quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Buraka in Rio!

O dia da semana é um bocado ingrato – ninguém merece um show desses numa quarta-feira, ainda mais tendo que acordar com as galinhas no dia seguinte – mas antes quarta do que nunca: o supergrupo português Buraka Som Sistema vem aí, para uma apresentação nobilíssima no Canecão, dentro do Festival Percpan 2010. O baticum rola no dia 06 de outubro, a partir das 20h30, e também conta com a participação do Bloco Cru e da Hypnotic Brass Ensemble.


Não é a primeira vez que Kalaf e cia pisam solo brazuca. Salvo lapso de memória, o grupo já cá esteve em 2005 ou 2006, para um evento que acontecia nos Arcos da Lapa (provavelmente o Skol Beats). Na época, eu nem sabia que se tratava de uma banda portuguesa. Em 2010, o BSS volta à Terra Brasilis com um EP (“From Buraka to the world”) e um álbum (“Black diamond”) estourados no mercado europeu. Não é pouco: tirando Mariza e os fadistas, não consigo invocar o nome de nenhum artista português contemporâneo que tenha decantado o tão desejado sonho da internacionalização como o Buraka Som Sistema o faz.


Buraka é kuduro d’Angola, é eletrônica global, é funk carioca, tudo junto e misturado num caldeirão de matrizes sonoras tão diversificadas quanto o bairro do subúrbio lisboeta de onde o grupo retirou seu nome, triangulação viva e pulsante entre Brasil, Portugal e PALOPs. A tirar pelas faixas de “Black Diamond”, o show promete ser contagiante, e eu seria capaz de apostar os parcos euros que me sobraram depois da Bolsa-Sanduíche que uma participação especial da nossa Deize Tigrona no show do dia 6 não deve ser de todo descartada.


Para quem se animou, aí vai um aperitivo. Os ingressos custam entre 60 (pista) e 280 reais (camarotes).



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Curso de games

Por Michele Vieira

A Seven, escola especializada na qualificação de profissionais para o mercado de computação gráfica, com sede no Centro, criará em outubro uma escola de jogos eletônicos: a Seven Games. No site WWW.sevencg.com.br, os interessados podem fazer as pré-inscrições para o curso que ensinará a criação de games para internet, celular e iPad.
Visando a interatividade nos veículos de comunicação, a escola ensina também a utilização de recursos proporcionados por programas, como o Dreamweaver, Fireworks, Flash, After Efects, Premiere e Autodesk Maya, com o objetivo de preparar os alunos para a produção de animações, aplicações, sites, design de games, animação e modelagem 3D.
A Seven tem o objetivo de atuar nas áreas de webdesign, cartoon animado, mídias interativas, web publish e portfolio.

O Super Site do McFly

Hoje me deparei com um vídeo da banda McFly no YouTube, no qual os membros do grupo explicam que vão lançar, no dia 01 de outubro agora, algo chamado "Super Site". É um site da banda que pretende simular uma cidade virtual, Super City, onde os fãs vão poder interagir tanto com os integrantes da mesma quanto uns com os outros de maneiras as mais diversas (que ainda não estão muito claras), como através de web chats e de uma espécie de sistema de pontos para os cidadãos da cidade (fãs da banda), com direito a prêmios que prometem mais interação com a banda, como falar com um deles ao telefone.



A banda, que é heavy user de Twitter e se dedica a construir uma relação de proximidade com seus fãs, pretende, através do Super Site, congregar em uma única imensa comunidade virtual todas as informações sobre o grupo (biografia, agenda de shows, diário, letras das novas composições musicais, vídeos, fotos etc.) e todos os fãs, no que eles chamam de "the ultimate experience" para os fãs de McFly.

Pretende também criar um espaço onde os fãs vão poder se sentir mais próximos ainda da banda, uma vez que eles poderão dar sugestões de músicas para serem tocadas nos shows, de roupas para a banda usar em programas de tv, ter acesso a imagens da banda - que estará sendo filmada durante boa parte do dia - e por aí vai. Nada que já não ocorresse ou fosse possível fora da Super City, mas a diferença, como um próprio membro da banda disse, é que todo o fluxo de informações vai ficar mais fácil de ser controlado e organizado, uma vez que não estará disperso em diferentes espaços virtuais.

Detalhe: para se tornar mesmo um cidadão da Super City o sujeito vai ter que pagar! Não foi dito no vídeo o valor da assinatura, mas só o fato de ser algo pago já levou vários fãs a se colocarem de certa forma contrários à proposta do Super Site. A banda afirma que mesmo o conteúdo que estará disponível para os não assinantes já vai muito além do que os sites de banda normalmente oferecem.

E para incentivar os fãs a se tornarem cidadãos da Super City vão dar aos primeiros 10.000 assinantes um certificado assinado pelos membros da banda, comprovando que aquelas 10.000 pessoas são as pioneiras da cidade e, claro, vão disponibilizar uma série de conteúdos somente no Super Site, como um curta metragem que a banda fez, e todos os lançamentos de produtos serão feitos primeiro no site.

Alguns fãs que dizem acompanhar a banda desde o seu primeiro dia de existência já disseram que ficaram chateados com esse critério de pioneirismo do Super Site (quem chegar primeiro ganha), uma vez que se consideram pioneiros como fãs da banda, mas não tem certeza de que estarão entre os 10.000 primeiros cidadãos da Super City. Ou seja, certamente vai ocorrer que alguns novos fãs vão ter o tal certificado e os mais antigos - que provavelmente se consideram "mais" fãs pela antiguidade - não o terão.

