domingo, 31 de outubro de 2010

A farsa Milli Vanilli 20 anos depois: o que ficou?

Estou mega em falta com o LabCult e, por isso, resolvi falar de algo bem popular pra tentar me redimir, hehehe, o caso Milli Vanilli, uma das maiores farsas da música pop e um excelente caso para pensarmos o contemporâneo musical.
A história muitos já conhecem: no final dos anos 1980, uma dupla lançou três discos de estúdio meio dance meio pop que fizeram MUITO sucesso inclusive nos Brasil. As músicas eram dançantes e bem produzidas e as vozes, um primor de afinação e virtuosismo. A imagem de Milli Vanilli foi cuidadosamente construída em discos e, claro, videoclipes. Os dois, Fab Morvan e Rob Pilatus, dançavam bem e tinham jeitinho de astros pop:



Em 1990, a dupla GANHOU O GRAMMY de artista estreante. Acontece que muita gente começou a desconfiar do talento dos dois e, em novembro daquele ano, a dupla afirmou publicamente que não eram eles os donos das vozes, e sim Charles Shaw, John Davis e Brad Howell. Ou seja, as vozes dos dois eram feitas por TRÊS cantores que por serem mais velhos e menos fotogênicos, não poderiam se tornar astros pop, segundo o produtor da dupla, o alemão Frank Farian
Depois da farsa vir a público, o final ficou previsível: o Grammy teve de ser devolvido, Pilatus, o mais problemático da dupla, foi encontrado morto em um hotel em 1998 por overdose de remédios com bebida, Fab Morvan tenta até hoje virar celebridade cantando e atuando e nada aconteceu com a gravadora e com o produtor, que na verdade parece ter tido toda a ideia. Ah, e os cantores "reais" chegaram a lançar discos com o nome de "The Real Milli Vanilli", mas nunca fizeram sucesso...


Ironicamente, a foto do Wikipedia mostra a dupla ladeando
 o então presidente do Grammy, C. Michael Greene, hohoho!


Além de ser uma história totalmente pitoresca e ótima para mesas de bar, ela ajuda a levantar muitas, muitas, muitas questões, sobretudo porque se formos agora para o YouTube pesquisar, as opiniões dos internautas nos vídeos do Milli Vanilli são interessantíssimas, repare em algumas que selecionei aleatoriamente desse link:


"i dont care if they were fake the whole time..i still like this song lol"
"Who cares if these guys actually have talent or not... look at them flip their hair around!!"
"They're so good"
"I bought the CD off of Ebay"
"The song is great, but the dancing is so gay"


Algumas opiniões falam que a dupla era falsa e coisa e tal, mas as que selecionei NÃO SE IMPORTAM com a farsa ou a ignoram solenemente. Um deles inclusive diz que acabou de comprar um CD no Ebay! Agora a pergunta que não quer calar: o que isso quer dizer?
O texto que escolhi para debatermos na última reunião do LabCult - o segundo capítulo do clássico Dancing in the Distraction Factory, de Andrew Goodwin - lembra essa história e afirma que a partir dos anos 1980, a cultura pop passou a lidar de forma mais maleável com os recursos que permitem esse tipo de farsa, como os playbacks, os recursos eletrônicos na música e, claro, os videoclipes.  Não sei bem se concordo com isso, mas é fato que a partir dos anos 1980, as performances musicais tomaram rumos absolutamente abertos, não é mesmo?


EM TEMPO: em 2007, a Sony/BMG lançou os Greatest Hits do Milli Vanilli. Digo, a gravadora ainda tenta se beneficiar do caso! Será que em tempo de direitos autorais e coisa e tal nós cidadãos podemos processar a gravadora por propaganda enganosa ou coisa que o valha?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Vandré e a cultura de massa

por Gustavo Alonso

Depois de quatro décadas de isolamento, o cantor e compositor Geraldo Vandré, que se transformou em um dos maiores enigmas da MPB, resolve finalmente quebrar o silêncio. Autor de clássicos como “Disparada” e “Pra Não Dizer que Falei das Flores” – esta, transformada em hino de manifestações contra a ditadura militar - Vandré deu uma entrevista ao repórter Geneton Moraes Neto no dia em que completava 75 anos de idade. Desde que voltou do exílio, no segundo semestre de 1973, ele não falava para a televisão. Esta matéria foi feita em setembro de 2010 para a Globo News:



O video também pode ser visto aqui em melhor qualidade: http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/0,,MUL1620961-17665-337,00.html

Para quem estava inteirado sobre as peripércias de Vandré e seus malabarismos ideologicos a entrevista não traz grandes novidades. Mas impressiona ver o mito da luta contra a ditadura dizer as coisas que diz.

Entre outras coisas Vandré diz que não era "anti-militarista", anti-ditadura ou contra o regime. Diz também que não fez musica de protesto, mas musica brasileira. Negando a imagem construida sobre ele mesmo, Vandré choca as vontades daqueles que queriam dele uma voz consonante da resistência.

Dos mitos acerca de Vandré apenas um permanece. Ele mantém os senões à cultura de massa. Parece que nos dias atuais a ditadura perdeu seu poder de aglomerar as criticas dos artistas, mas as criticas a cultura de massa continuam atuais para aqueles que se julgam criadores da "boa musica brasileira".

Adepto da "boa tradição" brasileira, Vandré se viu "engolido" pelos massificadores. E se considera um perdedor no debate da musica brasileira. Foi jantado pela cultura de massa da Jovem Guarda e pelos tropicalistas.

Separei alguns trechos nos quais Vandré deixa isso claro:

Reporter: Vc teve uma divergencia com Caetano e Gil na época da tropicalia. Você ainda acha hoje ruim a musica que eles faziam na época?
Vandré:essa pergunta me lembrou uma pergunta que eu fiz pro Gil... Uma vez eu perguntei um coisa pro Gil e ele me respondeu, eu nao me lembro direito a pergunta..., mas ele me respondeu: "eu faço qualquer coisa, uma tem que dar certo". Eu não faço qualquer coisa.

Reporter: Mas vc mudou de opiniao sobre os tropicalistas?
Vandré: "Parece que eles continuam na mesma... eu tô distante de tudo, nao so do tropicalismo, de tudo que acontece no Brasil".
"O Brasil onde eu comecei a fazer musica não havia esse processo de massificação que se iniciou... dentro da minha propria carreira houve uma mudança ali no Maracanãzinho... foi ali que houve a passagem do que eu fazia... de um publico de teatro de 700, no maximo 1200 pessoas para um ginasio com 30.000 pessoas... e a televisão direto no ar... ai jà foi a massificação, né? (...) O que hà hoje, como eu falei, é cultura de massa... nao hà espaço para a cultura artistica... Se você considerar os outros autores, eles fazem uma coisinha de vez em quando, mas eles não tem uma carreira como tinham antigamente... nem o Chico, nem o Edu Lobo... hoje é muito segmentada. (...) O processo de massificação destruiu a urbis brasileira, né?!"
"Eu estou exilado das minhas atividades desde 68. Eu me afastei e não retornei.

