
terça-feira, 29 de julho de 2008
Cansei de Ser Impresso

segunda-feira, 28 de julho de 2008
No mesmo compasso
Um dos pontos marcantes foi o anúncio da parceria entre a produtora de games Konami e a banda norte-americana Linkin Park. As canções executadas em sua nova turnê, Projekt Revolution, compõem a trilha do novo jogo do fabricante, Rock Revolution. Em cada show, os japoneses irão preparar demonstrações para apresentar seu mais novo lançamento, ao público.
Além de Rock Revolution, outros exemplos que confirmam esta relação foram apresentados. Músicas do novo álbum do Metallica serão ouvidas em Guitar Hero e uma faixa inédita do Guns n´Roses aparecerá em Rock Band 2. Completando, foi exibido o novo console da Nintendo, “Wii Music”, que envolve simulações de 50 instrumentos musicais diferentes.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Resumos! Resumos!
Podem descer a lenha e comentar à vontade [risos].
1. Cartografias do imaginário navegante: reflexões sobre a identidade narrativa diaspórica, o “senso comum mítico” e nosso (des)conhecimento da cultura portuguesa contemporânea
Este paper tem por objetivo mapear os elementos constituintes de um “senso comum mítico” sobre Portugal nas representações da cultura lusa que circulam de forma hegemônica no Brasil. Identifico as evidências da nossa concepção monolítica sobre a cultura portuguesa na recorrência sistemática a determinados temas que se fazem presentes em boa parte das representações consagradas entre nós (como o apelo à tradição, o retorno nostálgico ao passado e a eterna melancolia). Em um segundo momento, problematizo esta concepção ao conceber tais “verdades sobre o caráter nacional português” como discursos socialmente construídos ao longo do tempo, relacionados, em alguma medida às questões de identidade e representação envolvendo a experiência migrante durante os anos do Salazarismo (1933-1974).
2. Muito além da ‘Casa Portuguesa’: uma análise dos intercâmbios musicais populares massivos entre Brasil e Portugal
Este trabalho mapeia e discute os ruídos, os silêncios e as assimetrias que pontuam os intercâmbios musicais populares massivos entre Brasil e Portugal. Ao mesmo tempo em que a nossa percepção sobre a cultura portuguesa contemporânea parece mediada por um “senso comum mítico” profundamente influenciado pelo discurso da tradição, Portugal vem se revelando um receptor entusiasmado da nossa “moderna” cultura da mídia. Tais desequilíbrios se refletem no enorme sucesso de artistas e bandas brasileiras em Portugal, cujo contraponto é o total desconhecimento da produção musical portuguesa contemporânea, sobretudo na seara do pop/rock. Este paper se propõe a questionar a natureza socialmente construída de tais discursos, e assim contribuir para a elucidação de alguns aspectos da dinâmica local-global no âmbito da indústria do entretenimento, relacionados às práticas de consumo musical juvenil e urbano.
3. Quanto vale o fado? Capital cultural, distinção social, legitimação simbólica: proposta teórico-metodológica para a análise do consumo de música portuguesa no Brasil
Introdução
Esta comunicação tem por objetivo investigar em que medida o conceito de capital simbólico, desenvolvido por Pierre Bourdieu em alguns de seus trabalhos mais expressivos (1983; 1986; 1989), pode se revelar uma pertinente ferramenta teórico-metodológica para a compreensão das relações de consumo assimétricas que se estabelecem entre diferentes imaginários culturais (e, sobretudo, musicais).
Como ponto de partida da minha investigação, incorporo o horizonte teórico composto pelos conceitos de Capital Simbólico, Cultural e Social formulados por Pierre Bourdieu, e relacionados às práticas e aos discursos de legitimação e distinção dentro de um determinado campo cultural, na análise dos intercâmbios musicais populares massivos que se estabelecem, hoje, entre Portugal e Brasil. O fato de conhecermos muito pouco (ou quase nada) do que tem sido feito Além-Mar, no âmbito dos gêneros vinculados ao universo do pop/rock ou da música eletrônica (num contexto em que a música brasileira ocupa um lugar quase hegemônico em termos de penetração e popularidade), me parece revelar a existência de uma assimetria no modo como os respectivos imaginários simbólicos e culturais são percebidos, consumidos e reproduzidos em ambos os países (Monteiro, 2007).
Metodologia
Em um segundo momento, desdobro esta idéia de assimetria a partir de duas chaves de leitura que, dialogando com os conceitos de Bourdieu, nos ajudariam a compreender tal desconhecimento, nos termos do valor simbólico que esta produção musical portuguesa possuiria entre nós: o papel da crítica musical (no sentido de legitimar alguns imaginários culturais em detrimento de outros) e dos discursos essencialistas-estereotipizantes (funcionando como esferas de mediação que “contaminam” nossa percepção dos bens culturais); e a noção de gênero musical enquanto orientação mercadológica (fornecendo o substrato teórico para uma reflexão sobre a categoria de world music, onde costumam ser alocados os eventuais artistas portugueses lançados comercialmente no Brasil). Por fim, localizo no escasso valor simbólico, em termos de capital social, que o consumo de música portuguesa (seja ela “tradicional” ou “moderna”) é capaz de denotar, uma das possíveis explicações para a pouca expressividade dos gêneros populares massivos portugueses junto ao público consumidor (sobretudo jovem e universitário) brasileiro.
