segunda-feira, 31 de agosto de 2009

we all wanna be noticed

No auge da época em que adolescentes (e caham, adultos, porque não?) constroem a própria identidade a partir da cultura midiática, o produtor Felix Da Housecat lançou o single We all wanna be Prince. Pro que eu respondo com o tom da Xuxa no famoso viral, em relação a ganhar uma viagem pra Disney: e quem não quer?

Achei que vale a pena a postagem deste clip porque nele estrelam várias celebridades de Internet e Internet-celeb wannabes. O autor de um dos tablóides em formato de blog mais famosos do mundo, Perez Hilton, é uma das estrelas. Aliás, ele tem sido bem arroz-de-festa. Que eu tenha tido notícia até agora, em 2009 ele cantou num single do Larry Tee e fez uma ponta muito da trash numa música das Pussycat Dolls. Que eu acho também meio esquisitas, apesar de ter amigos que gostam.

Pros que decidirem ir adiante e ver o video: sim, ele é trash. E divertido. Vale, pelo menos, pelo valor documental das cenas reais de festas e pelas personalizações do Prince.


Ludov e as novas estratégias musicais



Ludov, banda paulista (que gosto muito) lançou em Julho o seu mais novo album. E prá não fugir a nova ordem musical, disponibilizou todas as músicas para download gratuito através do Mondo 77 FM. Aliás, já postei aqui, lá pelos primeiros meses do blog, sobre esse site que reune trabalhos de bandas independentes e na maioria das vezes disponíveis para baixar livremente. Das 19 novas músicas do Ludov, 12 foram lançadas no CD e as outras 7 só foram lançadas em formato digital. A banda também inovou ao transmitir o show de lançamento pela internet. Outra coisa interessante é a candidatura da banda para a abertura do show do The Killers no Brasil. A empresa responsável pelo show (Mondo Entretenimento) lançou um concurso no Twitter para eleger qual banda nacional abrirá para o quarteto de Las Vegas (Meu medo é que dê NX Zero). Aliás, show comentadíssimo, no qual pretendo comparecer. Mas voltando ao Ludov, essa banda já teve maior visibilidade, chegou a assinar contrato com a gravadora DeckDisc, teve vários clipes na programação da MTV e até ensairam alguns hits radiofônicos. Hoje a banda segue apoiada pelo projeto Mondo 77 (uma espécie de selo especializado na cena indie e em consumo via internet), lançando álbuns com regularidade. O Ludov é um ótimo caso à se estudar sobre novas estratégias de mediação musical. Em tempos de internet, a banda faz o trabalho de casa direitinho. Tem comunidade no Orkut, site, blog, e praticamente todas as ferramentas sociais disponíveis, todos muito bem atualizados e sempre buscando aproximar os fãs da banda trazendo informações sobre as turnês, as gravações e contando com os admiradoes para promover o trabalho do grupo. E vejam só; com eficiência, afinal o que é esse post mesmo?

domingo, 30 de agosto de 2009

dally digital

Dally Schwarz, minha colega de graduação em Estudos de Mídia, além de ser ótima aluna faz incursões artísticas das mais variadas modalidades.

Como o nosso blog gosta de apropriações criativas dos meios digitais e de cultura midiática, resolvi mostrar por aqui um trabalho dela chamado Roscharch. Aproveito também para colocar a minha sardinha mais perto da brasa, já que ela usou uma música deste que vos escreve como trilha sonora.

Vale a pena conferir o blog da moça.



dalicca
28 de agosto de 2009

Como nós vemos?
O que podemos representar?
Todas essas inquietações perpassam minha mente,
quando olho um retrato,
Ao olhar o meu
Vejo uma forma mutante
que transforma-se.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Funk "do bem"? Hein?

Hoje vou encontrar amigos na Lapa. Mas, amanhã, se ficar no Rio, com certeza estarei no festão Back2black, que rola na Estação de Trem da Leopoldina.
Tem tudo pra dar certo. Em primeiro lugar, porque aquela locação é linda, charmosa, superbacana para festas.
Em segundo, e razão principal, porque as atrações são de responsa. Banda Black Rio tocando tributo a Tim Maia; e, delícia das delícias, o funk de Sany Pitbull e dançarinos,mais os gêneros Kuduro e um tal Krumping (de Los Angeles,conheço não). Pensa que acabou? Ainda tem a festa Blax. Tudo bacana! Tudo de primeira!
Quem ainda guentar (esta parte, tô fora!), pode chegar cedo (20 horas), pra pegar o debate sobre África e afins.

