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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

V Jornada da AIM - HOJE no Real Gabinete Português de Leitura (RJ)

Tá meio em cima da hora (eu diria muito em cima...), mas não custa nada divulgar...

V Jornadas da AIM
6 Dezembro 2011| 14h30
LCV - Laboratório de Cinema e Vídeo
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Universidade Federal Fluminense

Local: Real Gabinete Português de Leitura [mapa]

Programa
. Mario Cascardo (UFRJ): "Persistências em Juventude em Marcha, filme de Pedro Costa."
. Mônica da Silva Pereira (PURO-UFF): "A Filmografia do CPC"
. Tiago José Lemos Monteiro (UFF): "Isto é uma canção de baile que foi feita pra dançar: formas tradicionais e quadros de modernidade na produção de videoclipes pop/rock portuguesa dos anos 2000"
. Marcela Amaral (UFF):l "Encenações e Jogos de Cena - Formas de dissolução e novas construções do personagem no cinema contemporâneo"

Na permanente procura e divulgação de investigações sobre "imagem em movimento", a AIM decidiu promover as suas V Jornadas no Rio de Janeiro, em colaboração com o LCV - Laboratório de Cinema e de Vídeo da UERJ/UFF. Como primeira iniciativa fora de Portugal, a AIM decidiu convidar três investigadores locais que mantém alguma relação com temática portuguesas e solicitou a colaboração do Real Gabinete Português de Leitura. Também para sublinhar a diversidade de estudos que actualmente se desenvolve no Brasil sobre "imagens em movimento", os investigadores convidados trabalham em instituições e frequentam cursos diferentes. Pretende-se que estas sejam apenas as primeiras de várias Jornadas a realizar fora de Portugal que ponha em contacto investigadores a trabalhar com "imagens em movimento" e que enriqueça o debate e a troca de ideias dentro da comunidade de investigadores da AIM.

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COMUNICAÇÕES (abstracts e mini-bios)

Mario Cascardo (UFRJ) "Persistências em Juventude em Marcha, filme de Pedro Costa."

A presente pesquisa observa as formas como persistem certos temas no filme Juventude em Marcha (2006). O longa-metragem, que conclui a “trilogia das Fontainhas”, retoma imagens tanto dos filmes anteriores de Pedro Costa quanto de obras de outros artistas. A nossa hipótese é de que, através da montagem, do tratamento plástico, da sonorização e da mise-en-scene, imagens de diversos tempos históricos e ficcionais persistem na duração de Juventude em Marcha.

A partir desse pressuposto e do contexto (método, momento, tecnologia) em que o filme foi feito, entenderemos, em primeiro lugar, as afinidades existentes entre suas imagens e as imagens que lhe foram referenciais. Em segundo lugar, pensaremos a noção de persistência como um motivo formal de Juventude em Marcha, a partir do qual vários aspectos fílmicos poderão ser apontados e relacionados entre si.

[Mario Cascardo é mestrando na linha de pesquisa Tecnologias da Comunicação e Estéticas, do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação Social da UFRJ. Graduou-se em Jornalismo na PUC-Rio, onde organizou os cineclubes CinePUC e CinePUC Brasil e participou da pesquisa de iniciação científica (Pibic/CNPQ) “Estéticas do Real no Cinema Brasileiro Contemporâneo”. Apresentou parte de sua pesquisa sobre o cinema de Pedro Costa no Socine de 2011. No mesmo ano, propôs ao Centro Cultural Banco do Brasil o projeto de mostra cinematográfica “Portugal Interior”, atualmente em fase de avaliação pelo instituto. É também músico e diretor de fotografia para vídeo e cinema, tendo realizado inúmeros curtas-metragens e trabalhos para televisão e internet.]

Mônica da Silva Pereira (PURO-UFF): "A Filmografia do CPC"

É recorrente a assertiva de que os anos Gulbenkian são de especial importância para o entendimento da história do cinema português. Por esta razão a presente pesquisa se propõe a listar, de forma não exaustiva, a produção do Centro Português de Cinema. A filmografia encontrada por mim até hoje do Centro Português de Cinema é muito variada, algumas fontes citam alguns filmes, outras fontes citam outros e alguns filmes são sempre citados, por isso para descrever a produção do CPC financiada pela Fundação Gulbenkian usarei como referência, algumas atas de reuniões entre a Fundação Gulbenkian e o CPC disponibilizadas pela Fundação equivalente ao período de 1968 a 1979. Além disso, analisaremos as diferentes fontes de financiamento e os valores para cada plano anual da produção do supracitado centro.

[Mônica da Silva Pereira é graduanda em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica- PIBIC no projeto “Passagem da Comédia aos Anos Gulbenkian”, sob a orientação do Professor Doutor Leandro José Luz Riodades de Mendonça no período de 2009 até o presente momento. Pelo currículo multidisciplinar, atua também como pesquisadora nos projetos: “A Cadeia Produtiva da Cultura na Região Baixada Litorânea” e “Memorial do Tropeiro”. O segundo resultará na constituição de um museu no município de Rio Grande-RS.]

