sexta-feira, 27 de julho de 2007

Deputado elabora projeto de lei para beneficiar os jogos eletrônicos

Alguns dias atrás, Rodrigo Galhano, gamer conviccto e aluno do curso de Estudos de Mídia da UFF, me deu esta notícia. O deputado Carlito Merss (PT-SC), propôs em março de 2007, o projeto de lei 300/2007, que visa estender os benefícios fiscais da já regulamentada Lei de Informática (lei n° 8.248/ 1991) para os consoles de videogames. Ou seja, está tramitando na câmara um projeto de lei que beneficiará, com incentivos fiscais, todos os hardwares e softwares relacionados aos jogos eletrônicos, no Brasil. Se a lei for aprovada, será o primeiro passo para que exista no país um mercado considerável no ramo dos games, a exemplo do que é encontrado nos Estados Unidos. Como é possível constatar no texto do projeto, 94% dos consoles, no Brasil, são comprados através do contrabando. Quem se arrisca a adquirir de maneira legal estas plataformas, paga uma taxa de até 257% do valor do produto. Por exemplo, para importar um Xbox 360 legalmente, que custa aproximadamente US$ 400 no exterior, o cidadão deve assumir uma taxa de US$ 1028 dólares de impostos e também o custo do frete, que atinge facilmente a casa dos 70 dólares. Totalizando, são 1498 dólares que, convertidos em moeda nacional, bate na casa dos R$ 2786 - considerando os parâmetros de câmbio atual. No comércio alternativo, o preço costuma ser três vezes menor.
Outro dia, eu estava vagando pelas lojas de produtos eletrônicos do Rio de Janeiro, interessado em comprar o WII, um console novíssimo, revolucionário, lançado pela Nintendo. No comércio carioca, este produto não sai por menos de R$ 1.800,00 – um absurdo !!! Nos Estados Unidos, o WII é vendido por US$ 250,00 – menos da metade do preço em território nacional. A solução para o meu caso é esperar que alguém vá aos EUA e se disponha a trazer este console, para mim, ou então aguardar a aprovação da Lei que beneficia os jogos eletrônicos. Atualmente, o projeto aguarda aprovação da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), e depois deverá receber um parecer das comissões de Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Como fiquei rico na era digital


Ao passar pelos canais da Tv a cabo, me deparo com um documentário sobre Ipod no, sempre inovador, Discovery Channel. Mesmo com um tom bastante otimista e com adjetivos que variam de mágico a gênio para qualificar Steve Jobs, este episodio da série Revolução Tech mostra de forma bem detalhada a trajetória do tocador de mp3. De uma idéia desacreditada até o quinto maior vendedor de musica em todo o mundo, nos deparamos com a febre que atingiu o mercado fonográfico nos últimos anos e que não se encerrou no aparelhinho. Paginas de maníacos por ipod, acessórios de todos os tipos e - é ai que entramos - pesquisas sobre o impacto do aparelho na própria forma de escutar musica, são alguns dos frutos que a invenção da apple condicionou. Um professor da Universidade de Susex nos diz: “Agora temos a possibilidade de carregar um universo acústico para onde quisermos”. Expandindo essa afirmação chegamos à celebre pesquisa de Jonathan Sterne, The Audible Past, que nos conta como as tecnologias sonoras criaram um espaço acústico individual e privatizado, o que levou a audição a ser separada de outros sentidos e explorada de forma singular. Fica então a dica do livro e do programa.

Programem os seus vídeo-cassetes ( se vocês ainda o tiverem ) ou gravadores de Dvd para a reprise:

Revolução Tech: Ipod
Proximo Domingo - 25/7 - 11:00

Mensagem do dia

"Mas, bem no fundo do coração, eu ainda acho que a crítica de rock deveria ser como era na minha juventude.(nota: ele refere-se ao final dos anos 80, início dos 90). Deveria ser zelosa, ardente, ridiculamente polarizada em seus julgamentos; ela deveria se arriscar a incorrer no absurdo de levar as coisas a sério demais; deveria estar embriagada de seu próprio poder.(...) o sangue fervendo de excitação, o corpo trêmulo com o sentimento da relevância e da atualidade do texto"
(pg 20)
"Aqueles críticos (...) militando, promoviam certos sons e certas idéias sobre como a música deveria ser e para onde ela deveria ir"(pg 14)

