sábado, 30 de maio de 2009

chris marker

Dica rápida sobre uma mostra legal que está acontecendo no CCBB.

Desde o dia 26 de maio, filmes de Chris Marker estão sendo exibidos por lá. Pra quem não conhece, ele é fotógrafo, escritor, cineasta e artista multimídia. E no seu currículo ainda tem estudo de filosofia com Jean-Paul Sartre.


A mostra acontece até o dia 7 de junho. Destaque para o dia 6, em que serão exibidos a sua obra-prima La Jetée (imagem acima) e A.K Portrait d’Akira Kurosawa, documentário sobre o cineasta japonês. Programação aqui.


Tosco mode on!

O Maria Vitória é um dos últimos bastiões lisboetas do teatro de revista, gênero que aqui no Brasil deixou os palcos e foi criar raízes na televisão, em programas como Zorra Total ou A Praça é Nossa. Note-se, no impagável cartaz de Piratada à portuguesa, a referência explícita ao filme Piratas do Caribe, aqui deglutido num espírito nitidamente gozador.


Quem me conhece sabe que eu nutro um apreço todo especial por coletar tosqueiras nos lugares por onde passo. E quando falo em tosqueiras, não vai aí nenhuma conotação pejorativa, por mais estranho que isso pareça: da mesma forma que o baixo corporal bakhtiniano, para mim o tosco faz parte da eterna dinâmica segundo a qual atribuímos valor a coisas e pessoas, e talvez seja essa visão de mundo que me permita emendar uma sessão de Jean Rouch na Cinemateca do MAM com o Sabbá Show.
O fato é que ao visitar um país estrangeiro, meu radar de tosqueira parece se tornar duas vezes mais sensível. Quando visitei a Itália, em férias, meu interesse pelos programas musicais da RAI Uno chegava às raias da obsessão. O que há de mais fascinante na tosqueira é que, muitas vezes, debaixo de um aparente descompromisso com a forma ou com o conteúdo, escondem-se camadas e mais camadas de significações num primeiro momento impensáveis.
Estava flanando pela FNAC do Chiado (Lisboa) quando avistei na prateleira dos lançamentos o CD aí do lado. Meu primeiro impulso foi conferir que diabo de canções uma coletânea chamada Luso Pop, cuja capa fazia uma referência mais-que-explícita ao clássico disco Velvet Underground & Nico assinado por Andy Warhol, traria em seu repertório. Longe de possuir uma proposta alternativa-vanguardista – chave de leitura que muitos utilizam para perceber um disco como o do Velvet – Luso Pop vai de GNR a Marco Paulo, passando por José Cid, Amália Rodrigues, Herman José, Rádio Macau e mais uma série de artistas cuja procedência desconheço. A título de (pífia) comparação, seria mais ou menos como se a Som Livre editasse uma coletânea chamada Pop Brasil que tivesse Roberto Carlos, Moacir Franco, Kid Abelha e Legião Urbana, e cuja capa ostentasse uma frondosa palmeira verde e amarela.

Passada a gargalhada inicial, comecei a pensar numa série de questões: que, por exemplo, nem todo mundo talvez seja capaz de perceber de imediato à referência ao disco do Velvet, e se essa correspondência fundamental porventura escapa ao indivíduo, 90% da graça de Luso Pop desce pelo ralo. Depois, há a possibilidade de você pescar a referência ao Velvet e justamente por isso esperar que Luso Pop se trate de um álbum em alguma medida vinculado ao espírito daquele disco, o que não me parece ser o caso. Em terceiro lugar, há um emprego consciente do estereótipo – o bacalhau representando metonimicamente a identidade Lusa e a referência a Andy Warhol dialogando com a idéia de Pop – o que de alguma forma me remeteu tanto ao conceito de “essencialismo estratégico” de Spivak (ou seja, aqueles momentos em que aderir ao estereótipo parece mais vantajoso do ponto de vista da auto-representação do que tentar desconstruí-lo), como também ao LP OutraVolta na Música Portuguesa, já comentado aqui neste blog. Por fim, há o próprio conceito de pop, que aqui parece complexificado ao extremo.

Se eu me arrependi de não ter comprado o CD? Acho que sim. Mas me arrependo mais de não ter visto Piratada à portuguesa – afinal de contas, em julho Luso Pop continuará à venda na FNAC, mas a Piratada... muito provavelmente já vai ter saído de cartaz... :-(

sexta-feira, 29 de maio de 2009

johnny lee

Johnny Chung Lee, um pesquisador da Microsoft especialista em interações do ser humano com dispositivos eletrônicos, ensina como transformar equipamentos do Wii em soluções pra lá de sofisticadas.

O projeto Head Tracking for Desktop VR Displays using the WiiRemote é um exemplo. Ele transforma a experiência de olhar para um dispositivo audiovisual (vulgo televisão ou monitor) em observar, literalmente, uma janela: dependendo do ponto do ambiente (sala, escritório etc) em que o espectador estiver, ele terá uma perspectiva diferente do conteúdo da tela.

Sabe quando alguém tenta desviar fisicamente dos morcegos quando está jogando The House of The Dead em algum fliperama, por exemplo? É como se este ângulo fosse possível.

Conferir é viver:



Mais soluções ambiciosas para periféricos de Wii neste link. E é legal lembrar que para a maioria dos projetos não é necessário ter o console do videogame, só os controles e a barra sensorial.


quinta-feira, 28 de maio de 2009

daan brinkman

Na última edição do FILE, dentre outros muitos trabalhos, figurava o Skinstrument.

O Skinstrument é uma mesa de som construída a partir do circuito de amplificação sonora LM386, um aparato bem cotidiano. Ele está em muitos dos modelos de caixa de som para computador do mercado, por exemplo. Eu já comentei sobre este trabalho especificamente num outro post, e deixei lá um video desta instalação de Daan Brinkman. Vale bastante a pena!

Voltei a conferir o canal do youtube do artista holandês de 26 anos. Ele vê na tecnologia uma possibilidade de interação e sociabilidade.

Na instalação Lines, que lembra uma reactable, o deslocamento das pessoas sobre um certo espaço provoca respostas visuais no chão, e também sonoras. A idéia de trabalho em grupo é presente mesmo quando o espaço da instalação é ocupado por quem não se conhece. Difícil ignorar a presença de alguém!




Outro trabalho bem legal de Brinkman é o 16 pillars, uma instalação de luz e som. Ele reage conforme os movimentos do ambiente, os processando com um software que gera som e dita o comportamento das luzes.




quarta-feira, 27 de maio de 2009

ops!

A Adidas House Party, que aconteceu em várias metrópoles brasileiras (Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo), mandou um quê a mais na capital carioca.

O esquema para a entrada na festa era feito pela mediação de um grupo seleto de "curadores" que escolhiam outros 40 VIPs. Um convidado em especial percebeu algo a mais que o clima hipster das roupas descoladas e da música in da festinha. João Paulo Cuenca, escritor e jornalista d'O Globo, reparou em detalhes da decoração que fugiram da atenção (segundo o que todos nós cremos, ou pelo menos esperamos) da produção do evento. Entre as beldades, formadores de opinião e fashionistas ao som de Glass and Glue figuravam várias indumentárias nazistas da mansão alugada para o evento, que o jornalista fotografou e publicou neste link do jornal.

