terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Games, Esportes e TV


Game-Up é um interessante programa semanal (e uma boa dica para pesquisadores e/ou amantes dos temas) lançado há alguns meses e que só recentemente tive a oportunidade de assistir na ESPN-Brasil. Um tosco avatar de um dos apresentadores do canal é o responsável pela apresentação da atração, que se destaca por finalmente colocar em foco a forte relação entre esportes e videogames na televisão.

O grande momento do Game-Up é o quadro em que são exibidas as 5 melhores jogadas virtuais (geralmente gols de jogos em futebol de campo, mas também jogadas de basquete, tênis, etc) enviadas pelos espectadores-internautas-jogadores de vídeo game, com a melhor delas sendo premiada com uma versão narrada por um dos locutores da ESPN-Brasil. O programa apresenta ainda quadros que vão além da relação entre games e esportes, como o REWIND, que explora a evolução dos gráficos dos jogos nas últimas duas décadas, e o VEM POR AÍ, dedicado a futuros lançamentos da indústria dos games. Há ainda um quadro de dicas para o desenvolvimento de habilidades em determinados jogos, além de matérias especiais sobre o mundo dos games em geral.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Gravando!


Justamente enquanto acompanhava a contratação de reforços pela internet do meu time (e dos outros) para a próxima temporada, os primeiros reforços para a minha própria tese se apresentavam na portaria.


O primeiro a chegar foi "Gravando! Os Bastidores da Música", uma auto-biografia (bastante centrada na carreira) de Phil Ramone, produtor que já trabalhou com John Coltrane, Ray Charles, Bob Dylan, Paul Simon, Paul McCartney, Bono Vox, Stan Getz, Tom Jobim, João Gilberto, Frank Sinatra, e muitos etcs. O livro, muito bem prefaciado pelo titã Tony Belloto, dialoga com o conceito de álbum em sua formatação. Ao longo de seus capítulos, intitulados de Faixas (1,2,3 em diante até bônus track), bastante conteúdo informativo para diversas discussões sobre as relações entre produtor, artistas, estúdio, música, indústria e a diversidade de atores envolvidos (de engenheiros de som a empresários) ao longo de mais de 40 anos de histórias vivenciadas por Phil.


Muito recomendado não apenas para quem tem interesse específico em produção e produtores musicais, mas também na história da indústria fonográfica e da música massiva de um modo geral.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Revista Cambiassu

Acabo de ser informado que saiu a nova edição da Revista Cambiassu, do Departamento de Comunicação Social da UFMA, na qual um artigo meu sobre produtores musicais e legitimidade cultural na música massiva a partir do programa "Astros" foi publicado.

A revista saiu em dois volumes e conta com artigos das mais diversas temáticas no campo da comunicação e também resenhas, relatos de pesquisa e ensaios, como o do nosso colega de UFF, Pedro Lapera, sobre rap e funk no documentário brasileiro.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Cartinha ao Pai Natal encontrada numa Caixa de Correio Azul em Alfama, Lisboa.

Querido Pai Natal,

Em 2009 comportei-me como um bom menino. Cumpri todas as minhas obrigações, fui generoso com os mais velhos – e até consegui emplacar algumas publicações Qualis B! Haja vista que apenas um mísero presentinho não faria jus a todo o meu esforço – e aproveitando que o frete da Lapônia para Lisboa decerto doerá menos no seu bolso do que se o Senhor tivesse que enviar os presentes para o Brasil – tomei a liberdade de elaborar uma breve listinha de prendas que gostava imenso de ganhar nesse Natal.


Virou!”, Diabo na Cruz: Os Diabo na Cruz são um super-grupo composto por Jorge Cruz, B Fachada, Bernardo Barata, João Gil e João Pinheiro, e “Virou!” é mais um artigo indispensável a brotar da usina criativa da editora Flor Caveira. Em pouco mais de 35 minutos, desdobra-se um coquetel sonoro que vai da música (dita) tradicional portuguesa mais castiça ao prog-punk-funk mais desavergonhado, tudo permeado com muito bom humor e uma alegria contagiante. É um álbum onde o Licor Beirão encontra a Gordon Stout, por assim dizer. Eu poderia passar horas abusando a vossa paciência em meio a tergiversações sobre o caráter híbrido de “Virou!”, o problema é que as minhas pernas, ainda sob o efeito de canções como “Os loucos estão certos”, “Corridinho de verão” e “Tão lindo”, não me permitem. Há ainda uma pequena jóia de dois minutos e pico chamada “Dona Ligeirinha”, séria candidata a canção pop do ano. Para ouvir dando graças aos céus.