Tiago José Lemos Monteiro (UFF) "Isto é uma canção de baile que foi feita pra dançar: formas tradicionais e quadros de modernidade na produção de videoclipes pop/rock portuguesa dos anos 2000"

A percepção hegemônica relacionada à música portuguesa, no Brasil, tende a se dar pela mediação de estereótipos relacionados a elementos da tradição musical lusa, nomeadamente no âmbito do fado e das manifestações rurais. O objetivo desta comunicação é investigar em que medida o pop/rock feito em Portugal a partir dos anos 2000 (cujo marco pode ser localizado no êxito midiático do Projeto Humanos) articula tais matrizes tradicionais a determinados quadros de modernidade, na consolidação de um imaginário híbrido e em sintonia com certos imperativos do universo pop global. A análise tomará por objeto alguns videoclipes representativos desta "nova vaga" pop, como "Dona Ligeirinha", do Diabo na Cruz, "A marcha dos Golpes", dos Golpes e "Um contra o outro", da Deolinda.

[Tiago José Lemos Monteiro é Doutorando em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense, Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006), e Bacharel em Comunicação Social (Radialismo) pela mesma instituição (2004). Desde 2010, atua como Professor efetivo do Curso de Produção Cultural do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, responsável pelo setor de Audiovisual. Participa, ainda, como membro do LabCULT - Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação na Universidade Federal Fluminense e encontra-se vinculado ao Núcleo de Pesquisa Comunicação e Culturas Urbanas do INTERCOM. Sua produção bibliográfica incluir artigos publicados nos periódicos E-Compós, Matrizes, Comunicação & Sociedade e ECO-Pós, bem como na Edição 2009 do Anuário Internacional de Comunicação Lusófona e na coletânea Comunicação e Música Popular Massiva (2006).]

Marcela Amaral (UFF):l "Encenações e Jogos de Cena - Formas de dissolução e novas construções do personagem no cinema contemporâneo"

Este seminário visa apresentar uma breve discussão sobre a mise-en-scène no cinema contemporâneo, a partir de noções relevantes como a criação do personagem no filme narrativo, sua composição, a abordagem da câmera e a construção da cena através do posicionamento e movimentação de atores e do uso da montagem. Apoiando-nos no conceito de "dissolução do personagem", proposto pelo teatrólogo Patrice Pavis (2000), nos três diferentes gêneros da ficção -- o romance, o teatro e o cinema --, e intentando um diálogo deste com as noções sobre a mise-en-scène no cinema, defendidas pelos teóricos Jacques Aumont e David Bordwell, e secundariamente com outros autores; busca-se identificar e discutir os efeitos de uma possível desdramatização no cinema, e de um conseqüentemente afastamento da tradição da mise-en-scène -- dispositivo de origem teatral, que se consolidou no cinema como modelo de representação e considerado por muitos autores como a arte deste meio.

[Marcela Amaral é mestranda do curso de Ciência da Arte, da Universidade Federal Fluminense, tendo atuado como professora nesta mesma instituição por quatro anos, ministrando as disciplinas de: edição, montagem, efeitos especiais, realização fílmica e direção cinematográfica. Atualmente ministra aulas como mestranda sobre os temas: cinema contemporâneo e mise-en-scène. É também orientadora e professora no Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea (LCICC), dirigido pela Profª. Draª. Martha de Mello Ribeiro, na UFF. Em trabalhos que já apresentou, destaca-se o artigo Alice Guy and the narrative cinema - Narrativity and pioneering in the early cinema, sobre a cineasta do período mudo, apresentado no 5º congresso Women and the Silent Screen e publicado em 2010. Atua também profissionalmente como assistente de direção em televisão e cinema, participando da realização de um longa-metragem, duas novelas, dois seriados e diversos curtas-metragens. Atua ainda como editora e finalizadora, especialmente em curtas-metragens e televisão.]

sábado, 13 de novembro de 2010

#FUTURÍVEL - Gilberto Gil e Macaco Bong abrem Fórum da Cultura Digital

Amanhã, às 19h, @gilbertogil e @Macacobong sobem juntos ao palco do Auditório do Ibirapuera (SP) no show #Futurível. Encontro da Tropicália com o Artista Pedreiro, que representa a música que tem sido produzida e distribuída fora das grandes indústrias e do circuito tradicional. No vídeo abaixo, os integrantes do Macaco Bong falam sobre a parceria - "nem Macaco nem Gil", o trabalho do músico, a arte e a política.

Futurível: "o resultado de tudo é nem Macaco, nem Gil" from FLi Multimídia on Vimeo.


