terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Path - rede social para os mais chegados?

Em meio a tantas discussões sobre o excesso de visibilidade nos sites de redes sociais, foi criado um aplicativo chamado Path (valeu pela dica, Heitor! ;) ), que tem como principal função o compartilhamento de fotos e vídeos e a troca de mensagens somente entre pessoas que se conhecem e são realmente próximas umas das outras.

O app (que é gratuito, by the way, e pode ser baixado aqui, e serve tanto para celulares que usam o sistema Android quanto para Iphone) permite que cada usuário tenha até o máximo de 50 pessoas em sua lista de conexões, baseando-se na ideia de que é difícil uma pessoa ter mais de 50 amigos "de verdade", ou seja, pessoas com quem é capaz de manter laços fortes, que demandam esforço e disponibilidade.


É uma proposta até interessante, mas será que vai "pegar"? Fora questões de interface e usabilidade, a ideia mesmo da coisa me parece ir radicalmente contra a grande vantagem dos sites de redes sociais, que é a possibilidade de se manter contato com uma ampla rede (ok, não precisam ser 1.000 pessoas, mas segundo este blog aqui a média de contatos dos usuários do Facebook é de 130 pessoas).


E mais, com a possibilidade de se poder escolher para quais membros da sua lista você quer deixar fotos visíveis no Facebook e em quais fotos você quer ser "taggeado" (marcado) ou não e tendo ainda produtos como o Picasa, será que vai "bombar" esse Path? Eu tenho cá minhas dúvidas...

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Mosca na SOPA?

Na semana passada muitos acompanharam a problemática tentativa do governo americano votar a SOPA (Stop Online Piracy Act ou Lei de Combate à Pirataria Online em português). Acho que nem vale entrar em mais detalhes sobre essa tramitação (e também da PIPA - Project IP Act, que tem função semelhante) porque foi bastante divulgado na mídia.


Resumindo a história, a votação sobre ambos os atos foi adiada, tendo em vista a pressão que tanto grandes empresas como Google, Wikipedia e Facebook, quanto sujeitos "comuns" fizeram contra tais atos. Como muitos sabem, vários sites nos Estados Unidos e outros países ou ficaram fora do ar ou colocaram mensagens e imagens em protesto e a hashtag #SOPA esteve nos trends do Twitter, obtendo mais de 2 milhões de tweets no mundo todo apenas no dia 18 janeiro (segundo este site aqui), quando houve o "blackout" / "greve" na Internet.


A guerra toda - chamada de World War Web por alguns - se acirrou quando o site Megaupload foi retirado do ar (e continua fora, com um belo aviso do governo federal norte-americano no lugar da home do site dizendo que "vários indivíduos e entidades supostamente envolvidos na operação do Megaupload.com" foram acusados de uma série de crimes federais) e o grupo Anonymous, em retaliação, hackeou vários sites, dentre eles o do FBI.


Claro que foi uma baita vitória ver que a votação dos dois atos foi adiada - ainda mais por pressão pública e de muitas empresas / projetos bacanas - mas ela foi apenas adiada e, enquanto isso, vários sites continuam sendo colocados fora do ar pelo governo americano... E, talvez mais importante ainda, a proposição de leis como essas continuará a ser feita, de modo autoritário, sem debate algum que suscite reflexões mais aprofundadas sobre a questão dos direitos autorais e da reconfiguração das práticas de produção, distribuição e consumo de bens culturais.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Rock com Funk!!!

Por Gustavo Alonso

Interessantíssima fusão do rock com o funk feita pelos rapazes no vídeo abaixo!  E olha a pretensão do funkeiro: "eu fiz com que o rock ficasse interessante!"  Isso também acontece com o sertanejo, axé e pagode, cujas fronteiras cada vez mais se esbarram nos dias de hoje... [Já escrevi sobre isso aqui neste blog; veja um sertanejo atual misturado com pagode: Maria Cecília e Rodolfo e Exaltasamba cantando uma música que parece um axé AQUI].  O vídeo que posto agora demonstra como as classes populares parecem querer cada vez menos valorizar supostas "raízes verdadeiras" da música nacional, e mais dispostas a valorizar as fusões estéticas e o caldeirao cultural!

O rock tem guitarra
Tem baixo e bateria
Mas com o tamborzão do funk
o que reina é a alegria”.
 
Eu fiz com que o rock n’ roll
ficasse interessante

Peguei essa guitarra e misturei junto com o funk


sábado, 7 de janeiro de 2012

Ecos de épocas passadas...

por Gustavo Alonso

É com dó que posto partes desta entrevista do grande Umberto Eco... O italiano parece dar aval a visões de épocas passadas em relação a questão da cultura... Trata-se de uma entrevista da revista Época de 02/01/2012, que pode ser lida diretamente aqui.

