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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Mostra e debate sobre videoclipe no MAC-Niterói


Nesta quarta-feira, 23/11, o Festival Araribóia Cine promove a Sessão Som da UFF no auditório do Museu de Arte Moderna (MAC), em Niterói – RJ. Será uma grande mostra de clipes de diversos artistas do estado do Rio de Janeiro.
Logo após, haverá uma mesa de debates sobre videoclipes, com a presença de Thaiana Halfed, Secretária de Cultura do Estado do RJ, Marcos Sabino, da Fundação de Artes de Niterói (FAN) e Ariane Diniz, editora-chefe do Clipestesia e doutoranda em Comunicação Social pela UFF, onde desenvolve a pesquisa ”A Reconfiguração do Videoclipe Brasileiro na Contemporaneidade”.
O assunto em pauta na mesa de debates será:
Como os videoclipes tem influencia na divulgação das novas bandas? A mesa sobre a importância da produção do videoclipe tem como objetivo o debate sobre os mecanismos de legitimação e formação de público para esses artistas, com destaque para as novas tecnologias e as mídias sociais.
Participe! Sessão Som da UFF no festival Araribóia Cine, quarta-feira (23/11), às 19:30hs no auditório do Museu de Arte Moderna (MAC), Niterói, Rio de Janeiro.
Saiba mais aqui:
O ARARIBÓIA CINE – FESTIVAL DE NITERÓI é um evento de cinema brasileiro que tem como objetivo principal a reflexão e produção de conhecimento sobre o produto audiovisual brasileiro, exibindo uma parcela significativa desta produção, independente do seu ano de conclusão, apresentada e organizada de forma temática.
O festival, criado em 2002, teve como tema das edições anteriores a “Identidade Cultural”, “O Riso”, “Você tem fome de quê?”, “Cinema é Cachoeira” (metalinguagem/auto-reflexão), “Canta, canta, minha gente” (música), “Que país é esse?”, “Eu quero é botar meu bloco na rua” (sobre o ano de 1968) e Retratos (personagens anti-heróis).
O Festival Som da UFF 5 é uma mostra competitiva destinada ao circuito independente de música do estado do Rio de Janeiro. Bandas com pelo menos um integrante vinculado à qualquer universidade podem participar.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Entrevista sobre videoclipe

Peço licença para um momento assessoria de imprensa de mim mesma...

Semana passada um produtor da Revista do Cinema Brasilero, programa da TV Brasil, fez uma entrevista comigo para compor a matéria que ele está fazendo sobre linguagens audiovisuais que influenciam o cinema contemporâneo. Conversamos sobre a relação entre a linguagem de videoclipe e o cinema e ele me fez várias perguntas sobre o Clipestesia. Captou imagens do site e tudo. Claro que não tenho muita noção de como isso vai ser usado na matéria, mas independentemente do peso que vai ter, adorei!

Para quem puder/quiser assistir, o programa deve ir ao ar neste sábado, dia 9 de abril, às 20h30, com reprise na terça-feira, à 1h da manhã.

TV Brasil: canal 2 / 18 net / 116 Sky

Esse link aqui mostra a chamada do programa que já está indo ao ar no canal: http://www.youtube.com/user/revistadocinemabr

domingo, 31 de outubro de 2010

A farsa Milli Vanilli 20 anos depois: o que ficou?

Estou mega em falta com o LabCult e, por isso, resolvi falar de algo bem popular pra tentar me redimir, hehehe, o caso Milli Vanilli, uma das maiores farsas da música pop e um excelente caso para pensarmos o contemporâneo musical.
A história muitos já conhecem: no final dos anos 1980, uma dupla lançou três discos de estúdio meio dance meio pop que fizeram MUITO sucesso inclusive nos Brasil. As músicas eram dançantes e bem produzidas e as vozes, um primor de afinação e virtuosismo. A imagem de Milli Vanilli foi cuidadosamente construída em discos e, claro, videoclipes. Os dois, Fab Morvan e Rob Pilatus, dançavam bem e tinham jeitinho de astros pop:



