quarta-feira, 30 de abril de 2008
Aliás e a propósito... (ainda sobre Indiana Jones)
Óbvio que larguei tudo o que estava fazendo para rever o Caçadores, e qual foi minha surpresa ao descobrir que toda a seqüência final, quando os nazis abrem a arca e derretem ao se confrontarem com o Poder de Deus havia sido impiedosamente picotada, de forma a eliminar as cenas mais "chocantes". Tá bom que o próprio Spielberg andou embarcando numa trip politicamente correta, quando, à época do relançamento de ET nos cinemas, em 2002, ele eliminou digitalmente as armas na mão dos policiais, substituindo-as por inofensivos walkie-talkies (agora me explica se você, na pele do pequeno Elliot em sua bicicleta, teria medo de policiais portando walkit-talkies?). Também ouvi um boato de que numa eventual "versão para os cinemas" da trilogia Indiana Jones (a idéia do relançamento parece ter sido abortada), Spielberg cortaria a célebre cena na qual Indy dispara contra um egípcio fanfarrão que desafia o herói fazendo mil malabarismos com sua cimitarra - o diretor achou que a cena seria considerada preconceituosa contra o povo árabe, vejam vocês...
O que mais me surpreendeu é que Caçadores estava sendo exibido às duas da tarde, como sempre o fora durante os anos 90. Do nada, a cena dos nazis derretendo ficou chocante? Indiana Jones virou "Censura 12 anos"? E quando exibirem O templo da perdição, nada de coração arrancado e cérebro fresco de macaco? Periga virar um curta-metragem...
Do you, Mr. Jones?

Costumo dizer que o mundo (ou pelo menos o mundo nerd pós-década de 80) se divide entre os admiradores fervorosos de Star Wars e os fãs incondicionais de Indiana Jones. Aos que humildemente se enquadram no grupo #2 (tal e qual este que vos blogueia), um dia 22 de maio nunca representou tanto. Assim que virarmos o mês, logo mais à noite, faltarão pouco mais de 20 dias para a estréia mundial do quarto filme da saga do personagem que fez todo garoto hoje na faixa dos 20-30 anos sonhar em ser arqueólogo um dia. Para os que eram muito pequenos na época em que A última cruzada - o último (e, na minha modesta opinião, o melhor) episódio da (até então) trilogia - freqüentou os nossos cinemas, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal deve possuir um sabor duplamente especial, já que ouvir o clássico tema de John Williams numa sala com som THX e tela gigante promete ser qualquer coisa. Para os demais, é a chance de retornar à infância ou, numa perspectiva mais cínica, confrontar-se com a incontornável passagem do tempo (garanto que vai ter muita gente dizendo que "naquela época é que era bom", que "o personagem envelheceu mal" ou então que "bons mesmos eram os efeitos de 1981").
Muito pouco foi revelado sobre a trama do longa, mas sabe-se que ela possui pontos de conexão com a história do primeiro filme (como a volta da personagem Marion, par romântico do herói em Caçadores da arca perdida e algumas cenas ambientadas naquele depósito ultra-secreto para onde a arca é levada), que desta feita os vilões são russos (já que a ação transcorre nos anos da Guerra Fria), que Cate Blanchett está morena e que a matriz com a qual o filme dialoga é a da ficção científica dos anos 50, no lugar do cinema de aventuras da década de 30 (não se surpreendam, portanto, se as tais Caveiras de Cristal do título possuírem origem alienígena - quem sabe os ETs de Contatos imediatos do terceiro grau?). O trailer, disponível aqui, dá pistas de que os efeitos visuais serão mais mecânicos do que digitais (ainda bem, já que a praga do CGI consegue transformar até as pirâmides do Egito em monumentos artificiais, conforme visto n'O retorno da múmia) - dispensável apenas o close inicial na bandeira americana tremulante, mas o que esperar do ultra-patriota Spielberg?
Outro dia estava revendo um documentário muito bacana sobre o cinema americano da década de 70 - a famosa "geração Easy Rider", de Scorsese, Coppola, Lumet, Friedkin e cia. - intitulado A decade under the influence. O filme narra de forma bastante precisa como todo o ímpeto contestador e contracultural dos anos 60 e da primeira metade da década seguinte (que gerou produções como Taxi driver, O poderoso chefão e Um dia de cão, além do já citado Easy rider) foi se esgotando no final dos anos 70. À medida que eventos como a derrota na Guerra do Vietnam, a queda de Nixon e as crises petrolíferas iam semeando, junto ao público consumidor de cinema, um desejo por "entretenimento escapista", que o afastasse dos problemas cotidianos, Hollywood começava a formatar aquilo que, da década de 80 em diante, ficou conhecido como "Cultura dos Blockbusters".
Os primeiros símbolos dessa nova forma de fazer cinema, onde filmes custavam muitos milhões de dólares, eram lançados em milhares de salas e encontravam-se amparados por uma poderosa máquina publicitária (capaz de vender de trilhas sonoras a bonequinhos, passando por biscoitos e guarda-chuvas temáticos do filme em questão), foram, justamente, Tubarão (de Steven Spielberg, 1975) e Star Wars (de George Lucas, em 1977) - dupla que se reuniu, em 1981, para levar às telas a busca de um certo arqueólogo por uma certa arca perdida... É provável, portanto, que o lançamento do quarto episódio da saga seja pontuado por incontáveis discursos anti-entretenimento massivo, já que O reino da caveira de cristal deve tomar os cinemas de assalto e, conseqüentemente, reduzir o espaço para os lançamentos de menor apelo mercadológico (o cinema brasileiro é um que muito provavelmente vai se dar mal nessa briga).
Também confesso ter uma curiosidade algo mórbida para verificar como vai se dar a atuação dos vendedores piratas, quanto tempo vai levar entre a premiére mundial do filme no Festival de Cannes e a primeira cópia a circular na internet e, por fim, para saber de que forma o herói cinematográfico da minha geração será recebido pela turma mais nova, acostumada a frenéticos Homens-Aranha e congêneres. Cairá Spielberg na "armadilha" (da qual George Lucas e sua retomada da saga Star Wars decerto não saíram muito bem) de tentar alcançar "novas platéias", desagradando os "antigos fãs" (as aspas são de propósito)?
mapa da música brasileira
Mas, é muito engraçada.Confiram e comentem.
Segue o link.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
What´s wrong with the world?
O laptop e a prática pedagógica

No início de abril, dei uma oficina de quatro dias numa escola estadual de Niterói, sobre o uso da internet na sala de aula. A oficina fazia parte do projeto "Educomunicar", desenvolvido pela ONG Bem Tv - Educação e Comunicação. Seu objetivo é capacitar professores de escolas públicas para a utilização da comunicação como metodologia pedagógica.
