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segunda-feira, 14 de abril de 2008

Stones - Scorsese II

O Tiago comenta aí no post anterior o filme do Scorsese sobre os Stones. E eu concordo integralmente com as observações. O filme não tem nada de especial; e as letras garrafais Stones Scorsese parecem mesmo, conforme tb já comentou o Jefferson, excessivas e fora de contexto.

É um documentário para fãs.

Mas, como tal - já disse que esta conversa é proibida pra menores - eu confesso: amei. O filme não, a banda.

Citando um outro filme - O perfumista - a sensação é a de que ali a essência do pop foi destilada e concentrada em dose máxima.

É uma aula, com todos os elementos que construíram as regras do gênero rock, ampliados pela parafernália de Scorsese, que nos leva pro backstage.

A caricatura de Mick sobre si mesmo fazendo aquelas dancinhas ridículas, meio puta, meio macho, meio Bundchen atravessando a passarela ; a doideira de Keith eternamente gargalhando no hospício; a elegância zen budista de Charlie Watts; a alegria infantil de Ron Wood - tudo aquilo que já vimos mil vezes, tá lá. E pior, ganha um tom de revelação, tal é a obsessão das câmeras com os detalhes, perscrutando instrumentos, platéia, rugas e músculos.

E mais uma vez o papo do boteco pós-filme levanta a mesma dúvida. Se eles ainda estão se divertindo pra cacete, se são os maiores golpistas da história da música ou se não seria melhor a gente ultrapassar este dilema entre autenticidade e cooptação e se render.

Ao mesmo tempo, sobreviveram a si mesmos, a todos os excessos, e continuam ali, vomitando urgência, agressividade e energia. Raw power, diria Iggy Pop; Vontade de poder, diria Nietzche; oh God, que inveja! diria Andy Warhol.

Fica aí, então, a música que pra mim ainda é a mais completa síntese desta banda:
Sympathy for the devil, no trailer super bacana de Godard, 1968.