Acho que o McFly está andando numa direção bacana, por um lado, no sentido de permitir cada vez mais interação entre fã e banda, de diminuir as distâncias entre um e outro, mas por outro lado, vai na contramão de três ideias caras ao mundo da web 2.0: a gratuidade dos serviços, a descentralização das informações e a não ou menor hierarquização entre os sujeitos. Vamos ver se a tal Super City vai funcionar e por quanto tempo.

Photoshop na véia!

por Gustavo Alonso

Gente, achei tão legal esse post do Lucas abaixo que me empolguei nos comentarios! Então resolvi transformar o comentario num post também! aahahahahha! como não sei essa sexta vou poder publicar, fica valendo como se fosse!

Ouço muito em entrevista que faço que os cantores atuais não são bonst de "verdade" pois suas vozes são alteradas eletronicamente... esse post do Lucas mostra que a buraco é mais embaixo... o estatuto da musica està mudando, e muitos ainda continuam querendo jogar no tabalueiro da verdade...

Lembrei de um fato interessante: esta semana fui a casa do fotografo que trabalhou no aniversario de 100 anos de minha voh, em Angra dos Reis. Ele mostrou o album que fez. Para melhorar ainda mais sua obra, fez alteraçoes no photoshop e as comentou todo orgulhoso. Minhas tias, a compradoras do album, adoraram. Claro que ele não colocou silicone na minha voh de 100 anos!ahahahha! Ele, na maior parte das fotos, abriu os olhos que apareceram fechados ou piscando. Além disso "virou" a cabeça das pessoas em direção à camera. Ficou realmente perfeito, impossivel dizer que houve manipulação.

Ele poderia tê-lo feito, sem falar nada sobre as mudançans, fazendo-nos supor que para este bom fotografo todos os rostos estavam sempre virados e os olhos sempre abertos. Mas não! Ele fez questão de dizer e, diga-se de passagem, foi elogiado por isso. Minhas tias não viram isso como intromissão no corpo, mas uma "reeducação" necessaria dos/aos corpos.

Achei espantoso como o discurso sobre o photoshop é parecido tanto quando mexe no corpo de uma mulher da Playboy, quanto no da minha voh de 100 anos. Em ambos caso todos sabemos que rola photoshop e, no entanto/apesar disso, quer que se utilize-o. Cada vez mais é mais desejavel se alterar os corpos, potencializa-lo. E mais do que isso: é louvavel falar sobre isso, celebrar esta possibilidade.

Isto me lembrou que na França, ou até no EUA, quando uma mulher "normal" põe silicone ou faz plastica, ela esconde das pessoas que o fez, ou então nega até quando puder... No Brasil é quase obrigatorio falar da operação plastica feita, os beneficios ao exterior e interior, as dores, a anestesia, de como a plastica fez o operado/a se sentir "melhor consigo mesmo/a".

Minha voh turbinada! E no entanto ela faz parte de uma geração que NUNCA fez plastica! Esta é a ironia dos tempos atuais! Quem diria que ela viveria para sublimar a plastica e passar direto para a fase da cirurgia digital!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Bed Intruder Song: Música?

Quando falamos sobre a reconfiguração dos modelos de negócio da indústria fonográfica, é comum considerarmos elementos como: novas maneiras de produzir e criar música e as várias maneiras que a música circula hoje.

Por isso, já faz algum tempo que queria comentar aqui no blog do LabCult um caso muito interessante. Trata-se da "Bed Intruder Song", feita pelos Gregory Brothers. Se você não sabe do que estou falando, vamos começar do início.

Tudo começou com uma notícia e um vídeo bizarro.


A reportagem falava sobre uma mulher que acordou com um homem estranho na sua cama. Ele invadiu a sua casa e tentou estuprá-la. De tão bizarra, a história poderia parar por aí.

Mas trazendo a lei de Lavoisier para o ambiente digital - onde nada se perde, nada se cria, tudo se transforma/ recria/ reapropria/ faz mash-up - os Gregory Brothers resolveram fazer uma música a partir do vídeo original. Não, eles não se juntaram num estúdio e gastaram exaustivas horas criando a letra e a harmonia, sobre o quase estupro. Usando o Autotune, eles simplesmente "musificaram" o vídeo original.

O Autotune, que começou a ser usado no início dos anos 90 para corrigir a voz dos cantores, também pode ser usado para distorcer a voz humana (ou você acha que a Cher, realmente, tem voz de robô?). Os efeitos usados com Autotune têm sido muito usados recentemente em cantores como o Kanye West e Ke$ha.

Enfim, voltando ao assunto, essa é a música feita pelos Gregory Brothers + Antoine Dodson (o irmão da vítima, que tem um site oficial - antoine-dodson.com - pós-fama-repentina-via-youtube).


Resultado: a música está bombando! O que era mais uma brincadeira da banda - que passou a se apresentar como banda, de fato, depois desse sucesso, inclusive com participação do Weezer em um dos vídeos - entrou na lista de mais baixadas do iTunes, em duas listas da Billboard e virou música "de verdade", dando mais destaque para as outras produções da banda, que podem ser vistas no YouTube (destaque para a Mommy & Daddy Song, outra "clássica" dos Gregory Brothers).

E ganhou status de música pop! Vários covers e remixes. Um cover bem legal é esse aqui embaixo.


Para terminar, gostaria de fazer duas observações sobre a Bed Intruder Song.