Reporter: Vc diria que o Brasil é um pais ingrato?
Vandré: Não... de forma alguma. é... guerra é guerra... eu perdi... tem um poema do Gonçalves Dias que eu aprendi com meu pai que é muito bonito: 'nao chores meu filho, nao chores/ viver é lutar/ a vida, meu filho, é combate/ é luta renhida que aos fracos abate e aos fortes soh pode exaltar". (13° min)

Reconfigurações do videoclipe


E como o tema da semana é videoclipe, segue um dos mais comentados do momento e que é um ótimo exemplo para os textos que discutiremos em nossa próxima reunião. Trata-se do clipe da música nova da Katy Perry, "Peacock". Detalhe, o clipe não é oficial, mas sim uma produção amadora que vem fazendo grande sucesso na web com quase 3 milhões de acessos no YouTube. Bem, produção amadora é modo de falar, pois o clipe dá uma aula de competência. Muito bem editado, preocupação com cenários, figurinos e coreografia. O responsável pelo vídeo é o blogueiro americano Ryan James Yekak que juntou os colegas para produzir versões gays e bem-humoradas de hits da música pop. Antes da música de Katy Perry, uma verdadeira superprodução, o grupo já havia produzido versões mais toscas, e nem por isso menos divertidas, para Lady Gaga, Britney Spears e Kesha.


Esse projeto é mais uma evidência que comprova a reconfiguração do videoclipe como defende nossa colega Ariane. Com a popularização de ferramentas digitais para a edição de vídeo e com um canal tão acessível como o YouTube, o videoclipe tem se revelado um formato cada vez mais produzido não só para, mas pelo fã. A música é o pontapé inicial para que as pessoas produzam seus próprios vídeos e os compartilhem com outros interessados.
Inclusive, se eu fosse a gravadora da Katy Perry, nem perderia tempo e dinheiro produzindo um novo clipe. Duvido que consiga fazer mais sucesso que esse.

Ainda sobre o Walkman...

Não resisti ao post/ depoimento feito por Gabriela na segunda-feira e decidi dedicar um dos meus posts de hoje para o Walkman também. O aparelho da Sony foi assunto do "Jornal da Globo" que noticiou o fim da fabricação desse importante reprodutor musical. Assistam ai:



Achei interessante a ponte que a matéria faz entre o Walkman e o iPod, mostrando a tentativa de incorporar outros formatos como o MD (mini disc) e o CD até que o MP3 se tornasse hegemônico. O reprodutor portátil de CDs foi inclusive comercializado com maior sucesso, sendo que muita gente ainda hoje tem um Discman em casa (talvez o próximo da lista a se tornar obsoleto). Assim como sugere Michael Bull em seu livro "Sound Moves", a matéria também aponta o Walkman e o iPod como ícones culturais de suas respectivas épocas; anos 80 e anos 2000.

Outra curiosidade é o fato de um aparelho de função similar ter sido patenteado por um brasileiro antes da Sony.

Por fim, gostaria de ressaltar como a marca Walkman ainda é importante para a Sony. Pois, embora o aparelho não seja mais fabricado, a marca ainda é usada em outros produtos como os reprodutores digitais de música e os celulares multifuncionais da Sony/Ericsson. Afinal, Walkman é sinônimo de música e mobilidade.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nós Digitais e Cibercultura

Nesta última 2a feira agora, 25/out, aconteceu a penúltima edição do ciclo de palestras "Nós Digitais - Transformações e Futuros Possíveis da Comunicação e do Humano", organizado pelo Prof. Dr. Vinícius Pereira, da Uerj e da ESPM, com a colaboração da ESPM (através do Pan Media Lab), Globo Universidade e a empresa YDreams.

A ideia dos encontros é promover debates entre os palestrantes - sempre especialistas ou profundos conhecedores dos temas em pauta - e o público, de uma maneira menos formal e mais lúdica do que geralmente ocorre nos eventos acadêmicos, sempre girando em torno de reflexões sobre as mudanças que ocorreram e ocorrerão no cenário da comunicação e no próprio ser humano.

Nas primeiras edições do evento este ano foram discutidos o início da escrita e o surgimento dos meios de comunicação e agora, já na fase final, discute-se a cibercultura. Já passaram pelo palco do Oi Casa Grande, onde ocorrem os encontros, nomes como o de Luiz Alberto de Oliveira, físico do CBPF-UFRJ, Paula Sibilia, professora de comunicação da UFF e na última 2a feira, Michael Goddard, especialista em Estudos de Mídia. Isso sem mencionar a presença fixa de Vinícius e Fausto Fawcett, que sempre compõem a mesa junto ao palestrante da noite.

Goddard falou ao público sobre "Ecologias midiáticas e a “Era Pós-Mídia”: Uma exploração das transformações culturais em condições em redes". Apoiando-se nos trabalhos de Felix Guatarri, o palestrante defende a ideia de estamos entrando (ou já entramos) em uma era pós-mídia, no sentido de que a saturação midiática estaria nos levando a modos de fazer comunicativos que não se dão mais nos moldes "um para muitos" (como é típico na TV e do rádio), mas sim nos moldes "muitos para muitos", através de redes descentradas e potencialmente mais abertas e democráticas, que permitem o surgimento de novos modos de experiências estéticas transformadoras.

Goddard ilustrou seus argumentos com alguns exemplos do que ele chamou de "ecologias midiáticas", que foram desde experiências de mídias radicais pré-digitais, como o cinema militante e rádios "piratas" até músicas pós-punk como as da banda Leibach, que propõe a criação de um Estado temporal e não espacial (seguem abaixo dois clipes da banda).





Vale a pena participar do último encontro do "Nós Digitais", que irá ocorrer, também com a presença de um palestrante internacional, no dia 29/novembro (2a feira), a partir das 19h, no Oi Casa Grande, no Leblon. Ah, o evento é gratuito!

"Ao mar, ao mar!"


O suplemento Ipisilon do jornal português Público – sempre ele – veiculou em sua edição on line da sexta-feira passada uma matéria super pertinente sobre o eterno dilema da internacionalização da música pop portuguesa. O cerne da reportagem é a apresentação pública do Portugal Music Export, um “projecto para a criação de um organismo que fomente a exportação e internacionalização da música portuguesa, desenvolvido pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e pela Gestão dos Direitos dos Artistas (GDA)”. Ok que “apresentação pública de um projeto para a criação de um organismo” me deixa com a incômoda sensação de que o PME se trata de algo ainda muito embrionário, com grandes chances de não emplacar ou acabar apanhando poeira numa gaveta qualquer. De qualquer maneira, a iniciativa é bacana. Ela parte da constatação de um problema que tangencia diversas questões da minha pesquisa de doutorado: o desconhecimento da música popular midiática portuguesa para além das fronteiras de Portugal como sintoma da ausência de uma política pública de promoção sistemática desta mesma música nos mercados internacionais.

A matéria de Vitor Belanciano contrapõe o caso português com o exemplo de outros países, europeus ou não, que de alguma forma conseguiram estruturar mecanismos favoráveis à exportação, como a França, o Canadá e os países escandinavos, sobretudo através da concessão de subsídios que, em Portugal, só contemplam (e mesmo assim, muito mal) o cinema, as artes plásticas e a música erudita. Que os gêneros musicais massivos e midiáticos portugueses não desfrutam de legitimidade no interior do próprio país é pedra que venho cantando faz três anos. A única coisa que eu questiono é se, antes de desenvolver estratégias que visem à internacionalização, não seria o caso de fazer alguns setores dentro de Portugal compreenderem a importância sociocultural da música que é produzida no próprio país. O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos sustenta que o desconhecimento de Portugal pelo mundo é, antes de mais nada, o efeito de um auto-desconhecimento. Enquanto a bibliografia portuguesa sobre música pop se resumir a meia dúzia de dois ou três livros e algumas investigações acadêmicas feitas no peito e na raça, tenho sérias dúvidas se tais estratégias de promoção sistemáticas conseguirão ser verdadeiramente efetivas.

