sexta-feira, 27 de abril de 2007

Panorama da MPB: da “Era dos Festivais” ao Funk.


Uma das intenções do LABCULT é proporcionar o intercâmbio entre alunos de graduação, pós-graduação e professores em torno das temáticas que são trabalhadas em nosso grupo de pesquisa. É com essa intenção que a partir dessa semana serão colocadas em nosso blog artigos de alunos de graduação, elaborados como trabalho final para a disciplina de Música Popular Brasileira e Comunicação de Massa.

Essa disciplina foi oferecida por mim, Marildo Nercolini, no semestre passado, e contou com a participação de alunos dos cursos de Mídia, Cinema, Publicidade, Produção Cultural e Jornalismo do IACS-UFF. O objetivo da disciplina foi dar uma visão geral da MPB, desde o surgimento dessa denominação até os dias atuais, analisando algumas das principais manifestações surgidas nesse período, os embates travados e as transformações que foi sofrendo em decorrência dos diferentes contextos sociais em que esteve inserida.

Quanto à sistemática a ser seguida, postaremos, semanalmente, o resumo de um dos artigos, com link para o trabalho completo. O primeiro a ser postado é da aluna Maria Luiza de Castro Muniz - estudante de Jornalismo. Vamos a ele:

Pra não dizer que não falei do povo
- O projeto cepecista e a instituição da MPB
-
Por Maria Luiza de Castro Muniz

Resumo: Se numa mesa de bar (lugar bastante propício para o tema), lançamos entre não estudiosos uma questão sobre “O que é Música Popular Brasileira?” não faltarão opiniões destoantes. Haverá quem deseje tornar o conceito mais elástico, abrangendo vários estilos, e aqueles que defenderão ser ‘MPB’ apenas um seleto grupo de músicas de artistas já consagrados e seus ‘apadrinhados’. Neste trabalho de conclusão da disciplina Música Popular Brasileira e Comunicação de Massa, busco analisar alguns dos impasses surgidos em torno do nacional-popular. Para tanto, escolhi lançar o foco desta análise sobre o Centro Popular de Cultura, o CPC da União Nacional dos Estudantes, um espaço que se dedicou a produzir uma arte engajada, sendo representativa da tendência nacional-engajada. O CPC surge num momento caracterizado em inúmeros relatos como sendo de destacada ebulição intelectual. Este contexto é especialmente importante para a análise proposta neste trabalho, já que o CPC é apresentado como representante de uma arte revolucionária que pretende ser popular ao se identificar com a aspiração fundamental do povo. Uma característica do fim dos anos 50 e início dos anos 60 foi o surgimento do “novo”. O cinema era novo e a bossa era nova. Mas para o projeto cepecista o novo era o povo. A aproximação do intelectual com o “povo”, segundo o Anteprojeto do Manifesto do Centro Popular de Cultura, deveria privilegiar o compromisso de clareza assumido com o público, impulsionando-o para ação revolucionária. No entanto, uma das críticas feitas ao projeto cepecista é a natureza paternalista dessa pretendida aproximação.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

O duelo do século

Aproveitando o gancho deixado pela Simone no penúltimo post, vale lembrar um recente episódio, protagonizado por João Gordo, agora apresentador de um talk show na MTV e também líder da banda punk Ratos de Porão, tida como um dos grandes ícones underground punk nos anos 80, e Dado Dolabella, ex-ator de televisão. Durante a apresentação de um dos programas, Dado acusou Gordo de “trair o movimento punk”, o que quase acabou em briga. Isso nos mostra que mesmo fazendo shows sazonais e se dedicando muito mais à apresentação de seu programa, Gordo ainda é cobrado pela postura de “revolta e oposição” que no passado tinha, e que hoje não teria mais, pois, para usar um lugar comum, teria sido domesticado por um grande conglomerado midiático. Isso nos mostra como a questão da identidade, isso que é largamente chamado de "personalidade" e utilizado como xingamento em frases como "você não tem personalidade", é uma questão central nos dias de hoje. O caso de João Gordo mostra como a identidade é um projeto pessoal, ou seja, depende de escolhas feitas por cada indivíduo, mas ao mesmo tempo coletivo, pois essas escolhas tem que ser "aceitas" ou autenticadas pela sociedade que o cerca. No caso do João Gordo, vemos como certas posições , nesse caso a escolha de "ser punk", por serem projetadas, e aceitas, de forma tão intensa e visível, acabam por grudar no seu portador. Isso contraria as teses de que ser = ter, ou seja, de que a identidade é só uma questão de aparência, sendo assim qualquer um pode encarnar qualquer personagem caso compre os produtos no mercados que o caracterizem como tal. Dessa forma, o caso do João Gordo mostra que o uso de termos tais como "punk de boutique" são inapropriados para tratar da questão identitária, visto que ela é uma construção social onde o consumo de artefatos é somente MAIS UMA das estratégias envolvidas. Sarah Thornton em seu estudo sobre a cena de música eletrônonica inglesa, reunido no livro Club Cultures, nos mostra como a questão da autenticidade, ou seja, a necessidade de soar verdadeiro, é fundamental para o reconhecimento de um personagem por seu grupo. Ela ilustra o fato falando do quão embaraçoso é quando alguém é julgado como "fake" pelos seus pares por não manipular os códigos culturais da forma como se julga apropriado e isso envolve o uso de roupas inadequadas, o uso de gírias ultrapassadas e a falta de conhecimento da música que se escuta. O que pode parecer uma questão de frivolidade total, é na verdade um ponto central na questão identitária contemporânea, pois mostra como esse processo está envolto em uma míriade de regras de distinção, e pra isso vale fazer referência ao clássico de Bourdieu, que não são claras e estão a todo tempo nos sendo cobradas e tendo que ser reafirmadas, com o perigo de parecerem contradítorias, como foi no caso de João Gordo.