águas turbulentas


A repercussão foi bem comentada pela internet, além de um pedido de excusas feito pela Adidas e uns comentários que fizeram no blog de Cuenca.


domingo, 24 de maio de 2009

Damo Suzuki - amanhã

Já divulgamos desde semana passada. Mas, agora com o release oficial do evento, só para lembrar do bate-papo com Damo Suzuki no Oi Casa Grande, amanhã, as 19 horas

" A ESPM-RJ, através do PANMEDIA LAB - Laboratório da ESPM de Pesquisas e Análises em Mídias, Entretenimento, Design e Intervenções Artísticas, e o Globo Universidade, com o apoio cultural dos programas de pós graduação em comunicação da UERJ, da UFF, da UFRJ, da PUC-Rio e do CAEPM, realizam nesta segunda-feira, dia 25 de maio, a 3ª edição do ciclo de debates do Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea(CECC).

O tema deste mês é "Entretenimento e Audibilidades Contemporâneas" e terá como convidado especial o músico Damo Suzuki, ex-vocalista da banda alemã Can, trazido ao Rio de Janeiro em parceria com a Plano B ( http://planob.net/ ) A proposta básica deste encontro é - através de um diálogo entre Simone Pereira de Sá (antropóloga e professora do PPGC-UFF), o músico Jean-Pierre Caron, o jornalista Arthur Dapieve e o músico Damo Suzuki - pensar a transformação das audibilidades contemporâneas. Esta transformação pode ser apreendida através dos novos suportes de escuta musical (como os mp3 e os celulares), de novos códigos sonoros como aqueles trazidos pelos gadgets e games, de movimentos culturais como a noise music e o circuit bending, de novas práticas de entretenimento como as salas de cinema multiplex e seus sistemas imersivos de distribuição de sons, de novas linguagens publicitárias, como aquelas que propõem o desenvolvimento de logos sonoras etc.

De uma maneira geral, iremos explorar o cenário sonoro contemporâneo a partir, fundamentalmente, das práticas correntes de entretenimento. A idéia é tentar lançar um pouco de luz sobre como as audibilidades se transformam hoje, inaugurando novos códigos sonoros que, por fim, afetam as práticas de comunicação e a própria cultura contemporânea.

Ao final do debate o músico Damo Suzuki realizará uma performance apresentando o seu conceito de instant composing, junto com os seus sound carriers (ver texto sinopse sobre o músico, abaixo) que utilizarão instrumentos musicais e gadgets variados (celulares, brinquedos eletrônicos, games etc), para acompanhar o músico.

DATA:Dia 25 de abril, segunda-feira;HORÁRIO: 19h.LOCAL: Teatro Oi Casa Grande: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon. Rio de Janeiro.Entrada franca - Inscrições no site www.espm.br. Mais informações pelo telefone (21) 3523-2323

Curtas portugueses no Cachaça Cinema Clube

Aí, meu povo! Programão pra noite da próxima quarta (alguma dúvida de que o filme-surpresa vá ser João César Monteiro na veia? Eu aposto no Quem espera sapatos de defunto morre descalço, que andou sendo exibido recentemente numa mostra do CCBB sobre juventude, mas confesso que Passeio com Johnny Guitar no telão do Odeon também não seria maus)...

"Caros amigos,convidamos para o Cachaça Cinema Clube do dia 27 de maio, dedicado ao cinema português. De Portugal, herdamos a língua e toda a herança cultural dos colonizados, mas precisamos de tradução para compreender o que falam e sensibilidade para captar a melancolia que parece habitar o espírito português. E conhecemos pouco o cinema feito além-mar...

Apresentaremos 3 curtas metragens de jovens diretores que nos marcaram a retina nos últimos anos, experiências incisivas de cinema que agora temos prazer em compartilhar: Perímetro, de Miguel Seabra Lopes, A serpente, de Sandro Aguilar; e Lost in art: looking for Wittgenstein, de Luís Alves de Matos e João Louro. Para completar, um filme surpresa, uma obra genial do mais radical e libertino dos cineastas lusitanos.

Após os filmes, a noite segue com apresentação de Negro Léo e Trio Extraordinário. A banda, formada por Negro Léo, Daniel Fernandes, Gabriel Balleste e Pedro Dantas, aposta na Tropicália, Bossa Nova, jazz e vanguardas musicais e artísticas em geral. Coisa fina.

Antes e após o show, DJ H tocará rock de Portugal da década de 1960, música brasileira das décadas de 60 & 70, além de grupos nacionais e internacionais influenciados pelo jazz e por seus subgêneros. Tudo isso regado `a tradicional degustação da Aguardente Claudionor.

Dia 27 de maio, às 21h, no Cinema Odeon Petrobras.
Quem espera por sapatos de defunto, morre descalço.
Venham todos.
Abraços,
Cachaça Cinema Clube
entender é parede: procure ser árvore
www.cachacacinemaclube.com.br"


PS #1: um obrigado transbordando de afeto a todos aqueles que se lembraram deste que vos blogueia ao saberem da sessão do CCC...

PS #2: e a propósito do tema "curtas portugueses", uma boa notícia que acabou de sair do forno - Arena, de João Salaviza, levou o prêmio de melhor curta-metragem do recém-terminado Festival de Cannes. Por pouco muito pouco pouco mesmo não conferi o filme no último Indie Lisboa, do qual também saiu premiado. A edição on line do jornal Público fez uma boa cobertura da vitória de Arena - meio ufanista, é verdade, mas nessas horas tem que ter orgulho mesmo! Agora é ficar na torcida para em algum momento a gente ter a chance de conferir esse filme, né?

sábado, 23 de maio de 2009

iggy imprevisível

Não deu pra uma das últimas do Iggy Pop passar despercebida.

Ele fez a campanha da seguradora de carros Swiftcover. No comercial para a TV (um pouco brega), que já foi tirado do ar, ele dança sem camisa fazendo caras e bocas. E isto distorce um detalhe muito sórdido a respeito da Swiftcover: ela se recusa a aceitar músicos como segurados. Pode?

E ele continua sendo o garoto-propaganda, apesar de tudo. A diretora de marketing do swiftcover.com disse para o jornal britânico Telegraph que Iggy foi escolhido para a campanha porque "ele ama a vida, e não porque ele é um músico". Que desculpinha hein!

Outra contradição do iguana, mas uma muito mais ponderável: o álbum novo dele, Préliminaires, que está para sair no dia 25 de maio.


A arte da capa e do encarte é da cartunista franco-iraniana Marjane Satrapi, autora de Persépolis, que fez amizade com Iggy desde que ele participou como dublador na versão animada da história.

A contradição está no fato de ele dizer estar cansado de "ouvir broncos idiotas com guitarras tocando músicas ruins". Préliminaires tem uma levada mais tranqüila e jazz. Ele, inclusive, fez uma versão de uma música do Tom Jobim, Insensatez, que foi traduzida para How Insensitive.

Amo o Tom, mas confesso que não consigo ficar sem pensar "que é isso, Iggy?" por um momento.

