Já que o assunto são os melhores do ano, gostaria de eleger o Bonde do Rolê como a pior banda a ganhar notoriedade em 2007. O porquê da minha opinião? Outro dia, no chopp pós-coneco, discutíamos sobre a qualidade dos artistas desse novo “funk” feito fora do Rio e eu pronunciei em alto em bom som: “acho Bonde do Rolê um lixo, aquilo é funk falsificado". Como era de se esperar, na onda de toda essa discussão de hibridações, seguiu-se a resposta: "mas você acredita em autenticidade?" Sejamos então mais cuidadosos. Cresci ouvindo o tal funk feito na favela, que depois veio a contar com artistas como Tati Quebra Barraco e Serginho, pessoas sem conhecimento musical algum que berravam com uma voz rouca no microfone um monte de besteiras e sacanagens num tom irônico e que, misturado a possantes graves, conseguiam dar um sabor especial a samples e bases mais do conhecidas. Quando me deparei com o Bonde do Rolê e também o Bonde das Impostora o que foi que vi? Pessoas muito bem nascidas usando as mesmas bases e samples para ironizar o hype do mundinho dos clubs, povoado de áreas vips e celebridades. Nesse processo perdeu-se o que o funk tinha de mais interessante, seu lado visceral, tosco e sujo, que foi substituído por letrinhas que falam mal de faculdades de design e Dalto Trevisan. O resultado foi catastrófico e, sim, soou como uma falsificação e aburguesamento. Mesmo que a música esteja sempre em mutação e, por isso, falar em "raízes do funk" é algo meio complicado, não podemos esquecer que é impossível não discutir valor sem ter em mente certo modelo estético, e é isso que tomamos como "autentico". No caso do funk carioca, esse modelo foi, desde meados da década de 80 sendo construído nos bailes da favela, um espaço radicalmente diferente das boates de música eletrônica de classe alta. Assim, a comparação é inevitável e o choque inerente, para o bem e para o mal, neste caso, muito mais mal do que bem. É por isso que afirmo e reafirmo: Bonde do rolê é um lixo!
segunda-feira, 24 de dezembro de 2007
domingo, 23 de dezembro de 2007
Reveillon Eletrônico

Só prá começar, no dia da virada tem evento aberto na praia de Ipanema, trata-se da já tradicional Stereo Beach promovida pelo guaraná Antarctica. A jogação começa as 18h e de uma em uma hora os djs se revezam num panorama bem bacana de todas as vertentes musicais que rolam na cena eletrônica carioca com direito a Léo Janeiro, Patrícia Tribal, Jonas Rocha e mais. E lá na Barra também tem batida. Até as 24h o som fica por conta do samba carioca, mas depois da virada a dupla de dance music Above & Beyond e a atração do trance, Astrix, assumem as pick-ups no Posto 2 da praia do Pepê.
E tem festa em todo canto da cidade; o MAM abre as portas para o som de Marcelinho da Lua e o funk de Malboro. No Jockey Club a virada também é eletrônica, assim como no Pão de Açúcar, na Lagoa, no Forte Barão do Rio Branco em Niterói, todos com vários djs nacionais e internacionais.
Mas se a intenção é estender a festança de final de ano para além do dia 31, rola alguns circuitos já na próxima semana. Dia 28 uma das label-parties mais famosas desembarca no Rio; a Alegria acontece no Armazém 5 com o long-set do dj Abel. Dia 29 a Escola de Remo do Flamengo cede espaço pra a R:evolution Open Air (Vai ter até escola de samba, mas a atração fica por conta dos djs Fist e Twisted Dee ), Dia 30 a tradicional X-Demente toma conta do caldeirão da Fundição Progresso. No line-up temos o dj nova-iorquino Mike Cruz e o Frank Pelegrinno, além da prata da casa. Na The Week, uma das mais recentes (e luxuosas) boates da cidade tem festa durante todo o período de feriado inclusive no reveillon. É isso... e muito mais, pois não dá pra falar de tudo que acontece. Mas os links estão aí e quem se interessar pode buscar mais informações. Será que vou encontrar alguém do LabCULT numa dessas pistas? Feliz Ano Novo e vamos às pesquisas de campo... rs
sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
Queen in Rio 2008? Em show promovido por Nelson Mandela?
Gosto se discute!
Também acho que ajuda a ritualizar as passagens de ano. Isto fica, isto eu descarto...esta é uma boa maneira pra zerar o ano e criar forças pra começar tudo de nôvo. Por conta disto, vou entrar na brincadeirinha e eleger os livros de 2007 que merecem atenção, lançados em português - dentro da temática das nossas pesquisas. Na verdade, os três primeiros estão na minha lista de Papai Noel - ainda não li e quem sabe meu amigo oculto lê o blog... O item 10 não é livro - é um game, também objeto de desejo.