Alívio ver o funk (só) nas páginas de atrações do fim de semana. É que este debate que tem rolado em torno do projeto de lei que dificulta as festas do funk teve falas bizarras.
Antes que alguém se manifeste - não preciso repetir que adoro funk e acho, plagiando o DJ Marlboro, que esta é a música eletrônica popular brasileira por excelência.

Por isto mesmo, tremo quando leio declarações tais como a da nossa secretária de educação, Teresa Porto, que diz que defende o "funk do bem, sem incentivo à sexualidade e à violência".No argumento da senhora, a defesa do funk e o apoio ao tal projeto que propõe a transformação do funk em movimento cultural - encabeçado pela Apafunk - vêm junto com a idéia de usar o funk nas escolas, "com letras positivas".

Meda, meda, meda! Isto me lembra os mentores culturais da ditadura do Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, quando resolveram fazer uma "pedagogia" para "melhorar" as letras do samba. E aí, censuraram um monte de músicas que falavam do malandro, cujo caso mais notório foi o da canção "O Bonde de Sâo Januário" (que teve que mudar o refrão "leva mais um otário, sou eu que vou trabalhar - para "leva mais um operário, sou eu que vou trabalhar".

Não, não estou dizendo que estamos na ditadura e reconheço os contextos culturais distintos. Também reconheço as boas intenções do argumento. Mas, a comparação surge porque me parece que os "letrados" têm muita dificuldade para lidar com o funk, dentre outras razões, por conta das letras "pobres". Claro que não acho nada disto pobre, não. Acho divertido, criativo, sacana, despudorado. Só um exemplo - O rap das armas - do mesmo Leonardo (mais o Júnior) que dirige a Apafunk - é maravilhoso porque traduz em onomatopéias a presença das armas (tá,tá,tá,tá,tá,tá,tá, tá,tá.) Criativo, poético e, ao mesmo tempo, um soco no estômago.
E têm mais dificuldade ainda -junto com a esquerda - para lidar com expressões que são puro entretenimento.

Funk não é hip-hop, minha gente! Graças a Deus, não é! O funk nunca quis "conscientizar" ninguém. E nem por isto deixou de traduzir as múltiplas vozes dos favelados, pretos ou quase pretos do Rio de Janeiro.

Mas, nem tudo é consciência. Diversão é solução sim! já urraram os Titãs.

Aqui, abro parêntese para aluninhos de graduação desavisados e engajados. Não, isto não é alienação. Pelo contrário. É o reconhecimento de que a dimensão lúdica, festiva, ritualística da vida cotidiana tem que ser respeitada como ela é, aqui e agora! Gostem ou não os "regradores de povo".

Então, em alguns discursos que li nestes dias, senti que esqueceram o principal. Que funk é bom porque é musica pra dançar, tocado em caixas de som altissimas, que enfatizam os sons graves. É bom porque é música que mexe com os quadris e com o bumbum.É corporal, erótico e poderoso como toda a música negra que saiu dos guetos e conquistou o mundo.

Então, vida longa ao funk e à luta pela sua livre expressão e visibilidade.Contem com meu apoio.
E fora! a qualquer discurso moralizante, oportunista e "melhorista" do funk.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

we were warned


O último filme de Roland Emmerich, diretor de Independence Day, se chama 2012.

Já deve ter chegado até os ouvidos - ou olhos - do(a) leitor(a) que este ano será supostamente o prazo para o acontecimento do apocalipse. Eu não acredito muito nisto, apesar de querer muito que dê tempo de ver um show do Bowie até lá.

De qualquer maneira, eu não estou aqui para refletir sobre profecias. O que chegou até mim foi este novo poster publicitário do filme, em que o Cristo Redentor está a ponto de cair sobre os pobres turistas que deram azar de dar as caras no Corcovado no dia do juízo final.



Tem brasileiro que achou de mau gosto. Mas será que este é mesmo o caso? Ora, lembremos que o plote de Independence Day é sobre uma guerra entre humanos (norte-americanos, lógico) e alienígenas bem no 4 de julho.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DJ de celular