Pelo menos, ele não abriu mão da identificação que tem com cachorros. Na faixa King of The Dogs, o eu-lírico é um cachorro que fala sobre o quanto é melhor estar na pele dele do que na de um ser humano.


quinta-feira, 21 de maio de 2009

E por falar na Deolinda...

Enquanto vasculhava a Internet à procura da página do Deolinda no MySpace, esbarrei com essa mobilização para trazer o grupo ao Rio de Janeiro. Juntei-me aos outros quatro cariocas que assinaram a petição e agora compartilho a campanha com os leitores do LabCULT. O que vocês estão esperando? Cliquem, participem!



Demand deolinda in Rio de Janeiro!
deolinda in Rio de Janeiro - Learn more about this Eventful Demand

View all Rio de Janeiro events on Eventful

*...Interrompemos nossa programação...*

Pequena pausa no relato das minhas aventuras lisboetas. Foram entregues na noite do último domingo os tradicionais Globos de Ouro SIC, já comentados por este que vos blogueia a propósito da edição do ano passado. Quando estive em Portugal pela primeira vez, em abril de 2007, tive a oportunidade de assistir aos Globos in loco e posso garantir que a festa é tão over, mas tão over, que faz o clássico Troféu Imprensa do SBT parecer um concerto do Philip Glass no quesito minimalismo. De qualquer modo, talvez justamente em virtude dessa estética do excesso, assistir aos Globos é divertidíssimo. A começar pelas categorias, que misturam desde prêmios perfeitamente compreensíveis em se tratando de uma cerimônia televisiva como Melhor Filme e Melhor Ator, até bizarrices do tipo Melhor Modelo e Melhor Treinador de Futebol.

Na edição 2009, e sem muita surpresa, o prêmio de Melhor Grupo Musical foi para o Buraka Som Sistema, cujo CD “Black diamond” é simplesmente adorado em terras lusas, e vem servindo como passaporte para a entrada do Buraka no mercado de língua inglesa e no circuito de festivais dos Estados Unidos. O troféu de Revelação ficou com o Deolinda (da simpática vocalista Ana Bacalhau & cia - olhares para a cima, se faz favor Î), que na opinião deste humilde escriba, faz um trabalho muito bacana de poparização do fado – o CD “Canção ao lado” possui as letras mais espirituosas da recente produção musical portuguesa, além de acenar com simpatia para a música brasileira na faixa “Garçonete da casa de fado”. O galardão – como eles dizem – de Melhor Intérprete Individual, oh que surpresa, ficou com a fadista Mariza.

No âmbito do cinema, o prêmio de melhor filme ficou – ainda bem! – com Aquele querido mês de agosto, que desbancou Entre os dedos (minha segunda opção), Mal nascida, de João Canijo, e a chatíssima cinebiografia de Amália Rodrigues. Amália, de Carlos Coelho da Silva, entretanto, levou o troféu de Melhor Atriz para Sandra Barata Belo, que de fato é uma das poucas coisas que funciona no filme. Nuno Lopes (de Alice e da série de humor televisiva Os contemporâneos, a quem, aliás, tive a oportunidade de assistir no papel de Caliban em A tempestade, de Sheakespeare, sob direção do igualmente memorável Luís Miguel Cintra) levou o prêmio de Melhor Ator pelo filme Goodnight Irene, de Paolo Marinou-Blanco, que desconheço. Para ser indicado como Melhor Ator ou Atriz dos Globos de Ouro SIC, basta ser português e ter se destacado no elenco de algum filme lançado durante o ano anterior, não importando se o filme for português ou estrangeiro – o que significa que atores portugueses de projeção hollywoodiana como Joaquim de Almeida ou Maria de Medeiros concorrem em pé de igualdade com Ivo Canelas ou Soraia Chaves. Vá entender...

(E a quem interessar possa, o Globo de Ouro de Melhor Estilista foi para José António Tenente.)

Governo Federal faz consulta pública sobre Projeto de Apoio a Telecentros

Até o próximo dia 29 de maio está aberta, no site de e-gov do governo federal (clique aqui), a consulta pública sobre os documentos preliminares do Projeto Nacional de Apoio a Telecentros (nome provisório), que terá coordenação dos Ministérios das Comunicações, da Ciência e Tecnologia e do Planejamento. O projeto está inserido no Programa de Inclusão Digital do governo federal, composto por outras ações, como o Programa Computador para Todos, que reduziu a carga de impostos para reduzir o custo da aquisição de micro computadores.

O objetivo geral do projeto que está sendo submetido à consulta é "desenvolver ações conjuntas entre órgãos do Governo Federal, Estados, Distrito Federal, Municípios e sociedade civil que possibilitem a oferta, implantação e manutenção, em larga escala, de telecentros", entendidos como "espaços sem fins lucrativos, de acesso público e gratuito às Tecnologias da Informação e da Comunicação - TICs, com computadores conectados à Internet, disponíveis para múltiplos usos, incluindo navegação livre".

Para isso, pretende, como diz o documento preliminar, "apoiar a implantação de novos telecentros e o fortalecimento de telecentros já existentes no País, por intermédio das iniciativas (programas e projetos) aos quais se vinculam". O apoio se dará com o oferecimento de conexão, computadores, bolsas de auxílio financeiro a jovens monitores e formação de monitores bolsistas e não-bolsistas que atuem nos locais de acesso.

Segundo o Observatório Nacional de Inclusão Digital (Onid), que mapeou a localização de centros públicos de acesso gratuito no Brasil, existem mais de cinco mil telecentros no país, mantidos por governos ou por organizações da sociedade civil. Este número ainda é pequeno se considerarmos a dificuldade de acesso ainda existente. Segundo a TIC Domicílios 2008, pesquisa realizada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, 34% da população brasileira tem acesso à internet (considerando as pessoas que acessaram a rede nos três meses anteriores à pesquisa). Dessas, somente 4% acessam em centros públicos de acesso gratuito; 14% acessam em laboratórios de escolas, 21% no trabalho, 22% na casa de outra pessoa, 42% em casa, e 48% em centros públicos de acesso pago - as lan houses e os cibercafés. Quando vemos os dados do meio rural, a importância das lan houses cresce ainda mais: 58% das pessoas com acesso nessa área se conectam à internet de centros de acesso pago, e somente 26% têm internet em casa, como indica a pesquisa que, pela primeira vez, mapeou a posse e uso das TICs em meio rural.

Os números indicam a dificuldade de implementação de telecentros no país, e apontam para a necessidade de discutir as políticas públicas de inclusão digital de forma mais ampla, incluindo a disponibilização de banda larga em todo o território nacional e a parceria com estabelecimentos de acesso pago como as lan houses. Mas, além de pensar no número de pessoas conectadas e na gratuidade ou não das conexões, precisamos questionar: o que significa essa "inclusão digital"? De que forma a população tem se apropriado das novas TICs? De que forma as tecnologias podem realmente contribuir para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida da população? Questões que vão muito além da utopia tecnológica e que apontam para a necessidade de articular a "inclusão digital" a outras políticas sociais, educacionais e culturais.

