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domingo, 7 de novembro de 2010

Lan houses e telecentros na América Latina: estudo comparado

Foi lançada em agosto deste ano a publicação Puntos de acceso público a la información en América Latina, com os resultados de uma pesquisa sobre acesso à informação em centros públicos de utilização de tecnologias de informação e comunicação - como telecentros, lan houses, cibercafés e bibliotecas públicas - em seis países da América Latina (Argentina, Honduras, República Dominicana, Costa Rica, Peru e Brasil). A pesquisa global, que incluiu também outros 17 países em todo o mundo, foi realizada entre 2007 e 2009, pelo TASCHA (Technology and Social Change Group), da Escola de Comunicação da Universidade de Washington, e o capítulo brasileiro foi conduzido pela Fundação Pensamento Digital.

Em primeiro lugar, é interessante ressaltar nesta pesquisa o mérito de considerar tanto os telecentros e bibliotecas públicas quanto as lan houses e os cibercafés como espaços importantes para se pensar como as TICs são apropriadas pelas pessoas e que papel elas podem exercer no desenvolvimento social e na diminuição das desigualdades existentes nestes países. Como eu discuti na dissertação de mestrado, a maior parte dos trabalhos acadêmicos sobre o que tem sido chamado de "inclusão digital" tem como objeto apenas os centros públicos de acesso gratuito, mantidos por governos ou por ONGs, e desconsidera os centros de acesso pago, sob o argumento de que estes seriam espaços de entretenimento subordinados à lógica do mercado. No Brasil, desconsiderar as lan houses e os cibercafés é fechar os olhos para uma realidade na qual, segunda a última TIC Domicílios (2009), pesquisa realizada pelo CGI.br, 45% dos acessos se dão nestes centros de acesso pago, enquanto apenas 4% acontecem em centros de acesso gratuito.

Outro ponto interessante do estudo é trazer uma análise comparada sobre a utilização das TICs nos 23 países. Cabe ressaltar que, como a pesquisa tinha o objetivo claro de analisar o acesso a informações, não há aprofundamento da comparação entre os diversos usos - lazer, sociabilidade, educação, etc. - que podem ser atribuídos pelos usuários a estes espaços em contextos diversos. No entanto, algumas comparações mais gerais indicam características comuns e que foram observadas também no meu trabalho de campo, realizado em uma comunidade de baixa renda de Niterói (RJ). São espaços frequentados predominantemente por jovens, em busca de comunicação, entretenimento, educação. A maior parte dos frequentadores é composta por homens, o que reflete diferenças mais amplas de gênero existentes nesses países, embora haja exceções, reflexo de situações sociais mais abrangentes mais do que de igualdade entre gêneros. É o caso do Nepal, em que o número de mulheres e homens nos telecentros é mais ou menos igual, e muitas mulheres frequentam os espaços para conversar com seus maridos que foram para o exterior para estudar ou trabalhar.

Segundo o estudo, os espaços são pouco utilizados pelos frequentadores para conseguir as informações de que necessitam em sua vida cotidiana (
como trabalho, educação, saúde, cultura, transporte, serviços de governo e inclusão social), mesmo aqueles montados com esta finalidade, como os telecentros e as bibliotecas públicas. As informações são encontradas com mais frequencia em outros locais, como os meios de comunicação de massa e instituições como escolas, igrejas e governos. Nos centros, entendidos pela pesquisa como centros comunitários e não só como locais de acesso à rede mundial de computadores, há pouca informação relevante disponível para as comunidades e os frequentadores têm dificuldades em buscá-la na internet, seja porque não encontram os caminhos para conteúdo relevante seja porque não há conteúdo voltado para as comunidades, em linguagem local e em formatos acessíveis.

