gente: 49% dos acessos à internet aconteciam de lan houses ou cibercafés, o que, segundo o relatório do Comitê, se constituía em um "verdadeiro fenômeno".

Desde então, o número de matérias sobre lan houses vem crescendo na mídia. Já falamos aqui no blog (veja aqui) sobre a série do programa Central da Periferia, comandado por Regina Casé, que mostrou lan houses super interessantes, espalhadas por todo o Brasil. Tenho também alguns recortes de jornais e matérias publicadas em sites, sobre o assunto. A maior parte das notícias que tenho guardadas apenas informam o crescimento das lans e mostram depoimentos de donos e frequentadores desses espaços.

No mês passado, no entanto, o tema foi abordado na revista A Rede - Tecnologia para a inclusão social, uma publicação da Momento Editorial, "criada para produzir informação especializada nos segmentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC)". A matéria de capa da edição de janeiro/fevereiro tem como título "Lan houses em nova fase" e apresenta o tema de forma mais abrangente. Alguns dos pontos que tenho trabalhado em minha pesquisa estão lá: a necessidade de mudanças na legislação que classifica as lan houses como "casas de jogos" e dificultam a sua legalização; o uso de software livre; a aproximação entre as lan houses e as políticas públicas de "inclusão digital".

A matéria na íntegra pode ser lida aqui. Até a semana passada, o acesso online ao conteúdo da revista era direto. Descobri hoje, ao escrever este post, que agora é necessário se cadastrar no site. Depois de cadastrado, o leitor tem de clicar no símbolo do PDF para ler o texto. Vale a pena, pois a revista traz várias reportagens interessantes para os que estudam as novas tecnologias.

A visão da importância das lan houses nas periferias brasileiras tem incentivado também a aproximação entre o poder público e este tipo de estabelecimento, como veremos no próximo post.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Em breve, num cinema perto de você...

Conforme matéria publicada no Segundo Caderno do jornal O Globo de hoje, na próxima sexta-feira (dia 23 de março) deve estrear nos cinemas cariocas o filme "Entre os dedos", dirigido pela dupla de realizadores portugueses Tiago Guedes e Frederico Serra. Em outra ocasião, aqui mesmo neste blog, eu já havia comentado o longa, que estava em cartaz em Lisboa quando lá estive, no mês de outubro. Embora eu não seja propriamente um entusiasta do filme-enquanto-filme (posso até mudar de opinião revendo o dito cujo, mas até segunda ordem continuo admirando muito mais o longa anterior da dupla, o terror familiar "Coisa ruim", que infelizmente permenece inédito no circuito brasileiro), certamente sou um entusiasta do filme-enquanto-representante-de-um-certo-cinema-português-contemporâneo-que-busca-o-diálogo-com-o-grande-público-e-nos-mostra-um-Portugal-para-além-do-clichê, o que me parece um motivo mais do que suficiente pra recomendar "Entre os dedos". Eu aposto numa estreia em circuito reduzido, mas que certamente incluirá o Unibanco Arteplex, como sempre acontece, por isso sugiro que os interessados confiram o longa logo na primeira semana, ou ele será varrido das nossas vistas como o foi "Dot.com" (e contra "Entre os dedos" há o fato de este ser um filme muito mais denso do que a boa comédia de Luís Galvão Teles).

Muito me chamou a atenção, na matéria do jornalista André Miranda, a ênfase que foi dada ao fato de "Entre os dedos" ser uma co-produção entre Brasil e Portugal, como também aos dados que apontam ser a parceria entre os dois países a mais frequente da Retomada até os dias de hoje, contabilizando um total de 25 filmes, alguns com maior investimento luso (caso de "Entre os dedos"), outros mais brazucas em termos de capital (pouca gente menciona que "O céu de Suely" tinha dedo da Fado Filmes de Galvão Teles na co-produção). Tudo muito bom, tudo muito bonito. Só faltou dizer que embora os filmes estejam sendo feitos, desconfio seriamente que eles não estão sendo vistos - tanto no Brasil quanto em Portugal. Legal ressaltar as semelhanças entre os dois países, seja no aspecto linguístico, seja no sociocultural, mas enquanto o discurso da Lusofonia for apropriado como uma espécie de guarda-chuva cuja consequência utópica seria o nosso súbito interesse pela cultura lusa (e eu não conheço ser vivente - ok, talvez com exceção de mim mesmo - que se disporia a ir ao cinema ver um filme só pelo fato de ser português), produções bacanas como "Dot.com" e "Entre os dedos", e outras nem tanto como "O mistério da estrada de Sintra" continuarão passando em brancas nuvens pelos cinemas brasileiros (para não falar dos filmes que sequer chegam ao nosso mercado de DVDs). Porque às vezes eu desconfio que iniciativas como as co-produções cinematográficas entre Brasil e Portugal param justamente onde deveriam começar: na constatação de que a língua comum abriria uma possibilidade de mercado capaz de ser explorada com mais afinco, e não apenas funcionando como garantia de que você poderia importar o cartaz original do filme sem ter que se preocupar com a tradução para o português.

Que venham mais co-produções como "Entre os dedos", pois. Mas que também haja um genuíno interesse em promover os filmes como deve ser. E que a tal da Lusofonia seja um ponto de partida, e não um ponto de chegada, como me parece que anda sendo feito.

terça-feira, 17 de março de 2009

"Oiçam todos, oiçam todos!"

