quinta-feira, 30 de abril de 2009

Colóquio "Literatura e revolução - 35 anos do 25 de abril" na PUC-Rio


Pausa no diário das minhas recentes aventuras pela noite lisboeta para divulgar o Colóquio "Literatura e revolução - 35 anos do 25 de abril" promovido pela Cátedra Padre António Vieira de Estudos Portugueses do Departamento de Letras da PUC-Rio. O evento ocorre nos dias 5 e 6 de maio de 2009, no Auditório do CTC (Prédio Cardeal Leme, 11 andar). Maiores informações na Secretaria do Depto. de Letras, em (21) 3527-1770, através do email catedra@let.puc-rio.br ou no site www.letras.puc-rio.br/catedra. Clicando na imagem ao lado, ela fica maior e dá pra ver a programação em detalhes. It's a miracle, como dizia aquela cançãozinha do Queen!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Noites lisboetas #1 - o Dia da Grande Explosão



Ok, admito ser um sujeito que, dada a relativamente curta extensão da minha existência enquanto ser social, configura-se como um homem de poucos shows, mas dificilmente qualquer experiência musical a ser vivida por mim nos anos que me restam poderá sequer chegar perto do concerto devastador de Emir Kusturica e sua No Smoking Orchestra que rolou no Campo Pequeno (a antiga Praça de Touros de feições mouriscas bem no coração de Lisboa) naquela noite friorenta e chuvisquenta de 18 de abril. Se em CD ou mesmo no DVD as diatribes punk-balcânicas de Kusturica e sua entourage já são contagiantes – e caso isso ainda não tenha lhe ocorrido, baixe AGORA as trilhas dos filmes “Underground” e “Life is a miracle”, ou então o documentário “Memórias em super 8”, sobre a No Smoking Orchestra, todos dirigidos pelo próprio Kusturica – ao vivo a explosiva combinação de circo, virtuosismo e fanfarronice se traduz numa performance no mínimo inesquecível. No palco, Kusturica & co. são daqueles que lançam mão de todas as cartas altas numa mesma jogada, como se o show fosse durar apenas 15 minutos e em 15 minutos eles tivessem a obrigação moral de botar a casa abaixo.

De toda a banda, Kusturica é o que menos se destaca em termos de presença cênica - tirando o momento no qual empunha uma guitarra que, a certa altura, começa a girar como a hélice de um helicóptero e a emitir luzes multicoloridas, ou ainda quando duela com o violinista da No Smoking Orchestra, esfregando seu instrumento (ôpa!) contra um arco de violino gigante que mais parece uma vara de salto olímpico. O cineasta e dublê de guitar hero, contudo, é o maestro regente de um exército de Brancaleone musical capaz de aglutinar uma figura mais bizarra do que a outra: um saxofonista feio de dar pena, um baixista que é a cara do Chimbinha da banda Calypso sem as luzes no cabelo, e um segundo guitarrista que, como bem definiu o labcultiano Zé Cláudio (meu parceiro nesta nau dos insensatos) é uma espécie de “Slash from Transylvania”. Isso para não falar do inacreditável vocalista da NSO, que usa uma collant azul de wrestler mexicano com asas de morcego debaixo dos braços e parece ser especialmente tarado por convocar moçoilas da platéia e ficar se esfregando nelas em cima do palco, o que lá pelas tantas produz um efeito bastante suspeito debaixo do collant, fenômeno que ele disfarça mui apropriadamente mostrando a bunda para a audiência e balançando a pança.

Aliás, os momentos nos quais a platéia feminina era convocada a subir pro palco foram inúmeros: invasões de raparigas lisboetas doidas por perder a linha eram constantes. Nesse quesito, Iggy Pop e os Stooges no Claro que é Rock de 2005 perdem feio em termos de anarquia performática. A cada insanidade cometida pela banda (não foram poucas), a audiência reagia ensandecida, formando rodas de pogo, fazendo mosh e demonstrando por a+b que, pelo menos no que tange às platéias portuguesas, esse papo de frieza européia merece ser relativizado. Tanta euforia me fez temer por uma série de coisas, desde a simples manutenção dos itens que carregava no meu bolso (carteira, passaporte, máquina fotográfica) até, no momento mais extremo da festa, pelo meu próprio status de bípede dotado de consciência motora.