Pois bem, a oficina aconteceu na semana em que os professores da escola receberam seus laptops, enviados pelo governo do Estado, através do programa Educação para um Rio Digital. As opiniões estavam divididas. Alguns professores, indignados, se perguntavam por que o governo não aumenta seus salários ao invés de enviar laptops. Outros comemoravam a possibilidade de dispor de mais uma ferramenta para sua prática pedagógica. Havia ainda os que olhavam com receio, felizes por terem recebido a máquina mas, ao mesmo tempo, em dúvida sobre o que fazer com ela.
A maior parte dos professores ainda não tinha utilizado o computador portátil, alguns tinham tentado mas não tinham conseguido utilizar a internet, outros levaram seus laptops para a oficina - que aconteceu no laboratório de informática da escola - e os utilizaram muito bem, fizeram suas contas no Orkut, desenvolveram blogs, diagramaram um "jornal" com ferramentas de texto.
A insegurança dos professores tem fundamento. Os governos estão disponibilizando as máquinas, a sociedade cobra sua utilização, os alunos anseiam por aulas mais dinâmicas. Mas falta ainda a capacitação do professor e uma capacitação que não se prenda à técnica (coisa que ele pode aprender com os filhos e os próprios alunos, por exemplo), mas que dê sentido à presença do laptop - e da câmera fotográfica, do celular, da câmera de vídeo, etc. - na sala de aula.
Ilustração: Leno Carvalho, Bruno Hang e Priscila Ribeiro
Para a publicação A comunicação invade a escola! - Bem Tv - Educação e Comunicação, 2007.
sábado, 26 de abril de 2008
Fernanda Takai de graça
Terça. as 19 horas...mas dá até vontade de não divulgar, pra não encher muito. Entrada mediante senha. E se algum aluninho chegar cedo, lá, já está intimado a pegar uma senha pra mim, pois dou aula na UFF à tarde.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
A Revolução foi televisionada (e teve trilha sonora)
Há exatos 34 anos, no dia 25 de abril de 1974, um movimento liderado por Capitães do Exército Português derrubou o governo do presidente Marcelo Caetano, pondo fim a mais de 40 anos de Estado Novo autoritário e conservador.
Algumas correntes históricas mais propensas ao revisionismo têm se esforçado no sentido de dessacralizar a Revolução de Abril, revelando que, por trás do verniz socialista, da inspiração libertária e da índole pacífica do movimento (em vez de dispararem tiros, os Capitães teriam distribuído flores à população, daí a alcunha "Revolução dos Cravos" para designar os acontecimentos daquele ano), o que havia era um impulso profundamente conservador, que longe de romper violentamente com as estruturas de poder vigentes e transformar Portugal numa nação comunista, apenas forneceu as bases para que o liberalismo democrático se consolidasse de fato no país (um tanto quanto atrasado, é verdade, já que o restante da Europa havia feito isso há pelo menos cinco décadas). Não à toa, a euforia revolucionária durou pouco mais de um ano, quando o Movimento das Forças Armadas, composto por militares de baixa patente, foi prontamente substituído por um governo de tintas conciliadoras e mais hierarquizado. E é bem verdade que o regime já não andava muito bem das pernas desde que seu mentor intelectual e principal líder político, o ditador Antonio de Oliveira Salazar, sofreu um derrame cerebral e se afastou da presidência do Conselho de Ministros.
No entanto, o cinismo característico dos tempos que correm não foi capaz de eliminar a aura mítica que cerca o dia de hoje, feriado nacional na Terrinha. Mesmo um filme profundamente crítico em relação aos eventos daquela época, como o Capitães de Abril (dirigido por Maria de Medeiros, com elenco internacional encabeçado pelo galã italiano [?] Steffano Accorsi), que relata, de forma algo jocosa, episódios como o dos tanques do MFA parando nos sinais vermelhos a caminho de Lisboa, não se furta de celebrar o clima de esperança que tomou conta de amplas parcelas do povo português.
A Revolução dos Cravos talvez tenha sido o primeiro movimento sociopolítico da história de Portugal que soube perceber o papel estratégico desempenhado pelos artefatos da cultura midiática. Após quase meio século de censura e repressão, era evidente o sentimento de urgência que movia o país, em direção à reescritura de sua narrativa identitária, sobretudo através da televisão, do cinema e da música popular. Foi assim que uma das primeira iniciativas do movimento dos Capitães consistiu na tomada dos estúdios do Rádio Clube Português: após a invasão, uma mensagem da liderança revolucionária anunciando a queda do Estado Novo foi transmitida para todo o país, no meio da madrugada, enquanto soavam os primeiros acordes da canção "Grândola Vila Morena", do trovador José Afonso - espécie de Chico Buarque luso, um dos artistas mais perseguidos pela ditadura salazarista, e muito popular entre a juventude universitária de esquerda.
Não há dúvida que o 25 de abril converteu-se num marco a partir do qual as novas gerações de portugueses articulam e constroem as suas identidades. E como hoje em dia tais processos são invariavelmente mediados pelas representações e discursos que circulam na mídia, nada mais lógico do este post ser embalado por algumas canções que freqüentavam/freqüentam o imaginário português e que, ainda hoje, devidamente "atualizadas", entre continuidades e rupturas, continuam ecoando por aí.
(Pronto. Último post sobre Portugal, eu prometo - ou, pelo menos, neste mês de abril).
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Blogs bacanas sobre música
Entre uma enrolada e outra, fuxico blogs e leio e-mails.
Como recebi uma msg gentil do Bruno Natal, do Urbe, isto foi desculpa para ir lá dar uma olhadinha no blog dele, que gosto muito. E encontrei este post que reproduzo abaixo. Só por alívio e vingança contra Rifkin, que traça um daquels cenários paranóicos sobre a cultura e o entretenimento na "era" das redes digitais.
Então, abre aspas e entra Bruno, que por sua vez tá citando o site Skol Beats:
Faz uma década que alguém postou pela primeira vez num blog aqui na terrinha. Para celebrar, fizemos uma lista dos blogueiros essenciais na cena musical brasileira.
Esqueça os colunistas e editores de revistas de música. Quem define quais são as melhores músicas, bandas e álbuns agora são os blogs. Em meio a todo o catastrofismo que é falado sobre o mercado da música e dos discos nos dias de hoje, pouco é lembrado o fato de que atualmente os artistas são obrigados a uma aproximação maior com seus fãs (mesmo que ela seja por uma tela de computador e por meio de algum assessor responsável por sua página na internet ¬- leia-se blogs). Mensagens para o público, diários de turnê, notícias sobre os planos futuros, tudo isso virou peça quase obrigatória no mundo pop de hoje. E, mais do que isso, como no passado nas rádios e na TV, as bandas precisam mostrar a sua música nos meios de hoje - leia-se blogs.
