quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Chat Roulette - Para perder seu tempo
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Agenda da semana: Internet e Desenvolvimento em Brasília; Economia da Música em Salvador
Será realizada em Brasília a 6a edição da Conferência Web4Dev (Web for Development), promovida pela UNESCO e demais organismos da ONU, em parceria com a Petrobras, o Comitê Gestor da Internet no Brasil, o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI/NIC.br) e a Fundação Padre Anchieta/TV Cultura. Mostrando mais uma vez como a Internet tem sido tratada como ferramenta essencial para a promoção do desenvolvimento mundial, a conferência reúne integrantes da comunidade online de profissionais das Nações Unidas, ONGs, governos e empresas para discutir as formas de utilização das tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento social e a proteção e promoção dos direitos humanos.
Os temas principais debatidos nesta edição da conferência são Estratégias de Governança para a Web e - como não poderia deixar de ser - Internet 2.0, redes sociais e promoção do desenvolvimento. A programação completa pode ser acessada aqui e os debates serão transmitidos ao vivo no site da TV Cultura (aqui), através do qual os internautas podem enviar comentários e perguntas.
26 e 27/02, Salvador: Economia da Música
Promovido pela Secretaria Estadual de Cultura da Bahia, em parceria com a Eletrocooperativa, o SEBRAE-BA, o Ministério da Cultura e a Secretaria Estadual de Planejamento, o seminário reune agentes da cadeia produtiva da música, pesquisadores e meios de comunicação para debater novos modelos de negócios na área da música e metodologias de pesquisa para os estudos sobre o tema.
Programação
26/02
Mesa de abertura, 9h20
MinC/Secretaria de Políticas Culturais - José Luiz Herencia
SECULT – Márcio Meirelles
SEPLAN – Carmen Lima
SEBRAE – Edival Passos
FUNARTE – Cacá Machado
Mesa 1 – Panorama atual da economia da música
Debatedores: KK Mamoni (ABEART) e Pablo Capilé (Circuito Fora do Eixo).
Palestrantes: Marcelo Pessoa de Matos (RedeSist/UFRJ e UFF) e Patrícia Mayana (SEBRAE)
27/02, 9h
Mesa 2 – Economia da Música: modelos de negócios
Debatedor: Carlos Paiva (SECULT)
Palestras:
"Lapa, cidade da música"- Micael Hershmann (UFRJ)
"Tecnobrega - o Pará reiventando o negócio da música" - Oona Castro (Instituto Overmundo)
"Organização da produção musical soteropolitana e o caso da Axé Music" - Armando Alexandre Castro (UFBA e UCSAL)
Mais informações e incrições aqui.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Ana Malhôa presidente!
Outro dia eu juro que abdiquei de um programa social assaz empolgante para chegar mais cedo em casa e conferir a aparição de Ana Malhôa no “5 para a meia noite”. Como a imensa maioria de vocês não deve fazer idéia de quem se trata, lá vai uma breve biografia da moça: Ana Malhôa é filha de José Malhôa, autor dos hits pimba mais deliciosamente infames dos últimos tempos (não confundir com o pintor português José Malhôa, que é nome de avenida em Lisboa e tudo o mais, por favor). Tem 30 anos de idade e 25 de carreira, pois começou ainda criança, na TV portuguesa – onde, durante muito tempo, apresentou um programa infantil que, pelo que eu percebi, meio que inaugurou a onda das apresentadoras estilo-Xuxa nas bandas de cá do Atlântico. Depois virou cantora, com uma batelada de CDs lançados, podendo ser enquadrada naquilo que alguns chamam (pejorativamente) de pimba mas que eu prefiro chamo de MPV – música popular para o verão. Ou seja, hits dançáveis, a base de teclados eletrônicos, concebidos para animar a malta nos arraiais e romarias que atravessam Portugal de lés-a-lés, cujo pico de vendagem e popularidade acontece entre os meses de junho e setembro e depois se reduz consideravelmente. Basta ver que, na FNAC, a prateleira que nos meses supracitados era ocupada pela Família Malhôa, Quim Barreiros e Emanuel a partir de outubro passou a ostentar CDs de... Bossa Nova!
Como toda música sazonal, a MPV é bastante influenciada pela moda musical do momento, o que faz com que a sonoridade dos álbuns dessa galera mude radicalmente de um par de discos para o outro: Ana Malhôa já foi latina, já foi hip hop, e agora, ao que tudo indica, parece estar numa vibe eletro-pop/rock – evidência do bom momento que o pop/rock luso cantado em português parece estar vivendo, aliás. Apareceu no “5 pra meia noite” vestida de preto (dos pés à cabeça, diga-se de passagem, o que é surpreendente para alguém célebre pelos seus atributos... eh... bem, a Playboy portuguesa que o diga) e com um corte de cabelo que me lembrou a onipresente Lady Gaga na capa do álbum “The fame”, só que morena.
