sábado, 30 de junho de 2007

Shhhh!


Hoje não são incomuns os flertes da música eletrônica com certos gêneros de música considerados tradicionais. No Brasil os exemplos são muitos, que vão desde o Manguebeat até as misturas de Drum and Bass com MPB feitas por Marky e Patife, também passando pelas combinação de techno e música folclórica feita pelo Dj Mau Mau em seu projeto M4J. Em solo internacional, um dos bem sucedidos projetos que vão nessa direção é o Gotan Project que apostou na fusão do tango e da eletrônica angariando simpatizantes de todas as idades, como pode ser visto em sua apresentação semana passada no Canecão. Sabemos nós que hibridações de gênero não resultam somente em uma sonoridade que funde duas tendências, mas também implica em uma forma singular de valorar e escutar a música. Esse último ponto ficou bem claro no show. Afinal como devemos escutar uma música do Gotan Project? Como música eletrônica ou como tango? Da mesma forma que fez o público mais velho, sentados em uma mesa e observando atentamente e silenciosamente a performance, ou como a juventude que ocupou a pista de dança e que, ruidosamente, conversava, bebia cerveja e dançava, ao som da banda? Não nos é possível, e nem desejável respondermos a essa pergunta definitivamente, mas convém observar esse choque de perspectivas de escuta em relação aos gêneros híbridos. Não estou aqui dizendo que existe algum gênero “puro” e que possua um forma “certa” de ser escutado. Sabemos que todo o tipo de música nasce de cruzamentos, entretanto, gêneros mais tradicionais, como o tango, já institucionalizaram um certa forma de serem escutados que é automaticamente reconhecida por seus entusiastas, coisa que não acontece com o som do Gotan Project. Tanto isso é verdade que na primeira vez em que vieram no Brasil a sua apresentação se deu em um espaço que dispunha somente de uma pista de dança, ocupada esmagadoramente pelo público jovem. Vemos então que a forma de se ouvir um tipo de música se configura através de uma ideologia de audição que parte de convenções sociais que são negociadas tanto pelo público, como pela indústria cultural e que vão aos poucos sendo naturalizadas e passam a ser tomadas como transparentes (“sempre foi assim”). Para finalizarmos, imaginemos o quão bizarro foi a cena em que o parte do público fazia “shhhh” pedindo silêncio para se concentrar no solo de sanfona que estaria sendo prejudicado pelo excessivo barulho que vinha da pista de dança.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Hasta la vista!

Mal chegamos da COMPÓS...mas, eu e Heitor - meu orientando e pesquisador do LabCult- embarcamos amanhã para a Cidade do Mexico, para participar da 14a. Conferência Internacional da IASPM-International Association for the Study of Popular Music.O congresso acontece de 25 a 30 de junho e reúne referências da pesquisa em música.Infelizmente, o endereço do site estava quebrado até ontem.Por conta disto, reproduzo abaixo a programação, dentro do painel de Tecnologia e Indústria, onde estaremos apresentando nossos trabalhos.Achei os temas bem bacanas e vou comentando de lá os melhores trabalhos.


STREAM 3 TECHNOLOGY AND INDUSTRY

Panel 1: New Technology, New Economy and New Subjectivities in East Asian Popular Music – 25 MONDAY Auditorio Xavier Scheifler – 12:30-14:00
CHAIR: Guy Morrow guy.morrow@mq.edu.au OK

- Transformation of music industry in digital age: The case of South Korea
Jung-yup Lee (University of Massachusetts Amherst).
Hyunjoon Shin (Sungkonghoe University).
- Emerging Mobile Subjectivities in the Age of Portable Digital Music in the City
Yoshitaka Mouri (Tokyo National University of Fine Arts and Music).

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Panel 2: management – 25 MONDAY Auditorio Xavier Scheifler – 15:30-17:00
CHAIR: Jung-yup Lee

- Managerial Creativity
Guy Morrow (Macquarie University).
- MyMusicSpace: Independent Musicians’ Use of A Social Networking Website
Marjorie Kibby (University of Newcastle, Australia).
- Will You Be My Friend? Career Building Strategies, Technology and the Independent Artist
Paula Wolfe (Institute of Popular Music, University of Liverpool).

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Panel 3: Theoretical considerations 1 – 25 MONDAY Auditorio Xavier Scheifler – 17:30-19:00
CHAIR: Paula Wolfe pwolfe@liv.ac.uk OK

- Mash The System: Exploring The Effects of Sampling Technology in Contemporary Western Popular Song
Megan Evans (Sydney Conservatorium of Music).
- New Age: Tecnología y Sentido en la Música Contemporánea
José Miguel Ordóñez Gómez (Escuela Nacional de Música. UNAM).

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Panel 12: Radio - 26 TUESDAY - Auditorio Xavier Scheifler 12:00-13:30
CHAIR: Karen Collins collinsk@SYMPATICO.CA OK

- Rock Radio in Rio de Janeiro
Heitor Da Luz Silva (Universidade Federal Fluminense).
- El ‘Neo-Folklore’ en Las Programaciones de las Emisoras de Radio de Venezuela
Erin Vargas (Universidad Pedagógica Experimental Libertador –UPEL).
Alexander Lugo (Universidad Pedagógica Experimental Libertador –UPEL).

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Panel 6: Video game, Soap opera, and Videos - 26 TUESDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 17:30-19:00
CHAIR: Martha Ulhôa mulhoa1@gmail.com

- Grand Theft Audio? Popular Music and Interactive Games
Karen Collins (Carleton University).
- Industrialization of Popular Songs in Soap Opera Soundtracks
Carmen Lúcia José (Universidade São Judas Tadeu - Brasil).
Elisabete Alfed Rodrigues (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo ).
- What Are Little Children’s Music Videos Made of?
Antti-Ville Kärjä (University of Turku).