Fonte: Observatório Nacional de Inclusão Digital: http://www.onid.org.br/portal/

***

As contribuições ao Projeto Nacional de Apoio a Telecentros podem ser enviadas também por carta, fax ou correio eletrônico até às 17h do dia 29 de maio de 2009, para: Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação, Esplanada dos Ministérios, Bloco C, sala 300, CEP: 70046-900 - Brasília – DF ou pelo Fax: (0xx61) 3322-4410, Correio Eletrônico: telecentros@planejamento.gov.br.

Como a polícia descobriu a causa de um incêncio numa festa

A história é mais ou menos assim: estudantes estão farreando e, de repente, a casa pega fogo. Veja como a polícia descobriu a causa do incêndio, porque os bombeiros chegaram tão rápido ao local e porque os presentes só perceberam o incêndio quando a casa estava em chamas.



Vídeo enviado pelo @pedrocuri

terça-feira, 19 de maio de 2009

um pouco sobre o Can


Irmin Schmidt e Holger Czukay eram músicos experientes, com mais de 30 anos de idade, quando decidiram unir sua vocação à demanda moderna do final dos anos 60. Foram diretamente influenciados pela música vanguardista, como a de Stockhausen, Michael Von Biel e da musique concrète dos anos 50. Czukay convidou seu aluno de guitarra Michael Karoli, e unidos ao percussionista de jazz Jaki Liebezit formaram o Inner Space.

Esta equipe de artistas mais entusiastas do que produtores de cultura jovem acabou dando origem ao Can, banda krautrock bem influente para uma generosa parcela do rock pós-anos 60.

Quando o Can ainda se chamava Inner Space, o vocalista era Malcolm Mooney. Um escultor de relativo renome nos Estados Unidos, ele se mudou para a Alemanha na segunda metade dos anos 60 onde conheceu os outros integrantes. Foi dele a idéia de mudar o nome do grupo para The Can, pois alegava que isto conferia ao título do grupo uma gama positiva de significados.

Mais tarde, Irmin Schmidt desmistificou o nome do Can ao dizer que era uma sigla para “Communism, Anarchy and Nihilism", segundo a biografia da banda que o editor do allmusic, Stephen Thomas Erlewine, escreveu.







Tendo uma participação ativa no primeiro (Monster Movie, 1969) e em parte do segundo álbum (Soundtracks, 1970) do Can, Malcolm Mooney voltou para os Estados Unidos para “recuperar sua sanidade mental”, após recomendações de seu psiquiatra e sentimento de não-adaptação à Alemanha. Alguns dizem que a postura de Mooney no palco era intensa o suficiente para que a sua sanidade fosse posta em questão.

Monster Movie colocou o Can no mapa depois de uma certa subestimação por parte da indústria fonográfica – ao não encontrar nenhuma gravadora disposta a vender o disco por causa de sua natureza experimental, a banda optou por prensar 500 cópias por conta, que foram vendidas todas em uma semana.

A partir daí, a reputação do Can encontrou um caminho ascendente. Fecharam contrato com a United Artists, lançaram dois álbuns e acolheram o novo vocalista, Damo Suzuki, que é de quem a maioria das pessoas lembra quando pensa no Can.

A postura de Suzuki foi altamente compatível com as intenções de Irmin Schmidt e Holger Czukay. O primeiro encontro deles não foi um teste longe da visão do público, de uma banda sem vocalista a procura de novos integrantes – eles conheceram Susuki e logo o chamaram para fazer um show mais tarde naquele dia, que aconteceria num bar da vizinhança onde se conheceram.

Susuki era um viajante, ator (atuou na peça “Hair”) e estava trabalhando como músico de rua. Sua performance no primeiro show produziu uma ótima química com o grupo, que tinha como princípio a liberdade criativa e o instant composing – que, como já sugere, tem muito a ver com o espírito espontâneo das composições improvisadas do jazz.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Damo Suzuki no Rio

Depois de quatro anos, Damo Suzuki volta ao Brasil.

A partir do dia 22 de maio, dividirá o palco com músicos brasileiros de São Paulo, e fará o mesmo em outras quatro cidades brasileiras: Goiânia (dia 23), Rio de Janeiro (26 e 28), Curitiba (30) e Florianópolis (dia 03 de junho).

No dia 25 de maio, o músico estará no Oi Casa Grande a partir das 19h, para fazer uma performance e ser entrevistado. O evento faz parte do Ciclo sobre Entretenimento e Cultura Contemporênea, idealizado e coordenado por Vinicius Pereira, professor da ESPM e da UERJ, conforme já divulgamos aqui. A mesa para debate será composta pelo jornalista musical e crítico Arthur Dapieve, e pelos professores Jean-Pierre Caron (UERJ) e Simone Pereira de Sá (UFF), mentora do LabCULT. A entrada será franca e maiores informações estão no blog do PanMedia Lab.



Fotografia de Alex Britestein.


Em seu site oficial, Damo Suzuki convoca todos os músicos de boa vontade para que a sua turnê continue seguindo em frente. Ele não tem uma banda fixa, e a cada cidade que visita para um show conta com músicos voluntários diferentes para se apresentar. O fato de ele ser ex-vocalista da banda de krautrock Can torna este evento uma oportunidade de ouro para estes músicos, que Suzuki chama de sound carriers.

Damo Susuki foi chamado para o Can no final da sua adolescência. É bastante disseminado que ele foi visto pelos membros da banda enquanto cantava na rua para conseguir alguns trocados, e acabou virando o vocalista definitivo depois do show cheio de improvisações que fizeram ao fim deste mesmo dia.

Este espírito foi preservado pelo artista, que trouxe deste primeiro encontro com a sua antiga banda de Munique um grande gosto pela espontaneidade. Nunca ensaia, mesmo porque considera o erro uma parte essencial da experiência musical.

Além da performance no Oi Casa Grande, divulgamos os shows do músico no Rio de Janeiro:

Dia 26 - Rio Rock n Blues Bar.
Rua do Riachuelo, nº20.
Ingresso: R$60 e R$30 (meio).

Dia 28 - Teatro Ipanema.
Rua Prudente de Moraes, 824.
Ingresso: R$70 e R$35 (meio).

Para maiores informações a respeito dos sound carriers do Rio de Janeiro, acesse o blog do Plano B.

Ingressos antecipados a venda:

- Plano B
Rua Francisco Muratori 2A
Fone (21) 2509-3266
www.planoblive.blogspot.com

- Baratos da Ribeiro
Rua Barata Ribeiro n. 354, loja D
Fone (21) 2549 3850

- Tracks Gávea
Pça Santos Dumont, 140, - Lj B
Fone (21) 2274-7182

domingo, 17 de maio de 2009

Parlez serieux, Carlá Bruniii !!!!






A notícia que nos atormentou a semana é a de que vem da França de Carla Bruni e Sarcozy o discutível pioneirismo de uma lei antipirataria contra downloads de música. Segundo todos os jornais nacionais, agências, blogs e afins, a primeira-dama empenhou-se pessoalmente na aprovação, indo ao Senado convencer os nobres funcionários pubicos - digo, públicos- de que o download "ilegal" de músicas na Internet afeta de maneira irremediável a indústria da música francesa.
E - tal como os franceses acreditam que a bela senhora faz música - também os senadores engoliram o papo.
Mas, como diria O Daviola, (nem assim) eu aceito o argumento...
É que, pra início de conversa, afora o Daft Punk, não vejo nada que precise ser salvo na tal música francesa contemporânea (entendido como marco o momento pós Jane Birkin e Gainsbourg horrorizando o mundo com os uivos de Je t'áime, na década de 70).