E Falando em DJ, olha que interessante esse lançamento. The Beat Edition é uma nova linha de celulares que privilegia a música como função agregada mais importante e apresenta vários recursos de escuta, armazenamento e manipulação de arquivos sonoros. O hotsite está super sofisticado e apresenta todos os recursos dos aparelhos. Entre eles está a interface, dotada de uma tela sensível na qual um disco permite fazer scratch nas músicas em reprodução. A ferramenta promete ao usuário ter a experiência de um DJ via celular. Associada a rede MTV, a Sansung lança também um concurso que pretende eleger o melhor músico de celular. A empresa está correndo atrás do prejuizo depois que a Motorola e a Sony Ericsson investiram pesado em "aparelhos celulares musicais" com bastante sucesso. O design desses novos aparelhos servem para afirmar como o telefone móvel é hoje uma das plataformas musicais mais privilegiadas pela nova geração e, ao contrário do que se poderia pensar, esses novos consumidores não dispensam a materialidade nas práticas de escuta musical, apenas tem mudado, em alguns casos, o foco de determinados formatos (vinis, cassetes e CDs) para outros (o próprio player). Ah, antes que me perguntem, os tais celulares também trazem a função rádio FM, com direito a RDS.




Não vote em mim! DJ Mag e sua busca por legitimação

Muito tempo depois daquela postagem minha sobre a votação de melhor DJ do mundo realizada pela revista DJ Mag, tema que gerou uma produtiva discussão em nossos encontros e teve pesquisa aprofundada na dissertação do colega labcultiano Marcelo Garson, eis que o "concurso" volta a gerar polêmica. O DJ de Hong Kong Ricky Stone tem circulado na rede uma campanha contra a votação intitulada "Don't vote for me" - Não vote em mim. Ao afirmar "nós não acreditamos nessa lista, ela não significa nada", o DJ alega que o resultado da votação resume-se a uma campanha de marketing. O comentário deixou a editora-chefe da revista DJ Mag Lesley Wright incomodada. Veja o que ela disse ao site Rraul:

"Ele sugerir que a votação é apenas um espelho de quem tem um marketing forte é certamente engraçado. Eu nunca vi ninguém embarcar em campanhas tão fortes quanto Stone".

"É engraçado da parte dele chutar o Top 100 depois de ter se anunciado como 'o DJ número 1 da Asia' logo após sua primeira aparição na lista, continuou. "Não há dúvida de que ele ganhou mais fama e mais gigs por conta disso".

Como é possível notar, não são apenas os DJs que lutam para se legitimar, a própria DJ Mag busca sua legitimação. A Votação já está aberta e esse ano vai até 23 de Setembro. Vale a pena votar? Só fiquei na dúvida sobre a posição do site Rraul. Segue o link para o texto na íntegra. Tire suas próprias conclusões.

Hoje é dia de Feira

Alguém é servido?

Alguém é servido? - Parte II

Entrelinhas


Para Anton Corbjin



A termofotografia de Adolfo Luxúria Canibal revela que o vocalista do Mão Morta está à beira da combustão.


A coisa mais divertida de se fazer em Lisboa durante o mês de agosto é apanhar uma barca ou os comboios transtejo da Fertagus e conferir as inúmeras festas populares que rolam do lado de lá do rio, em locais como Amora, Corroios e Barreiro. Noves fora o perrengue que é para voltar depois, a experiência costuma ser bastante divertida. A margem sul estaria para o lado de cá de Lisboa mais ou menos como Niterói estaria para o Rio de Janeiro, embora seja uma Niterói com pitadas de Baixada Fluminense e Subúrbio Carioca – o que quer que signifique essa conexão que acabei de fazer. Há aquele onipresente cheiro de fritura no ar, inúmeras barraquinhas de churros cada uma mais multicolorida do que a outra, bancas vendendo de bolsas a sapatos, passando por brinquedos made in china e artesanato africano (e quando as vendedoras, uma de cada lado da rua, começam a disputar clientela em altos brados – “cincó euros, cincó euros” – é de rolar de rir) e uma polifonia musical de fazer inveja ao bakhtiniano mais convicto. Imaginem que, para além dos sistema de som da própria rua e do falar ininterrupto das pessoas, cada banquinha às vezes inventa de fornecer o seu próprio som. Outro dia mesmo, no Barreiro, pouco antes da apresentação do fadista Camané no palco principal, “Você não vale nada mais eu gosto de você” disputava freqüências sonoras como “Total eclipse of the heart”...
As Festas Populares são uma mistura de circo e feira, pontuadas por atrações musicais – gratuitas! – que primam por um ecletismo beirando o nonsense. O palco principal das Festas de Amora, por exemplo, abrigou desde a veterana banda de rock UHF até o one-man-(boy)-band Angélico, spin off musical da consagrada novelinha teen Morangos com Açúcar – embora haja quem sustente que a diferença entre UHF e Angélico não seja tão grande assim. Em Corroios, rolam shows tão díspares entre si quanto o hardcore visceral do Mão Morta e os bacalhaus & cabritinhas do mestre Quim Barreiros. Encerrando a programação, as baladas melosas do inclassificável Marco Paulo.
Acima, uma seleção de fotos capturadas durante as Festas Populares da Margem Sul. No dia em que inventarem fotos-com-som, aí sim a experiência será completa.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

We won't


Para S. e T.