Second Life Brasil

Na segunda-feira, foi lançada a versão brasileira do Second Life.

Participei do Programa Sem Censura de ontem, na TVE, discutindo o assunto com representante do portal brasileiro.

O SL Brasil vai ser um portal de acesso ao ambiente global, com comandos em português e possibilidades de transação financeira em reais.

Cabe destacar que é o único ambiente customizado da América.

Achei o debate muito produtivo. Não só sobre o SL, diga-se de passagem. Jornalismo participativo a partir de ferramentas on-line e inclusão digital foram outros temas debatidos com muita animação.

Outra companheira de mesa - a Cora Rónai, que mediou a conversa- postou algumas fotos no blog dela.

Ainda Lobão

Na Megazine de ontem, mais declarações bombásticas.

(Parêntesis nada a ver - porque é que, no Jornal O Globo inteiro, só a Megazine e o Rio Fanzine trazem "informação relevante" do universo da cultura pop/indie/ciber?).

Com a mesma camiseta "Fuck Yoga" já mencionada pelo Gueko no comentário ao post anterior, Lobão diz, entre outras pérolas, que "Não se pode demonizar as gravadoras. Elas passaram por um período terrível nos anos 90. Espero novo ciclo agora." e "Independente é barato porque suprime a produção. Mas, se quiser disco bom, tem que ter gravadora."

Primeira observação: peraí, cara pálida! Quem demonizou as gravadoras? Com certeza não fomos nós, mas você, que construiu assim a sua carreira independente.

Segunda observação: quer dizer, então, que nenhum disco vendidos pela Revista OutraCoisa tem qualidade?

Sobre a gravação do Acústico MTV - formato que sempre execrou - diz que "resolvi que seria o melhor acústico de história".

E, para coroar, diz que esta guinada, se deve, entre outras, à porrada que levou na festa de aniversário de um empresário em Porto Alegre, quando foi contratado para tocar, em 2005.
É que o aniversariante tinha contratado Lobão "para tocar suas músicas mais conhecidas" e ele tocou também a produção da década de 90.O resultado foi que, na quinta música, mandaram-no descer do palco e foi uma confusão.

"Resolvi dar uma guinada.Falei: Agora chega! Vou estourar!".

Fala sério, Lobão! Tocando em festinha-de-empresário-gaúcho!!!

Neste blá-blá-blá todo, sobressai uma discussão que é um dos eixos do nossso trabalho no LabCult: a disputa simbólica em torno da valoração do pop e a força do binômio autenticidade-cooptação dentro deste universo valorativo.

Estamos sendo puristas quando criticamos Lobão? Estamos reivindicando "autenticidade" para avaliá-lo?

Talvez. Mas, só porque este é o critério que ele usou, nos últimos dez anos, para construir sua carreira "independente".

Com a verborragia conhecida, ele vociferou contra as grandes gravadoras e com certeza, arrebanhou compradores para seus discos não só pela qualidade musical, mas pela postura política e estética.

E,o fato é que, na música massiva, os fatores musicais e extra-musicais estão amarrados juntos.Música, discurso, performance, visual...tudo isto é um pacote que é avaliado em conjunto pelos fãs, conforme discute Simon Frith, uma das nossas referências bibliográficas para esta discussão

Marcelo Garson, pesquisador aqui do LabCult, faz um comentário muito interessante sobre isto na Monografia dele, referindo-se às cobranças que outro polêmico músico, o João Gordo, recebeu.

Mas, vou deixar o gancho pra ele mesmo desenvolver o argumento.

domingo, 22 de abril de 2007

A volta do Lobão em pele de Cordeiro.


No universo da indústria fonográfica brasileira dos últimos anos a crise das grandes gravadoras e o fortalecimento das gravadoras independentes - buscando alternativas e forjando novos espaços - já tinham se transformado em lugar comum. E mais comum ainda, quando se falavam desses temas, o surgimento do nome de um personagem, com ares de paladino e herói – Lobão. Há praticamente uma década estávamos acostumados a ouvir e, muitas vezes, aplaudir - esse personagem vociferando contra as atrocidades ou desvarios estúpidos cometidos pelos grandes empresários das gravadoras, que envolviam pagamentos de jabás, exploração de músicos, escolhas equivocadas marcadas pela busca do lucro fácil e total desconsideração pelas propostas mais criativas e inovadoras. Lobão afirmava, por exemplo, em entrevista a revista Caros Amigos, há 7 anos atrás, que: “... esses empresários, gravadoras têm uma cartilha: o público quer merda.” Ou então ranger os dentes contra cantores e grupos que se prostituíam para ganhar dinheiro fácil gravando discos ao vivo, sobretudo os famosos acústicos da MTV.