As ruas de Vila Ruiva (Concelho de Nelas, Portugal) estão desertas porque tá todo mundo lendo o LabCULT... ;-)


Remexendo nos arquivos antigos do LabCULT, descobri que na próxima sexta, dia 20 de março, completam-se exatos 365 dias da minha primeira postagem neste blog. Intitutava-se “Não é piada” e informava, em linhas gerais, as bases e pressupostos da minha pesquisa sobre a cena musical popular massiva portuguesa contemporânea que, à época, apenas engatinhava. Hoje, deixando a modéstia um pouco de lado, sinto um baita orgulho do meu filhote: apesar de ter sido um ano hardcore em termos de leituras e reflexões, vejo que os resultados começaram a se materializar, seja em congressos aos quais tive a oportunidade de levar alguns dos resultados iniciais da investigação, seja em eventuais publicações que, devagar-devagarinho, transportam a temática da música & cultura portuguesas para universos cada vez mais amplos. Isso sem contar o processo de imersão no âmbito da cultura lusa contemporânea, que me levou a descobrir bandas, cineastas, sites e espaços de show incríveis, numa lista que só tende a aumentar ao longo de 2009, quando – se Deus quiser, e ele há de – terei a oportunidade de conferir, in loco, a pertinência das hipóteses que venho formulando.

Como se não bastasse o meu espírito reflexivo-rememorativo, na sexta-feira passada, durante a reunião inaugural do LabCULT, fui informado pela Simone, grande parceira e orientadora desta pesquisa, que muitos dos visitantes que turbinaram o número de acessos ao nosso blog durante o ano que passou teclavam de localidades Além-Mar, como Vila Real, Aveiro, Faro, Braga, Guarda, Setubal, Vila Nova de Gaia e Lisboa. Ô gente, que felicidade! Espero de coração que vocês estejam curtindo. E tanto para os leitores daqui quanto pros de lá, vai o meu recado: continuem acessando o LabCULT, comentem os posts (todo comentário é uma contribuição do tamanho do mundo pra minha pesquisa de doutoramento) e divulguem o blog para vossos amigos presenciais e virtuais. Valeu!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Ainda o Iron Maiden

Coincidência! No meu último post comentei e recomendei o excelente documentário sobre o heavy metal, chamado Metal, que foi concebido e dirigido pelo Sam Dunn. E acabo de saber que, durante a passagem do Iron Maiden pelo Rio, neste fim de semana, eles aproveitaram para fazer a pré-estréia do filme Flight 666, que documenta a turnê atual deles, cujo diretor, quem é? O mesmo Sam Dunn, mais Scot McFayden.

O filme entra em cicuito no Rio em abril. Vamos ficar de olho?

E para críticas do show, confiram o blog do velho e bom Jamari França.

domingo, 15 de março de 2009

ARGs e Marketing Viral: desenrolando novas espacializações

No último mês de fevereiro, terminei meu segundo trabalho como puppetmaster, desta vez criando o ARG “Desenrola”, em outra parceria com a Raccord Produções e meu amigo Lucas Laender, pesquisador aqui do labCULT. O jogo é um Alternate Reality Game integrante de um portal multimídia de mesmo nome, fomentado pelo OI Futuro. O projeto envolve inúmeros ambientes da web, um grau de ludicidade, filme cinematográfico e até mesmo um concurso real para vocalista de uma banda virtual.
Este trabalho foi fundamental para eu poder colocar em prática algumas das idéias que venho desenvolvendo em minha tese de doutorado, que focaliza a relação dos ARGs com o marketing. O Alternate Reality Game é resultado da convergência entre computação ubíqua e jogos eletrônicos. Desde 2001, estes games vêm se tornando objeto de pesquisas acadêmicas e adquirindo novas funções, em terrenos do marketing, política, educação, treinamento dentre outras. Recentemente o IperG, um dos expoentes em estudos sobre este tipo produto, constatou que estes jogos expandiram três dimensões dos jogos em geral – a social, a espacial e a temporal.
Em Desenrola, foi possível notar traços da expansão espacial potencializada pelo fenômeno, além de refletir sobre sua eficácia como ferramenta de marketing. Neste caso, a marca OI Futuro foi inserida na atmosfera do jogo, deslocando-se por ambientes reais e virtuais, acompanhando a experiência.
A disputa teve início na web, infiltrando-se nos vídeos e nas ferramentas do personagem Orelha, sob a forma de pedidos de ajuda feitos por outros personagens do jogo. Quem se dispôs a ajudá-los, caiu em um conflito que envolvia jovens e o tráfico de drogas. Coincidentemente, tal fato veio corroborar o noticiário daquela época, que destacava esta ocorrência no Rio de Janeiro.
Em seguida, o jogo ganhou espaço em fóruns na internet e circulou em meio a chamadas telefônicas. Concentrou-se, posteriormente, em um site na web, que forçava os jogadores a desvendar e entender diversas interfaces. Ao final, a comunidade formada pelos jogadores foi desafiada a encontrar pistas no Centro Cultural OI Futuro, situado no bairro do Catete, Rio de Janeiro. Os participantes permaneceram cerca de três horas no lugar, interagindo com o espaço, mídias e os próprios personagens. Ao final, foi editado um vídeo que funciona com prova definitiva contra os crimes do vilão de Desenrola.
Esta constatação pode traduzir a espacialização produzida pelo fenômeno, que transborda do ciberespaço e penetra no mundo real com o mesmo ritmo e imediatismo de nossas experiências pessoais. Se os jogos em geral são devedores da criação de um território específico, que envolve jogadores e o ato de jogar, no caso dos ARGs, meu argumento é que outro elemento pode ser inserido neste conjunto a marca ou serviço que fomenta o jogo. A expansão espacial, específica destes games, faz este novo componente acompanhar a experiência em sua totalidade, que envolve ciberespaço e espaço físico. A figuração dos ARGs como ferramenta de marketing introduz um estilo de espacialização que faz a marca ou serviço circular por um território híbrido composto por ambientes físicos e virtuais.
Desenrola pôde me ajudar em duas considerações, ambas convergentes com o marketing: comprovar minhas idéias sobre a expansão social produzida por estes games, chamadas anteriormente por mim de publicidade remediada; observar traços da espacialização produzida por estes games.

