sexta-feira, 25 de setembro de 2009

LABCULT NO 5º MUSIMID NA USP


Entre quarta e sexta-feira da semana passada, rolou na USP o 5º MUSIMID, congresso no qual, representando o LabCult, apresentei um trabalho (“Produtores Musicais: legitimidade e autoridade cultural na música midiática contemporânea”), fruto ainda das minhas reflexões iniciais para o projeto de doutorado que enviei para UFF (em constante revisão...hehehe). Ainda que tendo sua participação agendada, Simone não pôde estar presente, mas um outro membro do grupo, o nosso colega Marcelo Garson, aproveitou que está morando na capital paulista e me deu uma carona para o último dia do congresso, no qual apresentei o trabalho. No mesmo dia à tarde, participamos de discussões em uma mesa na qual se perceberam muitas interfaces entre o reggae maranhense e o funk carioca em suas conformações locais em meio a outros trabalhos ligados a cenas locais - como uma (n) etnografia sobre o choro em Porto Alegre.


O evento primou pela quantidade de pesquisas com características bastante distintas (incluindo aí produtos musicais frutos de bolsas de pesquisas artístico-culturais) e valeu a pena por colocar em contato pesquisadores com diferentes formações e perspectivas. O destaque maior, do meu ponto de vista, vai para a mesa especial da quinta-feira, formada por Eduardo Vicente e Márcia Tosta Dias, que centralizaram os debates em torno dos rumos da indústria da música na atualidade a partir da análise da história da música gravada.


Na quarta-feira, uma aluna de Estudos de Mídia da UFF, Inês Ferreira, também apresentou trabalho no evento (intitulado “Dan Deacon, experimentalismos eletrônicos contemporâneos e a paisagem sonora hipermediada das grandes cidades”) e fruto das discussões da aula da Simone na pós-graduação que ela participou como ouvinte.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

beatles digitais

Há um tempo atrás, o Luiz Adolfo fez um post sobre a comoção que a Electronic Arts causou neste ano na E3, o evento de games mais visado do mundo. O assunto era o lançamento da edição do game Rock Band especial dos Beatles.

Realmente, a interface e o desenrolar deste jogo são um prato cheio para quem gosta dos Fab Four, ou até mesmo para quem não curte muito mas quer conhecê-los melhor. A carreira deles, desde os pubs de Liverpool até o estrelato, é o enredo que o jogador encontra ao tocar as músicas. Conforme o jogo avança, peças biográficas como fotografias e videos são liberadas, além de cada fase (ou música) ter um tema visual que casa com momentos específicos da banda, desde colinas floridas em Here Comes the Sun até o vesturário e diferentes cortes de cabelo dos integrantes.

Dhani Harrison, filho de George, incentivou a Harmonix Music System a fazer o jogo há alguns anos atrás, em 2006, um pouco depois desta empresa de desenvolvimento de games ter sido incorporada pela MTV.

O lançamento do jogo coincidiu com o do lançamento de albuns remasterizados, no dia 9 de setembro.

Pra ter uma idéia, aqui vai Octopus's Garden, fechada com 100% de acerto (por alguém que não sou eu, fué). Reparem na semelhança dos avatares com os integrantes.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Avante, camaradas!

Onde mais, senão no Palco 25 de Abril?


Cansados ficavam os seus avós!

Lado a lado, em algum lugar do Panteão Cosmodemoníaco dos Ídolos Pop


Aqui a tradição ainda é o que era



Lá vem o Brasil, descendo a ladeira




Já dizia o Variações que portugueses em geral são chegados numa boa discussão. Se a discussão tiver algum cunho político, então, nem se fala. Não sei se em virtude dos anos de repressão e silêncio sob o jugo do Estado Novo, parece haver por estas bandas um apreço especial por manifestações e reivindicações em geral, nas quais a palavra liberdade dá a tônica dos debates. Já havia me dado conta dessa característica singular quando, em meio às Festas Populares da Margem Sul, me deparei com estandes dos partidos políticos dividindo espaço com as barraquinhas de farturas e churros. E semana passada, durante a tradicional Festa do Avante, minha impressão apenas se reforçou.


O Avante é o jornal do Partido Comunista Português que, anualmente, no primeiro final de semana de setembro, organiza um mega-evento na Quinta da Princesa, lá pras bandas do Seixal. São três dias de música, atividades culturais, bebedeira desenfreada e, claro, discussões políticas. Por incrível que pareça, a mistura não apenas não desanda como também se revela um bocado divertida, possibilitando que uma mesa redonda sobre a situação hondurenha conviva pacificamente com um show do Blind Zero. E embora os artistas selecionados para o line up compartilhem, em maior ou menor grau, algum tipo de postura política de esquerda – você jamais verá o Tony Carreira ou as Just Girls numa Festa do Avante – a coisa é equilibrada de modo que o lado mais panfletário do evento fique reservado para o Comício de encerramento (particularmente explosivo este ano, já que faltam pouco mais de 15 dias para as eleições legislativas).


Guiar-se pela Quinta da Princesa em dia de Avante merece um capítulo à parte. Os palcos – além do 25 de Abril, que sedia as atrações principais, há uma infinidade de palcos menores, como o Auditório 1º. de maio e as tendas dedicadas à música regional portuguesa – não ficam exatamente próximos uns dos outros, e a Quinta da Poeira, quer dizer, da Princesa é grande que só vendo. Como os shows acontecem em simultâneo, nunca dá pra ver tudo – e embora eu tenha ido para a Festa com o intuito de conferir várias atrações musicais, é óbvio que fui vencido pela preguiça, e no final das contas, só consegui assistir do princípio ao fim às apresentações de Vitorino e do Clã.