E por falar em Lady Gaga, havia um componente provocatório no discurso da moça que, para além de todo aquele blábláblá sobre performance e construção da imagem midiática do artista, pareceu cair como uma luva naquele sofá pilotado pelo (na minha opinião) sempre competente Nilton. É aquela velha história, talvez eu jamais comprasse um CD da Ana Malhôa porque estética e musicalmente ela não me diz grandes coisas, mas confesso que durante pelo menos um par de vezes eu me surpreendi lançando sucessivos “yeahs” diante de certas declarações feitas pela rapariga no ar. Exemplos: “às vezes a Ana Malhôa aparece na TV ou na imprensa usando um determinado tipo de bota e já dizem que é roupa de prostituta. Mas quando a Beyoncé aparece usando o mesmo traje, todo mundo acha super tendência”, “há uma pequena minoria de artistas que recebem subsídio do Estado para fazer shows e depois dizem que só se apresentam nos grandes festivais, desprezando o circuito das festas populares e romarias que é onde todo mundo se faz” (e criticar a política de subsídios estatais numa TV pública como a RTP2 é, no mínimo, bastante ousado), “a RFM e a Antena 3 [emissoras de perfil massivo-juvenil, sendo que a última também faz parte da rede pública] nunca tocam as minhas músicas, mas de vez em quando me chama para um bate-papo, o que já é bom, porque mesmo assim eu consigo passar a minha mensagem”. Fora certas declarações a propósito do casamento e adoção entre pessoas do mesmo sexo, tema atualmente em discussão mídia portuguesa, que a cantora usou como pretexto para, vá lá, “denunciar” certas posturas hipócritas da parcela mais conservadora da sociedade.
Ora, diabos, chamem isso de “pose”, “estratégia de mercado” ou do que quer que seja, mas vamos combinar que não é qualquer um – e eu posso dizer de cadeira que já vi uma boa dezena de entrevistas do “5 pra meia noite” com músicos e afins – que se propõe a confrontar certos sensos comuns estabelecidos ao vivo em rede nacional. Ok, às portas da madrugada, num canal de perfil mais “elitizado” e num programa com fama de enfant terrible, mas ainda assim, há que se considerar que tais declarações não vieram da boca de um habitué da Festa do Avante, mas sim daquilo que, em Portugal, é considerado o suprasumo do mau gosto e da mediocridade estética (a ponto de a gente raramente saber o que essa galera tem pra dizer, visto que a visibilidade dos “pimbas” para além da revistas chamadas “cor-de-rosa” [outro preconceito] é praticamente nula).
E já que uma das modas lançadas pelo “5 pra meia noite” é a criação de petições a torto e a direito, arrisco-me aqui a propor mais uma: Ana Malhôa para a Assembléia de República já!
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A rede no samba: continuando o debate sobre o enredo da Portela
A escolha do enredo da escola não me causa surpresa. "Inclusão digital" está, digamos, na moda, presente em grande parte dos discursos sobre desigualdade social nos dias de hoje. Poder público, empresas de telecomunicações e informática, ONGs, educadores e acadêmicos se unem na concepção que associa inclusão digital e inclusão social, como se o simples acesso à tecnologia fosse capaz de diminuir as desigualdades sociais.
Este imaginário está explicitado na descrição do enredo da Portela. Vale a pena reproduzir alguns trechos do diálogo via chat que foi a forma (criativa) da escola apresentar o tema aos internautas. O bate-papo acontece entre um professor - que explica o enredo, as fantasias e as vantagens do desenvolvimento tecnológico - e um aluno - que aprende e tira dúvidas com o professor, só concordando, sem emitir qualquer opinião sobre o assunto, bem no esquema de aprendizado vertical a que nos acostumamos e que a internet poderia ajudar a quebrar.
(00:20:47) Professor fala para estudante: No segundo setor [da escola] temos a representação da inclusão digital. É a democratização do acesso às tecnologias da informação. Esse processo significa, antes de tudo, melhorar as condições de vida de uma região ou comunidade com a ajuda da tecnologia. Com isso, o universo das comunidades pode ser transformado. Desse modo, a criança remodela-se surgindo como um novo homem. A despeito das afirmações que a máquina seria o fim do homem, a tecnologia pode ser usada para o seu desenvolvimento, e como uma ferramenta para a sua inclusão neste novo mundo.
(00:21:16) Estudante fala para professor: Bacana, mestre.
(...)