A reportagem conta com depoimentos de Kalaf do Buraka Som Sistema, de John Gonçalves do The gift, de Paulo “Legendary Tigerman / Wraygunn” Furtado e da fadista Cristina Branco, nomes que, cada um à sua maneira e no âmbito do gênero a que se circunscrevem, vêm conseguindo sustentar uma carreira internacional algo consolidada. Curiosamente, Tony Carreira e Emanuel são mencionados de passagem dentro do recorte “música ligeira”, embora em nenhum momento a reportagem lhes dê voz: provavelmente porque os “pimbas”, a despeito de talvez serem os nomes da música portuguesa contemporânea que transitem de forma mais fluida pelos mercados internacionais (graças ao seu apelo junto às comunidades migrantes), infelizmente não fazem o tipo de música que o PME (e o suplemento Ípsilon do jornal Público) gostariam de ver exportada.

A íntegra da reportagem pode ser conferida aqui. Aos interessados, vale a pena não restringir a leitura à matéria propriamente dita: no momento de feitura deste post, a dita cuja já havia recebido mais de 15 comentários, alguns bastante reveladores sobre o modo como alguns leitores percebem e valoram a música portuguesa contemporânea (o tom raivoso e debochado de certos comentários é bastante semelhante aos que aparecem nas páginas do Ípsilon quando alguma matéria glorificadora da Flor Caveira e congêneres é publicada – basicamente, os leitores não reconhecem a iniciativa porque não se reconhecem naquela música!). O que apenas reforça a minha suspeita de que tal debate não pode ser desvinculado de uma discussão mais profunda sobre o modo como as identidades culturais estão sendo articuladas na contemporaneidade lusa.


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Rádio político e didático

Por Michele Vieira


O melhor programa do rádio FM atualmente para mim é o “A Voz das Periferias”, apresentado por MV Bill e pelo DJ Roger Flex, de segunda a sexta, das 13h às 14h, na Rádio Roquette-Pinto (94.1). Por sorte, neste horário estou sempre em trânsito, saindo do trabalho. O foco é o Hip Hop nacional que está sendo feito hoje de forma independente.
Sempre uso as letras das músicas nas minhas aulas de Comunicação e Política para discutir como ainda há brechas atualmente para a manifestação da politização por via da cultura, e como especialmente a música pode representar um instrumento de força no protesto social. Além disso, podemos pensar como o rádio hoje em dia abre espaço para essas práticas, ou seja, podemos discutir os usos políticos do meio.
Infelizmente o programa não pode ser ouvido pela internet, mas deixo a dica de sintonizar na 94.1 FM. Aí vai também um pouquinho de como foi o primeiro programa, realizado ao vivo:



Repassando

A mostra Recine desse ano tem o tema "Movimentos da Música Brasileira no Cinema". Para quem se interessar, o festival acontece durante a semana, com extensa programação. Mais

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

30 ANOS DE WALKMAN - Fim de uma era em fita magnética


30 anos foi o tempo de vida do artefato que deu início à radicalização da mobilidade da música gravada entre nós. Ainda me lembro do primeiro Walkman que ganhei, aos 10 anos de idade, comprado nas Lojas Americanas. Depois dele tive um outro melhorzinho, mais 2 diskmans do fim dos anos 90 para os 2000 (1 todavia funcionando!), até que chegaram os onipresentes tocadores de mp3.

Nunca me senti seduzida por celulares com mp3 player, nem Ipods com vídeo, câmera fotográfica ou Iphones. Hoje, ao saber da “morte” do Walkman, comecei a pensar que talvez isto seja fruto do hábito de ter usado esses aparelhos durante muito tempo, e de que a única coisa, e a mais importante de todas, era que através deles podia ouvir música em quase qualquer lugar, sem incomodar ninguém, porque sentia e ainda sinto que música deixa a vida melhor.


Veja aqui a matéria Rewinding to the age of the Sony Walkman

Música para... : A música como algo funcional


Estamos rodeados por música a maior parte do tempo, parece algo tão natural que muitas vezes não nos damos conta, a música sem dúvidas é um elemento importante nas nossas vidas. Para além de apenas ouvirmos e apreciarmos determinada melodia, a música pode funcionar como uma forma de agenciamento, ou seja, como algo “funcional” no nosso cotidiano.
Música para animar, música para arrumar a casa, música para extravasar, para ajudar na concentração, para criar um clima, para transmitir uma mensagem a alguém, para relembrar, etc. Esses tipos de “tags” ainda não são muito populares no mercado, que ainda preferem a nominação por gêneros, mas estão ficando cada vez mais populares na internet, o exemplo mais famoso é o Moodlogic aonde os usuários são convidados a montarem suas próprias categorias, por exemplo.
Mas é claro que isso não é algo que vem pronto, ninguém ouve I want to break free pela primeira vez e pensa “isso é ótimo para animar na hora da faxina”, certamente é algo socialmente construído e que sofre variações de pessoa para pessoa, a tentativa aqui é de desconstruir essa idéia de que música é algo dado, esse é o questionamento principal que a autora Tia DeNora desenvolve no livro Music in Everyday Life, ela nos dá diversos exemplos de como a música é muito mais do que apenas algo para se ouvir.

sábado, 23 de outubro de 2010

"Música é profissão" - III Congresso Fora do Eixo debate sustentabilidade na área cultural

O auditório estava cheio. Em torno das cadeiras de plástico brancas, barracas de comércio de artesanato estampavam os cartazes: "Aceita-se Fora do Eixo Card: Cubo Card, Palafita Card, Goma Card, Marciano e Lumoeda". Camisetas também eram vendidas em moedas complementares. "Mas você também pode pagar em real, caso prefira", brincou um dos organizadores do III Congresso Fora do Eixo, que aconteceu de 10 a 16 de outubro, em Uberlândia (MG), junto com o Festival de Música Jambolada.


O Congresso reuniu cerca de 300 pessoas - a maior parte na faixa dos 20 e poucos anos - que fazem parte dos cerca de 50 coletivos reunidos no Circuito Fora do Eixo (FdE), uma rede colaborativa que trabalha com diversas linguagens, com destaque para a música. Os coletivos organizam festivais (Grito Rock, Jambolada, Calango, Varadouro, Até o Tucupi etc.) e fazem as bandas circularem por todo o país, aproveitando do potencial de rede para buscar patrocínios e influenciar políticas públicas de fomento à cultura.

O Circuito Fora do Eixo, a meu ver, é uma das experiências de gestão cultural mais interessantes que surgiram no Brasil nos últimos anos, iniciativas que sobrevivem à margem das grandes indústrias e da grande mídia porque, entre outras coisas, apostaram na livre circulação das obras e souberam usar de forma criativa as novas tecnologias de comunicação, que baratearam a produção e reprodução dos bens culturais e facilitaram a circulação e divulgação destes produtos.

Grande parte da força do FdE está na organização em rede. O circuito é dividido em 5 grupos de trabalho: Música, Comunicação, Clube de Cinema, Palco Fora do Eixo e o Fora do Eixo Card, este último responsável pela sustentabilidade do projeto. O FdE Card é dividido em cinco núcleos: Projetos (hoje há 91 projetos cadastrados em um banco, prontos para serem remixados por qualquer coletivo na hora de conseguir apoio para suas atividades), Negócios, Mapeamento e pesquisa (com base na visão da necessidade de indicadores na área da cultura, que possam pautar planejamento, novos modelos de negócios e políticas públicas e incentivar a decisão dos patrocinadores), Arranjo Produtivo Local (responsável pelo organograma, moedas, planilhas de trocas, etc.) e Fundo.