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27 jun. WEDNESDAY:– PLENÁRIA
Auditorio Sánchez Villaseñor – 9:30-11:30
Chair: Martha Ulhôa

- Ring My Bell: Cell Phones and the Japanese Music Market
Noriko Manabe (CUNY Graduate Center).
- Maybe The Music Industry Has Gone “Crazy? Probably…”: A Discussion On The Internationally Acclaimed DJ and Producer, Danger Mouse, and His Contribution To The Re-Configuration of The Industry of Today and The Future.
Sharadai Rambarran (University of Salford).
- Listening in Shuffle Mode
Marta García Quiñones (Universitat de Barcelona).
- P2P File Sharing and Pop-Rock Knowledge as a Global Microstructure
Motti Regev (The Open University of Israel).
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Panel 7: Constructing repertories - 27 WEDNESDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 12:00-13:30
CHAIR: Ruth Dockwray R.Dockwray@surrey.ac.uk OK

- Partnership and creation in popular song
Cláudia Neiva de Matos (Universidade Federal Fluminense / Universidade Federal do Rio de Janeiro ).
- Flamenco Discography: Canon and Repertory
Javier González-Martín (Universidad de Almería).
- The Paper Rolls for Mechanical Instruments as a Source to 19th Century Popular Music
Nils Grosch (Deutsches Volksliedarchiv).

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Panel 8: Musicology - 27 WEDNESDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 15:00-16:30
CHAIR: Nils Grosch nils.grosch@dva.uni-freiburg.de OK

- Forming The Diagonal Mix
Ruth Dockwray (University of Surrey).
- Where’s The Chorus? A Computational Approach for the Automatic Segmentation of Pop Songs
Daniel Müllensiefen (Goldsmiths College, University of London).
David Lewis (Goldsmiths College, University of London).
Geraint Wiggins (Goldsmiths College, University of London).
- Chords, Scales and Band Rehearsals: Better Material, Better Results? Changes in the Acquisition of Musical Skills
Ulrich Einbrodt (University of Niederrhein).

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Panel 9: Gender - - 27 WEDNESDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 17:00-18:45
CHAIR: Cláudia Matos - laparole@terra.com.br - OK

- Using Popular Music in Today’s Media Landscapes
Ann Werner (Linköping University).
- “You better be listening to my fucking music you bastard!” Female Diskjockeys’ Relations to Technology and the Transnational Electronic Dance Music Industry
Anna Gavanas (Uppsala University).
- Technical Equipment and Gender in the Consumption of Popular Music in the West German 1960s
Detlef Siegfried (University of Copenhagen).

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Panel 10: Scenes 1 - 28 THURSDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 12:00-13:30
CHAIR: Geoff King geoff.king@rmit.edu.au OK

- Rock & (Flamenco) Roll?: Hybrid Spaces and New Aesthetics in the Contemporary Flamenco Scene
Francisco Bethencourt Llobet (Newcastle University).
- Sound Amplification in Calypso Live Music of El Callao, Venezuela
Emilio Mendoza (Universidad Simón Bolívar, Caracas).
- Record Labels in Uruguay: De La Patria A La Cumbia.
Marita Fornaro Bordolli (Universidad de la República de Uruguay).

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Panel 11: Scenes 2 - - 28 THURSDAY - Auditorio Xavier Scheifler 15:30-17:00
CHAIR: Francisco Bethencourt LLobet f.j.bethencourt-llobet@ncl.ac.uk OK

- Not Fade Away: Baby Boomers and the Australian Music Industry
Geoff King (RMIT University).
- The Virtual Rap Scene in Quebec
Christopher M. Jones (Carnegie Mellon University).

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Panel 5: Theoretical considerations 3 - 29 FRIDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 12:00-13:30
CHAIR: Simone Pereira de Sá sibonei@terra.com.br OK

- Staging and Authenticity: Famous Musicians in Music Television
Martina Schuegraf (Hochschule für Film und Fernsehen Potsdam-Babelsberg „Konrad Wolf“).
- Música grabada, experiencia y conservación
Carlos Icaza Pérez (Universidad Nacional Autónoma de México).
- Punching for Recognition: The Untold Story of the Role of the Jukebox inJamaican Popular Music
Dennis Howard (University of the West Indies ).

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Panel 4: Theoretical considerations 2 - 29 FRIDAY - Auditorio Xavier Scheifler – 17:00-18:30
CHAIR: Dennis Howard howardennis@yahoo.com OK

- Digital Audio Culture and The Audible Past
Simone Pereira De Sá (Universidade Federal Fluminense).
- Objectifying Music: Media & Design Studies go to the Art Museum
Prasad Boradkar (Arizona State University).
Nabeel Zuberi (University of Auckland).

Ano Zero: música, mistério e videogame

A primeira pista foi uma camiseta promocional distribuída em um show da banda Nine Inch Nails, em fevereiro de 2007. Os Fãs descobriram que a indumentária continha letras destacadas, que juntas formavam a frase "I am trying to believe". Os internautas que resolveram digita-la em um site de buscas acabaram sendo arremessados para o ARG iamtryingtobelive.com. Dois dias depois, dando seguimento ao jogo, foi encontrado um pendrive dentro do banheiro masculino, durante um show da banda em Lisboa, Portugal. Quem achou o hardware pôde ouvir uma versão mp3, em alta qualidade, da então inédita "My Violent Heart". Em seguida, a canção acabou disseminada pela internet. Outro pendrive, contendo a mesma faixa, também foi localizado em Madri, na Espanha,no show seguinte.
Este jogo do tipo ARG faz parte campanha de divulgação do novo álbum da banda Nine Inch Nails, Year Zero, que saiu em abril, e foi comentado pela colega Adriana Amaral aqui mesmo, neste blog. O game se passa no ano utópico de 0000 e conta uma história sobre censura, paranóia e resistência contra um regime totalitário que teria dominado os EUA num futuro próximo. Pelo menos nove websites e um vídeo no site oficial da banda estão integram o jogo e oferecem pistas sobre o mistério. Além destes domínios e dos pendrives deixados nos banheiros por onde a banda NIN fez seus shows, o ARG “I am trying to belive” envolve ligações telefônicas que atordoam completamente o jogador, revelando ser uma interessante ferramenta de Marketing Viral.

