Enquanto “Ídolos” e “Astros” continuam bombando na TV aberta (no SBT e na Record) em cima de aspirantes ao estrelato daquilo que até pouco tempo categorizávamos como mainstream musical, um programa como “Geleia do Rock”, exibido pelo Multishow dá vez a uma outra gama de artistas iniciantes em busca de inserção (além de visibilidade midiática) no mercado profissional de música.
Para quem não conhece esse programa em particular, vale dizer que o seu formato tanto apresenta similaridades com os mais conhecidos quanto se destaca pelas diferenças, a começar pelo fato de os participantes não serem apenas cantores tais como nas adaptações tupiniquins do “American Idols”, muito por conta das articulações com as mediações do gênero ao qual se propõem a se vincular. Posto que o objetivo seria formar uma banda de rock, jovens baixistas, bateristas, vocalistas, guitarristas e, eventualmente, tecladistas ou que tocam outros instrumentos (alguns compositores, outros apenas instrumentistas mesmo) são trancafiados no mítico estúdio que pertenceu ao produtor Tom Capone para adaptarem clássicos do rock (e eventualmente de outros gêneros) em versões “autorais” e também para comporem músicas próprias em bandas que possuem formações que variam semanalmente. A cada semana, um deles é eliminado (ou não, já que por vezes decide-se não eliminar ninguém). Nesse programa, os especialistas têm um peso maior em termos de autoridade, não havendo abertura para a eliminação dos participantes por parte do público. O “Geleia” atua complementando de certa forma programas como “Ídolos” e “Astros”, ampliando o painel de possibilidades (e questões) na música pop(ular) massiva e articulado a diversas mediações culturais, como as relacionadas ao próprio canal em que é exibido, voltado a um público jovem e de classe média.
Um objeto como esse suscita diversas discussões, uma delas seria a de que a relação entre reality shows e música serve no mínimo para pensar e perceber a articulação entre uma nova forma apresentada para um velho papel que a televisão desempenha na formação de novos atores da música e os rumos atuais da indústria da música (e suas atuais eventuais dificuldades em renovar o cenário). Enquanto, através dos reality musicais, a TV continua a ser um palco midiático privilegiado para novas carinhas (como foi desde a época dos festivais nos anos 60), cada vez menos os novos artistas que passam por esse canal parecem estar conseguindo se consolidar no mercado musical midiático, ao menos da mesma forma em que conseguiriam nas décadas anteriores. É transformação (com determinadas mudanças e certas permanências) para tudo quanto é lado (tanto para a indústria da televisão, quanto para a da música). Como está se dando essa (des?)articulação? É só uma questão. Alguém ajuda palpitando ou fazendo outras indagações correlacionadas? :)

