terça-feira, 30 de junho de 2009

superstar djs

Superstar Djs: Here we Go! é como se chama o livro de Dom Phillips, ex-editor da Mixmag, que hoje em dia mora no Brasil.

Em entrevista a Camilo Rocha para a Dj Mag, ele fala sobre a crítica de música em geral (usando o bom e velho jargão mainstream para designá-la) e também que existe uma intolerância forte por parte da dance music em relação a críticas negativas na mídia.

De qualquer maneira, o livro soa bem interessante: ele faz um panorama da Inglaterra pós-rave, e dá a sua versão de como o DJ passou a adquirir status de popstar.

Lembrei do trabalho do colega labcultiano Marcelo Garson, que comentou bastante esta questão e está nos preparativos para ser vizinho de Phillips em São Paulo.

FLIP + Festlip = Semana lusófona

Ao longo desta semana e da próxima, a Última Flor do Lácio estará em evidência no Rio de Janeiro. Começa amanhã (quarta-feira, 1 de julho) e vai até domingo a já tradicional Festa Literária de Paraty. Em sua sétima edição, a FLIP promete superlotar as ruas da deslumbrante cidade, a exemplo dos anos anteriores. A impecável escalação de 2009, com Chico Buarque, Gay Talese, Milton Hatoun, Alex Ross, dentre outros, decerto colaborou para o caos que foi a venda on line de ingressos para a Tenda dos Autores, que se esgotaram em pouco mais de duas horas.

Mas o meu destaque absoluto, claro, vai para o escritor português António Lobo Antunes, que fala ao público no sábado, às 19h. A visita de Lobo Antunes promove o lançamento no Brasil de seu livro O meu nome é Legião (Alfaguara), que no entanto é de 2007 - estamos atrasados, pois Além-Mar O arquipélago da insônia já havia sido lançado no final do ano passado, e há obras fundamentais da literatura loboantusiana, como As naus, que permanecem inéditas por estas paragens. Autor sempre cotado para o prêmio Nobel (dizem as más línguas que Lobo Antunes só foi preterido por José Saramago por não possuir o engajamento político de esquerda deste último), o escritor tem fama de arredio. Sua conversa com Humberto Werneck na Tenda dos Autores pode ser inesquecível, ou um fiasco. Como fiquei preso no congestionamento do Ingresso Rápido (?), só consegui garantir meu lugar na Tenda do Telão. Nos vemos lá!

A FLIP ainda apresenta, às 10h30 de sexta, uma mesa 0800 sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa com o escritor angolano Ondjaki e o brasileiro Marcelino Freire, na Casa de Cultura de Paraty.

Infelizmente coincidindo com a FLIP, começa na próxima quinta (mas vai até o dia 12 de julho!) o II Festlip - Festival de Teatro da Língua Portuguesa, reunindo companhias oriundas do Brasil, de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. São duas peças por país, e os espetáculos - gratuitos! - acontecem no teatro Sesc Ginástico (Centro do Rio), na Arena e no Mezzanino do Espaço Sesc de Copacabana, e no Sesc Tijuca. O restaurante 00, vizinho ao Planetário da Gávea, também oferece um cardápio especial composto por pratos característicos dos países participantes do Festival. Haverá, ainda, um show no próximo sábado, dia 4, começando às 22h no Estrela da Lapa, com artistas brasileiros, angolanos e cabo-verdianos - só fiquei me perguntando cadê os moçambicanos, portugueses e guineenses que não foram convidados a fazer parte do show, o que é, no mínimo, diplomaticamente deselegante, mas enfim... Estive no Festival no ano passado e garanto que vale muito a pena, sobretudo pela oportunidade de conferir trabalhos que, em outras circunstâncias, jamais baixariam por aqui. Interessam-me as encenações da companhia portuguesa Primeiros Sintomas, que ataca de Lindos dias, de Samuel Beckett (aquele da mulher que passa a peça inteira enterrada na areia, só com a cabeça de fora) e Mar me quer, do Grupo Teatral Tijac, de moçambique, que dialoga com a obra do escritor Mia Couto. Diante de tantas opções, pra quê ficar em casa?

domingo, 28 de junho de 2009

Stefhany no Caldeirão do huck - Questões sobre direito autoral

Sábado, dia 27, a cantora piauiense Stefhany e o apresentador Luciano Huck protagonizaram um evento hilário e ao mesmo tempo esclarecedor sobre o cenário musical em tempos de internet. Depois de ficar famosa no país inteiro ao ter seu videoclipe amador acessado por mais de 1 milhão de pessoas no YouTube, a cantora apareceu no programa Caldeirão do Huck para se consagrar ao som de seu grande sucesso. No entanto, a Globo não permitiu que Stefhany cantasse a música "Cross Fox", na verdade, uma versão não autorizada da música "A Thousand Miles" da cantora Vanessa Carlton.
Henry Jenkins (2008) nos fala de como a rede mundial de computadores tem permitido a visibilidade de uma produção amadora que até então ficava restrita aos amigos e familiares e Pierre Lévy (1999) aponta como a cibercultura e as ferramentas digitais (home studios, por exemplo) tem democratizado o cenário musical, além de implicarem numa erosão das categorias de autor e obra. No entanto, se podemos reconhecer no fenômeno Stefhany uma série de tendências apontadas por esses e outros pesquisadores da cibercultura, por outro, acabamos nos deparando com a emergência de discussões em rede nacional sobre direito autoral versus apropriação cultural, reafirmando a importância que essa categorias ainda apresentam na cena musical.



O curioso é que apesar da proibição de executar a música "Cross Fox", Stefhany acabou se apresentando no palco do Caldeirão ao som de mais uma versão de um hit internacional. Dessa vez de "Behind These Hazel Eyes" da Kelly Clarkson.



Ao ser questionada sobre a autoria da música em outros programas a cantora alegou que "todo mundo faz isso". Ela estava se referindo a prática disseminda entre as bandas de forró do Nordeste que tem suas composições baseadas em versões de grandes sucessos internacionais do rock e do pop. Scorpions, U2 e Michael Jackson já receberam suas versões em forró. Embora não tenha investigado a questão a fundo, não me lembro de nenhuma dessa bandas darem crédito as versões originais.
Resta a dúvida: O Luciano Huck realmente acreditou que essa nova música se tratava mesmo de uma composição original ou a Kelly Clarkson fez a gentileza de liberar a versão da Stefhany?

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Luto! Luto! Luto!




Que a lua seja espaçosa para seu moonwalk! Hasta la vista, baby!

rio game show


No último domingo, fui conferir de perto o Rio Game Show.

O evento foi um projeto ambicioso, e parece que promete mais para as próximas edições. Dizem que em novembro deste ano teremos outra.


Lara Croft alucinando a fila.


Como todo marinheiro de primeira viagem, teve seus contratempos e seus contras. Mas apesar deles, confesso que eu sou otimista. A iniciativa foi boa, e a demanda de público é um incentivo pra que a parada se agilize.

Uma das principais críticas foi o atraso; as atividades estavam previstas para iniciar às 13h, mas o público começou a entrar quase uma hora depois disso. E levando em consideração a megafila que estava formada dentro e fora do local, e o sol escaldante que a temperou, quem esperou com paciência fez 1000000 pontos.


Não tinha como dar skip.


Outra polêmica foi o concurso de Rock Band. Eu não me candidatei, mesmo porque fiquei um pouco ressentido de não poder ouvir os debates direito devido a um moleque de chapéu, que cantou Lithium do Nirvana aos berros pelo menos quinze vezes. O volume do concurso estava interferindo diretamente nas falas do pessoal.

Sentando super perto de quem estava debatendo, vi as três primeiras mesas: A indústria de games, Tecnologias para se fazer jogos e A arte dos games. A última foi sobre jogos independentes, também prometia. O pessoal que estava falando nesta trabalha com XNA, e a maioria é de estudantes.