Em entrevista ao Ilustrada da Folha de São Paulo, há poucos dias atrás, o papo era outro: “Quando fui assinar o contrato, nas dependências novas da SonyBMG, o [Alexandre] Schiavo [gerente-geral da gravadora], falou: ‘Tá vendo, Lobão, tentei botar uma decoração mais artística. Mas o encolhimento deve-se muito à você’ [risos]. Fiquei superbrother dele. O que demonizaram as gravadoras.... Hoje as coisas são feitas de maneira diferente. (...). Se você continuar lutando, vai parecer aqueles japoneses da ilha de Iwo Jima que continuaram resistindo [na Segunda Guerra].”

E ao ser perguntado sobre o demonizado jabá, saiu com essa: “Eu não pago jabá. Por que eu assinado [com uma gravadora], toco [nas rádios], e não assinado, não toco? Eu não tenho nada a ver com isso. Eu tô numa gravadora e pronto.” Portanto, o problema é deles, ele não tem nada a ver com isso.

Novos tempos exigem novas soluções? Essa frase envolve conceitos que se transformaram quase num consenso dentro da contemporaneidade que ora vivemos. Confesso que a tenho usado em minhas aulas e textos e, portanto, faz parte de meu horizonte de crenças. Mas toda e qualquer nova solução é, em si, adequada para os novos tempos? Quais os critérios que baseiam tais escolhas? Ética é papo de conservadores? Os valores são relativos, perfeito! Mas isso não nos exime de discutir e estabelecer quais são os critérios de valor hoje necessários, para o tempo e o espaço em que estamos situados.

Lobão, como em várias outras ocasiões, chutou o pau da barraca e muitos, como eu, ficamos a ver navios. A solução estaria, então, agora em voltar às boas com as grandes gravadoras, gravar o seu acústico MTV, acomodar-se no seu canto, “ver a banda passar” e desconsiderar tudo o que falou antes (e que gerou debates e ações extremamente importantes)? Parece repetir, como farsa, um certo presidente tucano, contra quem ele e tantos de nós criticamos e cobramos coerência ideológica.

Não é nada agradável ouvi-lo dizer que: “Não tenho o perfil desses guerrilheiros de bosta, hipongas, acho uma merda, sacou? Sou um cara de direita, sou fã do Delfim Neto [risos].” Talvez fosse interessante Lobão - e nós relermos - o recado que ele mandou “Para o mano Caetano”:

“A voz do morto que não presta depoimento
perpetua seu silêncio de esquecimento
na lápide pós-moderna do eterno desalento...
E eu sei que vou te amar, seja lá como for, portanto
um beijo no seu lado super bacana
uma borracha no dark side-macbeth-ACM, por enquanto.”

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Ainda sobre o assassinato em Virgínia

Em 1963 o psicanalista americano Fedric Wertham, envolvido nos protestos contra revistas de terror em quadrinhos e ferrenho crítico da violência na TV, já declarava: “a mente da criança é um banco – o que você deposita, recebe em dez anos, com juros.” Alguma diferença entre o pensamento de Wertham e o caso de que ja falamos em outro post? Parece que não. Este ponto de vista é incrivelmente influenciado pela corrente behaviourista da psicologia, que entende nossa mente como uma caixa preta, funcionando através de um mecanismo de estímulo e resposta, desprezando-se as reformulações que se processam em seu interior. Nas ultimas décadas, são muitos os trabalhos que desafiam essa noção, especialmente aplicado ao debate sobre mídia e violência. Uma contribuição interessante foi dada em 2002 por Gerard Jones através de seu livro com o titulo sugestivo de Killing Monsters: Why Children Need Fantasy, Super Heroes, and Make-Believe Violence (Brincando de Matar Monstros – Porque as crianças precisam de fantasia, videogames e violência de faz-de-conta). Na obra, lançada no Brasil pela Conrad no ano passado, o autor argumenta que a violência fictícia trabalha com a fantasia dos indivíduos, lhes dando a possibilidade de ser virtualmente aquilo que não são em sua vida real, o que possibilita encarar a carga dura do cotidiano de uma forma menos frustrante. No que concerne à área da música, uma de nossas zonas de interesse, Jones nos afirma que no mesmo período em que o gansgta rap se desenvolveu, a partir dos anos 80, assistimos a uma diminuição das taxas de violência e da atuação de gangues nos EUA: isso é um forte indicio de que falar de uma relação direta entre mídia violenta e atividade criminosa é bastante problemático. É uma pena que trabalhos como esse tenham tão pouca repercussão na opinião pública e que respostas fáceis a problemas complexos continuem sendo buscadas. Haja paciência!


