Para comemorar o aniversário do Rei, hoje, não tem outra dica: leiam o livro do Paulo Cesar Araújo - sim, o proibidão. Dá pra achar online este que é um dos livros mais inteligentes e sensíveis sobre a história da música brasileira. E que foi - ainda fico pasma com isto até hoje - cen-su-ra-do e retirado das lojas pela justiça, por força da causa ganha pelo Rei. (Fala sério!!)
Então, minha homenagem a Roberto Carlos é a transcrição de um parágrafo do livro, que comprei antes da proibição e guardo como relíquia.
Ele tá falando do impacto da música "Quero que vá tudo pro inferno", no Brasil de 1965.
"Esta é uma das mais importantes canções produzidas no Brasil. Nesse sentido, ela bem poderia ser o outro lado de um disco com Chega de Saudade, de Tom e Vinicius, na versão bossa-nova de João Gilberto. As duas canções ganharam projeção histórica e são marcos referenciais de movimentos musicais. E ambas são ainda mais emblemáticas porque, enquanto a gravação de João Gilberto resultou na canção de maior impacto estético da história da MPB, a de Roberto Carlos foi certamente a de maior impacto social.
Pode-se dizer que, naquele ano de 1965, o rock'n'roll ganhou três grandes temas: Help!, dos Beatles, Satisfaction, dos Rolling Stones e Quero que vá tudo pro inferno, de Roberto Carlos - que só não alcançou a mesma visibilidade das outras duas porque foi composta e gravada em português. Não se enganem: qualquer banda de rock da época teria incendiado o mundo com a gravação de I want that everything goes to hell. Ela é a tào rock'n'roll quanto Help! ou Satisfaction!"
(in: Roberto Carlos em detalhes - de Paulo Cesar de Araujo, São Paulo, Editora Planeta, 2006).
Acho a observação do autor genial e concordo inteiramente. Assim, desejo vida longa para o Rei. Com um pouquinho menos de TOC. E mais respeito por caras como o Paulo Cesar, que fez um trabalho tão bacana!
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