Ninguém parece ter se dado conta, mas John Hughes estaria prestes a completar seis décadas de vida – embora no imaginário coletivo em que se inscreveu juntamente com seus filmes, Hughes parecesse condenado à eterna juventude. Ou pelo menos essa era a imagem que eu conservava dele: a do primo mais velho (que nunca tive), embora não velho o bastante para perceber o que se passava na cabeça dos mais novos. Se a juventude é uma construção de sentido, então lá vai: não consigo visualizar John Hughes sessentão. Virem-se com essa os teóricos do assunto.
Não sei como a coisa se deu aí no Brasil, mas aqui em Portugal os jornais deram pouquíssimo destaque à morte de John Hughes (nem o Ípsilon do Público se redimiu), em parte porque um tremendo ícone da cultura pop nacional, o humorista Raul Solnado, acabou por escolher a mesma semana de verão para deixar a Terra. Guardadas as devidas proporções, Hughes meio que morreu como Michael Jackson, descontando-se, naturalmente, toda a parte da auto-caricatura e da exploração sensacionalista: refiro-me ao fato de ambos passarem a última década vivendo da glória alcançada nos anos 80 e terem conservado uma legião de fãs que, infelizmente, ficou na expectativa de um retorno triunfal jamais concretizado. Não deixa de causar uma certa tristeza constar que o último longa assinado por Hughes foi o fraco “Curly Sue”, no já distante ano de 1991, e que suas últimas contribuições ao cinema – assinados sob o pseudônimo de Edmond Dantés, que coincidência ou não, é o mesmo nome do protagonista de “O conde de Monte Cristo” – foram os roteiros de bobagens como “Beethoven 2” e “Maid in Manhattan”.

Fui adolescente nos anos 90, e na falta de um cinema teen com que me identificasse, resolvi buscar na década anterior uma luz que me ajudasse a atravessar em segurança o nevoeiro. Os filmes de Hughes chegaram de mansinho, e hoje, ao contrário de outros bastiões identitários da minha adolescência (err... “O grande dragão branco”, alguém?), ao revê-los não bate aquela sensação de “oh, merda, como pude gostar disso um dia!”. São filmes que continuam – diabos, odeio essa palavra – “atuais”, e a maior prova disso talvez seja o cinema de caras como Todd Philips e a curriola de Judd Apatow, admiráveis mash ups entre olhar afetuoso de Hughes para com seus personagens e a saudável grosseria da turma que, nos anos 80, nos deu clássicos como “Porky’s”, “A última festa de solteiro” e aqueles filmes cuja versão brasileira sempre terminava com “... da pesada”.


Da galeria de tipos criados por Hughes, tenho meus favoritos de sempre: o Duckie de “Alguém muito especial” (na verdade dirigido por Howard Deutch, embora escrito e produzido pelo mestre, assim como “Pretty in Pink”, outro clássico), o garoto suicida de “Clube dos cinco” e o Cameron de “Curtindo a vida adoidado”. Deste último, a cena em que o trio de protagonistas passeia pelo museu ao som de “Please please let me get what I want” me emociona toda vez que invoco a lembrança dela. Tal como agora, neste sábado de sol à beira do Tejo, quando aquela do Simple Minds subitamente começa a tocar na minha jukebox mental.

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O que seria dos meus solitários dias lisboetas sem as matérias bi-zar-ras do Correio da Manhã...

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Todo mundo deveria ter a chance de experimentar, pelo menos uma vez na vida, a sensação de andar de eléctrico por Lisboa durante a noite tendo o “Volume 1” do Dead Combo como trilha sonora.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

De volta!