Na internet, o blog é instrumento para um tom mais pessoal e de informalidade na abordagem dos temas a que se dedicam. E isso ocorre também nas páginas de blogs relacionados a música, que estão ganhando importância como veículos para espalhar as novidades da área.
O fenômeno blog causou algumas revoluções, a maior delas, a possibilidade de escrever sobre assuntos com os quais se tem maior afinidade. Um dos temas prediletos dos blogueiros nacionais é a música. Nem é possível fazer qualquer estatística sobre quantos são, tamanha a velocidade com que são criados e abatidos na rede.
Dentro deste vasto universo, é possível identificar dois tipos de tendência. Uma é a dos "blogs de fã", nos quais se prestam homenagens a um artista, uma banda ou um estilo específico. A outra, a dos "blogs de resenhas e novidades/hypes", em prevalece uma visão de jornalismo sem compromisso - e, às vezes, funcionam também como núcleos de festas e de artistas.
No ano passado, os blogs tiveram seu boom particular e alguns deles ganharam status de fonte confiável de informação, mas a cena ainda está começando a ver quais são os reais efeitos deles. Acesse os links abaixo e dê você mesmo a opinião final.
http://lucioribeiro.blig.ig.com.br
Lúcio Ribeiro, um dos nomes mais comentados do jornalismo brasileiro de cultura pop, é mais conhecido hoje pela Popload, seu blog de música.http://ilustradanopop.folha.blog.uol.com.br
Repórter de música do caderno Ilustrada, da Folha de S.Paulo, Thiago Ney é responsável pelo blog Ilustrada no Pop da Folha Online.http://discopunk.blogspot.com
Música eletrônica é o assunto preferido desse blog.http://www.penetrationclub.blogspot.com
Um dos mais promissores. Fique de olho.http://movethatjukebox.wordpress.com
Administrado por 4 jovens, dois de 15, um de 16 e outro de 18 anos. Alex Correa, Cédric Fanti, Gabriel Zorzo e Marçal Righi. Molecada antenada.http://dubstrong.blogspot.com
Hip hop, reggae, ragga/dancehall, jazz, downtempo, funk, drum'n'bass, tudo amarrado por uma forte influência que o DJ Dubstrong tem do dub jamaicano.http://site.rraurl.com/blogs/bateestaca
Na ativa desde os primórdios da cultura eletrônica no Brasil, o DJ, produtor e jornalista Camilo Rocha não escreve apenas sobre dance music em seu blog.http://site.rraurl.com/blogs/tododjjasambou
Claudia Assef é autora do livro Todo DJ Já Sambou, trabalha como editora de internet e sempre dá furos em seu blog.http://site.rraurl.com/blogs/musicness
No cultuado blog, Diogo Dreyer, João Anzolin, Raul Aguilera escrevem sobre indie rock e eletrônica.http://www.gardenal.org/urbe
Editado pelo jornalista carioca Bruno Natal, cobre música, cultura e urbanidades.http://www.popup.mus.br/secao/blog
O jornalista Bruno Nogueira, de Recife, posta boas matérias e notícias locais fresquinhas.http://conector.blogspot.com
Gustavo Mini é publicitário e guitarrista/vocalista da banda gaúcha Walverdes. Ele equilibra essas duas facetas com muita habilidade em posts informativos e divertidos.http://www.nemo.com.br/elcabong
O el Cabong integra o Nordeste Independente, uma comunidade focada no mercado independente nordestino que busca contribuir para shows, turnês, circulação de informação etc. É escrito pelo jornalista Luciano Matos.http://www.pedroalexandresanches.blogspot.com
Blog do jornalista da revista Carta Capital e crítico de música Pedro Alexandre Sanches, que discorre sobre assuntos como política e a cena musical brasileira.http://www.gardenal.org/trabalhosujo
Alexandre Matias é editor do Link, o caderno de tecnologia e internet do Estadão. O Trabalho Sujo é uma das maiores referências jornalísticas para o circuito musical independente do Brasil.http://prztz.blogspot.com
Blog de produção de música eletrônica do produtor Dudu Marote.http://tomze.blog.uol.com.br
O músico Tom Zé partilha suas idéias e composições em um blog divertido e inteligente.
Bibliografia fresquinha...
Um número inteiro de uma revista sobre temas afins ao LabCult. (gracias, Afonso - que me deu a dica) - e o acesso é pelo portal de periodicos da capes (www.capes.gov.br)
René Boomkens
Global Sounds and Local Audiences: The Coming of Age of Pop Music
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 5-7.
Juliana Snapper
Scratching the Surface: Spinning Time and Identity in Hip-Hop Turntablism
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 9-25.
Jaap Kooijman
Outside in America: George Michael’s Music Video, Public Sex and Global Pop Culture
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 27-41.
Simon Frith
Does British Music Still Matter?: A Reflection on the Changing Status of British Popular Music in the Global Music Market
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 43-58.
RenÈ Boomkens
Uncanny Identities: High and Low and Global and Local in the Music of Elvis Costello
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 59-74.
Sarah Louise Baker
Pop in(to) the Bedroom: Popular Music in Pre-Teen Girls’ Bedroom Culture
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 75-93.
Keith Kahn-Harris
The ‘Failure’ of Youth Culture: Reflexivity, Music and Politics in the Black Metal Scene
European Journal of Cultural Studies 2004 7: 95-111.
E um brinde:
David Hesmondhalgh
Audiences and everyday aesthetics: Talking about good and bad music
European Journal of Cultural Studies 2007 10: 507-527.
Esta mensagem foi
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Prêmio Casa de Las Americas
Parabéns!
"En la noche de hoy viernes 18 de abril, el jurado integrado por Egberto Bermudez (Colombia), Consuelo Carredano (México), Lino Neira (Cuba), Agustín Ruiz (Chile) y María Elena Vinueza (Ecuador), dio a conocer en su dictamen y acordó por unanimidad:
Otorgar el PREMIO DE MUSICOLOGIA CASA DE LAS AMERICAS 2008 al trabajo: Vanguardias al Sur: La Música de Juan Carlos Paz, Buenos Aires, 1897-1972, de Omar Corrado (Argentina)
Por su impecable manejo del oficio musicológico y su novedosa contribución de ofrecer una narrativa histórica de las vanguardias musicales en América Latina a partir del análisis del sujeto creador y de la producción musical de una importante figura de la música Argentina y Latinoamericana del siglo XX.