Em 1990, a dupla GANHOU O GRAMMY de artista estreante. Acontece que muita gente começou a desconfiar do talento dos dois e, em novembro daquele ano, a dupla afirmou publicamente que não eram eles os donos das vozes, e sim Charles Shaw, John Davis e Brad Howell. Ou seja, as vozes dos dois eram feitas por TRÊS cantores que por serem mais velhos e menos fotogênicos, não poderiam se tornar astros pop, segundo o produtor da dupla, o alemão Frank Farian. 
Depois da farsa vir a público, o final ficou previsível: o Grammy teve de ser devolvido, Pilatus, o mais problemático da dupla, foi encontrado morto em um hotel em 1998 por overdose de remédios com bebida, Fab Morvan tenta até hoje virar celebridade cantando e atuando e nada aconteceu com a gravadora e com o produtor, que na verdade parece ter tido toda a ideia. Ah, e os cantores "reais" chegaram a lançar discos com o nome de "The Real Milli Vanilli", mas nunca fizeram sucesso...


Ironicamente, a foto do Wikipedia mostra a dupla ladeando
 o então presidente do Grammy, C. Michael Greene, hohoho!


Além de ser uma história totalmente pitoresca e ótima para mesas de bar, ela ajuda a levantar muitas, muitas, muitas questões, sobretudo porque se formos agora para o YouTube pesquisar, as opiniões dos internautas nos vídeos do Milli Vanilli são interessantíssimas, repare em algumas que selecionei aleatoriamente desse link:


"i dont care if they were fake the whole time..i still like this song lol"
"Who cares if these guys actually have talent or not... look at them flip their hair around!!"
"They're so good"
"I bought the CD off of Ebay"
"The song is great, but the dancing is so gay"


Algumas opiniões falam que a dupla era falsa e coisa e tal, mas as que selecionei NÃO SE IMPORTAM com a farsa ou a ignoram solenemente. Um deles inclusive diz que acabou de comprar um CD no Ebay! Agora a pergunta que não quer calar: o que isso quer dizer?
O texto que escolhi para debatermos na última reunião do LabCult - o segundo capítulo do clássico Dancing in the Distraction Factory, de Andrew Goodwin - lembra essa história e afirma que a partir dos anos 1980, a cultura pop passou a lidar de forma mais maleável com os recursos que permitem esse tipo de farsa, como os playbacks, os recursos eletrônicos na música e, claro, os videoclipes.  Não sei bem se concordo com isso, mas é fato que a partir dos anos 1980, as performances musicais tomaram rumos absolutamente abertos, não é mesmo?


EM TEMPO: em 2007, a Sony/BMG lançou os Greatest Hits do Milli Vanilli. Digo, a gravadora ainda tenta se beneficiar do caso! Será que em tempo de direitos autorais e coisa e tal nós cidadãos podemos processar a gravadora por propaganda enganosa ou coisa que o valha?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Reconfigurações do videoclipe


E como o tema da semana é videoclipe, segue um dos mais comentados do momento e que é um ótimo exemplo para os textos que discutiremos em nossa próxima reunião. Trata-se do clipe da música nova da Katy Perry, "Peacock". Detalhe, o clipe não é oficial, mas sim uma produção amadora que vem fazendo grande sucesso na web com quase 3 milhões de acessos no YouTube. Bem, produção amadora é modo de falar, pois o clipe dá uma aula de competência. Muito bem editado, preocupação com cenários, figurinos e coreografia. O responsável pelo vídeo é o blogueiro americano Ryan James Yekak que juntou os colegas para produzir versões gays e bem-humoradas de hits da música pop. Antes da música de Katy Perry, uma verdadeira superprodução, o grupo já havia produzido versões mais toscas, e nem por isso menos divertidas, para Lady Gaga, Britney Spears e Kesha.


Esse projeto é mais uma evidência que comprova a reconfiguração do videoclipe como defende nossa colega Ariane. Com a popularização de ferramentas digitais para a edição de vídeo e com um canal tão acessível como o YouTube, o videoclipe tem se revelado um formato cada vez mais produzido não só para, mas pelo fã. A música é o pontapé inicial para que as pessoas produzam seus próprios vídeos e os compartilhem com outros interessados.
Inclusive, se eu fosse a gravadora da Katy Perry, nem perderia tempo e dinheiro produzindo um novo clipe. Duvido que consiga fazer mais sucesso que esse.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Clipes em animação

Por Michele Vieira


Nunca esqueci a primeira vez que vi um videoclipe na vida. Com seis anos de idade fui ver o clássico filme dos anos 1980, “Xanadu”, com Olivia Newton John e John Travolta, em que  uma das cenas era um clipe de animação da música Don´t Walk Away:

 

Na época não havia MTV e nem programas na televisão aberta que veiculavam os clipes. Então, uma das formas de assisti-los era só mesmo o cinema. Dez anos depois consegui ver de novo o clipe na MTV e, agora, no Youtube.