O ARG figurando como elemento viral

A revista especializada da Escola Superior de Propaganda Marketing (ESPM), em sua edição de outubro do ano passado, noticiou que os “ARGs fazem o jogador interagir com o universo ficcional que cerca um determinado produto ou serviço, utilizando de maneira genial ferramentas de marketing viral”. Marketing Viral é um termo corrente que consiste em inserir, nas redes sociais, o nome de uma marca ou serviço – o termo faz referência ao modo que uma epidemia se propaga. A experiência no ARG não funciona sem que o jogador acesse outros ambientes da internet - ação que acaba servindo para mantê-lo em contato com produtos que “participam” do jogo, através da utilização de serviços espalhados pela rede. Para conseguir jogar, o usuário deve procurar informações em blogs e fotologs, perfis no Orkut, em sites como o Youtube, além de usar fóruns e MSN para traçar investidas junto aos demais participantes. No caso do Nine Inch Nails, o produto é o álbum Year Zero, incluindo suas canções.
Os ARGs são aparentemente jogos gratuitos, porém seus custos acabam sendo revelados durante a experiência, atrelados a outros tipos de serviços pagos – pois, para conseguir jogar, o sujeito deve enviar torpedos, fazer ligações de celular e em certos momentos até mesmo comprar uma revista ou jornal. Os ARGs podem nos ensinar um modo de usar com eficácia as técnicas do Marketing Viral, pois o usuário é colocado em contato com a marca durante todo o desafio, e acaba comentando sobre o jogo em diversos ambientes da internet. Estamos diante de ferramenta interessante que, nos tempos de convergência entre mídias, coloca seu usuário em interação com um produto ou serviço através de um videogame.

Saiba mais sobre o jogo

Trent Reznor, líder da banda Nine Inch Nails, disse recentemente em entrevista à revista Bizz, que criou o ARG “ Iam trying to belive” para promover Year Zero e sua idéia foi "surrupiada" pela gravadora. “Fiz tudo sozinho, do meu bolso, porque sabia que se contasse a eles alguém ia querer inventar um jeito de colocar operadoras de celulares no meio, sei lá. Não sou contra ganhar dinheiro, mas é preciso ter alguma integridade, também. Aí, agora que eles viram que o negócio deu certo, já fiquei sabendo que eles chegam para outros artistas e falam 'Viu o que fizemos para o NIN? Podemos fazer um igual para você'.
Reznor parece ter acertado em cheio na sua estratégia – utilizando um jogo para promover seu disco - já que muitas empresas vêm usando a mesma receita no lançamento de seus produtos.

Cibercultura Remix

Repasso a chamada do colega André Lemos:

Para os que não estão em Salvador, o evento "Cibercultura:
Tecnologia, Sociedade e Cultura no Século XXI", que tem como tema
hoje a mesa Cibercultura Remix - Cultura Livre no Século XXI, será
transmitido ao vivo pela internet pelo link da UFBa, graças ao CPD/
UFBa. Quem quiser assistir online clique no link a partir das 19h.

(Link - http://video.ufba.br/cibercultura)

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"Cibercultura Remix.Cultura Livre no Século XXI".

Na mesa teremos três convidados especialíssimos:

Prof. Dr. Pedro Rezende, do dep. de Ciências da Comunicação da UnB,
um dos maiores especialistas em Software Livre do Brasil, Guilherme
Kujawski, jornalista, escritor, produtor cultural, responsável pela
revista Cibercultura e pelos agitos do Itaú Cultural, São Paulo, e
H.D. Mabuse, músico, artista multimídia, uma das cabeças pensantes do
grupo Re:Combo e Gerente de Design do C.E.S.A.R, Recife. A mediação é
de Messias Bandeira, músico, produtor cultural, doutor em Comunicação
pela Facom/UFBa e diretor da Faculdade do Mosteiro de São Bento.

O evento é fruto da parceria entre o ICBA e o Centro Internacional de
Estudos e Pesquisa em Cibercultura - Ciberpesquisa, do Programa de
Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Facom/UFBA).

terça-feira, 19 de junho de 2007

Jogando sério...

Esse mês foi publicada no Gamasutra uma matéria do game designer e pesquisador Ian Bogost, interessante por retomar a nossa discussão de alguns posts atrás sobre o papel social dos jogos e a relação entre os jogos e o massacre de Virginia Tech.
Bogost comenta a criação de um jogo amador sobre a tragédia de Virginia Tech que, assim como o Super Columbine Massacre RPG, causou críticas e polêmicas. Apesar da abordagem “não sofisticada e negligente” sobre o tema feita pelo V-Tech Rampage, Bogost nos provoca a não deixar o assunto de lado e desafia a indústria do videogame a criar um jogo sobre a tragédia, um jogo que ajude as pessoas a compreenderem e lidarem com os acontecimentos da melhor forma possível, através de um videogame.
Essa fala é característica de Bogost que trabalha na concepção e design de jogos “sérios”, ou pelo menos, com temas “sérios”, no estúdio Persuasive Games. Os newsgames, como são chamados esses jogos com temáticas atuais que fazem uma mistura entre “videogames e charges políticas”, vêm ganhando respaldo e conquistando espaço na mídia e nas grandes corporações.
Recentemente, o Persuasive Games anunciou uma parceria com o New York Times, onde será publicada uma série de newsgames do estúdio, começando com o jogo Food Import Folly, uma crítica à inspeção de comida nos Estados Unidos. Apesar de os jogos em parceria com o New York Times dependerem de uma assinatura paga ao TimesSelect, há vários outros jogos do estúdio disponíveis online, como o Presidential Pong baseado nas eleições americanas de 2008 e publicado no site da CNN.
Um outro exemplo de que estes jogos estão ganhando espaço é uma iniciativa bem interessante da mtvU, da Fundação de Direitos Humanos da Reebok e do International Crisis Group de promover um concurso para a criação de um jogo sobre o conflito em Darfur, no Sudão. O concurso, que visava unir o conhecimento tecnológico de estudantes ao ativismo tendo em vista combater o genocídio em Darfur, no Sudão, resultou no jogo Darfur is dying, criado por estudantes da University of Southern California. O jogo busca divulgar o conflito e a situação em que se encontram os moradores dos campos de refugiados em Darfur, aproveitando para sugerir algumas formas de ajudar na “vida real”. Ainda que a eficácia dessas formas – enviar uma mensagem para o presidente Bush, por exemplo – seja questionável, a idéia de utilizar o jogo como forma de divulgação me parece muito boa, especialmente em função do público-alvo que se quer mobilizar.
Outras iniciativas interessantes podem ser encontradas nos sites http://www.newsgaming.com/ e http://www.molleindustria.it/home-eng.php.
Muito mais do que a ideologia que querem transmitir ou, em alguns casos, apesar dela, esse tipo de produção é interessante não só por chamar atenção para a possibilidade utilização dos jogos com fins críticos e sociais, mas também por abrir caminhos para atingir novos públicos.