Tendo levado um par de apalpadelas na bunda durante “Devil in the business class”, daquelas que você dá graças a Deus por não identificar a autoria pois o meio circundante não parecia lá muito animador, e suado feito um retirante, saí do Campo Pequeno naquela noite com a sensação de que (1) havia visto uma apresentação antológica, (2) o Rio de Janeiro precisa de um show desses urgentemente e (3) que o show tem tudo para ser um sucesso desde que (a) o comentário sobre Maradona ser o maior jogador de futebol de todos os tempos seja suprimido ou ganhe uma corzinha local (Kusturica acabou de dirigir um documentário sobre a, errrr, carreira do craque argentino) e (b) a piada “quem é melhor, Benfica ou Sporting?” não seja adaptada para “Flamengo ou Fluminense?”, sob o risco de o Maracanã, a Apoteose, o Citibank Hall ou onde quer que o show aconteça se transforme numa praça de guerra, bem ao gosto da galera dos Bálcãs.

Nota sobre (a falta de) fotos do concerto: não sei se em virtude da baixa resolução da minha câmera, se o chão do Campo Pequeno estava tremendo ou se por inépcia minha mesmo, o fato é que 98% das fotos que tirei, ou tentei tirar, do concerto de Kusturica ficaram uma grandessíssima bosta. Salvaram-se apenas os 2% aí do lado – e deixando a modéstia muito de lado, que 2% abençoados foram esses, eh?

domingo, 26 de abril de 2009

I Workshop Realidade Sintética de Jogos Eletrônicos, Comunicação e Cultura

É com muito prazer que posto aqui no Blog a programação do I Workshop promovido pelo Realidade Sintetica - cooperativa de pesquisadores em games, da qual sou integrante. O evento acontece nesta semana e representa o primeiro passo do grupo para atingir seu principal objetivo: sedimentar a linha de pesquisa em games, no Brasil. Em seguida, a nossa intenção é elaborar novos cursos e oferecê-los em outras esferas.
O Realidade Sintética é uma iniciativa do colega Thiago Falcão (mestrado/UFBA) de reunir os pesquisadores em games do Brsil em um mesmo ambiente, incentivando um debate para integrar e divulgar nossas pesquisas. Hoje, a cooperativa conta com integrantes de todos os lugares do Brasil, dentre eles dois labcultianos - além de mim, a Fernanda Costa e Silva - e até mesmo do exterior.
A programação completa do workshop poder ser acessada aqui e as inscrições são gratuitas, através do telefone 71-3283-6186 e do email facomgames@gmail.com


De 28 a 30 de abril, o Petcom – Programa de Educação Tutorial da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia – promove o I Workshop Realidade Sintética de Jogos Eletrônicos, Comunicação e Cultura.

Na composição do evento, que será ministrado por alunos do Grupo de Pesquisas em Cibercidades (GPC), sob a coordenação do Prof. Dr. André Lemos e do Grupo de Pesquisa Laboratório de Análise Fílmica, coordenado pelo Prof. Dr. Wilson Gomes, ambos pertencentes ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura Contemporânea (Poscom) da Faculdade de Comunicação da UFBA, serão cobertos tópicos introdutórios referente ao design e à análise dos jogos eletrônicos, além de trazer à tona questionamentos sobre os diferentes estilos e classificações de games e sua relação com o campo da Comunicação Social.

O curso é direcionado para estudantes e profissionais, além de, como cortesia das instituições mencionadas, ser gratuito. Para se inscrever no evento, que será realizado no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA, basta enviar nome completo e RG para o email facomgames@gmail.com. As vagas são limitadas.