Pra baixar no fim de semana

No Rio Fanzine de hoje, o Calbuque comenta o novo disco do Goldie, Malice in wonderland, lançado pelo selo Metalheadz.

Goldie merece respeito. Andava meio sumido, mas foi um os criadores do Drum and Bass, que atendia por jungle no início dos 90.

Seu disco Timeless (1995) é daqueles que todo mundo põe na lista dos "dez mais" da eletrônica.

Diz o RF: "o disco é sombrio, claustrofóbico, levemente neurótico, e caso você seja um andróide de última geração, bem dançante.Ou seja, é um disco ótimo porque de farofas eletrônicas já bastam as que tocam na sua academia..."

Como Calbuque também merece respeito - especialmente quando fala de D&B - eu repasso a dica, mesmo sem ter ouvido.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Manjar de Rei





Hoje é aniversário do Rei. Se você não sabe de quem estou falando, pula este post. Não imagina o que o aniversário de Roberto Carlos tem a ver com este blog? Então, também passa batido! Mas, se quer entender um pouco mais o papel das tecnologias de gravação na definição da sonoridade do rock & roll no Brasil dos anos 60/70. Se quer saber como e porque, muito antes da geração Rock Br, houve um movimento chamado Jovem Guarda (ou iê,iê, iê) que revolucionou os padrões sócio-comportamentais através da música. Se quer acompanhar em detalhes a história da indústria fonográfica. Os meandros da construção do pop. Do star-system. Da relação entre fãs e ídolos.Da cultura de massa.... Se nunca percebeu que Roberto Carlos é o maior cantor popular da nossa história. E que, só por esta contribuição, o Espírito Santo merece um lugar na cartografia musical brasileira...
Se é roqueiro, soulman, pesquisador de música, romântico incurável.Se já falou mal, mas entendeu Fera Ferida quando levou um chute da namorada. Ou se odeia o cara! Você tem que ler a biografia escrita pelo Paulo César de Araújo, lançada no final do ano passado, chamada Roberto Carlos em Detalhes.
Eu ganhei de Natal, li nas férias e estava doida para comentar aqui no blog. Taí o gancho.
É que o livro é muito, muito bom. Esclarece tudo isto que mencionei acima, é bem escrito, e sobretudo, apaixonado. Dá pra sentir em cada linha que o autor ama o Rei, conhece as músicas, sabe do que fala. Respeita as maluquices de RC, é totalmente sóbrio ao falar de assuntos espinhosos, não é nada objetivo (quem foi que inventou esta palavra para qualificar bons trabalhos, hein?) Compra brigas – com a bossa-nova, com o tropicalismo – , defende idéias. De quebra ainda tem passagens ótimas sobre o Tim Maia, o Erasmo...

Sente só o gostinho...sobre a gravação de Quero que vá tudo pro inferno:

Pode-se dizer que, naquele ano de 1965, o rock´n´roll ganhou três grandes temas: Help! dos Beatles, Satisfaction, dos Rolling Stones e...Quero que vá tudo pro inferno, de Roberto Carlos – que só não alcançou a mesma visibilidade das outras duas porque foi composta e gravada em português. Não se enganem: qualquer banda de rock da época teria incendiado o mundo com a gravação de I want that everything góes to hell. Ela é tão rock´n´roll quanto Help! ou Satisfaction.” (pg 140)
“Quero que vá tudo pro inferno atingiu em cheio a sensibilidade de um país sufocado pela repressão moral, política e social. Enfim, uma sociedade reprimida que, de repente, foi tomada por uma canção com um grito de guerra arrebatador. A canção provocou e perturbou os setores conservadores ou seja, a maioria da sociedade brasileira. Na época, muitas emissoras de rádio se recusaram a tocar a música por determinação do proprietário, numa censura interna motivada por razões religiosas.(...)
Em pleno verão, sob um sol de 40 graus à sombra,, toda a juventude brasileira, suando e resfolegando, cantava freneticamente o refrão. “Quero que você, me aqueça neste inverno. E que tudo mais vá pro inferno”. Foi talvez a primeira vez que alguém ousou praguejar através de uma canção popular no Brasil. Nas ruas das principais capitais do país, muitos transeuntes paravam diante das lojas de disco para escutá-la.”(pg 138)
Por tudo isto, essa é uma das mais importantes canções produzidas no Brasil. Nesse sentido, ela bem poderia ser o outro lado de Chega de Saudade, de Tom e Vinicius, na versão bossa nova de João Gilberto. As duas canções ganharam projeção histórica e são marcos refernciais de movimentos musicais. E ambas são ainda mais emblemáticas porque, enquanto a gravação de João Gilberto resultou na canção de maior impacto estético da história da MPB, a de Roberto Carlos foi certamente a de maior impacto social.