Como recomendação, o estudo fala da importância da existência de "infomediadores" que ajudem a organizar os conteúdos e a promover a ponte entre as informações disponíveis e os contextos locais. Os monitores de telecentros e bibliotecas e os funcionários de lan houses e cibercafés já cumprem, em certo nível, este papel, mas, segundo o estudo, este papel de mediador ainda é pouco exercido e acontece de maneira mais sistemática nos telecentros. Para a TASCHA, o ideal seria que estes três tipos de espaços se articulassem, de forma a complementar suas funções, e que a gestão do processo e das necessidades fosse feita por comitês locais.

Embora o foco da análise seja acesso à informação, o capítulo brasileiro foca no potencial de uso das TICs para melhorar a qualidade da educação e, consequentemente, nesta visão, o desenvolvimento social. Gostaria de chamar a atenção para a limitação desses enfoques. Não basta pensar nas TICs como acesso à informação ou como melhoria da educação para transformá-las em ferramentas para o desenvolvimento social dos países e a diminuição das desigualdades. E para ampliar a discussão, trago aqui alguns pontos levantados na conclusão da dissertação. Utilizando telecentros, lan houses, laboratórios de escolas ou pontos de cultura, acredito que os projetos de inclusão digital precisam ampliar suas metas para que possam contribuir para mudanças nas condições econômicas, políticas e sociais da população, como as citadas abaixo:

- Possibilitar a democratização não só do acesso, mas da produção e troca de informações e cultura por um número maior de indivíduos, inserindo a discussão sobre a inclusão digital numa discussão mais ampla sobre democratização da comunicação, diversidade cultural e democracia política.

- Possibilitar o exercício da cidadania que se estende para além do acesso aos serviços do governo eletrônico e que se referem à capacidade e à possibilidade dos cidadãos participarem da esfera pública como fiscalizadores e orientadores de políticas públicas.

- Promover o desenvolvimento cognitivo dos indivíduos, sua capacidade de crítica e sua capacidade de “aprender a aprender”, cada vez mais exigidas na sociedade atual, incluindo o papel do lúdico como linguagem neste processo. Outras mudanças importantes são a ênfase na autonomia e na criatividade dos sujeitos no desenvolvimento do conhecimento e na necessidade de constante aperfeiçoamento e aprendizagem. Novas formas de sociabilidade, interação e cooperação também se desenvolvem quando a mediação do computador e das redes eletrônicas passa a ser central em diversos setores da vida social.

- Incentivar o desenvolvimento tecnológico do Brasil, e não a mera inserção dos indivíduos no consumo de produtos globalizados, permitindo a autonomia do país frente às grandes potências mundiais, e a rediscussão do conceito de propriedade intelectual, de modo que o desenvolvimento tecnológico possa efetivamente contribuir para a diminuição das desigualdades entre os países.

- Elaborar os projetos sociais que envolvem tecnologia em diálogo com as próprias comunidades - entendidas não só como objetos, mas como sujeitos de políticas públicas - e com outras instituições fundamentais para o desenvolvimento dos indivíduos, sobretudo os jovens: família, escola, associações comunitárias, mídia de massa etc.

- Por fim, articular políticas de democratização do consumo e da produção de informação a outras políticas sociais mais amplas, em áreas diversas como educação, cultura, emprego, saúde, distribuição de renda e possibilidade de participação política.

segunda-feira, 22 de março de 2010

"Fronteira nebulosa entre o bom e o mau gosto"

Segue o link (aqui) para uma matéria interessante de Pedro Alexandre Sanches na Revista da Cultura.

A matéria faz a inesgotável discussão sobre o que é o "bom" e o "mau" gosto quando o assunto é música. Aborda questões como: quem tem legitimidade ou não para definir o que entra em cada uma dessas categorias, como se estabelecem e se modificam as fronteiras entre o "bom" e o "mau" gosto, a relação entre preconceito de gêneros musicais e a divisão de classe social e a relação entre artistas populares e a indústria cultural.

Faz também uma afirmação sobre o papel dos intermediários com a disseminação das novas tecnologias que podemos abrir para discussão aqui no blog:

"Os intermediadores da cultura acumularam poderio para orientar a legitimação (ou não) de artistas e estilos musicais. Mas é fato que esse poderio vem ruindo de forma espetacular desde o advento da internet. Intermediadores, como intelectuais, formadores de opinião, críticos e jornalistas, veem sua força encolher frente a cada novidade sobre pirataria, download, blog, Twitter etc."