Local: Auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA.
Data: 28 a 30 de abril de 2009.
Horário: 13h30 às 18h

Programação

Terça-feira (28)

Módulo I - Panorama Histórico dos Videogames
13:30 as 15:30
Prof. Thiago Falcão (GPC/POSCOM/UFBA)

Módulo II - Introdução ao Videogame Design
16:00 as 18:00
Prof. Paolo Bruni (Laboratório de Análise Fílmica/POSCOM/UFBA)

Quarta-feira (29)

Módulo III - Introdução aos Ubigames
13:30 as 15:30
Prof. Luiz Adolfo de Andrade (GPC/POSCOM/UFBA)

Módulo IV - Videogames e Indústria Cultural
16:00 as 18:00
Prof. Paolo Bruni (Laboratório de Análise Fílmica/POSCOM/UFBA)

Quinta-feira (30)

Módulo V - Jogos em Rede e Estruturas Sociais
13:30 as 15:30
Prof. Thiago Falcão (GPC/POSCOM/UFBA)

Módulo VI - Etapas de Criação de um Alternate Reality Game
16:00 as 18:00
Prof. Luiz Adolfo de Andrade (GPC/POSCOM/UFBA)

Umberto Eco e as mídias de armazenamento

Roubei esta dica do Zé Claudio, meu aluno no curso de Sound Studies e labcultiano convidado. É uma discussão do Umberto Eco sobre a efemeridade dos suportes técnicos para armazenamento de informação. No texto, ele comenta que o livro ainda é o que se deteriora com menos velocidade...será?
Não tenho conhecimento técnico pra contra-argumentar, mas o que a gente ouve falar é que o plástico se deteriora com menos velocidade - então eu apostaria no vinil ou no CD como suporte mais "duradouros", ainda que menos ecológicos.
Por outro lado, também é interessante pensar que o livro em papel, na época da invenção da impressão lá por volta do século XV, era temido por ser menos duradouro do que os pergaminhos. (esta discussão está no livro da Elisabeth Eisenstein sobre " A revolução da cultura impressa"). O que demonstra que há sempre um componente cultural nesta avaliação supostamente técnica dos suportes.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Drama interativo em defesa

A próxima segunda feira promete! Pois, se à noite a boa é o evento sobre Arte e Entretenimento que recomendei no outro post, pela manhã também tem debate bacana sobre (quase) o mesmo tema. É que minha querida orientanda e labcultiana Fernanda de Souza Lima da Costa e Silva defende a tese de doutorado dela na UFF, intitulada "Drama interativo: a performance da narrativa no meio digital". Além de mim, estarão na banca Suely Fragoso (Unisinos), Marco Silva (UERJ), Fernando Resende (UFF) e Afonso Albuquerque (UFF). Às 10 horas da manhã, no PPGCOM -UFF (Rua Tiradentes, 148) e estão todos convidados.

Debate - Fronteiras entre arte, tecnologias e entretenimento

Este não dá para perder!É o segundo encontro da série Consórcio do Entretenimento. O primeiro, com Roberto da Matta, foi muito legal. E o da próxima segunda-feira - com o título de"Arte, Tecnologia e Entretenimento", toca em questões ainda mais próximas de nossos interesses de pesquisa. Um evento top! E de graça, meu povo, de graça!!
Confiram as informações no release, divulguem a apareçam.

"A ESPM-RJ, através do PANMEDIALAB - Laboratório da ESPM de Pesquisas e Análises em Mídias, Entretenimento, Design e Intervenções Artísticas, e o Globo Universidade realizam na segunda-feira, dia 27 de abril, as 19 horas, a 2ª edição do ciclo de debates do Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea, coordenado por Vinicius Andrade Pereira.

O tema deste mês é “Fronteiras entre Artes, Tecnologias e Entretenimento” e terá como convidada especial Machiko Kusahara, professora da Universidade de Waseda, em Tóquio, no Japão, e da Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos. Consagrada curadora de mostras de arte digital, esteve envolvida em projetos importantes como a fundação do Tokyo Metropolitan Museum of Photography.

Entre os debatedores, Cora Rónai, jornalista e colunista do Jornal O Globo e umas das primeiras a escrever sobre tecnologia no Brasil, referência em sua área de atuação; André Parente, professor da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), coordenador do núcleo de Tecnologia da Imagem e pesquisador de audiovisual e de novas tecnologias da imagem; e Erick Felinto, professor de pós-graduação em Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e autor de vários livros sobre cibercultura.