PS - Salve o novo presidente!




Yeeeeeees!!!!!!!!!!!!!

PS - O crédito da foto é da Ângela Prysthon.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Vida longa à COMPÓS

Sabe aquela sensação de ir para o show da banda que vc mais ama? Ou pra festa do amigo mais querido? Ou - pra quem gosta de Carnaval - voar para Salvador em fevereiro?
Talvez soe estranho comparar um Congresso acadêmico a estas experiências.
Mas,sem exagero nenhum, é mais ou menos assim que encaro o Congresso da COMPÓS todo ano,em junho.
Foi na COMPÓS,que frequento de maneira ininterrupta desde 1996, que descobri a vida acadêmica para além da minha Universidade.Já fui coordenadora de GT. Fiz parte da diretoria. E nos Grupos de Trabalho onde estive - Sociabilidade, Cibercultura e este ano,inaugurando o de Entretenimento - aprendi a fazer e receber críticas, conheci alguns de meus maiores amigos e comecei, de certa forma,a pensar dentro do campo da comunicação,a partir da experiência de imersão no GT,por dois dias seguidos debatendo cada trabalho apresentado.

Este ano, não foi diferente. Mais uma vez, retorno de Curitiba acabada, rouca, gripada mas renovada pela experiência que rolou na semana passada -de 13 a 17 de junho, na Universidade de Tuiuti.
As emoções foram muitas. Houve eleição para a nova diretoria e nossos queridos amigos Erick Felinto, Ana Silvia Médola e Denize Araújo venceram, substituindo outros três queridos: Afonso Albuquerque,Ángela Prysthon e Alex Primo.
O novo GT de Mídia e Entretenimento "bombou" - com ótimas discussões, boa presença de público e um coordenador, Jeder Janotti, totalmente eficiente e bacana.
A festa - a cargo da também "tri" querida Adriana Amaral - a DJ Lady A. - foi a melhor em muitos anos...
E a equipe da organização, comandada por Denize Araújo, foi impecável.
Estão todos de parabéns.
Mas, pra justificar o post afetivo, antes que ele fique piegas,vamos lá... Vale a pena conferir os trabalhos que estão online, na íntegra,no site. Atenção especial aos GTs de Entretenimento, Cibercultura e Sociabilidade,onde encontram-se trabalhos ligados à temática de nossas pesquisas.
Estão lá nossos trabalhos - meu e de Marildo (Entretenimento); e de Fernanda Costa e Silva (cibercultura).E muito mais trabalhos interessantes.Confiram. E não percam a próxima, que em 2008 será em São Paulo (Unip).

sábado, 16 de junho de 2007

Após ter morte decretada, dance music ressuscita

Esse era o título de uma matéria que saiu ontem no caderno "ilustrada" da Folha de São Paulo. Era o pretexto para o jornal falar - muito bem - do novo disco dos Chemical Brothers "We Are The Night", sem esquecer de dizer o quão insosso o penúltimo disco "Push The Button" era.

Em novembro de 2004 o jornal inglês "The Guardian" fez uma reportagem decretando a morte da dance music. As causas do falecimento eram apontadas como a falência dos grandes grupos britânicos, os discos sem relevância de artista outrora muito importantes como Moby, FatBoy Slim e Prodigy.

Mas, segundo Thiago Ney, que escreveu essa matéria da Folha, tudo mudou com o disco dos Chemical Brothers. Outras estréias destacadas na reportagem são Simian Mobile Disco com "Attack Decay Sustain Release", Justice e Digitalism. Há um quê de New Rave quando o repórter fala desses três duos e diz que elas "fazem uso de elementos do rock, como vocais, bateria orgânica e guitarras, para dar corpo a faixas dançantes".

E no Brasil são comentados os trabalhos novos do DJ Mau Mau, Nego Moçambique e o novato Propulse.

Para celebrar esse momento meio fênix que a Folha de São Paulo aponta, nada melhor do que dançar com vídeo Do It Again, dos Chemichal Brothers do disco "We Are The Night".

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Prato do dia: YouTube, Pirataria, Real Player e Paris Hilton

Em julho, o YouTube irá testar uma nova tecnologia que pretende evitar a veiculação vídeos piratas. Os clipes serão identificados por um atributo único, como uma impressão digital. A Disney e a Time Warner participarão dos testes. O dono do vídeo poderá tirar o vídeo do ar ou até ganhar parte da publicidade. Se funcionar, o recurso começará a ser usado ainda este ano.

E falando em pirataria e YouTube, a Folha de São Paulo teve acesso exclusivo à versão 11 do Real Player, que vem perdendo público para o Windows Media Player, mas que pretende reverter o quadro lançando uma nova ferramente. Agora com um clique apenas, será possível copiar vídeos diretamente do YouTube para o seu computador.

Mais uma notícia... Como quase tudo o que acontece de sério no mundo offline, vira piada na Internet, a prisão de Paris Hilton caiu na teia de programadores de games. Entrando nesse site, você pode ajudar a herdeira/presidiária a cunhar placas de carro e fugir da guarda mal encarada. E cuidado para não esmagar o cachorrinho da madame.

fonte: Folha de São Paulo, O Dia

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Show do Móveis, Febre, Electroboogie e Tim Festival

Eis que o calor volta.