Os intermediários perderam mesmo força ou utilizam novos meios de intermediação? Quem são os novos intermediários e qual a relação que estabelecem com os "antigos" intemediários?

O link é dica de @paulamartini

domingo, 29 de novembro de 2009

HBO Imagine

A partir de dois cubos, que permitem ao espectador conhecer quatro perspectivas diferentes de um mesmo acontecimento, tem início uma história composta de recortes de jornal, pequenas cenas filmadas, gravações telefônicas, fichas de suspeitos, entre outros formatos.

Apesar de o agenciamento ser quase nulo se comparado a um jogo – o controle do espectador é restrito à descoberta de novas cenas e à tentativa de organizar as partes da história em um começo, meio e fim –, é uma narrativa digital interessante (e viciante, até)... vale conhecer.

Só não espere um desfecho completo para a história… aparentemente esta é parte da estratégia da HBO para que o espectador retorne à história e tente encontrar os “elos” perdidos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Direitos Humanos e Novas Tecnologias

Para quem vai estar no Rio na semana que vem, segue a divulgação de mais um evento sobre novas tecnologias neste fim de ano cheio de discussões bacanas sobre o tema:

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Laboratórios de Experimentação e Pesquisa em Tecnologias Audiovisuais

Fonte: Pontão da Eco

Nesta terça (16), às 10h, o Pontão da ECO sedia reunião aberta do Programa Laboratórios de Experimentação e Pesquisa em Tecnologias Audiovisuais - XPTA.LAB. O encontro conta com a presença do coordenador do Programa, desenvolvido pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura.

O objetivo deste programa é a implantação de Laboratórios visando o fomento a projetos experimentais que proponham formas de interação das novas mídias, assim como novos modelos de negócio baseados nessas novas tecnologias. Os produtos gerados por esses projetos poderão ser obras de arte midiáticas, jogos eletrônicos, dinâmicas em telecomunicações, softwares, hardwares ou produtos audiovisuais interativos, entre outros.

É importante a divulgação entre instituições públicas de ensino e pesquisa na área do audiovisual, empresas, produtores, engenheiros, tecnólogos, cineastas, artistas etc., pois a característica principal do projeto é a integração entre pessoas de diferentes áreas.

Neste encontro o coordenador, Marcos Fábio Katudjian, irá explicar os critérios do Programa e conversar com os interessados.

Data: 16/06/2009 - Terça-Feira

Horário: 10h00

Local: Escola de Comunicação da UFRJ
Gabinete da Direção
Endereço: Av. Pasteur, 250 - Fundos
Praia Vermelha - Rio de Janeiro, RJ

Como chegar no local: http://forumdireitoautoral.pontaodaeco.org/comochegar

Todos as inforamções adicionais sobre o encontro podem ser obtidas pelo telefone (21) 9250-9594, com Gustavo.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Museu da Língua - novas tecnologias e velhas teorias



Separando material para a disciplina "Mídia e Educação" que vou oferecer na UFF este semestre, me lembrei da visita que fiz ao Museu da Língua Portuguesa, na Estação da Luz, em São Paulo, um dia depois do Congresso da ABCiber, em novembro passado. Foi uma experiência que me fez pensar, mais uma vez, como o potencial das novas tecnologias é desperdiçado, porque continuamos presos a um modelo de educação e de construção de conhecimento funcionalista.
A visita começou com a projeção de um filme sobre a língua portuguesa falada no Brasil, numa tela gigantesca. Aliás, uma não, são três telas com a exibição simultânea de três imagens diferentes em que anônimos e famosos narram a história da língua que falamos. Estava na quarta fila. À minha frente, só crianças. Atrás, adolescentes. Todos embasbacados com o espetáculo visual e auditivo que acontecia naquela sala de cinema. Quando o filme acabou, a tela foi suspensa e entramos em uma outra sala, agora em formato de arena. Os guias que acompanhavam as crianças e os adolescentes uniformizados foram indicando os lugares nas pequenas arquibancadas que rodeiam a sala. Enquanto entrávamos, uma voz repetia o verso de Drummond:

Penetra surdamente no reino das palavras.
Penetra surdamente no reino das palavras.