Machiko Kusahara é professora na Universidade Waseda, em Tóquio, no Japão, e professora visitante na Universidade da Califórnia (UCLA), nos Estados Unidos. É curadora de mostras de arte digital desde 1985 e esteve envolvida em projetos importantes como a Fundação do Tokyo Metropolitan Museum of Photography e The Intercommunication Center of Tokyo (ICC). Suas pesquisas, de caráter interdisciplinar, conectam campos distintos como arte, ciências, tecnologias, cultura, sociologia e história. Suas publicações mais recentes incluem análises da cultura visual japonesa em uma larga perspectiva histórica, indo desde as técnicas e dispositivos visuais pré-cinema, como as lanternas mágicas e os panoramas, até a contemporaneidade, como a Device Art. A abordagem sensível presente nas investigações de Machiko Kusahara acaba por nos revelar como são tênues as fronteiras entre arte, tecnologia e entretenimento.Informações e inscrições - Consórcio de Entretenimento e Cultura Contemporânea sob o tema Artes, Tecnologias e Entretenimento."

Dia 27 de abril, segunda-feira, às 19h. Oi Casa Grande: Avenida Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon. Rio de Janeiro

Entrada franca mediante inscrições no site www.espm.br. Mais informações pelo telefone (21) 3523-2323

quinta-feira, 23 de abril de 2009

As modelos no "Brazil"

Calma, calma. Eu não enlouqueci e, de repente, achei que o LabCULT era um blog de moda. O post tem mais a ver com a minha obsessão por reality shows. Vocês conhecem o America's Next Top Model? É um reality no estilo BB (mas sem votação) para escolher a - duh! - próxima grande modelo dos EUA. O programa já passou das 10 temporadas e todo ano, as modelos, junto a mestre de cerimônias Tyra Banks e sua equipe de jurados vão para um país estrangeiro terminar a competição. Na temporada atual, o país escolhido foi o Brasil. Foi um festival de sotaques estranhos, samba com cara de salsa e frutas na cabeça. Coisas corriqueiras por aqui, né? - NOT! Como achei que a abordagem beirava o exótico, resolvi postar aqui para ver o que vocês acham.



O que você achou?

( ) Bizarro
( ) Embaraçoso (para a equipe do programa)
( ) Outra opinião?

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Dica de Agenda pra hoje!

O próximo Cachaça Cinema Clube, dia 22 de abril de 2009, vai ter uma sessão em homenagem aos 40 anos do curso de Cinema da UFF. O Cachaça é nascido e criado na UFF, assim como tantos profissionais, artistas, técnicos, teóricos e entusiastas do cinema brasileiro que também estudaram e lecionaram por lá. No programa, filmes que simbolizam a experiência que é própria ao cinema universitário, um espaço livre para a ousadia e experimentação, para erros e acertos, para as investigações autorais e para as criações coletivas.


Terral, de Eduardo Nunes, é um clássico do formato curta que ganhou cerca de 18 prêmios ao redor do mundo, e terá, quase 15 anos depois, a sua primeira exibição no cinema Odeon. Um sol alaranjado, de Eduardo Valente, entrou para o seleto grupo dos filmes brasileiros premiados no Festival de Cannes ao ganhar o prêmio da Cinéfondation, em 2002. O combustível do futuro, de Gustavo Cascon, é um filme obrigatório para se conhecer a filmografia da UFF, uma chanchada policial estrelada por Wilson Grey, professores e funcionários do curso. O vestido dourado, filme de direção coletiva, é um conto de fadas gay estrelado por Rogéria, Silvia Aderne, Erik Marmo e grande elenco. Gangorra, de Christian Borges, é outro clássico da UFF, um filminho que Godard gostaria muito de ver. O princípio femino do sol é uma produção mitológica do Núcleo Patrícia Bárbara, que deixa bem claro ao mundo a alegria com que foi feito.E ainda filmes surpresas, criações coletivas esquecidas nos arquivos. Se você é um dinossauro da UFF, corre o risco de ver aquele primeiro filme que você fez ressuscitado na tela.


Após os filmes, degustação da Aguardente Claudionor, cachaça mineira eleita entre as cinco melhores do Brasil, e a tradicional festa com DJ H, o hit-killer residente. E, ainda, show com o eletro-punk de Voz del Fuego . Leandra Lambert, também ex-aluna da UFF, é a mulher por trás deste projeto de música eletrônica: liberdade sonora, introspecções delirantes, rompantes hilários, dionisos amorosos e aquelas luzes dançando, lá no alto.


