quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Bibliografia de cibercultura

Alex Primo - professor do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Informação da UFRGS e coordenador do Laboratório de Interação Mediada por Computador (LIMC) - lançou um novo blog, com uma bibliografia básica sobre cibercultura. Por enquanto, as sugestões estão divididas em: cibercultura, hipertexto, redes sociais online, web 2.0, inteligência coletiva, webdesign e interação homem-computador. Podemos encontrar também vídeos sobre cibercultura e mapas mentais - um tipo de diagrama utilizado para a compreensão e solução de problemas, memorização, aprendizado, aulas, palestras e gestão de empresas e ONGs.

O endereço é: http://bibliografiadecibercultura.blogspot.com/

A dica foi da nossa amiga do mestrado Flora Daemon.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

terça-feira, 26 de agosto de 2008

CSS no Osheaga Festival

Como comentei no post anterior, logo depois do show de Paul McCartney, aconteceu, em Montreal o Osheaga Festival - domingo e segunda - e o show do Radiohead - na quarta.

Como não estou aqui só pra fazer entretnografia (risos...), não dava pra cair na farra três dias seguidos. Com alguma dor no coração - mais pelo passado da banda do que pelo presente -privilegiei o Osheaga.E não me arrependi.

Pois, por 70 dólares comprei um ingresso único que dá acesso a TO-DAS as mais de 30 atrações dos quatro palcos do dia.Além disto, o perfil é de um festival mais alternativo, que acontece pelo terceiro ano seguido na cidade - apesar de ter como atrações principais o Jack Johnson e a banda the Killers.

Fui pra ver Iggy Pop (pois perdi a apresentação dele no Rio no ano passado), tb queria ver Cat Power e os dois shows foram bem legais. Antes e depois destes shows, deu pra ver umas coisas bacanas da cena local - de Montreal e tb outras cidades do Canadá. (Faço uma listinha abaixo.)

Aconteceu num parque bacana - o Jean Drapeau (onde, por sinal, tb foi o show do Radiohead)


Mas, além de tudo isto que já falei, me chamou atenção o espaço que o CSS - Cansei de Ser Sexy - um das atrações, ganhou na mídia. Nas colunas mais legais dos jornais grandes, em dicas de jornalistas sobre o que ver no Festival, CSS foi unanimidade.Só dava a banda durante a semana que antecedeu o festival.


Mas, bom mesmo mesmo foi ver a capa do Mirror na véspera do Festival com a foto e a chamada "The girls from Brazil".E o sub-título: "CSS ride their darker, tougher new record Donkey all the way to Osheaga."

Vale esclarecer que o Mirror é um jornalzinho semanal -alternativo, gratuito e gooordo - com toda a programação mais underground da cidade. Jornal destes que a gente não tem tradição no Brasil - infelizmemente - mas que é tão comum aqui fora.


Fui correndo ler a entrevista de página inteira com as girls, ao lado de outra com Iggy ...Deliciosas, as duas ... Entre fofocas tais como a de que a banda está sediada em Londres por conta do namoro de Lovefoxxx com o guitarrista Simon Taylor (Klaxons), discussão mais séria sobre o disco novo e comentários sobre como é um pouco "funny" e "weird" vir do Brasil, a matéria enche a bola do grupo e faz a maior propaganda do show da banda no Festival.

Pois é, povo. Não há dúvidas que o CSS - além de fazer um som que vale a pena prestar atenção - é a mais bem-sucedida banda brasileira da geração Internet. E por isto um ótimo objeto para as discussões sobre as reconfigurações dos canais de produção-distribuição-consumo.

As estratégias da banda merecem análise mais apurada e discussão - mas eu volto ao assunto.

No próximo post faço também a listinha das bandas mais bacanas do festival, pra este aqui não ficar muito longo.

Imagens d'Além-Mar (II)

Dando prosseguimento ao mood fotográfico do LabCULT...