(00:46:57) Professor fala para estudante: Vamos mexer com as emoções!...Outro benefício do desenvolvimento da tecnologia refere-se à medicina, no campo da robótica...É a união homem e máquina num conceito: Liberdade que transforma!
(00:49:16) Professor fala para estudante: Na verdade, por muito tempo cogitou-se que a máquina seria o fim do homem, e nosso enredo enfoca as melhorias e benefícios dessa ferramenta de inclusão, socialização e democracia libertária. É o fim do Apartheid digital!
(00:53:10) Estudante fala para professor: Pô, papo cabeça, rs...mas irado!!!!!!!!!
(00:54:14) Professor fala para estudante: Agora, olha lá!...É a ação de combate à exclusão social, veremos várias pessoas de diferentes classes sociais, nível educacional, portadoras de deficiência física ou mental, idosas...Enfim, todas que infelizmente estão à margem e sem acesso a oportunidades... Todos em busca de uma igualdade e unidos pela mesma paixão.
(00:57:46) Estudante fala para professor: Perfeito!!!!!!!
O diálogo termina com o professor dizendo que, com este tema tão atual, a Portela está mais uma vez "na vanguarda da história".
De acordo com um dos carnavalescos da escola, Alex de Oliveira, em informação publicada no blog do Sidney Rezende, a sinopse do enredo foi inspirada no samba "Dia de graça", do Candeia, composto nos anos 1960:
Hoje é manhã de carnaval (ao esplendor)
As escolas vão desfilar (garbosamente)
Aquela gente de cor com a imponência de um rei, vai pisar na passarela (salve a Portela)
Vamos esquecer os desenganos (que passamos)
Viver alegria que sonhamos (durante o ano)
Damos o nosso coração, alegria e amor a todos sem distinção de cor
Mas depois da ilusão, coitado
Negro volta ao humilde barracão
Negro acorda é hora de acordar
Não negue a raça
Torne toda manhã dia de graça
Negro não se humilhe nem humilhe a ninguém
Todas as raças já foram escravas também
E deixa de ser rei só na folia e faça da sua Maria uma rainha todos os dias
E cante o samba na universidade
E verás que seu filho será príncipe de verdade
Aí então jamais tu voltarás ao barracão
O bonito samba do Candeia traz o que durante muitos anos esteve (ainda está) presente no imaginário de grande parte da população como promessa de ascensão social: a educação. Com a quase universalização do ensino básico no Brasil, o aumento do acesso dos jovens das classes populares à universidade - sobretudo às particulares - a tese da educação como a principal forma de resolução dos males do mundo fica mais difícil de ser sustentada. Entrar na universidade pra ser príncipe de verdade e deixar o barracão parece não mais bastar. Um novo tipo de "exclusão" ocupa o imaginário e está refletido no carnaval carioca: a exclusão digital, também chamada de brecha ou apartheid digital. Nessa visão, o indivíduo precisa ser incluído digitalmente para que tenha sua inserção social garantida.
Curtindo o carnaval ao som da Portela de hoje e de 40 anos atrás, podemos nos perguntar: que tipo de "exclusão social" estará encobrindo um debate mais aprofundado sobre o problema da desigualdade social daqui a 40 anos?
***
Mais um "detalhe": A Portela de 2010 será patrocinada pela Positivo Informática, maior fabricante de computadores do Brasil e maior fornecedora de Tecnologia Educacional (softwares, portais e equipamentos) para escolas públicas e privadas. A empresa é um braço do Grupo Positivo, que também atua diretamente no setor da educação, com uma rede de escolas e universidades e a confecção de material didático.
O nome da empresa é citado explicitamente na letra do samba:
Faz da criança um cidadão
Positivo pra nação
Mas este é assunto para outro post...
Novidades da Portugália musical
Deolinda e Mazgani foram os representantes portugueses no Eurosonic, grande vitrine da música popular midiática européia, que decorreu na Holanda entre os dias 15 e 16 do mês de janeiro. Sobre os Deolinda já teci alguns comentários aqui nesse blog, inclusive iniciando uma mini-mobilização para a vinda do grupo ao Brasil (que dado o meu imenso potencial de agitação social, parece que não andou pra frente): fazem um som que dialoga com certos aspectos castiços do fado, embora o transcendam nalguns aspectos, sobretudo na tão decantada melancolia. “Cantar a tristeza rindo” é o mote do grupo. Ao vivo, apresentam um espetáculo contagiante, conduzido pela habilidade de storyteller da simpática Ana Bacalhau (que voz, meu Jesus, que voz...).