Asimismo acordó otorgar MENCIÓN ÚNICA al trabajo: Un libro didáctico del siglo XVIII para la enseñanza de la composición: El "Libro que contiene onze partidos" para órgano de Joseph de Torres en la colección "Jesús Sánchez Garza" del CENIDIM, (México D.F.), de Gustavo Delgado Parra (México)
Por sus logros en la integración de las prácticas musicológica y musical y su acertada valoración de patrimonio material (órganos), su música y su literatura pedagógica en el periodo colonial mexicano.
RECONOCIMIENTOS a los trabajos:
-Culturas entrecruzadas - a MPB e o rock Argentino repensam as fronteiras globalizadas, de Marido Jose Nercolini (Brasil)
Por su acierto al encarar conjuntamente dos tendencias fundamentales de la música popular contemporánea de Brasil (MPB) y Argentina (rock nacional),
-Escritos de José Scolastico Andrino (1817?-1862), pedagogía, periodismo, crítica e historia musical centroamericana en el siglo XIX, de Igor de Gandarias (Guatemala)
Por abordar el desarrollo de la musicología y teoría musical en el siglo XIX en Centro América, aspectos aun por explorar en la musicología Latinoamericana
-Carlos Borbolla: Una mirada desde el rescate a la investigación, de Miviam Ruiz Pérez (Cuba)
Por la contribución de una perspectiva musicológica para el estudio de un archivo musical privado de especial complejidad y relevancia en el desarrollo de la música y la musicología cubanas.
Dado en La Habana, a los 18 días de 2008
A banda The Whip quer dançar
sábado, 19 de abril de 2008
Novo rock português - parte 1
Pós-baile Funk

sexta-feira, 18 de abril de 2008
O outro lado da música portuguesa
Tipo assim Veados Com Fome, Lobster, Born A Lion... Três grandes malhas... Old Jerusalem... Mécanosphère... Pop Dell’Arte... Ornatos Violeta... The Legendary Tiger Man... Wraygunn... Dead Combo...alguém conhece? Não dá vontade de ouvir??
Olha aí o link para o blog, já com o endereço para entrar na entrevista da coluna.
quinta-feira, 17 de abril de 2008
Ainda o estereótipo...

quarta-feira, 16 de abril de 2008
Post da Olivia - Vídeos no Flickr
Ela chama a atenção para a resistência dos usuários tradicionais do serviço - que era focado somente em fotografias - a dividirem o espaço gerado por esta novidade de postar vídeos.
Tem a ver com capital cultural, disputas simbólicas, aquilo tudo que a gente tem trabalhado.
Está lá no nosso (outro) blog, da disciplina Teorias Críticas - postado na segunda-feira, dia 11.
Estou postando aqui o link, pois vale a pena dar uma conferida.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Sobre as dead-lines acadêmicas
Mal conseguimos - eu, Marcelo e Lucas - fechar um texto com a dead-line pra ontem; e já tem outro meu pra sexta.
Ufa!
Depois vou comentar este texto que escrevemos juntos - o primeiro da minha vida a seis mãos e uma produção "autenticamente" LabCult. Tratamos dos processos de rotulaçao da música eletrônica em oposição ao rock, analisando ainda o fenômeno em torno da new rave.
Mas, no momento, não dá pra pensar mais nele. Penso é na minha maior inveja: ver, da minha janela da cozinha, um cara que faz parapente toda segunda-feira, voando sob as asas do Cristo Redentor. Ao meio-dia, pode?
Meninos, ainda chego lá!!
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Stones - Scorsese II
É um documentário para fãs.
Mas, como tal - já disse que esta conversa é proibida pra menores - eu confesso: amei. O filme não, a banda.
Citando um outro filme - O perfumista - a sensação é a de que ali a essência do pop foi destilada e concentrada em dose máxima.
É uma aula, com todos os elementos que construíram as regras do gênero rock, ampliados pela parafernália de Scorsese, que nos leva pro backstage.
A caricatura de Mick sobre si mesmo fazendo aquelas dancinhas ridículas, meio puta, meio macho, meio Bundchen atravessando a passarela ; a doideira de Keith eternamente gargalhando no hospício; a elegância zen budista de Charlie Watts; a alegria infantil de Ron Wood - tudo aquilo que já vimos mil vezes, tá lá. E pior, ganha um tom de revelação, tal é a obsessão das câmeras com os detalhes, perscrutando instrumentos, platéia, rugas e músculos.
E mais uma vez o papo do boteco pós-filme levanta a mesma dúvida. Se eles ainda estão se divertindo pra cacete, se são os maiores golpistas da história da música ou se não seria melhor a gente ultrapassar este dilema entre autenticidade e cooptação e se render.
Ao mesmo tempo, sobreviveram a si mesmos, a todos os excessos, e continuam ali, vomitando urgência, agressividade e energia. Raw power, diria Iggy Pop; Vontade de poder, diria Nietzche; oh God, que inveja! diria Andy Warhol.
Fica aí, então, a música que pra mim ainda é a mais completa síntese desta banda:
Sympathy for the devil, no trailer super bacana de Godard, 1968.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
O autor morreu? Viva o autor! (Sobre Shine a light, de Martin Scorsese)
Quer dizer, não bastava ser um filme qualquer sobre os Stones: é um documentário sobre os Stones dirigido por Martin Scorsese. Ser um documentário pressuporia, de acordo com uma determinada corrente de interpretação, que o filme daria ao espectador a oportunidade de acessar de forma imediata a realidade mais íntima da veterana banda de rock. Ser um documentário de Martin Scorsese, por sua vez, implicaria a assinatura de um cineasta que sempre desfrutou de um status diferenciado dentro da lógica do cinema hollywoodiano. Em certos aspectos, Scorsese é quase um autor, nos moldes do que defendia a Politique des auteurs (espécie de fundamento teórico de toda a Nouvelle Vague francesa dos anos 60). Seus filmes possuem uma identidade, derivada, claro, da personalidade de seu criador, e reunidos, constituem uma espécie de obra, dotada de coesão e coerência internas. As críticas de seus filmes, e mesmo a nossa percepção cotidiana de qualquer nova criação de Martin Scorsese, são invariavelmente “contaminadas” (no melhor dos sentidos da palavra “contaminação”, até porque não consigo pensar numa percepção que esteja fora dessa relação) pelos discursos que já foram proferidos sobre Scorsese.