E os shows do Móveis Coloniais de Acaju foram muito bons. Pude vê-los no Canecão antes do Moptop e no Teatro da UFF, última banda a tocar no Araribóia Rock na quarta-feira. O show da banda é para quem não quer ficar parado. Melhor ainda, você pode tentar ficar parado, mas não vai conseguir, dou minha garantia. De repente, como quem não quer nada, timidamente, você vai começar a bater palma, ensaiar uns passinhos e depois é só um pulo para se jogar no meio da roda, na maior brincadeira.

Musicalmente, o Móveis Coloniais de Acaju, banda cujo nome foi inspirado num evento histórico - um conflito na ilha do bananal - consegue agrupar o rock, ska e samba num mesmo caldeirão musical. O mais legal dessa história toda é que o vocalista não é o único a se destacar. Todas as músicas tem seqüências instrumentais, principalmente dos metais, que animam o público. A presença deles no palco é impressionante. Vários esbarrões, pulos, corridas, trenzinhos, vai pra frente, vai pra trás, eles não ficam quietos.

E pra terminar, o grand finale (escrevi certo?) com a roda gigante feita pelo público e pela banda se abaixando, se levantando e gritando HEY cada vez mais rápido até virar uma grande galhofa puxando o final da música Copacabana.

Ficou com vontade de ir? Então primeiro, entra no site, baixa as músicas ou compre o CD e se prepara porque dia 26 ou 27 (eles não souberam me informar) a banda voltará ao Rio para tocar no Circo Voador ou na Fundição Progresso (também não souberam informar qual dos dois).

Ainda cansando do show do Móveis, resolvi ir pra Matriz ontem e conferir a dica da Simone. Sem querer puxar o saco, a única coisa que valeu a pena foi realmente a festa Febre no segundo andar da casa curtir o drum´n´bass. Já tinham me dito que, em feriado, o lugar ficava cheio, mas acho que depois de ontem, vão ter que inventar uma outra palavra para substituir lotado. Mas vamos à Febre... Gostei muito das músicas e da animação de um pequeno público que praticamente não saiu da pista. A maior parte ficava circulando pela casa, dava uma passadinha lá, se mexia um pouquinho e depois partia para outra coisa. Eu preferi ficar mais na pista e ver como essa circulação funcionava e enquanto prestava atenção na vida dos outros, fui ficando com medo de dançar. Tinha um cara lá que quebrava tudo. Fiquei intimidado e resolvi brincar de estátua o resto da noite. Acabei indo embora cedo. Além do lugar estar me sufocando, minhas pernas estavam pedindo clemência por causa dos shows de terça e quarta. Pretendo voltar mais vezes na festa e então, faço uma descrição mais detalhada.

Pra continuar as dicas do feriado, hoje rola Electroboogie no Dama de Ferro. Nunca fui à festa, não consigo achar muitos detalhes além dos nomes dos DJs - Tony Vegas e Gláucia ++ - mas as festas do Dama são sempre interessantes, então acho que vale a pena.

E só pra terminar esse post gigante que todo mundo vai ficar com preguiça de ler em feriado prolongado (mas eu não estou nem aí), saiu no jornal chileno El Mercúrio algumas bandas que vêm pro Tim Festival desse ano. Arctic Monkeys (que todo mundo já sabia), The Killers e Björk. Quando é que começa a vender mesmo hein?

Bom resto de feriado e fim de semana.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Móveis em Niterói/Febre no Rio

Diquinha para um início de fim de semana prolongado: show do Móveis Coloniais de Acaju em Niterói, no teatro UFF, hoje a noite.
Eles já deram um show ontem a noite no Canecão.Como os professores estão sempre mais ocupados do que os alunos (rs...), eu perdi, mas o Lucas foi e pode depois fazer uma crítica pra gente.
E amanhã, quinta, sem ter que acordar cedo na sexta, nada como a velha e boa Febre, na Matriz. Debê com Calbuque, Yanay e um ou outro convidado, na mais tradicional e discreta festa do gênero na cidade, que sobrevive a todos os modismos firme e forte.
Por falar em Calbuque e Febre, vou postar na sequência uma entrevista bacana que fiz com ele há uns tempos. Mais tarde, pois agora é hora de Bourdieu na nossa reunião do LabCult que se inicia daqui a pouco.

Consumo tecnológico

Acabo de escutar na Globo: somos 30 milhões de brasileiros conectados - quase um sexto da população. 11 milhões com computadores em casa. O país com o maior número de horas por habitante na Internet (21 por mês). São mais ou menos estes os dados (cito de cabeça) da última pesquisa IBOPE sobre consumo tecnológico no Brasil - e aposto que não computaram as lan-houses.(os caras sempre têm preconceito com elas e ainda não perceberam o potencial de inclusão destas redes públicas - ainda que pagas - de acesso).
A reportagem teve um momento comovente - uma secretária dizendo que conseguiu entrar na Faculdade, comprar seu primeiro computador, e agora está economizando "pra ter banda larga em casa".
Apesar da ainda grande exclusão digital, os dados são impressionamente favoráveis à indústria do entretenimento digital. Dentro da qual nossos assunto preferidos - música e games - são pontas de lança.
Uau! isto é muito bom, pois significa que a gente tem muito trabalho pela frente. E a indústria que quer combater a pirataria na Internet (sorry, não é o nosso caso!!), idem.

Por outro lado, nos obriga a discutir da inclusão: acessos e cursos públicos e gratuitos - especialmente para estudantes (como a garota da reportagem), dentro de um projeto político consistente. É só isso que a gente precisa desta entidade chamada governo, pois o resto a gente inventa. Né não?

terça-feira, 5 de junho de 2007

Música Popular Massiva - Bombou!! -2

Encerrado o I Encontro de Mídia e Música, em Salvador, e já de volta ao Rio, quero juntar-me à avaliação já feita pela colega Simone (BOMBOU!!) e manifestar minha satisfação com os resultados do encontro. A excelente iniciativa do Grupo de Pesquisa em Música Massiva da UFBA, coordenado pelo professor (e roqueiro) Jéder Janotti, vem abrir um espaço importante e necessário dentro do campo da comunicação: congregar pessoas que estão pesquisando a música massiva no Brasil, afinal esse é um espaço privilegiado onde é possível pensar várias questões da cultura contemporânea e suas transformações. Mais do que isso, são iniciativas como essa que possibilitam o avançar de nossas pesquisas e a legitimação de um tipo de estudo por muito tempo não devidamente valorizado no espaço acadêmico. O intercâmbio de informações e o debate de idéias entre especialistas (como foi o caso de Will Straw, Simone Pereira de Sá, Jéder Janotti, Angela Prysthon e Micael Herschman), com outros professores, doutorandos e mestrandos, alguns há mais tempo e outros que estão entrando agora nessa seara, mostrou-se muito produtivo e gratificante para quem aposta nesse tipo de estudo.