A lei é das mais draconianas - punição com um ano sem provedor, pagando pelo serviço... E foi saudada pela indústria do entretenimento francesa. Mas, vai ter que passar pelo Conselho do Parlamento Europeu para ser sancionada, uma vez que pode ser considerada um atentado contra os direitos individuais.

Viva Howard Rheinghold, Timothy Leary, Ted Nelson, Berners Lee, etc, etc, etc... Falo de todos os caras que construíram a rede como um lugar para a troca irrestrita, cujo lema é o de que a informação é um bem social que deve ser compartilhado de maneira livre, democrática e pra além dos interesses individuais.


Talvez, partindo deste princípio tão incutido na tradição de usos culturais da internet, a lei seja derrubada.

E, se não for, só vai demonstrar a falta de sintonia da cultura euro(po)cêntrica com os novos usos e valores das tecnologias comunicacionais.(Salvo as exceções de praxe).
Too old world!!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

agente brazucah

Estão abertas as inscrições para o projeto Agente Brazucah.

A Brazucah, rede social formada por algumas das principais universidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, visa levar informações a respeito do cinema nacional e oportunidades de vivência deste meio a universitários.

Esse projeto (o Agente Brazucah), por exemplo, funciona da seguinte maneira: através de um processo seletivo, 32 universitários são selecionados como representantes da agência e têm como incumbência manter o seu ambiente de estudo irrigado de informações a respeito de certo(s) filme(s). Ao mesmo tempo, é um porta-voz da sua universidade no meio cinematográfico. E o que torna esta missão ainda mais digna é o fato de existir remuneração.

Maiores informações no site da Brazucah (todo em flash, pode demorar a carregar).

quarta-feira, 13 de maio de 2009

PERÚ: a vanguarda do punk mundial

Gente, quando eu digo Perú estou falando país, ok? Mas o negócio não é brincadeira: o Perú tem uma cena de rock bacanérrima a ponto de reivindicar certa originalidade e/ou autenticidade para o gênero punk.

Especificamente se trata da banda “Los Saicos” que em 1964 já fazia um som que, escutado hoje, jamais imaginaríamos que pudesse ser produzido em tal data. Separei uma de suas músicas “Demolicion” mais recorrente na net que exemplifica bem o fenômeno.


A musica é uma verdadeira demolición como indica o título, só o solinho de guitarra que, sem nenhuma distorção, ficou devendo, mas poh, o Jimmy Hendrix devia estar fazendo aula de guitarra nessa época, temos que dar um bom desconto.

Mas, como já disse, não é brincadeira. Está para sair ainda esse ano o filme “Saicomania: the world should know”. Aí vai um dos traillers:

“Qualificaram de proto Punk”... algo tipo protótipo do punk, imagino. Fiquei intrigado e resolvi pesquisar mais. Acabei encontrando a reportagem peruana que parece ter sido a fonte de boa parte das declarações deste trailler. A reportagem, abaixo reproduzida, defende a criatividade e originalidade do movimento “rocknrollero” do Perú destacando as bandas Los Saicos e Los Shain’s cujos integrantes comentam suas trajetórias através de entrevistas. Além disso, ao final do vídeo a reportagem segue fazendo um apanhado de algumas bandas lisérgicas do final dos anos 1960 e início dos 1970. Para quem tiver paciência e quiser aprofundar, aconselho ver o vídeo abaixo, mas não deixem de ver o último que é o melhor deles:



Realmente a cena de rock do Perú é surpreendente, mas porque que “the world should know”? Ou melhor, o que é que o mundo precisa saber? Que uma dentre várias bandas bacanas da cena peruana dos 60 seria a vanguarda esquecida de um movimento com o qual jamais dialogou? Em uma de suas viagens no tempo, teria o jovem McFly dado uma passadinha no Perú em 1964, comprado um vinil dos Los Saicos, ido para os EUA no início dos anos 70, entregado-o a Joey Ramone que o ouviu, quebrou-o e morreu sem contar pra ninguém o “segredo” da origem do punk?

Afinal, porque o filme intitulado Saicomania, que de certa forma representa a reconstrução de uma memória, de uma identidade juvenil peruana, não reivindica sua originalidade e autenticidade frente ao rock dos anos 60? Frente aos Beatles, ou até mesmo ao Elvis, por exemplo?

O que ajuda a responder essas questões ( e levantar varias outras) é um pequeno documentário histórico do rock dos anos 60 no Perú que de todos os que vi achei o mais completo e pertinente para discussões. O vídeo começa falando de como o cinema foi fundamental para a recepção e uma posterior articulação da cena do Rock peruano, o que dialoga diretamente com o que vimos nas discussões sobre sounds studies no curso da Simone em relação a contribuição da televisão para a formação do rock americano. No meio do vídeo, o narrador inclusive cita que após estruturada a cena, os artistas buscaram a televisão como um meio de maior experimentação artística. O cinema, por sua vez, foi a verdadeira estufa onde os jovens organizavam eles mesmos concertos de rock junto a projeção de filmes nas “Matinales” (matinês), com a finalidade de financiar suas festas, viagens e “otras cositas más”. O vídeo mostra varias bandas e entrevistas, é uma excelente fonte de referência. Destaque para a música “Vate al infierno” da banda Los York’s,ou melhor, do Roberto Carlos, né? Mas o grande detalhe é revelado somente no final:

O desfecho do documentário coloca que não foi a tevê que matou o rock (seria essa uma percepção dos peruanos?), mas a ditadura. Como foi dito, as tais “matinales” foram proibidas em 1969, embora as bandas tenham continuado a surgir até 1974 quando “misteriosamente foram desaparecendo”. O mais irônico é que o rock peruano morre poucos anos antes da explosão do punk, o que explica a urgência de “The World Shold Knows” e a reconstrução da memória de uma “Saicomania”. Sem querer encerrar a discussão, termino com uma questão que só o Mcfly, poderia nos responder:

Se a ditadura do Perú não tivesse existido, o rock peruano teria dialogado com rock mundial e contribuído para a formação do genro Punk? Imagino que os amantes do Rock peruano devem se perguntar isso todo o dia.


abril e maio do electroclash

Abril e maio de 2009 foram meses produtivos para o (falecido?) electroclash. Não somente as duas principais figuras do gênero lançaram albuns novos, como muita gente das imediações musicais deles também têm novidades.

Larry Tee lançou no dia 21 de abril o disco Club Badd, que segue uma fórmula bem própria do produtor. Ele chamou colaboradores, músicos ou não, para incrementar as chances de venda e de alcance de público. Em conversa que tive com ele neste ano, ele ainda foi mais longe: disse que chamou gente sem o menor talento musical para contribuir no álbum (além de músicos ótimos, como Roxy Cottontail), e com o êxito de fazer boa música vencer um desafio profissional. Me pergunto de quem ele estava falando... seria de Perez Hilton, o blogueiro que escreve o neo-tablóide mais famoso da internet? Da club kid Amanda LePore, musa de David LaChapelle que se aventurou em fazer música justo na época do electroclash, em que talento também não era tão importante assim?