Dia 22 de abril de 2009, às 21h, no Cinema Odeon Petrobras.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Che Twittando com Alex e Raquel

Alex Primo e Raquel Recuero, dois queridos aqui da galera do LabCult, dando declarações para o Jornal gaúcho Zero Hora sobre o Twitter como ferramenta para redes sociais. Confiram aqui.
Aliás, já tava inscrita mas só percebi a graça do Twitter esta semana, por conta de uma amiga hilária que me contou como ela usa a ferramenta pra resmungar. Taí, acho que a principal função do Twitter é pra resmungos, desabafos e afins.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

DJ do próprio funeral

Tava lendo no RioFanzine sobre a compilação Final Song #1, da gravadora alemã Get Physical. Do que se trata? De uma coletânea onde 13 Djs e produtores escolhem a música que gostariam que tocar no próprio funeral. Macabro? Não acho, não. Imagine só - todos os amigos reunidos (assim a gente espera!!), sem ter muito o que dizer (é sempre assim) . Então, uma trilha sonora que tenha a cara do morto ajuda a passar o tempo. Como sou mineira e lá a tradição é a de ter uma cachacinha nos velórios, aí a festa já fica legal.
Tive dificuldade em escolher a música pra esta ocasião. Tem muitas.E música depende do mood - será que na hora da morte estarei mais pra alegrinha ou pra deprê? Mas, de cara, eu acho que ficaria com três:
Sonífera Ilha - dos Titãs. Nao posso ouvir a introdução desta música que paro o que estiver fazendo e danço. Por esta razão, valeria tentar junto ao caixão.
Barracão - Na gravação de Elizeth Cardoso e Jacob do Bandolim. A música brasileira mais linda de todos os tempos. (em especial o solo do bandolim do Jacob)
Sympathy for the Devil - Stones. Não precisa explicar a piada, né?

E você? Que música escolheria para dar tchau pra esta vidinha? Conta aí nos comentários.

domingo, 19 de abril de 2009

Proibidão para o Rei!


Para comemorar o aniversário do Rei, hoje, não tem outra dica: leiam o livro do Paulo Cesar Araújo - sim, o proibidão. Dá pra achar online este que é um dos livros mais inteligentes e sensíveis sobre a história da música brasileira. E que foi - ainda fico pasma com isto até hoje - cen-su-ra-do e retirado das lojas pela justiça, por força da causa ganha pelo Rei. (Fala sério!!)

Então, minha homenagem a Roberto Carlos é a transcrição de um parágrafo do livro, que comprei antes da proibição e guardo como relíquia.

Ele tá falando do impacto da música "Quero que vá tudo pro inferno", no Brasil de 1965.

"Esta é uma das mais importantes canções produzidas no Brasil. Nesse sentido, ela bem poderia ser o outro lado de um disco com Chega de Saudade, de Tom e Vinicius, na versão bossa-nova de João Gilberto. As duas canções ganharam projeção histórica e são marcos referenciais de movimentos musicais. E ambas são ainda mais emblemáticas porque, enquanto a gravação de João Gilberto resultou na canção de maior impacto estético da história da MPB, a de Roberto Carlos foi certamente a de maior impacto social.

Pode-se dizer que, naquele ano de 1965, o rock'n'roll ganhou três grandes temas: Help!, dos Beatles, Satisfaction, dos Rolling Stones e Quero que vá tudo pro inferno, de Roberto Carlos - que só não alcançou a mesma visibilidade das outras duas porque foi composta e gravada em português. Não se enganem: qualquer banda de rock da época teria incendiado o mundo com a gravação de I want that everything goes to hell. Ela é a tào rock'n'roll quanto Help! ou Satisfaction!"

(in: Roberto Carlos em detalhes - de Paulo Cesar de Araujo, São Paulo, Editora Planeta, 2006).

Acho a observação do autor genial e concordo inteiramente. Assim, desejo vida longa para o Rei. Com um pouquinho menos de TOC. E mais respeito por caras como o Paulo Cesar, que fez um trabalho tão bacana!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Recordações do Quarto Big


Eh, pá!