sábado, 14 de março de 2009

Eu não odeio mais as donzelas de ferro!




Iron Maiden se apresenta hoje no Rio. Meu programa noturno passa a léguas deste show - vou ver Cruel, da Debora Colker. Mas, confesso que não fico mais indiferente aos apelos do heavy metal. E me explico.


Fui criada musicalmente numa outra sensibilidade roqueira. Na adolescência, comecei com os clássicos, mais próximos do rock psicodélico e/ou progressivo do final dos 70 - Led Zepelin, Yes, Deep Purple, The Who, influenciada pelo meu irmão Marcelo. Também os primeiros Stones, por conta do outro irmão, Vinicius. Depois punk -a trindade Sex Pistols, The Clash (de London is Calling) e Ramones, por minha própria conta e risco. Mas, por conta de idade e geração, o que me cala fundo como trilha sonora existencial, é o som dark e proto-eletrônico dos 80 (ou, se quiserem, synth-pop) - Joy Division, New Order, Siouxie and the Banshees, The Cure, Echo and the Bunnymen; mais o New Wave de bandas tão distintas como Devo, The Pretenders e Talking Heads. Sem falar no cara que continua a me acompanhar por toda a vida, que é o David Bowie. Tem também o outro lado desta história, que é a minha paixão pela disco music desde pequenininha (he,he,he)- mas que pra este post, não vem ao caso.

Por conta destas referências, nunca me afinei muito com o tal do heavy-metal. Por não conhecer, achava tudo meio farofa, pouco sofisticado, machista -aquele monte de homens sem camisas, com aquelas cabelereiras, às vezes umas barrigas, mais umas tatuagens gigantes e pouco estilosas - ugh!! Sei que é preconceito, mas é assim que a gente vai construindo nossa sensibilidade estética dentro das culturas de gosto - assunto central de muitas de nossas discussões no LabCult.


Pois é. Mas, dentre tantas outras coisas que devo ao meu querido amigo Jeder Janotti, professor da UFba, esta é mais uma - mudar a minha visão do metal. Não que agora eu ouça muito ou conheça as bandas. Sorry - mas continuo bem ignorante das quinhentas linhagens, sub-estilos e tudo mais. Por influência de Jeder, porém, que é fã, pesquisador e baterista da banda baiana Os Mizeravão - passei a prestar atenção e me divertir, ao invés de torcer o nariz para o heavy metal como fazia antes.

A mudança foi de tal ordem que fui assistir aquele documentário que passou por aqui há um ano ou pouco mais, chamado Metal - A Headbanger's Journey, onde um antropólogo e fã de metal tenta desvendar o "mistério" que faz esta subcultura ser tão fiel ao gênero. E saí do cinema fascinada, revendo ainda mais meus estereótipos sobre o metal. E, os depoimentos sobre o poder da música em mudar as nossas vidas são absolutamente comoventes, mesmo pra quem não é apaixonado por esta sonoridade.

Então, fazer propaganda do Iron Maiden tá além da conta. Ma já que o tempo mudou e tá caindo uma chuvinha bacana, que convida ao recolhimento, baixa aí o doc Metal. É uma viagem ao universo da música muito legal, que mostra que a sensibilidade antropológica do diretor do filme - pra meu orgulho - é mesmo uma forma de ver o mundo.

Ou então, compre pela Internet no site da e-papers um dos livros do Jeder sobre o tema, que se chama "Heavy Metal com Dendê", que faz um estudo da cena de heavy metal de Salvador. Desde o título, é uma delícia!

sexta-feira, 13 de março de 2009

Odete Roitman estava certa



Me contem! Em que lugar do mundo se vende ingresso para um show pela Internet mas vc vai ter que enfrentar fila na bilheteria, no dia do show, para retirá-lo? Ou então, vai ter que comprar num único ponto de venda, que funciona de 10 as 18. Mas, quando você vai lá comprar, às 10.40, os ingressos "ainda não chegaram".