E a sensação era de que estávamos sendo penetrados, pelas palavras e pelo mundo que a gente constrói com elas, pois letras e imagens projetadas - idealização de Arthur Nestroviski e José Miguel Wisnik, com direção artística de Marcelo Dantas - iam e vinham no teto e nas quatro paredes da sala, enquanto as crianças se admiravam:
- Olha, quantas palavras!
- Caramba!
- Coqueiro!
- Queijo!
- Palavra!
- Quei-jo. Pa-la-vra.
- Olha! [o mar]
- Jo-ão Gui-ma-rães Ro-sa.
- Que isso, parece que está chovendo!

Estava achando tudo ó-ti-mo, até que...
Nelson Cavaquinho começou a cantar.

O sol...há de brilhar mais uma vez
A luz...há de chegar nos corações
O mal...será queimada a semente

As crianças e os adolescentes, entusiasmados, começaram a bater os pés no chão, no ritmo da música, e foram repreendidos pelos guias - ao que parece, contratados pelas escolas - que as acompanhavam.
- Xiiiiiiiiiiiiiii.
A partir daí, eram xiiiiis e mais xiiiiiiis, seguidos de frases como:
- Se vocês não pararem vamos acabar com a projeção e tirar vocês daqui.
Os adolescentes e as crianças tentavam acompanhar a projeção em silêncio, mas era difícil resistir a misturas como trechos do poema de Gregório de Mattos, escrito no século XVII, na voz do rapper paulistano Rappin' Hood:

Que falta nesta cidade?……………Verdade
Que mais por sua desonra?………Honra

Falta mais que se lhe ponha……..Vergonha

Saindo da projeção, havia muitas outras coisas interessantes no museu. Uma sala interativa, no segundo andar, mostrava a história da língua portuguesa, dos primórdios ao "internetês", passando pelas gírias de grupos sociais específicos (grafiteiros, presidiários, prostitutas), pela influência de outras línguas no português do Brasil e pelo papel que os meios de comunicação tiveram na mudança dos padrões linguísticos.
Crianças chegaram com o guia da escola e se espalham pelos monitores eletrônicos. O guia advertiu:
- Vocês podem olhar os monitores, mas o primeiro que correr vai ficar sentado no banco no meio da sala.
Um outro grupo teve menos sorte. As crianças não puderam interagir com os monitores, tiveram que seguir a linha do tempo da língua, atrás do guia que falava muito rapidamente, simplificando os fatos e pulando etapas:
- Prestem atenção, porque vai cair na prova.
Entrou um grupo de adolescentes. A guia - desta vez, do próprio museu - perguntou:
- Em algum lugar do mundo fala-se latim?
- ...
- Vocês estão na 8ª série, já deveriam ter bagagem suficiente para responder isso, né?