As moedas complementares utilizadas durante o congresso são uma das formas que o FdE encontrou de promover a sustentabilidade. Esta, aliás, foi a principal discussão do evento.
Cinco dos cerca de 50 coletivos possuem moedas complementares em papel, mas mesmo nos coletivos onde não existe a moeda física a lógica de contabilizar força de trabalho e organizar trocas é o que prevalece. Cada coletivo tem um organograma com as funções de cada integrante e as redes de parcerias, um cardápio de serviços, para visualizar o que se tem a oferecer e facilitar as trocas, e uma tabela de horas trabalhadas. Os reais e as moedas complementares que circulam passam por um caixa coletivo e existe também um Fundo nacional, em que os coletivos que já estão estruturados investem para subsidiar ações institucionais da rede ou apoiar - em forma de empréstimo - os coletivos que estão começando.

"O xis da questão é a a
utogestão. Nesse sentido, o caixa coletivo, a existência de uma sede, o morar junto, o compartilhar são essenciais", diz Carol Tokuyo, do Massa Coletiva (São Carlos - SP), para integrantes dos coletivos que entraram há pouco tempo no circuito.

Para Lenissa Lenza, do Espaço Cubo, de Cuiabá (MT), o que o FdE faz é "ressignificar a lógica da economia quadrada", introduzindo a Economia Solidária como um modo de vida e um modo de gestão. "Meu trabalho é minha vida, eu não separo as coisas, isso é esquizofrenia. E o meu trabalho tem um valor. Qual é o valor do meu trabalho? Sustentabilidade não está só no fim, nos recursos financeiros, mas em todo o modo de organização e sistematização. O que é necessário? O que estou precisando? O que eu posso trocar?".

"Card", nas palavras de Lenissa, "é força de trab
alho". É por isso que em todos os cantos, nos variados grupos de discussão, a necessidade de dedicação exclusiva aos coletivos era constantemente repetida. A ideia é que a dedicação exclusiva melhora o trabalho artístico, porque permite investimento em formação e criação, e facilita a sustentabilidade, porque há mais horas de trabalho disponíveis para o coletivo. "Além disso, se a pessoa não ganhar ali, não vai ganhar em lugar nenhum".

Outro elemento que, na visão de grande parte dos integrantes do FdE, facilita a sustentabilidade é o financiamento híbrido, ou seja, do governo e da iniciativa privada. O investimento do governo na cultura é essencial, permitindo experimentalismo fora da grande indústria e corrigindo distorções em relação à distribuição de verbas e ao poder das grandes indústrias. O investimento do poder público também sensibiliza o mercado.

No entanto, "os coletivos não podem viver para sempre das empresas e das leis de incentivo",
adverte Kuru Lima, da Conexão Vivo, apoiadora do Jambolada e de outros festivais espalhados pelo país. Está aí uma questão que ainda é desafio para a cultura. As leis de incentivo e o fomento são um pontapé inicial para corrigir as distorções, ajudam a formar produtores culturais mais qualificados para elaborar projetos e colocar produtos no mercado. Mas como formar público, criar uma rede de casas de shows permanete, para além do circuito de festivais, e garantir a sustentabilidade sem esses agentes patrocinadores?

Outro desafio que foi colocado ao FdE, no GT de Música, foi a profissionalização das bandas e o investimento em suas carreiras, para além do circuito. Fábio Pedroza, da Móveis Coloniais de Acaju, apresentou uma proposta de parceria entre o FdE e o projeto que a banda acaba de lançar, o CBAC - Comissão de Bandas e Artistas Circulantes. "Já está na hora do Fora do Eixo dar o segundo passo, que não é só entregar um evento, mas gerar uma profissionalização das bandas e uma sustentabilidade para elas com a música. Até agora, primeiro as bandas trabalham como coletivo, nas trocas entre festivais, e menos como banda, fazendo trabalhos fora do circuito".

Ficou evidente também nas discussões do congresso que a comunicação é elemento essencial nesta busca de sustentabilidade. "A sustentabilidade só chega quando a comunicação está resolvida. Porque não adianta só produzir, tem que divulgar e fazer circular", diz Rafael Rolim, do Massa Coletiva e coordenador do Clube de Cinema. "Para convencer um patrocinador a investir, não basta mostrar a produção, mas o número de views no Youtube, o número de seguidores e amigos nas redes sociais". Isso significa ter uma boa comunicação entre os coletivos e também qualificar a comunicação que é feita para fora.

Taí mais um grande desafio. Com a maior disseminação da internet e apropriação das redes sociais, fica fácil fazer o produto circular. Mas conquistar o público nesse mercado de nicho é outra coisa. Aqui, as discussões do Fora do Eixo se aproximam da pauta da democratização da comunicação. A internet é importante, mas não significa abandonar a briga por ocupação dos meios tradicionais de comunicação, tanto as rádios e TVs públicas quanto as comerciais, que precisam abrir espaço para produção regional e independente.

A sustentabilidade ambiental também foi um tema bastante discutido. Reciclagem é uma das preocupações de muitos dos coletivos do Fora do Eixo quando realizam seus festivais, como é a proposta do SWU, narrada pela Bia alguns posts atrás. Mas a galera do FdE acredita que a reciclagem sozinha não é suficiente, inclusive porque existe um gasto enorme de energia no processo. Coletivos como o Massa e o Difusão, de Manaus (AM), chamam a atenção para os três Rs: reduzir o consumo, reaproveitar (as sacolas do Congresso, por exemplo, eram feitas de banners reaproveitados) e reciclar.

A sustentabilidade ambiental também ajuda na sustentabilidade financeira, ao diminuir os gatos. E haja criatividade. Um dos CDs que mais sucesso fez nesta edição do Congresso foi o da banda Manolos Funk, do coletivo Vatos, de Vespasiano, região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Inspirados no rapper Emicida, de São Paulo (que fez um ótimo show no primeiro dia do Jambolada), os Manolos catam caixa de papelão nas ruas e supermercados para fazer as capas dos CDs. As mídias são gravadas no computador de casa e as informações são impressas com um carimbo. Custo de cada unidade: R$ 0,72, e o resultado vocês podem ver na foto abaixo.


Fotos: Marcelo Valle

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Carnaval de rua do Rio - entre a tradição do carnaval pernambucano e a diversidade neoliberal do carnaval baiano



A expressão “País do Carnaval” vem sendo utilizada durante décadas para definir o caráter festivo e acolhedor do povo brasileiro. Uma propaganda poderosa que de boca em boca, através da literatura, das lentes e alto-falantes dos meios de comunicação foi capaz de atrair os olhares curiosos do mundo para os nossos festejos de rua. Mas, "o Brasil não é o 'país do carnaval', como se lê no título do romance de Jorge Amado e sim um país de 'muitos carnavais', como se ouve na canção de Caetano Veloso" (Risério, 1995, p. 90). Os festejos que ocorrem nas capitais do Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia, são três das formas mais consagradas e distintas de se fazer carnaval. Enquanto a folia carioca está apoiada nos desfiles luxuosos das escolas de samba, caracterizando-se, especialmente, pela sua condição de espetáculo e de competição, o carnaval pernambucano acontece ao som do frevo e está mais relacionado as idéias de tradição e participação popular. “O carnaval baiano, por sua vez, é reconhecidamente uma festa também de grande participação popular, embora muito mais afeita a hibridações e ao trânsito entre tradições e inovações do que, por exemplo, a folia carnavalesca pernambucana” (MIGUEZ, 2008, p. 97). Argumento esse de fácil comprovação quando se pensa no papel desempenhado pelo trio elétrico de Dodô e Osmar a partir da década de 1950, uma parafernália tecnológica que nas palavras de Fred de Góes (1982) modernizou o carnaval, introduzindo as guitarras elétricas e reconfigurando a forma de se brincar carnaval.