O show - que será transmitido ao vivo neste link - abre o II Fórum da Cultura Digital Brasileira, que acontece de 15 a 17 de novembro, na Cinemateca, em São Paulo. Cibercultura, arte digital, políticas públicas e novos modelos de negócio na cultura serão debatidos em arenas, sessões de trabalhos acadêmicos e mesas mais formais. Pra quem quiser conferir, segue a programação aqui.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A semana dos Encontros (ou "Agosto em Novembro")

Começaram na última segunda-feira e vão até o próximo domingo, dia 7, no Rio de Janeiro, os Encontros Culturais de Língua Portuguesa. A iniciativa, que mistura teatro, debates, oficinas e um show musical, é capitaneada pela Talu Produções & Marketing, mesma galera responsável pelo FestLip, já comentado por este escriba aqui no LabCult não faz muito tempo. O evento ocorre no Oi Futuro do Flamengo e de Ipanema (exposição, oficinas e encenações teatrais), na Casa de Rui Barbosa (mesas redondas) e no Circo Voador, onde rola, na noite da próxima quinta-feira, uma mega festa intitulada “O som da língua”, com a presença de Fernanda Abreu, DJ MAM, Afroreggae, Cheny Wa Gune & Quarteto (vindos de Moçambique) e do Kumpania Algazarra, surpreendente combo made in Portugal que, no ano passado, comandou a consoada natalícia do Santiago Alquimista. As pedras da muralha do Castelo de São Jorge quase foram abaixo, tamanha a intensidade de descarga de energia que emanava do palco. O Kumpania Algazarra vem de Sintra, mas seu som bebe em fontes tão diversas quanto as fanfarras balcânicas, a música klezmer (da mesma estirpe dos Melech Mechaya), o afrobeat, o ska e, last but not least, o folclore português, ora pois.

Para quem se liga na discussão sobre os intercâmbios musicais entre os países lusoparlantes, a pedida é conferir os debates “Letra e canção nos países de Língua Portuguesa” e “Música e diálogo cultural”, que acontecem na tarde desta quarta-feira, a partir das 14h, na Casa de Rui Barbosa. Lá estarei nem que chovam canivetes.

A programação completa pode ser conferida aqui. Tudo 0800, viu? ;-)

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Não sou a Patrícia Kogut da Revista da TV d’O Globo, mas me autorizo a dar uma Nota 10 para a TV Brasil, que na noite do último domingo, dentro da faixa Cine Ibermedia, teve a petulância de exibir “A cara que mereces”, longa de estreia do cineasta português Miguel Gomes – obra rara mesmo no âmbito de seu país de origem, tendo sido lançada em DVD em Portugal apenas no ano passado (o filme é de 2004!). Considerando que, se não me falha a memória, nas duas últimas vezes em que um filme português frequentou a nossa tv aberta, a responsável bem deve ter sido a mesma TV Brasil, penso que talvez seja o caso de já assinar uma Nota 10 em promissória pelos próximos seis meses, não?

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E por falar em Miguel Gomes, na próxima sexta-feira, dia 5, a disciplina Comunicação e Globalização, ministrada por este que vos blogueia, tem o prazer de convidar a todos os LabCultianos para uma sessão de gala do filme “Aquele querido mês de agosto”. Para quem não teve a chance de conferir o longa quando de sua breve passagem pelo circuito exibidor carioca no segundo semestre do ano passado, a ocasião é imperdível. A partir das 18h na sala C211 do IACS (Rua Lara Vilela, 126 - São Domingos/ Niterói).

sábado, 9 de outubro de 2010

Uberlândia: palco do III Congresso Fora do Eixo e do Festival Jambolada

Começa amanhã, em Uberlândia (MG), o III Congresso Fora do Eixo. Durante toda a semana (de 10 a 16/10), representantes dos cerca de 50 coletivos que formam o Circuito Fora do Eixo, espalhados por 25 dos 27 estados brasileiros, pesquisadores, jornalistas e candidados a fazerem parte desta rede de produção e circulação cultural estarão reunidos para discutir temas como economia criativa, sustentabilideade, associativismo, circulação de produtos culturais e produção colaborativa.

A programação conta com mesas de debates, grupos de discussão, grupos de trabalho, mostra de vídeo e apresentações culturais. Os objetivos do congresso, que este ano recebeu mais de 300 inscrições, são "fomentar as discussões sobre políticas públicas e estimular as trocas de tecnologias entre todos os envolvidos" e "traçar planos e estratégias acerca de ações do Circuito, como o Festival Fora do Eixo, o Fora do Eixo Card, o Festival Grito Rock Integrado, a rede social Fora do Eixo, entre outros".

Uberlândia será palco também do Festival Jambolada, realizado pelo Coletivo Goma, e considerado o maior festival de música independente de Minas Gerais. De 15 a 17 de outubro, a cidade recebe shows de artistas como Otto (PE), Emicida (SP), Vanguart (MT), Autoramas (RJ) e Falsos Conejos (Argentina).

O Congresso terá uma cobertura colaborativa que poderá ser acompanhada através da TV Fora do Eixo. Participarei de alguns dias do evento e espero conseguir postar notícias ao longo da semana.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Desenrolando a serpentina para 2011

A Sebastiana Associação Independente de Blocos de Rua da Zona Sul, Centro e Santa Teresa promoverá nos dias 13 e 14 de agosto, no Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), no Flamengo, a terceira edição do seminário Desenrolando a Serpentina. Com o objetivo de trocar idéias com os cariocas sobre o crescimento e a organização do carnaval de rua, o evento vai reunir representantes de vários blocos, poder público e sociedade para, juntos, debaterem os principais temas relacionados ao carnaval de rua e seus desdobramentos. O evento, gratuito é aberto ao público, e realizado em parceria com a Rede Globo de Televisão conta com o apoio da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.