A primeira delas vai um pouco na direção do argumento (na minha opinião) equivocado de que "DJ não é músico". Assim como os DJs (não querendo generalizar, mas como essa não é a discussão aqui, vou deixar assim mesmo - perdoem-me, DJs!), os Gregory Brothers podem ser olhados sob a lupa preconceituosa de que eles não são músicos, justamente por se apropriarem de um material já existente, uma espécie de found footage musical, para fazer a sua música. Ora, mais uma vez nos deparamos com a teoria da geração espontânea musical; sabemos que a música nunca foi criada a partir do nada. Aqui, a diferença é que a fonte inspiradora é mais explícita e há o uso de meios digitais para "musificar" algo que, a princípio não era músico.

A outra é sobre a questão da "cultura do amador", tão criticada por alguns autores. Sem querer parecer determinista demais, vemos como a internet faz surgir certas práticas que colocam em xeque alguns papéis e funções que foram tão demarcados pela indústria fonográfica desde os anos 50. No caso da "Bed Intruder Song", há o músico que não é bem músico, que brinca de computador; o compositor que nem sabia que estava compondo a música e os consumidores/ ouvintes que, estando em rede, espalham a música-que-não-é-bem-música transformando-a em música-de-fato; e sem falar nos canais legitimadores como o iTunes, a Billboard e os diversos jornalísticos que falaram sobre o caso.

Modelos de Negócios na Música - Novos Canais de Distribuição


Seminário "Modelos de Negócios na Música - Novos Canais de Distribuição”.

O seminário aconteceu no dia 17 de Setembro de 2010, no auditório do Centro de Artes Calouste Gulbenkian, Praça Onze, Rio de Janeiro. E teve como tema: “divulgação online: web rádios e web TVs!”

Os convidados foram:
-
Filipi Cavalcante
(coordenador e responsável pelo portal Oi Novo Som)
-
Liliane Reis
(jornalista e apresentadora do Estúdio Móvel, da TV Brasil)
-
Felipe Altenfelder
(coordenador, produtor e apresentador do programa radiofônico Independência ou Marte)
-
Rafael Lage
(editor chefe da Rádio Microfonia www.radiomicrofonia.com.br)
- Na mediação,
Daniel Domingues (apresentador do programa da web tv da Ponte Plural)
Realização: Ponte Plural, SEBRAE-RJ (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Rio de Janeiro) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O seminário ressaltou a importância da “música on-line” para os novos negócios musicais, assim como uma atitude cada vez mais empreendedora por parte das bandas. A internet vem como principal veículo de divulgação das bandas que estão cada vez menos dependentes das gravadoras. O vínculo entre fãs e bandas está cada vez mais estreito e esta relação mostra-se cada vez mais proveitosa. Bandas “fenômeno” como a Restart devem parte do seu sucesso à sua desenvoltura nos usos das ferramentas on-line e das redes sociais.
O avanço das cenas locais no interior do Brasil a partir dos anos 90 é conseqüência da chegada da internet nessas localidades. A facilidade de acesso não facilitou apenas para o público ouvir música, mas também os músicos receberam novas oportunidades.
Natália Ribeiro

Baile funk, autenticidade e trabalho de campo

Recentemente comecei a frenquentar bailes-funk aqui pelo Rio por conta de minha pesquisa de mestrado. As primeiras experiências foram na quadra do Emoções, na Rocinha; depois na Ladeira dos Tabajara, no primeiro e icônico baile e realizado numa favela com UPP. Em todos eles me senti muito segura e à vontade. Mas até então estava tudo sendo fácil e pensava que deveria ir em algum baile fora dos limites territoriais onde circulo mais, leia-se a zona sul e centro da cidade.

Comecei a trocar algumas idéias com conhecidos mais assíduos nos bailes e fui convencida de ir ao baile da Mangueira por ele ser um dos melhores, o que na minha cabeça soou como um baile mais “autentico” do que poderia ter sido visto até então. Mas o meu problema com os bailes sempre foi o medo e desconforto que sinto diante da presença de armas. Quando perguntei sobre esse aspecto, as respostas confirmavam que havia gente armada e outras usando drogas, que tudo fazia parte do ambiente e que eu não deveria me preocupar. Entre os que me recomendaram a Mangueira estão o Mc Don Blanquito – que saiu dos Estados Unidos e resolveu ser Mc de funk no Rio - e Alexandra Lippman, também dos EUA, que faz sua pesquisa sobre o mercado de funk. O pensamento que mais instigava era do tipo: “ué, se esses ‘gringos’ já foram lá por que eu que sou daqui ainda não fui?”

Tentei juntar alguns amigos para me acompanharem no tradicional baile e se divertirem também. Para isso mandei emails e saí pelo gtalk tentando conseguir companhia. Alguns diziam para eu ir sim, e me davam dicas de como tomar cuidado, principalmente, na chegada e saída do morro. Mas em outras respostas surgiram várias advertências quanto à “chapa quente” dali - que teria subido de temperatura com o início da instalação de UPP´s na zona norte da cidade -. Com medo, acabei me sentindo desencorajada e fui mais uma vez num tranqüilo baile da zona sul, o do Vidigal, que rola toda sexta-feira de noite. Subi de moto e encontrei grupos de pessoas arrumadas e perfumadas dançando diante da parede de som de onde saíam pancadões, a galera bebendo na rua e barraquinhas de cerveja. Tudo muito bonito de se ver e ouvir.

