Uma das intenções do LABCULT é proporcionar o intercâmbio entre alunos de graduação, pós-graduação e professores em torno das temáticas que são trabalhadas em nosso grupo de pesquisa. É com essa intenção que a partir dessa semana serão colocadas em nosso blog artigos de alunos de graduação, elaborados como trabalho final para a disciplina de Música Popular Brasileira e Comunicação de Massa.
Essa disciplina foi oferecida por mim, Marildo Nercolini, no semestre passado, e contou com a participação de alunos dos cursos de Mídia, Cinema, Publicidade, Produção Cultural e Jornalismo do IACS-UFF. O objetivo da disciplina foi dar uma visão geral da MPB, desde o surgimento dessa denominação até os dias atuais, analisando algumas das principais manifestações surgidas nesse período, os embates travados e as transformações que foi sofrendo em decorrência dos diferentes contextos sociais em que esteve inserida.
Quanto à sistemática a ser seguida, postaremos, semanalmente, o resumo de um dos artigos, com link para o trabalho completo. O primeiro a ser postado é da aluna Maria Luiza de Castro Muniz - estudante de Jornalismo. Vamos a ele:
Pra não dizer que não falei do povo
- O projeto cepecista e a instituição da MPB -
Por Maria Luiza de Castro Muniz
- O projeto cepecista e a instituição da MPB -
Por Maria Luiza de Castro Muniz
Resumo: Se numa mesa de bar (lugar bastante propício para o tema), lançamos entre não estudiosos uma questão sobre “O que é Música Popular Brasileira?” não faltarão opiniões destoantes. Haverá quem deseje tornar o conceito mais elástico, abrangendo vários estilos, e aqueles que defenderão ser ‘MPB’ apenas um seleto grupo de músicas de artistas já consagrados e seus ‘apadrinhados’. Neste trabalho de conclusão da disciplina Música Popular Brasileira e Comunicação de Massa, busco analisar alguns dos impasses surgidos em torno do nacional-popular. Para tanto, escolhi lançar o foco desta análise sobre o Centro Popular de Cultura, o CPC da União Nacional dos Estudantes, um espaço que se dedicou a produzir uma arte engajada, sendo representativa da tendência nacional-engajada. O CPC surge num momento caracterizado em inúmeros relatos como sendo de destacada ebulição intelectual. Este contexto é especialmente importante para a análise proposta neste trabalho, já que o CPC é apresentado como representante de uma arte revolucionária que pretende ser popular ao se identificar com a aspiração fundamental do povo. Uma característica do fim dos anos 50 e início dos anos 60 foi o surgimento do “novo”. O cinema era novo e a bossa era nova. Mas para o projeto cepecista o novo era o povo. A aproximação do intelectual com o “povo”, segundo o Anteprojeto do Manifesto do Centro Popular de Cultura, deveria privilegiar o compromisso de clareza assumido com o público, impulsionando-o para ação revolucionária. No entanto, uma das críticas feitas ao projeto cepecista é a natureza paternalista dessa pretendida aproximação.