In:Beijar o Céu
Para quem não ligou o nome ao autor, é o Simon Reynolds, crítico musical de rock e eletrônica que também escreveu um dos melhores livros sobre a cultura da ME inglesa (Ecstasy Generation)

domingo, 22 de julho de 2007

Mais estudos sobre games

Mantendo a proposta de divulgação dos trabalhos inéditos sobre temáticas afins ao blog, publico o resumo da tese."Navegando na rede de interações de um RPG online: um estudo de caso do game Erinia" - de autoria de Claudia Presser Sepé. A orientação foi da carissima colega Suely Fragoso e eu participei da banca realizada na Unisinos, no último dia 11, conforme divulguei em post anterior.

Segundo a autora:
"O trabalho teve por objetivo descrever a rede de interações promovida por um MMORPG (Massively Multiplayer Online Role Playing Game) brasileiro, denominado Erinia, e elicitar os motivos de adesão dos jogadores a esse produto midiático.

O que levou à escolha do jogo em pauta foi, primeiramente, uma entrevista com jogadores de games online, que revelaram ser o RPG um dos preferidos, dada sua característica central de permitir uma intensa participação dos sujeitos, tanto na costumização de personagens, quanto na interação entre eles, via, principalmente, canais de interlocução; em segundo, a análise-piloto de um RPG denominado Never Winter Nigths, e, finalmente, as características do Erinia: o fato de ser produto cem por cento nacional, criado por brasileiros e com personagens extraídos de nosso folclore.

A hipótese norteadora da pesquisa previa que o que motivava a procura por esse jogo era a multiplicidade de interações por ele fomentada, bem como o forte caráter de socialização de que se revestia.

Como referenciais teóricos de base para a reflexão e discussão em torno do conceito de jogo, tensionados ao longo de todo trabalho, foram utilizadas obras consideradas precursoras sobre o tema: Homo Ludens, de Huizinga (2001), e Los juegos y los hombres. La máscara y el vértigo, de Caillois (1986). Além desse, outro conceito central na indicação e posterior análise dos elementos constitutivos da rede de interações do Erinia foi o de interação. Para melhor defini-lo, procedeu-se a uma revisão da literatura sobre os termos interatividade/interação, donde optou-se pela utilização do termo interação. Finalmente, ainda dentro do quadro conceptual nuclear da pesquisa, o conceito de mediação também foi cotejado.

A técnica usada para a aferição dos dados foi a observação participante netnográfica, e o tratamento dos dados deu-se via análise interpretativa.

Os resultados obtidos para o mapeamento da rede de interações do Erinia revelaram um complexo que transcendia o limite do ambiente do jogo propriamente dito; ou seja, havia interações desenvolvidas exclusivamente dentro do jogo, via chats, e outras fomentadas por ele, mas desenvolvidas em outros espaços digitais, como fóruns de discussão e sites criados pelos jogadores; sem falar em trocas de e-mails e conversas em outros canais, como o Messenger. Além disso, as pautas de discussão entre os jogadores recebiam, no mundo virtual do jogo, e mesmo nos outros espaços de interlocução online por eles ocupados, o atravessamento constante de coordenadas do mundo offline, o que contribuiu para que aquele mapeamento se afigurasse como mais intrincado do que o constatado na análise-piloto do outro RPG.

Esses desdobramentos, ao que as respostas fornecidas pelos informantes revelaram, parecem ter sido motivados, fundamentalmente, por duas características centrais: a temática do jogo, baseada no folclore nacional, bem como o uso exclusivo da língua portuguesa nos canais de interlocução do jogo, o que facilitaria a socialização e a formação de amizades. Essas mesmas razões, ainda de acordo com os informantes, é que justificavam sua adesão ao jogo, e não o fato, por si só, de ensejar interações múltiplas, contrariando a hipótese norteadora deste trabalho. Conforme os resultados desta pesquisa, o grande atrativo do Erinia residia em sua característica de proporcionar o acionamento de uma chave cultural comum aos jogadores, que os levava a reconhecerem-se como grupo: um coletivo, cuja socialização se intensificava pela identificação-pátria."

sábado, 21 de julho de 2007

The Presets

Faz pouco tempo que descobri essa dupla australiana formada por Kim Moyes e Julian Hamilton. A primeira música que conheci foi Down Down Down, me apaixonei e corri pra ouvir o CD. Segue texto – até que ponto verdadeiro? Pergunto eu – do MySpace dos caras.