Também não poderia deixar de comentar a festa de encerramento. A apresentação de “Os Mizeravão”, banda da qual faz parte o professor-roqueiro Jéder, a “canja” de Will Straw, convidado mais do que especial, e o encerramento da festa com o trabalho no som da professora-DJ Simone e dos pesquisadores Marina e Marcelo acabou sendo a síntese de muitos dos debates do encontro. Vivemos na prática a quebra de muros entre cultura popular, massiva e erudita; o intercâmbio de diferentes temporalidades e propostas, hibridadas, recicladas e traduzidas de forma criativa. Entretenimento que diverte e faz pensar, não necessariamente nessa ordem. Que venha o próximo!
Abaixo um vídeo totalmente amador de “Os Mizeravão”.



segunda-feira, 4 de junho de 2007

Rede de televisão CBS compra Last FM...

...pela singela bagatela de 280 milhões de dólores. Isso só mostra como os "gigantes do entretenimento" estão apostando nas possibilidades que a Internet cria de interação com o usuário.

Não sabe o que é Last FM? Vai aqui um resumo básico. O serviço oferecido funciona de diversas maneiras. Primeiro, você entra no site, faz seu cadastro e baixa um programa que funciona como um plug-in para ser incorporado ao seu tocador de música no computador. No meu, por exemplo, o Last FM é acionado quando eu ouço música no Windows Media Player. Depois, você pode criar uma página pessoal no estilo orkut e adicionar amigos, participar de comunidades, escrever um blog, etc. Até aí, existe no mundo virtual uma penca de sites que oferem esse serviço. A graça desse está justamente em compartilhar o seu gosto musical com o resto do mundo já que o slogan do programa é justamente the social musical revolution. Na sua página do Last FM, aparecem as 10 últimas músicas que você ouviu, as bandas mais ouvidas na última semana, as suas bandas preferidas que (foram ouvidas no computador) e número de vezes que cada música foi ouvida. Baseado nisso, aparece uma lista de neighbours, que são as pessoas com gosto musical similar ao seu. É possível também procurar informações sobre a sua banda preferida e ver com quais ela se parece. Já descobri muita coisa interessante. E pra terminar também é possível abrir o programa do Last FM, fazer uma busca através de tags e montar uma rádio pessoal. Por exemplo, você pode ouvir uma seqüência de músicas que passe por forró, disco punk, electro, death metal e calypso. Depende do gosto de cada um...

Continua complicado de entender? Entra na minha página do Last FM e dá uma espiada. Só não vale rir do meu gosto musical. E depois que fizer o cadastro, se quiser me adicionar como amigo, favor deixar um recado antes. Brincaderinha...

domingo, 3 de junho de 2007

Parabéns ao Overmundo!

Soube lá na Bahia, através do colega André Lemos, que o site Overmundo- projeto de Hermano Vianna com colaboradores - ganhou o Golden Nica (troféu principal) na categoria Comunidades Digitais do Prix Ars Electronica 2007.
Trata-se de um dos mais importantes prêmios do mundo para artistas de novas mídias e visionários da internet e André é um dos jurados. A cada ano, são concedidos apenas seis Golden Nicas ( para as categorias: Animação por Computador/Efeitos Visuais, Arte Interativa, Músicas Digitais, Comunidades Digitais, Net Vision e Freestyle Computing.) Os prêmios serão entregues numa cerimônia realizada na Áustria, em setembro, na época do Festival Ars Electronica, que também é referência mundial para quem trabalha na vanguarda da relação entre arte e alta tecnologia.
Pra quem não conhece o Overmundo, trata-se de uma iniciativa interessantissima para divulgar a cultura brasileira de forma descentralizada e coletiva. Hermano tem uma trajetória exemplar na reflexão sobre música, expressões culturais brasileiras e é um pioneiro ativista da cibercultura no Brasil.
Por tudo isto, merece o reconhecimento. Parabéns!

Bombou!!

Imagine um encontro acadêmico onde a atração principal é o show de uma banda que atende por Os Mizeravão. Que tem na bateria o organizador principal do encontro. E que conta com o convidado principal, respeitadissimo colega canadense que fez a palestra de abertura, dando uma canja... cantando I will Survive. Festa que continua noite a dentro com as Djs Simone Sá e Marina (aluna da UFba) além do nosso labcultiano Marcelinho. E as pessoas levam a sério e dançam!!
Pois é! Foi neste clima - de intensa observação participante - que se concluiu na sexta o I Encontro de Mídia e Música, realizado na UFba pelo grupo de pesquisa em música popular massiva, coordenado por Jeder Janotti.De volta, queria comentar com vocês a satisfação por participar d(o que a gente espera que seja só) a primeira edição de encontro tão produtivo e dar parabéns publicamente ao meu queridissimo amigo Jeder e seu grupo, que merecem nossos agradecimentos pela iniciativa e pela acolhida tão hospitaleira e afetiva.
A porção Música do LabCult compareceu em peso - eu, Marildo, Heitor e Marcelo (além da Janaína, aluna de mestrado da UFF).
Entre festas como a descrita acima, palestras bacanas, reencontro com amigos queridos e descoberta de novos, tivemos a oportunidade de entrar em contato com o que de melhor está sendo produzido na área de Comunicação e Música, através de 50 trabalhos discutidos nos Gts.
O que me impressionou foi a efervescência deste sub-campo da comunicação, comprovado pelo fato de que a grande maioria dos trabalhos era de mestrandos e doutorandos.
Mas, também fiquei muito feliz por estar em tão boa companhia nas palestras - Jeder Janotti, Angela Prysthon e Micael Herschman, além de rever o pesquisador canadense Will Straw. Sua palestra foi uma grata surpresa.Pois a qualidade da reflexão a gente já conhece de outros textos discutidos aqui no LabCult. O que me surpreendeu foi que ele deu uma pequena "guinada" em direção aos autores e reflexões da Teoria das Materialidades, apresentando uma reflexão em torno do LP e do CD como suportes que produzem diferentes organizações discursivas da música. Temas e aproach muitissimo próximos de nossas reflexões, produzindo aquela sensação de cumplicidade e possibilidade de diálogo quando encontra alguém pensando alguma coisa parecida...
No GT que coordenei - Gêneros e Cenas - destaco alguns trabalhos que creio que também dialogam com as nossas reflexões:

1) Gênero mediático e experiência mediada:perspectivas de investigação sobre dinâmicas de expressão e recepção do rock - Jorge Cardoso Filho (doutorando UFMG)
2) O bit e o beat do rock brasileiro - Danilo Fraga (mestre UFba)
3) O problema da sinestesia entre imagem e som na cena de núsica eletrônica - Paolo Bruni (mestrando UFba)
4) Pressupostos na análise da cultura dos discos de vinil: um olhar sobre a cena eletrônica brasileira do gênero Drum´n Bass - Marcela Moreira (mestranda UFba)
5) Gêneros musicais e sonoridade: construindo uma ferramenta de análise-Felipe Trotta ( UFPe)
5) Videoclipe e televisão musical: uma abordagem de gêneros - Thiago Soares (doutorando UFba)
6) Djs, Magnatas e regueiros: considerações sobre o reggae na Ilha de São Luis - Rogerio Costa (UFPe)

Neste GTs foram apresentados os trabalhos dos nossos pesquisadores Marcelo Garson - cooptação versus underground - hiopóteses sobre a ascensão do DJ superstar; e Heitor da Luz Silva e Janaína Faustino - Dinâmicas e reconfigurações no gênero MPB.

Para quem perdeu, a boa notícia é que está prevista uma publicação com os melhores trabalhos.

Warner disponibiliza arquivos de vídeo on-line

Na esteira da discussão sobre formas alternativas de combater a pirataria e a distribuição gratuita de músicas e vídeos na internet, a Warner Music usará serviços da Premium TV para criar um site onde estarão disponíveis vídeos de artistas de seu catálogo como Red Hot Chilli Peppers e Madonna no estilo YouTube. Várias empresas já usam desse serviço para que o usuário, mesmo acessando os arcevos audiovisuais gratuitamente, contribua para gerar renda para o contratante, que virá por anúncios colocados na página. Os internautas ainda poderão colaborar pagando o site para ver cenas extras dos vídeos ou fazer download para o computador.

Parece que as grandes gravadoras estão percebendo que atingir o usuário com processos e fechando programas P2P não vai resolver o problema da queda das vendas de CDs então o jeito é apelar para a publicidade.

Recentemente, a EMI fechou acordo com o YouTube para exibição de vídeos dos artistas de seu catálogo. Clique aqui para ver a matéria que saiu no G1.

Perdidos na Internet

No último dia 23, a rede de televisão norte americana ABC exibiu o episódio que encerrou a terceira temporada da série LOST. O programa é um dos maiores fenômenos da TV, neste segundo milênio, contando com inúmeros fãs espalhados nos mais variados países do mundo. E para prender a atenção deste público, no espaço entre uma temporada da outra do seriado, a produção criou um game chamado LOST Experience, fundamentado na história contada na TV. Porém, nem o mais otimista dos produtores imaginava o sucesso que esta brincadeira teria.
No intervalo da segunda para terceira temporada, o produtor executivo da série, Damon Lindelof, orientou sua equipe para espalhar “pistas” na internet, que tinham ligações com certos mistérios ainda não explicados, até o momento, no programa de TV. Uma destas informações dava conta de que seria exibido, durante o intervalo comercial da série nos EUA, um número de telefone da Fundação Hanso - uma organização presente na trama do seriado. Os telespectadores ficaram aturdidos com a notícia, e decidiram ligar para conferir o fato era verdadeiro ou não. Quem assistiu o programa e discou para o número, caiu na rede do LOST Experience, game do tipo ARG que rapidamente virou um sucesso entre o publico que acompanha LOST.
Uma aluna do curso de Comunicação da UFF, Luana Martins, me contou que “os episódios de LOST sempre tiveram muitos mistérios e coincidências. A maioria dos nomes dos personagens são referências a personalidades reais, tendo relevância para a trama ou não. Além disso, praticamente todos os números, como por exemplo os assentos dos passageiros no avião, têm alguma relação com a recorrente seqüência 4-8-15-16-23-42, sozinhos, multiplicados ou somados, etc. E tudo isso, entre outros detalhes, rendia discussões e pesquisas na Internet com amigos que também acompanhavam o show de TV”. A partir desta efervescência criada entre os telespectadores vidrados em LOST – e este depoimento da moça refere-se apenas aos jogadores Rio de Janeiro, dá pra imaginar quantos existem no mundo – a produção de LOST criou um site para esta Fundação, na internet. Quem acessava e decidia investigar as atitudes da Hanso descobria que a Fundação estava envolvida em um série de projetos ilegais, como atividades com material químico e radioativo, etc. Em seguida, o site passou a sofrer ataques de um hacker, e os internautas passaram a acompanhar os mistérios e ajudar as desvendá-los, em um complexo jogo. Os internautas navegavam no ciberespaço, procurando pistas que eram lançadas pela produção em links escondidos, códigos na web, transmissões clandestinas, sites conspiratórios (oficiais, não de fãs) e etc. Uma especificidade deste tipo de game, que cabe aqui ressaltar, é que algumas destas pistas eram espalhadas nas cidades dos EUA, codificadas em mensagens nos outdoors, anúncios em jornais, revistas, entrevistas na TV – compondo enigmas complexos que os jogadores deveriam vasculhar o espaço urbano para desvenda-los.
Minha amiga Luana ainda revelou que “o fato de todas as informações estarem sempre assustadoramente bem amarradas e espalhadas por toda parte, me passava a impressão de que era impossível parar de acompanhar. A qualquer momento, algum acontecimento muito revelador ou ainda mais intrigante podia acontecer e era muito rápido se desatualizar. Cheguei ao ponto de verificar o andamento do jogo antes de qualquer outra coisa, ao entrar na Internet”. O sucesso do game Lost Experience foi tão grande que os produtores interromperam a 3ª temporada do seriado no sexto episódio, que curiosamente possibilitou que os fãs tivessem mais tempo para se dedicar aos enigmas do jogo.
Com final da temporada atual e o sucesso do ARG, funcionando como ferramenta de promoção do seriado, minha expectativa é que o jogo seja retomado e novos enigmas sejam colocados na rede, gerando em novas investigações. “Sem dúvida, o seriado é um grande estímulo para que se acompanhe o jogo e vice-versa. Atualmente, reparo que algumas coisas que acontecem na série fazem mais sentido para mim do que para alguns amigos que não acompanhavam o game Lost Experience. Embora as histórias sejam independentes e, por isso, seja possível acompanhar apenas um deles, os enredos se esbarram o tempo todo, descomplicando bastante a compreensão dos dois”, finalizou Luana, que uma das maiores fã de LOST que eu conheço.
Outra constatação que me instigou, e pode facilmente ser comprovada experimentando games como o Lost Experience, é quando pensamos em um jogo eletrônico do tipo ARG, atualmente, devemos considerar aspectos relacionados à produção de conteúdo e formação de comunidades. Afinal de contas, para avançar no desafio destes games, o jogador deve adquirir intimidades com as ferramentas e ambientes mais recentes do computador, desenvolver habilidades de comunicação – por exemplo, deve-se falar inglês para dialogar com jogadores estrangeiros - e se relacionar com pessoas de outras culturas de uma modo impar e divertida, ou seja, brincando.
Para ter uma idéia de quantos internautas jogaram o Lost Experience basta acessar este link, que mostra todas as pessoas que conseguiram cumprir a última tarefa do jogo: Encontrar e comprar uma barra de um chocolate chamado Apollo, em buscar de pistas para solucionar o enigma final. Quem que conseguia comprar o tal doce, deveria enviar uma foto para a produção do Lost, que em seguida postava o retrato em um site. No mapa mundi representado neste domínio, quem passar o mouse sobre o desenho do Brasil, poderá conhecer os jogadores conterrâneos que cumpriram tal missão. Dentre os players, é possível encontrar uma outra amiga e aluna da UFF, a Grazi, acompanhada da barra de chocolate. Depois de encerrada esta rodada do game Lost Experience e com o final da terceira temporada do seriado, os internautas já estão vasculhando os sites da internet em busca de novas pistas que levem novamente à rede de enigmas que fez do Lost Experience um dos ARGs de maior sucesso, recentemente.