O evento vai reunir 12 dos mais tradicionais blocos da cidade para refletir sobre alguns temas como O Carnaval de Rua e a Cidade, Carnaval de rua, economia e turismo e Propostas para o Carnaval 2011. As propostas apresentadas serão encaminhadas aos representantes do poder público como contribuição para a organização do carnaval de rua de 2011.

Além das mesas de debates, haverá exposições de fotos e camisetas de blocos, venda de livros e CDs, bar temático e shows nos dois dias do evento (vide programação abaixo).

A Sebastiana foi fundada em 2000 e é composta pelos seguintes blocos: Simpatia É Quase Amor, Bloco do Barbas, Suvaco do Cristo, Bloco de Segunda, Imprensa Que Eu Gamo, Escravos da Mauá, Carmelitas, Meu Bem Volto Já, Bloco da Ansiedade, Que Merda é Essa, Virtual e Gigantes da Lira.

III Desenrolando a Serpentina 2010

Data: 13 e 14 de agosto de 2010

Local: Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) Rua do Pinheiro 10, Flamengo RJ

O evento é gratuito e aberto ao público.

Programação:

1º dia 13 de agosto (sexta-feira)

17h30 - Abertura do evento e exposição:

Apresentação do grupo Tempero Carioca. Participações especiais de Nei Lopes e Mariana Baltar

2º dia 14 de agosto (sábado)

11h - Mesa 1: O Carnaval de Rua e a Cidade

14h30 - Mesa 2: Carnaval de rua, economia e turismo

18h - Mesa de Encerramento: Carnaval de 2011 proposta

20h - Show de encerramento: Cordão do Boitatá

terça-feira, 13 de julho de 2010

O FESTLIP 2010 e suas lacunas (ou Lusofonia 75%)

Começa amanhã (quarta, dia 14) e vai até o dia 25 deste mês de julho a 3ª edição do FESTLIP, o Festival de Teatro da Língua Portuguesa. O evento abarca desde espetáculos teatrais até uma "mostra gastronômica" com espécimes culinários dos países participantes - a saber, e em ordem alfabética, que é para não haver problemas: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, todos falantes da última flor do Lácio em suas mais diversas configurações - passando por workshops e um espetáculo musical, o Festlipshow, que rola dia 17, no Teatro Odisséia, às 23h.

Ano passado não deu pra conferir o FESTLIP por causa da FLIP; em 2010, graças à bendita Copa do Mundo, os eventos foram alocados em datas diferentes. Ótima oportunidade para conferir uma programação que engloba linguagens, encenadores e propostas totalmente desconhecidos por estas bandas. A grade completa pode ser conferida aqui. Pelo menos a duas peças eu gostaria imensamente de assistir: "Agosto - contos da emigração", do lendário grupo português A Barraca, e "Chovem amores na rua do matador", que o Grupo (também de Portugal) Trigo Limpo concebeu a partir de texto de Mia Couto e José Eduardo Agualusa, destaque do Festival de Teatro de Oeiras no ano que passou.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas... Para um Festival que se propõe a colocar em diálogo as manifestações culturais dos países falantes de Língua Portuguesa, me parece no mínimo estranho (e, na pior das hipóteses, uma omissão grave), a ausência de algumas bandeiras no line up do Festlipshow. Com Teresa Cristina e a Orquestra Voadora representando o Brasas, o Cheny Wa Gune Quarteto defendendo a camisa de Moçambique, Abel Duëre atacando por Angola e Hélio Ramalho por Cabo Verde, fica a pergunta: cadê Guiné, cadê São Tomé, cadê Portugal nessa história? Não havia um mísero músico capaz de representar cada um destes países e, assim, tornar a proposta do evento mais coerente consigo própria?

É por estas e outras que eu tenho alguns problemas com o conceito de Lusofonia, ou pelo menos com o modo tal e qual ele costuma ser apresentado e desenvolvido. A começar pela etimologia da própria palavra, que produz uma incômoda sensação de que o sentimento lusófono é algo que parte de Portugal - luso, sacaram? - e se espraia inocentemente pelo resto do mundo, o que dá margem a discussões estéreis sobre o berço da língua e sobre o local onde ela supostamente é mais pura, por vezes redundando em questionamentos tostines do tipo "quem tem sotaque, o português, o brasileiro ou o angolano?" - sotaque é coisa que apenas o Outro possui, nunca Eu. Depois, dependendo de quem se apropria do conceito, a Lusofonia, longe de dar conta da pluralidade de matrizes e expressões culturais e simbólicas atravessadas pelo falar da Língua Portuguesa, acaba se tornando um novo tipo de etnocentrismo, pautado não pela valorização da diversidade, mas sim pela exaltação do comum a partir de um ponto de vista determinado. Dito de outra forma, a Lusofonia made in Portugal é diferente da made in Brasil que é diferente da made in Angola e por aí vai. E se já tinha algumas restrições em relação à primeira, a escalação do Festlipshow me deixou com a incômoda sensação de que a Lusofonia made in Brasil também tem um bocado de problemas. Sendo impossível, pelo menos por enquanto, dissolver as identidades nacionais num Todo Lusófono vagamente utópico, o ideal e esperado seria que, pelo menos, todo os países falantes da Língua Portuguesa fossem contemplados de alguma forma.