Como as mesas eram compostas por muita gente de universidade, a questão da formação pra se trabalhar em games foi bastante tratada. Programadores e designers gráficos são os perfis que as empresas que se pronunciaram no evento (como a Donsoft, a Aiyra, a Calibre e a Nanogames) valorizam.

Tivemos forte presença do pessoal da UFF, como o Pedro Thiago que elaborou o game Sperm Racer e Fernando Ribeiro, que desenhou e programou o jogo Tales of Bast, representando o grupo de desenvolvimento de games Media Lab.

Um jogo que se destacou foi o Capoeira Legends, da Donsoft, que foi o filho mais exaltado da empresa. O enredo se passa no século XIX, no Rio de Janeiro colonial. A interface é intuitiva e bonita. Tem o primeiro capítulo do jogo pra comprar online, o preço é tranqüilo (R$26) e a plataforma é PC.

Esperamos o próximo!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Comitê pela Democratização da Informática lança projeto para lan houses

Será lançado amanhã, 25/06, às 10h30, no shopping Tijuca, o projeto CDI Lan, mais uma iniciativa para aproximar as lan houses das ações de "inclusão digital" no Brasil. O projeto foi idealizado pelo CDI (Comitê para Democratização da Informática), tem o apoio da ABCID (Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital) e da atriz e apresentadora Regina Casé, que no final do ano passado produziu uma série do quadro Central da Periferia, exibido no Fantástico, sobre os centros públicos de acesso pago ao computador espalhados por todo o Brasil (para ler sobre a série, clique aqui).

O projeto, segundo o site do CDI, "prevê um código de conduta para as casas que se afiliarem e também uma assessoria a elas no campo da gestão. O objetivo é romper com os estereótipos e preconceitos que ainda cercam as lan houses e fazê-las cumprir um papel relevante nas comunidades onde atuam". Por um lado, o projeto pretende qualificar e diversificar os serviços que as lan houses oferecem, garantindo, assim, o seu futuro como negócio. Por outro, visa "promover a ponte entre educação, cidadania e empreendedorismo" e transformar as associadas "em negócios sociais sustentáveis".

Os donos de lan houses que quiserem aderir ao projeto podem obter mais informações e fazer o cadatro no site da ONG: http://www.blogger.com/www.cdi.org.br.

Acho muito bacana este tipo de parceria com as lan houses. Afinal, elas estão espalhadas por todo o Brasil e é através delas que 47% da população brasileira acessam a internet hoje, como mostram os dados do CGI já divulgados por aqui. Além disso, este tipo de parceria pode ajudar a sustentar um comércio importante sobretudo para as periferias brasileiras, e que tem dificuldade de sobreviver, por causa da necessidade de investimento em um mercado que exige constantes atualizações, altos custos de manutenção, dificuldades de obtenção de crédito e a ilegalidade em que se encontra a maior parte desses estabelecimentos.

Mas me incomodam um pouco as falas que, para enfrentar o preconceito que as lans sofrem - por causa de denúncias infundadas sobre pedofilia e por preconceito contra jogos, principalmente os "violentos" - desqualificam o entretenimento, a função de espaço para jogos que é também um dos baratos dessas lojas, ao lado dos múltiplos usos que os frequentadores atribuem a elas: busca por emprego, pesquisa escolar, comunicação, acesso a governo eletrônico, etc.

A fala do fundador e diretor-executivo do CDI na divulgação do projeto minimiza esta crítica ao entretenimento, falando em "fomento ao entretenimento saudável". Mas o comercial ("campanha viral") que está circulando pela internet não escapa a esta contradição, ao dizer que "O CDI Lan quer o melhor da lan house, ela quer tirar justamente essa cara de uma coisa ilegal, de uma coisa esquisita, que as pessoas só vão lá pra jogar, pra ver coisas que não interessam. Não, lá na lan house a gente sabe que já acontece tanta coisa boa, imagina no CDI Lan".

O debate poderia se complexificar - sem prejuízo para a legitimação das lans - se o entretenimento fosse colocado em discussão, como fator importante para a sociabilidade, a cognição e o desenvolvimento de competências como a autonomia e a criatividade.




Data: 25 de junho, quinta-feira
Hora: 10h30 às 13h00
Endereço: Avenida Maracanã 987 - auditório - 6° andar - Tijuca
Informações: Sheila (21) 3235-9459 / 9389-7363 e Paulo 3235-9455 / 9979-1289

Noites lisboetas #5: o dia em que meu acervo discográfico cresceu

O acervo completo


Há tempos que a produção da gravadora (por enquanto, assim a chamemos) independente portuguesa Flor Caveira vinha chamando a minha atenção, ou pelo menos desde outubro, quando adquiri o brilhante disco Tiago Guillul IV por módicos oito euros na FNAC do Chiado. Faixas como “Beijas como uma freira” e “Lou Reed quer ser preto” escondiam, por detrás dos títulos surreais, canções muito bem urdidas que fundiam, em alguma medida, o punk rock de inspiração anglo-estadunidense às melodias e ao discurso lírico de uma certa vertente tradicional da música portuguesa, apropriada sob o viés da sátira e do escracho. “Canção para o Rodrigo” tornou-se desde então uma das minhas favoritas, com seu crescendo épico que sempre me faz lembrar o combo canadense Arcade Fire. E “Dentes de Lobo” tem um quê de dança folclórica, pervertida pelas guitarras dissonantes. Tudo isso, misturado ao discurso religioso que pontua boa parte das canções (a maioria dos membros da “família Flor Caveira”, como eles mesmos se nomeiam, são vinculados à Igreja Batista de Queluz) e à herança de artistas como António Variações, reclamada por Tiago Guillul, Os Pontos Negros e B Fachada, entre outros, tornava a produção dessa galera um fascinante estudo de caso.

A FC existe desde 1999, mas só agora alcança alguma projeção em nível nacional, motivada, em parte, pelo êxito do disco homônimo dos Pontos Negros (aquele do delicioso single “Conto de fadas de Sintra à Lisboa”), lançado pela Universal no ano passado – e que, por sua vez, abriu caminho para que B Fachada trilhasse a mesma vereda com seu Um final de semana no Pônei Dourado, que chegou às lojas no final de abril. O fato de lançarem discos por uma major, contudo, não desvinculou os artistas da “família”: no Festival da Cave, a ocorrer no dia de 26 de junho na Cave da Igreja Batista de Queluz (“A Flor Caveira regressa às origens” é o mote do evento), por exemplo, os Pontos Negros dividirão o palco com Guillul – espécie de mentor da FC – Samuel Úria & as velhas glórias e Te voy a matar, que de certa forma ainda “militam” no underground.

A FC tem uma volumosa produção de singles e EPs que, como manda o figurino, são im-pos-sí-veis de serem encontrados nas megastores de quatro letras. Um link no site da gravadora, entretanto, permite que o internauta interessado em adquirir o catálogo da FC encomende os discos que quiser, mediante transferência bancária. Quando estive em LX para o último Sopcom, aproveitei o embalo e encomendei o catálogo completo (algo em torno de 17 discos, média de 3 euros por peça, totalizando pouco mais de 60 euros) – detalhe que em menos dois meses quatro novos álbuns foram acrescidos à lista, incluindo aí o novo CD de João Coração e um intitulado Variações & Lutero, de Guel, Guillul & e o Comboio Fantasma, que pelo título parece ser impagável – solicitando que os discos me fossem entregues na pensão onde estava hospedado. As formalidades entre mim e o pessoal da FC duraram menos de duas mensagens de email: na terceira missiva o Paulo, encarregado das encomendas, já estava sugerindo que os discos me fossem entregues pessoalmente, já que ambos estaríamos em Lisboa. Aceitei a proposta e combinei um encontro na entrada da FNAC Chiado, às 19h45 de uma segunda-feira, 20 de abril. Me sentindo o personagem de um thriller noir, informei que estaria usando uma blusa verde, uma echarpe preta e seguraria uma Time Out na mão, como se ao invés de discos de “louvores e panque roque”, estivéssemos intercambiando drogas ou qualquer coisa do gênero.