1

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3

4

5

6

7


1 Largo do Rato, nos arredores do café onde Eça de Queiroz comia omeletes.
2 Rua Augusta, sentido Chiado.
3 Condutor de bonde - ops, eléctrico - na subida até o Castelo de São Jorge
4 Alfama
5 Mais Alfama
6 Rua Augusta, sentido Praça do Comércio, à noite
7. O céu de Lisboa (para Wim Wenders)

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Cena de Montreal






Como o povo do Labcult já sabe, estou em Montreal, trabalhando no Dep de Art History and Communications da Mc Gill como professora visitante 2008-20009. Tô aqui desenvolvendo minha pesquisa sob a supervisão do Jonathan Sterne. Pra quem não está ligando o nome à pessoa – é o autor do interessantissimo trabalho “The audible past” – figuraça muito gente boa, que merece um post à parte, posteriormente. E também no mesmo departamento do Will Straw – queridissimo amigo, que me acolheu muito bem por aqui.
Trabalhando é modo de dizer. Como o semestre só começa em fins de agosto e cheguei em julho, o que tenho feito mesmo, afora uma ou outra leitura acadêmica bacana (vou comentar depois aqui) - é o que um amigo chamou num e-mail de entretetnografia.
Pois, como o inverno é por demais gelado por estas bandas, os caras levam a sério o levissimo verão que têm (hj, por exemplo, tá uns 18 graus – um ge-lo! pro padrão carioca). E inventam uma cena cultural impressionante, emendando um festival no outro – com destaque para a música.
Logo na semana que cheguei, fui carregada por amigos para Quebec, a 200 km daqui. É que o aniversário de 400 anos da cidade iria ser comomorado com um show de Sir Paul Mc Cartney. De graça. No parque principal da cidade. Pensei em resistir ao convite – nem gosto tanto assim dele e sempre fui Rolling Stones - mas os jornais dos dias anteriores ao show só falavam de um assunto. O protesto de moradores defensores da “autêntica” cultura quebecoise, leia-se de origem francesa, que achavam o show de um inglês – mesmo sendo quem é - um acinte às tradições. Pois é, meu povo! Também aqui, a mesma discussão que agente tantas vezes tratou no Labcult, me perseguindo... Fiquei curiosa pra ver o desfecho e fui.
Cheguei no domingo de manhã e fiquei hospedada na casa da namorada local de um amigo. O show estava marcado para as nove da noite e durante o dia passeamos muito pela cidade – que para o noso padrão carioca parecia calmissima. (conforme as fotos acima).Ok, bares cheios, uma galera rock and roll veterana, com camisetas de Paul e até dos Beatles. Que tinha vindo, claramente, para o show. Mas, nada de tumulto e tudo que aconteceria se – imaginem assim uma Petrópolis – estivesse tendo o mesmo show. O mais encantador foi que o clima se manteve assim o dia inteiro. Saímos de casa a pé, quinze minutos antes da hora marcada, depois de tomar um vinho na maior calma, curtindo uma noite linda de verão. Sem stress!
Resumo da ópera – ou melhor, do rock. Um show maravilhoso, com Paul desfiando o repertório histórico, de Eleanor Rigby a Drive my car e outras pérolas. E ainda fazendo graça com os protestos, falando pequenas expressões em francês e ganhando a galera toda desde a primeira música. Todos pacificamente assitindo ao show de crianças de colo a velhinhos mais um monte de gente de bicicleta... gente de todas as idades. Sem fllanelinhas. Sem camelôs. Sem bebuns. Sem protestos quebecoises, a estas alturas já silenciados.
Sai do show pensando: peraí. Mentira que não gosto de Paul Mc Cartney. Primeiro que sempre gostei mais dele do que do John – este sim era chato mesmo ! Já Paul sempre foi pop como poucos sabem, consguem e podem se dar ao luxo de ser. Silly love songs, como no Brasil só Lulu Santos faz tão bem. E ele melhorou com a idade, sobrevivendo também a umas namoradas chatas (momento caras – deu no Jornal que daqui ele foi para uma viagem de carro com a namorada nova – que é americana – dirigindo pela lendária Route 66) e às cobranças que se seguiram ao fim da segunda bandas de rock mais importante do século XX .,depois dos Stones.- Ma-ra-vi-lho-so!!


A cena aqui é tão cheia de atrações, que me dei ao luxo de esnobar o Radiohead pra ver na mesma semana o Iggy Pop no Festival Osheaga, aqui em Montreal – mas este fica para o próximo post.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Imagens d'Além-Mar (I)

Outro dia convenci a mim mesmo de que, passados os quatro anos da minha pesquisa de doutorado sobre os intercâmbios musicais entre Brasil e Portugal, chegaria ao fim da saga de posse não apenas de uma tese acadêmica, como também de um romance ficcional e de um catálogo fotográfico. O catálogo, de certa forma, eu já tenho por onde começar. Revirando os meus arquivos, esbarrei com algumas imagens capturadas durante minha primeira visita a Portugal, entre março e abril de 2007 - ocasião que, num nível simbólico, marca a gênese da tese que agora se desenrola.