Curiosamente, a lacuna que eu apontei no parágrafo anterior não se verifica na Mostra teatral, apenas na escalação do show musical, o que me deixou com a impressão de que foi a produção do evento que marcou bobeira. Custava pesquisar mais um pouquinho a fim de descobrir se não havia um Timorense levando um som bacana que pudesse enriquecer ainda mais o line up do show? E já agora falando do meu lugar de pesquisa (porque não há ser humano que consiga conhecer a produção musical de todos os países do mundo, embora seja possível conhecer um pouquinho em profundidade a produção daquele que ocupa nossa cabeça durante quatro anos de doutorado): uma vez que a proposta do FESTLIP é promover a integração e a mistura e etc e tal (vejam que não estou defendendo a presença do Rancho Folclórico de Miranda do Douro, embora isso também me pareça perfeitamente viável), custava sondar um JP Simões, um Terrakota, um Cacique 97, um Batida, ou mesmo um Diabo na Cruz, uns Quais, uma Márcia, enfim, artistas, bandas e coletivos portugueses que andam pensando as tais pontes sonoras que nos poem em contato uns com os outros?

Fica a dica para 2011...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Palestra sobre Cenas Musicais em Lisboa

Extra! Extra! Sei que tá um bocado em cima da hora, mas só fiquei sabendo deste evento ainda há pouco. Parece que amanhã, quarta-feira 16 de junho, rola na Universidade Federal Fluminense (Campus Gragoatá) uma conferência intitulada "Música, cidade, etnicidade: explorações a partir de cenas musicais em Lisboa". O encontro será conduzido pelo professor Dr. Jorge de la Barre, vinculado ao Instituto de Etnomusicologia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Nova de Lisboa. O evento é promovido pelo PPGCOM de Antropologia da UFF e está marcado para começar às 11h, na sala 207 do Bloco "N". A conferir.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Evento sobre crítica musical na Universidade Nova de Lisboa

Divulgando a pedido do colega Pedro Nunes (INET-MD/UNL)...


Critica musical.jpg

(Ok que o evento acontece um bocadinho longe da gente, mas divulgar iniciativas bacanas nunca é demais...)

sábado, 16 de janeiro de 2010

Rio Music Conference



Perdoem o post (a princípio) pouco acadêmico, mas esta é para aqueles que curtem música eletrônica e querem pular um carnaval diferente este ano!

Dos dias 10 a 16 de fevereiro ocorrerá, na Marina da Glória (RJ), o Rio Music Conference. Trata-se de um evento voltado totalmente para a música eletrônica, que conta com palestras gratuitas (dias 10 e 11/fev), workshops, painés e, claaaaaro, muita música (dias 12 a 16/fev).

Alguns dos DJs que vão tocar são: Armin Van Buuren (que também participará de debate no dia 10), Erick Morillo, Steve Angello, além dos brasileiros Renato Ratier, Leo Janeiro, Flow & Zeo, só para citar alguns nomes.

As palestras prometem ser bastante interessantes, tanto no quesito "temas" (Mundo Digital, Momento DJ, Direitos Autorais, Música Independente etc.), quanto no quesito "participantes e mediadores" (Joe Roberts da DJ Mag UK, DJ Magal, Gaía Passarelli do rraurl, entre muitos outros). Espero apenas que a organização dê espaço para o pessoal da plateia fazer perguntas...

O site do evento é: http://www.riomusicconference.com.br/

Parece que fazer pesquisa de campo em pleno carnaval não vai ser tão ruim... ;)

terça-feira, 18 de agosto de 2009

I MUSICOM

I MUSICOM recebe trabalhos até 15 de setembro


Estão abertas até 15 de setembro as inscrições para o I Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular – MUSICOM, que acontece no período de 21 a 23 de outubro de 2009, no Campus da Universidade Federal do Maranhão, em São Luis. Com o tema: “Tendências e convergências da música na cultura midiática”, o evento vai reunir pesquisadores de diversas partes do país para discussões do crescente campo de pesquisa em mídia e música. Alunos de grupos de pesquisa tanto em nível de graduação como de pós-graduação, terão possibilidade de interagir com pesquisadores renomados que têm produção constante, como o Prof. Dr. Jeder Janotti Jr (UFBA) e Prof. Dr. Felipe da Costa Trotta (UFPE), que são alguns dos palestrantes do evento. Além das palestras, o evento conta com apresentação de trabalhos que devem ser inscritos para as sessões temáticas, que serão distribuídas de acordo com a abordagem dos papers. As normas de submissão, bem como informações sobre as inscrições, estarão disponíveis a partir desta terça-feira no endereço do evento na Internet: www.musicom.ufma.br.