Isso ficava muito claro nas críticas que eram feitas a Os infiltrados, última produção do cineasta antes de Shine a light, que conferiu ao diretor ítalo-americano seu primeiro Oscar de direção, há muito anunciado e nunca conquistado. Todos eram unânimes em afirmar que Os infiltrados era um Scorsese inferior, a léguas de distância de filmes muito mais provocativos e arrojados como Táxi driver, Touro indomável e A última tentação de Cristo (este último, meu preferido). Mas por ser um Scorsese, ainda que menor, merecia ter levado o prêmio, nem que como forma de fazer justiça às derrotas anteriores, estas sim, imerecidas – embora, sob um olhar mais crítico (mais cínico?), Os infiltrados não seja lá muito diferente de alguns Supercines que volta e meia freqüentam as noites de sábado globais.
A percepção da obra retorna com toda a força nas críticas a Shine a light, que sejam elas favoráveis ou negativas, acabam sempre por se amparar na comparação com momentos anteriores da trajetória de Scorsese em que ele flertou com a música pop, sobretudo com o universo do rock. Aí, Shine a light nunca vai ser “o documentário definitivo sobre os Stones”, da mesma forma que, digamos, No direction home é sobre Bob Dylan. Ou então, será tão “belamente filmado” como The last waltz, o registro filmado por Scorsese, em finais dos anos 70, do último show da The Band.
(By the way, reparem no vovô simpático que empunha a hand camera nas primeiras seqüências de Shine a light – é Albert Maysles, diretor do antológico Gimme shelter, de 1969, sobre show dos Stones em Altamont, durante o qual um fã foi assassinado por membros do Hell’s Angels diante das câmeras. Sendo Gimme shelter, hoje, alçado ao posto de obra-prima do direct cinema e saudado como – este sim! – um “documentário definitivo” não apenas sobre os Stones, mas também sobre o “fim da utopia contracultural” e outros quejandos, não me admira que Scorsese tenha demonstrado tanta gentileza para com o velho documentarista, o que nos permite concluir que nenhum convite desta natureza é totalmente desinteressado).
Há tempos que a invenção formal não freqüenta o cinema de Scorsese, na minha modesta opinião. E embora Shine a light possua alguns bons momentos de meta-cinema, sobretudo no início e na brincadeirinha final, tenho plena consciência de que minha apreciação se dá contra o pano de fundo tanto dos discursos que já foram elaborados sobre Scorsese, quanto do meu carinho declarado pela, vá lá, obra do cineasta. Tudo isso pra dizer que Shine a light, pelo menos pra mim, foi capaz de proporcionar duas horas de belas imagens e boa música. Mas é aquele negócio, é um documentário de Scorsese sobre os Stones. Fosse um registro de show do NXZero dirigido pelo Zé das Couves [obrigado, Pedro], seria lançado direto em DVD (e eu muito provavelmente passaria longe).
quinta-feira, 10 de abril de 2008
‘He’s just a stereotype...’
Peço licença aos rude-boys do Specials (bandinha de ska-rock britânica, muito bacana, por sinal, que junto com o Madness formava a dupla de ouro da gravadora TwoTone no início dos anos 80) para formular uma ou duas considerações sobre a questão do estereótipo. O discurso do senso comum muitas vezes tende a culpar os consumidores do estereótipo como maiores responsáveis pela sua perpetuação. Dito de outra forma, se tantos “gringos” não viessem ao Rio de Janeiro sedentos por uma noite na Boate Plataforma, a imagem da cidade como sinônimo de carnaval-mulata-e-malandragem poderia ser gradativamente questionada, por exemplo.
Tenho sérios problemas com este argumento. Em parte, porque o discurso do estereótipo não é totalmente descolado de evidências empíricas. Estereótipo não é invenção, é redução. É você promover determinadas características particulares que constituem uma certa identidade (étnica, nacional, de gênero, etc) ao status de verdade essencial sobre a mesma, como se, metonimicamente, as partes dessem conta do todo. Em vez de compreendermos o carioca ou o brasileiro em toda a sua complexidade, fraturando a idéia de uma identidade única e coerente em si mesma – coisa que dá um baita trabalho – é mais confortável tentar apreendê-la a partir de um cast de signos de fácil reconhecimento. Ou, conforme disse certa feita uma amiga minha, de forma algo jocosa, “o estereótipo poupa tempo”.
Engana-se quem pensa que espetáculos tipo “Vai Brasil
Estávamos em Veneza e descobrimos uma montagem de Otelo de Shakespeare no Teatro Goldoni, que fica a poucos minutos do Grande Canal. Sabíamos que a peça seria falada em italiano, e embora nossa compreensão não fosse lá essas coisas, o fato de conhecermos o texto da peça decerto facilitaria nossa vida. Ao efetuarmos o pedido na bilheteria, o funcionário de imediato reconheceu que éramos estrangeiros e prontamente se pôs a esclarecer (em inglês, of course): “No musical. No musical. It’s an italian talk play” [sic].
Muito provavelmente, ele julgou que havíamos nos perdido pelas intrincadas ruelas de Veneza, e confundido o teatro que exibia Otelo com o que servia de palco para Carnival The Show, um espetáculo que reproduz (durante todo o ano, afirmavam enfaticamente os cartazes) a “experiência mágica” do Carnaval de Veneza. O pacote incluía não apenas uma encenação ficcional da festa, com suas tradicionais máscaras e fantasias que bem pareciam saídas do Casanova de Fellini (ou da cena da orgia em De olhos bem fechados, a referência fica a seu critério), como também um jantar de comidas típicas servidas por venezianos vestidos a caráter.
Mais do que apontar culpados, talvez me pareça mais pertinente pensar que o funcionamento do discurso do estereótipo pressupõe um acordo mútuo entre as partes envolvidas. Os usos e apropriações deste discurso, tanto na parte de “lá” quanto na parte de “cá” (e quando “lá” e “cá” se embaralham – por exemplo, se considerarmos a experiência migrante-diaspórica ou a do viajante – é que a coisa fica particularmente bacana), estes é que podem assumir variadas e inesperadas formas.
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Tekhnè: Qual é a música?
Tekhnè: Qual é a música?
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Funk no Oi - Mais informações
Segue abaixo o release:
"O evento conta com a participação do antropólogo
Hermano Vianna, Grandmaster Raphael, Sandrinho,
Mavi, Amazing Clay, Cabide, Edgar, Leandro HBL entre
outros convidados
A batida do funk carioca já não é mais a mesma.
Do nascimento nas favelas do Rio de Janeiro até
hoje, o ritmo ganhou o asfalto, adicionou
influências do cenário eletrônico internacional
e, literalmente, ganhou o mundo. Hoje, já é
chamado de pós-funk pelos mais entendidos que,
claro, querem compreender ainda mais este gênero
que conquistou o seu espaço. Pois o pós-funk é a
estrela do workshop promovido pelo Red Bull Music
Academy e o festival
Multiplicidade_Imagem_Som_Inusitados no Oi Futuro
no próximo dia 08, terça, a partir das 19h.