Resultados e discussão
Ao adotar esta perspectiva, em primeiro lugar, autorizo-me a deslocar as discussões sobre gosto e sobre consumo cultural de uma esfera psicológica e individual para uma dimensão social e relacional. Em outras palavras, longe de corresponder à disposição estética para o belo sinalizada por Kant (que parece emanar naturalmente da subjetividade do indivíduo), proponho que as preferências culturais sejam inscritas no contexto de uma construção de sentido e de valor que é socialmente codificada, a partir dos fluxos de capital simbólico traduzidos em determinados discursos e práticas.
Em um segundo momento, a reflexão originalmente formulada por Bourdieu nos permite problematizar certas posturas eufóricas e populistas que concebem as comunidades de gosto como espaços harmônicos, pautados por relações consensuais que seriam, em alguma medida, unificadas pura e simplesmente pela existência de um repertório comum, ou mesmo pelo desejo de “estar junto” (Hetherington, 1998; Maffesoli, 1987). Ao contrário, pensar os repertórios simbólicos e culturais em termos de capital nos introduz uma nova dimensão: aquela que nos remete à idéia de acumulação, com vistas à determinada finalidade, qual seja, a de afirmar a ocupação de um “lugar social” de onde posso me diferenciar dos demais, em virtude do maior ou menor capital cultural e simbólico que possuo (ou demonstro possuir).
Conclusões.
Decerto há muitas questões envolvendo o nosso desconhecimento da música portuguesa, para além daquelas relacionadas ao valor que ela possui no mercado global das trocas simbólicas, embora tais discursos, em alguma medida, contribuam para estes processos de atribuição de valor. À guisa de conclusão, questiono a quem seria interessante o (re)estabelecimento dos fluxos e intercâmbios simbólicos e musicais entre Portugal e Brasil, numa via de mão dupla, e não em sua atual configuração que, além de assimétrica, é pontuada por ruídos de toda a espécie.
O consumo de bens culturais não pode ser dissociado do valor simbólico que eles contêm, capaz de ser convertido em capital social ou cultural. Antes de defender acriticamente uma maior presença da música popular massiva portuguesa contemporânea no Brasil, portanto, é preciso mapear os eventuais ganhos simbólicos, em termos de legitimação e distinção, que ambas as partes podem extrair desse consumo.
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Hilários e fedorentos
A trupe, oriunda do teatro e da stand up comedy, é formada por Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis. No programa, há espaço tanto para a sátira política quanto para a paródia dos programas da TV portuguesa. O mais bacana do Gato Fedorento é, ao mesmo tempo, o que torna o humor do grupo algo restrito aos patrícios: todas as piadas são muito "enraizadas", por assim dizer, nos costumes da sociedade lusa. Quem é de fora ou não conhece de perto os leitmotivs das piadas corre o sério risco de não achar a menor graça. Ri-se de tudo no Gato Fedorento: do conservadorismo português, do apego ao passado, da hipocondria das "velhas quadradas", num estilo entre o propositadamente tosco e o falsamente elaborado.
Os dois trechos a seguir são exemplares nesse sentido. O primeiro é uma competição entre duas velhinhas para saber qual delas possui mais doenças. O segundo é uma paródia mista do Big Brother com o programa da RTP Grandes Portugueses, que durante o primeiro trimestre de 2007 se propôs a eleger precisamente o que o título do show anunciava, e no final das contas todo mundo se surpreedeu com a vitória do ditador Antonio Salazar, que comandou o país por quase 50 anos. Na gozação do Gato Fedorento, Camões, D. Afonso Henriques (o unificador de Portugal), o Marquês de Pombal e Fernando Pessoa (com seus heterônimos, naturalmente) dividem a casa com um típico tuga que resolve tudo na base dos palavrões. É divertidíssimo, vale conferir.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Portugal na FLIP

Retorno ao cantinho do LABcult após cinco gloriosos dias em Paraty, onde estive acompanhando a já tradicional Festa Literária que, uma vez por ano, superlota as ruas da aprazível cidade do sul fluminense de amantes das letras, leitores-de-ocasião e muita, mas muita gente ansiosa por demonstrar capital cultural - as quilométricas filas de autógrafos depois das palestras de escritores totalmente desconhecidos por estas bandas não me deixam mentir. Mas isso deixa pra lá...