NOVIDADE: Paralelamente ao I MUSICOM, será realizada também a II Mostra de Mídia e Música, que em 2008 aconteceu, em primeira edição, sob responsabilidade do PPGCOM/UFPE. Na UFMA, o evento deve acontecer dias 22 e 23 de outubro, paralelo à programação do I MUSICOM, composto por mesas e exposição de produtos previamente organizados. A II Mostra de Mídia e Música servirá para um maior diálogo entre a academia e mercado, e, que serão realizados debates com músico, militantes e produtores culturais, que vão expor nas falas análises e situações acerca da conjuntura musical contemporânea. Forma de participação: para participar da II Mostra de Mídia e Música enquanto ouvinte, basta indicar interesse, ao inscrever-se no I Musicom. Já quem deseja inscrever produtos sonoros (música experimental, vinhetas, rearranjos, peças de sonoplastia, etc.), além dos procedimentos da II Mostra, deve enviar resumo de até 30 linhas, sob as mesmas normas contidas no site a fim de que o teor e tipologia do produto sejam conhecidos, bem como anexar arquivo por e-mail. Eventos: I Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Música Popular – MUSICOM II Mostra de Mídia e Música Inscrições até 15 de setembro, pelo site: www.musicom.ufma.br Contatos: musicom.ufma@gmail.com

terça-feira, 30 de junho de 2009

FLIP + Festlip = Semana lusófona

Ao longo desta semana e da próxima, a Última Flor do Lácio estará em evidência no Rio de Janeiro. Começa amanhã (quarta-feira, 1 de julho) e vai até domingo a já tradicional Festa Literária de Paraty. Em sua sétima edição, a FLIP promete superlotar as ruas da deslumbrante cidade, a exemplo dos anos anteriores. A impecável escalação de 2009, com Chico Buarque, Gay Talese, Milton Hatoun, Alex Ross, dentre outros, decerto colaborou para o caos que foi a venda on line de ingressos para a Tenda dos Autores, que se esgotaram em pouco mais de duas horas.

Mas o meu destaque absoluto, claro, vai para o escritor português António Lobo Antunes, que fala ao público no sábado, às 19h. A visita de Lobo Antunes promove o lançamento no Brasil de seu livro O meu nome é Legião (Alfaguara), que no entanto é de 2007 - estamos atrasados, pois Além-Mar O arquipélago da insônia já havia sido lançado no final do ano passado, e há obras fundamentais da literatura loboantusiana, como As naus, que permanecem inéditas por estas paragens. Autor sempre cotado para o prêmio Nobel (dizem as más línguas que Lobo Antunes só foi preterido por José Saramago por não possuir o engajamento político de esquerda deste último), o escritor tem fama de arredio. Sua conversa com Humberto Werneck na Tenda dos Autores pode ser inesquecível, ou um fiasco. Como fiquei preso no congestionamento do Ingresso Rápido (?), só consegui garantir meu lugar na Tenda do Telão. Nos vemos lá!

A FLIP ainda apresenta, às 10h30 de sexta, uma mesa 0800 sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa com o escritor angolano Ondjaki e o brasileiro Marcelino Freire, na Casa de Cultura de Paraty.

Infelizmente coincidindo com a FLIP, começa na próxima quinta (mas vai até o dia 12 de julho!) o II Festlip - Festival de Teatro da Língua Portuguesa, reunindo companhias oriundas do Brasil, de Portugal, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique. São duas peças por país, e os espetáculos - gratuitos! - acontecem no teatro Sesc Ginástico (Centro do Rio), na Arena e no Mezzanino do Espaço Sesc de Copacabana, e no Sesc Tijuca. O restaurante 00, vizinho ao Planetário da Gávea, também oferece um cardápio especial composto por pratos característicos dos países participantes do Festival. Haverá, ainda, um show no próximo sábado, dia 4, começando às 22h no Estrela da Lapa, com artistas brasileiros, angolanos e cabo-verdianos - só fiquei me perguntando cadê os moçambicanos, portugueses e guineenses que não foram convidados a fazer parte do show, o que é, no mínimo, diplomaticamente deselegante, mas enfim... Estive no Festival no ano passado e garanto que vale muito a pena, sobretudo pela oportunidade de conferir trabalhos que, em outras circunstâncias, jamais baixariam por aqui. Interessam-me as encenações da companhia portuguesa Primeiros Sintomas, que ataca de Lindos dias, de Samuel Beckett (aquele da mulher que passa a peça inteira enterrada na areia, só com a cabeça de fora) e Mar me quer, do Grupo Teatral Tijac, de moçambique, que dialoga com a obra do escritor Mia Couto. Diante de tantas opções, pra quê ficar em casa?

domingo, 24 de maio de 2009

Curtas portugueses no Cachaça Cinema Clube

Aí, meu povo! Programão pra noite da próxima quarta (alguma dúvida de que o filme-surpresa vá ser João César Monteiro na veia? Eu aposto no Quem espera sapatos de defunto morre descalço, que andou sendo exibido recentemente numa mostra do CCBB sobre juventude, mas confesso que Passeio com Johnny Guitar no telão do Odeon também não seria maus)...