Por sorte, nem todo o cenário era assim. Na exposição temporária do primeiro andar, sobre Machado de Assis, um guia de cabelos compridos, jaqueta de couro e brinco na orelha instigava outro grupo de adolescentes. Mas não era só a roupa que fazia diferença. As perguntas eram outras, o modo de percorrer os corredores e interagir com o espaço era outro.
- O que essas imagens passam para vocês? - perguntou, diante de reproduções enormes de fotografias da época da escravatura.
Cada adolescente respondeu uma coisa diferente.
- Então, viram como uma mesma imagem pode gerar muitas interpretações? - e seguiu-se um papo sobre escravidão, relações sociais, o papel da fotografia e da literatura na história, etc.
O Museu da Língua Portuguesa é movimentadíssimo. Recebe a visita de 20 a 25 escolas por dia, inclusive aos sábados, e a presença de um público majoritariamente jovem fica registrada nos livros de visita, cheios de recados amorosos, desenhos e assinaturas estilizadas, como as carteiras escolares.
Já ouvi elogios e críticas em relação a ele. Do lado dos elogios, a exaltação da tecnologia, como se o fato dela estar sendo aplicada dentro de um museu, por si só, fosse atrair público e provocar um mergulho na língua portuguesa. Do lado das críticas, o velho argumento de que o uso das novas tecnologias, das imagens e dos sons simplifica o conteúdo (para ler uma delas, do escritor Sérgio Rodrigues, clique aqui). Em ambas as opiniões, esquece-se do público ou, para falar a linguagem da comunicação, volta-se ao esquema informacional em que o emissor provoca efeitos no receptor, enquanto o que deveríamos discutir é de que modo os frequentadores - em sua maioria, crianças e jovens - dão significado a esta experiência e de que modo as tecnologias disponíveis podem ser utilizadas na construção - e não só na reprodução - de novos conhecimentos.

domingo, 9 de novembro de 2008

Para uma malhação mais divertida...

Depois do bambolê e da aula de step do Wii,


a academia ainda tem uma chance...
Seguindo a linha, atualmente muito bem-sucedida, dos jogos de exercícios, a empresa Expresso Fitness lançou uma bicicleta-jogo que vem sendo adotada nas academias (americanas, pelo menos).

Para quem aqueles minutos correndo na esteira, pedalando na bicicleta ou se equilibrando no transport também são intermináveis, a perspectiva de uma distração imersiva, que pode envolver desde uma corrida de bicicleta até uma luta com dragões (enquanto você continua pedalando para correr deles, é claro!), parece bastante atrativa...


Fotos: Nintendo Wii Fit e Expresso Fitness.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Pela Conferência Nacional de Comunicação


As petições online continuam circulando como forma de pressionar o governo e influenciar políticas públicas. Desta vez, o abaixo-assinado é em prol da convocação da I Conferência Nacional de Comunicação, para a qual já existe verba no orçamento da união.

A petição está sendo encabeçada por uma comissão criada em 2007 e formada por mais de 30 entidades da sociedade civil, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDMH) e pelo Ministério Público Federal. O abaixo-assinado está circulando de mão em mão e também online. (Para assinar, clique aqui.)

O objetivo da conferência, como acontece em outros setores, é fazer um balanço das ações do poder público na área, propor diretrizes para as políticas públicas de comunicação e apontar prioridades de ações governamentais dentro destas diretrizes.

A realização dessa conferência é de extrema importância para subsidiar a criação de um novo marco regulatório do setor de comunicações no Brasil, essencial no momento em que estamos vivendo, com a chegada da TV e do rádio digitais, a discussão sobre convergência de mídias e a iminente aprovação de leis que criminalizam e limitam o uso da Internet, como a lei do senador Eduardo Azeredo (PL 84/1999), que já foi aprovada no senado e agora caminha, em regime de urgência, na Câmara dos Deputados.

Espero que o abaixo-assinado em favor da Conferência Nacional de Comunicação repita o sucesso da petição online contra a Lei Azeredo, que já conta com mais de 110 mil assinaturas. Apesar do projeto ter sido aprovado no senado, há esperanças de que não passe na Câmara ou não seja sanciondado pelo presidente Lula. De acordo com o blog do sociólogo Sérgio Amadeu, os deputados Jorge Bittar (PT-RJ) e Paulo Teixeira (PT-SP) apresentaram, no último dia 7 de agosto, um requerimento de audiência pública para discutir o projeto na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. A justificativa dos deputados é a polêmica que a matéria vem causando.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Games e Orkut na sala de aula

Contrariando as opiniões apocalípticas e as atitudes muitas vezes desconfiadas em relação às novas tecnologias de comunicação e informação, muitos professores têm enxergado seu potecial pedagógico e trazido a Internet e os jogos virtuais para a sala de aula. Dois exemplos com que tive contato recentemente - os dois em aulas de português/literatura - ilustram bem essa aliança da educação com a comunicação.