Kimberly Isaac Moyes era um jovem, de pequena estatura, porém, de grande coração, que contava com a sorte, tocava num bar gay do centro e comia anchovas enlatadas descartadas no beco atrás de um restaurante italiano local, colocando todas as suas reservas financeiras embaixo do travesseiro com o sonho de, um dia, ter dinheiro suficiente para comprar um Moog.

Julian Hamilton era o novo motorista do estabelecimento já mencionado, robusto e ambicioso, levava o lixo pra fora e suava como porco quando um dia topou com Kim caindo de boca naqueles pequenos peixes oleosos como se nunca tivesse provado algo mais gostoso.

Esses encontros na parte de trás do restaurante Luigi´s Linguini And Pasta Allsorts se tornaram freqüentes e os levaram a marcar um almoço onde Julian não só contrabandearia para Kim uma lata fresca de anchovas, mas também dividiria sua comida digna de chef. Os meninos descobriram a amizade comendo faggotini, tiveram vários almoços prazerosos bolando maneiras de Kim estar sempre a um passo à frente do Serviço de Proteção à Criança, que queria mandar o delinqüente para um orfanato na Mongólia, sonhavam com as maneiras que Julian poderia enganar seu perverso chefe Luigi e debatiam arduamente sobre sua mútua paixão, música.

Foi num desses dias que Kim e Julian se ligaram que seu encontro foi coisa do destino e que um dia eles fariam bonito realizando seu desejo de fazer um “moody, crisp electronic future pop.

Se você já se perguntou o que tocaria nesses momentos onde parece que se está frente a uma encruzilhada, entre céu e inferno... É mais ou menos isso.

Não deixe também de conferir o site e o vídeo de Down Down Down aqui embaixo. Tudo muito legal…

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Videoclipe é arte?

É nisso que apostam os curadores da mostra "Comunismo da Forma: Som + Imagem + Tempo - A Estratégias do Vídeo Musical" cuja abertura é hoje às 20h na galeria Vermelho, em Sampa.
Fernando Oliva e Marcelo Rezente apresentam 50 trabalhos acreditando que
um videoclipe é um produto gerado pelo mercado para criar uma imagem, um conceito, para um artista. (...) Mas não é uma tentativa de ver no videoclipe seu viés artístico. O interessante desses artistas é que eles são de uma geração já criada com o vídeoclipe, então eles não têm vergonha em usá-lo. (...) Apesar de a MTV ter decretado a morte do clipe, o que mudou foi o fato de a TV não ser mais o único formato. A internet, com o YouTube, maximizou as possibilidades de compartilhar uma obra com o público.
A mostra vai até 4 de agosto. Dá pra aproveitar que está um frio ingrato no Rio de Janeiro, ir curtir as férias de julho em São Paulo e aproveitar pra conferir o "Comunismo em forma..." Eu quero!

Aconselho dar um pulo lá no site. Tem vários vídeos interessantíssimos, direto do YouTube.

fonte: Folha de S. Paulo

Disney lança novo formato de CD

E será chamado de CDVU+ [CD View Plus]. O primeiro disco lançado pela Hollywood Records, selo fonográfico da Disney Company, será da banda Jonas Brothers, classificada como teen punk. OK... não tenho muita vontade de conhecer o som não, mas o novo formato parece interessante. A caixa de plástico será substituída por uma embalagem reciclável e cai por terra o encarte tradicional, com letras, fotos, etc. O CDVU+ vem com extras - assim como estamos acostumados em DVDs - em formato digital que incluem fotos do artista, letras das músicas e outros atrativos para conquistar os fãs.
O conteúdo da mídia poderá ser baixado e acessado online ou offline.
Eu não ainda não entendi como a Disney espera recuperar a queda na venda de CDs com essa estratégia, mas, pelo menos, já é uma outra alternativa que não aumentar abusivamente os preços nas lojas.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Ainda sobre SL