Minha suspeita de que algo daria errado e rolaria algum tipo de desencontro se dissipiram pontualmente às 19h46, quando chega Paulo, vestido de preto dos pés à cabeça e ostentando uma respeitosa barba. Os discos me são entregues num envelope de papel pardo, forrado com plástico bolha contendo meu nome (Portugal é o único lugar em que escrever meu nome com “h” nunca é a primeira opção) e o número da encomenda. Ao mencionar a pesquisa que estou desenvolvendo, Paulo me revela alguns detalhes palpitantes sobre a gravadora: primeiro, que a estrutura da FC é mínima – para além dos músicos, compreende apenas cinco “funcionários”, sem uma sede ou escritório fixo. Depois, discorre a respeito de uma parceria que a Flor acabou de firmar com a toda-poderosa Valentim de Carvalho, que dará suporte logístico a uma turnê nacional com o elenco da gravadora, a acontecer no segundo semestre, e ao final da qual alguns membros da “família” poderão ter discos gravados pela major, subsidiária da EMI em Portugal. Paulo confessou ainda que Tiago Guillul vem demonstrando interesse em internacionalizar o trabalho da Flor Caveira e anda ouvindo muita música brasileira (embora Paulo diga preferir Capital Inicial e Engenheiros do Hawai, o que me deixou um bocado confuso, pois se Capital Inicial e Engenheiros do Hawai não fazem música brasileira, então o que diabos Tiago Guillul anda ouvindo?). Por fim, e sem esconder uma pontinha de orgulho, fico sabendo que sou o primeiro ser humano fora de Portugal a encomendar o catálogo da FC.

A Flor Caveira continua me deixando intrigado: seu esquema de divulgação e distribuição de discos é bastante sui generis, sobretudo em tempos de distribuição de música on line; há o discurso da “família” e do underground, e ao mesmo tempo o estabelecimento de uma parceria com a Valentim de Carvalho; seus EPs possuem uma arte gráfica elaboradíssima (a capa do Viola braguesa de B Fachada é um deslumbre de cor, e mesmo discos de arte mais simples como Mais dez fados religiosos de Tiago Guillul denotam um apuro visual incontestável), embora os discos em si consistam em CDs graváveis com o nome do álbum e do artista escritos à mão, que nem eu costumava fazer lá em casa. As notas nas contracapas também são repletas de observações e comentários espirituosos (“AVISO: isto tem menos de ¼ d’hora” em Samuel Úria & as velhas glórias; “Esta gravação estereofónica em gloriosa baixa fidelidade não foi masterizada. Sound verité.”, em Cinco subsídios para o panque roque do Senhor), o que torna a experiência de possuir o catálogo duplamente saborosa. Regressei ao Brasil 17 discos mais rico. Agora é dar conta de ouvir isso tudo...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Lady Gaga e a Lojinha do Pop

Ontem, saiu no caderno da Ilustrada na Folha Online um texto ótimo do James Cimino sobre a Lady Gaga e as diversas incorporações que ela faz de ícones da música pop. Um texto bem informado, que ajuda a gente a pensar em termos da Indústria Cultural hoje, autenticidade x cópia, star system e por aí vai. Reproduzo aqui um trecho e segue link para a matéria.

Na verdade, Lady Gaga parece ter passado pela lojinha do pop. Esteve na prateleira do Michael Jackson e pegou as luvas, alguns passos de dança não tão óbvios como o 'moonwalker' e aquela atmosfera 'street dance' de seus clipes. Depois, passou pela seção princesas do pop. Pegou o figurino de policial-cachorra-dominatrix da Britney, o timbre de voz e os falsetes da Christina Aguilera e o rap de boutique da Fergie e da Gwen Stefany.

Conceitos de game design

Estão abertas, até dia 29 deste mês, as inscrições para um curso online do programador e game designer Ian Schreiber sobre os conceitos de game design, focado em jogos não-digitais.

O curso, que está previsto para começar no próprio dia 29 e durar até 6 de setembro, é gratuito, exceto pela leitura exigida de um livro do próprio autor (que sai por U$ 16.49 na Amazon) e pela confecção de um projeto final que Schreiber avalia ficar entre U$25 e U$50.

Understanding Comics e A Theory of Fun são os outros dois livros recomendados.

Para aqueles que ficarem na dúvida, grande parte do conteúdo estará disponível no blog do curso e os “ouvintes” podem inclusive deixar seus comentários. Uma boa solução para quem não tem maiores referências sobre o professor.

Já são 973 alunos inscritos de 42 países.

sábado, 20 de junho de 2009

Games e música se encontram em Rock Band

Agora é oficial: os Beatles irão ganhar sua versão Rock Band, da mesma forma que já aconteceu com Metallica, Guns´n Roses e Aerosmith. Durante a E3 2009, edição da principal feira de games no mundo, realizada entre os dias 2 - 4 de junho em Los Angeles, representantes da Eletronic Arts anunciaram o lançamento do jogo para próximo dia 9 de setembro.
Durante a exibição do trailler na E3 2009, grande parte do público se emocionou com a interface e as musicas executadas, segundo nota publicada no site Gamasutra. Enquanto a versão Beatles para Rock Band não chega nas lojas, vale a pena matar a curiosidade e ouvir algumas canções do jogo que promete ser um dos maiores sucessos em 2009.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

António Zambujo no Rio!


A dica vai meio em cima da hora, mas não custa nada proclamar as boas novas: o músico português António Zambujo fará um concerto amanhã (quinta-feira, 18 de junho) às 20h30 no Espaço Tom Jobim, situado dentro do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Nascido na cidade alentejana de Beja, Zambujo lançou seu primeiro CD em 2002, e vem ao Brasil para lançar Outro sentido, terceiro álbum de sua carreira. Nunca tive a oportunidade de vê-lo atuar, mas ao que tudo indica a música de Zambujo estabelece um forte diálogo tanto com o universo do fado quanto com os ritmos de seu Alentejo natal. Em seu blog Obra em progresso, Caetano Veloso desmanchou-se em elogios ao músico, declarando que "...o que se ouve em Zambujo é algo já que vai mais fundo. É um jovem cantor de fado que, intensificando mais a tradição do que muitos de seus contemporâneos, faz pensar em João Gilberto e em tudo que veio à música brasileira por causa dele." Ou seja, o espetáculo promete. São anunciadas participações especiais de Yamandu Costa e Roberta Sá. Ingressos a R$ 50, com meia-entrada.


segunda-feira, 15 de junho de 2009

Laboratórios de Experimentação e Pesquisa em Tecnologias Audiovisuais

Fonte: Pontão da Eco

Nesta terça (16), às 10h, o Pontão da ECO sedia reunião aberta do Programa Laboratórios de Experimentação e Pesquisa em Tecnologias Audiovisuais - XPTA.LAB. O encontro conta com a presença do coordenador do Programa, desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

O objetivo deste programa é a implantação de Laboratórios visando o fomento a projetos experimentais que proponham formas de interação das novas mídias, assim como novos modelos de negócio baseados nessas novas tecnologias. Os produtos gerados por esses projetos poderão ser obras de arte midiáticas, jogos eletrônicos, dinâmicas em telecomunicações, softwares, hardwares ou produtos audiovisuais interativos, entre outros.

É importante a divulgação entre instituições públicas de ensino e pesquisa na área do audiovisual, empresas, produtores, engenheiros, tecnólogos, cineastas, artistas etc., pois a característica principal do projeto é a integração entre pessoas de diferentes áreas.

Neste encontro o coordenador, Marcos Fábio Katudjian, irá explicar os critérios do Programa e conversar com os interessados.