Tô falando do show do Radiohead, sexta que vem, no Rio. Bem-feito! Quem mandou eu esnobá-los quando passaram por Montreal. Agora, paguei meus pecados com juros. Por sorte, consegui comprar quatro ingressos - em dinheiro, pois não aceitavam cartão -depois deses percalços. Mas, dá para sentir que, se depender da organização do evento, vamo ralar muito até chegar na Pça da Apoteose.E isto pelo exorbitante preço de 200,00 reais por cabeça. Fala sério!


PS - Explicar a piada é f.!! Mas, pros muuuito jovens que lêem este blog, botei um videozinho aí da Odete - a adorável personagem da longínqua novela Vale Tudo que odiava o Brasil.

quinta-feira, 12 de março de 2009

blip.fm

No ano passado, ouvi dizer do Blip.fm através dos meus colegas de Mídia Marina e Francis. Este é um sistema de sociabilização musical que consiste em perfis criados com playlists de mp3.

O usuário busca as músicas em servidores diversos espalhados pela internet, para em seguida colocá-las em fila no seu perfil, que em si já é um sistema de execução de mp3. É um pouco como o finado Muxtape, mas muito mais parecido funcionalmente com o outro sistema que um pessoal do Labcult gosta de usar, o Anywhere.fm .

O sistema é simples, mas com vários recursos perspicazes para a interação social. É possível fornecer 'props', que são como elogios - você elogia a escolha de uma música específica que alguém fez, e também pode dar props para um perfil, por gostar do conteúdo dele como um todo. Também é possível re-postar uma música que estava no perfil de outra pessoa originalmente, fazendo com que a pessoa saiba disso. Outra possibilidade é inscrever-se nas atualizações de outros perfis (e esta informação também é compartilhada).

O Blip.fm já fez tanto sucesso, que já conta com o Blip 'n' Beer, um incentivo à organização de festas cuja discotecagem é feita toda através de músicas provenientes do site, e também com o Blipathon, um esquema de doação financeira para instituições carentes.

Para criar um perfil e ver como funciona, acessem o site. E cuidado: vicia.

Evento sobre indústria da música na UFRJ - ECO

A coordenação do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação (NEPCOM) da ECO/UFRJ (com o apoio do PPGCOM da UFRJ, Sebrae-RJ, Rede Rio Música, Universidade Carlos III de Madri e FGV-RJ/Overmundo) convida a todos para o evento abaixo:

Mesa-redonda: "Comunicação, Música e Desenvolvimento Local - balanço da reestruturação da Indústria da música"
Organização: Micael Herschmann (UFRJ) e Leonardo de Marchi (UFRJ)
Dia e horário: 03 de abril, entre 09:30 e 13:00 horas, Local: Salão Dourado, do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.
Abertura: Micael Herschmann
Mesa-redonda:
Moderador: Leonardo de Marchi (UFRJ)
Palestrantes:
Luis Albornoz (Universidade Carlos III de Madri) – Desafios e perspectivas para a música digital
Oona Castro (FGV-RJ) – Circuito musical do tecnobrega de Belém (Pará)
Micael Herschmann (UFRJ) - Circuito musical do samba e choro da Lapa (Rio de Janeiro)
Debatedores:
Arthur Coelho Bezerra (Sebrae-RJ e Rede Rio Música); Julia Zardo (Instituto Gênesis/PUC-RJ); Heliana Marinho da Silva (Sebrae-RJ); Helena Aragão (Overmundo)

quarta-feira, 11 de março de 2009

No futuro, todo mundo terá direito a 15 minutos de privacidade

Com frases como esta do título pontuando a conversa, tivemos ontem um debate com Roberto Cassano, na Semana de Recepção aos calouros do curso de Estudos de Mídia. Foi muito bom.

O Roberto é Diretor de Mídias Sociais da Agência Frog, especializada em Mídias Sociais e estretégias de publicidade na rede.

E traduziu de maneira simples, direta, humoradissima e muito inteligente os temas da cibercultura que a gente aborda o tempo todo nas aulas: as redes sociais, o papel dos mediadores, a filtragem de informação e principalmente o papel dos profissionais de mídia neste (novo?) mundo de excesso informacional.

Confirmando a nossa intuição ao criarmos o primeiro curso de Estudos de Mídia do Brasil, rompendo com a proposta de especialização dos cursos de Comunicação tradicionais, ele ressaltou o tempo todo a importância das "novas profissões" ligadas ao mundo da comunicação em rede. Desenvolvedor de games, criador de conteúdo para celulares, publicitário de marketing viral, analista de Orkut...Profissões que não são reconhecidas pelos nossos pais, pelo menos até o momento em que Gloria Perez resolve botar a novidade na novela da vez (já viram a secretária de Caminho das Indias pendurada no Second Life? - bizarro!!!).
PS - Façam uma visita ao portal do curso de mídia - tá cheio de coisas bacanas!

theremin freak

No semestre passado, eu e mais dois colegas de Estudos de Mídia ( Gueko Hiller e Manaíra Carneiro ) fizemos em 24 horas um curta-metragem. A princípio, ele seria um micro-metragem (filme de até 3 minutos ), mas no final das contas fizemos duas versões: uma de seis e outra de três minutos.

Como gostamos mais da versão de seis minutos, posto esta aqui no blog.

A direção é da Manaíra, a edição e a atuação (com participações especiais da equipe) são do Gueko e a trilha sonora é minha. Espero que gostem!