Pegando carona no meu último post, gostaria de divulgar o curso que uma ex-aluna da turma de "Roteiro para Games" - e também colega de trabalho - estará oferecendo no SENAC-RJ. Bruna Lombardo é programadora e atualmente desenvolve pesquisas acadêmicas sobre o Second Life. Na próxima semana, Bruna estará ministrando o curso “Viver e Empreender no Second Life”, com o objetivo de ensinar funciona esse universo virtual, como participar, como ganhar Lindens (moeda corrente do SL) como interagir com os outros usuários, como baixar o software, configurações mínimas exigidas para a instalação, etc. O foco principal da atividade é nas possibilidades de negócios online, disponíveis no Second Life.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

E eis que, entre tristes notícias, uma notinha do Ancelmo Gois, no jornal O Globo, animou meu dia. Vó Maria, viúva de Donga, no alto de seus 96 anos muito bem sambados deu um pulo no baile charme, "primo do funk", em Andaraí. Ao ser perguntada por um dos diretores do Clube Renascença sobre o motivo de sua presença no local - a senhora não é do samba? -, respondeu:
meu filho, sou dos dois. A gente tem de se atualizar.


Sábia senhora.

domingo, 15 de julho de 2007

Jornalismo virtual


A cada dia fico mais impressionado com certas notícias do mundo virtual. No início deste mês, o jornal Estado de S. Paulo lançou sua mais nova edição eletrônica – só que desta vez no interior do ambiente de Second Life. O MetaNews é um diário que apresenta algumas características dos jornais do mundo real e outras um tanto curiosas. Por exemplo, a publicação reserva um espaço para dicas de eventos e lugares interessantes para visitar no Second Life. Além de notícias e informações jornalísticas, o MetaNews também traz colunas para anúncios classificados, voltados apenas para produtos do SL - como venda de terrenos, objetos pessoais e ofertas de empregos. O jornal tem custo zero paa os leitores, sua distribuição é gratuita para todos assinantes de Second Life.
Contudo, seu lado inovador disponibiliza um link, após cada matéria, com o endereço para teleporte do usuário. Assim, os avatares podem partir do jornal direto para o local indicado na matéria.
Outro aspecto introduzido pelo MetaNews é a chance de qualquer usuário do Second Life participar da produção do jornal. Certos repóteres do Estadão estão encarregadados de submeter textos, no periódico. Porém qualquer pessoa inscrita no SL pode publicar seu conteúdo, desde matérias até fotos, sugestões de reportagens, divulgação de eventos por e-mail, etc. De acordo com a reportagem publicada pelo próprio Estado de S. Paulo, o MetaNews “é a versão na segunda vida do chamado citizen journalism - ou jornalismo participativo, tendência em jornais do mundo todo - e a aplicação no SL do conceito de Web 2.0”.
Fatos como este me deixam cada vez mais convicto de que fazer jornalismo, hoje, virou um negócio mais amplo e lucrativo. Com a iminente ploriferação de espaços como o MetaNews, uma pessoa com potencial para escrever, e que ainda não encontrou uma porta aberta para trabalhar em algum jornal de grande circulação, vê no formato do novo periódico eletrônico uma oportunidade e tanto para mostrar talento.
Evidentemente, o desafio principal está focado nas alternativas que o “repórter” tem à sua disposição para fazer desta atividade um negócio lucrativo. Em um primeiro olhar, no meu ponto de vista, o sujeito pode usar o espaço disponibilizado pelo MetaNews para investir em sua auto-promoção on-line, tornando-se um entidade conhecida no ambiente do SL a partir dos textos que ele publica. Esta “fama”pode ser usada como uma espécie de agente legitimador do usuário em outros ambientes da Internet, nos quais a pessoa tem a possibilidade cobrar pela sua participação em eventos virtuais. Com certeza, o campo dos negócios on-line vem passando por um constante processo de reconfiguração, e o usuário mais atento pode encontrar em sua própria criatividade uma podereso instrumento para ganhar dinheiro em negócios estabelecidos nos ambientes da Internet.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

A revolução não vai ser televisionada (meermo!!)