Infelizmente, na área de música, a vertente memorialista anda predomina. (nada contra as memórias...é só que eu gostaria de ver mais diversidade temática). Vamo lá:
1) Vale tudo - o som e afúria de Tim Maia - biografia do síndico, escrita pelo Nelson Motta para a editora Objetiva. Não tem como ser ruim: o personagem é hilário, o autor é sagaz, afetivo e sabe tudo de música. Imperdível.
2) Ouvindo estrelas - De Marco Mazzola . Outra biografia - a do produtor de meio mundo do pop brasileiro, desde os anos 70. No meio das memórias, há sempre alguma informação bacana sobre indústria fonográfica, produção, etc.
3) A síncope das idéias - A questão da tradição na MPB - de Marco Napolitano. O autor é sério, acadêmico, tem trabalhos muitos interessantes sobre música brasileira e a discussão sobre o gênero MPB ainda rende muita conversa.
4) Distinção - clássico do Pierre Bourdieu, que muita gente esperava há anos ser traduzida. Um tijolo de 80,00 reais, que vale o investimento para quem pesquisa valor, gosto, capital cultural. E pra quem leu Sarah Thornton e ficou interessado na referência.
5) Reinvenções da resistência juvenil - os estudos culturais e as micropolíticas do cotidiano - de João Freire Filho - Já comentei o livro aqui, em outro post. Ótima reflexão sobre a noção de sub-cultura - desde os estudos de Birminghan.
6) Lapa - Cidade da Música - de Miacel Herschmann - Análise do circuito de samba e choro da Lapa, que reúne informações sobre indústria fonográfica e afins. Muito bom.
7) Cultura Digital Trash - Vinicius Andrade Pereira (org) - Este é jabá...pois eu tenho um texto na coletânea. Mas, apesar disto, recomendo por conta do conjunto da discussão e da qualidades dos (outros) autores: Além do próprio Vinicius tem Erick Felinto, Alex Primo, Raquel Recuero, Henrique Antoun, André Lemos, Cristiano e Marsal (pesquisadores de games). Ainda que seja uma publicação deste finalzinho de ano, o lançamento oficial vai ser em janeiro e a gente divulga novamente.
8) Música nas veias - Zuza Homem de Mello - Memórias do autor, pesquisador envolvido com música desde os anos 50. Mais um da vertente memorialista...
9) A biografia de Bob Dylan - Não precisa explicar porquê, né?
10) Guitar Hero - Não, não é um livro, mas um game. E também está na minha lista wish list.
Agora, é abrir um vinho, pra esperar; e torcer pra Papai Noel ser blogueiro...
Ah! E Feliz Natal pra todos!!
segunda-feira, 17 de dezembro de 2007
As listas do fim de ano

Com o fim do ano se aproximando, revistas, sites e associações de artistas do mundo inteiro se debruçam sobre seus arquivos para eleger os destaques de 2007. A Rolling Stones por exemplo acaba de divulgar a lista das 100 melhores canções do ano com "Roc Boys" de Jay-Z, "Umbrella" de Rihanna, "Rehab" de Amy Winehouse entre as eleitas. Outra lista tradicional é aquela de discos mais vendidos. Dá prá adiantar que entre os investimentos mais bem sucedidos da indústria da música estão Fergie e aqui no Brasil Ivete Sangalo. O The Police, que passou por aqui esse ano, ficou com a turnê mais rentável de 2007; 212 milhões foram arrecadados. Veja a lista que tem deixado as gravadores com apetite. E em tempos de download a lista de álbuns e singles mais baixados virou quase uma... "necessidade". No iTunes dá prá ver a listinha completa com destaque para Mika, Kanye West e Maroon 5.
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
Festa!!

Festa dos programas de Pós em Comunicação, com discotecagem nossa - quase todos do LabCult (Marcelo, Marildo, Lucas, Heitor e eu); mais amigas da UFRJ.
No espaço Marun (Catete); 22 horas; 10,00 reais.
domingo, 9 de dezembro de 2007
Site Critical World - Thinking globalization trough music"
Outra dica - agora da minha aluna Marcela. Este site, bem interessante, qua abriga um projeto sobre "música e globalização" - Dep. de Antropologia, Univ de Montreal, Canadá.
Vejam a apresentação.
"Critical World is a virtual research laboratory that explores the relationship between globalization and music. As a web-based experiment in project-oriented teaching and research, Critical World provides resources for critical engagement with the products of global culture and creates a space for debate about the role of globalization in our everyday lives.