Álbum que tematiza o excesso de informação é lançado somente pela internet


Felipe Schuery, ex-banda Lasciva Lula, acaba de lançar o álbum Data Crônica . A obra, com 14 músicas, interessa duplamente ao LabCULT. Em primeiro lugar, foi lançada somente na internet (as músicas podem ser baixadas aqui), utilizando como meio de circulação e divulgação MySpace, blogs e Twitter. Em segundo lugar, o próprio tema das músicas: "o excesso de informação e a necessidade de encontrar meios de filtrar tudo isso e produzir algo pessoal", como escreve meu irmão Lucas (leia aqui) no outro blog de que participo, O Caroço. No blog, há também uma mini entrevista com Felipe Schuery (leia aqui), em que o músico fala como surgiu o tema das letras - "croniquetas de uma época regada a informação" - e da importância de se disponibilizar músicas na internet - "consumir o processo (não só o fim) já é fato na geração que nasceu teclando".

terça-feira, 10 de março de 2009

Resquícios do Carnaval



Oi pessoal, desculpa a ausência... Estive ocupado com os festejos e também com a conclusão de artigos, mas estou de volta para dar minha contribuição ao blog do LabCULT. De cara, vou postar essa foto aí... uma homenagem bem divertida que encontrei nas ruas de Ipanema em pleno Carnaval. Só lembrei da Simone! A verve jornalística e a combinação de vodka com Red Bull bateram forte nesse fim de tarde e resolvi flagrar essa Carmem Miranda reciclada. Achei a fantasia bem original e bastante rica em analogias. Além do figurino, o cara também saia fazendo performances. Cantava as músicas da pequena notável em versões bem humoradas que falava do desperdício, da reciclagem e da poluição. O nome do artista... isso eu não vou lembrar mesmo! Mas as fotos são do meu amigo Evandro Inocêncio.

Keep it comin', pá!

Desconfio que serei zoado até o fim dos meus dias por causa deste post-confissão, mas que se dane: há coisa de 15 dias, zapeando inocentemente pela TV aberta após o paredão do BBB, deparei-me acidentalmente com uma chamada do programa Amaury Jr no intervalo do Superpop (chega, né?) anunciando que o tema da edição daquela noite seria Portugal. 40 minutos e incontáveis reclames de Tele-papo-net-paquera depois, eis que o programa começa, mostrando seu inoxidável apresentador numa festa em São Paulo (onde mais?) na qual seria lançado o projeto “Lisboa convida”, que tem por objetivo aumentar a frequencia de turistas brasileiros na capital portuguesa, numa iniciativa da Associação de Turismo de Lisboa em parceria com a TAP.

De acordo com seus criadores, a proposta do “Lisboa convida” é revelar que a cidade não é só tradição, que há todo um lado moderno, dinâmico e cosmopolita capaz de atrair o turista brasileiro e ampliar a taxa de ocupação dos hotéis. O vídeo de divulgação da campanha alterna, então, imagens de castelos, bondes, casas de fado e afins com diversas cenas registradas na parte nova da cidade, revitalizada em virtude da Expo 98 e onde ficam o Oceanário, o Centro Comercial Vasco da Gama e o Parque das Nações. A julgar pelo público presente na festa de lançamento, a iniciativa é voltada para o turista de alta renda, embora a todo momento se ressalte que visitar Lisboa é mais barato do que as demais capitais européias, sem contar as afinidades linguísticas e culturais, etc etc.

Conforme o esperado, o fato de o anfitrião da iniciativa ser o Amaury Jr não ajudava muito. As entrevistas que ele fazia com os presentes eram pautadas pelo já desgastado tópico das diferenças de sotaque e a particularidade do significado de algumas palavras – pelo menos fomos poupados do clássico “entrar no rabo da bicha”. E para um projeto que se propõe a mostrar o lado moderno de Lisboa, vamos combinar que falar do Museu dos Coches (tradicionalíssimo point que reúne uma das maiores coleções de carruagens reais do mundo) não foi das escolhas mais felizes.

Mas tirando essas derrapadas, o resultado final nem foi tão constrangedor assim. Nos flashs que ilustravam a matéria, retomando imagens de uma antiga visita do apresentador a Portugal, em vez das casas de fado e dos castelos, foram exibidas cenas de um clube de strip tease (!), de um restaurante pop toda a vida decorado com miniaturas e action figures e da House of Vodka, um bar nas cercanias do Príncipe Real (a minha área!) que entrou para o Guiness por possuir a maior carta de vodkas do mundo. Tá de bom tamanho, né? Ou vocês queriam o Amaury Jr se acabando num show de post-rock na ZDB?

* * *

Pintou na lista da Compós o link pra uma matéria super bacana da BBC Brasil sobre o Acordo Ortográfico entre os países falantes da Língua Portuguesa. O foco é um pouco diferente do habitual: saem as diferenças na escrita e entram em pauta as diferenças no falar cotidiano. Tem horas que parece o meu projeto de pesquisa resumido em dois minutos e doze segundos. E além das boas intenções, valeu para matar saudades de Lisboa: as imagens são belíssimas.

