segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Ôôô-ô, ôôô-ô, ôôô Rock in Rio-oo... Lisboa!
A operadora de telefonia móvel portuguesa TMN está caminhando a passos largos para arrebatar o título de “dona das propagandas mais constrangedoras envolvendo personagens da cultura midiática brasileira”. Acabou de ser lançada por estas paragens uma nova campanha na qual um boneco de ventríloquo participa de uma audição estilo “Ídolos”, de cujo júri faz parte ninguém mais ninguém menos do que a Daniela Mercury. Após cometer uma versão daquela música que diz “o amor de Julieta e Romeu, igualzinho o meu e o seu” com uma voz de taquara rachada que mais parece a do Bruno Aleixo depois da Gripe A, o boneco começa a tentar provar que sabe “falar brasileiro”, enumerando uma série de palavras e expressões “nativas” tais como boitatá, chuchu beleza e... Niterói! A atual peça só não consegue ser pior – embora seja indubitavelmente mais irritante – do que a campanha de verão da mesma empresa, ambientada numa praia e protagonizada por Reynaldo Gianecchini e Luana Piovani (havia uma versão “para meninos” e outra “para meninas” da propaganda – o ápice dramático da primeira peça consistia no ator brasileiro esfregando o celular pelo corpo suado, sob o olhar embevecido da rapariga que havia encontrado o aparelho perdido na areia da praia, e ao som de uma cançoneta italiana daquelas que costumavam vencer o Festival de San Remo em Mil-Novecentos-e-Muito).
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Após conferir “Morrer como um homem”, o mais recente longa-metragem do sempre necessário João Pedro Rodrigues, ambientado no universo travesti lisboeta e protagonizado pelo surpreendente Fernando Santos, fico me perguntando se haveria cineasta mais adequado para levar às telas a vida de António Variações, cuja cinebiografia vem sendo alvo de uma interminável disputa judicial em torno do roteiro do filme que promete atrasar – e muito – a realização da mesma. Ok que o estilo visceral e sem concessões de Rodrigues provavelmente afugentaria o “público médio”, mas o que uma cinebio de Variações menos precisa é do tratamento asséptico de um Carlos Coelho da Silva. Aliás, melhor dizendo, talvez Variações sequer precise de um longa-metragem sobre sua trajetória de vida: “Morrer como homem”, ainda que de forma indireta, cumpre perfeitamente esse papel. Se é possível falar de um espírito-Variações, ele está todo ali, em cada fotograma do filme, sobretudo na bela seqüência da floresta e na cena em que Tónia, a protagonista, durante uma viagem de carro, cantarola os versos de “Sempre ausente”.
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Já começam a aparecer, espalhados pelas paredes do metro de Lisboa e nas laterais das paragens de autocarros, alguns cartazes anunciando o próximo Rock in Rio Lisboa, a acontecer no já tradicional Parque da Bela Vista, em maio de 2010. Curioso pensar que o festival já vai para a sua quarta ocorrência Além-Mar, enquanto que a “matriz” brasileira estacionou pela terceira edição. “Voltei!”, anuncia o cartaz, no qual uma garota empunhando uma guitarra abre os braços sobre a cidade de Lisboa, tendo o Castelo de São Jorge à direita e a Ponte 25 de Abril ao fundo (pena que não há vestígio do Parque da Bela Vista, local onde de fato ocorrem os shows... Por que será?).
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