No resto do tempo, dividi-me entre a Área Internacional (para onde os países do mundo que possuem partidos comunistas levam suas danças, artesanato e comidas típicas, numa espécie de Feira da Providência Vermelha – e onde é possível encarar uma cachupa caboverdiana com suco de tamarindo por módicos 10 euros) e os palcos regionais, cuja programação ia de divertidos Corais de velhinhos do Alentejo até Ranchos Folclóricos do Norte de Portugal. Aí também há protesto: no caso, contra a invisibilidade destas “formas tradicionais” na assim chamada “grande mídia”. Curioso, porque em alguns programas televisivos, sobretudo os matinais e durante o verão, volta e meia manifestações de cariz supostamente popular aparecem retratadas, sob a forma de danças, cantos e artistas “típicos”, no contexto da visita dos apresentadores do programa e questão a aldeias do interior onde há algum tipo de festa ou romaria. Que tradição é esta que tais programas colocam em pauta e contra a qual os ranchos do Avante protestavam, então?


Vale a pena registrar, ainda, a eficiência do sistema de transportes da Margem Sul, que em parceria com os comboios Fertagus ou com o Transporte Fluvial, garante que a galera que não veio com disposição para acampar consiga chegar do outro lado do Tejo sã e salva após a Festa.


terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Era dos Games

A Revista Universitária do Audiosvisual (RUA) deu um belo presente para quem quer se inteirar da discussão sobre jogos eletrônicos, no Brasil. O periódico, que é vinculado ao curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos, publicou nos últimos dias a “Era dos Games”, uma edição especial totalmente dedicada às pesquisas sobre o tema.
Os números apresentados no seu editorial chegam a impressionar os leitores mais desinformados ou aqueles que ainda insistem em considerar os games um simples passatempo para jovens. No Brasil, por exemplo, existem cerca de 560 profissionais, empregados em 42 empresas, trabalhando exclusivamente com games ou produzindo softwares para estes produtos. Segundo da Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Eletrônicos (ABRAGames), o produto nacional bruto do setor gira em torno de 87 milhões de reais e o salário médio da categoria é próximo de 2.200 reais. Ainda é pouco, comparado com que existe lá fora – mas estamos engrenando!
A “Era dos Games” brinda seus leitores com textos produzidos por pesquisadores e docentes de renome no Brasil, como Lúcia Santaella, Vicente Gosciola e Lynn Alves. Aproveito para saudar publicamente toda equipe da RUA, pela profícua contribuição que esse número especial insere nos estudos de games, em nosso país.

domingo, 20 de setembro de 2009

O fim do download?

Muito boa a matéria que o Jornal A Tarde, de Salvador, fez sobre as práticas de consumo musical na rede. O gancho era a pergunta sobre o fim do download, uma vez que a tendência de ouvir música em streaming tem sido bem forte.

Entrevistaram um monte de gente - eu inclusive - e levantaram uma ótima discussão.

Publico aqui a íntegra do artigo que escrevi a pedido deles - e que na matéria, saiu editado.


"A pergunta de um milhão de dólares?


Qual a saída para a indústria fonográfica? E para os novos artistas, que disputam a atenção dos potenciais ouvintes sem o capital cultural traduzido por milhares de fãs arrecadados na era “de ouro” das gravadoras, que já ficou para trás?


Para desapontamento do mercado, não existem fórmulas nem mesmo uma resposta única para o que é considerado a “crise” das grandes gravadoras. O futuro chegou. Mas, ao invés de destruir as velhas mídias, ele instaurou relações muito mais complexas entre o novo e o antigo.


No entanto, se não há receita pronta para o combate à crise, aposto em três elementos que devem ser levados em conta para entendermos o novo cenário.


O primeiro deles é o de que o principal papel da indústria fonográfica sempre foi o de filtragem dos talentos, aproximando artistas de seu possível público. Este papel, de mediação, não desapareceu com a cultura digital.


Assim, se artistas e público estão mais próximos, uma vez que qualquer banda pode disponibilizar seus trabalhos on-line, os desafios permanecem. Quem vai ouvir, como atingir o público certo; e, dilema dos dilemas, como ganhar dinheiro com isto?


A graça deste momento é que estes mediadores se multiplicaram, descentralizaram e transformaram a filtragem numa atividade compartilhada. Eles estão nos blogs de críticos não profissionais, no twitter, nos nossos perfis de Orkut ou Facebook.E também na grande maioria dos serviços em streaming, por isto mesmo também chamados de sistemas de recomendação musical. Serviços que não fazem outra coisa senão mediar a experiência dos ouvintes ao recomendar novas músicas a partir do perfil do usuário; e assim, construir uma experiência musical que é central à cultura digital.


Outros recursos presentes nestas plataformas de música on-line são também importantes como ferramentas de mediação. Penso nas possibilidades de acesso a informações enciclopédicas sobre as músicas e artistas. Ou na criação de perfis de usuários, a partir dos quais estabelecemos redes sociais com base no gosto em comum, estimulando o florescimento da cultura participativa central a qualquer experiência de entretenimento na atualidade.


Como segundo ponto, aposto que uma das novidades deste momento é que meios de comunicação e conteúdos se “descolaram”. Assim, um suporte ou meio físico pode transportar diversos serviços, tal como demonstra o celular multi-funções a cada momento de nossa vida.


Por outro lado, um mesmo serviço, como por exemplo uma rádio, pode ser acessada a partir de diversos suportes ou meios, tais como o celular, a Internet ou o próprio rádio “físico”, cada um deles propiciando uma experiência que é única.


Finalmente, como consequência da pista anterior, chamo atenção para o fato de que, cada vez mais, estamos interessados em múltiplas experiências de consumo musical. Assim, o download e armazenamento das músicas favoritas para serem ouvidas no player; a escuta de novidades em streaming através dos sistemas de recomendação de músicas; as rádios on-line; as idas a shows ao vivo; e até mesmo a escuta de discos de vinil em pick-ups são algumas das formas de fruição da música hoje – cada uma delas proporcionando um prazer específico e complementar.