* * *

E por falar em televisão, andou rolando durante o Carnaval no Canal Futura um bom documentário sobre as trocas musicas entre Brasil e Portugal. Co-produzido pela carioquíssima Matizar Filmes e intitulado "Carnaval para D. João", o doc parte do samba-enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou em 2008 (sobre a vinda da Corte e o mito de Dom Sebastião) para analisar as assimetrias nas trocas musicas entre os dois países. São entrevistados, entre outros personagens, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, a filha do Roberto Medina (a propósito da realizaação do Rock in Rio Lisboa) e o músico Sergio Godinho, que reclama da pouca penetração da música portuguesa no Brasil, enquanto a música brasileira em Portugal é super conhecida e admirada. Quando eu falo...

* * *

E pra encerrar, domingo passado, no programa do Faustão, o ator português Ricardo Pereira (da novela "Negócio da China") era o convidado do júri de um quadro qualquer sobre imitadores. Lá pelas tentas, o Faustão soltou que os artistas brasileiros são super recebidos em Portugal, enquanto a recíproca, infelizmente, ainda não é verdadeira. O apresentador invocou o áureos tempos do Perdidos na Noite, quando costumava levar a cantora portuguesa Eugénia de Melo e Castro ao programa. Valeu, Faustão! Que tal convidar a Deolinda pro Domingão?

domingo, 8 de março de 2009

FILE - Festival Internacional de Linguagem Eletrônica

Do dia 10 de março ao dia 19 de abril, o Oi Futuro vai sediar a quarta edição carioca do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica). Este evento vale a pena não só pela exposição de arte eletrônica, mas também por colocar em discussão os modos de expressão que os media proporcionam.

Nos dias 10 e 11 de março, acontece o FILE Symposium. Especialistas em tecnologia de várias partes do mundo farão falas e mesas-redondas. Alguns artistas que terão seus trabalhos expostos no Oi Futuro comentarão a respeito de suas vertentes na tecnologia, inclusive, como o holandês Daan Brinkmann, cujo trabalho Skinstrument é uma das obras de destaque do evento. Para se inscrever, é só entrar neste link e preencher a ficha cadastral.

Aliás, este trabalho realmente é bem interessante: consiste numa pequena plataforma, com duas placas de metal emanadoras de corrente elétrica. A idéia é produzir um efeito sonoro. O que acontece, então, é que o espectador produz som ao fazer do próprio corpo um condutor elétrico.
O mais legal aqui (e a intenção da obra, na verdade) no entanto é a interação entre duas - ou mais - pessoas. Enquanto alguém encosta numa placa, outra pessoa encosta na outra. Para então colocarem suas peles em contato, e formar um circuito e, portanto, som. Conforme a intensidade do toque na pele, a freqüência do som muda... é um hardware sonoro ativado pelo toque.


Skinstrument

Além do FILE Symposium, das exposições de obras artísticas e/ou simplesmente de novas apropriações estéticas para diferentes media (televisão, computador, celular) o FILE contará com a exibição de documentários a respeito de tecnologia. E no topo de tudo isso, passará trabalhos inscritos para o Japan Media Festival, que acontece desde 1997 e tem a ver com arte, entretenimento, animação e mangá. E ainda tem mais! Neste link tem informações a respeito de todas as seções.

Para maiores informações, visite o link do FILE: file.org.br .

sexta-feira, 6 de março de 2009

Dicas do finde

O especialista em psychobilly aqui do Lab é o Tiago Rubini. Mas, como ele não se manifestou, divulgo o festival RioBilly, que acontece amanhã no Cine Lapa. Bandas de rockabilly, mais punk, ska, surf e psychobilly são as atrações.

Outro evento que a gente recomenda é o I Festival de Cultura Digital que acontece no Circo Voador amanhã e domingo. A entrada é gratuita, ou quase - o ingresso custa um kilo de alimento, um livro ou hardware (legal, né!!). E tem um monte de atrações desde as três da tarde. Estou de olho, em especial, no sábado à noite, que tem show de BNegão e no tal ChoroFunk. Este combina o funk do Dj Sany Bull, um dos caras que renovou o funk carioca, mais o choro do pandeiro de Sergio Krakovsky (do grupo Tira-Poeira).
Será que vai dar certo? Bora lá conferir!!

DEPOIS DA POLÍCIA, INTERNET GRATUITA NO DONA MARTA

Na segunda-feira, o futuro chega ao Morro Dona Marta. Depois da Praia de Copacabana, é a vez de a favela de Botafogo — a primeira do País — ganhar Internet banda larga gratuita a céu aberto (wi-fi). O governador Sérgio Cabral sobe o morro para inaugurar o Santa Marta Digital e, graças à instalação de 16 antenas, de qualquer ponto da favela será possível acessar a rede mundial de computadores e navegar. Em maio, será a vez da Cidade de Deus e da Orla de Ipanema e do Leblon. A Rocinha também terá o seu wi-fi no início de julho. O sinal wireless será transmitido via rádio e poderá chegar até para quem mora no asfalto, nos arredores do Dona Marta. Durante três meses, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia instalará na Praça Corumbá, na subida do morro, um quiosque com computadores conectados à rede, para que os 10 mil moradores da comunidade possam usar o serviço. O governo investiu R$ 496 mil no projeto, que prevê ainda a oferta de serviços públicos à população, como consulta de processo no Detran-RJ, agendamento de perícias no INSS, pesquisas escolares e emissão de 2ª via de contas, além de acesso aos microempresários locais para que possam ganhar competitividade. EQUIPAMENTOS DO PAN O projeto foi financiado pela Faperj e desenvolvido em parceria com a PUC. Os equipamentos de telecomunicações são os que foram utilizados nos Jogos Pan-Americanos e cedidos pela Secretaria de Segurança. “A implantação do sistema wireless no Santa Marta permitirá que a comunidade se transforme em uma Comunidade Digital e reforça as ações de inclusão social”, diz o secretário Alexandre Cardoso. No segundo semestre, o serviço gratuito de Internet banda larga a céu aberto começa a ser disponibilizado para os moradores da Baixada Fluminense.
A notícia está em todos os jornais do Rio de Janeiro, mas essa nota transcrita no blog foi extraída daqui.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Sound Studies