O LabCult retoma as atividades do segundo semestre nesta sexta.Fim do recesso - o meu, maior do que dos alunos. Não posto aqui no blog faz mais de mês. Viagem de férias, retorno pra participar da banca de concurso pauleira. Mas,prometo novidades pros nossos fiéis leitores nos próximos dias.
Esta mensagem é só pra dar boa noite geral e lembrar aos labcultianos -novos e antigos - de nossa reunião.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

I MUSICOM

I MUSICOM recebe trabalhos até 15 de setembro


Estão abertas até 15 de setembro as inscrições para o I Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular – MUSICOM, que acontece no período de 21 a 23 de outubro de 2009, no Campus da Universidade Federal do Maranhão, em São Luis. Com o tema: “Tendências e convergências da música na cultura midiática”, o evento vai reunir pesquisadores de diversas partes do país para discussões do crescente campo de pesquisa em mídia e música. Alunos de grupos de pesquisa tanto em nível de graduação como de pós-graduação, terão possibilidade de interagir com pesquisadores renomados que têm produção constante, como o Prof. Dr. Jeder Janotti Jr (UFBA) e Prof. Dr. Felipe da Costa Trotta (UFPE), que são alguns dos palestrantes do evento. Além das palestras, o evento conta com apresentação de trabalhos que devem ser inscritos para as sessões temáticas, que serão distribuídas de acordo com a abordagem dos papers. As normas de submissão, bem como informações sobre as inscrições, estarão disponíveis a partir desta terça-feira no endereço do evento na Internet: www.musicom.ufma.br.


NOVIDADE: Paralelamente ao I MUSICOM, será realizada também a II Mostra de Mídia e Música, que em 2008 aconteceu, em primeira edição, sob responsabilidade do PPGCOM/UFPE. Na UFMA, o evento deve acontecer dias 22 e 23 de outubro, paralelo à programação do I MUSICOM, composto por mesas e exposição de produtos previamente organizados. A II Mostra de Mídia e Música servirá para um maior diálogo entre a academia e mercado, e, que serão realizados debates com músico, militantes e produtores culturais, que vão expor nas falas análises e situações acerca da conjuntura musical contemporânea. Forma de participação: para participar da II Mostra de Mídia e Música enquanto ouvinte, basta indicar interesse, ao inscrever-se no I Musicom. Já quem deseja inscrever produtos sonoros (música experimental, vinhetas, rearranjos, peças de sonoplastia, etc.), além dos procedimentos da II Mostra, deve enviar resumo de até 30 linhas, sob as mesmas normas contidas no site a fim de que o teor e tipologia do produto sejam conhecidos, bem como anexar arquivo por e-mail. Eventos: I Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular – MUSICOM II Mostra de Mídia e Música Inscrições até 15 de setembro, pelo site: www.musicom.ufma.br Contatos: musicom.ufma@gmail.com

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Lisboa, diário de bordo #2


A SuperBock até pode ser a cerveja do “sabor autêntico”, que faz os comerciais mais bacanas, possui um apelo jovem irresistível e patrocina mega festivais de rock, mas no quesito “cervejas zero” (nome que se dá por cá às cervejas sem álcool), a Sagres é campeã. Tem um gosto praticamente idêntico à prima etílica e é encontrada em quase todo lugar, do restaurante mais cool à tasquinha mais safada. Enquanto isso, na terra brasilis, encontrar um bar que tenha cerveja sem álcool (e quando tem, é a – agh! – Liber...) continua sendo um autêntico parto.

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Uma espiadela nos alinhamentos dos principais Festivais de verão em Portugal revela que as bandas locais são, quase sempre, as primeiras a pisar no palco – o que nos fornece algumas pistas sobre o valor atribuído a tais artistas, sobretudo se comparados as atrações “gringas”. É por essas e outras que ver Mariza e Deolinda como atrações principais de um evento do porte do Sudoeste TMN talvez seja algo a se observar com atenção...

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Da série “Analogias silogísticas que muito provavelmente não fazem o menor sentido”: sendo o James (ou os James, como se diz por cá) uma espécie de América Futebol Clube das bandas surgidas em Manchester durante os anos 80 (não vou me arriscar a fazer correspondências entre bandas e times, mas digamos que Smiths, Joy Division/New Order, Happy Mondays e The Fall seriam os quatro grandes), e sendo Portugal uma sociedade semi-periférica (nos dizeres de Boaventura de Sousa Santos), a gente até entende porque o concerto do grupo inglês, ocorrido na noite da última sexta-feira durante o Festival Rock One, em Portimão, adquiriu ares de super espetáculo, com direito a gritos efusivos de “só mais uma, só mais uma” depois de hora e meia de show, e presepadas tais como o trompetista da banda vestindo uma camiseta da seleção portuguesa de futebol no verso da qual se lia “número 7, James”. E olha que os caras nem eram os cabeças de cartaz da noite, espremidos que estavam entre o ABBA-meets-guitar-hero do Bjorn Again e o hibrido de Van Morrison e Tom Petty que eram os Waterboys. Em sua tese de doutoramento sobre a crítica musical portuguesa nos eighties, Pedro Nunes sustenta uma hipótese semelhante, que explicaria a imensa popularidade desfrutada, em Portugal, por bandas de culto moderado no restante da Europa, como dEUS e Tindersticks. Arrisco-me a dizer que é quase como se houvesse um encontro de almas entre as partes envolvidas, tipo (público português), “ei, há superbandas que passam ao largo de Portugal durante suas turnês européias”, (banda), “Cool, eles agem como se nós fôssemos o The Smiths”.