“Nem lhe tocava”, Samuel Úria: Que Samuel Úria é um letrista extraordinário seus registros fonográficos anteriores (“O caminho ferroviário estreito”, “Em bruto” e “Samuel Úria e as Velhas Glórias”) já davam mostras mais do que suficientes. O que “Nem lhe tocava”, debut de Úria em CD de circulação nacional oferece de surpreendente, portanto (e nesse quesito, “Nem lhe tocava” está para a obra anterior de Úria como “New skin for the old ceremony” estava para a trilogia “Songs...” de Leonard Cohen), é o casamento sempre harmonioso de letras inteligentes e engenhosas com arranjos que vão do retro mais old fashioned (há um órgão Korg matador abrilhantando diversas faixas) ao universo de bandas como Racounters e trovadores como Johnny Cash, processados à portuguesa (ouça-se “Não arrastem o meu caixão” e sua sugestiva citação a Amália-via-Variações). “O diabo” conquista à primeira audição, enquanto a já clássica “Teimoso” aqui aparece numa versão banhada em falsetes e repleta de suingue, bastante diferente daquela que conhecíamos do EP “Em bruto”. Uma ode à autoconsciência pop que precisa ser ouvida. Por todos. Do lado de cá e de lá do Atlântico.


“Zoetrope”, Micro Audio Waves & Rui Horta: “Zoetrope” é um misto de espetáculo multimídia e assalto aos sentidos concebido pelo trio eletropop Micro Audio Waves e o coreógrafo Rui Horta, a partir dos célebres estudos de movimento empreendidos por Edward Muybridge em meados do século XIX que, algum tempo mais tarde, desembocaram no cinema. Após uma apresentação arrebatadora no Grande Auditório da Culturgest em novembro, a edição ora nas lojas – CD+DVD+embalagem “zoetrópica” simulando o efeito de um cavalo e de uma pessoa correndo, leitmotiv do espetáculo como um todo, aliás, além de indiscutível mais-valia contra o simples download das faixas (ou pelo menos para mim, que adoro essas bossas) impõe-se como artigo indispensável na prateleira de todos aqueles que, como eu, sentem um arrepio na espinha diante de faixas como “Spider & I”, de Brian Eno. E se você consegue conceber a idéia de sair pela rua afora dançando catarticamente ao som de uma canção supostamente triste (pense, sei lá, em “Why does my heart feel so bad” do Moby a título de exemplo inocente), então “Long tongue” (última faixa do CD+DVD, na voz cristalina de Claudia Efe) tem imenso potencial para ser a sua melodia de boas vindas a 2010.


“Um mundo catita”, de Filipe Melo & João Leitão, com Manuel João Vieira e elenco: como quase tudo na minha vida, esbarrei com essa preciosidade zapeando acidentalmente pela RTP2 durante uma noite de domingo algo tediosa. Duas horas e poucos minutos depois, tinha a certeza de ter testemunhado qualquer coisa de indescritível e epifânico, que para a minha felicidade acabou de ser lançada em DVD (duplo, coalhado de extras, incluindo uma hilariante aparição de Vieira no Programa do Aleixo). Aos não-iniciados, cabe uma breve apresentação: Manuel João Vieira é uma figura singularíssima no cenário artístico-midiático português, atuando como artista plástico, político, ator, dono de Cabaret (o Maxime, na Baixa Lisboeta), crooner de espetáculos de strip tease e vocalista de bandas que vão do chunga ao sublime num piscar de olhos. Homem de mil personalidades, Manuel João Vieira interpreta Manuel João Vieira neste alucinado conto de Natal (a sério!) em seis episódios sobre as desventuras existenciais e amorosas de um pobre diabo vivendo seu inferno astral. Em seus momentos mais felizes, lembra o melhor do cinema de avacalhação brasileiro dos anos 70: há sacanagem e palavrões a rodo, e ao mesmo tempo um profundo afeto pelos personagens. Em questão de segundos, as referências (muitas) vão de vaginas e “Comando Delta” a “O Sétimo Selo” e Salazar. Acenda uma vela a Bukowski e outra a Cláudio Cunha, e aperte o play.