Ah! E pra quem não ligou o nome à pessoa, o Paulo César já tinha lançado um outro livro excelente – “Eu não sou Cachorro Não” , que trata do popular-brega e polemiza com setores da MPB. Agora retorna com este, que faz jus ao biografado.

Vida longa para o Rei! E boa sorte para o biógrafo que – inexplicavelmente – ta sendo processado por Roberto.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Bobagem para quem precisa...

Dez da manhã. Academia de ginástica. Tv ligada, naquela lenga-lenga das notícias meio requentadas da Globo News.Entra a repercussão do caso Virginia Tech (estudante coreano que matou 33 colegas e/ou professores nos EUA).Querem responsabilizar alguém - já que o cara, sabiamente, se suicidou.
A "sociedade americana" - diz a jornalista brasileira - busca "entender melhor o que houve". E, dentre quinhentos clichês preconceituosos, ainda sobrou pra quem? Pro videogame "que incita à violência". Didaticamente, aparece na tela um joguinho onde o avatar está usando uma arma. E a explicação, simplista com ela só, diz que "quem brinca com jogos violentos não sabe mais distinguir ficção de realidade". Fala sério, globonews!!Me apresentem uma pesquisa, uma só, que demonstre a relação entre games e aumento da violência (não vale falar de casos isolados).
Isto é mais ou menos o mesmo que dizer que quem leu Nelson Rodrigues na adolescência tornou-se prostituta ou traiu o marido.
Aliás, se vale este argumento, também deveria valer o contrário: quem brinca com jogos violentos aprende que uma coisa é jogo e outra é realidade; além de "extravasar" nos jogos o lado violento que todo muito tem.
Mas, não é este o ponto.
E sim o de que, tal como a gente tem insistido aqui no LabCult, não dá mais para tratar os games desta forma pueril, como se fossem um objeto menor. "Coisa de garotos violentos" - que chama a atenção da mídia sob o viés da demonização acima mencionada.
Steven Johnson na veia pra este pessoal!

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Porque você não deve perder Simian Mobile Disco no Skol Beats desse ano!

O Simian Mobile Disco, formado pela dupla inglesa James Ford e James (a.k.a. Jas) Shaw, chega ao Brasil para uma apresentação no Skol Beats em São Paulo dia 5 de Maio. Foi no final dos anos 90 quando começou a primeira fagulha e naquela época ainda era uma banda completa - chamada Simian - com mais dois integrantes, mas "os James" gostavam de flertar com a cena de electro, saindo dos shows e indo discotecar em clubes. Assim, passaram a chamar a dupla nas picapes de Simian Mobile Disco. Algum tempo depois, um acontecimento marcante fez a eletrônica ficar muito mais presente na vida do quarteto. A gravadora da banda lançou uma competição para remixar uma música deles chamada Never Be Alone. Quem NÃO ganhou, mas ficou bastante conhecido foi a dupla francesa Justice que teve a sua versão tocando em diversos clubes por bastante tempo. A competição fez a dupla londrina ficar ainda mais conhecida, porém transformou o Simian Mobile Disco em uma espécie problema dentro do grupo.
James passou a trabalhar com o Arctic Monkeys e The Klaxons, fazendo de tudo com Jas para não levar a dupla tão a sério e não passar por cima da banda. Mas foi impossível manter essa postura depois do hit Hustler ter estourado em 2006 e o duo ter sido cotado para tocar em diversos clubes e festivais. A banda não existe mais, porém não há ressentimentos por parte dos outros dois integrantes já que eles fizeram participações especiais no disco que está pra sair em 18 de Junho, Attack Decay Sustain Release.
O som eletrônico dos músicos é difícil de definir pois pega carona nessa leva de gêneros que vêm surgindo a cada momento a partir de ferramentas de divulgação musical como o MySpace. Suas influências, que segundo os próprios passam por Daft Punk, Alphex Twin, Nina Simone, Black Sabbath, entre outros, merecem ser dançadas ao som de Click, Hustler, The Beat e nos remixes que fizeram para The Klaxons, Ladytron, Peaches, Muse e The Rapture, só para citar uns poucos.
Para saber mais sobre eles, é só entrar também no MySpace e no YouTube.
Veja aqui embaixo o vídeo de It´s The Beat, encabeçado nos vocais pela frontwoman do The GO! Team.

O que anda rolando pelo Brasil...

Retornando da minha viagem ao interior de Minas Gerais, gostaria de pegar carona no post da Simone e divulgar um evento bacana sobre games, que está sendo organizado pelos colegas da Rede Brasileira de Jogos e Educação (RBJE). Trata-se do “III Seminário Jogos eletrônicos, Educação e Comunicação - construindo novas trilhas”, que acontece nos dias 20 e 21 de agosto deste ano, na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) em Campina Grande. As incrições podem ser feitas até o próximo dia 15 de maio. É uma excelente oportunidade para conferir de perto o que anda sendo discutido, em âmbito nacional, sobre os videogames – além de poder conhecer pessoalmente a categoria refinada dos trabalhos produzidos pela turma da RBJE.

