Para os interessados nos temas relacionados à cultura da convergência e narrativas transmidiáticas, aí vai a dica: Está no ar a nova edição da Revista Contracampo, do PPGCOM-UFF, com um dossiê dedicado ao assunto. Além de artigos sobre o tema, essa edição é puxada por uma entrevista exclusiva com Henry Jenkins, autor de Cultura da Convergência (2008), com diversas questões desdobradas das levantadas por Jenkins neste livro, bem como algumas outras interessantes (o reflexo da cultura da convergência e seu viès participativo no processo educacional, nas transformações necessárias na relação entre aluno e professor, por exemplo).
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quinta-feira, 23 de setembro de 2010
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
"Especialistas" do MEC ignoram convergência tecnológica
Reproduzo abaixo mensagem do colega Afonso de Albuquerque sobre as Diretrizes da Comissão de Especialistas do MEC para os cursos de Comunicação. Conforme discute o colega, em argumento que assino embaixo, a discussão envolve concepções retrógradas sobre as dinâmicas tecnológicas e ignora as principais reconfigurações do ambiente comunicacional em rede do século XXI. A mensagem foi enviada à lista da COMPÓS.
"A quem interessa a fragmentação?
Por Afonso de Albuquerque
Acho que não são apenas algumas mudanças de nome e de perfil que ameaçam uma concepção mais abrangente do ensino da comunicação. É o espírito da reforma como um todo. E acho que a ameaça não se limita à graduação. A médio prazo o objetivo do movimento é alterar também a lógica da pós-graduação, impondo também a ela um modelo fragmentário.
Não se trata de especulação vazia. Basta observar o documento da Comissão de Especialistas - sempre me espanta a falta de transparência e de consulta pública com que o MEC define quem é "especialista" - responsável pela elaboração das Diretrizes Nacionais para o Curso de Jornalismo
(ver http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/documento_final_cursos_jornalismo.pdf)
Não se trata de especulação vazia. Basta observar o documento da Comissão de Especialistas - sempre me espanta a falta de transparência e de consulta pública com que o MEC define quem é "especialista" - responsável pela elaboração das Diretrizes Nacionais para o Curso de Jornalismo
(ver http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/documento_final_cursos_jornalismo.pdf)
Tomo a liberdade de reproduzir o primeiro parágrafo das suas Recomendações Finais:
Com a finalidade de tornar compatíveis o requisito da titulação do corpo docente e a necessidade de aderência às disciplinas ministradas, a Comissão de Especialistas recomenda a criação de um Programa Nacional de Aperfeiçoamento Docente destinado às novas gerações de professores de Jornalismo. Muitos foram titulados pelos cursos de pós-graduação da área teórica de Comunicação ou de disciplinas conexas, sem ter exercido plenamente a profissão e não raro sem o domínio cognitivo da sua especificidade. Concomitantemente, deve ser fomentada, nas Escolas de Comunicação, a abertura de cursos de mestrado e doutorado com áreas de concentração em Jornalismo, para atender à demanda crescente de novos professores para os cursos de graduação e de projetos de pesquisa científica na área. (grifos meus)
Afora o absurdo evidente de uma comissão criada para normatizar cursos de graduação em jornalismo extrapolar a sua autoridade para também normatizar a pós-graduação - o que significa simplesmente passar por cima da Compós como forum de debate sobre o assunto - fica evidente uma atitude preconceituosa em relação à formação teórica em Comunicação. Como esta é a matéria prima básica do nosso modelo de pós, dá para se ver o tamanho da ameaça.
Com a finalidade de tornar compatíveis o requisito da titulação do corpo docente e a necessidade de aderência às disciplinas ministradas, a Comissão de Especialistas recomenda a criação de um Programa Nacional de Aperfeiçoamento Docente destinado às novas gerações de professores de Jornalismo. Muitos foram titulados pelos cursos de pós-graduação da área teórica de Comunicação ou de disciplinas conexas, sem ter exercido plenamente a profissão e não raro sem o domínio cognitivo da sua especificidade. Concomitantemente, deve ser fomentada, nas Escolas de Comunicação, a abertura de cursos de mestrado e doutorado com áreas de concentração em Jornalismo, para atender à demanda crescente de novos professores para os cursos de graduação e de projetos de pesquisa científica na área. (grifos meus)
Afora o absurdo evidente de uma comissão criada para normatizar cursos de graduação em jornalismo extrapolar a sua autoridade para também normatizar a pós-graduação - o que significa simplesmente passar por cima da Compós como forum de debate sobre o assunto - fica evidente uma atitude preconceituosa em relação à formação teórica em Comunicação. Como esta é a matéria prima básica do nosso modelo de pós, dá para se ver o tamanho da ameaça.
De resto, a reforma da graduação é de um fantástico contra-senso. Para começar, ela mistura alhos e bugalhos. Jornalismo, Publicidade e RP são campos de atuação profissional, Rádio, TV e Internet são tecnologias da Comunicação, que têm interfaces evidentes com Cinema e Audiovisual - alguém conhece alguma televisão que não veicule produtos audiovisuais? - e multimídia é... Alguém ainda se lembra o que é multimídia?
Em segundo lugar, ela ignora inteiramente a realidade do mercado de trabalho deste século: a convergencia das linguagens e dos meios, dos usuários ativos, das redes sociais e assim por diante. O mercado de trabalho real, que emprega uma grande (e crescente) parcela dos alunos que saem da faculdade hoje.
Acho bizarro sugerir que ninguém trabalha com "comunicação", mas com "jornalismo", "publicidade" e etc. É justamente o contrário. As pessoas hoje trabalham com comunicação em um sentido integrado, muito mais do que dentro de fronteiras habilitacionais específicas. É público e notório que o mercado de trabalho das organizações jornalísticas stricto sensu está em declínio. Provavelmente, o setor que mais emprega jornalistas no Brasil é a assessoria de imprensa. E só no Brasil assessor de imprensa é jornalista... Os profissionais "puro-sangue" ambicionados por este modelo são, hoje, espécies em extinção. Simplesmente não há mais lugar para eles no mercado de trabalho.
De onde vem tanta cegueira? Provavelmente da repulsa mal disfarçada (se é que em algum momento disfarçada) em relação à formação teórica em Comunicação. A formação prática só permite olhar para o passado. Reproduzir modelos estabelecidos. E quando as coisas mudam, e estes modelos entram em crise? Neste caso, o que entra em De onde vem tanta cegueira? Provavelmente da repulsa mal disfarçada (se é que em algum momento disfarçada) em relação à formação teórica em Comunicação. A formação prática só permite olhar para o passado.
Reproduzir modelos estabelecidos. E quando as coisas mudam, e estes modelos entram em crise? Neste caso, o que entra em jogo é a capacidade de diagnosticar a situação, avaliar os elementos envolvidos e propor sugestões originais.
A minha sensação é que o verdadeiro objetivo da reforma é deter a evolução da formação superior em comunicação. Evolução inevitável, dado que as coisas estão mudando, e estão mudando rapidamente.
Querer parar a história a golpes de burocracia é algo que nunca dá certo.
abraços,
Afonso"
abraços,
Afonso"
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