Essas diferenças entre as folias carioca, baiana e pernambucana são culturais, mas também econômicas, já que cada uma das manifestações requer uma estratégia diferenciada, uma forma particular de tornar o evento rentável. Patrocínio, comercialização de fantasias e bebidas, turismo e midiatização são alguns dos setores que fazem do carnaval uma indústria do entretenimento multimilionária.

Nesse sentido, volto minhas atenções nesse post para o carnaval do Rio de Janeiro, não aquele protagonizado pelas escolas de samba, mas sim o que ocorre nas ruas, com a participação de blocos e que renasceu com força total nos últimos anos, tornando-se uma segunda opção para brincar a festa de Momo. O Rio hoje conta com um carnaval paralelo ao que ocorre no sambódromo e que é caracterizado por uma estrutura reconhecidamente mais popular, que parece atrair um público mais jovem, que é embalado por samba, mas também por outros gêneros musicais e que, portanto, possui características próprias que merecem ser investigadas pontualmente. Aqui, me interessa o crescimento desse circuito e a disputa simbólica relacionada aos gêneros musicais e aos modelos de negócio que começam a ser testados no evento.

Em 2009, quando o carnaval de rua carioca já havia se tornado um grande sucesso, reunindo pessoas no centro da cidade e nas orlas ao som de bandas e blocos como o Afro-reggae, Monobloco, Banda de Ipanema, Cordão do Bola Preta, Simpatia É Quase Amor e tantos outros, a prefeitura decidiu abrir edital para selecionar o patrocinador oficial do evento. Ao vencer o edital, a cervejaria Antarctica ficou responsável por distribuir banheiros químicos e sinalizações pelos circuitos da festa, além de produzir panfletos com a programação. Em troca a empresa pôde explorar o carnaval para fortalecer sua marca diante dos foliões. Entendo esse acordo como o pontapé inicial para a profissionalização do carnaval de rua no Rio de Janeiro, um momento em que o evento é consagrado, ao mesmo tempo em que se torna necessário uma maior ingerência, despertando o interesse das entidades privadas, atraídas pelas possibilidades de geração de lucros. Em 2010 divulguei aqui no blog o evento “Desenrolando a Serpentina” em que vários setores envolvidos com o carnaval se reuniram para discutir questões relativas a organização da festa para 2011.

Partindo dessa busca por um modelo de organização para o carnaval de rua do Rio, gostaria de discutir a suposta declaração de Cláudia Leitte (cantora de axé music) que segundo o blog Casos da Cidade do Jornal Extra, do site “Diário do Rio” e de outros canais na internet pretende ainda em 2011 trazer para o carnaval de rua do Rio o seu bloco. Suposta porque apesar de ter gerado polêmica entre os foliões mais conservadores, não consegui confirmar essa informação no site oficial da cantora. De qualquer forma, considero interessante que a mais remota possibilidade de uma cantora de axé music se apresentar no carnaval carioca tenha gerado tamanha resistência:

“Mas acho que o desejo de Leite não deve se materializar. É que ela quer simplesmente trazer o estilo de carnaval da Bahia para o Rio de Janeiro e, Claudinha, não me leve a mal, isso não rola! Só um não-carioca, sem um pingo de consciência, vai pagar R$ 500,00 por um abadá no Papa (trio elétrico dela)! Tendo centenas de blocos desfilando… Espero que a Prefeitura do Rio não aceite essa bahianização do carnaval carioca”.

Essa “baianização” do carnaval carioca pode ser identificada em dois níveis: o primeiro deles é a capitalização da festa, ou seja, a transformação das entidades carnavalescas (blocos) em empresas de entretenimento que comercializam suas fantasias para os foliões. Esse aspecto é uma regra no carnaval baiano, já gerou diversas pesquisas acadêmicas e apesar de ser reconhecidamente uma forma de exclusão social e privatização do espaço público é ainda hoje o elemento central do carnaval de Salvador, a única forma de garantir que tantos artistas de peso estejam presente no evento. Afinal, a prefeitura não conseguiria por conta própria arcar com as os elevados cachês de artistas como Ivete Sangalo, Daniela Mercury e de mais uma centena de artistas que se apresentam no carnaval. Nesse sentido, é a profissionalização da festa que pode acabar com o genuíno carnaval carioca. Profissionalização essa que já começa a ocorrer: o bloco de Carlinhos de Jesus, por exemplo, foi criticado por ter feito uso de cordas de isolamento e abadás.

Outra forma de se interpretar tal “baianização” é a incorporação do gênero axé music no carnaval carioca. Na sessão de comentários do site "Diários do rio" vários internautas apontaram a execução da música baiana durante a festa como uma forma de descaracterização cultural. Em 2009 o Bloco “A Coisa tá preta” de Preta Gil (filha de Gilberto Gil) fez sua estréia no carnaval de rua do Rio. O bloco desfilou sem cordas na praia de Ipanema e arrastou milhares de foliões ao som de sambas e de canções de axé music. Apesar do sucesso do projeto, presenciei a manifestação solitária de um folião que berrava ao lado do trio: “Preta Gil vai se f..., o Rio de Janeiro não precisa de você!”. Depois de ser vaiado, o manifestante abandonou o desfile. Esse evento revela que mesmo no carnaval, quando se fala de uma suspensão das leis e da inversão de papéis sociais, a legitimação continua sendo necessária: Quem pode se apresentar no carnaval? Quais músicas podem ou devem ser executadas? É legítimo tocar axé music no carnaval do Rio? E mesmo na Bahia, famosa pela diversidade musical, vale tudo? Daniela Mercury já foi vaiada ao entrar na avenida tocando música eletrônica. Hoje existem meia dúzia de blocos eletrônicos que chegam a contratar DJs internacionais, além dos blocos de samba, forró, reggae e rock que se misturam aos já tradicionais blocos de axé.

Entendo que essa tensão entre a tradição e o novo está relacionada diretamente aos gêneros musicais executados em cada festa. Se o axé tocado em Salvador é um gênero mais propício ao hibridismo musical, se aproximando de outros estilos sem nenhuma (ou pouca) preocupação com a conservação de suas raízes, o samba, carro-chefe do carnaval carioca, por sua vez, possui uma cena musical mais ligada tradição e que, portanto, vê a incorporação de elementos “estrangeiros” como uma forma de diluição de sua identidade cultural.