Mais jogos eletrônicos

Outra boa pedida para quem se interessa pelas pesquisas sobre o tema é o VI Brazilian Symposium on Computer Games and Digital Entertainment, o SBGames, que este ano ganha um novo track – o Game & Culture. Segundo a Professora Lynn Alves, importante referencial sobre o assunto e integrante da comissão científica do track, este “será um espaço rico e produtivo para socialização das pesquisas que estão sendo realizadas no cenário nacional e internacional sobre games”. O prazo para submissão de trabalhos vai até o próximo dia 13 de agosto e o evento acontece nos dias 7, 8 e 9 de novembro na UNISINOS, em São Leopoldo, RS.

domingo, 15 de abril de 2007

Entretenimento levado a sério!

Conforme a gente divulgou, aconteceu na PUC-Rio o I Encontro Nacional de Cultura do Entretenimento.
Sob os excelentes fluidos de uma sexta-feira, 13, o auditório com capacidade para 100 pessoas lotou. Eram alunos de graduação e pós em Mídia, Comunicação e afins; além de colegas interessados em discutir o tema, abordado pelos seis palestrantes sob ângulos diversos.
Everardo Rocha articulou a temática à perspectiva da teoria antropólogica do ritual e Angela Prysthon tematizou os impasses desta noção, com exemplos extraídos de seu próprio trabalho.Jeder Janotti e Erick Felinto partiram do cinema e - boa coincidência! - utilizaram o mesmo filme, Donnie Darko, para discutir a complexidade da cultura do entretenimento na atualidade. Eu usei um exemplo da cultura digital - o game/ambiente Second Life (www.secondlife.com) para desenvolver argumento que também afirma a centralidade do lúdico e do entretenimento, hoje; e finalmente, Micael Herschmann apresentou aspectos da sua pesquisa sobre o circuito de samba e choro da Lapa.

Apesar da diversidade de pontos de vista, bem-vinda quando a gente está explorando um tema desta amplitude, a tônica do encontro foi a de enfatizar a importância da cultura do entretenimento para a compreensão da atualidade.

Não só porque é uma indústria que movimenta bilhões de dólares, talvez a maior, hoje.
Mas, porque cinema, televisão, revistas, jornais, games, música e outros produtos da chamada "indústria cultural" - que caracterizam a indústria do entretenimento - são fundantes da nossa forma de organizar e perceber o mundo, ganhando assim um forte sentido pedagógico.

A partir desta rápida pincelada da discussão, dá pra sentir que o tema rende muita conversa. E esta foi só a primeira, que já tem data marcada para continuar: o GT de Mídia e Entretenimento do Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós Graduaçaõ em Comunicação da COMPÓS, que se realiza na Universidade do Tuiuti, em Curitiba, em junho.

sábado, 14 de abril de 2007

MOO

Hoje rola mais uma edição da festa MOO a partir das 23 horas no edifício das Casas Franklin (Av. Passos, 36/38). O ingresso é um pouco salgado para quem perdeu o lote de convites antecipados, custa 70 reais. O evento, além dos DJs residentes Diogo Reis e Eduardo Christoph, conta com o norueguês Prins Tomas que "foi um dos grandes responsáveis pelo boom da Space Disco na cena mundial" e "se inspira na Italo Disco, na Disco Music e em muita coisa boa dos anos 70 e 80" e o alemão Martin Landsky, "conhecido tanto por suas produções e remixes, quanto por seus sets incríveis" que já trabalhou com muita gente boa do mundo da eletrônica.

informações tiradas do mailing do rraurl.com

site da festa MOO

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Cultura do Entretenimento

I Encontro Nacional de Cultura do Entretenimento

Os Programas de Pós-Graduação em Comunicação da PUC-Rio, UFF, UFRJ e UERJ convidam para o I Encontro Nacional de Cultura do Entretenimento, a realizar-se no dia 13 de abril, a partir das 14 horas, na PUC-Rio. Rua Marquês de São Vicente, 225 – Gávea – Rio de Janeiro (Auditório K 102 –1º andar - Ala Kennedy)

Palestrantes:

Ângela Prysthon - Professora da Universidade Federal de Pernambuco. Organizadora
de Imagens da Cidade - Espaços Urbanos na Comunicação e Cultura Contemporânea
(Sulina, 2007), autora de Cosmopolitismos periféricos: ensaios sobre
modernidade, pós-modernidade e estudos culturais na América Latina (Bagaço,
2002), entre outros.

Erick Felinto – Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Autor de: A religião das Máquinas: ensaios sobre o imaginário da cibercultura (Sulina, 2005) e Passeando no labirinto: ensaios sobre as tecnologias e as materialidades da comunicação (PUC-RS, 2006), entre outros.

Everardo Rocha – Professor da PUC-Rio. Autor de A sociedade do sonho: comunicação, cultura e consumo (Ed. Mauad, 1995); Magia e capitalismo: um estudo antropológico da publicidade (Ed. Brasiliense, 1985); Representações do consumo: estudos sobre a narrativa publicitária (Ed. Mauad, 2006), entre outros.