A programação do workshop contará com uma
mesa-redonda capitaneada pelo antropólogo Hermano
Vianna com a participação de convidados como
Grandmaster Raphael, Mavi, entre outos. Depois do
bate-papo, os DJ´s Sandrinho, Cabide, Edgar e
Amazing Clay irão comandar uma "orquestra" de
MPCs ao vivo, criando melodias na hora a partir
de um instrumento de sample, acompanhadas de
projeções de imagens do artista visual Leandro
HBL, da Conspiração Filmes. Também será exibido
pela primeira vez o trailler do documentário
"Favela on Blast", dirigido por Leandro e pelo DJ
norte-americano Diplo.
O workshop é parte integrante do projeto Red Bull
Music Academy, que realiza ações em diferentes
países para falar de tendências e de produção
musical. Aqui no Brasil, além do workshop sobre
funk no Rio de Janeiro, haverá mais cinco
encontros em diferentes cidades do país no
período de 08 a 29 de abril. Os workshops também
promovem as inscrições para o encontro
internacional do Red Bull Music Academy que, em
2008, será realizado na cidade de Barcelona no
segundo semestre.
WORKSHOP - RED BULL MUSIC ACADEMY E MULTIPLICIDADE
Dia 08.04, terça: Rio de Janeiro/RJ
Tema: "Pós-funk: um novo patamar para o funk
carioca"
Local: Oi Futuro - Rua Dois de Dezembro, 63,
Flamengo.
Horário: das 19h às 22h30
Entrada sujeita a lotação do local (120 lugares)
Entrada impreterivelmente até as 20:00."
Mais informações
<http://www.redbull.com.br/rbma>
Sobre pop e borboletas
O post da Simone a partir da reportagem publicada pelo Megazine d'o Globo na semana passada (aquela sobre o 'novo hype') me fez recordar de uma crítica-crônica de autoria do jornalista, ensaísta e polemista português Miguel Esteves Cardoso. Durante sua passagem pelas revistas especializadas O Se7e e Música e Som, entre finais dos anos 70 e início dos 80, Cardoso testemunhou o boom do rock português, mantendo quase sempre uma postura ácida e crítica em relação ao que ele considerava uma "invenção de atilados empresários e jornalistas ingênuos, criando separações artificiais e provocando expectativas injustas". Concordando-se ou não com os argumentos do autor (e na maioria das vezes eu discordo), há que se reconhecer a precisão de seu estilo e a qualidade de seu texto. Alguns de seus mais vigorosos petardos contra a sociedade portuguesa podem ser encontrados no livro A causa das coisas, edição portuguesa da Assírio & Alvim (1987) que eu pesquei num sebo carioca certa feita.
Já o trecho a seguir vem da coletânea sobre música Escrítica pop - um quarto da quarta década do rock (1980-1982), publicado pela mesma Assírio & Alvim e disponível apenas para consulta no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro.
"Como as borboletas, a música pop tem uma vida de três dias. Assim, os lepidopterologistas Pop só têm de escolher entre duas práticas. Uns, para preservar e analisar a borboleta, montam-na num expositor. Outros, deslumbrados com a cores e com o vôo, limitam-se a segui-la com o olhar. Aqueles, porém, têm de matá-la primeiro. Ou ostros apenas têm de deixá-la morrer depois. Mas não valerá mais vivo durante três dias do que morto toda a vida?"
E aí? Que tipo de Lepidopterologista Pop nós queremos ser?
domingo, 6 de abril de 2008
David Lachapelle no Oi Futuro
Quem for ao Oi Futuro esta semana pode aproveitar para ver a mostra de trabalhos do David Lachapelle, que inaugurou hoje.
Fotógrafo, ele imprime a sua marca nas fotos, videoclipes, capas de disco, publicidade e tudo mais. Já trabalhou com Madonna, Elton John, Aguillera, mais um monte de gente do pop.
Seu universo surreal, barroco, cafona, pornô-chique, gay, colorido, excessivo - que às vezes vai aproximá-lo da estética de Jeff Koons e Andy Warhol e pode ser conferido na montagem acima - é adorado por alguns e , claro, o-di-a-do por um monte de gente.
Mas, como estamos sempre no Oi Futuro, porque não estender a visita?
sábado, 5 de abril de 2008
Crise (?!) da indústria fonográfica
1) Não se ouve música estrangeira no Brasil - não há estrangeiros nas dez primeiras posições das duas listas (CDs e DVDs)
2) Só foi lançado um CD "de autor"- da cantora Maria Rita, que ficou na décima posição. O resto é "Ao Vivo", coletâneas, Acústicos lançados no ano anterior...
3) Os brasileiros são muuuito religiosos e a indústria fonográfica é toda católica - Padre Marcelo Rossi ocupa a primeira posição dos Cds e a segunda dos DVds.
4) São escutados somente os gêneros: pop rock de bandas dos anos 80 e 90 em Acústicos MTV (Jota Quest, Kid Abelha, o Rappa e Barão Vermelho); "pop pop" de duas cantoras (Ana Carolina e Ivete Sangalo); duas duplas sertanejas ( Cesar Menotti e Fabiano; e Bruno e Marrone) e os filhos de sertanejo Sandy e Júnior - dupla que já acabou mas ainda colhe os louros do Acústico. Mais Banda Calypso, Xuxa, duas coletâneas de Samba, High School Musical 2 - e é só!
Como sabemos que este pesquisador está equivocado, podemos concluir o óbvio. O fato de que a diversidade, riqueza, pluralidade e complexidade da música que se consome no Brasil está muito longe deste perfil. E que temos que incluir a música digital, em todas as suas expressões - vendida, trocada, pirateada, ouvida em celular, tocador de MP3 ou direto das rádios digitais na análise.
Cabe ainda destacar:
5) A queda de unidades vendidas foi somente de 17,2%. Mas, a de faturamento, corresponde a 31,2%, por conta da redução de preços dos CDs e DVDs em geral.
6) A venda digital movimentou R$ 24,5 milhões e subiu 185% em relação a 2006. Mas, isto representa 8% do mercado e ainda não compensa as perdas do item anterior.
Mas tem o outro lado - aumento de 185% num ano é por demais representativo de uma mudança de modelo de distribuição, não é?
É por estas e outras que a discussão em torno da Cauda Longa do consumo ( Chris Anderson) e das mídias de nicho é crucial para entendermos este mercado de forma mais complexa.