Critical World includes the participation of professors, researchers, students and artists from various cultural backgrounds and disciplinary perspectives. What brings them together in this forum is a common concern about the history and consequences of globalization and a common interest in music’s potential to reveal something about the worlds in which we live.
Critical World is based in the Department of Anthropology at the Université de Montréal, under the supervision of Professor Bob W. White. Critical World has been online since September 2004 and received funding from the Social Sciences and Humanities Research Council of Canada (SSHRC)."
Redes Sociais
Abaixo, a lista dos artigos:
JCMC Special Theme Issue on "Social Network Sites"
Guest Editors: danah boyd and Nicole Ellison
- "Social Network Sites: Definition, History, and Scholarship" by
danah boyd and Nicole Ellison
- "Signals in Social Supernets" by Judith Donath
- "Social Network Profiles as Taste Performances" by Hugo Liu
- "Whose Space? Differences Among Users and Non-Users of Social
Network Sites" by Eszter Hargittai
- "Cying for Me, Cying for Us: Relational Dialectics in a Korean
Social Network Site" by Kyung-Hee Kim and Haejin Yun
- "Public Discourse, Community Concerns, and Civic Engagement:
Exploring Black Social Networking Traditions on BlackPlanet.com" by Dara Byrne
- "Mobile Social Networks and Social Practice: A Case Study of
Dodgeball" by Lee Humphreys
- "Publicly Private and Privately Public: Social Networking on
YouTube" by Patricia Lange
quinta-feira, 6 de dezembro de 2007
iPodj - o novo som das pistas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007
Cena indie em Goiânia, Cuiabá, Palmas
Estive andando por aqueles lados - Goiás e Tocantins - nas férias; e pude testemunhar a óbvia força do sertanejo por lá. E a matéria compara: enquanto um show da dupla sertaneja Cristian e Ralf consegue atrair dez mil pessoas num único show, as 41 atrações do festival Noise atraíram nove mil.
Desta forma, acho bacana esta história de "subculturas" - olhaí a noção que discutimos quase o ano inteiro no grupo - que conseguem visibilidade para além da paisagem sonora hegemônica, nadando contra a maré e criando cenas locais fortes.
Ao mesmo tempo, isto nos remete à discussão que Hermano Vianna apresentou de forma pioneira ao discutir o funk carioca: de circuitos que se criam ao largo da grande indústria; sem nehuma "estratégia mercadológica" mais ampla. Vendendo mil discos por banda, atraindo um público que se amplia a cada show e tendo como mote a independência do eixo Rio-São Paulo, a diversidade musical tá garantida enquanto estes circuitos sobreviverem.
Para concluir o post, recomendo dois trabalhos sobre o assunto:
"Reinvenções da resistência juvenil" - de João Freire Filho - Mauad X, 2007 - Livro recém lançado do colega João Freire, que mapeia de forma muito competente a questão das "subculturas" nos campo dos estudos culturais. Bibliografia atualizadissima, bons argumentos - muito legal! Sobre este assunto, "subculturas e resistência", ver especialmente o cap I.
" Música, estilo de vida e produção midiática na cena indie carioca" - dissertação de mestrado defendida na ECO também em 2007, de Fernanda Marques Fernandes, orientanda do mesmo João. Participei da banca e achei o trabalho interessante. ( Não foi publicada, mas está disponível no formato dissertação.)
terça-feira, 4 de dezembro de 2007
Mais samba e mídia!
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007
Pick-ups no Cine Palácio

Estive ontem no Cine Palácio e pude assistir a uma combinação interessante de música eletrônica e cinema. Após exibição do filme “A de Amor”, comédia romântica bem “típica” e divertida, a produção do festival preparou um esquenta ali mesmo no hall de entrada com uma das melhores djs da cena carioca; Patrícia Tribal. O local ajudou; banheiros na cor roxa, espelhos por toda parte, fumaça e luz estroboscópica deixaram o Cine Palácio com cara de boate. E quem quiser ver como funciona a combinação pode comparecer nas próximas sessões que também contarão com “pocket-parties”.
Ah tá... excepcionalmente hoje não haverá a participação de djs, pois a noite é do “Show do Gongo”, mostra competitiva das mais aguardadas que reúne vídeos amadores e hilários de até 5 minutos de duração. Mas amanhã a música volta a dominar a sessão de cinema e a festa de encerramento do festival rola no Barman Club com a Alelux de Johnny Luxo e Alexandre Herchcovitch. Segue o link para a programação completa.
Parceria Acadêmica Brasil-Argentina
sábado, 1 de dezembro de 2007
I Mostra de Mídia e Música no Recife - Novo prazo