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Ana Free, portuguesa emigrada em Londres e atração de abertura da mesma noite de sexta-feira no Rock One, quer a todo custo soar como uma Alanis Morrisette levemente funkeada mas no final das contas a única coisa que eu consegui foi me sentir diante de uma versão atrevidinha da Sandy. Cantou para meia dúzia de dois ou três espectadores, num espaço que me pareceu grande demais para as atrações selecionadas, e que só foi ficar decentemente cheio lá pelas 11 da noite. Antes tivesse permanecido na Inglaterra...

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Há os Festivais no coração das grandes cidades, como o SuperBock SuperRock ou o Optimus Alive. Há os Festivais sediados em cidades do interior, como o Sudoeste TMN e o Paredes de Coura, para os quais estar disposto a habitar uma barraca de camping durante quatro, cinco dias, funciona como pré-requisito para a diversão. E há um Festival como o Rock One, cujo debut ocorreu em 2009, que não é nem uma coisa nem outra: nem Portimão é uma grande metrópole (sendo mais requisitada por suas belas praias, como quase toda a região do Algarve, aliás), nem o local onde fica o Autódromo Internacional do Algarve (distante cerca de 20 quilômetros do centro de Portimão) parece se prestar à prática do campismo. Oferecendo ao público alternativas nada palpitantes como gastar 20 euros num táxi ou depender dos inconstantes shuttles que ligam o Autódromo ao centro, o Rock One termina por se configurar, nos tempos ambientalmente corretos em que vivemos, um baita dum elogio à cultura do automóvel. Também, o que mais esperar de um Festival sediado num autódromo, ora pombas?

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Sometimes/When I look deep in your eyes I swear I can see your soul.

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Há coisas que me fascinam e coisas que me causam repúdio quando penso – e vivo – a Europa-como-conceito. A maior delas talvez diga respeito à não-cicatrização de certas feridas abertas em decorrência das guerras de libertação colonial. Por um lado, e aqui corro o risco de ficar repetitivo, é aquela história que o Bauman muito acuradamente aponta em seu livro Comunidade, sobre a diferença entre direito à representação e direito à participação cidadã, que eu vejo ocorrer com certa freqüência aqui em Portugal, sobretudo quando os requisitantes em pauta são homens e mulheres oriundos das ex-colônias em África. Por outro lado, e o maior problema de toda tentativa de sistematização teórica é que há sempre um “por outro lado” (quando não vários) em qualquer história, existe o impasse das pessoas que lutaram na guerra do Ultramar e que, independente de sua posição política ou ideológica em relação à guerra, são seres humanos que sofrem até hoje as conseqüências, físicas e sobretudo emocionais, de terem sido testemunhas e atores da barbárie, e às vezes é muito mais fácil colocar as coisas em termos de vítimas indefesas versus algozes impiedosos do que tentar enxergar a complexidade das relações que se estabelecem a partir de uma situação de antagonismo.
Semana passada conheci um senhor de seus setenta e poucos anos que serviu na Guiné Bissau durante 19 anos. Encontrei-o por acaso, enquanto fazia hora – e acreditem em mim, eram muitas horas a serem feitas – até a partida do primeiro comboio de Portimão para Lisboa. O senhor C. vagava pelos bares da cidade durante a madrugada simplesmente porque não conseguia dormir à noite: era visitado por pesadelos que o lembravam da época da guerra, dos amigos que viu morrer e das atrocidades que certamente foi obrigado a cometer, ou cometeu por convicção, isso não vem ao caso, pelo menos não agora, que minha bolsa da CAPES não envolve atuar como Tribunal de Guerra. Sua rotina diária consistia em deixar o aparelho de TV ligado, sair para tomar uns copos e, apenas ao raiar do dia, retornar à casa para dormir por uma ou duas horas, se tanto, antes que os pesadelos voltassem. Tratava-se com um psicólogo do Exército que lhe receitava remédios, mas desconfiava do que o médico lhe dizia porque, afinal de contas, “ele não havia estado lá”. Acusava Portugal de hipocrisia, por se recusar a discutir abertamente o assunto, e revoltava-se ao ver, nos documentários e programas de televisão sobre o tema, o testemunho de colegas que, na época, sequer encararam o campo de batalha.
Ao mesmo tempo, volta e meia o Sr. C. disparava comentários altamente preconceituosos em relação a negros, paquistaneses e imigrantes do leste europeu, embora jurasse de pés juntos se dar bem como todo mundo e não ser racista (“menos com os ciganos, que estes não gostam de trabalhar”). Nossa conversa transcorreu no único bar de Portimão que ficava aberto até o alvorecer (naquele esquema de portas semi-cerradas abertas apenas para freqüentadores de costume), usualmente freqüentado por russos e angolanos que tinham por hábito “sair à porrada” pelo menor dos motivos, nas palavras do meu cicerone. Felizmente, na noite em que lá estive, não aconteceu nenhum incidente, mas quando um grupo de russos e outro de angolanos decidiu jogar sinuca, embalados por cerveja e vodka, pude sentir a tensão se espalhando no ar. Tensão esta que, não raro, parece transformar toda a Europa num barril de pólvora prestes a detonar.
Muito se criticou aquele filme A queda por humanizar a figura aparentemente inumanizável de Hitler, mas caramba, o cerne da questão – e a grandeza do filme – não está justamente em se tentar enxergar a monstruosidade dos atos de Hitler a partir da constatação de que eles foram cometidos por um ser humano como nós? Sem cair em relativizações típicas dum pós-modernismo de boutique, diante de uma história como a do Sr. C., como posicionar-se diante dos atos cometidos por ele e, ao mesmo tempo, não negar-lhe a humanidade?