Parafraseando Hemingway, Lisboa (em abril) é sempre uma festa. Escrevo novamente do interior do meu quarto na Pensão Globo (Bairro Alto), singelamente apelidado de Quarto Big Boss – na verdade, um microespaço de 2x2 cujo banheiro consegue ser maior do que o quarto como um todo, mas que me permite conciliar a privacidade de um hotel com o preço de um albergue (na alta temporada, o Big Boss custa 20 euros, e eu desafio qualquer um a me indicar um hotel ou pensão lisboeta com preço semelhante).

O Lusocom chegou ao fim, o Sopcom se encerra amanhã, com uma palestra de Homi Bhabha que promete ser ultradisputada. Na medida do possível, em se tratando de um evento acadêmico super inchado, tipo Intercom, meu balanço do Lusocom foi positivo. A malta da UFF arrasou, e eu ainda tive a oportunidade de conhecer o Pedro Nunes, que tem um trabalho legal sobre o jornalismo pop/rock em Portugal e que promete ser um parceiro bem bacana daqui pra frente, inclusive no que diz respeito aos meus planos sórdidos de articular pesquisadores de música popular midiática do Brasil e de Portugal em torno de um evento que aconteceria no segundo semestre. Mais sobre isso, quando eu regressar...

Hoje tirei o dia para vasculhar os alfarrábios de LX à cata de livros para mim e para a Primeira Dama. Não encontrei muita coisa, mas acidentalmente esbarrei com a Louie Louie, uma loja de discos ultrahype situada nas imediações do Teatro da Trindade, no Chiado. A Louie Louie, bem como outras lojas de orientação semelhante, participarão no próximo sábado (dia 18) de um evento que promete: o Dia Internacional das Lojas de Discos Independentes. Rolarão descontos, DJ sets e pocket shows de nomes da nova cena musical lisboeta como Aquaparque, Macacos do Chinês e B Fachada.

Enquanto isso, vou preenchendo a agenda: hoje tem Sergio Godinho, JP Simões e Couple Coffee (que promove um diálogo muito legal com a música brasileira) no Music Box do Cais do Sodré, dando início às comemorações dos 35 anos da Revolução dos Cravos; amanhã (sexta, 17), a boa é JP Simões again e de graça na Galeria Zé dos Bois; no sábado, dou um tempo no trabalho de campo (rsrsrs) para conferir Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra no Campo Pequeno; já no domingo, rola show gratuito de Jorge Palma em comemoração aos 3 anos de existência do Casino Lisboa (perto do Parque das Nações).

E isso é apenas o começo, pois na quinta, dia 23, começa o Festival Indie Lisboa de cinema, ocupando espaços como o belíssimo Cinema São Jorge e o Londres. Já na sexta, será dia de cruzar o Tejo para conferir Xutos & Pontapés de graça no Seixal, espetáculo que promete ser uma experiência e tanto - para além dos motivos afetivos que me ligam à banda, pois foi depois de ouvir “O homem do leme”, durante a microtransmissão da Rede Globo do Rock in Rio Lisboa de 2004, que o meu atual projeto de pesquisa de alguma forma nasceu.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Uma paixão em vinil

Havia comentado com Simone sobre um documentário que trata do consumo de música em discos de vinil. Pensei em exibí-lo na aula de Quinta, mas devido a qualidade do meu arquivo, achei mais bacana postar aqui no blog. Segue então as duas partes desse documentário super divertido e informativo chamado "AResistência do Vinil" do músico e cineasta mineiro Eduardo Castro.












PREMIAÇÕES
Melhor curta goiano no Goiânia Mostra Curta - Outubro de 2005
Melhor direção de curtas no Festcine em Goiânia - Novembro de 2005
Vencedor do Doc TV Goyas em Goiânia – Dezembro de 2005
Melhor curta por indicação do júri popular do 13º Festival de Cuiabá – Abril de
HonrosaChico – Festival de Palmas-To

terça-feira, 14 de abril de 2009

Só para lembrar!!

É com muito orgulho e alegria que convido a todos para a defesa da dissertação do meu orientando Marcelo Garson, intitulada "Quem é o melhor DJ do mundo? Disputas simbólicas na cena de música eletrônica.". Amanhã, quarta-feira, às 15 horas, no PPGCOM UFF (Rua Lara Vilela, 126, Ingá, Niterói).
A banca será composta pelos colegas Silvia Borelli (PUC-SP), João Freire Filho (UFRJ) e Ana Lucia Enne (UFF), sob a minha presidência.

