Esse mês foi publicada no Gamasutra uma matéria do game designer e pesquisador Ian Bogost, interessante por retomar a nossa discussão de alguns posts atrás sobre o papel social dos jogos e a relação entre os jogos e o massacre de Virginia Tech.Bogost comenta a criação de um jogo amador sobre a tragédia de Virginia Tech que, assim como o Super Columbine Massacre RPG, causou críticas e polêmicas. Apesar da abordagem “não sofisticada e negligente” sobre o tema feita pelo V-Tech Rampage, Bogost nos provoca a não deixar o assunto de lado e desafia a indústria do videogame a criar um jogo sobre a tragédia, um jogo que ajude as pessoas a compreenderem e lidarem com os acontecimentos da melhor forma possível, através de um videogame.
Essa fala é característica de Bogost que trabalha na concepção e design de jogos “sérios”, ou pelo menos, com temas “sérios”, no estúdio Persuasive Games. Os newsgames, como são chamados esses jogos com temáticas atuais que fazem uma mistura entre “videogames e charges políticas”, vêm ganhando respaldo e conquistando espaço na mídia e nas grandes corporações.
Recentemente, o Persuasive Games anunciou uma parceria com o New York Times, onde será publicada uma série de newsgames do estúdio, começando com o jogo Food Import Folly, uma crítica à inspeção de comida nos Estados Unidos. Apesar de os jogos em parceria com o New York Times dependerem de uma assinatura paga ao TimesSelect, há vários outros jogos do estúdio disponíveis online, como o Presidential Pong baseado nas eleições americanas de 2008 e publicado no site da CNN.
Um outro exemplo de que estes jogos estão ganhando espaço é uma iniciativa bem interessante da mtvU, da Fundação de Direitos Humanos da Reebok e do International Crisis Group de promover um concurso para a criação de um jogo sobre o conflito em Darfur, no Sudão. O concurso, que visava unir o conhecimento tecnológico de estudantes ao ativismo tendo em vista combater o genocídio em Darfur, no Sudão, resultou no jogo Darfur is dying, criado por estudantes da University of Southern California. O jogo busca divulgar o conflito e a situação em que se encontram os moradores dos campos de refugiados em Darfur, aproveitando para sugerir algumas formas de ajudar na “vida real”. Ainda que a eficácia dessas formas – enviar uma mensagem para o presidente Bush, por exemplo – seja questionável, a idéia de utilizar o jogo como forma de divulgação me parece muito boa, especialmente em função do público-alvo que se quer mobilizar.
Outras iniciativas interessantes podem ser encontradas nos sites http://www.newsgaming.com/ e http://www.molleindustria.it/home-eng.php.
Muito mais do que a ideologia que querem transmitir ou, em alguns casos, apesar dela, esse tipo de produção é interessante não só por chamar atenção para a possibilidade utilização dos jogos com fins críticos e sociais, mas também por abrir caminhos para atingir novos públicos.
2 comentários:
Parabéns pelo seu trabalho no GT de cibercultura!
=)
Obrigada!!! :))
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