Realidades Alternativas

Esqueça tudo o que vc já conheceu sobre jogos de realidade virtual e mergulhe no universo dos ARGs. A sigla vem de Alternate Reallity Games, ou jogos de realidade alternativa. Trata-se de um jogo que é considerado o terceiro momento na trajetória iniciada pelos RPGs, no começo da década de 70. A característica principal deste estilo é que o desafio se desenrola pela internet, usando o mundo real como pano de fundo para uma rede de enigmas.
O objetivo dos jogadores é tentar desvendar os mistérios, vasculhando sites na internet em busca de pistas. Muitas vezes, as informações são escondidas nas cidades do mundo real –codificadas em anúncios de jornal, outdoors e comerciais de TV, etc - e os participantes devem sair às ruas para procurá-las. Para conseguir jogar, as pessoas devem se relacionar pela internet, trocando informações que direcionem à solução dos enigmas. Neste sentido, as novas ferramentas do computador são os principais recursos à disposição do jogador.
Um dos primeiros registros de ARG no Brasil é o game Prenoma, do qual tive o prazer de participar e assim fazer novos amigos. O Projeto foi outro ARG de sucesso, com base na cidade paulista de Santos. Recentemente, participei do Una Passione, game promovido pela montadora automobilística FIAT. A cada dia que passa, surgem mais jogos assim na internet e, consequentemente, mais comunidades relacionadas à este tipo de experiência. Estou cada vez mais convicto de que tal estilo esta caindo de vez no gosto dos brasileiros, configurando uma nova mania entre os adoradores da cultura pop e uma nova forma de jogar pela rede computadores. Para quem quiser conhecer melhor os chamados ARGs, já esta disponível na internet um jornal inteiramente dedicado ao tema.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Em Botafogo com preço da Uruguaiana



Vanessa da Mata é a cobaia para o mais novo projeto anti-pirataria das gravadoras nacionais. Na última Segunda-feira, dia 28, a Sony BMG aproveitou o aguardado terceiro álbum da cantora, Sim, para lançar um novo formato que promete combater a pirataria. Trata-se do CD Zero. Baseado nos antigos compactos, o formato trás uma versão reduzida do disco tradicional contendo apenas cinco músicas e com o preço fixo de R$ 9,90. A intenção é atingir o público que se interessa pelas canções que tocam no rádio, mas não estão dispostas em investir na compra do CD completo.

“Em Botafogo com o preço da Uruguaiana” é o anúncio espalhado por toda a cidade do Rio de Janeiro e que revela a estratégia da gravadora. Acredita-se que o preço reduzido tende a encorajar a compra da versão reduzida, mas original, em vez da completa e pirateada. Embora muita gente tenha batido palmas para a iniciativa das gravadoras que tenta movimentar um mercado estagnado há anos, a maioria concorda que o CD Zero não cola mais em tempos de download. Primeiro, porque embora o valor seja anunciado como econômico, na verdade o consumidor pagará menos, mas estará adquirindo menos também. Segundo, porque muita gente já adotou o hábito de baixar as músicas da internet sem se preocupar em armazenar o arquivo em suportes materiais. O disco, para essas pessoas, é um trambolho quê só faz ocupar espaço.

Apesar dos obstáculos, a gravadora já anunciou que outros dois discos também terão suas versões reduzidas. “Eu nunca disse Adeus” do Capital Inicial e claro, o Acústico do Lobão.