Im-per-dí-vel!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Revista acadêmica sobre tecnologias móveis

A dica é do André Lemos. Está online o segundo número da revista canadense "Wi. The Journal of Mobile Media", no endereço http://wi.hexagram.ca. A edição é dedicada a discutir o rádio como tecnologia móvel. Confiram! Só passei os olhos mas me pareceu bem legal.

Bem... ainda é cedo pra desejar muitos chocolatinhos deliciosos de Páscoa pra vocês, mas como vou dar uma fugida pra Minas a partir de amanhã - e não tenho banda larga por lá - desejo a todos um ótimo feriado.

Sem passaporte não dá!

Dizer que o Roberto Leal é bizarro, que suas músicas possuem arranjos toscos e que aquele cabelo cor de ovo em fim de feira é o que há de pior no universo (ainda mais de uns anos pra cá, quando ao cabelo cor de ovo em fim de feira foram acrescidas inúmeras plásticas faciais que deixaram o cantor a cara da Glória Menezes) é que nem bater em cachorro manco. Parece fácil atribuir ao intérprete de “Arrebita”, “Fata morgana” e inúmeras pérolas onipresentes na TV brasileira durante boa parte dos anos 80, a culpa pela imagem estereotipada que conservamos de Portugal e da cultura portuguesa, sobretudo no que diz respeito à música. O desafio, ao meu ver, está em se tentar enxergar não apenas a obra de Roberto Leal, como a de outros artistas vinculados ao que se convencionou chamar de nacional-cançonetismo, para além da (suposta falta de) qualidade estética de suas canções, considerando a relevância sociocultural que tais artefatos podem possuir para determinados públicos – pensemos, por exemplo, nos migrantes que vieram d’Além-Mar para o Brasil nos anos 50 e 60 e que, em alguma medida, se identificam com o Portugal idílico, devoto, repleto de aldeias bucólicas e saudades inconfessas manifesto em boa parte dessas músicas.

Poucas canções são tão paradigmáticas nesse sentido quanto “Português sem passaporte”, cujo videoclipe (!?) segue abaixo a título de ilustração – e também para dar aquela desopilada básica no fígado, por que não? A letra exalta as virtudes do “povo navegante” que, por estar em constante deslocamento pelo globo, seria uma espécie de cidadão do mundo, capaz de assumir um pouco da identidade de cada lugar por onde passa. O que eu acho mais genial nessa música é como ela consegue reunir, de forma hiperbólica, várias “marcas identitárias” lusitanas – construções de sentido percebidas como dado essencial e natural – tais como a forte religiosidade (“Nossa Senhora reza do azulejo, eu te protejo, bom português”), o apego melancólico ao passado (“Tu tens na cara um sorriso triste/E quem resiste a esse teu olhar/Que às vezes fala de uma saudade/De outro tempo ou de algum lugar”) e a honradez na pobreza (“E mesmo pobre, quando pões a mesa/Pões a fartura de tudo o que tens”), tudo isso em uma dúzia de versos!



As conexões entre o imaginário nacional-cançonetista, a consolidação de uma imagem Portugal enquanto destino turístico e as representações hegemônicas da cultura portuguesa no Brasil são o tema do paper que apresentarei no 8º. LUSOCOM, a ser realizado na cidade de Lisboa nos próximos dias 14 e 15 de abril. O evento, sediado pela Universidade Lusófona, é parte de um super-pacote de congressos de temática lusófona e ibérica que vai do dia 14 a 18 de abril e também compreende o 6º. SOPCOM e o 4º. IBÉRICO, além do II Colóquio Portugal-Brasil, cujo primeiro encontro rolou no Intercom do ano passado. Fico na capital portuguesa até o dia 26 de abril, pois por nada no mundo perderia a chance de estar em Lisboa durante as comemorações pelos 35 anos da Revolução dos Cravos, no dia 25. E um dia antes, no Seixal (distante uns 20 km do centro de LX), rola concerto gratuito dos Xutos & Pontapés. É ou não é – como se diz em Portugal – “a não perder”?