Mas a sensação de que o Mundo Funk, como escreveu Hermano Vianna, está para além daquele perfumado baile teve um tanto de frustração. E veio a tal questão sobre as recorrentes discussões sobre autenticidade e o underground. Será que um baile autentico tem que ser necessariamente chapa quente? Para ser um lugar ser underground ele deve estar numa zona perigo e oferecer certos riscos?
Uma dos aspectos que acredito caracterizar esse Mundo Funk é a falta de limites: falta de regras tanto estéticas, vide as montagens que incluem desde abertura de Power Rangers e o non sense de uma eguinha pocotó, quanto éticas como os proibidões e o funk sensual tão recorrente em letras e coreografias femininas e masculinas.

Concluo o post dizendo que quando conseguir avançar para outros territórios funkeiros do Rio, compartilho com vocês a experiência. Fato é que ser mulher e morar no asfalto, infelizmente, determina alguns limites da pesquisa do objeto que me proponho a investigar. Enquanto isso Fé em Deus, DJ!

sábado, 25 de setembro de 2010

Adorno e o Jazz

Por Rafael Dupim

Já que Adorno é o tema do mês, resolvi dar uma relida na coletânea “Indústria Cultural e a Sociedade”, focando as partes dos textos em que o autor fala de Jazz. Esse é um dos temas mais controversos da obra de Adorno. Isso porque o Jazz é considerado por muitos como “a grande música do século XX”. Mas Adorno a descreve como símbolo de degradação estética, sintoma da produção cultural voltada a fomentar os meios de massa. Nas linhas do texto, o Jazz estaria para a música assim como a telenovela para as artes narrativas.

Fica claro que Adorno não tinha qualquer intimidade com o Jazz. E que, quando escreveu, ainda não havia para ele o BeepBop, o Cool, o Fusion ou o Free Jazz. O que ele chama de Jazz é na verdade toda a música americana que se espalhou pelo mundo a partir do rádio e também cinema e televisão. Ou seja, Adorno não falava de Jazz. Talvez ele quisesse dizer Pop.

Se trocarmos a palvra Jazz por Pop music, a crítica do autor parece ganhar mais consistência. Ainda assim, sobrariam polêmicas para discutir sua visão. Principalmente aqui, um Laboratório de Culturas Urbanas.

No entanto, temos que levar em conta que, em relação a Adorno, temos a vantagem do tempo. Os textos de Adorno registram o espanto de uma mente brilhante diante do nascimento da cultura de massas. Mas os contornos dessa cultura são hoje bastante heterogêneos. Até mesmo a fronteira entre Jazz e Pop ja não é mais tão precisa.

Para pensarmos mais a respeito dessas fronteiras entre Pop e Jazz, sugiro assitir a “Possibilities”, de 2009. O filme é o encontro de Herbie Hancock com artistas dos mais variados subgêneros do Pop. Hancock é um dos maiores nomes do Jazz ainda vivos (em outro momento dedicarei um post somente a esse mestre). Tocando e cantando com ele no filme estarão Jack White, Sting, Cristina Aguilera, Santana, Beck e outros.

Fica aí um trecho do filme e aquela perguntinha: O que Adorno acharia disso tudo?



CSS: Ser ou não ser indie?

A banda Cansei de Ser Sexy, à qual fui apresentada nos idos de 2006 pelo Lucas e que se tornou um dos cases da dissertação dele, reapareceu no Brasil esta semana depois de longuissimo sumiço. E ganhou duas folhas da Ilustrada da Folha (não tenho o link, pois não sou assinante).

Sob o título "Cansei de Ser Indie", o tom da matéria é o de que a banda se profissionalizou, não toca mais "no quintal da casa de alguém", como fazia antes e que quer fazer uma grande turnê no Brasil, para retomar a ligação com os fãs brasileiros.

Com 7 anos de estrada e de volta à terra natal depois para gravar o terceiro disco, eles declaram que pretendem "retomar a pegada mais espontânea do primeiro" e se afastar de uma certa pretensão de seriedade roqueira do segundo (o Donkey, de 2008).

Ao mesmo tempo, salpicam na matéria informações de que a turnê deles é agora bem mais cara, por isto mais difícil de ser contratada no Brasil. Isto porque conta com uma estrutura que não tinham antes:"empresário, asssistente de palco, iluminador, técnico de som - o mesmo que trabalha com o Motorhead e o AC/DC" - declara a baterista (Carolina Parra).

A gente torce para dar certo. Mas, sei não... fico com a impressão de que a banda ainda não resolveu o dilema "ser ou não ser" indie, que parece ter atravessado a produção do disco anterior e a própria carreira da banda depois do sucesso do primeiro disco. Pois, não custa lembrar que foi exatamente a sonoridade tosca, espontânea, com letras divertidas e despretensiosas. Mais um nome de batismo da banda roubado de uma frase da diva pop Beyoncé - e a sensação de que - sim! aquele bando de desvairadas fofas que não sabia tocar um instrumento mas que se divertia muito no palco ia tocar no quintal da sua casa a qualquer momento! - que despertou o interesse dos fãs pelo grupo.

Depois, veio o sucesso na Internet, o lançamento do priemiro disco pela Trama, depois pela SubPop e o reconhecimneto de revistas tais como a NME, que as indicava como uma das bandas mais hypes do momento a seus leitores.

Eu mesma, quando estava em Montreal em 2008, pude testemunhar o espaço que a banda ganhou nos cadernos culturais indies por ocasião de sua passagem pela cidade, para tocar no Festival Pop Montreal. É assim que esta banda - que tornou-se conhecida por suas estratégias underground e foi uma das primeiras bandas de internet a estourar no Brasil e fora, parece agora estar fazendo o caminho oposto, buscando se legitimar a partir da afirmação de uma carreira mais "profissional". O que, soa, vamos ser sinceros, como um certo retrocesso, não?