É preciso, portanto, levar em conta, então, que nossas escolhas se dão a partir da funcionalidade, do prazer estético, do nosso afeto por alguns artistas, da possibilidade de compartilhamento com amigos – dentre outras razões. Tudo isto pesa na hora de se discutir estratégias para o lançamento de um produto musical, tornando a cadeia de produção, circulação e consumo mais complexa, instável e imprevisível. Ao mesmo tempo, o cenário abre oportunidades inusitadas.


Decididamente, o tempo das fórmulas se foi. Mas, conforme cantava o R.E.M numa velha canção – é o fim do mundo como nos o conhecemos – e eu me sinto bem!"


RIP: Um manifesto remixado

O Festival de Cinema do Rio começa dia 24 e a programação desse ano está excelente - como sempre né?

Já estou montando a minha programação pra tentar ver a maior quantidade possível de filmes, já que muitos deles nem entram no circuito de cinema fora do festival.

Aproveitando pra dar uma dica, corram pra ver o filme RIP: Um manifesto remixado. Entre tantas discussões sobre a reconfiguração da Indústria Fonográfica, direitos de propriedade intelectual etc., o filme parece ser um bom acréscimo à discussão.

Sinopse
Na era da informação, em que a distância entre produtores e usuários está sendo progressivamente abolida, as poderosas multinacionais da indústria de entretenimento americano fazem valer o seu direito nos tribunais. O fundador do Creative Commons, o crítico cultural Cory Doctorow e o ex-ministro Gilberto Gil são alguns dos entrevistados do diretor. Grande pesquisador e militante da livre circulação de conteúdos pela web, ele forma, junto com Girl Talk - artsita que faz successo com músicas realizadas a partir de samples - uma poderosa frente de batalha pelo remix.


Trailer



Vejam também o site oficial do filme que é bem bonito, além de ter mais informações sobre o filme. E pode deixar que se eu topar com outro legal, mando aqui pro LabCult pra vocês ficarem sabendo.

A dica desse filme veio da Carol Câmara, pela lista dos alunos e professores de Estudos de Mídia da UFF. Valeu, Carol.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

RADIOHEAD ORCHESTRA

Depois de ter lançado gratuitamente o álbum In rainbows para download antes do CD, o Radiohead, prepara mais uma. Por enquanto os caras desistiram do formato álbum, como afirma o vocalista Thom Yorke a revista The Beliver:

“Nenhum de nós quer voltar a essa bagunça criativa de um disco de longa duração novamente. Funcionou em ‘In rainbows’ porque nós tínhamos uma idéia fixa sobre o que queríamos. Mas todos nós concordamos que não podemos entrar em uma dessas de novo. Isso nos mataria.”

A idéia agora é lançar singles e EP’s, (formato que tem entre quatro e oito faixas e duração de 15 à 35 minutos). Os trabalhos já começaram e vão de vento em popa. No dia 5 de agosto, disponibilizou a faixa digital "Harry Patch", que arrecadou fundos para a Legião Britânica. No dia 17 do mesmo mês, o Radiohead lançou uma nova música, "These are my twisted words", para download grátis em seu site. Já no presente mês de setembro, Thom Yorke lançou em vinil o single solo “All For The Best” numa tiragem limitada de 2000 copias, dia 7. E para o dia 21 de setembro estará disponível para download gratuito mais duas musicas inéditas.

Todos esses lançamentos passaram, ou passarão, por diferentes processos de comoditização. O último anunciado logo acima, sairá em vinil e terá uma versão paga para download a partir do dia 6 de outubro, de acordo com o comunicado do blog da banda:
http://www.radiohead.com/deadairspace/

Diferentes empresas serão responsáveis pelo serviço de hospedagem dos arquivos de música, assim como diferentes gravadoras se ocuparam da comercialização do disco (a produção musical do fonograma já é outra historia).

A questão que fica é: quais configurações mercadológicas e quais hierarquias de consumo estão sendo estruturadas com isso. Acredito que cada projeto tem sua lógica interna.

No blog da banda, o post que vem em seguida ao do lançamento do single do dia 21 divulga o filme The age of stupid que aborda questões relativas às mudanças climáticas. A exibição estréia coincidentemente na mesma data disco em 50 paises. No site do filme é possível comprar o ingresso. Haveria uma convergência com o cinema ai?

Teremos que esperar até dia 21 para conferir se o significado das as canções FeelingPulledApartbyHorses e The Hollow Earth batem com o significado do filme The age of stupid. Ou será que conseguiríamos descobrir algumas coisas antes pesquisando sobre o Radioread na Internet???


quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Black Eyed Peas protagoniza maior flash mob do mundo, até agora.

Recentemente o Black Eyed Peas tinha disponibilizado seu novo álbum para download gratuito. Seguindo a postura "cool", agora o grupo americano foi ao programa de Oprah Winfrey mobilizar 20 mil pessoas numa coreografia do hit "I Gotta Feeling". Primeiro Will.i.am criou a coreografia e a passou para 800 pessoas, essas pessoas, por sua vez, repassaram para as outras 20 mil que se reuniram num show ao ar livre.
Segundo foi anunciado em vários blogs e sites de notícia, esse seria o maior flash mob criado no mundo até hoje. O evento foi na verdade produzido pela T-Mobile, empresa alemã de telefones celulares que tem se especializado em promoções a partir de flash mobs. A empresa que segue em sua campanha "Life's for Sharing" já havia surpreendido com um flash mob na estação de metrô de Londres e conseguido reunir 13.500 pessoas para cantar a música "Hey Jude" dos Beatles na Trafalgar Square, também em Londres.
Entre as várias coisas bacanas que podemos analisar nesses eventos está a força da música na mobilização de pessoas. Não fiz uma pesquisa aprofundada, mas me parece que a coreografia de canções populares tem sido o propulsor dos mais interessantes flash mobs.
Também é importante observar como esses eventos tem sido articulados de forma cada vez mais profissional. No show do BEP, coreógrafos bem localizados na frente do palco imprimiram o ritmo, já no videokê em Londres, foram chamados 200 cantores profissionais que infiltrados na multidão evitaram que os outros desafinassem prejudicando a ação.
Outra questão interessante é que o flash mob, evento comunicativo associado as novas tecnologias por sua interatividade e cooperação coletiva, tem se mostrado um evento massivo por excelência, atraindo redes de TV que de certa forma atuam como meios complementares. Afinal, qual a graça de participar de um flash mob se a TV não vai cobrir? Para empresas que usam tal estratégia para reforçar suas marcas, a reunião de milhares de pessoas em uma coreografia é só uma etapa de um processo que se complementa com a transmissão televisiva ou a veiculação em canais de vídeo na internet como o You Tube. Se alguém souber de algum me avisa tá...