Para resumir Mazgani em duas linhas, basta dizer que abri mão de ver Beach House no último festival SuperBock em Stock para re-ver Mazgani no Cabaret Maxime. O cantor de ascendência luso-iraniana faz um amálgama de tudo o que vale a pena escutar no âmbito trovadoresco-esfumaçado que já nos deu Johhny Cash, Nick Cave, Tom Waits e Leonard Cohen. Ao vivo, suas apresentações se assemelham a um misto de pregação e exorcismo coletivo. A voz rascante de Mazgani pode ser escutada no álbum “Songs of the new heart” e no indispensável EP “Tell the people”, disponível para download gratuito no site da Optimus Discos.
Compreensível, portanto, que Deolinda e Mazgani tenham sido escolhidos para representar o pop/rock português contemporâneo no Eurosonic. Na diversidade de suas propostas e dos nichos musicais a que se dirigem, são do melhor que tem sido feito aqui na Terrinha ultimamente. Incluísse Samuel Úria e o Cacique 97 e teríamos uma espécie de lista perfeita.
***
No post passado chorei algumas pitangas a propósito da ausência de uma bibliografia consistente no âmbito da música poptuguesa. Pois como dizia o outro, meus/nossos problemas acabaram! Acabou de ser lançado aqui na Terrinha o primeiro de um total de quatro volumes da “Enciclopédia da música em Portugal no século XX” (Círculo de Leitores), monumental trabalho coordenado pela Professora Salwa Castelo Bran
co (INET-MD/UNL) e mais uma vasta equipe de pesquisadores ao longo dos últimos 13 (!!) anos. É a primeira obra do gênero no âmbito da música massiva e midiática lusa (iniciativas anteriores apenas haviam coberto o universo da música erudita ou da música tradicional); seu escopo abrange não apenas artistas e gêneros, como também instrumentos musicais e fluxos (o verbete “música brasileira em Portugal” é particularmente entusiasmante); e não fosse por todos os méritos acima enumerados, já valeria pela ruptura de certas fronteiras no interior da produção musical lusa, o que possibilita encontros deliciosos (como, por exemplo, “Barreiros, Quim” e “Barreto, Jorge Lima” dividindo a mesma página do Volume I) e inesperados. Se a turma que esteve envolvida na feitura da “Enciclopédia...” estiver lendo este post, aqui vão os parabéns entusiasmados, não apenas em meu nome, como também em nome de todo o LabCULT. E que o lançamento da “Enciclopédia...” represente não a conclusão, mas o início de todo um processo de (auto) descoberta da música portuguesa. Aqui e além-mar.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
"Samba na rede"

Lendo a revista "Cante com a gente", distribuída pela prefeitura para divulgar os sambas-enredos das escolas do Rio de Janeiro, me surpreendi com o tema da Portela: "Derrubando fronteiras, conquistando liberdade... Rio de Paz em estado de graça!"... Não deu pra sacar né?? Mas ao ler a letra do samba tudo ficou mais claro:
Portela segue os passos da evolução... Liberdade!
Num clique deleta barreiras
Derruba fronteiras da realidade
Desperta o bem social
Acessa o amor digital
Faz da criança um cidadão
Positivo pra nação
Na rede nossas vidas vão se transformar
Do ventre mais um ser nascerá
O dia de graça que o mestre cantou
Já raiou!
O meu pavilhão é minha paixão!
A luz da ciência é ela...
É samba, é jaqueira que não vai tombar
Sou Portela!
Mãos unidas pela inclusão
Povos, raças em comunhão
Vai meu verso ao mundo ensinar
É preciso navegar!
Brilhou no céu mais um sinal
Cruzando o espaço sideral
Portela... Portal cultural de um país
Um link com a nossa raiz
Rainha da passarela
Revela um rio de paz pra viver
A senha de um amanhecer
Mais feliz
Minha águia guerreira
Vai voar... Viajar!
Pousar no sonho de ganhar o carnaval
E conquistar o mundo virtual!
É isso mesmo... o enredo da escola é a "inclusão digital"! Bacana né?
Visitando o site da escola me deparei com um hotsite no qual o enredo é apresentado em formato de chat numa conversa informal entre um garoto (Pedrin da Portela) e seu professor. O que dizer...Genial! Além disso o site está cheio de referências visuais a cibercultura com telas de computador e linguagem java a la Matrix.
Para todos nós é imprescindível visitar o link e acompanhar esse desfile que vai trazer fantasias e alegorias futuristas como "Código binário", "Nanotecnologia", "Senha para a liberdade" e Ctrl Esc = Iniciar". Estou louco de curiosidade. Mas enfim... Olívia, fiz minha parte...agora é com você!
Desde já anuncio que vou ficar com a "árdua" responsabilidade de ser correspondente do carnaval baiano. Só para adiantar, esse ano Salvador está homenageando o trio elétrico de Dodô e Osmar Macedo. Acho que vai render boas discussões sobre a relação música e tecnologia.