Ok que o dramaturgo Tom Stopard arrasou em seu misto de aula e espetáculo, e que Neil Gaiman ficou seis horas assinando milhões de exemplares de "Sandman", mas como bom obsessivo que sou, não pude deixar de acompanhar a participação portuguesa na FLIP. E se a presença de Portugal no evento não foi propriamente massiva, pode-se dizer que a Língua Portuguesa esteve muito bem representada, sobretudo pelos autores oriundos de África, como Pepetela e José Eduardo Agualusa, este último incorporando cada vez mais - e a sério - um certo charme cafajeste que, para o bem ou para o mal, converte o escritor angolano numa espécie de Marcos Pasquim da CPLP. Ambos participaram, na manhã de sábado (5), de uma mesa cujo tema era a literatura em tempos de guerra, notadamente no contexo africano pós-colonial. O ex-guerrilheiro do MPLA Pepetela (lançando no Brasil o romance "Predadores", justamente pela editora Língua Geral de Agualusa) deu seu recado, mas quem roubou a cena foi a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, de uma beleza ímpar e muito precisa em suas colocações.
Mas vamos por partes: na quinta-feira, dia 3, todas as (minhas) atenções estavam voltadas para a fala de Inês Pedrosa na mesa intulada "Sexo, mentiras e videotape", que com a graça de Deus deixou as mentiras e o videotape de lado para se concentrar no primeiro termo da fórmula. Mediada pelo escritor português José Luis Peixoto (que iniciou sua fala avisando de antemão que sua mãe, embora portuguesa, não possuía bigode - mais sobre José Luis Peixoto daqui a pouco), Inês Pedrosa (ex-editora da Marie Claire lusa) acabou roubando a cena (e os aplausos) de uma mesa que também comportava a divertida gaúcha Cíntia Moscovich e a arredia Zoë Heller (de "Notas sobre um escândalo", recentemente adaptado para o cinema). No decorrer de vários bate-bolas com Peixoto, Inês falou sobre sua experiência como jornalista e sobre as dificuldades de se falar abertamente sobre sexo em Portugal, sem rodeios nem metáforas do tipo "o meu mastro enfurna a sua vela" ou coisas do gênero. Também esteve em pauta o conservadorismo português no que tange ao questionamento dos papéis sociais masculinos e femininos, questão que se faz presente no último romance da escritora, intitulado "A eternidade e o desejo", ambientado no Brasil e recém-lançado por estas paragens via Alfaguara.
No mesmo dia, embora um pouco mais cedo e numa mesa off-off Flip, o onipresente Agualusa mediou um debate sobre Revistas Literárias, que contou com os brazucas João Moreira Salles e João Gabriel (representando, respectivamente, as revistas Piauí e Bravo) e os tugas Patrícia Reis e Francisco Viegas, cujas publicações (a Egoísta e a Ler, nessa ordem) tentam, em alguma medida, romper o marasmo de um mercado editorial que produz mais livros do que capacita leitores a lê-los (alguma semelhança com a realidade brasileira?). Viegas, com seu bom humor, foi particularmente feliz ao apontar as diferenças entre Portugal e Brasil no que tange às dimensões do mercado consumidor de livros ("Lá nos temos cerca de 10 milhões de habitantes, e todos portugueses", acrescentou, sendo recebido com risadas da platéia). Ao final, acenou-se com a possibilidade de a Ler vir a ser publicada em terras tupiniquins, mas fica a pergunta: se as revistas sobre literatura brasileira geralmente naufragam nas vendas e têm a circulação cancelada, será que uma publicação portuguesa sobre literatura contemporânea portuguesa (para além dos Pessoas, Eças e Saramagos de sempre) não teria destino semelhante?
A sexta-feira (4) teria sido um dia morto não fosse pelo misto de leitura e palestra conduzida por José Luis Peixoto num simpático restaurante paratiense intitulado O Café. Lançando no Brasil (pela Record) seu segundo romance, Cemitério de pianos, Peixoto cativou os presentes com sua prosa carregada de dolorosas memórias familiares e imagens fortes. O trecho lido foi particularmente perturbador, o que me levou diretamente à fila de autógrafos, onde tive a oportunidade de trocar algumas idéias com o escritor, que foi extremanente receptivo. Ainda não tomei coragem para encarar a leitura, mas fica a dica do romance para aqueles que desejarem conhecer o que de mais interessante tem sido produzido em Portugal mas não sabem muito bem por onde começar.
domingo, 6 de julho de 2008
Petição online contra a lei de Azeredo
Assinem e divulguem!
Carta-aberta contra a lei Azeredo: assinem!
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Essa carta foi escrita pelo Sérgio Amadeu e o André Lemos e esta circulando para angariar adesões de professores e pesquisadores. Quem estiver de acordo e quiser assiná-la basta mandar um ok com o nome e a instituição para samadeu@gmail.
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EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRAe
A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.
A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.
O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.
E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng)
Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários, colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de instaurar o medo e a vigilância.
Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória "viva" (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do "blogging" na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites e blogs sem pedir autorização de ninguém!
Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado"
O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos... Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?
Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.
Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na Internet brasileira.
quinta-feira, 3 de julho de 2008
Projeto em votação no Senado compromete o uso livre da Internet
Operação Playback, Jukeboxes e Musicovery