Releitura de "Velha a Fiar"


Não pude resistir... Ao ver o post da Ariane sobre "A Velha a fiar" me lembrei de um outro curta (ou videoclipe) inspirado nessa obra. Não, não estou falando da versão bacanérrima dos Trapalhões não. Estou falando de um curta apresentado no Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual em 2007 no Rio de Janeiro. Mais especificamente no Show do Gongo, noite mais concorrida do festival que conta com a mostra competitiva entre pequenos vídeos amadores e apresentado por Marisa Orth em sua melhor versão drag queen.

Nos últimos anos o Festival não tem ocorrido no Rio, mas continua rolando em São Paulo e passando por cidades como Belo Horizonte. Espero que em 2010 André Fischer (coordenador do evento) volte a produzi-lo aqui no Rio. Enquanto isso matamos a saudade com o que de melhor aconteceu no Festival.

Além de fazer uma homenagem a Humberto Mauro, "Drag a gozar" de Kiko Cesar reúne com propriedade todas as "personagens" da cena gay. Fui a essa noite do festival e vi a reação da platéia que, lógico, se identificou, riu e aplaudiu cada gíria usada e consagrou o vídeo como campeão da noite. Pra quem não é da cena talvez algumas piadas soem sem sentido, nesse caso vale pedir ajuda à um amigo entendido.

Humberto Mauro e o videoclipe

Uma das boas discussões que cercam o videoclipe é a história do seu surgimento. A gente sabe que, no fim das contas, tanto faz o primeiro clipe ter sido dos Beatles, do Queen, do Elvis (eu gosto muito de pensar no Queen, hehe), mas a busca pelo "primeiro" videoclipe da história sempre vale a pena, pois nos obriga a prestar atenção no processo histórico que consolidou o gênero.

Há algum tempo descobri, com alguns alunos de Linguagem de Videoclipe, que o cineasta Humberto Mauro pode estar ligado à história do videoclipe. Em 1964, ou seja, onze anos antes de o videoclipe começar a estourar, ele fez um curta-metragem com vários elementos que posteriormente o videoclipe abocanhou. De forma inédita no Brasil (pelo menos que eu saiba), o cineasta pegou uma música que já existia e a ilustrou com imagens. Trata-se do interessantíssimo "A Velha a Fiar":



Vários elementos da linguagem do videoclipe estão aí: a combinação das imagens com o ritmo musical executado pelo trio Irakitã, as imagens acompanhando a letra, a interdependência musical e imagética... A duração do curta - pouco mais de cinco minutos - se encaixa nos padrões da música massiva e nos do videoclipe também.

Muito legal, hein?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

O verdadeiro vira de Roberto Leal

A prova do crime


Pensei em diversas maneiras de iniciar este post, mas que diabos, quem precisa de rodeios quando a notícia em si já vale por dez mil narizes de cera?

Há exatos sete dias fui a um show do Roberto Leal. Pronto, falei. E embora faltando dez passos para pisar no interior do Cabaret Maxime o mosquito do constrangimento tenha me dado uma ferroada daquelas, decidi embrenhar-me em meio às velhinhas laqueadas e às celebridades de ocasião, sacando oito euros da carteira para conferir o concerto do Homem que certamente apavorou não apenas a minha, como também a infância de muitos que hoje estão pela casa dos 25-35 anos, sejam eles luso-descendentes ou não – embora aqueles tenham o dobro de chance de terem convivido com o Homem das Madeixas Louras não só nos programas de auditório de Bolinha, Chacrinha e congêneres, como também em eventuais audições vinílicas proporcionadas por pais, tios e avós (sobretudo avós) durante o almoço de domingo.

E como você não se torna um verdadeiro pesquisador até ser capaz de enxergar questões de cunho teórico inclusive nas frestas mais recônditas do piso da sua cozinha, ouso dizer que o show de Roberto Leal no Maxime forneceu-me um punhado delas.

Aos (supostos) fatos, que de eventuais gonzoarias também é feito este meu cantinho: Roberto Leal cansou-se da fama de crooner lamecha, embaixador da Terrinha no Brasil e “mais brasileiros dos cantores portugueses” e decidiu dar uma virada na carreira. Ou, conforme o próprio site do cantor anuncia, empreender a “a primeira operação de rebranding de um artista português” – qual seja, abandonar os “Arrebitas”, “Viras” e “Bate-o-pés” que o consagraram e mergulhar fundo no patrimônio musical português. Sim, senhores, a palavra de ordem é TRADIÇÃO, que se fazia presente já no álbum anterior, “Canto da terra” e parece reforçada no atual, chamado – atenção, atenção! – “Raiç/Raiz”, cujo lançamento para a imprensa era o pretexto do concerto a que assisti. Repleto de cantares tradicionais, muitos deles no idioma mirandês (da região transmontana de Miranda do Douro), e cercado de um time de instrumentistas responsável pelos arranjos que sabem a uma Idade Média temperada por influências mouriscas, o que se vê no palco seria irreconhecível e surpreendente, não estivesse no comando do espetáculo um cantor cujos trejeitos d’antanho parecem se recusar a abandoná-lo. Em outras palavras, Roberto Leal, o autor do conceito, consegue ser sistematicamente sabotado pelo Roberto Leal performer – embora, diga-se de passagem, a imensa maioria da audiência estivesse se lixando para isso.