Sexta passada fomos - eu, Afonso, Vinicius e alguns alunos de mídia - assistir ao IV Fórum Brasileiro da TV Digital. Evento bacana, muito bem produzido pelo Instituto de Estudos de Televisão. Platéia bombando com profissionais de todas as mídias. Auditório de uns 300 lugares do Sesc Flamengo lotado. Gente sentada no chão. Tudo muito bom. Não fosse a decepção com os painéis, onde representantes das principais redes de tv brasileiras apresentavam seus projetos para a entrada da TV digital para os próximos dez anos (os planos são para que todo o sistema brasileiro de tv esteja digitalizado até 2016). Assisti a duas mesas. Na primeira falaram representantes dos ministérios (com falas corretas, institucionais). Na segunda, representantes da Globo, SBT e Record. Entre erros de português de doer (do tipo "menas"), power points de qualidade constrangedora e elogios ao software (aliás "middleware") brasileiro Ginga, que será o padrão para todas as redes, o que doeu mesmo foi perceber que não há nenhuma reflexão consistente sobre o assunto.
Pra que que o sistema todo vai mudar pra digital? Pra vc ler o resumo do capítulo da novela, poder comprar na hora o produto que tá sendo anunciado, ou ver o gol do Brasil de vários ângulos diferentes. Estes foram os exemplos dos caras pra interatividade. Insistindo sempre que "será uma nova forma de ver tv". Uau!!
As perguntas da platéia, muito mais inteligentes, insistiam: "mas, não vai haver diversificação da programação?"; "vai haver mais espaço para produções independentes?"; "a publicidade continua entremeando os blocos?". Perguntas que só deram oportunidade para que os três palestrantes detalhassem mais a ausência de projetos inovadores.
Saímos para almoçar e a pergunta que não calou foi: Mas, vem cá? Estes caras não se miram no exemplo da MTV - perdendo espaço pros You Tubes da vida? Será que por nenhum momento vai cair a ficha que tá acontecendo uma - sei que a expressão é pesada mas vamo lá - "mudança de paradigma?" na forma do público relacionar-se com o conteúdo das mídias.
Que a tv digital já chegou através da Internet, em programas como o Joost e afins?
Será que dá para apostar que daqui a dez anos o Brasil ainda vai estar parado assistindo a novela das oito às nove da noite, toda noite??
Que a geração videogame já cresceu, que as mudanças de hábitos são óbvias? E que a crise que os jornais impressos estão enfrentando no Brasil vai se estender à televisão - a não ser que relamente se invente uma nova forma de ver tv?
Como é sabido, detesto previsões apocalípticas sobre o "fim" de certas mídias e não gosto da idéia de revolução tecnológica (com aqule saborzinho evolutivo e determinista). Mas, ao mesmo tempo, se olhamos para a história das tecnologias de comunicação, já temos estrada para perceber que as reconfigurações fazem parte desta reflexão.
Um exemplo: o rádio não acabou com a chegada da televisão. Mas, a chamada "era do rádio" - ou seja, da hegemonia do rádio como ambiente comunicativo que lançava os talentos musicais, os programas mais assistidos e principalmente, que movimentava as maiores cifras econômicas, tendo a rádio Nacional como a referência - foi desmontada com o advento da tv no Brasil.
Das duas uma: ou os caras estavam escondendo o jogo, lá na palestra. Ou, quando chegar ao final da década de digitalização, já estaremos revendo, saudosos, a Glória Pires e a Negrini nas novelas da Globo, através do You Tube. Tal como nossos avós se lembram da Emilinha e da Marlene nos auditórios da rádio Nacional.

PS - É claro que isto não invalida a iniciativa do IETV.Pelo contrário. O debate é fundamental e o idealizador do projeto, Nelson Hoineff, pioneiro da discussão sobre TV digital no Brasil, merece todos os parabéns.


domingo, 8 de julho de 2007

SecondFest >> Fotos

Semana passada aconteceu na ilha Chillout dentro do Second Life o festival SecondFest. Como disse que faria, arrumei um tempinho pra ir e ver como estava o evento.