Então, é esperar pra ver... Enquanto isto, vamos curtir a deliciosa "Let's Make Love and listen to detah from above" - tosca, fresca, espontânea, electro como poucos faziam no Brasil nos idos de 2005/2006.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

A mulher e o cartão de crédito

por Gustavo Alonso

Nesses dias estava eu vasculhando a internet e procurando uma rádio de música do sertanejo universitário. Quando finalmente selecionei uma rádio ouvi uma música cantada por duas mulheres: era a dupla Ana Elisa e Mariana, ainda pouco conhecida mesmo nos meios sertanejos. Primeiramente chamou-me atenção o fato de ser uma dupla de mulheres e não de homens. Logo depois a música em si me chamou atenção.

A música que tocava chamava-se "Google" e tinha o eloquente refrão: "me joga no Google/ Me chama de pesquisa/ e diz que eu sou tudo o que vocé procurava". Me encantei com o tom descompromissado da canção, com o sotaque das meninas e com o frescor, irresponsabilidade e pouca pretensão de Ana Elisa e Mariana. Aliás o que me encantou foi, além do trabalho das meninas, a possibilidade na música sertaneja de se ouvir coisas "novas" apenas ligando o rádio, coisa que na MPB é bem dificil nos dias de hoje.

Fui procurar o site das meninas: http://www.anaelisaemariana.com.br/. Nele ouvi outra canção ainda mais ingênua e irresponsavel, que pelas mesmas razões me encantou: "Cartão de Crédito".



Quer mulher bonita, cheirosa, gostosa
Então não economiza não
Libera logo esse cartão...

Não tem essa de mulher feia ou mulher bonita
Pra ficar bem na fita, tem que se cuidar
O que existe é mulher cuidada
E mulher mal acabada que não tem com quem contar
Investimento é fundamental
Quer uma mulher que paga pau
Para de economizar...

Vai ficar melhor que modelo
Ou que mocinha de novela
Mulher vai ficar tão bela
Libera logo esse cartão...


Ando ouvindo e cantando esta canção espontaneamente em vários momentos, prática bastante típica da música pop. Além de fácil, a canção é grudenta e a temática, aliada ao sotaque das meninas soa engraçado. Lembrou-me uns amigos de Araraquara, que são exatamente desse jeito e, diga-se de passagem, são adeptos da música sertaneja. Não duvido que já estejam ouvindo Ana Elisa e Mariana.

Mas não se pode deixar de se perguntar sobre o papel da mulher na relação amorosa atual... A mulher que quer o cartão de crédito é indice da mulher submissa? A canção é anti-feminista? Talvez... Mas o que me chamou atenção, depois do choque inicial da mulher que quer o cartão de crétido, foi outra coisa...

O cartão de crédito do marido/namorado é usado para formatação do corpo, para reconstrução do look, para incremento dos afetos ("gostosa, cheirosa"). Alias na música fica claro que há uma pressão para a reconstrução dos corpos, para a reinvenção de si ("Pra ficar bem na fita, tem que se cuidar/ O que existe é mulher cuidada/E mulher mal acabada que não tem com quem contar/ Investimento é fundamental"). A lógica da visibilidade da sociedade atual, como aponta Deleuze, parece nos impor/propor uma eterna reinvenção de si. A cirurgia plástica, as alterações dos perfis do orkut, a multiplicidade de avatares (orkut, facebook, twitter), a virtual extinção da velhice "tradicional"; tudo isso parece apontar para a compulsão pelo novo. A reconstrução de si parece ser tônica da ingenua canção sobre uma prática atual bastante evidente.

Tenho uma amiga alemã que acha um horror como as mulheres brasileiras estão sempre se "turbinando". Ela acha uma supervalorização da exterioridade e uma submissão ao gosto masculino. No entanto acho que esta opinião em parte moralista não dá conta da problemática.

Não dá conta da compulsão de sermos vários na sociedade atual, de termos que contentar a diversidade e a multiplicadade da individualidade que se tornou não apenas fragmentária, mas também diversa de si própria. Há certos elementos de controle nessa prática, claro. Mas parece haver uma possibilidade, apesar de todas as adversidades, de nos reconstruirmos como quisermos. O dificil continua sendo o que se pode querer? O que é possivel querer? Claro que o cartão de crédito pode ser o começo do endividamento na compulsão de ser eternamente diferente... Mas e quando a compulsão de ser diferente se voltar contra o cartão de crédito? Não vejo porque isso não pode ser possivel, apesar de todas as adversidades...

ou não! hahahaahah

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Ivete Sangalo no Madison Square Garden - parte 2

Desde que escrevi aqui no blog aquele post sobre o show da Ivete Sangalo no Madison Square Garden, tenho me interessado pelas estratégias utilizadas por músicos brasileiros em busca de projeção internacional. Como bem me lembrou Simone, a bem sucedida carreira de Carmen Miranda entre as décadas de 1930 e 1950 é um marco para essa discussão. A atriz e cantora luso-brasileira participou de inúmeros produções cinematográficas nos Estados Unidos, gravou grandes sucessos musicais em português e inglês e foi uma das artistas mais bem remuneradas de Hollywood em seu tempo. Depois dela, vários artistas brasileiros como Tom Jobim, Chico Buarque e outros grandes nomes da MPB obtiveram êxito em suas carreiras internacionais, mas nada comparado a trajetória da “pequena notável”, como ficou conhecida Carmen, um ícone cultural de grande visibilidade em todo o mundo.