Eu, que ali permanecia como antropólogo e como cínico, confesso ter achado um par de arranjos genuinamente belos, e – sejamos sinceros – entre a guinada às raízes de uma Tereza Salgueiro pós-Madredeus e a mutação transmontana de Roberto Leal, ouso dizer que prefiro este último, pelo simples de fato de, por vezes, “Raiç/Raiz” se assemelhar à corrida desabalada rumo ao precipício de um sujeito que aparenta não ter nada a perder (Tereza e seu álbum “Matriz”, ao contrário, parecem a cada faixa querer provar alguma coisa ao ouvinte, nem que isto a provar seja sua presumida independência em relação ao Madredeus, e tal postura, além de pretensiosa, acaba soando musicalmente chata, muito chata).

Como nada se faz hoje em dia sem o auxílio das tais novas tecnologias de informação e comunicação, eis que o lançamento de “Raiç/Raiz” é acompanhado de uma estratégia de mídia focada na internet. “Roberto Leal mudou de música. E se mudasse de nome?”, diz o folheto distribuído aos presentes no Maxime. “Se acha que o Roberto deve mudar de nome para esta nova etapa musical, vá a WWW.robertomudadenome.com. A decisão é sua”. Entrando no site, somos saudados por um vídeo gravado por personalidades portuguesas – até Zé Pedro dos Xutos dá as caras – e duas opções de voto. Optando pelo “sim”, somos encaminhados a uma nova página, na qual se lê que

09/09/09 será uma data para recordar! Não tanto pelo ´comboio` de 9´s, mas pelo dia que marca a primeira operação de rebranding de um artista português. Roberto Leal, ou melhor António Fernandes mudou de música - agora mais sofisticada, mais urbana, mais elitista - e também mudou de imagem. Deverá ele mudar também de Nome? Se acha que sim, envie-nos a sua sugestão; em texto ou em vídeo. E se o seu Nome for o escolhido para (re)baptizar o Roberto Leal, ganhará um prémio-surpresa com a participação especial do Artista.

E como imagem tem a ver com identidade, nada mais lógico que a capa do supracitado novo álbum apresente um par de mãos marcadas pelo tempo posicionadas contra o fundo de um tradicional xale transmontano – nenhum vestígio das célebres Madeixas Louras, portanto.
Fosse Roberto Leal um pai de santo e tivesse Dulce Pontes desencarnado, arriscaria dizer que o que testemunhei no Maxime fora, mais do que um concerto, uma sessão espírita, mas uma sessão espírita na qual o pai-de-santo muito marotamente cochicha para a entidade, “Eh, pá, baixa mas não baixa de todo, que ali está uma senhorinha que vai achar tudo isto muito estranho”. Provocações (saudáveis) muito à parte, que de piadas também se faz a vida, se de uns tempos pra cá eu já vinha desconfiando que as diferenças entre Michel Giacometti, Vitorino e Quim Barreiros talvez sejam mais tênues do que parecem à primeira vista, “Raiç/Raiz” tem tudo para adicionar uma boa dose de lenha à carcomida fogueira. Que venha o novo disco de Roberto Leal, pois. Ou de António Fernandes. Ou de seja lá qual nome você queira dar a ele.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Tocar o telefone ganha outro sentido

Houve um tempo, não faz tanto tempo, onde sabíamos qual era a função e a linguagem - ou nos termo de McLuhan, a gramática - de um meio de comunicação.
Rádio era um aparelho que tocava músicas ou noticiava; televisão tinha uns 5 canais gratuitos, cinema se assistia indo ao cinema, telefone servia para falar com pessoas distantes, blá-blá-blá, blá-blá-blá.

Já sabemos que não é mais assim. Os meios tornaram-se complexos, acoplaram-se, reconfiguraram-se. Ouve-se rádio na internet, música no ipod, tv no celular.

No contexto destas reconfigurações, legal a sequência de matérias do San Francisco Chronicle, que mostra i-phones sendo tocados por músicos profissionais a partir de aplicativos.


Veja aqui e aqui. (Fonte:twitter do @jtemple)


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Heteropoda davidbowie

Nós já sabíamos que Bowie, além de ser o nome do camaleão do rock, era também nome de faca.

A novidade agora é que David Bowie é nome de um aracnídeo. Peter Jaeger, um biólogo alemão que batizou a espécie, disse que escolheu o nome do rockstar para a aranha na intenção de chamar atenção para a extinção de espécies raras. Ele adotou a estratégia com outros animais, ao batizá-los com os nomes de Nina Hagen e Udo Lindenberg, um roqueiro alemão.

Jaeger não foi o pioneiro nesta façanha. Um colega seu usou o nome de Neil Young para batizar uma espécie há um tempo atrás.

Pra quem quiser conhecer o aspecto da Heteropoda davidbowie, veja a foto neste link. O cientista disse ela lembra o figurino do padrinho na época de Ziggy Stardust and the Spiders from Mars.

Eu discordo, acho ela bege demais - apesar de ser muito bonita!