Novo Funk no Oi Futuro
Vamo lá, galera?
Não encontrei a informação no site do Oi; mas, vale a pena ficar de olho.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Atendendo a pedidos...
Enjoy it!
http://tiagom.muxtape.com/
Porque eu amo a indústria cultural!
Moby e a cena de dance music
Pois não é que ele reapareceu!
Está hj no Rio Fanzine (em matéria que ainda não entrou no blog deles, só vi na edição impressa), por conta do disco que está lançando "Last Night".
Tinha lido críticas elogiosas ao disco, como a do (outro) blog do Tom Leão. Para alguns é o retorno de Moby à cena dance, como DJ, depois de vários discos autorais, nos quais ele cantava e se distanciava um pouco da cena de eletrônica.
Nesta entrevista ao RF, ele explica que tentou captar o clima e contar a história da cena dance. E comenta ainda a onda "neo disco" que está tomando Nova York, chamando a atenção para bandas como Hercules and Love Affair - assunto que vai ganhar um outro post depois (prometo!).
Pois, o que gostaria de destacar da matéria é a declaração que bate fundo na discussão que fazíamos no grupo na sexta - e que é o foco central do trabalho de Marcelo sobre o crescimento e popularização da cena de eletrônica.
Reforçando o mito de origem e o binômio "genuíno x comercial" que sustenta discurso da autenticidade do underground, diz Moby: "Este espírito das raves não voltará mais como era originalmente, porque era uma coisa fora do lance comercial, genuína. Hoje em dia, a cena em si é mais diferente, há aforça do r&b, do rock. São tempos diferentes".
Confiram a matéria completa no Rio Fanzine de hoje, no jornal Globo; e possivelmente, nas próximas horas, no blog do Rio Fanzine no Glob online.
E no site do Moby, informações sobre o disco, etc
O Canto da(s) Cidade(s)

Gente, sou baiano. E o axé faz parte da minha paisagem musical. Durante anos ouvi a crítica especializada dizer que tudo não passava de um modismo que não duraria até o verão seguinte. Mas eis que a cada estação o axé reaparece com uma nova banda, cantora, loira ou morena do tchan e claro... com mais uma dúzia de hits. O carnaval extrapolou o cenário soteropolitano e entrou de vez no calendário cultural de várias cidades, nordestinas ou não. E alguns artistas hoje administram carreiras internacionais sólidas. Mesmo depois de 15 anos (quando Daniela Mercury transformou o gênero em sucesso nacional com o Canto da Cidade) o axé continua firme e forte e tem hoje na figura de Ivete Sangalo e seu milhares de DVDs vendidos o carro chefe do "movimento baiano".
Curioso, é pensar que se os números legitimam a potencialidade econômica do gênero, o mesmo não funciona para a questão da qualidade. Na verdade aqui, mais uma vez, a popularidade funciona como justificativa para questioná-la. Estigma da música massiva e do entretenimento de forma geral que está fadado a não ser levado a sério. O próprio tom da matéria da Folha é irônico e associa o axé a uma manipulação, um movimento involuntário... é triste; o axé tá aí...não dá prá resistir. Toda a justificativa de seu sucesso está associada a um plano de marketing diferenciado de outros gêneros como o rock. Em nenhum momento o axé é contemplado em sua especialidade musical. O caráter artistico é inexistente; voz, arranjo, rítmo e performance não são "contabilizados". O gênero existe no mapa da crítica musical apenas como uma aberração. Pois de modismo passou a gênero estabilizado e complexo, uma vez que o termo axé esconde uma diversidade de rítmos e influências musicais que vão do samba reggae ao frevo e o samba de roda e suas hibridações com o rock e o pop. Se a pesquisa do Ecad revela a predominância do gênero no cenário musical brasileiro, não esclarece os fatores que levaram o axé a tal posto. Quando passarmos a analisar a esfera cultural do gênero talvez possamos ter pistas.
quinta-feira, 3 de abril de 2008
O Genival luso
Conheci a obra do ‘Mestre’ Quim Barreiros durante a viagem que fiz a Portugal, no início de 2007. Estávamos tomando um café no Cais da Ribeira, no Porto, quando alguns gaiatos colocaram a jukebox do bar para tocar uma música em ritmo de forró que falava qualquer coisa sobre “gostar de mamar nos peitos da cabritinha”. Perguntei do que se tratava para o meu primo-cicerone, que já dobrou a casa dos 60, e ele respondeu com a maior naturalidade: “Ora, é o Quim Barreiros!”. Em seguida, iniciou uma longa explanação sobre a “filosofia” da música do Quim, tentando me fazer entender que as letras eram maliciosas, que ele dizia uma coisa quando queria dizer outra... Enfim, como se eu não tivesse vindo de um país que pariu alguns dos maiores Mestres do Trocadilho, como Genival Lacerda, Manhoso e Falcão, e tais esclarecimentos fossem necessários.
De volta ao Brasil, comecei a me aprofundar na trajetória (!) e na vasta obra (!!!) do sanfoneiro Quim Barreiros, cuja carreira se inicia ainda na década de 70, como cantor de música regional da região do Minho (onde nasceu), e só a partir dos anos 80 envereda pela seara do duplo sentido. Depois, descobri que as apresentações de Quim Barreiros são disputadíssimas em Portugal, sobretudo nas recepções aos calouros universitários. E que entre os críticos de cinema brazucas da revista on line Contracampo, a poética do sanfoneiro era bastante cultuada, principalmente depois que o iconoclasta cineasta português João César Monteiro (já falecido), incluiu duas músicas de Quim na trilha sonora de seus filmes: “Bacalhau à portuguesa” (“Mariazinha, deixa-me ir à cozinha pra cheirar teu bacalhau”) em Recordações da Casa Amarela (1987) e “O sorveteiro” (“Chupa Teresa, chupa Teresa, que este gelado gostoso é feito de framboesa”) em A comédia de Deus (1996), filme sui generis sobre um vendedor de sorvetes (interpretado pelo próprio Monteiro) que coleciona pêlos pubianos femininos e assedia belas raparigas.
Sabem as tais apropriações negociadas de que nos fala Stuart Hall? De repente me ocorreu que as músicas de Quim Barreiros, longe de apenas reforçarem determinados estereótipos relacionados à cultura portuguesa (a matriz rural, o sexismo, a baixa escolaridade), poderiam justamente articular esses estereótipos de forma consciente, jocosa e lúdica, pressupondo um público que “compraria” a brincadeira, por reconhecer a familiaridade dos códigos, em vez de tomá-los por verdade essencial sobre a cultura lusa. Nesse sentido, ele se aproximaria ideologicamente do nosso Falcão. Não à toa, os dois são muito populares junto ao público jovem universitário e também costumam ser apropriados por uma certa parcela da intelectualidade, que deteria o capital cultural necessário para efetuar a "leitura nas entrelinhas" do trocadilho aparantemente mais banal.