Ao rever as fotografias, curioso foi perceber como se revelam quase onipresentes as imagens que evocam passado, antigüidade, 'tradição' (senhoras vestidas de preto, o antigo casario de Lisboa, as ruas de Coimbra à noite), levando-se em conta que a pesquisa que nasceu dessa viagem se propõe, justamente, a questionar alguns dos estereótipos que associamos à cultura portuguesa, dentre eles a... onipresença das formas tradicionais!

Como são várias fotos, vou soltando aos poucos. A primeira leva corresponde à seção "Pessoas".

1 2

3

4

5 6

7

1. Évora, na saída de um café
2. Coimbra, à porta de uma Igreja
3. No trem a caminho de Évora
4. Os famosos varais, em Évora
5. Antiga mercearia em Lisboa
6. Subindo uma escadaria em Condeixa-a-Nova
7. Acordeonista e seu cachorro, na rua Augusta (Lisboa)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Games e Orkut na sala de aula

Contrariando as opiniões apocalípticas e as atitudes muitas vezes desconfiadas em relação às novas tecnologias de comunicação e informação, muitos professores têm enxergado seu potecial pedagógico e trazido a Internet e os jogos virtuais para a sala de aula. Dois exemplos com que tive contato recentemente - os dois em aulas de português/literatura - ilustram bem essa aliança da educação com a comunicação.

No Rio de Janeiro, um grupo de alunas de um colégio particular escolheu o game The Sims 2 para recontar o soneto "Estações", do livro "A Musa Diluída" (2006), de Henrique Rodrigues. O resultado ficou super interessante e foi postado no Youtube, como vocês podem ver abaixo.





As palavras do autor - que, inclusive, utiliza muito bem a Internet para fazer circular literatura, por meio de um site e de uma mala direta (para os que querem receber) do que poderíamos chamar de doses virtuais de poesia - sobre a releitura de sua obra aproximam mundos que muitos ainda julgam estar em lados opostos:

"De certa forma, esses exemplos servem para calar a boca dos maniqueístas que colocam de um lado a 'sociedade da imagem' e no outro extremo a que seria 'letrada', como se fossem auto-excludentes. Os leitores sempre sabem o que fazer, por isso se renovam.
Agradeço imensamente às jovens Isabela Dantas, Isabela Vitelli e Ingrid Tchao, copiadas aqui, pelo trabalho. Coisas simples e relevantes como essa é que fazem valer a pena ser escritor - atividade muitas vezes incompreendida ou romantizada".

O segundo exemplo foi uma atividade desenvolvida numa escola pública de Petrópolis. Os alunos tiveram que pesquisar sobre a vida e a obra de um escritor brasileiro e criar um perfil no Orkut como se fossem o próprio escritor. Aqui podemos ver o perfil do Monteiro Lobato. Uma variação da atividade é pedir aos alunos que leiam um livro ou um conto e criem perfis no Orkut como se fossem os personagens da história. Após criar os perfis, os alunos podem realizar inúmeras atividades, como organizar comunidades, fóruns e enquetes, explorando as características de cada personagem, o contexto em que as ações se desenvolvem e os temas presentes nas histórias.

Para terminar, proponho aos leitores que conhecerem exemplos de atividades semelhantes que deixem comentários no blog.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Podcast - Tom Waits

Aproveitando a fase Tom Waits que me acometeu faz umas três semanas – além de escutar compulsivamente TODOS os discos do Bardo, estou lendo uma coletânea de entrevistas do cara, intitulada Innocent when you dream - the collected interviews, prefaciada por ninguém mais ninguém menos do que Frank Black do Pixies e que, na ausência de uma biografia “oficial”, funciona que é uma beleza – resolvi inaugurar os podcasts do LabCULT, versão Anywhere.fm. Espero não apenas que funcione [risos], mas também que as faixas selecionadas representem uma escolha pouco óbvia em se tratando da vasta obra de Waits, pouco conhecida aqui no Brasil para além de “Downtown train” (e na versão de Rod Stewart, o que é pior).