Bem, o carnaval de 2011 está próximo e talvez tenhamos mais pistas se o carnaval de rua carioca vai caminhar mais para a ortodoxia do carnaval pernambucano ou para a “diversidade neoliberal” do carnaval de Salvador.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Redes Sociais Online

No post curto de hoje seguem alguns links com estatísticas e dados quantitativos muito interessantes sobre sites de redes sociais e outros com uma ótima bibliografia sobre o tema e afins. Enjoy! =)Dados variados - em Inglês:

- List of social networking websites
- The top 500 sites on the web
- Social network popularity around the world
- Social Media Usage Statistics
- Social Media Statistics
- Digital Etnography @ KSU
- YouTube Statistics
- YouTube Now Offering Video Statistics (esse site - Tech Crunch - é excelente!)
- Facebook vs. MySpace Statistics
- Social Media in South America: Orkut & Brazil
- Brazil tops league of social media users

Dados variados - em Português:

- Estatísticas de Redes Sociais no Brasil
- Twitter supera MySpace em visitantes únicos em agosto
- Veja mapa das redes sociais no mundo em 2009

Bibliografia - em Inglês e Português:

- Blog da Raquel Recuero
- 106 livros sobre mídias sociais, comunicação e web 2.0 para download
- Reunindo bibliografia sobre aplicativos sociais

Rádio à moda antiga

Por Michele Vieira



Muitos aparelhos de rádio hoje em dia não disponibilizam a freqüência AM, ou seja, temos aí uma questão da materialidade do meio que determinará os usos que se podem fazer dele. É uma pena que muitos aparelhos não possibilitem a escuta das emissoras AM, as quais cada vez mais investem em conteúdos regionais, especialmente na música popular brasileira, como é o caso da Rádio MEC AM, que pode ser sintonizada na freqüência 800 KHz. As saídas são tentar ouvir alguns programas na internet (mas nem todos migraram ainda para esta plataforma), providenciar o velho e bom radinho de pilha ou ir até o auditório ouvir o rádio ao vivo, como nos áureos tempos do rádio.
Na última terça-feira de cada mês, o programa Roda de Choro é transmitido ao vivo do auditório da Rádio MEC e tem entrada franca. Basta o público chegar às 16h e pegar uma senha. Nele, João Carlos Carino apresenta e entrevista compositores e intérpretes, divulga raridades, lançamentos e conta curiosidades sobre este gênero musical.
Já às quartas-feiras, o público pode assistir ao programa “Ao vivo entre amigos”, também com entrada franca, que traz sempre um grande nome de referência da música brasileira. Amanhã o programa apresentará a cantora, compositora e instrumentista, Simone Guimarães, que tem em sua música a influência mineira. Já no dia 27 o programa receberá o Galocantô, um dos principais grupos de samba da atualidade e que está lançando seu segundo CD “Lirismo do Rio”.
Às quintas, um grupo de jovens promove o  “Zoasom”, programa de variedades e musical, que dá espaço para a apresentação de bandas, para debates culturais e de temas de interesse coletivo, sempre com o intuito de fortalecer o conceito de cidadania.
Esses programas de rádio ao vivo me fizeram pensar sobre as relações que os indivíduos podem ter com o rádio a partir desta forma de escuta presencial, além da criação de sonoridades específicas nas quais se incluem a participação da platéia, as palmas, os comentários, enfim, todo o tipo de ruído que o público produz e que pode incidir sobre a sensibilidade dos ouvintes e também nas formas de andamento dos programas.
A partir dessa rápida reflexão, pensei que hoje temos múltiplas formas de se fazer e produzir rádio, em que se mesclam antigos e novíssimos modelos de programação. No entanto, acho que a manutenção dos programas de rádio ao vivo tem sua razão de ser (a qual pretendo investigar) e esses programas tem peculiaridades que constróem uma paisagem sonora bem específica, diferenciada dos programas gravados.
 Não conheço nenhum estudo que diferencie os ambientes sonoros gerados por programas gravados e programas ao vivo. Mas quem conhecer eu agradeço se puder me dar dicas. Também aceito sugestões sobre estudos quem possam me ajudar a analisar essas acústicas tão distintas.

domingo, 17 de outubro de 2010

Air no Rio

Na última quinta-feira, 14 de outubro, conferi o show da banda francesa Air no Circo Voador, palco que tanto gosto. No início da apresentação, meu amigo que estava ao lado me buzinou no ouvido o seguinte comentário: “Se o mundo fosse um lugar legal, esta seria a música que tocaria em elevadores e salas de dentista”... A primeira metade do show foi bastante calma e todas as músicas muito bem executadas. A placidez e elegância da dupla me deixaram um tanto insatisfeita no começo do show no quesito performance, mas assim que a psicodelia se instalou entre sons distorcidos e imagens na segunda metade do show, fiquei muito feliz de estar vendo e ouvindo ao vivo Jean-Benoît Dunckel e Nicolas Godin. Salvas ao batera que arrasou no fim do show. A despeito de a maioria das letras minimalistas serem cantadas em inglês, sempre tive a impressão de que o som do Air soasse mais britânico que francês. Talvez porque minhas referências de psicodelia musical sejam do outro da lado do Canal da Mancha e por saber que eles não tem muito êxito entre seus conterrâneos. Deixo para vocês o clip da música que sintetiza a boa onda que rolou no show: La femme d’ argent.




sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Do próprio veneno

Por Rafael Dupim Souza

O aclamado grafiteiro Banski, que começou fazendo stencils em Londres e Bristol e se tornou ícone do ativismo de rua, foi chamado pelos produtores de "Os Simpsons" para elaborar uma abertura para a série. Com percepção afiada, Banski, a única celebridade com identidade oculta que conheço, voltou seu sarcasmo contra o próprio seriado. O resultado é uma sátira afiada.
Confira.




Tropa de Elite 2: "A Origem" da "Matrix"?

por Gustavo Alonso


Espanto-me de não ver nenhum post no blog sobre o Tropa de Elite 2.
Na verdade não tenho nenhum comentário fundamental sobre a realidade carioca, sobre a situação da polícia militar ou civil, sobre a corrupção de Brasilia como novo alvo do moralismo do Capitão/Coronel Nascimento.

Para começar sugiro o filme a todos. Tudo o que direi aqui não deve impedir ninguém de vê-lo, afinal trata-se de uma obra marcante, novamente, para o cinema nacional. É agil, é dinâmico, é direto, é politico, é informativo, é pedagógico, é muito bom. Não é um filme fácil de se esquecer. Novamente o diretor Padilha e os roteiristas Braulio Montovani e Rodrigo Pimentel conseguem fazer uma obra contundente e talvez mais impactante que o primeiro Tropa. Mas aí começa o meu incomôdo.

Os comentarios gerais dizem que o Tropa 2 é ótimo porque o Nascimento está menos "fascista", porque os personagens estão mais densos, porque a trama é mais atual, por falar de mílicias, por mostrar um BOPE menos justiceiro e mais embrenhado na máquina partidária e governamental, por mostrar armas assassinas como o Caveirão. Mas para quem já havia lido o livro "Elite da Tropa", de Rodrigo Pimentel, André Batista e Eduardo Soares, não há grande novidade. Ou mesmo para quem está minimamente por dentro do que acontece em segurança pública no Rio de Janeiro sabe do íntimo jogo que há entre poder público, milícias, traficantes, Bopes, polícias, etc...

É nesse aspecto que Tropa 2 se mostra forte... e fraco. Ele não quer nada além de ser pedagógico. Isso me incomoda. Vejo neste Tropa 2 mais semelhanças com o primeiro filme do que rupturas. Nos dois busca-se uma resposta para os problemas do RJ. No primeiro havia um quê de justiceiro na trajetória de Nascimento e, embora eu discorde que o filme fosse fascista, acho que ele permitiu este tipo de abordagem. Nesta segunda obra, Padilha não deixou margem para dúvida. Nascimento percebe seu erro, e rompe seus próprios fantasmas pessoais e familiares para descobrir que seu pensamento de 'Rambo' da primeira fita era simplista. Mas o tom pedagógico permanece. O filme ainda quer atingir o ser mediano que habita nossas cidades. Esta é sua potencia e ao mesmo tempo o grande problema da fita.

Afinal, se era para mudar o pensamento mediano e fazer um cinema político, que Padilha advoga a todo momento como necessário em nosso país, porque não lançar o filme ANTES das eleições? Essa eu não entendi. Que questões políticas estão implicadas nessa decisão? Terá sido o filme refém da própria máfia que quis denunciar?