Jeder Janotti Jr. – Professor da Universidade Federal da Bahia. Autor de Heavy Metal com
Dendê (E-papers, 2005) e Aumenta que isso aí é rock and roll (E-papers, 2003), entre outros.

Micael Herschmann – Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro.Autor
de Comunicação, Cultura e Consumo. A (des)construção do espetáculo
contemporâneo. (Ed. E-Papers, 2005) e O funk e o hip-hop invadem a cena (Ed. UFRJ, 2000), entre outros.

Simone Pereira de Sá - Professora da Universidade Federal Fluminense.
Autora de O Samba em Rede: Comunidades Virtuais, Dinâmicas Identitárias e Carnaval Carioca (E-papers, 2004), organizadora de Prazeres Digitais: Computador, Entretenimento e Sociabilidade (E-papers, 2005), entre outros.


Entrada gratuita, a partir de inscrição no próprio local, ao início do evento. Sujeita à capacidade do auditório.

sábado, 7 de abril de 2007

Música Chapa Quente

Na quarta-feira à tarde resolvi ir à UERJ ver a última mesa de debate do Chapa Quente. A discussão girou em torno do termo Direito Autoral e qual o peso dele hoje em dia. A mesa foi composta por Felipe Llerena (iMúsica e ABMI)e Paulo Rosa (ABPD), Carlos Affonso Pereira de Souza (CreativeCommons), Antônio Carlos Miguel (O Globo) e Bruno Natal (URBe). Apesar das diferentes linhas de frente e opiniões, uma idéia foi unânime: a lei que garante direitos autorais, artísticos, conexos e de imagem, tal qual conhecemos hoje precisa ser repensada, pois ela não dá mais conta da grande quantidade de downloads feitos da internet que, segundo os representes da ABPD, causam um rombo na Indústria. Com a Internet sendo o principal meio de veiculação musical, precisa-se desenvolver o mercado digital, vendendo licenças de música pela rede.
Mesmo assim, um obstáculo que surge continua sendo a não digitalização de certos discos que já não estão mais em catálogo pelas gravadoras. Então, qual o caminho para um problema desses? Fazer o download por programas peer-to-peer ou qualquer outro tipo de mecanismo que nos faça ter a música que queremos ouvir. Estando na posição de perguntador, o jornalista Antônio Carlos Miguel levantou outras questões interessantes como o não incentivo da compra de mp3, sendo o preço “fora da realidade” e o fato das gravadoras não terem conseguido se adaptar a esse novo tempo.
A discussão também ficou por conta de termos jurídicos e os debatedores questionaram-se se ações judiciais contra usuários compartilhadores é o caminho ou não para a solução desse problema. Foi clara a manifestação de que essa não é a melhor opção, apesar do sistema judicial norte-americano ter se usado de grande força para resolver o problema por essa via.
A única coisa que ficou clara na quarta-feira é que muito ainda precisa ser conversado para se chegar a uma resolução satisfatória para gravadoras e usuários, mas só dos debates terem se iniciado, já é um começo.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Overmundo merece

Por estas e outras o Hermano Vianna - e seu site overmundo merecem atenção. Notícias do funk carioca em Berlim. Checa lá!

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Continuando o zapping

Mas, de todas as matérias, a que mais me chamou a atenção foi a capa do Segundo Caderno do Globo de domingo com os números da indústria fonográfica brasileira de 2006,divulgados pela ABPD.(Associação Brasileira de Produtores de Disco)
Quem são os maiores vendedores de disco do Brasil segundo a ABPD?
Padre Marcelo Rossi - com 867 mil unidades do original "Minha benção"; e Caio Mesquita, saxofonista definido como um "Kenny G" brasileiro, com o disco Jovem Brazilidade (será que é com z mesmo??), num modesto segundo lugar a partir da venda de 247 mil Cds.
Cadê Roberto Carlos? Tá em quarto, com 243 mil. Ivete? Xuxa? Zeca? Nem aparecem na lista dos 20 ...(atenção, não são só discos lançados em 2006 - tanto que o Acústico do Kid Abelha entra...).Muita trilha de novela, um honroso sexto lugar pro Dj Marlboro (funk), Marisa Monte com 170 mil exemplares de cada um de seus dois discos (ocupando assim os décimos primeiro e segundo lugares da lista...) -,que somados já elegem a bela com vice.
Conclusões: nenhum artista chega mais à venda de um milhão de discos e é a classe B e C é que está sustentando a venda de CDs (83 por cento dos compradores - em 2005 - vêm destas faixas).E mais: o que toca nas rádios não é o que mais vende.
É claro que a metodologia de produção destes dados deve ser discutida e eles não refletem inteiramente a venda de CDs. Faltam ainda os dados sobre DVds - que completam o quadro e são fonte de receita importante.
Mesmo assim, há indícios muito expressivos de uma reconfiguração da indústria do entretenimento musical. Crise da indústria da música? De um modo geral, não; mas, do modelo de grandes gravadoras vendendo Cds, sim! O que confirma algumas sugestões do nosso trabalho aqui no grupo.