Até a volta ou em edições extraordinárias, de Lisboa!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Samba e tecnologia no programa de rádio "Feijoada Completa"

No semestre passado, conheci, na disciplina Pesquisas Urbanas (IFCS/UFRJ), o Luiz Anselmo, que desenvolve uma pesquisa - um pouco etnográfica, um pouco histórica - sobre samba, tendo como objeto a Beija Flor de Nilópolis. O Luiz Anselmo e dois amigos são responsáveis pelo programa "Feijoada Completa", veiculado todos os sábados na rádio comunitária Mirandela FM (105,9), também de Nilópolis, e pela internet. Os programas são sempre temáticos e o de amanhã falará sobre a presença das tecnologias de comunicação nas letras de samba. Seguem as informações enviadas pelos produtores:

O nosso próximo programa vai mostrar como que os sambistas estão sempre "antenados" nas inovações tecnológicas. Parabólica, celular, internet, invenções de outros tempos... Fiquem ligadinhos e participem do Feijoada Completa utilizando os mais novos recursos eletrônicos a serviço do Samba.

Um forte abraço,Luiz, André e Marcelo

Transmissão pela Internet http://www.radiomirandela.fm5.com.br/

DIA E HORÁRIO: Aos sábados, das 16:00 às 17:30.

- OBSERVAÇÃO: Inicialmente, o acesso está restrito a vinte pessoas, e quem nãopossui banda larga talvez encontre dificuldadades para acessar. A idéia érealmente tornar o acesso irrestrito, em breve, oferecendo por enquanto apenasum “aperitivo” como teste.

- SOBRE O PROGRAMA FEIJOADA COMPLETA: O nome convidativo acabou se tornando umahomenagem ao nosso queridíssimo Chico Buarque de Hollanda. Os apresentadoresnão são radialistas profissionais e muito menos sambistas, porém, ao longo dequase um ano até que estamos pegando o jeito da coisa, principalmente por contade sugestões dos nossos ouvintes e colaboradores. Temos o costume de trazer aoprograma importantes compositores da Baixada Fluminense, além de outras pessoasinteressantes ligadas ao campo da cultura. Nossa dinâmica se baseia na escolhade um tema específico tratado pelos sambistas em letra e música, como porexemplo, “Samba e Religião”, “Samba e Meios de Transporte”, “Samba e Mar”,“Samba e Mulher”, e por aí vai.

No Orkut, encontram-se as comunidades da rádio e do programa:
- “Rádio Mirandela FM 105,9”
- “Programa Feijoada Completa”

E tem o MSN e o telefone da rádio para nos comunicarmos durante as transmissões:
-
radiomirandelafm@hotmail.com
- tel.: 2791-1030

quarta-feira, 1 de abril de 2009

PORTAL SAGE

Acabo de receber isso aqui. Então parece que podemos acessar novamente o Portal. Confesso que tive algumas dificuldades por lá (pois nem todos os artigos estavam disponíveis), mas quem sabe agora?


Free Online Access to all SAGE Journals until April 30, 2009Get email alerts!
Dear Heitor Silva,



As someone who has previously registered for a trial of an online journal published by SAGE, we wanted to let you know about our current free access period on SAGE Journals Online. You can now register for free online access to more than 500 SAGE journals with content available from 1999-current until April 30, 2009!


The SAGE Journals Online platform provides users access to one of the largest and most powerful collections of business, humanities, social sciences, and science, technical, and medical content in the world. SAGE is also the world's leading publisher of research methods and during the trial you will be able to search more than 25 research methods journals--from qualitative, quantitative, and mixed methods to evaluation.


You already have an account set up so all you need to do is activate this trial on your SAGE Journals Online account.

Quem é o dono de Carol Bela?

A dica do dia é o artigo "Proces Sonic: o lugar da autoria na música eletrônica", publicado na Revista 4o4NotFound, n. 7o, do Grupo de Ciberpesquisa coordenado pelo colega André Lemos, na UFba.
O artigo analisa a discussão em torno da autoria, utilizando a versão drum and bass de Marky e Xerxes para a música Carol Bela, do BenJor - no tempo em que ele se chamava Jorge Ben.
Uma boa discussão, tocando em pontos que já debatemos muito aqui no LabCult.