Semana que vem tento o Myfleshfetish.com, dica do labcultiano Tiago Rubini.

Para vosso deleite, basta clicar aqui (de preferência abrindo outra aba ou janela do navegador, para que você possa continuar lendo o LabCULT ao som de Tom Waits...).

domingo, 10 de agosto de 2008

Para a malta da Sampa

Navagando pelas páginas da Revista Cinética (www.revistacinetica.com.br), descobri - com algum atraso, é vero - que desde o dia 30 de julho e até o dia 17 de agosto está rolando no Centro Cultural Banco do Brasil da capital paulista a mostra 'Os verdes anos do cinema português', dedicada à produção cinematográfica lusa gestada entre o início dos anos 60 e a metade da década seguinte. São filmes esteticamente arrojados, em sintonia não apenas com o movimento dos "Cinemas Novos" que se alastrava pela Europa, América Latina e Ásia, mas também com a efervescência política que imperava em Portugal num momento histórico em que o Salazarismo dava sinais de desgaste, o movimento pela independência das colônias em África se intensificava e a Revolução dos Cravos se anunciava às portas.

Como já é de praxe em se tratando de cinema português, os filmes a serem exibidos são inéditos, desconhecidos e quiçá ignorados em terras tupiniquins. Eis a programação, para os dias de mostra que ainda restam:

13 de agosto, quarta-feira

17h | O Mal-amado, Fernando Matos Silva, DVD, 100 min, 16 anos.
19h | Perdido por Cem, António Pedro Vasconcelos, 35mm, 105 min, 16 anos.

14 de agosto, quinta-feira

17h | O Recado, José Fonseca e Costa, DVD, 110min, 16 anos.
19h | Almada Negreiros, António de Macedo, 35 mm, 23 min, 16 anos + Domingo à Tarde, António de Macedo, 35mm, 90 min, 16 anos.

15 de agosto, sexta-feira

17h | A Promessa, António de Macedo, DVD, 94 min, 16 anos.
19h | Sofia e a Educação Sexual, Eduardo Geada, 35 mm, 101min, 16 anos.

16 de agosto, sábado

17h | Verdes Anos, Paulo Rocha, 35mm, 91 min, 16 anos.
19h | Perdido por Cem, António Pedro Vasconcelos, 35mm, 105 min, 16 anos.

17 de agosto, domingo

17h | O Cerco, António Cunha Telles, DVD, 115min, 16 anos.
19h | Uma Abelha na Chuva, Fernando Lopes, 35 mm, 75 min, 16 anos.


Vale lembrar que, simultaneamente à Mostra 'Verdes Anos', o CCBB da capital paulista apresenta também a exposição 'Lusa - a matriz portuguesa', que aterrisou na Cidade Maravilhosa (?) em fevereiro e, para o azar dos cariocas, não foi acompanhada por uma Mostra de Cinema que se revelasse adequada para celebrar o momento. Fica a torcida para que 'Os Verdes Anos do Cinema Português' migre para o CCBB do Rio o quanto antes. Se for no mês que vem, tanto melhor, porque aí seria o complemento perfeito pro ciclo Tela Lusitana: Cinema Português ontem e hoje, organizado por este que vos blogueia em parceria com a galera do Cinerama da ECO/UFRJ, a partir do dia 11 de setembro. Mais detalhes sobre esta mostra em breve, aqui neste espaço.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Feira em São Paulo mostra os "games sérios"

Começou hoje em São Paulo a edição 2008 da Universo Games, evento organizado pelo Senac-SP, que neste ano tem a proposta de apresentar e debater as novas profissões habilitadas pelos games, no mercado. Vale dar uma conferida no site da feira, que vai até o proximo dia 8 de agosto.
Dentre as inumeras mesas e debates agendados, é particularmente interessante destacar a abordagem acerca dos serious games. Estes jogos acenam para uma proposta que escapa da lógica inicial de diversão dos videogames e que vem aguçando meu interesse. São produzidos para uso no treinamento de pessoal, armando-se dos efeitos da simulação em ambientes digitais.
Esta nova janela nos mostra que os jogos eletrônicos representam um formato com efeitos ainda imensuráveis. E também direciona para um estilo de games em franca expansão, que deve ter a sua produção alavancada em breve.