Outra coisa me incomodou ainda mais. Parece que só há uma maneira de falar de violência no cinema nacional. Ela é espetacular, dinâmica e rápida. É visível, é barulhenta, é... enfim... Não discordo de nada disso, afinal cada dia mais a violência no Rio se mostra dessa forma, ou a mídia a mostra desta forma... Tanto faz, na verdade não quero discutir a realidade, mas o cinema nacional. Porque o cinema nacional insiste em nos vender esta realidade? Será essa a única forma de atingir as "massas"? Será esta a única forma de violencia de nossa sociedade?

Parece haver uma moral no cinema brasileiro: tudo tem que ser visível, gritado, berrado, intenso, cuspido na cara do espectador. Tudo é muito duro, é muito "na cara". Das comédias "Se eu fosse você" à fitas "realistas" como "Central do Brasil", "Estômago" e "Segurança Nacional". Para quem conhece um pouquinho do cinema argentino sente que, para os hermanos, o tom é outro. Eles são mais sutis, mas interiorizados, menos explosivos, esfregam menos a realidade na nossa cara, mas nem por isso são menos contundentes. Porque no Brasil o cinema tem que ser assim? Me ocorre uma única exceção, o ótimo "Não por acaso", de Philipe Barcinski. Não à toa a fita tem cara de "argentina".


Todas essas questões me foram levantadas pelo Tropa 2. Mas teve uma última questão que me incomodou mais do que todas as outras. A montagem/roteiro dos filmes sobre violencia pública no Brasil estão se repetindo.

Numa linha que remonta a "Cidade de Deus", os dois "Tropas" são debitários da mesma trama. Acho que é trama que se chama isso né? Desculpem-me os cinéfilos. O que quero dizer é que os filmes começam com uma situação conflituosa, violenta e espetacular. O espectador não entende nada, mas fica intrigado e busca compreender como se chegou até esta situação. O filme promete e cumpre esta promessa. Mostra em todos os detalhes como se chegou até o instante conflituoso. No caso do "Cidade de Deus" trata-se da famosa cena da galinha. Em Tropa 1 é o tiro no baile funk. Em Tropa 2 é a tentativa de assassinato do Coronel Nascimento. Em todos eles repete-se uma trama que cada vez mais se repete. Será esta a única forma de tornar a violência visivel? Será esta a única forma de pensar um enredo?

Estes pensamentos me remetem a outro filme que vi nos ultimos dias e que me incomodou bastante: "A Origem". O filme é fantástico, tecnicamente sobretudo. Apesar das minhas questões, reafirmo que é uma obra necessária nos dias atuais. O filme mostra um grupo de jovens que distorcem e mudam a realidade através dos sonhos e do questionamento sobre o que é verdade e mentira, sonho e realidade, ativo e passivo. É louvável um diretor como Christopher Nolan querer dar pitaco numa questão atual e necessária. Mas algumas questões saltam aos olhos.

Tive vários incomodos, mas o principal deles foi o fato de que, em Hollywood, até os sonhos têm que ser espetáculares. Até aí tudo, bem, não tenho problema com sonhos espetaculares. Mas a verdade é que senti sono, e de fato até tirei uma soneca durante o filme. Sempre sinto sono em filmes de ação. Não veria problema num sonho espetacular se essa não fosse uma forma hegemonica, e cada vez mais repetitiva, de se falar da realidade e também de questioná-la.

Isso me fez lembrar outro filme: Matrix. Saí do cinema depois de ver "A Origem" com a nítida sensação de deja vu. Várias são os links possiveis entre as duas obras. Em ambas há um grupo de "revolucionários" meio confusos à primeira vista; há um discurso da vida como dominação; pretende-se ir além do "real"; há a espetacularização da violência; o mundo alternativo é espetacularizado. Enfim... outros links poderiam ser feitos. O fato é que a distancia entre "Matrix" (1999) e "A Origem" (2010) é de 11 anos. Mas o discurso ainda é o mesmo.

Será a violencia espetacularizada a única forma de levar as "massas" ao cinema? Cada vez mais essa tendência se impõe como hegemõnica. E sua pedagogia parece implicar a desvalorização dos filmes "lentos". Confesso, não gosto muito de filmes "lentos". Mas me incomoda ver a rapidez/agilidade/violencia/espetacular como unica forma de se pensar o cinema.

Voltando a Tropa 2, ao assumir o tom do espetáculo, da rapidez e agilidade da camera e roteiro/montagem/direção, o filme não está muito distante de Matrix. Especialmente porque Nascimento fala infinitas vezes que a situação crítica do RJ se deve ao "sistema" no qual vivemos. Ele não fala de sistema capitalista, mas refere-se à corrupção como "sistema" e o fim da fita mostra pedagogicamente onde atualmente se reproduzem os poderes das milicias e policias corruptas: Brasilia.

Tropa 2 parece querer mostrar que vivemos numa Matrix corrupta e corruptora. Ao apontar o alvo para Brasília, os resposáveis da fita parecem denunciar a necessidade de um "novo" Neo. Nesse sentido não há ruptura com o primeiro Capitão Nascimento. Nesse sentido me decepcionei com este novo Neo, ops, novo Capitão Nasci... ops... Coronel Nascimento. Que mania incessante essa de nascer de novo, e de novo, e de novo. Parece até o "sistema"... ou será essa "a origem" do sistema? ou o sistema de origem?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

SWU

Tendo voltado de São Paulo ontem à noite, recuperada parcialmente do festival SWU (Starts with You), sinto-me na obrigação de escrever sobre ele. Como quase todos sabem, o festival foi criado com a finalidade de juntar música e arte em prol da sustentabilidade e muitos o chamaram de a "Woodstock brasileira". O local escolhido para os três dias de evento (09, 10 e 11 de outubro) foi a fazenda Maeda, em Itu, onde já ocorreram também as festas "XXXperience" em 2009 e "Tribe" em 2008, para citar apenas algumas raves de grande porte.



O SWU impressionou positivamente por vários motivos, dentre os quais destaco:
- a grandiosidade do evento;
- a quantidade e qualidade de artistas escalados para os line ups;
- o fato de terem dado espaço para projetos e bandas não tão mainstream;
- a harmonia da escolha de gêneros musicais distintos, mas que dialogam;
- a estrutura e organização geral do evento (foi tudo bastante pontual em geral; não vi nenhum ato de violência pesada; havia umas filas chatas para comprar comida e bebida, mas nada de mais também);
- a proposta de discutir e fazer sustentabilidade (segundo a organização do evento, absolutamente todo o lixo produzido durante os 3 dias foi ou será reciclado);
- o projeto gráfico todo do evento, que ficou bem bonito e original.

E sem querer dar uma de crítica musical, ressalto, é claro, os shows que mais marcaram, por diversas razões e não necessariamente nesta ordem (ah sim, e contando que infelizmente não fui no último dia): Rage Against the Machine, Dave Matthews Band, The Crystal Method, Glocal, Regina Spektor e Joss Stone.

Dentre os pontos negativos estão:
- o som com volume extremamente baixo em praticamente todas as apresentações (fora na tenda Heiniken, que tava ótimo) e que parou 2 vezes durante o show do RATM;
- o fato de as fichas compradas para comer e beber só valerem até a meia-noite de cada dia.
- os poucos ônibus para voltar da fazenda para São Paulo.

Fora isso, fez um frio do cão no segundo dia, com ventos cortantes e geladésimos, de doer mesmo, mas pra mim isso ainda é um milhão de vezes melhor que um baita calorão.

No mais, só posso dizer que quero mais! Já estou louca para saber quando exatamente vai ter a segunda edição do SWU ano que vem e quem vem tocar.