O outro grande produtor do electroclash, Dj Hell, também está de álbum novo desde o dia 27 de abril - e também contou com colaboradores. Dentre os amigos do Hell que aparecem no album Teufelswerk, estão Antony Rother, P. Diddy e Brian Ferry (!). Sim, DJ Hell sentiu o gosto de fazer música com o ex-vocalista do Roxy Music. Em entrevista ao DJ britânico Jonty Skrufff, Hell disse que já conhecia pessoalmente Ferry há algum tempo, quando foi requisitado por ele para trabalhar numa faixa que estava interminada chamada 'U Can Dance'. Energia gasta na aprimoração da música, Hell conquistou o gosto do perfeccionista Brian Ferry e orgulhosamente a ostenta dentre as outras faixas de seu álbum novo.



Temos também disco novo da escrachada Peaches, com um título igualmente escrachado: I Feel Cream, lançado no dia 4 de maio. É o ano das inter-colaborações do electroclash, minha gente! Digitalism, Soulwax e Simian Mobile Disco produziram algumas faixas da escatológica punk canadense. Outro canadense do electroclash que teve ajuda do Soulwax é o Tiga, que lançou dia 20 de abril seu segundo album, chamado Ciao! . Miss Kittin não é exceção (em relação a album e parceria) : trabalho novo dela (chamado Two) lançado em abril ao lado de um amigo de tempos atrás, The Hacker.

Noites lisboetas #3 - o dia da grande feira


Se andar por Lisboa já é uma aventura, andar por Lisboa à procura de um endereço específico pode ser duplamente enlouquecedor. Portugueses em geral são bons para informar trajetos, embora na maior parte das vezes desconheçam coisas prosaicas como o nome das ruas. Que o largo cinturão viário margeando o Tejo e passando pela estação ferroviária de Santa Apolônia se chama Infante Dom Henrique até eu sei, mas todas as pessoas para quem eu perguntei a localização da loja FLUR - onde, naquele sábado de abril, rolaria um evento vinculado ao Dia Internacional das Lojas de Discos - do chefe da estação de comboios a um casal que fumava do lado de fora da Santa Apolônia, simplesmente desconheciam o nome da bendita avenida. Comecei a concluir que essa dificuldade com o nome das ruas era mais do que uma cisma minha quando, no dia anterior, circulando pelo Bairro Alto com uma malta de brasileiros (alguns pela primeira vez em Lisboa por causa do Lusocom, outros residentes na cidade há pelo menos seis meses), descobri ser uma das poucas pessoas que consegue se localizar no labirinto que é o Bairro Alto a partir do nome das ruas. E estávamos tentando chegar na Zé dos Bois, lugar cuja existência mesmo alguns lisboetas desconhecem...


Depois de bater cabeça por alguns minutos, finalmente achei a FLUR - um imenso corredor cercado de discos e CDs por todos os lados, ligando a Infante Dom Henrique à margem do rio. O visual da esplanada é de cair o queixo. Faltava pouco para o meio-dia e a loja ainda estava vazia. No som, rolava de Franz Ferdinand a Jeff Buckley. Do meu lado, um cinquentão acompanhado do filho pré-adolescente vasculhava as prateleiras de CD. Por recomendação do moleque, vejam vocês, os dois saem da loja com dois discos de Brian Eno fase-ambiente, o que me levou a anotar mentalmente que talvez adorasse ter um filho(a) para, entre outras coisas, curtir esse tipo de programa quando ele tivesse 13 anos.


É quando decido chamar um dos vendedores. Despejo sobre ele o já tradicional rame-rame sobre a minha pesquisa e peço para ele me indicar cinco artistas ou bandas imprescindíveis para se conhecer o que anda rolando de bacana na cena musical portuguesa contemporânea (registre-se que em nenhum momento eu utilizei as palavras "alternativo" ou "underground"). "Se calhar não há nem cinco", ele responde, meio brincando, meio a sério, para em seguida colocar na minha mão quatro discos: Outubro, de Manuel Mota, e Space, de Rafael Toral, são excessivamente experimentais até mesmo para os meus padrões, mas Marches of the new world, de David Maranha, e É isso aí, do Aquaparque (que vem a ser produzido por Rafael Toral) me conquistam e eu decido levá-los.


"Conhece este que está a cantar?", me pergunta o outro vendedor, enquanto desembolso a grana, e só então reconheço a voz de Rodrigo Amarante em sua atual encarnação Little Joy. Constato que a vida deve ser mesmo engraçada, pois até então nunca havia escutado Little Joy, tendo sido necessário atravessar o oceano para conhecer o som do grupo. Menciono que a banda anterior de Amarante havia feito algum sucesso no circuito alternativo de Portugal. "Eh, Los Hermanos era bom, pá", ele conclui, para em seguida arrematar: "A música portuguesa de qualidade você não vai encontrar na FNAC" - embora o CD de estreia do Aquaparque esteja à venda na loja do Chiado por 14 euros (e há uma coisa que me intriga em relação a essas bandas portuguesas de viés mais experimental como o próprio Aquaparque ou mesmo o Galadrop, cujo CD eu adquiri em outubro, que é o fato de elas não serem alocadas na seção de música portuguesa, mas sim junto aos discos "alternativos" internacionais, embora haja coisas razoavelmente experimentais feitas em Portugal - caso do Peixe:Avião ou mesmo do Mão Morta - dividindo espaço nas prateleiras com o Emanuel ou o Marco Paulo. Afinal de contas, qual é o critério - ou o que essa aparente falta de critério acaba por significar?).


Até pretendia ficar até mais tarde na FLUR para conferir os DJ sets (B Fachada ia fazer um pocket show lá pelas 18h), mas como haveria um concerto gratuito da caboverdiana Lura na FNAC às 17h, acabei indo embora com a certeza de que um debate sobre underground versus mainstream em terras lusitanas daria um caldo - verde? - daqueles.

domingo, 10 de maio de 2009

Bajofondo - Pa´Bailar



| Confesso: sou apaixonado por músicas e compositores que criam rompendo com as classificações, com os limites estabelecidos, mesclando tempos históricos, gêneros, informações de distintos lugares. As mesclas culturais sempre me pareceram mais interessantes. A defesa do purismo, das origens primevas sempre estiveram em baixa em minha cotação do gosto pessoal. Não é por nada que em minha tese de doutorado resolvi analisar os anos 90, no Brasil e na Argentina, e me fixar em grupos e cantores que faziam (e continuam fazendo) canções que brincavam com fronteiras, rompendo-as para estabelecer diálogos com o outro, os vários outros que os rodeavam ou com os quais resolveram estabelecer contato. E fui entrando no mundo criativo de Divididos, Chico Science e Nação Zumbi, Zeca Baleiro, Los Redondos...