"Caros amigos,convidamos para o Cachaça Cinema Clube do dia 27 de maio, dedicado ao cinema português. De Portugal, herdamos a língua e toda a herança cultural dos colonizados, mas precisamos de tradução para compreender o que falam e sensibilidade para captar a melancolia que parece habitar o espírito português. E conhecemos pouco o cinema feito além-mar...

Apresentaremos 3 curtas metragens de jovens diretores que nos marcaram a retina nos últimos anos, experiências incisivas de cinema que agora temos prazer em compartilhar: Perímetro, de Miguel Seabra Lopes, A serpente, de Sandro Aguilar; e Lost in art: looking for Wittgenstein, de Luís Alves de Matos e João Louro. Para completar, um filme surpresa, uma obra genial do mais radical e libertino dos cineastas lusitanos.

Após os filmes, a noite segue com apresentação de Negro Léo e Trio Extraordinário. A banda, formada por Negro Léo, Daniel Fernandes, Gabriel Balleste e Pedro Dantas, aposta na Tropicália, Bossa Nova, jazz e vanguardas musicais e artísticas em geral. Coisa fina.

Antes e após o show, DJ H tocará rock de Portugal da década de 1960, música brasileira das décadas de 60 & 70, além de grupos nacionais e internacionais influenciados pelo jazz e por seus subgêneros. Tudo isso regado `a tradicional degustação da Aguardente Claudionor.

Dia 27 de maio, às 21h, no Cinema Odeon Petrobras.
Quem espera por sapatos de defunto, morre descalço.
Venham todos.
Abraços,
Cachaça Cinema Clube
entender é parede: procure ser árvore
www.cachacacinemaclube.com.br"


PS #1: um obrigado transbordando de afeto a todos aqueles que se lembraram deste que vos blogueia ao saberem da sessão do CCC...

PS #2: e a propósito do tema "curtas portugueses", uma boa notícia que acabou de sair do forno - Arena, de João Salaviza, levou o prêmio de melhor curta-metragem do recém-terminado Festival de Cannes. Por pouco muito pouco pouco mesmo não conferi o filme no último Indie Lisboa, do qual também saiu premiado. A edição on line do jornal Público fez uma boa cobertura da vitória de Arena - meio ufanista, é verdade, mas nessas horas tem que ter orgulho mesmo! Agora é ficar na torcida para em algum momento a gente ter a chance de conferir esse filme, né?

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Colóquio "Literatura e revolução - 35 anos do 25 de abril" na PUC-Rio


Pausa no diário das minhas recentes aventuras pela noite lisboeta para divulgar o Colóquio "Literatura e revolução - 35 anos do 25 de abril" promovido pela Cátedra Padre António Vieira de Estudos Portugueses do Departamento de Letras da PUC-Rio. O evento ocorre nos dias 5 e 6 de maio de 2009, no Auditório do CTC (Prédio Cardeal Leme, 11 andar). Maiores informações na Secretaria do Depto. de Letras, em (21) 3527-1770, através do email catedra@let.puc-rio.br ou no site www.letras.puc-rio.br/catedra. Clicando na imagem ao lado, ela fica maior e dá pra ver a programação em detalhes. It's a miracle, como dizia aquela cançãozinha do Queen!

segunda-feira, 23 de março de 2009

Comunicação e Estudos Culturais - Mesa Redonda (repassando)

A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFRJ convida a todos para a mesa-redonda “Comunicação e Estudos Culturais”, que será realizada na sexta-feira, dia 27 de março, de 09h30m às 12h, no Auditório Anísio Teixeira, no Campus da Praia Vermelha da UFRJ.
O evento contará com participação dos professores Ana Carolina D. Escosteguy (PUCRS), Ângela Freire Prysthon (UFPE) e Jeder Janotti Jr. (UFBA).
Ana Carolina Escosteguy – Professora titular da Faculdade de Comunicação Social da PUCRS. Pesquisadora do CNPq. Realizou parte de seu doutorado no CCCS da University of Birmingham. Entre os trabalhos mais importantes, publicou Cartografias dos estudos culturais – uma versão latino-americana (Belo Horizonte, Autêntica, 2001, esgotado).
Ângela Freire Prysthon – Professora adjunta da Universidade Federal de Pernambuco. Doutora em Critical Theory and Hispanic Studies pela Universidade de Nottingham. Pesquisadora do CNPq. Autora do livro Cosmopolitismos periféricos: ensaios sobre modernidade, pós-modernidade e estudos culturais na América Latina (2002). Organizadora das coletâneas Interferências contemporâneas (2002), Imagens da cidade: espaços urbanos na comunicação e cultura contemporâneas (2006) e Ecos urbanos (2008) (em parceria com Paulo Carneiro da Cunha Filho).
Jeder Janotti Jr. – Professor do programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA. Pesquisador do CNPq. Autor dos livros Heavy metal com dendê (2003) e Aumenta que isso aí é rock and roll (2004). Organizou, juntamente com o professor João Freire Filho, a coletânea Comunicação & música popular massiva (2006).