O clipe tem uma narrativa lenta, afinal eram os anos 1980, e a animação traz para a linguagem uma atmosfera meio “inocente”, de romantismo,  que parece ser atemporal. Outro clipe bem bonitinho que também usa a animação de forma interessante é o da música Look What you´ve done, do Jet. Mas há a mistura dos músicos (reais) com os personagens da animação. A animação dá às narrativas do clipe um ar lúdico e leve que acaba os tornando bem divertidos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Baixa qualidade por opção

Como acontece há muitos anos, o feriadão de 7 de setembro é recheado de discussões, palestras e eventos pra muita gente que estuda Comunicação por causa do Intercom, que sempre acontece nesse período. O congresso deste ano terminou ontem e, no meu caso, a melhor coisa (além da excelente estrutura e simpatia da Universidade de Caxias do Sul, onde o evento ocorreu) foi perceber como andam os estudos sobre TV e vídeo no Brasil.


Além de julgar uma tulha de trabalhos do Expocom e visitar meu querido irmão que mora em Bento Gonçalves, passei boas horas acompanhando os trabalhos do Grupo de Textos "Televisão e Vídeo", e um trabalho específico chamou muito minha atenção. Trata-se do artigo do mestrando da URGS Marcelo Conter sobre uma característica importantíssima da atualidade: a baixa definição dos vídeos na web. O trabalho intitula-se Texturas em mutação: a baixa definição dos vídeos para web e traz muita coisa legal.


Primeiramente, Marcelo oferece várias informações técnicas sobre texturas, fotogramas e outros elementos relacionados à linguagem audiovisual que são difíceis de encontrar em artigos sobre o tema. Só isso já seria muito interessante, mas Marcelo vai além.


Ele analisa o papel das imagens digitais no audiovisual contemporâneo bem como da compactação de arquivos, o que quase sempre retira boa parte da definição dos materiais postados em lugares como o YouTube. Isso me fez pensar como vivemos atualmente uma curiosa contradição: enquanto a tecnologia vive em busca da alta definição, da qualidade perfeita nos audiovisuais, os usos sociais da tecnologia em muitos casos tem naturalizado a baixa definição. É só dar uma pesquisada nos vídeos que bombam na internet pra constatar que boa parte deles é tosca no que concerne à qualidade das imagens e do som. E nem por isso os vídeos perdem legitimidade, muito pelo contrário.


Pra finalizar com chave de outro, o artigo de Marcelo traz um insight MARAVILHOSO: a baixa definição dos vídeos se tornando opção estética de alguns videomakers, como o diretor do videocliope Ray Tintori. Ele trabalhou o excesso de pixels - aqueles quadradinhos que aparecem em vídeos de pouca definição - no INCRÍVEL videoclipe Evident Utensil, da banda Chairlift, feito em 2009. O resultado ficou estonteante, prepare-se: 





A análise feita por Marcelo: A principal revolução deste caso é que ele - o diretor do clipe -  coloca as regiões estáticas para trabalhar a favor do fluxo. Cada plano do vídeo inicia emergindo de rastros estáticos do plano anterior, e desaparece do mesmo modo. Em grande parte do vídeo temos imagens impregnadas de rastros. Aqui, a baixa qualidade, o pixelado, não é mais considerado uma falha, um congelamento da imagem, mas um elemento essencial do fluxo.


Eu não conhecia o videoclipe e fiquei de queixo caído o tempo todo. Até convidei Marcelo pra escrever sobre ele pro Clipestesia, hehehe. Aliás, amei constatar que é possível encontrar cada vez mais trabalhos sobre videoclipes nos congressos Brasil afora. Na mesa em que eu estava, foram apresentados três trabalhos sobre o tema além do meu. Delícia, não?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A gente pode falar "claramente" em metáfora?