Voltando para o século XXI, as estratégias utilizadas por Ivete Sangalo também chamaram a atenção do crítico musical do “The New York Times”. Jon Pareles chamou Ivete de “a maior cantora pop do Brasil”, destacou seu “fôlego” e domínio sobre os 15 mil fãs que assistiram o show. Mas segundo ele, “não será fácil” para a baiana “expandir seu território e se juntar a artistas como Beyoncé, Madonna e Shakira como uma pop star reconhecida globalmente”. O jornalista aponta como obstáculos a barreira lingüística do português, mas também o ritmo de sua música: “uma batida que poucos fora do Brasil conseguiriam acompanhar”.

Respondendo a curiosidade do Gustavo, o repertório do show foi preenchido basicamente de grandes sucessos da cantora, em português mesmo. Mas a apresentação contou com três canções em inglês: os hits “Human Nature” (Michael Jackson), Easy (Lionel Richie) e a inédita “Where It Begins” que contou com a participação de Nelly Furtado.

Ainda de acordo com o jornalista americano, Ivete enfrenta um dilema. "Ela tentou uma estratégia de cruzamento internacional: colocar sintetizadores e uma batida 'club' como denominadores comuns em um pot-pourri de hits. Mas desistir completamente da propulsão musical brasileira neutralizaria a música dela”.

Achei interessantíssima essa observação, pois nos permite problematizar a perspectiva romântica que sugere a música como sendo uma arte universal, capaz de ser interpretada ou mesmo consumida da mesma forma por qualquer pessoa, independentemente das diferentes bagagens culturais. É muito comum ver artistas usando esses argumentos. No entanto, as adaptações rítmicas feitas por Ivete revelam que mais do que uma questão da língua em que se canta, existe uma série de elementos musicais que parecem necessitar de “tradução”, ou seja, que deve ser mediada para um novo público. O que é a música que Ivete faz? ( deve se perguntar o gringo) É para cantar, dançar? Dançar como?

Não sou especialista no tema, mas me parece que quando a Bossa Nova repercutiu lá fora, houve uma influência sonora e aproximação com o Jazz, e isso facilitou a aceitação desse estilo de música brasileira em outros países. No caso atual, o Axé Music, parece haver, especialmente no caso de Ivete Sangalo, uma aproximação com a música pop dançante, e a cantora tem intensificado essa relação ao produzir um axé cada vez menos temperado, mais globalizado, digamos.

Daniela Mercury é outra artista baiana que vem buscando novos horizontes musicais, mas de forma mais radical. Muitas das críticas (negativas e positivas) feitas à Daniela são nesse sentido. Para os simpatizantes é uma artista que sabe ousar, que não ficou presa a um modelo bem sucedido, para outros ela optou por uma mistura sonora que confunde o público, não sendo mais identificado com o carnaval e nem com nenhum outro gênero. Hoje o que Daniela produz é muitas vezes interpretado como world music, uma categoria de difícil definição. O seu último álbum Canibália é simbólico nesse sentido. O repertório traz canções de axé, MPB, samba e eletrônico.

Já Ivete Sangalo é mais cautelosa, faz um show de 5 milhões fora do seu país ao som de seus grandes sucessos, e sabe que se a carreira internacional não decolar, todo esse evento ainda repercutirá positivamente aqui no Brasil, onde os fãs aguardam ansiosamente para assistir o show em DVD.




Cultura da Convergência e Henry Jenkins na nova Contracampo

Para os interessados nos temas relacionados à cultura da convergência e narrativas transmidiáticas, aí vai a dica: Está no ar a nova edição da Revista Contracampo, do PPGCOM-UFF, com um dossiê dedicado ao assunto. Além de artigos sobre o tema, essa edição é puxada por uma entrevista exclusiva com Henry Jenkins, autor de Cultura da Convergência (2008), com diversas questões desdobradas das levantadas por Jenkins neste livro, bem como algumas outras interessantes (o reflexo da cultura da convergência e seu viès participativo no processo educacional, nas transformações necessárias na relação entre aluno e professor, por exemplo).

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Making Future Magic: Light Painting com o iPad

Making Future Magic é um projeto artístico-tecnológico-exploratório [palavras minhas, ok?] da agência londrina Dentsu, que consiste em "expandir o valor dos aparelhos de comunicação que criamos ao abordá-los com um conjunto particular de prioridades: fazer um trabalho criativo que contribui para e é responsável com nossa cultura e ambiente; exploratório e sensível no que diz respeito a materiais e mídia; que nos faça imaginar como devem ser as visões mágicas no futuro das mídias".

A primeira realização desse projeto é uma parceria com outra agência londrina, a BERG, e pode ser visto no vídeo abaixo. Nesse trabalho, eles usam o iPad (da Apple) para fazer Light Painting, mesclando técnicas da fotografia e do vídeo. O resultado é impressionante e vale uma olhada.

Filmes portugueses no Festival do Rio 2010

Faz pelo menos uns três setembros que, em nome da preservação da minha saúde mental, eu abdiquei de entrar na pilha do Festival de Cinema do Rio de Janeiro. A gente vai ficando velho e perdendo a paciência pra certas coisas, tipo encarar as intermináveis filas da Central de Ingressos, o desespero da galera para conferir filmes que certamente entrarão em cartaz ainda neste ano e os papos pseudointelectuais da turma que senta sempre nas primeiras fileiras e trata a obra de certos diretores como se fosse uma espécie de religião. Coincidentemente, ou não, meu desencanto com o Festival do Rio calhou de acontecer na mesma época em que iniciei a minha atual pesquisa de doutorado, o que me levou a adotar o seguinte procedimento cinemetodológico: diante da impossibilidade de ver todos as coisas que se deseja, canalizo o que me restou de perseverança para aqueles filmes cuja probabilidade de lançamento comercial a curto prazo parecem mais remotas – os longas portugueses!