ÉPOCA - Mas o conhecimento está se tornando cada vez mais acessível via computadores e internet. O senhor não acha que o acesso a bancos de dados de universidades e instituições confiáveis estão alterando nossa noção de cultura?
Eco -
Sim, é verdade. Se você sabe quais os sites e bancos de dados são confiáveis, você tem acesso ao conhecimento. Mas veja bem: você e eu somos ricos de conhecimento. Podemos aproveitar melhor a internet do que aquele pobre senhor que está comprando salame na feira aí em frente. Nesse sentido, a televisão era útil para o ignorante, porque selecionava a informação de que ele poderia precisar, ainda que informação idiota. A internet é perigosa para o ignorante porque não filtra nada para ele. Ela só é boa para quem já conhece – e sabe onde está o conhecimento. A longo prazo, o resultado pedagógico será dramático. Veremos multidões de ignorantes usando a internet para as mais variadas bobagens: jogos, bate-papos e busca de notícias irrelevantes.

 Mas como tudo muda e se transforma é possível ainda que Eco mude de opinião, como mudou em relação ao livro digital.  Tenhamos fé!

ÉPOCA - O senhor tem sido um dos mais ferrenhos defensores do livro em papel. Sua tese é de que o livro não vai acabar. Mesmo assim, estamos assistindo à popularização dos leitores digitais e tablets. O livro em papel ainda tem sentido?
Eco -
 Sou colecionador de livros. Defendi a sobrevivência do livro ao lado de Jean-Claude Carrière no volume Não contem com o fim do livro. Fizemos isso por motivos estéticos e gnoseológicos (relativo ao conhecimento). O livro ainda é o meio ideal para aprender. Não precisa de eletricidade, e você pode riscar à vontade. Achávamos impossível ler textos no monitor do computador. Mas isso faz dois anos. Em minha viagem pelos Estados Unidos, precisava carregar 20 livros comigo, e meu braço não me ajudava. Por isso, resolvi comprar um iPad. Foi útil na questão do transporte dos volumes. Comecei a ler no aparelho e não achei tão mau. Aliás, achei ótimo. E passei a ler no iPad, você acredita? Pois é. Mesmo assim, acho que os tablets e e-books servem como auxiliares de leitura. São mais para entretenimento que para estudo. Gosto de riscar, anotar e interferir nas páginas de um livro. Isso ainda não é possível fazer num tablet. 



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Para além de Michel Teló!

por Gustavo Alonso, com partes do site Farofafa, de Pedro Alexandre Sanches

 

Para quem tinha dúvidas de que o sertanejo já dominou há muito tempo o Brasil e tá com raiva de Michel Teló (e o sucesso internacional de "Ai se eu te pego") como se ele tivesse surgido agora, fruto de algum empresário malvado interessado no lucro fácil, aí vai uma porrada...  Michel Teló é a espuma de uma grande onda que desde 2005 toma o Brasil... lá se vão 7 anos, hein!  Sete anos de sertanejo universitário!!!  A Bossa Nova durou até quando? De 1958 a 1962?  Pode ser... 1962 foi o auge do movimento que depois migrou para outras searas... A Jovem Guarda começou em 1965 e se desfez em 1968...  O tropicalismo durou apenas dois anos, de 1967 a 1968, apesar de eu concordar que vivemos ainda seus reflexos...  Para seu principal criador, Caetano Veloso, o movimento foi no máximo até 1972, como contou em sua autobiografia, "Verdade tropical".  Ou seja, 6 anos.  A Pilantragem de Simonal durou de 1966 até 1969-70.  O sertanejo dura mais tempo do que todos esses movimentos culturais por nós valorizados.  Pois é, para quem dizia que o sertanejo univeristário era coisa passageira, já está demorando demais...  Para os envolvidos, o auge só está começando.


Será que agora, com o Google dizendo, alguém ainda duvida que 2011 foi o ano dos “novos sertanejos” no Brasil? Das dez pessoas mais procuradas pelos brasileiros no serviço, quatro são cantores do gênero. Paula Fernandes aparece em primeiro lugar, seguida de Gustavo Lima (em terceiro), Luan Santana (nono) e Michel Teló (décimo). Divulgado hoje, o ranking anual é feito, segundo o mecanismo de buscas, para refletir “o espírito do tempo” (tradução da palavra “Zeitgeist”). Segue a lista completa:
1. Paula Fernandes
2. Bruno Mars
3. Gusttavo Lima
4. Bruna Surfistinha
5. Katy Perry
6. Charlie Sheen
7. Scarlett Johansson
8. Avril Lavigne
9. Luan Santana
10. Michel Teló

E na lista das dez músicas mais procuradas, a cantora Paula Fernandes emplacou três, “Pra Você”, “Não Precisa” (duas vezes?!) e “Sensações”. Nesta aparecem ainda outros cantores sertanejos, como Jorge & MateuseFernando & Sorocaba:

1. “Pra Você”, Paula Fernandes
2. “Um Beijo”, Luan Santana
3. “Efeitos”, Jorge & Mateus
4. “Não Precisa”, Paula Fernandes
5. “Não Precisa”, Paula Fernandes
6. “Teus Segredos”, Fernando & Sorocaba
7. “Clichê”, Sorriso Maroto
8. “Planos Impossíveis”, Manu Gavassi
9. “Sensações”, Paula Fernandes
10. “Pôneis Malditos”, ???

Fonte: http://farofafa.com.br/2011/12/15/o-brasil-foi-dos-sertanejos-em-2011-parte-2/2973

Para quem ainda resiste ao termo "universitário" aplicado ao sertanejo, recomendo a leitura deste texto aqui.