Neste meu mês muito nerd, acabei de ler um artigo de Kay Dickinson analisando um videoclipe MUITO legal do Busta Rhymes: Gimme Some More, de 1997. O material foi dirigido pelo grande Hype Williams, um baita diretor que dirige clipes principalmente de artistas afro-americanos.



Eu adoro esse videoclipe porque ele satiriza o cartoon, porque é esteticamente criativo, porque é hiper bem editado e porque consegue fazer as imagens falarem ao som da música, ou seja, é bastante sinestésico.

A questão que me intrigou no artigo é que o principal argumento da autora afirma que este videoclipe é um ótimo exemplo de audiovisual que, através de uma "metáfora sinestésica", mostra "claramente" uma crítica à cultura racista que predomina até hoje nos Estados Unidos. Através de metáforas, diz a autora, vemos inicialmente um american way of life sendo transgredido. E os afro-americanos, que aparecem pouco em audiovisuais de maneira geral e sempre em papéis fixos e estereotipados, neste videoclipe são percebidos como personagens diferentes, engraçados e descolados.

Bem... aí eu fiquei pensando: se o videoclipe traz um monte de mensagem usando metáforas, como a gente pode afirmar que essas mensagens estão "claramente" presentes no vídeo? Tenho que confessar que até ler o artigo, eu não via neste videoclipe nada nesse sentido. A não ser, é claro, o fato de saber que Hype Williams é um lutador contra o preconceito racial.

Os argumentos são até legais para quem estuda videoclipe (a autora afirma, por exemplo, que a sinestesia pode também trazer algo de político, indo de encontro à principal crítica feita a ela), mas eu achei a argumentação um pouco forçada :/

Estarei eu sendo muito chata?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Releitura de "Velha a Fiar"


Não pude resistir... Ao ver o post da Ariane sobre "A Velha a fiar" me lembrei de um outro curta (ou videoclipe) inspirado nessa obra. Não, não estou falando da versão bacanérrima dos Trapalhões não. Estou falando de um curta apresentado no Festival Mix Brasil de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual em 2007 no Rio de Janeiro. Mais especificamente no Show do Gongo, noite mais concorrida do festival que conta com a mostra competitiva entre pequenos vídeos amadores e apresentado por Marisa Orth em sua melhor versão drag queen.

Nos últimos anos o Festival não tem ocorrido no Rio, mas continua rolando em São Paulo e passando por cidades como Belo Horizonte. Espero que em 2010 André Fischer (coordenador do evento) volte a produzi-lo aqui no Rio. Enquanto isso matamos a saudade com o que de melhor aconteceu no Festival.

Além de fazer uma homenagem a Humberto Mauro, "Drag a gozar" de Kiko Cesar reúne com propriedade todas as "personagens" da cena gay. Fui a essa noite do festival e vi a reação da platéia que, lógico, se identificou, riu e aplaudiu cada gíria usada e consagrou o vídeo como campeão da noite. Pra quem não é da cena talvez algumas piadas soem sem sentido, nesse caso vale pedir ajuda à um amigo entendido.

Humberto Mauro e o videoclipe

Uma das boas discussões que cercam o videoclipe é a história do seu surgimento. A gente sabe que, no fim das contas, tanto faz o primeiro clipe ter sido dos Beatles, do Queen, do Elvis (eu gosto muito de pensar no Queen, hehe), mas a busca pelo "primeiro" videoclipe da história sempre vale a pena, pois nos obriga a prestar atenção no processo histórico que consolidou o gênero.

Há algum tempo descobri, com alguns alunos de Linguagem de Videoclipe, que o cineasta Humberto Mauro pode estar ligado à história do videoclipe. Em 1964, ou seja, onze anos antes de o videoclipe começar a estourar, ele fez um curta-metragem com vários elementos que posteriormente o videoclipe abocanhou. De forma inédita no Brasil (pelo menos que eu saiba), o cineasta pegou uma música que já existia e a ilustrou com imagens. Trata-se do interessantíssimo "A Velha a Fiar":



Vários elementos da linguagem do videoclipe estão aí: a combinação das imagens com o ritmo musical executado pelo trio Irakitã, as imagens acompanhando a letra, a interdependência musical e imagética... A duração do curta - pouco mais de cinco minutos - se encaixa nos padrões da música massiva e nos do videoclipe também.

Muito legal, hein?