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Um Feliz Natal e uma excelente virada para 2010 a todos aqueles que fazem e lêem (e, por isso mesmo, indiscutivelmente também fazem) o LabCULT. Abraços, saudades (não dizem ser a saudade um sentimento tipicamente português?)... e até já!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Trilha para 2010



A Revista Spin acaba de lançar um álbum free contendo 10 apostas musicais pra 2010. Só é acessar o site da revista, clicar em "get it now" e em seguida adicionar o seu e-mail. Você receberá uma mensagem e um link para baixar o disco. Ainda não ouvi, mas promete ser coisa boa. A revista também preparou listinhas de fim de ano...adoro... São elas as de 20 melhores músicas e 40 melhores álbuns de 2009. Divirtam-se!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Você já pediu devolução de algum disco?

Pelo menos nos últimos 10 anos? Eu não... Nem penso nisso!

Estou lendo uma monografia de graduação muito legal sobre o Clube da Esquina e sua música "híbrida". O autor, Alan Pessanha (Procult/UFF), que defende sua monografia quinta-feira, faz uma ampla (e ótima) análise sobre o surgimento e consolidação da MPB, com referências políticas e históricas. Uma das informações que não sabia é que em 1972 o Brasil viu ser lançado o disco que teria o maior número de devoluções da história da música brasileira: Araçá Azul, de Caetano Veloso.

O disco teve tanta devolução que rapidamente foi retirado de catálogo e só foi relançado em 1987. O motivo disso reside, segundo Alan, no excesso de experimentalismo que o álbum tinha. Ruídos, arranjos muito esquisitos e letras mais estranhas ainda não agradaram nem os fãs mais apaixonados.

Bem, aí na hora que eu li essas informações, um pensamento apenas me veio: gente, faz MUITO tempo que não se fala em devolução de discos. Por acaso você, leitor, pediu alguma devolução de um disco que não tenha gostado nos últimos 10 anos? Eu não... Nem penso nisso!

E essa mudança se deve, provavelmente, às novas maneiras de consumo musical a que assistimos já faz alguns anos. Enfim, essa mudança na forma como encaramos o disco é apenas um rearranjo cultural sutil que quase não notamos. Mas que está ali, presente, nos dizendo o tempo todo que os tempos são outros. Se Araçá Azul fosse lançado hoje, qual seria o seu destino?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ôôô-ô, ôôô-ô, ôôô Rock in Rio-oo... Lisboa!



A operadora de telefonia móvel portuguesa TMN está caminhando a passos largos para arrebatar o título de “dona das propagandas mais constrangedoras envolvendo personagens da cultura midiática brasileira”. Acabou de ser lançada por estas paragens uma nova campanha na qual um boneco de ventríloquo participa de uma audição estilo “Ídolos”, de cujo júri faz parte ninguém mais ninguém menos do que a Daniela Mercury. Após cometer uma versão daquela música que diz “o amor de Julieta e Romeu, igualzinho o meu e o seu” com uma voz de taquara rachada que mais parece a do Bruno Aleixo depois da Gripe A, o boneco começa a tentar provar que sabe “falar brasileiro”, enumerando uma série de palavras e expressões “nativas” tais como boitatá, chuchu beleza e... Niterói! A atual peça só não consegue ser pior – embora seja indubitavelmente mais irritante – do que a campanha de verão da mesma empresa, ambientada numa praia e protagonizada por Reynaldo Gianecchini e Luana Piovani (havia uma versão “para meninos” e outra “para meninas” da propaganda – o ápice dramático da primeira peça consistia no ator brasileiro esfregando o celular pelo corpo suado, sob o olhar embevecido da rapariga que havia encontrado o aparelho perdido na areia da praia, e ao som de uma cançoneta italiana daquelas que costumavam vencer o Festival de San Remo em Mil-Novecentos-e-Muito).

