quarta-feira, 25 de abril de 2007

Ainda Lobão

Na Megazine de ontem, mais declarações bombásticas.

(Parêntesis nada a ver - porque é que, no Jornal O Globo inteiro, só a Megazine e o Rio Fanzine trazem "informação relevante" do universo da cultura pop/indie/ciber?).

Com a mesma camiseta "Fuck Yoga" já mencionada pelo Gueko no comentário ao post anterior, Lobão diz, entre outras pérolas, que "Não se pode demonizar as gravadoras. Elas passaram por um período terrível nos anos 90. Espero novo ciclo agora." e "Independente é barato porque suprime a produção. Mas, se quiser disco bom, tem que ter gravadora."

Primeira observação: peraí, cara pálida! Quem demonizou as gravadoras? Com certeza não fomos nós, mas você, que construiu assim a sua carreira independente.

Segunda observação: quer dizer, então, que nenhum disco vendidos pela Revista OutraCoisa tem qualidade?

Sobre a gravação do Acústico MTV - formato que sempre execrou - diz que "resolvi que seria o melhor acústico de história".

E, para coroar, diz que esta guinada, se deve, entre outras, à porrada que levou na festa de aniversário de um empresário em Porto Alegre, quando foi contratado para tocar, em 2005.
É que o aniversariante tinha contratado Lobão "para tocar suas músicas mais conhecidas" e ele tocou também a produção da década de 90.O resultado foi que, na quinta música, mandaram-no descer do palco e foi uma confusão.

"Resolvi dar uma guinada.Falei: Agora chega! Vou estourar!".

Fala sério, Lobão! Tocando em festinha-de-empresário-gaúcho!!!

Neste blá-blá-blá todo, sobressai uma discussão que é um dos eixos do nossso trabalho no LabCult: a disputa simbólica em torno da valoração do pop e a força do binômio autenticidade-cooptação dentro deste universo valorativo.

Estamos sendo puristas quando criticamos Lobão? Estamos reivindicando "autenticidade" para avaliá-lo?

Talvez. Mas, só porque este é o critério que ele usou, nos últimos dez anos, para construir sua carreira "independente".

Com a verborragia conhecida, ele vociferou contra as grandes gravadoras e com certeza, arrebanhou compradores para seus discos não só pela qualidade musical, mas pela postura política e estética.

E,o fato é que, na música massiva, os fatores musicais e extra-musicais estão amarrados juntos.Música, discurso, performance, visual...tudo isto é um pacote que é avaliado em conjunto pelos fãs, conforme discute Simon Frith, uma das nossas referências bibliográficas para esta discussão

Marcelo Garson, pesquisador aqui do LabCult, faz um comentário muito interessante sobre isto na Monografia dele, referindo-se às cobranças que outro polêmico músico, o João Gordo, recebeu.

Mas, vou deixar o gancho pra ele mesmo desenvolver o argumento.

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