quinta-feira, 12 de março de 2009

Evento sobre indústria da música na UFRJ - ECO

A coordenação do Núcleo de Estudos e Projetos em Comunicação (NEPCOM) da ECO/UFRJ (com o apoio do PPGCOM da UFRJ, Sebrae-RJ, Rede Rio Música, Universidade Carlos III de Madri e FGV-RJ/Overmundo) convida a todos para o evento abaixo:

Mesa-redonda: "Comunicação, Música e Desenvolvimento Local - balanço da reestruturação da Indústria da música"
Organização: Micael Herschmann (UFRJ) e Leonardo de Marchi (UFRJ)
Dia e horário: 03 de abril, entre 09:30 e 13:00 horas, Local: Salão Dourado, do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ.
Abertura: Micael Herschmann
Mesa-redonda:
Moderador: Leonardo de Marchi (UFRJ)
Palestrantes:
Luis Albornoz (Universidade Carlos III de Madri) – Desafios e perspectivas para a música digital
Oona Castro (FGV-RJ) – Circuito musical do tecnobrega de Belém (Pará)
Micael Herschmann (UFRJ) - Circuito musical do samba e choro da Lapa (Rio de Janeiro)
Debatedores:
Arthur Coelho Bezerra (Sebrae-RJ e Rede Rio Música); Julia Zardo (Instituto Gênesis/PUC-RJ); Heliana Marinho da Silva (Sebrae-RJ); Helena Aragão (Overmundo)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Falando em documentários sobre personagens musicais...



Quem “abre” o show de Frejat sábado agora, dia 14, é o documentário 'LOKI - Arnaldo Baptista'. O filme sobre o ex-mutante (e que conta co a participação de Tom Zé, Gil, Sean Lennon, Lobão, entre outras personalidades musicais) será exibido ao ar livre no Morro da Urca, no projeto Verão do Morro.



Para mais detalhes sobre o evento, clique aqui .

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Cinerama ECO-UFRJ apresenta "Tela Lusitana: cinema português ontem e hoje"

Para descobrir Portugal

Em se tratando de um país com o qual possuímos relações que ultrapassam os 500 anos de história, é surpreendente que saibamos muito pouco ou quase nada do que tem sido feito em Portugal, hoje, em termos de cultura midiática (cinema, música, televisão). Para além dos discursos que pensam Portugal como sinônimo de tradição (literária, gastronômica, religiosa) ou que representam a cultura portuguesa a partir de determinados elementos da ordem do estereótipo e do clichê (o fado, o bacalhau, o vira, as mulheres de bigode, o Seu Manoel da Padaria, Roberto Leal - a lista se estende até o infinito...), o desafio proposto pelo ciclo Tela Lusitana: cinema português ontem e hoje, é o de enxergar um Portugal contemporâneo, em que determinados quadros de modernidade convivem, às vezes tensa, às vezes harmonicamente, com as "formas tradicionais" a partir das quais costumamos pensar a cultura portuguesa.

O cinema português é uma esfinge que apenas eventualmente temos a oportunidade de decifrar, seja em Festivais e Mostras esporádicas (em que reina o desisteresse por parte do grande público), seja quando do lançamento da última produção de Manoel de Oliveira, o mais velho realizador ainda em atividade (100 anos completados em 2008) e único diretor português a ter sua obra exibida com regularidade no Brasil, embora restrita ao circuito alternativo. É fato que o volume da produção portuguesa é reduzido (em Portugal, são produzidos cerca de 12 filmes por ano, e lá, à época da ditadura salazarista, houve um hiato semelhante ao verificado no Brasil entre as décadas de 80 e 90): ainda assim, resumir o cinema português à estética de Manoel de Oliveira é desconsiderar a pluralidade criativa de uma cinematografia onde há espaço tanto para a experimentação de linguagem mais radical (caso de Recordações da casa amarela, do iconoclasta - e saudoso provocador - João César Monteiro) quanto para um eficiente exercício na seara do cinema de gênero (caso do terror Coisa ruim, relativo êxito de bilheteria na Terrinha em 2006). Além dos filmes já mencionados, o ciclo Tela Lusitana apresenta também duas crônicas sobre solidão e perda ambientadas em uma Lisboa muito além do cartão postal (o soturno Alice, de Marco Martins, e o transgressor Odete, de João Pedro Rodrigues), acrescidas de um autêntico poema visual sobre a questão da imigração (Lisboetas, de Sergio Treffaut), documento indispensável para se pensar as relações sociais e de poder que configuram a Europa hoje.

Tiago Monteiro

Nesse mês de setembro o Cinerama apresenta a mostra Tela Lusitana, com diversos filmes da produção portuguesa cinematográfica contemporânea. Os filmes são:

11/9 Alice (Marco Martins)

18/9 Lisboetas (Sergio Treffaut)

25/9 Coisa Ruim (Tiago Guedes e Frederico Serra)

2/10 Recordações da Casa Amarela (João César Monteiro)

9/10 Odete (João Pedro Rodrigues)


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Às 18.30, no auditório da CPM-ECO (Av. Venceslau Brás, n. 71, [Botafogo], campus da Escola de Comunicação da UFRJ - Rio de Janeiro/RJ).