Rituais à beira do Douro

“Conto de fadas do Tejo ao Douro” ou “Porque precisamos dos Pontos Negros”


Não sofra, Ana Bacalhau, tens Portugal aos teus pés – a consagração do Deolinda

Ennio Morricone meets Carlos Paredes: ladies and gentlemen, the Dead Combo



Projeção mutante: a surpresa dos Noiserv

Querem acabar com essa vista




Os belíssimos Jardins do Palácio de Cristal, no Porto, sediaram nos dias 28 e 29 de agosto último o Festival Noites Rituais, vitrine anual da nova música pop/rock portuguesa que acontece há 18 primaveras na cidade banhada pelo Rio Douro. Foram ao todo 12 atrações musicais, distribuídas por dois palcos: o #1, dedicado às bandas consagradas, e o Ritual, que abrigou as bandas novas. Além dos concertos, a programação do Noites Ritual também compreendeu uma mostra fotográfica, uma feira “alternativa” (onde era possível encontrar de vinis e camisetas de banda a apetrechos sofisticadíssimos para usuários de cannabis) e sessões on repeat da primeira temporada do impagável talk show de Bruno Aleixo, obra-prima do humor português século XXI, num auditório com ar condicionado que me protegeu do calor por umas boas três horas.

Na sexta-feira, os trabalhos foram abertos pontualmente às 21h30, com a apresentação do One Man Hand no Palco Ritual – uma espécie de Legendary Tigerman dos pobres, obcecado por enfiar a expressão fuckin’ bitch em todos os versos que viessem pela frente. Felizmente para os meus ouvidos, foi uma apresentação curta, pois às 22h o Foge Foge Bandido, novo projeto de Manoel Cruz (dos Ornatos Violeta) já tomava de assalto o Palco #1. O cumprimentos dos horários, que em 99,9% dos Festivais costuma ser a maior fonte de irritação do público, aqui no Noites Ritual é obedecido à risca: e como o pessoal da organização parece estar contando o tempo com o auxílio de um cronômetro de precisão milissegundo, as apresentações acabam sendo excessivamente curtas. Não que o Foge Foge Bandido, com sua mistura de trovadorismo e experimentações à Radiohead, estivesse particularmente empolgante, mas nem o mais entediado dos presentes se recusaria a oferecer ao grupo de Cruz mais uns minutos de palco.

A solução encontrada pelo Noites Ritual para contornar a inevitável espera entre concertos no Palco principal é, de início, bem bacana, mas com o passar do tempo, ficar pulando de um palco para outro acaba sendo cansativo – e quanto mais lotados os Jardins vão ficando, mais difícil se torna o deslocamento em meio à carneirada que vai e vem. Quem preferiu criar raízes junto ao #1 perdeu a bela apresentação do Noiserv no Palco Ritual, qualquer coisa entre Nick Drake e Tindersticks com programação eletrônica, e ao fundo uma projeção de Corel Draw que ia sendo feita, desfeita e refeita ao sabor das canções. No mínimo, singelo – além de um ótimo aperitivo para o som atmosférico e cinematográfico do Dead Combo no Palco principal. A estilosa dupla de instrumentistas Tó Trips & Pedro Gonçalves fez uma apresentação bastante correta, mas que teria sido muito melhor caso uns pufes tivessem sido disponibilizados para a galera. Os destaques foram a minha favorita “Eléctrica cadente” e uma versão furiosa para “Temptation”, do mestre Tom Waits.
Hora de regressar ao Palco Ritual, onde o Peltzer já levava adiantado o seu eletro-rock sem grandes novidades, e que para piorar soava musicalmente incompatível com o timbre do vocalista. A esta altura, a imensa maioria dos presentes já se bandeava para o #1, prevendo que a ultra concorrida apresentação da Deolinda não deixaria muitos espaços vagos na platéia. Não deu outra: todo o furor e toda a expectativa depositada em torno da performance de Ana Bacalhau & cia se confirmaram diante dos meus olhos cansados, tamanha a energia e cumplicidade que fluíam livremente entre palco e audiência. E pensar que não faz muito tempo – mais precisamente, em outubro de 2008 – a Deolinda era apenas uma banda novata fazendo um concerto muito elogiado na Aula Magna da Universidade de Lisboa. A platéia – sobretudo a feminina – parecia saber de cor todos os versos de todas as canções do álbum êxito de vendas Canção ao lado, reagindo de forma entusiasmada aos hits “Fon fon fon fon” e “Movimento perpétuo associativo” (cujo verso referente ao Benfica foi espertamente alterado para uma menção ao FCP). O diálogo com a nossa música também está ali, na divertida “Garçonete da casa de fado”, toda ela cantada em “brasileiro”. E ninguém arredou pé até que as duas canções do bis (ou “encore”, como se diz por aqui) tivessem chegado ao fim.
No dia seguinte, os Jardins já se encontravam menos tumultuados, o que apenas reforçou o poder de atração exercido pela Deolinda na noite anterior. Os trabalhos foram abertos às 21h30 pelo Hot Pink Abuse no Palco Ritual, mais um exemplar de fotocópia musical levado a cabo por estas paragens (no caso, a matriz eram as bandas de guitarras sujas, batidas eletro e vocalistas femininas, tipo Yeah Yeah Yeahs). Nada de ofensivo ou de epifânico, embora houvesse uma música cantada em francês, chamada “Maria Antoinette”, que admito ter descido bem. Inaugurando a noite no palco principal, o panque-roque dos Pontos Negros, entre Strokes, Lou Reed e a Igreja Batista de Queluz. Cria de maior projeção midiática da gravadora Flor Caveira, os rapazes mostraram, num show curtinho de dar dó, canções de antigos EPs, do álbum “Magnífico material inútil” e um tema novinho em folha, nas quais se destacam as inteligentes e saborosas letras em português.
O sanduíche da noite foi bem pouco apetitoso. No palco Ritual, Paul da Silva emulava à perfeição o rock de Pearl Jam, Foo Fighters e congêneres – deu um sono... No #1, o som encorpado do Blind Zero – lançando seu último CD, “Luna park” – alcançava eventuais momentos empolgantes para logo em seguida patinar no óbvio, embora o esforço performático do vocalista fosse uma atração à parte. Coube ao Andrew Thorn encerrar o Palco Ritual, com um som entre o Franz Ferdinand e o Joy Division, mas sem nada de novo a acrescentar.
Já passava da meia-noite e meia quando o Mão Morta de Adolfo Luxúria Canibal & Cia subiu ao Palco Principal. Sobre a banda, as opiniões divergem: há quem considere as letras escatológicas e viscerais pura poesia, há quem não perceba a razão de tanto estardalhaço. Atrás de mim, havia um grupo de rapazes particularmente injuriado (“Mestes-me nojo!”, dizia um deles). Independente disso, não dá pra contornar a explosiva performance de Adolfo Luxúria Canibal, que se veste como um funcionário público das finanças enquanto vocifera o apocalipse moral da humanidade com uma voz gutural que faz o Tom Waits parecer um inocente menino do coro. Já era a segunda vez que conferia uma apresentação do Mão Morta – a primeira havia sido nas Festas Populares de Corroios – e dado o fato de se tratarem de eventos de perfis e apelos relativamente distintos, surpreendeu-me o line up dos shows ser praticamente o mesmo. Sintomaticamente, a diferença mais marcante esteve nas respectivas canções de abertura: enquanto em Corroios o show foi inaugurado com “Budapeste” (que está para o Mão Morta assim como, sei lá, “She don’t use jelly” está para o Flaming Lips, i.e., músicas-acessíveis-de-bandas-usualmente-esquisitas), no Noites Ritual a primeira do show foi uma longa canção declamada de 7 minutos sobre a caminhada noturna de um sujeito até uma maternidade.
A nota dissonante do Noites Ritual é que a sede do evento parece estar por um fio. Querem transformar os Jardins do Palácio num Centro de Convenções – manifestações contra essa iniciativa deram a tônica em alguns concertos (o discurso de Adolfo foi particularmente memorável). Maiores informações sobre isso podem ser encontradas em http://defesadopalacio.pegada.net/. Sei que a imensa maioria de vocês não tem nada a ver com isso, mas seria legal que um espaço tão bacana pudesse continuar a sediar eventos idem, como são as Noites Ritual.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Para Nick Hornby, blogs de MP3 são melhores que lojas de disco

