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domingo, 10 de maio de 2009

Bajofondo - Pa´Bailar



| Confesso: sou apaixonado por músicas e compositores que criam rompendo com as classificações, com os limites estabelecidos, mesclando tempos históricos, gêneros, informações de distintos lugares. As mesclas culturais sempre me pareceram mais interessantes. A defesa do purismo, das origens primevas sempre estiveram em baixa em minha cotação do gosto pessoal. Não é por nada que em minha tese de doutorado resolvi analisar os anos 90, no Brasil e na Argentina, e me fixar em grupos e cantores que faziam (e continuam fazendo) canções que brincavam com fronteiras, rompendo-as para estabelecer diálogos com o outro, os vários outros que os rodeavam ou com os quais resolveram estabelecer contato. E fui entrando no mundo criativo de Divididos, Chico Science e Nação Zumbi, Zeca Baleiro, Los Redondos...

| Mas toda essa introdução na verdade é para falar do show do Bajofondo - Mar Dulce - que assisti no sábado, dia 09, no Vivo Rio. Já conhecia seu trabalho de CDs e também pela internet. As mesclas já começam pela formação: argentinos e uruguaios, alguns vivendo em seus países, outros, como é o caso do líder-fundador, Gustavo Santaolalla, vivendo em Los Ângeles. Começaram hibridando tango e música eletrônica, o chamado "eletrotango", em pegada muito próxima a já feita pelo Gothan Project. Mas não pararam por aí. Vieram os diálogos com músicos e sonoridades latino-americanas, como candombe, e passadas pelo rap e pelo hard rock.
Mas não quero fazer um histórico aqui, nem tampouco uma crítica formal. Quero sim falar da experiência que foi estar presente e participar do espetáculo.

| Cara, confesso que vi configurado no palco um pouco de tudo que havia estudado para minha tese: hibridação, tradução e reciclagem cultural. Entrei de cabeça na festa de sons (bandoneón, violino, bateria, sons programados em computador, toca-discos e outras parafernálias eletrônicas, mesclados hábil e criativamente), luzes e imagens. E sob a batuta de Santaolalla, o mesmo cara que havia entrado em contato inicialmente ao estudar o Rock Argentino, o líder da banda Arco Iris, uma das primeiras bandas do rock dos hermanos portenhos. Gustavo comandou a festa, músicos e público entraram no seu ritmo contagiante.

| E ainda teve a participação especialíssima de Dado Villa-Lobos e Bonfá, há séculos sem tocar juntos no palco, tocando e cantando "Índios" (meio mal, afinal cantar não é o forte de Dado, mas pouco importava naquele momento), com imagem de Renato Russo no telão.

| Foram três momentos perfeitamente interligados. Um primeiro, chamado por Gustavo de "Pesado", em cima de um som mais forte e grave ditado pela bateria e programações eletrônicas; o segundo, mais "Calmo", que incluiu a execução solo por Santaolalla de uma peça que ele fez para "Diários de Montocicleta. Por fim, "Pa´Bailar", parte final do show, e aí foi impossível ficar parado. Incitado pelos músicos, o público se soltou e parte dele, entre os quais me incluo, subiu no palco, e, literalmente, o Vivo Rio se transformou numa rave. Músicos e público integrados no palco, rompendo também aí os limites precisos e as fronteiras demarcadas. Veja um pouco do que foi isso no vídeo abaixo, que gravei enquanto dançava e invadia o palco. Nada normal, nada certinho, nada regrado, decididamente amador, mas que resgata um pouco do clima do espetáculo. Decididamente, como diz Charly García, "la alegría no es solo brasilera".
E depois do vídeo-dançante e totalmente amador, reproduzo um vídeo de "El Mareo", retirado do youtube, de uma das músicas que mais gosto dos caras.




terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Campus Party 2008

Terminou no último domingo, dia 17 de fevereiro, uma das maiores feiras de entretenimento digital do mundo, a Campus Party – 2008. Realizada no pavilhão Cecílio Matarazzo, no parque do Ibirapuera em São Paulo, o evento contou com 3.000 participantes, lotação máxima permitida no local. Durante seis dias, os inscritos puderam experimentar a principais novidades do mundo das novas tecnologias digitais, divididos em dez eixos temáticos de atividades - Astronomia, Criação, Desenvolvimento, Simulação, Robótica, Games, Modding, Software Livre, CampusBlog e Música. Munidos de seus computadores, os brasileiros que compareceram à Campus Party 2008 puderam participar de conferências, workshops, além jogar games como Crysis, call for Duty 4, Need for Speed conectados pela internet à jogadores de todas as partes do mundo.
Um fato curioso é que os inscritos podiam acampar nas dependências do pavilhão durante os seis dias do evento, além de poder curtir festas que tocam desde Axé Music às trilhas mais famosas do universo dos games.
Os 3.000 brasileiros que compareceram à edição 2008 da Campus Party tiveram a chance de participar de um evento singular, considerado uma da maiores experiências de entretenimento digital em rede do mundo. Uma pena que a data escolhida para o start – 11 de fevereiro, logo depois do carnaval – pegou de surpresa alguns gamers foliões e desprevenidos, como eu. Outro lamento é que o período de credenciamento, em janeiro, tenha passado despercebido diante dos meus olhos, afinal eu estava completamente envolvido com outro trabalho. Além disso, as 3.000 vagas oferecidas para participantes esgotaram-se rapidamente, um número muito pequeno em se tratando de um país com as dimensões do Brasil. Mas quem sabe não seremos contemplados com outra oportunidade destas, em breve? Para quem quiser saber mais detalhes o que de melhor aconteceu na Campus Party 2008 , basta clicar aqui.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Site Critical World - Thinking globalization trough music"

Outra dica - agora da minha aluna Marcela. Este site, bem interessante, qua abriga um projeto sobre "música e globalização" - Dep. de Antropologia, Univ de Montreal, Canadá.

Vejam a apresentação.

"Critical World is a virtual research laboratory that explores the relationship between globalization and music. As a web-based experiment in project-oriented teaching and research, Critical World provides resources for critical engagement with the products of global culture and creates a space for debate about the role of globalization in our everyday lives.

Critical World includes the participation of professors, researchers, students and artists from various cultural backgrounds and disciplinary perspectives. What brings them together in this forum is a common concern about the history and consequences of globalization and a common interest in music’s potential to reveal something about the worlds in which we live.

Critical World is based in the Department of Anthropology at the Université de Montréal, under the supervision of Professor Bob W. White. Critical World has been online since September 2004 and received funding from the Social Sciences and Humanities Research Council of Canada (SSHRC)."