Em algum lugar do cosmos, Bourdieu nos sorri.
PS: Mais sobre Quim Barreiros, no site oficial http://www.quimbarreiros.pt. A foto que ilustra o post é a capa do disco que marca a virada da carreira de Quim Barreiros na direção do humor, em
‘I’ve told you when I came I was a stranger...’

Pegando carona na sugestão da Simone, eis a minha (tentativa de) sleeveface a partir do álbum Songs of Leonard Cohen, de 1967, primeiro disco do trovador canadense que, coincidentemente, anunciou na semana passada seu retorno aos palcos, após 15 anos de ausência do circuito de shows. A turnê começa na terra natal de Cohen e depois atravessa o oceano, percorrendo vários países da Europa, inclusive Portugal, onde o bardo se apresenta em meados de julho,
O problema seria saber se uma apresentação de Leonard Cohen no Brasil teria público, já que o autor das antológicas “So long Marianne”, “I’m your man”, “The future” e “Hallelujah” – esta última, na minha modesta opinião, uma das canções mais lindas do século passado, sobretudo na interpretação pulsos-cortados de Jeff Buckley – é virtualmente desconhecido por estas plagas. Na Europa, Cohen é venerado, e sua discografia completa pode ser encontrada em qualquer loja de esquina. Pelos festivais de cinema do Velho Continente, inclusive, andou circulando um misto de documentário e show-tributo ao mestre, intitulado Leonard Cohen – I’m your man, dirigido por Liam Lunson e registrando performances inspiradíssimas de Rufus Wainwright, Antony (sem os Johnsons), U2, Nick Cave e Jarvis Cocker interpretando canções de Cohen. Como este sempre foi melhor letrista do que arranjador, periga de algumas músicas do canadense soarem mais interessantes na voz de outras pessoas do que no registro algo fanho e anasalado do autor, como a trilha sonora do documentário acaba por confirmar.
De qualquer forma, o álbum da tosca sleeveface, lá em cima, é disparado uma excelente introdução ao trabalho de Leonard Cohen. U-torrents e soulseeks à obra, pois!
(foto: Flávia Rodrigues)
quarta-feira, 2 de abril de 2008
O ex-batman Ozzy Osbourne aporta na cidade

Acabo de ouvir que Ozzy, na sua passagem pelo Rio esta semana, fez exigências abosolutamente frugais para o camarim: cream cheese, água Evian e frutas.
Foi-se o tempo de comer morcegos.
Ha,ha,ha... realmente, já não se fazem roqueiros como antigamente.
Detesto revivals, mas confesso que abriria uma exceção neste caso. Por tudo que Ozzy - na fase Black Sabath - inventou dentro da cultura metal, acho que o show continua um bom programa, mesmo para quem não é aficcionado pelo gênero.
Quem vai?
terça-feira, 1 de abril de 2008
Eternidade efêmera - e daí?
É com este tom irônico que se inicia mais uma lenga-lenga sobre "a rapidez com que as pessoas estão consumindo música, correndo atrás do hype, sem se aprofundarem na escuta". Bullshit!!
E daí? Qual o problema?
A sensação que tenho quando leio - ou assisto, ou ouço, ou testemunho em debates - estas discussões é de preguiçaaaaa. Ou de que estes caras precisam de um pouco de Bourdieu na veia. Pois, assim, pelo menos vão reconhecer que estão advogando em causa própria. Disputa simbólica, legitimidade e autoridade cultural, quem pode dizer "o que é o hype". Esta função que sempre foi da crítica especializada dos cadernos culturais, fragmentou-se por blogs, plataformas de relacionamento social na Internet e outros espaços das comunidades de gosto. E é isto que está em jogo na discussão.
Longe de mim demonizar a indústria cultural, as mídias ou a crítica musical - atores centrais na construção de uma cultura da música popular massiva, que merecem toda a atenção e respeito. Entretanto, como este é um dos temas preferidos das discussões do LabCult, não dá pra deixar de meter a colher na conversa.
Pois, sem dúvida, saímos de um momento de escassez da informação, aquele do estranho mundo pré-internet, quando a informação especializada das mídias de nicho tais como as revistas New Music Express, Mojo e outras (citadas nesta matéria da Megazine) proclamavam o hype e eram absorvidas pela crítica musical no Brasil. No exíguo espaço dos cadernos culturais dos grandes jornais ou em publicações especializadas de circulação periódica (às vezes mensais) descobríamos as novidades e corríamos atrás (esperando os CDs chegarem no Brasil, é claro!).
A situação agora - como todo mundo sabe - é a de excesso informacional e de possibilidade de busca de informação musical independente, para além destes mediadores "tradicionais" referidos aí no parágrafo anterior. Isto causa turbulências e redefine, ampliando, a esfera das instâncias mediadoras e legitimadoras da informação musical. Como consequência, também produz "estrelas que não duram até o por do sol" - como diz lá a matéria.
Mas, e daí?
Como eu comentei num post anterior, adoro meus discos de vinil; e por consequência a idéia de desfrutar da música como uma "obra" pensada pelo músico, incluindo a capa do disco, a sequência das músicas e tudo mais. Isto remete a esta escuta "intensiva", a uma escuta que aposta nas noções de aprofundamento e duração, que os jornalistas da Megazine reclamam estar acabando.
Mas, roubando a idéia do Chartier sobre "práticas de leitura" para pensar este universo das práticas musicais, creio que esta outra forma "extensiva" - que eles chamam de escuta efêmera, também pode ser bem interessante. Não saber quem é, não estar ligado ao artista "pelo que ele já fez antes"; utilizar outros filtros para descobrir músicas das quais a gente gosta.E principalmente, não ter que incorporar uma angústia que me parece ser a dos críticos culturais - quem vai durar? Será que a banda X ou Y vai passar para o segundo disco? Vale à pena apostar nela? Será que vai tocar no rádio?
Música pra dançar, música pra estudar, música pra caminhar pela cidade, música para uma escuta distraída, música nova pra ouvir no ipod, como antes no walkman ou no sound-system; música curtida em velhos discos de vinil... Estas práticas nos remetem a uma pluralidade de experiências culturais ligadas à escuta sonora - um dos temas mais fascinantes das nossas pesquisas no LabCult - que coexistem em diálogo e ou em tensão, apropriando, reconfigurando e dando sentido a velhas e novas tecnologias.
Relax, baby! Just listen to the sound of the music...