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Após conferir “Morrer como um homem”, o mais recente longa-metragem do sempre necessário João Pedro Rodrigues, ambientado no universo travesti lisboeta e protagonizado pelo surpreendente Fernando Santos, fico me perguntando se haveria cineasta mais adequado para levar às telas a vida de António Variações, cuja cinebiografia vem sendo alvo de uma interminável disputa judicial em torno do roteiro do filme que promete atrasar – e muito – a realização da mesma. Ok que o estilo visceral e sem concessões de Rodrigues provavelmente afugentaria o “público médio”, mas o que uma cinebio de Variações menos precisa é do tratamento asséptico de um Carlos Coelho da Silva. Aliás, melhor dizendo, talvez Variações sequer precise de um longa-metragem sobre sua trajetória de vida: “Morrer como homem”, ainda que de forma indireta, cumpre perfeitamente esse papel. Se é possível falar de um espírito-Variações, ele está todo ali, em cada fotograma do filme, sobretudo na bela seqüência da floresta e na cena em que Tónia, a protagonista, durante uma viagem de carro, cantarola os versos de “Sempre ausente”.

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Já começam a aparecer, espalhados pelas paredes do metro de Lisboa e nas laterais das paragens de autocarros, alguns cartazes anunciando o próximo Rock in Rio Lisboa, a acontecer no já tradicional Parque da Bela Vista, em maio de 2010. Curioso pensar que o festival já vai para a sua quarta ocorrência Além-Mar, enquanto que a “matriz” brasileira estacionou pela terceira edição. “Voltei!”, anuncia o cartaz, no qual uma garota empunhando uma guitarra abre os braços sobre a cidade de Lisboa, tendo o Castelo de São Jorge à direita e a Ponte 25 de Abril ao fundo (pena que não há vestígio do Parque da Bela Vista, local onde de fato ocorrem os shows... Por que será?).

sábado, 5 de dezembro de 2009

grooveshark


O Grooveshark é um mecanismo de busca e armazenamento de música online. É gratuito, os usuários podem fazer playlists, procurar por músicas com parâmetros tais como estilo e artistas semelhantes (parecido com o Pandora e o Last.fm), fazer upload de músicas que porventura não encontrarem no banco de dados e socializar com outros usuários do site.

Lembra um pouco o Blip.fm, apesar de ter uma interface mais sofisticada e oferecer o recurso de criar playlists em flash para disponibilizar onde for, como é o caso da que eu coloquei abaixo.




quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Games e aprendizado tangencial

Evento divulgado por Paula Martini:

Na próxima segunda-feira, 07/12, às 19h, o núcleo de Game Studies do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV Direito Rio e o Fórum Permanente de Cultura Digital da UFRJ promovem um debate internacional sobre o papel dos jogos eletrônicos na cultura e na educação. Será discutido o conceito de "aprendizado tangencial", segundo o qual os games podem estimular o aprendizado a partir do engajamento despertado pela experiência de jogo, desconstruindo a ideia de que eles precisam necessariamente ser educativos para trazerem benefícios aos jogadores. (O vídeo abaixo fala sobre o conceito.)

Os palestrantes são James Portnow, game designer norte-americano, ex-Activision (game Call of Duty) e mestre pela Universidade Carnegie Mellon; Volker Grassmuck, pesquisador de mídias digitais da Universidade Humboldt de Berlim e organizador do evento Wizard of OS; Guilherme Xavier, game designer e diretor de arte e design da Donsoft (game Capoeira Legends); e Arthur Protasio, coordenador do projeto Game Studies do CTS/FGV.

Mais informações sobre o conceito de aprendizado tangencial, sobre os participantes e o evento: http://direitorio.fgv.br/cts/games

Evento no facebook: http://migre.me/ddhT

Debate Games, Mídia e Aprendizado Tangencial:
entendendo o papel dos jogos na cultura e na educação

07 de dezembro (segunda-feira) às 19h
FGV RJ - Praia de Botafogo, 190 – 8º andar
Entrada franca
Não haverá tradução simultânea das falas em inglês
Atendendo às diretrizes da FGV, não será permitida a entrada de pessoas trajando bermudas e/ou chinelos