1) A ponta da indústria da música migrou dos produtos fechados - como é o caso de Cds e DVDs - para a venda de serviços e/ou softwares que permitem customização. A febre do MP3 é o mais óbvio. Outros exemplos? Música por celular, download em sites, trilhas para games... Quem entendeu isto dentro da indústria fonográfica, está se dando bem. O resto tá amargando prejuízos e reclamando - em vão - da pirataria (física e digital). Ou tentando recuperar -em vão - os lucros, correndo para outro produto fechado como os DVds.

2) A informação também não circula mais pelas AM/FMs. Estas rádios desistiram, inexplicavelmente, de serem formadoras de público e só tocam música velha, gasta - que nem o tal público "adult oriented" curte mais.
Uma rádio com a importância da velha e boa Fluminense? (O Heitor - pesquisador do LabCult sobre este tema - pode comentar melhor...) só na Internet. Sites, revistas eletrônicas, web radios, pod castings e - por que não - mercados piratas. É nestes ambientes que a gente encontra a música que gosta - ou que ainda não conhece e passa a gostar.

3) A ladainha da pirataria sempre reaparece nestas matérias. E o argumento dos empresários é o de que o público tem que ser "conscientizado" para não comprar Cds pirata ou fazer download gratuito. Ora, este assunto merece uma discussão mais séria. Pois, afinal, se tenho a tecnologia para isto, qual a razão que poderia me convencer a não "baixar" uma música? Ética? Em relação a uma indústria vista pelos consumidores como "vilã"...É como xerox...Enquanto os livros forem muito caros e não tivermos bibliotecas decentes, eu me recuso a fazer campanha contra o acesso à informação através de cópias xerox...

4) E o "direito de autor"? Esta é uma longa discussão... (que, aliás, o Chappa Quente tá fazendo hoje, conforme a gente divulgou). Só queria lembrar que há inúmeras formas do artista lucrar com seu trabalho - shows, venda de músicas para os novos serviços que citei acima...
E mais: "artista" é uma construção social de um momento específico da modernidade. Por muito tempo, pintores, músicos e escritores criaram sem reivindicarem a "assinatura" do seu trabalho. Desta forma, pensar nas possibilidades de reconfiguração desta "categoria" também é um bom exercício de imaginação...já pensaram num mundo sem pop stars???


5) Enfim, como disse - a indústria da música vai muito, muito bem...Nunca ouvimos tanta música como hoje, em formatos tão variados.Mas, tal como em outros momentos do capitalismo, estamos assistindo ao que o Paul Thebergé (Any Sound you can imagine. Making music/consuming technology) chamou de "migração trans-setorial". Um só exemplo? As migrações de empresas de celular para o mercado de música(não é "por acaso" que os maiores festivais de música são patrocinados pelas teles...)

Cyber pop culture

Segunda-feira.
No café da manhã, entrevista com o Sr. Orkut - sim o homem que criou o site de relacionamentos mais popular no Brasil - no Info, etc. O gancho é a sua passagem pelo Rio "á procura de talentos nacionais". Com foto enoorme (parecendo o Harry Potter) e declarações de "sempre tive curiosidade de visitar o Brasil, quero aprender mais sobre a cultura brasileira". (vai lá no globo.com que vc ainda encontra...)

Terça á noite. Chego em casa depois de dar uma aula sobre "interações sociais no ciberespaço". Ligo a tv e o que vejo? Uau!!Matéria enorme sobre as chances de negócios no mundo virtual Second Life. Em rede (quase) nacional, no Jornal da Band. Com direito a avatares passeando pela tela, explicações sobre como funciona o ambiente...bem bacana.

Mais do que nunca, a cibercultura é pop!
Ou, como dizia o velho McLuhan, o conteúdo de uma mídia é outra mídia. Remediation (outra noção derivada do trabalho dele...) é isto aí.

Seminário sobre blogs

O endereço para informações é www.pesquisablogseimagem.blogspot.com.
O que dei no post anterior é para inscrições.

Zapeando

Que tal esta? Pesquisadores americanos (sempre eles!) propõem arquivar games na Biblioteca do Congresso, ao lado de livros e filmes.
Pra facilitar a tarefa, elegeram os dez "mais importantes de todos os tempos":
Em ordem cronológica:
1) Spacewar (1962)
2) Star Raiders (1979)
3) Zork (1980)
4) Tetris (1985)
5) Sim City (1989)
6) Super Mario Bros 3 (1990)
7) Civilization I/II (1991)
8) Doom (1993)
9) The Warcraft Series (1994)
10)Sensible World of Soccer (1994)

Revista de Domingo também é (ciber)cultura...

Outra opinião

Na democracia lab-cultiana, cada pesquisador recomenda o que quiser e é bom que seja assim. Mas, a gente tem direito de discordar.
A dica já passou, porém...
Silvio Tendler na categoria Imperdível? Pô, Adolfo, me desculpe... mas... nem falando de Deus - que seria um bom tema pra Semana Santa.