Data: 16/06/2009 - Terça-Feira

Horário: 10h00

Local: Escola de Comunicação da UFRJ
Gabinete da Direção
Endereço: Av. Pasteur, 250 - Fundos
Praia Vermelha - Rio de Janeiro, RJ

Como chegar no local: http://forumdireitoautoral.pontaodaeco.org/comochegar

Todos as inforamções adicionais sobre o encontro podem ser obtidas pelo telefone (21) 9250-9594, com Gustavo.

domingo, 14 de junho de 2009

Variações sempre presente


A edição on line da Revista Blitz publicou uma matéria super bacana a propósito dos 25 anos da morte do popstar português António Variações, que foram celebrados no último sábado, dia 13 de junho. O texto destaca o legado musical deixado por Variações, manifesto em iniciativas como o projeto Humanos (dedicado às canções que António nunca gravou e capitaneado por Manuela Azevedo, David Fonseca e Camané) e em bandas como Os Pontos Negros ou o elenco da gravadora Flor Caveira, que promovem uma espécie de reatualização da célebre máxima de Variações segundo a qual sua música estaria situada nalgum lugar "entre a Sé de Braga e Nova York" - ou seja, promovendo uma síntese entre as tradições portuguesas mais arraigadas e o cosmopolitismo do ideário pop/rock.


Conheci o trabalho de Variações por acaso, tomando uma cerveja no Cais da Ribeira (Porto) ao som de uma jukebox operada por dois gaiatos. A música era "Estou além", e de cara fiquei impressionado com a voz singular daquela figura. Depois soube que Variações, além de músico, também havia sido cabeleireiro, além de constar como a primeira figura pública portuguesa a falecer em decorrência da AIDS (ou SIDA, como se diz em Portugal). O som de algumas de suas canções hoje pode parecer meio datado, mas as belas letras sobrevivem ao teste do tempo, e sua performance extravagante continua um assombro.





sábado, 13 de junho de 2009

her noise

Dica boa pra quem gosta de música de menina.

Her Noise é o nome do documentário que foi resultado da exposição homônima, que aconteceu na South London Gallery.

No doc tem um panorama muito bom da produção feminina de música. Também questões legais de gênero sexual que gente como a Kim Gordon, do Sonic Youth, as Chicks on Speed e a multi-instrumentista Kevin Blechdom discutem. Tem até o Thurston Moore falando que mulheres têm mais chance de inovar que homens!

As responsáveis pelo Her Noise são Emma Hedditch, artista visual, e a Electra, uma agência londrina de arte contemporânea.


Aproveito para chamar a atenção prá Kevin Blechdom, que é super original e tem uma música forte e divertida. O site dela tem samples e músicas inteiras para ouvir online, vale muito a pena!

Para ver o documentário no Ubuweb, clique aqui.

Djs dão golpe na internet

Olha que notícia bizarra - dica do Julio Valentim (by twitter). Comenta sobre um golpe aplicado por Djs ingleses, na internet, comprando suas próprias músicas, com cartão de crédito falsificado. O objetivo? Ganhar dinheiro com direitos autorais.

No momento, leio um excelente artigo acadêmico sobre as estratégias do Radiohead para lançar seu último CD, In Rainbows (Radiohead´s Managerial Creativity - de Guy Morrow - Revista Convergence). Vou indicar para estes golpistas.Pois, definitivamente, há formas mais honestas e criativas de se ganhar dinheiro com música no ambiente digital.

Noites lisboetas #4 - o dia do grande... hic! hic!


Na noite daquele domingo, 17 de abril, me despenquei até o complexo do Parque das Nações para conferir o concerto 0800 de Jorge Palma em comemoração aos 3 anos do Casino Lisboa (sim, com um “s” só). O show ocorreria na Arena Lounge do Casino, um imenso foyer localizado à esquerda das máquinas de jogo, no centro do qual uma estrutura giratória semelhante a um bolo de chocolate abrigava diversas mesas e em cujo topo ficaria o artista. Dos três andares do Casino, encostado na amurada, era possível ter uma boa visão do espetáculo, mas como havia passado o dia inteiro caminhando, achei por bem descolar uma mesa no andar térreo. Vantagens de se estar sozinho: enquanto os inúmeros casais e grupos de 5, 6, 7 pessoas penavam para conseguir uma cadeira longe do bolo, eu consegui um lugar na “camada” mais alta, bem pertinho do piano de Palma. Pena que havia deixado a máquina fotográfica junto com a mochila e o casaco no guarda-volumes à entrada do Casino – a proximidade em relação ao palco teria me permitido tirar belas fotos...

Aproveitando a proximidade do Rio Tejo e do belo Oceanário lisboeta, posso garantir que jamais me senti mais peixe fora d’água em toda a minha vida. A despeito de contar com o time de atendentes mais gracinhas destas bandas da Europa, era difícil segurar o constrangimento diante de tanta pompa, empertigação e luzes multicoloridas ultrapiscantes. Que diferença em relação à noite anterior, quando me dissolvi em meio à multidão de kusturicianos que lotava o Campo Pequeno... Tirando hospitais, laboratórios de análises clínicas e recepções de casamento no JW Marriot Hotel de Copacabana, o Casino Lisboa talvez seja o espaço mais asséptico em que já estive. Inodoro e insípido, o Casino Lisboa só não é incolor porque os jackpots não deixam.

Jorge Palma despontou no cenário musical português ainda nos anos 60, quando fazia parte do grupo Sindicato. Sua consagração como artista-solo, contudo, dá-se apenas nos anos 80. Palma nunca se vinculou abertamente ao universo do rock, estando mais próximo de um certo mood balado-trovadoresco cujo maior representante talvez seja Sergio Godinho, só que num viés mais lírico – embora seus excessos químico-etílicos o tornem bastante respeitado pela turma do rock. Tornaram-se célebres as ocasiões em que Palma teve de ser arrastado para fora do palco e jogado debaixo do chuveiro nos camarins. Piadinhas sobre a “carreira” do cantor são freqüentes, e quando uma fumacinha começa a brotar de dentro do bolo, desconfio que Palma e sua turma devam estar lá dentro dando uma calibrada.

Apagam-se as luzes, vai começar o show. Alarme falso. É hora de anunciar os vencedores de um concurso que mobilizou os freqüentadores do Casino durante o último mês. Os prêmios são viagens para Veneza, Atlantic City e... Vegas! Daqui do térreo, o spot vermelho que incide sobre a escada rolante do terceiro piso faz a subida parecer uma autêntica ascese aos infernos. Ganho um chocolate Cote D’Or como brinde, e quando me dou conta o bolo em que me encontro deslocou-se alguns metros para a direita.

Palma sobe ao palco amparado por dois músicos (mais do que nunca) de apoio, trocando as pernas e perguntando pela mesa de som. Com um cigarro aceso pendurado na boca e um copo de cerveja estrategicamente posicionado sobre o tampo do piano, tudo indica que o concerto será um desastre, a caricatura da caricatura. A platéia ri dos balbucios ininteligíveis do músico. “Não entendo nada do que ele diz”, comenta um brasileiro sentado atrás de mim, ao que uma senhora portuguesa responde, sem titubear, “Não se preocupe, nós também não”.

Mas quando a cantoria começa de fato, qualquer desconfiança se dissipa de imediato, diante da constatação de que Palma talvez seja o mais habilidoso artesão de melodias do atual pop português (e nas ocasiões em que é possível perceber o que é dito, vê-se que as letras também são muito boas). O fato de tocar totalmente mamado acaba tendo o seu charme, pois o modo como Palma balança o corpo para trás e para a frente, como se a qualquer momento pudesse despencar no chão, e dirige olhares embriagados para a plateia – duas olheiras monstruosas adornam-lhe a face – ajudam e muito a compor uma experiência de performance-limite bastante eficiente. Curiosamente, no show acústico que JP Simões havia feito na Galeria Zé dois Bois dois dias antes, o mesmo espírito decadentista-ressaquento-e-extremamente-poético se fazia presente: a diferença é que JP estava sozinho no micro-palco da ZDB com seu violão, enquanto Palma desfrutava da companhia de um piano e um acordeon matador e tocava para centenas de pessoas. Fosse a voz de Palma um tantinho mais rouca, teríamos qualquer coisa próxima de um Tom Waits fase The heart of Saturday night mergulhado na ginja.