Divulgo, abaixo, a ementa e programa do curso que darei na Pós-graduação em Comunicação da UFF neste semestre. O curso é aberto aos alunos dos Programas de Pós do Rio de Janeiro (pois temos um convênio entre os quatro programas). Outros pesquisadores de pós interessados na temática também são bem-vindos.



Curso – Estudos de Som e Música
Prof. Simone Pereira de Sá
Horário - Quintas-feiras -10.00 as 13 horas
04 créditos
Início:19 de março de 2009
Local: PPGCom UFF
Rua Tiradentes, 148 - Ingá - Niterói

O curso tem por objetivo apresentar aos alunos algumas questões ligadas ao campo dos estudos sobre sonoridade, música e audição na modernidade, a partir das mediações tecnológicas, chamado fora do Brasil de “Sound Studies”.
Partindo da discussão de Jonathan Sterne, na obra “The Audible Past” – que aborda a origem da reprodutibilidade técnica do som e a genealogia das formas modernas de escuta, o curso privilegia a discussão entre música e tecnologias da comunicação, a partir de quatro grandes eixos.
1) A escuta sonora na modernidade (original e cópia, analógico e digital, música e ruído, formatos e suportes da escuta, som e imagem no cinema e na tv, etc.)
2) Som e espaço urbano (Soundscape, cenas musicais e territórios sonoros, mobilidade e customização do som, celulares e I-pods, etc)
3) Formas de escuta e novos ambientes sonoros (música para games, plataformas sociais para distribuição de música tais como Last.FM e My Space, mash ups, experimentações da cultura musical underground)
4) Dilemas do campo da música – produtores x artistas, arte x indústria, copyright x copyleft, underground x mainstream, etc


Bibliografia básica:*

Adorno, Theodor – Essays on Music. (textos “The Curves of the needle” e “The form of the Phonograph”. Richard Leppert (ed). Berkeley, Univ. of California Press, 2002 (1927-1934)
Altman, Rick(ed) – Sound Theory, Sound Practice. New York, Routledge, 1992.
Braun, Hans-Joachim(org.) – Music and technology in the twentieth century. pp 158-167. Baltimore and London. John Hopkins Univ. Press, 2002
Bull, Michael – Sound Moves.Ipod Culture and urban experience.New York, Routledge, 2008.
Chion, Michel – Audio-Vision – Sound on Screen. New York, Columbia Univ.Press, 1994.
Collins, Karen – Game Sound. An Introduction to the History, Theory and Practice of Video Game Music and Sound Design. Cambridge, MIT Press, 2008.
Gitelman, Lisa – Always already new. Media, History and the data of Culture. Cambridge, MIT Press, 2006
Kittler, Friederich – Gramophone-Film-Typewriter.(trad. por Winthrop and Wutz) Stanford, Stanford Univ. Press, 1999
Schafer, R. Murray – The Soundscape. Our Sonic Environment and the tuning of the world.Rochester, Destiny Books, 1994 (1977)
Sterne, Jonathan – The Audible Past. Cultural Origins of Sound Reproduction. Durham, Duke University Press, 2003.
TAYLOR, Timothy – Strange Sounds –Music, Technology and Culture. London/New York: Routledge 2001
Thebergé, Paul – Any sound you can imagine: making music/Consuming technology. Hanover and London. Wesleyen Univ. Press/ Univ. Press of New England, 1997
*Obs – A bibliografia será complementada por artigos e capítulos de outros livros, que serão detalhados posteriormente, por ocasião da apresentação aos alunos do planejamento do curso aula a aula.

quarta-feira, 4 de março de 2009

"This is Luanda/ This is Lisboa"... Is this...?

O tema apenas tangencia a minha pesquisa de doutorado, mas não custa nada levantar a questão, já que tanto uma quanto a outra estão situadas no âmbito da Lusofonia - se é que isso de fato existe, mas enfim, aí já é outra conversa.

Já repararam como, de uns tempos pra cá, Angola tem ficado cada vez mais em evidência na mídia brasileira? Dos cadernos de economia (cuja pauta são os investimentos cada vez mais constantes de empresas brasileiras no país) aos suplementos televisivos (em que o destaque, obviamente, são as telenovelas e a música brasileira - não faz muito tempo, a banda Calypso fez um megashow comandado pelo Luciano Huck na capital, Luanda), a ex-colônia portuguesa vêm desfrutando de uma visibilidade muito parecida com a do atual país-da-moda, a Índia - só que numa escala bem menor, claro.