No Rio de Janeiro, um grupo de alunas de um colégio particular escolheu o game The Sims 2 para recontar o soneto "Estações", do livro "A Musa Diluída" (2006), de Henrique Rodrigues. O resultado ficou super interessante e foi postado no Youtube, como vocês podem ver abaixo.





As palavras do autor - que, inclusive, utiliza muito bem a Internet para fazer circular literatura, por meio de um site e de uma mala direta (para os que querem receber) do que poderíamos chamar de doses virtuais de poesia - sobre a releitura de sua obra aproximam mundos que muitos ainda julgam estar em lados opostos:

"De certa forma, esses exemplos servem para calar a boca dos maniqueístas que colocam de um lado a 'sociedade da imagem' e no outro extremo a que seria 'letrada', como se fossem auto-excludentes. Os leitores sempre sabem o que fazer, por isso se renovam.
Agradeço imensamente às jovens Isabela Dantas, Isabela Vitelli e Ingrid Tchao, copiadas aqui, pelo trabalho. Coisas simples e relevantes como essa é que fazem valer a pena ser escritor - atividade muitas vezes incompreendida ou romantizada".

O segundo exemplo foi uma atividade desenvolvida numa escola pública de Petrópolis. Os alunos tiveram que pesquisar sobre a vida e a obra de um escritor brasileiro e criar um perfil no Orkut como se fossem o próprio escritor. Aqui podemos ver o perfil do Monteiro Lobato. Uma variação da atividade é pedir aos alunos que leiam um livro ou um conto e criem perfis no Orkut como se fossem os personagens da história. Após criar os perfis, os alunos podem realizar inúmeras atividades, como organizar comunidades, fóruns e enquetes, explorando as características de cada personagem, o contexto em que as ações se desenvolvem e os temas presentes nas histórias.

Para terminar, proponho aos leitores que conhecerem exemplos de atividades semelhantes que deixem comentários no blog.

domingo, 8 de junho de 2008

Coletivo musical



O celular tem cada vez mais se apresentado como plataforma bem sucedida de mídias sonoras. Do ringtone, passando pelo MP3 player e o rádio fm, a música, devidamente personalizada, invade os espaços públicos pegando carona com o telefone móvel. Michael Bull em "According the Sound" já nos chamava atenção para como o walkman foi capaz de criar uma espécie de "bolha" protetora para o usuário, que a despeito do ambiente ao redor conseguiu conservar uma paisagem sonora particular, enfatizando o atrito entre o ambiente público e o gosto privado. Desde então, vários aparelhos de reprodução sonora foram desenvolvidos explorando essa tendência até chegarmos aos atuais MP3 players e I-PODs.
A possibilidade de estar em um ambiente público, muitas vezes conturbado como os grandes centros urbanos e sua poluição sonora típica da modernidade e ainda assim conseguir se isolar a partir de um repertório musical, parece mesmo muito atrativa e eficiente. O número de pessoas que transitam pelas ruas com fones de ouvido evidencia essa necessidade.
Mas eis que a tecnologia, e ainda mais sua apropriação, nos surpreende sempre. Se os fones de ouvido permitem ouvir a música de forma privada, um alto-falante interno é capaz de reproduzir a música em alto e bom som para as pessoas ao redor. Sendo assim, não se assuste ao entrar em um ônibus (que vem se mostrando lugar privilegiado para o estudo de hábitos de consumo musical) e ouvir lá do fundo um funk rolando a todo vapor. Parece-me curiosa a necessidade dessas pessoas de além de ouvir música, compartilhá-la com os outros passageiros (que nem sempre são conhecidos). Simone deu uma pista em sala de aula ao comentar que o funk (sim, todas as vezes que ouço alguém ouvindo música via alto-falante do celular é funk) não se escuta com som baixo. E eu complemento com certa intuição de que para alguns gêneros a audição individual não funciona tão bem. É a partir de sua escuta compartilhada em grupo que o gênero mostra-se atrativo. O apelo rítmico e dançante do funk que sugere seu acompanhamento com coreografias e o bom humor de suas letras ambíguas e escrachadas parece mesmo sugerir um ambiente mais aberto à participação dos outros e menos a um consumo introspectivo como da música erudita e até mesmo de alguns rocks. Outra possibilidade é que ao demonstrar as músicas que estão ouvindo, esses consumidores estão de certa forma demarcando sua identidade. Mais do que consumir funk, talvez seja necessário que as outras pessoas saibam que elas ouvem funk e como ouvem. Enfim, é um ensaio. Aceito idéias. Ah! Essa imagem acima é uma base musical MD da Nokia. Acessório que permite ouvir o som dos celulares em alto-falantes.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