*Créditos pro Lucas, que deu esta dica.

II Simpósio ABCiber - prorrogado período de inscrição de trabalhos


A ABCiber - Associação Brasileira de Pesquisadores em Cibercultura prorrogou o período de inscrição de trabalhos para participação nos painéis temáticos de seu II Simpósio Nacional, que será realizado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no período de 10 a 13 de novembro próximo. Os textos, de 10 a 15 laudas, devem ser inéditos, e o tema é livre, vinculado a pesquisa em desenvolvimento e inserida no amplo âmbito de estudos da cibercultura.

Os resumos ampliados (3 laudas ou 10.800 caracteres) devem ser enviados para o e-mail cencib@pucsp.br até o dia 29 de agosto de 2008.

Mais informações no site do CENCIB (Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Comunicação e Cibercultura - PEPGCOS/PUC-SP).

sábado, 2 de agosto de 2008

"Would I see you tonight?"


É possível cortar os pulsos numa noite de sexta-feira e ser feliz? Cida Moreira, André Frateschi e Tom Waits provam que sim. A dupla (o trio?) fica em cartaz no teatro do Centro Cultural Solar de Botafogo até o próximo dia 9 com o espetáculo Canções para cortar os pulsos - a música de Tom Waits, uma homenagem sincera e encantadora ao Bardo da Sarjeta, cantor e compositor de inúmeros talentos mas injustamente pouco conhecido no Brasil. Durante pouco menos de duas horas, desfilam pelo palco melodias arrebatadoras como Downtown train, All the world is green, Tango till they're sore, Take it with me, e por aí vai. O repertório se concentra nos álbuns "Rain dogs", de 1985, "Frank's wild years", de 1987, e no recente "Mule variations", que rendeu a Waits uma indicação ao Grammy do ano de 1999.

Seria chover no molhado elogiar o tom sóbrio da encenação, que mesmo nos momentos de excesso é perfeitamente coerente com a obra do homenageado. Mas uma coisa que me agradou bastante foi o fato de Cida & André terem temperado cada acorde do show com o imenso carinho que sentem pela música de Waits, para além do fato (ou talvez justamente por causa disso) de ela ser considerada "estranha", "underground" ou "experimental". Amar o desviante é condição sine qua non para se tornar fã não apenas de Tom Waits, como também de outros tantos poetas tidos como "marginais" e que tematizam o mesmo universo, como Charles Bukowski. E as leituras hegemônicas que tendem a ser feitas tanto das canções do primeiro quanto dos versos do segundo me parecem pecar justamente pela ausência de afeto, como se aqueles personagens (e, por extensão, seus criadores) estivessem sendo observados à distância, por um cientista munido apenas de seu microscópio. O resultado costumam ser leituras que ressaltam unicamente o lado bizarro, extravagante e anormal daquele mundo, como se aquelas criaturas fossem incapazes de amar e serem amadas. Cida & André não. A proposta do espetáculo é levar o público a enxergar beleza no desvio e na distorção, e não a despeito delas.

Em determinado capítulo do Perfoming rites, ao discorrer sobre a importância da voz no contexto da música popular massiva, Simon Frith postula que há determinados artistas cuja identidade reside tão fortemente no modo como se utilizam da voz que tentar imitá-los nesse registro renderia um resultado, no mínimo, ridículo (pensemos em alguém tentando soar como Lou Reed, Leonard Cohen ou... Tom Waits). Penso que Frith poderia dar um pulinho no Solar de Botafogo semana que vem para conferir a performance de Cida Moreira e André Frateschi - enquanto Cida recria o estilo vocal do bardo retendo da matriz alguns poucos elementos fundamentais, o franzino André surpreende ao subir ao microfone e rugir guturalmente como apenas o próprio Waits faria, e tudo isso sem parecer forçado.

O serviço, então, pra quem quiser conferir:

Cida Moreira & André Frateschi
CANÇÕES PARA CORTAR OS PULSOS - A MÚSICA DE TOM WAITS
No Centro Cultural Solar de Botafogo
Rua General Polidoro, 180 (Tel.: 2543-5411)
De 31 de julho a 10 de agosto
Quinta a sábado às 21h30
Domingo às 20h
Ingresso: R$ 40; R$ 30 (com filipeta) e R$ 20 (meia-entrada).