Meu avatar em frente às catracas, pegando a pulserinha que dá acesso ao festival.

Aqui nessa parte da ilha dá pra ficar relaxando e vendo a exibição de curtas.

Banca de camistas onde consegui gratuitamente a camisa oficial do festival.

Eu dançando numas três tendas onde os Djs ou bandas mandavam ver. E não, isso não é macarena; foi apenas um print screen ingrato.

Esse é o lounge, onde tinha uma galera muito esquisita, mas super empolgada nas coreograficas pré-programadas da tenda.

E por fim, esse é o palco principal, onde aconteceram os principais shows como o do Pet Shop Boys e do Simian Mobile Disco. No caso, quem estava tocando nessa hora era a banda Mamashamone.

Estaremos de olho nos próximos festivais legais que rolem dentro do SecondLife.

Tese sobre Games

Tô indo daqui a pouco para POA, para participar amanhã de uma banca de doutorado em São Leopoldo, na Unisinos.
Trata-se do trabalho "Navegando na rede de interações de um RPG online: um estudo de caso do game Erinia" - de autoria de Claudia Presser Sepé.
Mais uma contribuição às reflexões sobre games MMORPG - que já foi objeto do trabalho de Adolfo.
Depois da defesa eu comento...

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Imagens del Mexico! Que viva la musica popular!





Dando prosseguimento ao post da Simone sobre o congresso da IASPM na Cidade do México, aqui vão algumas imagens. Na primeira foto, Simone (à esquerda da imagem) fechando o congresso na sexta-feira, em mesa mediada pelo jamaicano Dennis, um apaixonado pelas juke-box, que suplicava para que todos respeitassem o tempo. Na segunda, um pedacinho da bela e enorme Universidad Ibero-Americana, a universidade que acolheu o evento. E na última, a mesa da qual fiz parte (eu em primeiro plano), junto com um venezuelano e uma sul-africana.
Assim que eu aprender como postar vídeos, teremos mais imagens do Congresso!

De portas abertas para o Rio


Depois de passar alguns dias em São Paulo, volto para o Rio de Janeiro sedento para divulgar o “17º Artes de Portas Abertas”. Um vez por ano, os artistas que moram no bairro carioca de Santa Teresa abrem as portas das suas casas, convidando o público para entrar e conhecer suas mais novas produções, de perto. Em 2007, o evento ocorreu no final de semana passado, entre os dias 30/06 e 01/07. E para contemplar o público que lotou as ruas de Santa, nesta edição, a organizção resolveu promover um bis e vai repetir a dose nos próximos dias 07 e 08 de julho.
Assim, para quem gosta de cultura popular e perdeu a primeira vez, tem novamente a chance de participar de um evento singular. No “Artes de Portas Abertas”, os músicos, pintores, escultores, poetas, dentre outros artitas que moram no bairro, expoem seus trabalhos no interior de suas residências e ateliês. Além das casas, os visitantes podem participar de exposições, mostras fotográficas, shows, dentre outros eventos nos locais públicos, como o Museu Chácara do Céu e o Museu do Bonde. Trata-se uma oportunidade impar de conhecer e interagir com o artista, pessoalmente!
Estive por lá na semana passada e com certeza voltarei. Sobretudo se repetir o clima que fez no último domingo. Vale a pena pegar o tradicional bondinho para passar o dia em Santa Teresa e conhecer o trabalho dos inúmeros artitas que moram por lá. As atrações do “17º Artes de Portas Abertas” acontecem entre as 10hs e 19 hs, dos próximos dias 07 e 08.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Nosso ministro é muito moderno...