Em ambos os casos parece prevalecer a idéia de que há todo um mercado a ser explorado. No caso de Angola, o cenário se revela particularmente atraente para o Brasil, em virtude da língua (quase) comum unindo os dois países, e do fato de a herança africana decorrente dos fluxos escravagistas criar uma espécie de eixo simbólico ligando o país a cidades brasileiras de forte presença negra, como Salvador. Mais do que no âmbito das relações Brasil-Portugal, contudo, a relação Brasil-Angola parece ser menos assimétrica: Angola recebe os investimentos das nossas empresas, as nossas novelas e a nosso música: em contrapartida, aportam no Brasil mostras dedicadas ao Cinema Africano e da Diáspora e, em algumas festas hypadas da cidade do Rio, já se começa a dançar o kuduru - ritmo angolano que apresenta alguma semelhanças com o funk carioca (embora, na minha modesta opinião, o kuduru seja mil vezes mais rico em termos de letra e música, mas isso só eu escrevi pra provocar mesmo, hehe...).

Semana passada rolou uma coisa ao meu ver bastante significativa para se pensar esse trânsito afetivo-simbólico entre os dois países: o angolano Ricco, vencedor do programa Big Brother África, aterrissou na casa do BBB9, não coincidentemente durante uma festa cujo tema era Angola. Havia uma cantora cujo nome não consegui registrar, além de um trio de dançarinas de kuduru, muitas frutas na mesa de refeição, e os jogadores brazucas usavam roupas "típicas" do país - ou seja, tudo construído de forma muito colorida e animada.

Algumas situações beiraram o surreal: Francine perguntando a Max se Angola ficava na África foi campeã, mas o diálogo entre Ricco e Priscila (no qual ela perguntava se ele conseguia entender o sotaque brasileiro e ele respondia que sim, por causa das telenovelas) também mereceu destaque. E ao final, lá foi Ricco pro chuveiro, tomar banho como veio ao mundo, para o choque dos demais participantes, e como prova cabal de que a versão brasileira do reality show é mil vezes mais pudica do que se pensa. Quem deu show, no entanto, foi Pedro Bial. Claro que houve a tradicional menção à origem da palavra "bunda", mas podendo seguir o caminho fácil das perguntas imberbes, o apresentador aproveitou o momento para falar da situação política de Angola, que após tornar-se independente de Portugal apenas em 1975, atravessou quase três décadas de intensa Guerra Civil, motivada por conflitos político-partidiários e étnicos. A aparente paz dos últimos anos, em alguma medida, parece estar relacionada ao acréscimo de investimentos estrangeiros no país, que a despeito do luxo e da ostentação de algumas regiões de Luanda, apresenta o restante do território mergulhado na mais extrema pobreza.

Enfim. Como post com trilha sonora é bem mais divertido, clique aqui para ouvir "Black diamond", o primeiro CD do festejado Buraka Som Sistema, trio de DNA português e alma angolana, que vem arrasando nas pistas européias misturando o kuduru aos sons eletrônicos. Atenção especial à faixa de abertura, "Luanda/Lisboa", espécie de track-manifesto; à hilária "Aqui pra vocês", com participação da brasileiríssima Deize Tigrona, e a belíssima "General", que nos permite ter uma boa idéia do que é a música pop angolana. Enjoy!

domingo, 1 de março de 2009

O céu não é o limite


Há ocasiões durante uma pesquisa – qualquer pesquisa – em que bate aquela sensação de que estamos falando sozinhos e que ninguém compartilha do nosso interesse por determinado tema, etc etc. Pois outro dia mesmo, esbarrei com o “Sob o céu de Lisboa”, blog hospedado no site do Globo On Line e disponível para acesso 0800. Capitaneado pelas brasileiríssimas-residentes-Além-Mar Lidia Marôpo e Renata Ramalho, o blog é um espaço recomendadíssimo para quem quiser saber o que anda rolando naquele país que linguística e afetivamente nos parece tão próximo, mas a respeito do qual sabemos tão pouco, e tudo isso com a perspectiva de quem atravessou o Oceano e foi morar/trabalhar/estudar na capital portuguesa.

O mais curioso é que já havia esbarrado com uma das autoras, a Lidia, durante o I Colóquio Brasil-Portugal do último Intercom, em Natal. Lidia, que é doutoranda pela Universidade Nova de Lisboa e no congresso apresentou um paper super bacana (e polêmico!) sobre o modo como atos de violência contra as crianças são representados pelos jornais brasileiros e portugueses, me contou por email que o “Sob o céu de Lisboa” é um dos blogs de viagem mais lidos e comentados do Globo On Line, não ocasionalmente despertando discussões acaladoradas por parte dos internautas.

Para além da divulgação de informações sobre Portugal para os brasileiros, as constantes lutas contra a burocracia lusa e as dificuldades enfrentadas pelas autoras por viverem num país que ainda conserva alguns traços machistas profundamente incômodos também fazem parte da pauta da coluna. Como todo blog, “Sob o céu de Lisboa” é urgente e radiografa tanto as transformações quanto as permanências que vêm caracterizando as relações entre Portugal e Brasil. Eu recomendo!