Em suma, um belíssimo show – e além de ter faturado uma cerveja grátis, ainda saí do Casino com um ticket de 5 euros para jogar nos jackpots...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Guitar Hero

O Guitar Hero é paixão de vários LabCultianos. Luiz Adolfo tava me contando que viciou, e eu e Lucas estávamos conversando esta semana sobre um artigo que vamos escrever juntos sobre o game.

Então, como petisco, deixo a dica de artigo - citado no twitter do Adolfo - sobre o assunto. Aqui.

Trilha para o Dia dos Namorados

Podia ser um monte. Só Love, Só Love (Claudinho e Buchecha), China Girl (Bowie), Love will tear us apart (Joy Division), aquela do The Cure que não sei o nome (we move like street cats...), Por você (Frejat), Eu te amo, blá, blá (Lobão), Kiss (Prince), Love is in the air... Mais uma dúzia do Rei...

Mas, a número 1 da minha top ten para o Dia dos Namorados é Satellite of Love, Lou Reed, of course! This is my man! Apaixonado anos por uma traveca chamada Silvia, para quem compôs as mais belas baladas da segunda metade do século XX, walkin' on the wild side por décadas, o cara merece respeito. E manda muito, muito bem, nesta versão quase acústica. Que não perde a interpretação visceral e desesperada de quem nunca se sentiu muito à vontade no mundo...reparem no olho dele. Things like that just drive me crazy !!

Tenham um bom dia, ao som de uma bela trilha sonora...


Dominado, tá tudo...

Fiquei super feliz com a notícia! Marcelo Garson, querido máximo, orientando de mestrado recém-concluído com tese sobre música eletrônica e membro fundador do LabCult me ligou hoje pra dizer que foi aprovado na seleção de Doutorado para o PPG de Sociologia da PUC-SP.

Ele foi aprovado com um projeto sobre a construção da noção de juventude no Brasil e o objeto é, nada mais nada menos do que a... Jovem Guarda.

Adorei o tema e o projeto, adoro a futura orientadora dele - Silvia Borelli - e fiquei super orgulhosa com a aprovação.

Parabéns e sucesso pra ele!!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Tecnologias moldam o cérebro?

Esta é uma das principais premissas da Escola de Toronto e simpatizantes. Confesso que apesar de um certo temor determinista, a dscussão me interresa.

Pra quem gosta deste papo, vale checar esta matéria - dica do twitter do Julio Valentim - e correr atrás dos textos do autor mencionado, neurologista que afirma que, sim, "novas" tecnologias moldam o cérebro diferentemente das "antigas".

LASA 2009

Começa nesta quinta o congresso da LASA: Latin American Studies Association. De 11 a 14 de junho na PUC-Rio, o evento reunirá especialistas de todas as disciplinas e profissões que dedicam-se ao estudo da América Latina em todo o mundo, divididos em diversas áreas temáticas. Destaque para MASS MEDIA AND POPULAR CULTURE que ocorre na sexta o dia inteiro. O programa pode ser acessado pelo link: http://lasa.international.pitt.edu/por/index.asp

terça-feira, 9 de junho de 2009

Tenori-on da Yamaha

Se tem uma coisa que me deixa feliz é ver instrumentos estranhos - sinto que vou me arrepender de usar a palavra instrumento, mas vamos lá - para fazer música.

O Tenori-on é anunciado como "o instrumento musical digital para o século 21" no site oficial. Apesar do slogan sensacionalista, dá pra ficar intrigado.

Melhor do que explicar o funcionamento, melhor vê-lo na prática. Aqui embaixo, um vídeo da cantora Little Boots, usando o instrumento para fazer um cover da música Ready For The Floor do Hot Ship.



Legal né?

Acho que a própria Little Boots merece um post só pra ela, mas pra deixar um gostinho, veja o vídeo dela cantando a música Remedy, do disco Hands, no programa do Jools Holland.



Agradecimentos ao Phelippe do Papel Pop, que comentou a Little Boots - e, conseqüentemente, o Tenori-on - no seu blog.

Twitter na Time

Taí o link para o comentado texto de Steven Johnson na Time falando do Twitter.

Decididamente, esta ferramenta é a bola da vez.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Web Radio da ECO

Olha que legal a'Web Radio criada por uma galera da ECO-UFRJ, chamada AudioAtivo. O projeto acabou de sair do forno e espero que seja um sucesso!

MAIS GRAVE!

Eu e o Vinícius apresentamos o texto "Mais Grave!" na Compós em BH. O texto fala das afetações materiais das baixas frequências em nossas experiências táteis-acústicas. Já conversamos um pouco sobre isso em nosso último encontro aqui no Labcult. Criamos também um blog para apresentar uma versão hipertextual do trabalho, junto com algumas postagens de assuntos próximos ou ilustrações dos temas tratados. Tem algumas coisas divertidas como uma cena do filme "Terremoto", uma superprodução trash. Segue o link do blog:

http://maisgrave.blogspot.com/

Aproveito para dizer que foi um encontro sensacional em Belzonte, com uma mesa só de música. Adorei participar das discussões com a Simone, o Vinícius e a Adriana Amaral. Espero que a presença de mesas assim torne-se uma tradição.

Grande abraço.

Dicas do dia

Da Raquel Recuero - o livro dela sobre Redes Sociais lançado na COMPÓS pela Sulinas


Do Vinicius, by twitter - artigo no The Atlantic discutindo musanças na cognição a pártir das tecnologias

Do Sergio Amadeu by twitter - o livro do Lev Manovich, Software Takes Command, sobre sociedade da informação. Tá online, licenciado Creative Commons, aqui.

domingo, 7 de junho de 2009

COMPOS 2009 - We survived!!

De volta de BH. Fim de mais uma COMPÓS. Anos e anos a fio este se mantém como o mais excitante (e exaustivo) Congresso de Comunicação. E esta edição foi a melhor dos últimos anos. O GT de Cibercultura bombou. Os trabalhos - que podem ser conferidos aqui - estavam muito bons e renderam ainda mais na discussão. Sala cheia, boas perguntas, colegas queridos, tudo contribuiu para um ótimo evento.


Pela primeira vez, tivemos uma mesa temática sobre música no GT. Compartilhei a mesa com três amigos da galera labcultiana - a Adriana Amaral, mais Vinicius Pereira e José Claudio Castanheira, este último, como sabemos, orientando de Vinicius na UERJ mas participante do LabCult.


Apresentei o artigo "Se você gosta de Madonna também vai gostar de Britney.Ou não? Gêneros, gostos e disputas simbólicas nos sistemas de recomendação musical". Trata-se de uma discussão sobre a lógica de classificação dos sistemas de recomendação musical e sua articulação com a noção de gênero (musical), fazendo uma breve análise da plataforma da Last.FM.
Estou fazendo uma revisão e postarei a versào completa aqui no blog, nos próximos dias. É que a versão apresentada lá teve que ser editada, para caber nas exigências de formatação, e acabei cortando uma parte que considero bem importante da discussão.