Nick Hornby, escritor que figura na minha lista top ten, escreve para o The Guardian sobre os blogs de MP3.
Apaixonado por música - paixão que foi belamente retratada no seu livro (que virou filme) High Fidelity - ele compara uma viagem na era pré-internet, quando voltávamos sempre com a bagagem superpesada por conta da quantidade de Cds, com a "viagem" que podemos fazer através de blogs que disponibilizam arquivos em MP3.
A matéria traduz uma experiência que todos conhecemos muito bem - a de fuçar atrás de novidades na internet, usando sistemas de reomendação e afins - mas como ele escreve muito bem, vale a pena conferir a dica (dada por Adriana Amaral no twitter).

Ah! E se quiserem conhecer o autor, além do ótimo High Fidelity, recomendo " A Long Way Down", sobre quatro potenciais suicidas que "engarrafam" o terraço de um prédio no centro de Londres, tentando se suicidar na noite de Ano Novo. É muito bom!

Balanço da Intercom 2009

De volta do Congresso da Intercom, vou confessar que, antes de ir, estava morrendo de preguiça de passar o fim de semana longo em Curitiba, longe do Rio e da família.

Mas, ia me arrepender se não fosse.

Adorei reencontrar um monte de amigos, conviver intensamente com alunos do PPGCOM e da gradução de Mídia e - claro - também assistir aos debates em torno dos trabalhos.

Fiquei dividida entre os Nps de Culturas Urbanas - onde eu e vários LabCultianos apresentaram trabalhos - e o de Cibercultura - que já coordenei e sempre gosto muito de frequentar.

Parabéns a Rose de Melo Rocha e Alex Primo, respectivamente Coordenadores dos dois NPs, pelo belo trabalho de seleção e organização.

E aos alunos da UFF, pelas ótimas apresentações.

Vale a pena conferir no site do evento e correr atrás dos trabalhos mais legais.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Intercom

O 32º Intercom acontece em Curitiba, começando nesta semana. O aquecimento está acontecendo desde quarta-feira na Universidade Positivo com os eventos do Pré-Congresso, e do dia 4 ao dia 7 acontecem as oficinas e mesas-redondas. Programação completa em pdf aqui.

Um grupo de peso daqui do LabCult vai aparecer por lá. Segue abaixo a dica de quem apresentará trabalho.

No Núcleo de Pesquisa (NP) de Comunicação e Culturas Urbanas, estarão:
  • A Simone, que vai apresentar o trabalho Sleeveface.com: re-significações do vinil na cibercultura, em que ela fala sobre o consumo de LPs na atualidade. Dia e horário: 06.09, domingo, às 14h, na Sessão 11.
  • A Ariane, que fala sobre bandas virtuais no trabalho O Gorillaz é uma banda de mentira? Uma discussão sobre o papel das bandas virtuais na música massiva. Dia e horário: 05.09, sábado, a partir das 14h, na Sessão 4.
  • O Lucas, com o trabalho Apontamentos Sobre a Reconfiguração da Indústria Fonográfica a Partir das Estratégias de Comunicação da Banda “Cansei de Ser Sexy”, mesmo dia e horário da Ariane.
  • O Marcelo, que fala sobre a apropriação e os usos de conceitos do Bourdieu a partir do que ele escreveu em Bourdieu e as cenas musicais - limites e barreiras. Mesmo dia e horário de Lucas e Ariane, mas na Sessão 5.
E respectivamente, nos Grupos de Pesquisa (GPs) de Cibercultura e de Rádio e Mídia Sonora:
  • A Olívia fala sobre o uso da Internet pela população de baixa renda com o trabalho Lan houses e telecentros: semelhanças e diferenças na apropriação tecnológica de espaços de inclusão digital. Dia e horário: 06.09, domingo, às 14h.
  • E o Jefferson (Jeff) vai falar sobre o celular como novo suporte para a escuta radiofônica, conforme ele escreveu no artigo Oi FM no Celular: Um Novo “Lugar” para Ouvir Rádio. A fala dele acontece no sábado, 05.09, às 14h.
Bom Congresso, pessoal!