What´s wrong with the world?

Na última sexta-feira, assisti ao espetáculo "What´s wrong with the world", no Oi Futuro. A história se passa ao mesmo tempo no Rio de Janeiro e em Londres. Os atores brasileiros (da Cia. Phila7) e ingleses (da Station House Opera) contracenam, em tempo real, através da tecnologia internet streaming, que possibilita transmissões ao vivo em broadcasting - rádio, TV e teleconferência. A platéia também faz parte da história.
Fiz um post sobre a experiência em outro blog de que participo. Para quem quiser ler segue o link. Aproveito para divulgar o outro blog.

O laptop e a prática pedagógica


No início de abril, dei uma oficina de quatro dias numa escola estadual de Niterói, sobre o uso da internet na sala de aula. A oficina fazia parte do projeto "Educomunicar", desenvolvido pela ONG Bem Tv - Educação e Comunicação. Seu objetivo é capacitar professores de escolas públicas para a utilização da comunicação como metodologia pedagógica.

Pois bem, a oficina aconteceu na semana em que os professores da escola receberam seus laptops, enviados pelo governo do Estado, através do programa Educação para um Rio Digital. As opiniões estavam divididas. Alguns professores, indignados, se perguntavam por que o governo não aumenta seus salários ao invés de enviar laptops. Outros comemoravam a possibilidade de dispor de mais uma ferramenta para sua prática pedagógica. Havia ainda os que olhavam com receio, felizes por terem recebido a máquina mas, ao mesmo tempo, em dúvida sobre o que fazer com ela.

A maior parte dos professores ainda não tinha utilizado o computador portátil, alguns tinham tentado mas não tinham conseguido utilizar a internet, outros levaram seus laptops para a oficina - que aconteceu no laboratório de informática da escola - e os utilizaram muito bem, fizeram suas contas no Orkut, desenvolveram blogs, diagramaram um "jornal" com ferramentas de texto.
Essas opiniões divididas parecem ocorrer em todo o Estado, como mostra a matéria do dia 21/04/08, no caderno "Info etc." do Globo. A matéria se prende muito à questão da velocidade de conexão dos laptops e às dificuldades técnicas dos professores em lidar com as máquinas. Creio, no entanto, que os principais problemas que os professores enfrentam sejam outros. De um lado, o medo do desconhecido, ou seja, de não conseguirem aprender a utilizar as máquinas. De outro, a dúvida cruel: o que fazer com a mídia na sala de aula? Como utilizar a mídia para trabalhar conteúdos de matemática, geografia ou português?

A insegurança dos professores tem fundamento. Os governos estão disponibilizando as máquinas, a sociedade cobra sua utilização, os alunos anseiam por aulas mais dinâmicas. Mas falta ainda a capacitação do professor e uma capacitação que não se prenda à técnica (coisa que ele pode aprender com os filhos e os próprios alunos, por exemplo), mas que dê sentido à presença do laptop - e da câmera fotográfica, do celular, da câmera de vídeo, etc. - na sala de aula.

Ilustração: Leno Carvalho, Bruno Hang e Priscila Ribeiro
Para a publicação A comunicação invade a escola! - Bem Tv - Educação e Comunicação, 2007.