Segue o resumo:

O trabalho tem por foco central os sistemas de recomendação musical – “rádios” online , que tentam antecipar os gostos do consumidor a fim de recomendar novas músicas de maneira personalizada. Partindo da premissa de que os sistemas de recomendação estão lidando com uma questão extremamente complexa e ao mesmo central ao campo da música popular-massiva, que é a das práticas de classificações e da disputa simbólica em torno de noções tais como a de gênero musical, busca-se entender a lógica de classificação destes sistemas. Assim, na primeira parte, o artigo aborda brevemente a história dos sistemas de recomendação e as diferentes metodologias usadas por eles para filtrarem informação e construírem padrões, discutindo ainda o papel das tags produzidas pelos usuários.Para, a seguir, a partir de uma breve análise da plataforma social Last.Fm, discutir aspectos da experiência que estes sistemas oferecem para seus ouvintes, onde o argumento é o de que eles representam um modelo central para as estratégias de remonetização da música nas redes digitais.

sábado, 6 de junho de 2009

I WikiEncontro: vamos criar futuros desejáveis?


"Criar futuros desejáveis" é o mote do I WikiEncontro, que acontecerá na próxima semana, no Oi Futuro e em sua escola de tecnologia, o NAVE, como mostra a chamada de divulgação, abaixo. O evento no Rio de Janeiro faz parte do Movimento Crie Futuros Ibero América, definido como "um movimento para criação de futuros desejáveis, realizado através da Rede Crie Futuros Ibero America através de atividades, experimentos e criação artística que combina o virtual e presencial integrando Argentina, Brasil, Colômbia, Peru, Republica Dominicana, Uruguai." O objetivo, segundo o site do projeto, é "criar laços para a construção de um espaço cultural Ibero Americano e difundir e trabalhar com temas transversais à Carta Ibero Americana de Cultura, importante instrumento político assinado por todos os chefes de estado dos países envolvidos", "que permite através da cooperação e fomentação o desenvolvimento de ações que ajudem a melhorar o acesso à cultura na região, o conhecimento da nossa diversidade cultural, sua circulação entre os países e a mobilidade de nossos artistas".

Fiquei curiosa em acompanhar o evento, e com uma pulga atrás da orelha: este "movimento" pode mesmo ter algum impacto na construção de "mundos melhores"? Segue a programação pra quem quiser conferir:

09/06 - Tecnologia e produção colaborativa
  • Que futuro desejável as novas tecnologias nos permitem?
  • Como fazer com produção colaborativa possa ainda mais revelar o talento, potenciais e poder de transfomação dos coletivos?
  • O experimento deste WikiEncontro é a criação de personagens, missões e ambientes: em nossos futuros desejáveis quem esta fazendo o que e onde?

Especialistas internacionais e nacionais em tecnologia e comunicação, que, com seu trabalho e pesquisa constroem o futuro no presente, nos descrevem o como imaginam e desejam esses futuro desejáveis.

O Wikiencontro tem formato inovador e criativo combinando Seminário, Oficina e Performances e utiliza linguagens artísticas e colaborativas e participação virtual em tempo de diferentes países Ibero americanos.

Unidos pela tecnologia, os convidados de diferentes países participam pela internet e presencialmente proporcionando idéias ao público. Em seguida, vamos criar personagens, missões e ambientes de futuros desejáveis. Finalmente, os elementos criados serão combinados em uma performance interativa entre atores presentes e virtuais. O objetivo é esboçar roteiros que possam inspirar games de futuros desejáveis.

Iremos disponibilizar ferramentas que facilitem o processo, para isso é necessário que os interessados levem seus computadores.

Data: 09 de junho de 2009, das 14h às 22h
Local: Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro
Endereço: Rua Dois de Dezembro, 63 Flamengo Rio de Janeiro - RJ

10/06 - Games e Mundos Melhores

  • O futuro esta presente sobretudo nos games, que são geralmente belicosos e mostram futuros assustadores. Como criar games atraentes, inspiradores, cooperativos que mostrem futuros desejáveis?
  • Num futuro desejável, como poderíamos aproveitar mais os games como ferramentas de inovação, fortalecimento de laços comunitários e do afeto, cidadania, sustentabilidade?
  • Como poderíamos criar um game que facilitasse a criação colaborativa de futuros desejáveis?
O experimento deste dia combina os personagens, missões e ambientes criados no dia anterior gerando esboços de roteiro de games para futuros desejáveis.

Data: 10 de junho de 2009, das 13h às 17h30
Local: NAVE - Núcleo Avançado de Educação
Rua Uruguai, 204, Tijuca Rio de Janeiro - RJ


A programação completa pode ser acessada aqui.
E a Carta Cultural Ibero Americana, aqui.

"Príncipe Real é muito fixe"

"Ó senhor João, estás a jogar bifes aos pombos?"
"Não te metas na vida alheia se não quiseres lá ficar..."
(Diálogo inicial de Vai e vem, último longa de João César Monteiro. Ao fundo, a Praça do Príncipe Real)



De todos os suplementos do jornal O Globo, o Caderno Ela só não encabeça a minha lista dos mais insignificantes porque os jornais de Bairro são pule de dez nesse quesito. Felizmente, nesta manhã de sábado, o Ela me surpreendeu dedicando sua última página a uma bela reportagem sobre a região do Príncipe Real, em Lisboa, sobre a qual já discorri diversas vezes nesse blog. A matéria, originalmente publicada no New York Times, destaca o caráter hype da área, repleta de lojas de design e bares moderninhos. Outrora uma zona aristocrática que na virada do século XIX para o XX converteu-se em território de prostituição e tráfico de drogas, o Príncipe Real (que vai do Miradouro São Pedro de Alcântara até o Largo do Rato e compreende, além da Rua D. Pedro V e da Rua da Escola Politécnica, a célebre Praça que dá nome à região) sempre desfrutou de uma certa fama boêmia. Era por ali, nos clubes GLS da proto-movida lisboeta do início dos anos 80, que artistas como António Variações e muitos nomes da cena pop portuguesa da época despontaram. A região também era a favorita de muitos cineastas: o mais célebre deles talvez tenha sido João César Monteiro, que desde seu primeiro filme (Quem espera por sapatos de defunto morre descalço) até o último (Vai e vem), utilizou os belos ciprestes que adornam o centro da Praça como elementos fundamentais das suas idiossincráticas histórias. A matéria destaca, ainda, a efervescência da vida noturna local, fazendo menção a bares como o lendário Trumps e o Cabaret Maxime.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

"Ainda há pastores?"


Durante minha última visita a Portugal, fiz um pequeno desvio na minha trajetória lisboeta e fui conhecer a aldeia de Vila Ruiva, localizada bem no centro do país, nos arredores de Nelas e Viseu, de onde a família do meu pai saiu rumo ao Brasil durante os anos 50. É uma daquelas “típicas” aldeias do interior português, com velhas casas de pedra, população majoritariamente idosa, jovens que só retornam no verão e um frio de rachar durante a noite. Mas por mais parada do tempo que seja Vila Ruiva, ela se converte numa quase-metrópole perto de Casais de Folgosinho, cenário do (bom) documentário de Jorge Pelicano, “Ainda há pastores?” (2005), cujo DVD adquiri na mesma viagem.

Embora meu projeto de pesquisa passe ao largo desse universo do “Portugal profundo”, nutro um fascínio tremendo por esse mundo, talvez em virtude do meu histórico familiar, sei lá. E Casais de Folgosinho, um vilarejo encravado no meio da Serra da Estrela, representa essa realidade rural e interiorana de Portugal à perfeição. O filme de Pelicano cobre duas visitas da equipe de filmagem à aldeia: em 2001, quando Casais de Folgosinho ainda não possuía luz elétrica e os poucos que ainda viviam lá se dedicavam à atividade pastoril, e em 2005, quando os primeiros traços da “civilização” chegam ao lugar. Embora o diretor converse com outros personagens – sobretudo casais de idosos, velhos solitários e viúvas que vivem sozinhas no topo da montanha, cuidando de cabras (um menino e uma menina na faixa dos sete anos são as únicas crianças à vista) – o protagonista do documentário é Hermínio, um rapaz de 27 anos, o mais jovem pastor da aldeia, que passa os dias subindo e descendo montes na companhia das ovelhas e de um velho toca-fitas onde escuta os cassetes de seu ídolo-maior, Quim Barreiros, que sonha conhecer. É através da trajetória de Hermínio que acompanhamos o processo pelo qual Casais de Folgosinho (e, por extensão, todo o Portugal) passa durante um período de cinco anos e muitas transformações.