Pelo menos foi isso que deu a entender uma nota que saiu na coluna do Bruno Astuto no Jornal O Dia. Dizia o seguinte:

"A turnê internacional de Gilberto Gil, que começa em
Marrakesh no próximo sábado, será diferente de tudo o que se
viu até hoje. No lugar daquela tradicional voz fúnebre que
avisa "não será permitido fazer imagens, desliguem seus celulares, tititi
blablablá", o show começa com o ministro convidando: "
façam
filmes
, tirem fotos, publiquem nos seus fotologs, youtubes e blogs". (...)
Em todos os shows haverá um ponto onde o público poderá descarregar as fotos e o filmes que fizeram no
Portal
do Gil
. Aliás, será inaugurada uma ilha do ministro no
Second
Life
, onde os avatares poderão comprar suas
perucas
rastafáris
iguaizinhas à cabeleira do cantor. Quem assina a produção do
conteúdo multimídia da turnê de Gil é a
Gruda em Mim que o Boi Não te
Lambe
, de Alberto Blanco e Chris Rôças. O escritório dos rapazes fica
na Laje, em Sampa."


Muito mais feliz do que a recente declaração de Paula Toller quando disse que "adoraria baixar uma calça jeans" ao se afirmar contra o download gratuito de músicas.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Arriba, Mexico!




Um punk americano genial e simpaticissimo - de tufo azul na careca e falando um impecável português - que cita a banda Galinha Preta(alguém conhece?), da periferia de Brasília.(taí na foto). Um paper sobre a performance da única garota a ganhar o concurso mundial de air guitar. (Sonyk-Rok, em 2004). Outro sobre o mesh up de Smells like a teen spirit e Delicious.Sobre a cena de psy trance de Israel. Sobre a importância - eu diria, a materialidade - da juke box na cultura jamaicana. Ou dos games para a reconfiguração do consumo musical. Como se fosse pouco, uma mesa inteira discutindo "tecnologia e indústria" - com análises de Mp3, Djs e celulares.
Acompanhadas de figuras bizarras. Exóticas. Adoráveis. Engraçadas. Pedantes.Do mundo inteiro. Até do Brasil.Falando com os mais incríveis acentos e sotaques do esperanto mundial contemporâneo que é a língua inglesa.
Em clima de pan, a imagem que me ocorre é das delegações, concentradas, imersas e às vezes exaustas por cinco dias em torno de uns 240 trabalhos, apresentados em mesas paralelas, das 9 da manhã às sete da noite, sobre os sentidos e a diversidade de práticas culturais que rodeiam a música. E cuja programação noturna era a de conhecer lugares dedicados à música, tais como o underground Circo Volador ou o coquetel de abertura com mariachis. Assim foi a 14 Conferência da IASPM - a Associação Internacional de Pesquisadores de Música - que aconteceu na Cidade do México na semana passada.
Se eu gostei? Of course!!
Da cidade, cuja paisagem sonora - com mariachis na praça e ceguinhos que tocam música pop altissima nos metrôs - é bacana.
E,muuuito, do encontro.Que confirma a importância de nossas pesquisas sobre temas às vezes vistos como "menores" (argh!) Mas, que nos ajudam a entender a vida, a cultura e as paixões ordinárias - no sentido de cotidianas - deste início de século.E a centralidade da música nesta conversa.
Os trabalhos não foram publicados, mas combinei com alguns autores de me enviarem os papers - e a gente divulga os que forem autorizados.
Enquanto isto, faço a minha lista dos dez mais (sem ordem de classificação):

1) Mesh the system: exploring the effects of Sampling Technology in Contemporary Western Popular Song - Meg Evans (Sydney Conservatory of Music)
2) Grand Theft Audio? Popular Music and INtercative Games - Karen Collins (Carleton UNiv)
3) Listening in Shuffle Mode - Marta Garcia Quinones (Univ Barcelona)
4) Fade to black:the catalysis of politics and aesthetics in Egyptian Heavy Metal - Benjamin J Harbert (Univ of California)
5) Fused by paradox:Interpreting Israeli Psychedelic Electronic Dance Music Culture - - Joshua Schmidt (Univ. of Negev)
6) A Catholic Schoolgirl Goes Wild: Gender Representations in one air guitar performance in competition- Helene Laurin (Mc Gill Univ)
7) " You better be listening to my fucking music you bastard". Female Disckjockeys Relations to technology and the transnational electronic dance music Industry - Anna Gavanas (Uppsala Univ)
8) Technic Equipement and gender in the consumption of popular music in the West German 1960s - Detlef Siegfred (Univ of Copenhagen)
9) Punching for recognition: the untold history of the role of the jukebox in Jamaican Popular Music - Dennis Howard (UNiv of the west Indies)
10) Never so brazilian: identity between rock and place in Brasilia - Jesse Samuel Samba Wheeler (Univ of California/UNB)


Agora,é esperar a próxima,que ocorre em Liverpool em 2009; e invadir "de mulão".