A estratégia tem funcionado: desde que passei a recorrer ao método, tive a benção de ver em primeira mão obras que demoraram quase dois anos para serem lançadas no circuito (como os “Fados”, de Carlos Saura, e “Aquele querido mês de agosto”, de Miguel Gomes); outras que, contra aquilo que se esperava delas, permanecem inéditas no Brasil (alguém tem notícias do “Cristóvão Colombo” de Manoel de Oliveira, que desde então já dirigiu mais dois filmes igualmente inéditos nas nossas salas?); e outras tantas que dificilmente verão a luz do dia por aqui, embora tenham feito relativo sucesso no Festival (como me parece ter sido o caso de “Call Girl”, do António Pedro-Vasconcellos, em que se pese o fato de eu achar o filme muito ruizinho).


A seleção portuguesa para a edição 2010 do evento está assim-assim com a sua equivalente futebolística: nada muito empolgante, embora a quantidade seja boa – são ao todo sete longas, distribuídos por quatro mostras. Dois, em particular, chamam a atenção deste que vos escreve, e ambos curiosamente possuem o recém-falecido escritor português José Saramago como ponto de partida: há o doc “José e Pilar”, de Miguel Gonçalves Mendes, mesmo realizador de um filme que muito me intriga, chamado “Floripes”, híbrido fílmico sobre uma lenda algarvia que funcionava muito melhor como documentário etnográfico do que como tentativa de terror gore. E há a ficção “Embargo”, baseada num conto homônimo do vencedor do Nobel, dirigido por António Ferreira, cineasta de Coimbra com um curta (“Respirar debaixo d’água”) e um longa (“Esquece tudo que eu te disse”) de respeito na bagagem.


No mais, há a mais nova obra de Joaquim Leitão, “A esperança está onde menos se espera”, autor quase sempre eficiente em suas pretensões comerciais mas que me parece ter trocado os pés pelas mãos em seu último filme (“A esperança...” entrou em cartaz nas salas portuguesas enquanto eu estava lá, no final do ano passado). A parte da trama que versa sobre a delicada relação entre pai e filho até que é bem conseguida; dureza mesmo é engolir certas forçadas de barra do roteiro, como a do boyzinho da classe alta de Cascais que, diante da falência do pai, é obrigado a ir estudar num colégio público em plena Cova da Moura, o que dá margem a todos aqueles estereótipos sobre periferia que a gente aqui no Brasil conhece tão bem, e que já havia arruinado as pretensões daquela versão modernosa do “Crime do Padre Amaro” cometida por Carlos Coelho da Silva.


As sinopses e os horários das sessões dos filmes portugueses estão listados logo a seguir. Façam bom proveito, e surpreendam-se!


GUERRA CIVIL

(Guerra civil)

de Pedro Caldas. Portugal, 2010. 90min.

Portugal, 1982. O adolescente Rui está passando o verão

numa praia do Sul do país com a mãe, Helena. Enquanto

o marido não chega, ela tem um caso com Zé, rapaz

vinte anos mais novo. Mergulhado num mundo próprio,

povoado de música e desenhos, Rui se distancia cada

vez mais de tudo. A única coisa que parece despertálo

do autismo é Joana, moça cheia de vitalidade que

o fascina. Seu pai enfim chega e tenta com ele uma

aproximação um tanto desastrada. O verão se aproxima

do fim e Rui permanece dividido entre seu mundo lúdico

e as pulsões sexuais da adolescência.

Expectativa 2010 - (LEP) - 14 anos

QUA (29/9) 14:15 Estação Botafogo 1 [EB135]

QUA (29/9) 20:15 Estação Botafogo 1 [EB138]

QUI (30/9) 17:20 Est Barra Point 1 [BP133]

DOM (3/10) 16:00 Est Vivo Gávea 1 [GV147]

DOM (3/10) 22:30 Est Vivo Gávea 1 [GV150]


JOSÉ & PILAR

(José & Pilar)

de Miguel Gonçalves Mendes. Portugal / Brasil / Espanha,

2010. 125min.

A partir do registro do dia-a-dia da relação entre José

Saramago e a jornalista espanhola Pilar Del Río, acompanhamos

de forma intimista o casal em sua casa nas

ilhas Canárias e em suas viagens pelo mundo. O ponto

de partida é o processo de criação, produção e promoção

do romance A Viagem do Elefante, desde o momento

da construção da história em 2006 até o lançamento

do livro no Brasil em 2008. A ficção do romance reflete

o percurso do próprio autor, sendo a dura e custosa viagem

do elefante um espelho de seus desafios pessoais,

entre a doença, o trabalho e o amor por sua esposa.

Panorama do Cinema Mundial - (LP) - 10 anos

SAB (25/9) 14:30 Espaço de Cinema 1 [EC108]

SAB (25/9) 19:00 Espaço de Cinema 1 [EC110]

TER (28/9) 15:20 Estação Ipanema 2 [IP222]

TER (28/9) 19:40 Estação Ipanema 2 [IP224]

DOM (3/10) 18:00 Cine Glória [GL040]


FRAGMENTOS DE UM DIÁRIO

(Fragmentos de um Diário)

de Marco Martins, André Príncipe. Portugal, 2010.

90min.