Como filme, “Ainda há pastores?” peca pelo excesso de didatismo, materializado numa onipresente narração em off, mas vale pela beleza de algumas imagens e, sobretudo, pela reflexão que propõe, ao tensionar discursos que insistem em colocar tradição e modernidade em lados opostos do ringue. Mesmo durante a primeira visita à aldeia, quando Casais de Folgosinho sequer possui luz elétrica (que dirá outros luxos como internet, telefone e televisão), é através do rádio que dona Maria do Espírito Santo, de 78 anos, escuta as notícias e reza o terço ao fim da tarde. Há um momento particularmente singelo em que, passeando pelo dial, a velhinha esbarra com “Hey Jude”, dos Beatles, parando pra escutar uma canção que ela considera “muito bonita”. E Hermínio, com suas fitas K7 de Quim Barreiros, de certa forma entra em contato com o imaginário contido naquelas músicas, embora o modo como as consuma seja singular.

Em dado momento do filme, a produção leva Hermínio a um concerto do “Mestre”, no clube de uma cidade vizinha. Depois de uma verdadeira catarse ao som da obra-prima “Chupa Teresa”, Quim chama Hermínio ao palco e o presenteia com um telefone celular. O presente assinala não apenas a virada do protagonista, como também o início das mudanças em Casais de Folgosinho. Após uma passagem de tempo, somos levados a uma “nova aldeia”, agora com luz elétrica, televisão – e CDs de Quim Barreiros no lugar das velhas fitas. Alguns dos idosos entrevistados há cinco anos já não moram mais em Casais de Folgosinho: mudaram-se pra cidade vizinha, onde a infra-estrutura é melhor. Os que restam, continuam vivendo da produção de leite e sob o peso de diversos dogmas religiosos quase medievais (em dado momento, uma velhinha diz que “como não vai à missa e não há padres por perto, vive cheia de pecados”). As duas crianças estão mais crescidas, mas enquanto o menino continua a estudar, a menina largou a escola para ajudar o pai na lavoura.

É na trajetória de Hermínio, contudo, que as transformações mais radicais se operam. Na superfície, aparentemente não mudou muita coisa: o rapaz continua saindo com as ovelhas de manhã cedo, fumando um cigarro atrás do outro, bebendo sucessivos copos de vinho e ouvindo Quim Barreiros monte acima. Mas suas horas de lazer na apertada casa de pedra em que vive já são embaladas por programas de TV que, necessariamente, apresentam novos papéis sociais e sexuais, além de modos de estar no mundo, com os quais Hermínio terá que se relacionar daqui pra diante. Seu novo repertório inclui não apenas os duplos sentidos do sanfoneiro, mas também algumas baladas de Daniel (sim, o nosso Daniel). E o telefone celular permite ao rapaz ligar para os amigos e combinar programas a partir dos quais o outrora introspectivo Hermínio vai criar novas redes de sociabilidade e afeto – aventuras que envolvem, inclusive, algumas raparigas.

“Ainda há pastores?” possui um blog no qual é possível conferir, além do relato de recentes visitas da equipe a Casais de Folgosinho, um passeio pelos diversos prêmios que o filme, dentro de toda a simplicidade de suas propostas, conseguiu conquistar pelos Festivais mundo afora.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Começa o SBGames 2009

A organização do SBGames, principal evento de jogos eletrônicos do Brasil, está aceitando trabalhos até o próximo dia 30 de junho. A edição deste ano acontece entre os dia 8 e 10 de outubro no campus da PUC-Rio. A comissão científica do SBGames privilegia trabalhos acadêmicos de mestrandos, mestres, doutorandos e doutores em seu track Game e Cultura, que é destinado ao entendimento do universo dos gamers, dos jogos digitais e dos significados que estão sendo construídos, por essa relação, na sociedade contemporânea. Neste sentido, o track oferece 18 temáticas voltadas para as pesquisas que investigam as relações entre os jogadores, os games e as diferentes mídias de entretenimento digital, com os diversos aspectos da cultura, enfatizando as questões sociais e antropológicas, que emergem na interação com estes âmbitos semióticos, como aquelas relacionadas com subjetividade, aprendizagem e corpo.
A exigência da comissão fica por conta da originalidade das contribuições, ou seja, trabalhos não publicados e/ou apresentados em quaisquer tipos de eventos. Qualquer obra que tenha sido previamente publicada, ou está sendo apresentada simultaneamente em eventos e/ou revista, será rejeitada. Os trabalhos aceitos serão publicados nos Anais do SBGAMES 2009 e deverão ser apresentados no simpósio por, pelo menos, um autor, devidamente inscrito no evento. O SBGames é o principal evento exclusivo em games do Brasil e os interesses do evento são inúmeros, variando desde trabalhos técnicos até pesquisas acadêmicas. Confira a programação no site.

Comitê de organização do Track Game e Cultura:

• Chair: Lynn Alves (UNEB/SENAI) –
• Co-chair: Edson Pfutzenreuter (UNICAMP/SENAC- SP) –

Comitê científico

Ana Veloso (Universidade de Aveiro)
Cristiano Max Pereira Pinheiro (FEEVALE)
Dulce Cruz (Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC)
Edson P. Pfutzenreuter (UNICAMP/SENAC- SP – Chair
Esteban Clua (Universidade Federal Fluminense)
Eucídio Arruda (Universidade Federal de Uberlândia)
Fabio Paragua (UFAL)
Filipe Teixeira (Universidade Lusófona de Lisboa)
Filomena Moita (Universidade Estadual da Paraíba)
Izaura Carelli (Universidade Estadual do Oeste do Paraná)
Ivelise Fortim (PUC_SP)
Jacques Brancher (Universidade Estadual de Londrina)
Joaquim Carvalho (Universidade de Coimbra)
José C. Ribeiro (UFBA)
Jorge M. M. Rosa (Universidade Nova de Lisboa)
Leonardo Cosentino (PUC-SP)
Licínio Roque (Universidade de Coimbra)
Luiz Adolfo Andrade (UFBA)
Lynn Alves (UNEB/SENAI) Chair
Marcus Tavares (PUC-Rio)
Maria João Gomes (Universidade do Minho)
Marsal Branco (FEEVALE)
Nelson Zagalo (Universidade do Minho)
Oscar Mealha (Universidade de Aveiro)
Patrícia Gouveia (Faculdade de Ciências Sociais e Humanas - PT)
Roger Tavares (SENAC-SP; PUC-SP)
Sandra Frid (FINEP)
Tânia Hetkwoski (UNEB)
Teresa Pessoa (Universidade de Coimbra)
Vanessa Vicka Pereira (UFRGS)

Datas importantes
Prazo para envio de trabalhos 30 de Junho de 2009
Notificação do aceite dos trabalhos 10 de Agosto de 2009
Arte-final 31 de Agosto de 2009
Simpósio 8 a10 de Outubro de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

"the only experience you need is life experience"

O assunto mais comentado na E3 por enquanto é o Project Natal, um periférico para o Xbox360, console da Microsoft.



Ele funciona um pouco parecido com a barra do Wii: a experiência do videogame ultrapassa o apertar de botões e tem mais a ver com a movimentação do jogador. A diferença é que o Project Natal promete a obsolescência completa dos controles; o jogador interage com o videogame a partir dos movimentos que faz somente com o próprio corpo e a partir de comandos de voz.

O aparato é dotado de microfone, câmera RGB, sensor de profundidade e um processador próprio.

A partir do Project Natal, a Lionhead Studios criou o demo Milo & Kate. É bastante impressionante, vale o clique. Nele, o jogador interage com o personagem virtual Milo, um garoto que responde a expressões faciais, movimento e comandos de voz. Utilizar objetos reais também pode.