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Lisboa, diário de bordo (*)


(*) a partir do livro homônimo de José Cardoso Pires.
Na primeira vez em que pisei em Lisboa, a sensação foi a de ter chegado a um lugar onde eu já poderia ter estado há muito tempo. Havia qualquer coisa no ar outonal da cidade que permaneceu durante meses na minha lembrança. Na segunda vez em que pisei em Lisboa, era a expectativa do reencontro tão aguardado que me movia por dentro, como se a cidade fosse um amigo ou um amor antigo, daqueles que mesmo à distância a gente não consegue esquecer – a gente dorme e acorda pensando no dia em que vai rever a pessoa, e quando finalmente o encontro acontece, você descobre que era a certeza do reencontro, mais do que o momento em si, que estava te mobilizando o tempo todo. Na terceira vez em que pisei em Lisboa, estranhamente já me sentia em casa. Não fosse pela ausência de pessoas que me são muito caras, seria capaz de nunca mais regressar. Sabia de cor o nome das ruas, sentia-me à vontade para orientar gringos na rua, e descobri, algo tardiamente, que basta atravessar a Praça do Comércio para se estar na beira do Tejo.

Está é a quarta vez em que piso em Lisboa, e tal como o cineasta desaparecido do filme que Win Wenders rodou aqui em meados dos anos 90, gostava de desenvolver uma câmera que me permitisse captar tudo aquilo que vejo, o que se passa diante dos meus olhos e o que transcorre por trás de mim. Dada a impossibilidade deste feito, tornado duplamente utópico quando tudo o que se têm em mãos é uma Kodak Easyshare C613 de 6.2 megapixel e a necessidade de traduzir imagens, sons, cheiros e impressões em poucas palavras, prometo me esforçar para que os meus posts, daqui para diante, não se estendam até o infinito. Ainda não defini muito bem como serão estruturados os relatos que aqui se iniciam, mas resolvi experimentar o formato de pílulas para ver se funciona. O fundamental estará sempre à mostra, mas o essencial terá que ser buscado nas entrelinhas.

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O final do mês de julho é uma época engraçada para se chegar a Lisboa. É quando a galera se prepara para entrar de férias, deixar a capital e rumar para as aldeias do interior e as praias do litoral. Ainda não senti isso na pele, mas dizem por aí que Lisboa fica praticamente desprovida de lisboetas durante o mês que se inicia – o que tende a ser compensado pela chegada maciça de turistas do restante da Europa. Ontem mesmo, um domingo, andando pela Baixa, dei informações para meia dúzia de alemães falando um inglês tão precário quanto o meu, e nos restaurantes, o que mais se vê são espanhóis. Nas montras (=vitrines) das lojas comerciais, avisos de “Estamos em férias. Reabriremos no mês de setembro” são constantes. Os suplementos de alguns jornais já começam a listar bons programas para se fazer em Lisboa durante o mês de agosto. E como é alto verão – do meio-dia às 3 da tarde, a temperatura anda batendo os 31 graus ao sol, embora perto do crespúsculo (às 9 e meia da noite!!!) comece a soprar um ventinho frio – multiplicam-se por Lisboa atividades ao ar livre, como mostras de filmes (ontem ia rolar uma projeção legal no Largo de Sto. Antoninho, próximo ao Elevador da Bica, mas na hora H o equipamento deu pau – e eu me senti de volta à Cinemateca do MAM), exposições e alguns concertos (como a série “CCB fora de si”, em Belém).