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

“O funk apareceu para substituir o papa Bento XVI, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Tom Zé”




Falando das influências de seu último disco, Danç-Éh-Sá, Tom Zé faz uma interessante análise musical e lingüística do funk carioca. “...o negócio mais excitante do mundo.”

O problema dos filmes médios


O assunto não tem diretamente a ver com a minha pesquisa, mas como ando mergulhado de cabeça em várias questões referentes à cultura lusa, o tópico “cinema português” não teria como não me interessar. E estando aqui em Lisboa, acompanhando algumas discussões de perto, percebo que o grande impasse do cinema português contemporâneo é, em alguma medida, bastante semelhante ao que o cinema brasileiro vem enfrentando desde a tal da Retomada. Com algumas diferenças substanciais, claro, decorrentes da própria dimensão dos respectivos mercados consumidores e das características particulares de cada “escola” de cinema (basta dizer que, enquanto o filme mais visto do cinema brasileiro bateu a marca de 12 milhões de espectadores, aqui o recordista conseguiu, com algum custo, chegar aos 200 mil – e talvez a única coisa que ambos possuam em comum seja o fato de apresentarem atrizes então em voga com pouca ou quase nenhuma roupa).


Tanto cá como lá, há uma vertente mais “autoral”, “experimental” ou coisa que o valha, que possui o seu público cativo e quase sempre recebe os subsídios estatais mais disputados – pois é o cinema “legitimado” criticamente responsável por levar o nome de Portugal para os festivais que rolam mundo afora. Quando acertam a mão e conseguem articular habilmente os elementos capazes de atrair público ao cinema (um rosto conhecido das telenovelas aqui, uma dose de erotismo ali, uma pitada de thriller acolá, servido numa travessa de cunho biográfico – veja o caso do recente “Amália” – ou com raízes na literatura), os portugueses também produzem seus blockbusters – e aí recomeça a guerra pelos subsídios estatais, que os criadores de êxitos consideram estar mal empregados nas mãos daqueles que fazem filmes para uma meia-dúzia de espectadores.


A dificuldade, e vocês já devem ter percebido onde eu quero chegar, me parece estar justamente na feitura do chamado “filme médio”, cuja produção sistemática em tese auxiliaria a manutenção de uma indústria cinematográfica em constante funcionamento, permitindo tanto o “filme de autor” quanto o blockbuster. Em outras palavras, filmes situados nem tanto ao Pedro Costa, nem tanto ao Tino Navarro, se é que vocês me entendem.


Há coisa de duas semanas estreou nas telas portuguesas um excelente filme médio, chamado “4 copas”, dirigido por Manuel Mozos, com um elenco sólido de caras razoavelmente conhecidas (com destaque absoluto para a encantadora Rita Pereira) e contando uma história sólida sobre lisboetas comuns, sem arroubos de cabecices desnecessárias mas também prescindindo de elementos gratuitos de choque. E a sessão na qual estive, às 16h50 de uma segunda-feira, estava até bastante preenchida. São produções como “4 copas” que me parecem indicar um caminho possível de ser seguido. Contudo, há quem discorde dessa posição. Outro dia, no “5 para a meia-noite” (um talk show bem bacana exibido pela RTP2 no início das madrugadas), o ator, produtor e diretor Nicolau Brayner defendia que apenas o blockbuster permitia à indústria local se firmar. Óbvio que essa é uma posição interessada – Brayner atua, produz e dirige filmes com pretensão comercial – mas para mim o buraco é mais embaixo. Ou mais no meio.

***

E já que entramos no assunto “filmes”, começa hoje a terceira edição do MoteLx – Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa, a decorrer até domingo no extraordinário Cinema São Jorge. A programação inclui premiéres internacionais, competição de curtas portugueses, documentários e duas masterclass, uma com Stuart Gordon (que dirigiu “Re-animator”) e outra com John Landis (sim, o mestre por trás de “Blues brothers” e o videoclipe de “Thriller”), cujo clássico “Um lobisomem americano em Londres”, em versão restaurada, ganhará uma sessão especial no sábado à noite. A destacar, a mostra Quarto Perdido, cujo objetivo é trazer a lume incursões portuguesas no cinema de gênero que foram esquecidas na poeira da história. Fazem parte do cardápio o curta “O leproso”, de 1975, baseado em conto de Miguel Torga, “A maldição de Marialva” (longa de 1990 que ousa misturar zumbis, demônios e o pano de fundo histórico do período quinhentista) e “A dança dos paroxismos” (btw, que título é esse, hein?), primeiro filme de Jorge Brum do Canto, que dizem ser inspirado pela atmosfera onírica do cinema experimenta-vanguardista dos anos 20. A sessão deste último contará com trilha sonora ao vivo, executada por Rita Redshoes e o sempre surpreendente Legendary “Paulo Furtado” Tigerman.

Mas como as coisas boas nunca vêm sozinhas, obrigando a gente a fazer escolhas, tinham que programar o MoteLx no mesmo final de semana da Festa do Avante!?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Partido Pirata sueco na revista Fórum

A revista Fórum do mês de agosto traz uma entrevista com Amelia Andersdotter, a coordenadora internacional do Partido Pirata sueco (veja a relação dos países que possuem partidos piratas no site do PPInternational). Criado em 2006, o PP já é o terceiro partido político da Suécia, com mais de 50 mil integrantes, e já conseguiu uma vaga no Parlamento Europeu.

A plataforma principal do partido inclui a reforma das leis de copyright, o fim do sistema de patentes e a garantia à privacidade online e offline aos usuários da internet. Confira a entrevista completa neste link.