| Mas toda essa introdução na verdade é para falar do show do Bajofondo - Mar Dulce - que assisti no sábado, dia 09, no Vivo Rio. Já conhecia seu trabalho de CDs e também pela internet. As mesclas já começam pela formação: argentinos e uruguaios, alguns vivendo em seus países, outros, como é o caso do líder-fundador, Gustavo Santaolalla, vivendo em Los Ângeles. Começaram hibridando tango e música eletrônica, o chamado "eletrotango", em pegada muito próxima a já feita pelo Gothan Project. Mas não pararam por aí. Vieram os diálogos com músicos e sonoridades latino-americanas, como candombe, e passadas pelo rap e pelo hard rock.
Mas não quero fazer um histórico aqui, nem tampouco uma crítica formal. Quero sim falar da experiência que foi estar presente e participar do espetáculo.

| Cara, confesso que vi configurado no palco um pouco de tudo que havia estudado para minha tese: hibridação, tradução e reciclagem cultural. Entrei de cabeça na festa de sons (bandoneón, violino, bateria, sons programados em computador, toca-discos e outras parafernálias eletrônicas, mesclados hábil e criativamente), luzes e imagens. E sob a batuta de Santaolalla, o mesmo cara que havia entrado em contato inicialmente ao estudar o Rock Argentino, o líder da banda Arco Iris, uma das primeiras bandas do rock dos hermanos portenhos. Gustavo comandou a festa, músicos e público entraram no seu ritmo contagiante.

| E ainda teve a participação especialíssima de Dado Villa-Lobos e Bonfá, há séculos sem tocar juntos no palco, tocando e cantando "Índios" (meio mal, afinal cantar não é o forte de Dado, mas pouco importava naquele momento), com imagem de Renato Russo no telão.

| Foram três momentos perfeitamente interligados. Um primeiro, chamado por Gustavo de "Pesado", em cima de um som mais forte e grave ditado pela bateria e programações eletrônicas; o segundo, mais "Calmo", que incluiu a execução solo por Santaolalla de uma peça que ele fez para "Diários de Montocicleta. Por fim, "Pa´Bailar", parte final do show, e aí foi impossível ficar parado. Incitado pelos músicos, o público se soltou e parte dele, entre os quais me incluo, subiu no palco, e, literalmente, o Vivo Rio se transformou numa rave. Músicos e público integrados no palco, rompendo também aí os limites precisos e as fronteiras demarcadas. Veja um pouco do que foi isso no vídeo abaixo, que gravei enquanto dançava e invadia o palco. Nada normal, nada certinho, nada regrado, decididamente amador, mas que resgata um pouco do clima do espetáculo. Decididamente, como diz Charly García, "la alegría no es solo brasilera".
E depois do vídeo-dançante e totalmente amador, reproduzo um vídeo de "El Mareo", retirado do youtube, de uma das músicas que mais gosto dos caras.




sábado, 9 de maio de 2009

Fim do livro?


Dois posts atrás, Heitor lançou a pergunta: chegou ao fim o jornal de papel? Pois não só o jornalismo e o jornal impresso estão em questão em nossos dias. Diante dos novos suportes digitais, a literatura e o livro de papel também estão sendo repensados, assim como a própria figura do escritor e do intelectual, numa época em que a informação é abundante e acessível em uma série de suportes.
Este será um dos temas do II Seminário Brasileiro Livro e História Editorial, que acontecerá de 11 a 15 de maio, no Rio de Janeiro e em Niterói. O evento é uma iniciativa do Lihed - Núcleo de Pesquisa sobre Livro e História Editorial no Brasil, coordenado pelo professor Aníbal Bragança, do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense, e acontece a partir de uma parceria da UFF, através de diversas unidades envolvidas, com a Academia Brasileira de Letras (ABL), a Fundação Biblioteca Nacional e a Université de Versailles Saint-Quentin-en-Yvelines, da França. (Para mais informações, acesse aqui).
A conferência de abertura, no dia 13/05, na ABL, será feita pelo francês Jean-Yves Mollier que, em entrevista ao caderno "Prosa & Verso", do jornal O Globo de hoje, falou sobre as mudanças culturais e tecnológicas que farão surgir "novos gêneros literários, desconhecidos até agora, que vão misturar texto, imagem, som". Para Mollier, o leitor também se modifica, assim como o escritor e o intelectual:
"A leitura não está ameaçada, mas enfrenta uma terceira grande revolução do seu suporte (o rolo, depois o códice e depois a tela plana), o que provoca temores e angústia entre os que sempre leram belos livros em belas edições bem cuidadas. Eu acrescentaria, ainda, que a leitura não é mais considerada uma atividade distinta, mas paga-se o preço de sua difusão em todas as camadas da população. Ela é, de alguma forma, normalizada ao se democratizar e o escriba, o intelectual, perdeu poder, o que acarreta efetivamente um problema".


Eis mais um tema para debatermos. Mas para não ficarmos só na teoria, indico o site do Andre Vallias, "designer gráfico, poeta e produtor de mídia interativa". É uma das obras mais interessantes que vi nos últimos tempos. Clique aqui.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Noites lisboetas #2 - o dia do show gratuito de 30 euros


Minha aventura no Seixal à cata dos Xutos & Pontapés começou dando mostras de que ia ser uma tremenda furada. O Seixal está para Lisboa assim como Niterói está para o Rio de Janeiro, pelo fato de também estar situado do outro lado de uma barreira aquática (no caso, o Rio Tejo). Mas o Seixal também possui o seu quê de Baixada Fluminense, pois ao contrário do que acontece com Niterói, os transportes para o Seixal - barcos, comboios e autocarros - simplesmente deixam de circular around midnight. Quando me dispus a cruzar o rio para conferir o concerto gratuito que os Xutos (plus Tereza Salgueiro e sua Lusitânia Emsemble e o grupo de percussão Tocá Rufar, espécie de Olodum da Terrinha) dariam em comemoração ao 25 de abril, portanto, estava plenamente consciente de que a jornada de volta a Lisboa seria de lascar. O que não imaginava é que já a ida teria sua cota de turbulência: comecei escolhendo o meio de transporte errado (crianças que em visita à LX pretendam conhecer o Seixal, atenção: não caiam no papo de quem disser que vocês devem ir de trem; as barcas que saem do Terreiro do Paço continuam sendo a melhor opção), continuei me ferrando ao saltar na estação errada (um lugar chamado Foros de Amora) e depois pegar o autocarro errado (dica #2: em Portugal, o fato de em determinado lugar haver uma avenida principal chamada Primeiro de Maio não significa que o Largo Primeiro de Maio - onde rolaria o show - fique perto; muito pelo contrário, às vezes significa que o supracitado largo fica a pelo menos uns 6 km de distância, devidamente percorridos por este que vos escreve debaixo de forte ventania e ainda sob os efeitos de um resfriado), e terminei o inventário das minhas tragédias lisboetas às 4 da manhã, morrendo em cerca de 30 euros num táxi cujo taxímetro, por ser de outra junta de freguesia, começou a correr com o dobro da velocidade ao entrar em Lisboa.


Em compensação, o evento em si foi das melhores experiências dessa minha última visita a Portugal. Às 21h30, faltando meia hora pro início dos shows, o Largo Primeiro de Maio começou a ser invadido por um baita clima de quermesse do interior: barraquinhas de pipoca e cachorro quente, um público que ia do miúdo mais pequeno à velhinha mais quadrada, e um sistema de som que mandava de José Afonso a Barão Vermelho, Daniela Mercury, Djavan e Fafá de Belém fase-boi-bumbá, mas cujo ápice decerto foi a execução do clássico "Vira" dos Mamonas Assassinas, acompanhado entusiasticamente pela malta local.