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Musicalmente falando, também cheguei num momento de transição. Junho é marcado pelas festas populares na Zona Histórica do Centro de Lisboa, vinculadas em alguma medida ao calendário religioso, embora profanérrimas em sua execução. É quando as ruas da Alfama, da Baixa, do Bairro Alto e arredores são invadidas por foliões, vendedores de sardinha assada e muita música pimba (pela Alfama ainda se vê alguma decoração nas janelas das casas), como se o Carnaval dos patrícios acontecesse no dia de santo Antônio, e não em fevereiro. Quem quiser ter uma amostra de como são essas festas, há toda uma sequencia no filme “O último mergulho”, de João César Monteiro, ambientada nas folias de junho. A segunda quinzena de julho, por sua vez, assinala o início das férias escolares, então Portugal começa a ser atravessado de Norte a Sul por megafestivais de música que reúnem elencos estelares, nos moldes do Rock in Rio e do Tim Festival: em Lisboa e no Porto há o SuperBock SuperRock e o Optimus Alive (patrocinados, respectivamente, por uma afamada marca de cervejas e uma operadora de telefonia), mas o grande barato parecem ser os festivais que rolam nas cidades do interior, como o Paredes de Coura (na cidade homônima, lá pras bandas do Minho) e o Sudoeste (em Zambujeira do Norte, no Alentejo, patrocinado pela TMN, outra empresa de telefonia), nos quais a galera acampa nas redondezas de modo a aproveitar todos os dias de festival. Na próxima sexta, pego um comboio para Portimão, no Algarve (ao sul de Portugal) para conferir o Rock One, mas confesso que falta-me o pique e um pouco de saúde para encarar mais do que um dia de festival – então vou na sexta e regresso no sábado pela manhã, apenas para sentir o clima da coisa e, bem, conferir o show do James (aquela bandinha de Manchester que é a segunda favorita de um monte de gente, e que decerto fará a minha viagem valer a pena se “Just like Fred Astaire” constar no repertório da noite).
À medida que agosto avança, esses megafestivais vão dando espaço às festas e aos bailes de aldeia, no embalo da presença dos jovens que se dirigem às suas cidades de origem para ver a família e aproveitar as férias. Vou ver se consigo acompanhar algumas destas festas, mas quem quiser ter uma ideia de como as coisas funcionam, que vá aos cinemas ver “Aquele querido mês de agosto”, que o Grupo Estação prometeu lançar no circuito brasilero em... agosto, oras!

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Aliás, e só pra encerrar temporariamente o assunto, também é interessante ver como essa mudança do “perfil musical português” ao longo do ano vai se refletindo nas prateleiras das lojas de disco. Quando cá estive em abril, havia todo um esforço no sentido de promover os artistas em alguma medida vinculados à Revolução dos Cravos: praticamente toda a discografia de Zeca Afonso estava em promoção e ultravisível nas estantes. Hoje fui à FNAC Chiado para comprar um carregador de pilhas e deparei-me com uma prateleira inteiramente dedicada a José Malhoa, Ruth Marlene, Tony Carreira, além do inenarrável mestre Quim Barreiros, todos anunciados como a “banda sonora do seu verão”. Só faltou o Saúl, aquele do clássico “Bacalhau quer alho”.

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Discos bacanas que estão sendo lançados e mal posso esperar para ouvir: “Cruz vermelha sobre fundo branco” – Os Golpes; “Muda que muda”, segundo álbum de João Coração; “Only time will tell” (Sean Riley and the Slowriders, depois do belo “Farewell”). Aguarda-se ansiosamente a nova diatribe do Legendary TigerMan, “Femina”, no qual o one man band Paulo Furtado divide os microfones com garotas do quilate de Peaches e – ai meu deus – Asia Argento.

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Contando os dias para ter o Tejo passando diante dos olhos toda manhã.

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If it be your will, I will speak no more.