PS - a legenda da foto é de uma "jam session" - com participantes da IASPM (o Jesse da galinha preta em primeiro plano,) que aconteceu no Circo Volador de lá.
Mas, as melhores fotos são da máquina do Heitor - aguardemos o post dele!!

domingo, 1 de julho de 2007

Astronautas - Mutantes - Libertados!!!!


Escrevo ainda sob o impacto do show dos Mutantes. Confesso que quando ouvi alguém comentar que os Mutantes iriam voltar, torci o nariz. Os irmãos Baptista e Rita Lee novamente juntos, depois de tantos anos, pareceu-me no mínimo bizarro. Depois começaram a sair notícias pela imprensa dando conta de que seria uma volta sem Rita e, mais estranho ainda, em seu lugar estaria Zélia Duncan. Torci o nariz novamente. Mas como? Duncan? É outro estilo. Parecia-me que não tinha nada a ver. E me veio a cabeça a velha jogada levada a cabo por vários grupos de rock argentino já desfeitos que se reuniam novamente para alavancar a carreira de seus antigos componentes, em baixa, e para engordar a conta bancária, também em baixa. Andei meio desligado, não fui ver seus shows quando se apresentaram no Rio depois de Londres e do giro internacional. Vi-os cantando alguma coisa no Programa do Serginho Groismann e me parecia que não havia química. Comida requentada.

Agora, quando retornaram ao Rio, com espetáculos no Circo Voador, resolvi deixar preconceitos de lado e encarar. O que vi e ouvi me deixou impressionado. O show funciona e funciona muito bem. No palco eles são monstros do rock. Cheiro de mofo? Passou longe. Vi, ouvi e senti, sim, muito rock e do bom. Impressiona a alegria, sobretudo de Arnaldo, de tocar. Estavam se divertindo no palco, e isso contagiou os demais músicos e, sobretudo, o público, na grande maioria, jovens enlouquecidos pelo som que ouviam e pela performance que viam. Claro que eles não são mais adolescentes ou jovens como eram, a voz falta de vez em quando, daí o auxílio de outros vocais a dar sustentação.

As músicas são antigas e ao mesmo tempo não o são. Por um lado, elas não envelheceram, estão aí, não com o impacto absolutamente inovador que tiveram a seu tempo, mas continuam vivas e vibrantes; e por outro, novos arranjos, outros instrumentos e músicos que foram incorporados deram a essas músicas uma alma rockeira renovada. Presentificadas, “agorizadas”, elas novamente empolgaram.

O mais impressionante foi o clima de festa e diversão dos velhos “moleques” Arnaldo e Sérgio Dias renovados diante de uma Zélia Duncan que entra no jogo e, decididamente, não faz feio. Zélia, de maneira perspicaz e inteligente, não tenta travestir-se de Rita, nem nos gestos, nem na roupa, nem, tampouco, na interpretação. E com isso ganha o jogo, a platéia e os músicos. Ela não entra para substituir ninguém, até porque seria covardia – e canastrice - tentar repetir Rita. Zélia é Duncan do início ao fim e isso fez a diferença.

No palco, astronautas-rockeiros libertados; na platéia, público embevecido e em sintonia. O ritual do rock se fez presente e que bom, eu estava lá.


Festival de música eletrônica no Second Life

O jornal inglês The Guardian e a Intel promovem na ilha Chillout do Second Life um festival de música eletrônica de fazer inveja a qualquer um que já tenha acontecido do lado de fora do computador, o Secondfest. São mais de 70 atrações, entre eles Pet Shop Boys, Hot Chip, Tiga, Simian Mobile Disco, The Knife, Digitalism e New Young Pony Club, só pra citar alguns. O evento começou sexta feira e vai até hoje.

Eu vou correr lá ver se consigo pegar alguma coisa. Depois conto como foi caso minha tentativa seja bem sucedida.