E quero ver também se SWU e Rock in Rio 2011 vão brigar entre si ou favorecer para que possamos ir aos dois sem problemas.

[pausa para autoavaliação crítica de um docente em quase-crise]

Não sei se já comentei a respeito disso aqui no LabCULT, mas no semestre que corre (e como corre!) estou responsável por uma disciplina do curso de Graduação em Estudos de Mídia da UFF intitulada Comunicação e Globalização – tradição e modernidade entre o local e o global. Inicialmente, ela deveria estar alocada sob a rubrica Comunicação e Identidades Culturais, o que a meu ver daria conta, de maneira mais honesta e transparente, da discussão central do curso, que gira em torno do conceito de Lusofonia e dos trânsitos culturais e simbólicos entre os países falantes da Língua Portuguesa no contexto contemporâneo. Mas por alguma razão que me escapa, a disciplina acabou sendo oferecida como Comunicação e Globalização mesmo, e para piorar o que já não começou lá muito bem, sem que a ementa tivesse sido devidamente informada para todos os inscritos. O resultado é que, no primeiro dia de aula, a galera foi esperando uma coisa e terminou encontrando outra bem diferente. Dava para ver nitidamente, nas expressões pesarosas dos presentes, que problematizar a Lusofonia não era o que se poderia chamar de um tema palpitante. Soma-se a isso o dia e horário ingratos (sexta-feira, das 18h às 22h) e a composição heterogênea da turma, e o que eu vi se desenhar diante dos meus olhos, pelo menos nas três primeiras semanas de curso, foi a incômoda desconfiança de que chegar ao final do semestre com alguma dignidade seria uma tarefa impossível.


Mas eis que, de umas duas semanas para cá, a coisa começou a entrar nos eixos. Se por um lado o caráter desencontrado da turma deixou de me incomodar (“desencontrado” quer dizer que, em dois meses de curso, nunca consegui reunir todos os inscritos em uma mesma aula, e como não faço chamada por razões ideológicas, já aconteceu de determinado encontro ser testemunhado por meia dúzia de dois ou três alunos, sobretudo nas incontáveis vésperas de feriado que acometeram o segundo semestre de 2010), por outro eu fui percebendo que havia um grupo de alunos sempre presente para os quais a discussão estava fazendo algum sentido. É óbvio, e isso eu nunca escondi de ninguém, que tanto a minha investigação de doutorado quanto a supracitada disciplina possuem uma carga militante muito forte, no sentido de que compartilhar com as pessoas as minhas descobertas de pesquisa e fazer circular a informação referente às culturas de Portugal, Angola, Cabo Verde, etc etc etc me dá um prazer tremendo. Mas o fato de isso ser muito claro para mim também obviamente não implica que os demais sejam obrigados a compartilhar deste mesmo entusiasmo, e deve ser por isso, por causa dessa insegurança, que volta e meia eu me surpreendo quase pedindo desculpas por estar submetendo as pessoas a um documentário sobre, digamos, os Heróis do Mar ou a cultura popular de Trás-os-Montes.


Daí a minha surpresa quando, de dois encontros para cá, eu comecei a sentir uma parte da galera efetivamente interessada não apenas nas discussões, como também nos objetos. O ápice desse turning point aconteceu na aula de sexta passada, quando um texto chatíssimo do chatíssimo Eduardo Lourenço serviu de base para uma apresentação extraordinária, porque crítica em relação aos pressupostos teóricos do autor, além de carregada de ironia, o que, vamos combinar, é fundamental numa disciplina que acontece toda sexta de 18h às 22h. Na saída do IACS, quando alguns grilos mais dedicados já se faziam ouvir ao longe, compartilharam comigo uma impressão que fez o meu espírito dormir em paz naquela noite: “Essa aula está me fazendo pensar em assuntos, tipo Portugal e a cultura portuguesa, sobre as quais eu nunca havia parado pra pensar antes”.


Pode haver coisa melhor? Acho que não, e é por isso que decidi compartilhar estas encucações com vocês nesta manhã de quarta-feira. Não sou muito chegado em conclusões moralizantes, mas caso alguém queira extrair deste relato alguma lição para futuras iniciativas docentes, então lá vai: o negócio é ser fiel aquilo a que você se propõe. Pode ser que demore para engrenar, e até pode ser que nunca engrene, mas quando der certo, mesmo que para uma pequena parcela dos inscritos, a sensação será incomparável.


terça-feira, 12 de outubro de 2010

Centro de referência sobre rádio

Por Michele Vieira



A Biblioteca Tude de Souza, localizada na sede da Rádio MEC, é a única no Rio de Janeiro especializada em assuntos sobre o rádio. Além de livros que dizem respeito ao veículo propriamente dito, há manuais com a história do rádio no mundo e no Brasil e livros sobre comunicação, em geral, que dedicam capítulos sobre a trajetória desse meio de comunicação.
O diferencial da biblioteca são as sinopses e resenhas dos livros que disponibiliza on line, ação que ajuda muito num problema em relação a bibliografia sobre o rádio no país, que se encontra dispersa e é bastante reduzida, pois editam-se poucos livros, a cada ano, e com pequenas tiragens que, em geral, não passam da primeira edição. Além disso, as bibliotecas públicas brasileiras, e mesmo as especializadas em comunicação, não dão prioridade ao assunto - o que fica claro quando se constata que a própria Biblioteca Nacional não possui nem a metade dos títulos que a Tude de Souza tem em catálogo.
Outra prática interessante da biblioteca é que ela aceita doações de publicações,  dissertações e teses sobre rádio. Além disso, aceita colaborações do público interessado em fazer resenhas sobre novas publicações. A idéia realmente é tornar-se um centro de referência sobre o rádio no Brasil com o objetivo de auxiliar a pesquisa sobre esse meio de comunicação.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Prêmio Multishow



“Se fosse planejado não teria dado tão certo. Nenhum dos indicados ao Prêmio Multishow desde ano ganhou mais de um troféu. Como a votação é via internet, grupos que tem reduto dentro do computador saíram vencedores: NX Zero (clipe), Cine (grupo), o ultravaiado Restart (música), Rodrigo Tavares (baixista do Fresno, instrumentista) e Luan Santana (revelação). Só o Hori, banda do ídolo teen Fiuk, saiu de mãos vazias. O rapaz ainda foi zoado por Serguei, que definiu as músicas como “rock com letra de pagode”. – revista Billboard Brasil,p.75, Setembro de 2010


A primeira oração desta resenha me soa um tanto irônica: “Se fosse planejado...”, mas vamos deixar o questionamento sobre a integridade do prêmio para fóruns, twitter e afins, o que ela vem nos mostrar é a importância cada vez maior das redes sociais, e neste caso em especial das redes que possibilitam o compartilhamento de música, seja por download ou streaming. As bandas premiadas, super populares entre os jovens, declaram que as redes sociais são parte indispensável na manutenção de seu sucesso.

São formadas redes entre os fãs que criam fã clubes organizam encontros, vão aos shows juntos, essa possibilidade de manter um contato mais direto entre público e banda faz com as relações fiquem mais próximas, e por isso mais fortes e acaloradas. Mas ao contrário do que possa parecer num primeiro momento, administrar estrategicamente essas redes envolve uma série de questões que vai além da propaganda, do adicionar amigos, postar fotos, parece que tem algo a ver com estar conectado há seu tempo, falar com o público certo com a linguagem certa.

Neste sentido artistas consagrados, que ficaram “de fora” do prêmio injustamente, têm muito a aprender com essas bandas novas do “Happy Rock”, ou seja lá o que for.