Depois da apetitosa entrada oferecida pelos contagiantes tambores do Tocá Rufar, e de um chatíssimo preâmbulo das lideranças políticas locais a pretexto do 25 de abril vindouro e de olho nas eleições que se aproximam (vamos combinar que o cachê dos Xutos não deve ser exatamente barato, ainda mais em se tratando de um show gratuito, logo...), é chegada a hora de Tereza Salgueiro subir ao palco. Confesso que seu atual trabalho com a Lusitânia Ensemble, de recuperação sistemática de algumas matrizes da tradição musical portuguesa, provocou alguns bocejos neste humilde blogueiro. Excessivamente submisso às tais matrizes, coisa que o antigo grupo de Tereza, o Madredeus, de alguma forma conseguia superar de maneira mais criativa, o show é uma sucessão de canções da Época Medieval (uma coisa, assim, meio Legião Urbana fase "V") e danças típicas (o malhão que com algum esforço consegui registrar em vídeo talvez seja o momento mais animado do concerto).










Meia-noite, outro intermezzo político, e uma queima de fogos muito da mixuruca saúda o 25 de abril. Pronunciam-se os célebres discursos anti-fascistas, jogam-se cravos para a platéia, canta-se a "Grândola, vila morena", nada de novo no front e all I want to do is rock.

Agora a constatação do óbvio: por mais que eu tente colocar em palavras e exercitar minha postura antropológica de me colocar no lugar do outro e tal, não há modo de descrever o impacto que os Xutos & Pontapés há exatos 30 anos vem provocando no imaginário cultural português. Se é algo difícil para um meio-português entender, que dirá para alguém totalmente exterior a essa realidade... O rock de arena dos Xutos é "anacrônico", sobretudo se comparado às viagens de bandas recentes como Peixe:Avião e a gang de Tiago Guillul? Pode até ser, mas talvez seja esse saudável anacronismo (quando Appadurai diz que toda world music também é uma "somewhere music", se ampliarmos a questão espacial prum approach temporal talvez possamos concluir que toda música também é, de certa forma, datada, posto que produzida dentro de determinada configuração social, cultural, etc) o responsável pela adesão ilimitada e incondicional da audiência, sem restrições de idade.


Como cheguei cedo e consegui um lugar na grade, fiquei boa parte das duas horas e meia de show espremido entre uma senhora de seus 60 e tantos anos que havia chegado antes de mim e um grupo de adolescentes que sequer era nascido quando a banda lançou seu primeiro disco, todos devidamente "escoltados" por um garotinho que com muita boa vontade tinha mais de 7 anos e deliciava-se fazendo enlouquecidas air guitars. E por mais que o discurso do senso comum diga que as novas canções não chegam aos pés dos clássicos - e o show a que assisti era meio que o pontapé inicial da turnê de lançamento do último álbum de inéditos da banda - isso não impediu que todo mundo aparentasse saber de cor as letras do disco recém-lançado. Diálogo entreouvido não muito longe de onde eu estava: "Já comprou o novo disco?", "Ainda não", "Pois deve comprar, pra manter os Xutos no topo" (crise da indústria, novos formatos de áudio? Sei...)



E como diria Caubi, cantei. Ah, se cantei. Conforme mencionado num post anterior, foi através dos Xutos que me alfabetizei no universo do rock português, e algo me diz que se não fosse por canções como "Contentores", "Circo de feras", "O homem do leme", "A minha casinha", "Enquanto a noite cai", "Chuva dissolvente", "Para ti, Maria" e "Remar, remar", de longe a minha favorita, que BERREI a plenos pulmões, essa pesquisa talvez sequer existisse. Devo ou não devo agradecer àqueles cinco provectos senhores, que a despeito de uns quilinhos a mais aqui, e até de uma muleta ali (o baterista Kalu havia feito uma cirurgia e tocou devidamente amparado por uma bengala), demonstram um exemplar domínio de palco e, com sua performance catártica, ainda conseguem colocar a plateia na palma da mão? Aos que duvidam da resposta, eis uma breve amostra do que foi aquela bela noite no Seixal.


terça-feira, 5 de maio de 2009

Fim do Jornal de Papel?

Reproduzo a seguir um texto do blog de um colunista do JB. Polêmico, o post que faz menção a um texto do próprio colunista sobre notícia na internet vesus jornal de papel é um bom ponto de partida pra uma discussão sobre o tema. Seria bom dar uma olhada também no texto do jornal mesmo. Não achei agora, mas se conseguir encontrar, posto depois.

O jornal não morrerá jamais
27/04/2009 - 00:18 Enviado por: Migliaccio

Na coluna Rio Acima publicada aos domingos no Jornal do Brasil, escrevi que não acredito que a internet vá acabar com os jornais impressos em papel.Ninguém aguenta ler um texto de mais de quatro parágrafos na tela do computador. A vocação da internet é para a informação em pílulas: a previsão do tempo, o trãnsito, a hora do cinema, o resultado da Mega-Sena, a nova contratação do Flamengo, a morte do manda-chuva do antigo Congo Belga...O jornal traz muito mais com fôlego de sobra: análise, idéias, opiniões conflitantes, pluralidade. Um golpe de estado na Tanzânia rende no máximo três parágrafos num site de notícias. Num jornal impresso, dá margem a uma deliciosa meia página. Ou página inteira, com fotos e o devido desenvolvimento do tema.A palavra escrita tem seu bálsamo nos jornais, não na web, onde a língua portuguesa muitas vezes se reduz a "vc" "tk", "kd" e outras abreviações ininteligíveis para não iniciados. Quero ver surgirem na tela do computador um Nelson Rodrigues e um Evandro Teixeira, um papa do texto e outro das fotos.O rádio não morreu quando a TV chegou; nem o cinema com o DVD. O jornal em papel nunca perderá a majestade, mesmo com a proliferação de sites de notícias, que, em sua maioria, vivem do nome e da estrutura dos próprios jornais que lhes deram origem.Bom, vou parar por aqui porque estamos na web e você já está a fim de passar para outra página. Se quiser ver a versão completa deste texto, leia o Jornal do Brasil. Inté.

domingo, 3 de maio de 2009

Noise - Notyesus

Divulgo e recomendo esta apresentação, do duo Notyesus , formado pelo Rafael (meu aluno no curso de Sound Studies) e o Jean Pierre. Para os sortudos que estiverem com a tarde de terça-feira livre.
" O duo de música eletrônica extrema, notyesus, formado por Rafael Serpa e J.-P. Caron, estará se apresentando no Conservatório Brasileiro de Música, nesta terça-feira, 05/05/2009, às 14h40, no Auditório Lorenzo Fernandez.
Na 1a. parte, realizaremos uma palestra denominada "Noise: música eletrônica e ruído", sobre a cena sonora extrema japonesa e movimentos correlatos. Em seguida, haverá um show do -notyesus."
Auditório Lorenzo Fernandez - Conservatório Brasileiro de Música [CBM-CEU] - Av. Graça Aranha, 57, 12o. andar- Centro - Rio de Janeiro, RJ