Um periférico parecido da Sony é o Playstation Eye, que já está no mercado desde 2007. O Eye, porém, não tem processador próprio nem sensor de profundidade. A empresa apresentou nesta terça-feira na E3 o PlayStation Motion Controller, que funciona associado ao Eye e tem funções de detecção de movimento. Também vale o clique.

lily allen boca-suja

Por enquanto, a Lily Allen lançou somente um single do seu álbum novo It's Not Me, It's You, lançado em fevereiro deste ano.

Não escutei o single ainda, chamado Not Fair, mas definitivamente vou ouvir agora. O que chegou até o meu computador foi uma música chamada Fuck You, trilha sonora de um viral de youtube muito divertido.

A música é anti-homofobia, e um hard user do youtube ( steviebeebishop ) não perdeu tempo e sugeriu para que seus assinantes se filmassem dublando. Acabou que ele editou a brincadeira, e o resultado foi uma corrente adolescente anti-homofobia.




O pessoal do site francês GayClic.com sugeriu que seus visitantes fizessem o mesmo, e a corrente aumentou. Adorável!

E tem um pessoal no Brasil tomando a iniciativa da versão nacional.

Lei contra cibercrimes é debatida mais uma vez no Congresso

Já questionamos algumas vezes aqui no blog as tentativas, via projeto de lei, de criminalizar a troca de arquivos pela internet, além de outras medidas que prejudicam a livre criação e circulação de conhecimento e produtos culturais pela rede mundial de computadores. Em maio, foi aprovada (mas ainda não sancionada) na França uma lei antipirataria contra downloads de músicas (leia aqui). No Brasil, um projeto de lei está em discussão há anos (PL 84/1999, que ganhou um substitutivo no senado e ficou conhecido como Lei Azeredo - leia aqui). Ontem, aconteceu mais uma audiência pública para discutir o tema, como informa o site TeleSíntese. Segue a matéria abaixo.

“Pai da internet” não acredita na eficácia de leis contra cibercrimes
Por Lúcia Berbert
02 de junho de 2009


O vice-presidente e evangelista chefe de internet do Google, Vinton Cerf, considerado o “pai da internet”, disse que não acredita na eficácia de leis contra crimes cibernéticos porque são medidas regionais que dificilmente terão efeitos numa rede mundial. “É preciso encontrar formas de coibir o abuso, talvez, por meio de acordos multilaterais entre países, mas não se pode construir normas que desencorajem o uso dessa extraordinária infraestrutura”, ressaltou.

Com isso, Cerf tentou se esquivar de respostas diretas às perguntas feitas por senadores e deputados sobre o PL 84/99, que trata de crimes cibernéticos, na audiência pública sobre “O Futuro da Internet - oportunidades e desafios para o Brasil”, realizada pelas Comissões de Ciência e Tecnologia do Senado e da Câmara. Ele criticou a lei aprovada na França, que nega acesso à rede para pessoas que distribuírem conteúdo ilegalmente. “É uma regra difícil de ser implementada. Acho que se deve punir o comportamento, mas não impedir as possibilidades da internet”, disse Cerf.

O presidente do Nic.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br), Demi Getschko, foi mais incisivo. Segundo ele, o projeto de lei, que já passou pela Câmara, foi modificado no Senado e tramita em regime de urgência novamente na Câmara, é vago, pouco claro e dá margens para inclusões de outros usos na internet, o que acabaria por inibir o acesso à rede. “Não sou contra a lei, mas é preciso cuidado para não punir o meio ao invés do agente causador do crime”, disse.

Getschko acha vago, por exemplo, o conceito de acesso não autorizado a sistemas automatizados, que pode ser interpretado de várias maneiras. Também considera necessário explicar melhor o que é geração de código malicioso, que pode ser confundido com a validação de um computador para ter acesso a conta bancária. Até a armazenagem do log de acesso por provedores ele vê como pouco efetivo. “Um acesso feito de uma lan house é um exemplo da dificuldade de se apontar o criminoso”, disse. Além do mais, em sua opinião, a lei não pode ser feita para ajudar na investigação, mas para punir os infratores.

O secretário de Informática do Ministério das Ciências e Tecnologia, Augusto Cesar Gadelha, disse que a internet é universal e que soluções isoladas, adotadas por cada país, não serão suficientes para combater o crime na internet. "Precisamos de soluções globais", disse.

O presidente da Abranet (Associação Brasileira de Provedores de Internet), Eduardo Fumes Parajo, também considera o projeto amplo em demasia. “A lei precisa ser clara, cirúrgica até, sobre o que quer coibir para abranger outras áreas e acabar funcionando como uma inibidora do crescimento da rede”, disse. Segundo ele, os provedores associados à Abranet já armazenam os logs de acesso desde 2005, quando fecharam acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo. Desde então, disse, tem fornecido informações que resultaram na prisão de pedófilos e racistas. “Mas as operadoras de telecom que provém acesso à internet não estão fazendo isso”, criticou.

O deputado Júlio Semeghini (PSDB- SP), relator atual do PL 84/99 na CCT da Câmara (a matéria também está tramitando em duas outras comissões conjuntamente) disse que o projeto visa tipificar os crimes cometidos por meio da internet, sem entrar em questões como conteúdo ou direito autoral, mas reconhece que o texto precisa de aperfeiçoamento. A matéria tem recebido muitas críticas da academia e de entidades ligadas ao desenvolvimento da rede.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dissertação sobre Drum & Bass brazuca

Participei, na sexta-feira passada em Salvador de uma defesa de dissertação sobre Drum & Bass, "Mídia e Autenticidade na Música Eletrônica". A autora é a Marcela Alexandre Moreira, orientada por Jeder Janotti, na FACOM - UFBa.
O trabalho analisa em detalhe a produção de Carol Bela LK - de Marky e Xerxes. Um dos maiores sucessos do D&B brasilero, que abriu as portas internacionais para a excelente safra de Djs e produtores do gênero, tais como Marky, Patife e Xerxes, dentre outros, o trabalho traça um panorama legal da cena e levanta questões interessantes.
E, dentro da ainda incipiente discussão acadêmica sobre ME, um trabalho como este é sempre bem-vindo!

rio game show

Boa pedida pros gamers de plantão!


Acontece no dia 21 de junho das 13h às 22h o Rio Game Show em Niterói, no Clube Canto do Rio (Rua Visconde do Rio Branco, 701) .

Dentre as várias atrações, acontecerão mesas redondas e concursos de jogos específicos. Aliás, quem estiver no evento poderá conferir de perto a exposição "A História dos Videogames", que contará com mais de 50 consoles, sendo que a maioria deles estará disponível para um test drive na hora.

Os ingressos antecipados custam R$20, e na hora R$25. Estão sendo vendidos no site Blueticket e em pontos de venda do Rio e de Niterói.

Pontos de venda do ingresso:

Niterói
Resident Games - Plaza Shopping - 1º Piso
On The Bit – Shopping Icaraí – Rua Moreira Cesar - 2º Piso

Rio de Janeiro
Game Tech - Botafogo Praia Shopping


Programação das mesas:

13:00h Mesa 1: A indústria de games

* André Carius (Donsoft) [mediador]
* Ronaldo Cruz (Calibre Games)
* Peter Hansen (Nano Games)


14:30h Mesa 2: Tecnologias para se fazer jogos

* Erick Passos (UFF)
* Esteban Clua (UFF) [mediador]
* Mark joselli (UFF)
* Alexandre Bandeira (DonSoft)


16:00h Mesa 3: A Arte dos games

* Guilherme Xavier (Donsoft / PUC-Rio) [mediador]
* Fernando Ribeiro(UFF)
* Pedro Thiago Mourão (UFF)


17:30h Mesa 4: Desenvolvimento independente de Jogos


* Yves Albuquerque (Magus Ludens) [mediador]
* Equipe do game HIVE