Concebido como uma espécie de diário de viagem ou

caderno de notas, o filme apresenta o encontro dos

diretores com alguns dos mais significativos fotógrafos

japoneses contemporâneos. Conversando sobre as

obras, eles propõem uma reflexão sobre a natureza da

criação de imagens e da narração de histórias, além do

próprio processo do diário. Pois, acima do tema, está

o registro artístico do filme, que se inspira no trabalho

dos retratados para criar uma visão pessoal de alguns

dos mais importantes fotógrafos atuais e dos espaços

que eles fotografam.

Itinerários Únicos - (LP) - 10 anos

TER (28/9) 16:00 Cine Glória [GL018]

QUI (30/9) 16:00 Oi Futuro em Ipanema [FT028]

QUI (30/9) 20:00 Oi Futuro em Ipanema [FT030]

SEX (1/10) 13:30 Estação Botafogo 3 [EB343]

SEX (1/10) 17:30 Estação Botafogo 3 [EB345]


A ESPERANÇA ESTÁ ONDE MENOS SE ESPERA

(A esperança está onde menos se espera)

de Joaquim Leitão. Portugal, 2009. 120min.

Lourenço tem 15 anos e estuda em uma prestigiosa escola

particular, onde será premiado como melhor aluno.

Seu pai, Francisco Figueiredo, é um treinador de futebol

em ascensão, cujo time foi classificado para a final da

Copa de Portugal. Mas, quando tudo não podia estar

mais perfeito, Francisco é demitido por negar-se a fazer

algumas concessões exigidas pelo clube. Lourenço é

então transferido para uma escola pública frequentada

por jovens de um gueto próximo a Lisboa. Ao mesmo

tempo em que tenta se adaptar à nova realidade, ele

deve ajudar seu pai a reencontrar a dignidade perdida.

Panorama do Cinema Mundial - (LEP) - 12 anos

QUI (30/9) 15:10 Est Vivo Gávea 4 [GV432]

QUI (30/9) 21:50 Est Vivo Gávea 4 [GV435]

SEX (1/10) 12:30 Espaço de Cinema 1 [EC143]

SEX (1/10) 19:15 Espaço de Cinema 1 [EC146]

SAB (2/10) 21:40 Est Barra Point 2 [BP245]


EMBARGO

(Embargo)

de Antonio Ferreira. Portugal / Espanha / Brasil, 2010.

83min.

Nuno vende sanduíches numa carrocinha. Um dia ele

inventa uma máquina revolucionária, que promete

transformar a indústria de calçados: um digitalizador de

pés. Sem condições de produzí-la sozinho, tenta vender

a invenção sem sucesso. Em meio a um embargo petrolífero,

Nuno depara-se com uma grande dificuldade

e torna-se obcecado com a possibilidade de atingir o

sucesso e conquistar seus sonhos. Quando fica estranhamente

preso dentro de seu carro, e perde com isso

uma oportunidade única de produzir o seu invento, vê

subitamente sua vida embargada. Adaptado do conto

homônimo de José Saramago.

Expectativa 2010 - (LP) - 12 anos

SEX (1/10) 17:20 Est Barra Point 1 [BP138]

DOM (3/10) 13:00 Estação Ipanema 1 [IP146]

DOM (3/10) 17:20 Estação Ipanema 1 [IP148]

SEG (4/10) 14:00 Estação Botafogo 1 [EB170]

SEG (4/10) 20:00 Estação Botafogo 1 [EB173


AMÉRICA

(América)

de João Nuno Pinto. Portugal / Espanha / Rússia / Brasil,

2010. 111min.

Victor, um charlatão, e Liza, atraente jovem russa, vivem

num precário e caótico bairro nos arredores de Lisboa.

Quando a ex-mulher de Victor volta para Portugal propondo-

lhe que iniciem um negócio de falsificação de

passaportes, a casa torna-se num nicho de vigaristas e

falsários em busca do próximo esquema. Com a chegada

de imigrantes de Leste europeu, Liza descobre um

novo amor e vislumbra uma nova perspectiva de negócios,

cujas consequências são inesperadas.

Expectativa 2010 - (LEP) - 14 anos

SEX (24/9) 16:00 Est Vivo Gávea 1 [GV102]

SEX (24/9) 22:30 Est Vivo Gávea 1 [GV105]

SEG (27/9) 17:40 Est Barra Point 2 [BP218]

QUI (30/9) 12:30 Espaço de Cinema 1 [EC137]

QUI (30/9) 19:15 Espaço de Cinema 1 [EC140]


COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO

(Complexo: Universo Paralelo)

de Mário Patrocinio. Portugal, 2010. 75min.

Em 2007, dois irmãos portugueses decidem fazer um

documentário no Complexo do Alemão, considerado o

maior e mais perigoso aglomerado de favelas do Rio de

Janeiro. Experimentando o que é acordar e dormir ao

som de tiros e testemunhando ações da polícia, buscam

dar conta do que é viver como simples habitantes deste

universo paralelo, onde o poder do governo não chega.

Lá convivem com D. Célia, mãe de oito filhos, crente

que tudo é possível; MC Playboy, funkeiro que luta para

unir a chamada “cidade partida”; e Seu Zé, presidente

da associação dos moradores há mais de trinta anos.

O Brasil do outro - (LP) - 14 anos

SAB (25/9) 19:30 Odeon Petrobras [OD008]

DOM (26/9) 16:00 Cine Glória [GL010]

SEG (27/9) 13:50 Est Vivo Gávea 1 [GV116]

SEG (27/9) 20:20 Est Vivo Gávea 1 [GV119]

TER (28/9) 17:00 Cinema Nosso []

20:00 Ponto Cine []