Mostrando postagens com marcador música popular masiva. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador música popular masiva. Mostrar todas as postagens

domingo, 5 de setembro de 2010

Música e Reality Show: Geleia geral

Enquanto o senso (crítico?) comum insiste ainda em contribuir para vedar os nossos olhos para os “reality shows”, me parece necessário puxar um pouco a corda para o outro lado, reconhecendo a importância cultural de um formato televisivo com mais de uma década nas costas e que se expandiu em diversos subformatos, popularizados pelos mais diversos canais e segmentos de consumo. Alguns desses subformatos de reality que se destacam são aqueles que se articulam à música pop(ular) massiva.

Enquanto “Ídolos” e “Astros” continuam bombando na TV aberta (no SBT e na Record) em cima de aspirantes ao estrelato daquilo que até pouco tempo categorizávamos como mainstream musical, um programa como “Geleia do Rock”, exibido pelo Multishow dá vez a uma outra gama de artistas iniciantes em busca de inserção (além de visibilidade midiática) no mercado profissional de música.

Para quem não conhece esse programa em particular, vale dizer que o seu formato tanto apresenta similaridades com os mais conhecidos quanto se destaca pelas diferenças, a começar pelo fato de os participantes não serem apenas cantores tais como nas adaptações tupiniquins do “American Idols”, muito por conta das articulações com as mediações do gênero ao qual se propõem a se vincular. Posto que o objetivo seria formar uma banda de rock, jovens baixistas, bateristas, vocalistas, guitarristas e, eventualmente, tecladistas ou que tocam outros instrumentos (alguns compositores, outros apenas instrumentistas mesmo) são trancafiados no mítico estúdio que pertenceu ao produtor Tom Capone para adaptarem clássicos do rock (e eventualmente de outros gêneros) em versões “autorais” e também para comporem músicas próprias em bandas que possuem formações que variam semanalmente. A cada semana, um deles é eliminado (ou não, já que por vezes decide-se não eliminar ninguém). Nesse programa, os especialistas têm um peso maior em termos de autoridade, não havendo abertura para a eliminação dos participantes por parte do público. O “Geleia” atua complementando de certa forma programas como “Ídolos” e “Astros”, ampliando o painel de possibilidades (e questões) na música pop(ular) massiva e articulado a diversas mediações culturais, como as relacionadas ao próprio canal em que é exibido, voltado a um público jovem e de classe média.


Um objeto como esse suscita diversas discussões, uma delas seria a de que a relação entre reality shows e música serve no mínimo para pensar e perceber a articulação entre uma nova forma apresentada para um velho papel que a televisão desempenha na formação de novos atores da música e os rumos atuais da indústria da música (e suas atuais eventuais dificuldades em renovar o cenário). Enquanto, através dos reality musicais, a TV continua a ser um palco midiático privilegiado para novas carinhas (como foi desde a época dos festivais nos anos 60), cada vez menos os novos artistas que passam por esse canal parecem estar conseguindo se consolidar no mercado musical midiático, ao menos da mesma forma em que conseguiriam nas décadas anteriores. É transformação (com determinadas mudanças e certas permanências) para tudo quanto é lado (tanto para a indústria da televisão, quanto para a da música). Como está se dando essa (des?)articulação? É só uma questão. Alguém ajuda palpitando ou fazendo outras indagações correlacionadas? :)
Enquanto pensamos, videos de composições da boa molecada do programa:

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A Conquista da América? Algumas questões sobre o show de Ivete Sangalo em NY

Sábado, dia 4 de setembro será mais um dia crucial na carreira de Ivete Sangalo. A cantora brasileira mais bem sucedida do momento, com cerca de 9 milhões de discos vendidos e que cobra um cachê em torno de 500 mil reais por apresentação, irá subir no palco da Madison Square Garden, famosa casa de espetáculos localizada em Nova York. Desse show também sairá o seu terceiro DVD ao vivo que será lançado pela Universal Music. Os registros dos shows de uma das principais representantes da “axé music” tem sido acompanhados de uma grande mobilização midiática, com produção caprichada, dando ares de grande acontecimento: O primeiro foi gravado no extinto estádio Fonte Nova em Salvador através do selo MTV ao vivo e sedimentou de vez sua carreira solo ao vender mais de 2,6 milhões de CDs; o segundo, já pela Multishow, levou cerca de 45 mil pessoas ao Maracanã e ainda hoje é o DVD mais vendido na América latina. Dessa vez o evento será fora de casa e, portanto, se revela mais uma estratégia para tentar deslanchar carreiras de artistas brasileiros no cenário musical internacional. Depois dos fiascos de Alexandre Pires e da dupla Sandy e Júnior, ficou claro que essa não é uma tarefa das mais fáceis. Se outros artistas baianos como Daniela Mercury, Carlinhos Brown e a própria Ivete são relativamente populares em países europeus como Espanha, França e Portugal, nos Estados Unidos e seu mercado fonográfico concorrido e quase auto-suficiente, a missão fica mais complicada.

Para esse show, Ivete se afasta um pouco mais do gênero que a consagrou. Embora os hits carnavalescos ainda façam parte de seu repertório, estas serão intercaladas por canções de ritmos mais universais. A cantora já adiantou que incluirá nesse disco músicas cantadas em inglês e espanhol (buscando, nesse sentido, o público americano e de origem hispânica). Além disso, mesmo em suas produções anteriores, o axé music já aparecia cada vez mais diluído em canções que flertavam com outros estilos musicais como funk, soul e reggae. Trata-se de uma estratégia orientada para a expansão de sua carreira para além dos trios elétricos.

No que diz respeito a indústria fonográfica e sua crise com os suportes de gravação, o show reafirma a importância das apresentações ao vivo. Uma parceria entre a cantora e a empresa de viagens aéreas Tam promoveu uma bem sucedida venda de pacotes de viagem para assistir o show em Nova York. Não é preciso calcular muito para perceber que ver Ivete Sangalo na cidade americana será muito mais dispendioso do que aguardar sua turnê brasileira, no entanto, entra ai a “economia da experiência” que legitima o investimento feito por cerca de 5 mil fãs: “Assistir Ivete Sangalo no Madison Square Garden é uma experiência única”. Por outro lado, esse evento também relativiza essa crise da indústria fonográfica ao demonstrar a importância da participação das gravadoras em grandes ações promocionais. Como Ivete é hoje a principal artista no cast da Universal, sendo sua recordista em vendas de CDs e DVDs, a gravadora não poupou investimentos para o projeto que traz convidados de fama internacional, cenografia elaborada pelo mesmo artista que trabalhou com Madonna e Black Eyed Peas e uma forte campanha publicitária. Nesse sentido o show realmente é único, uma superprodução que só acontece uma vez para que seja feita a gravação do DVD. Menos interessada em lucrar com a micro-turnê americana, Ivete e sua produtora (a Caco de Telha, pertencente ao irmão da cantora) está voltada para a divulgação de seu trabalho, que depois tende a reverter dividendos para a gravadora e turbinar sua agenda de shows, evidentemente mais simples, pelo país afora.

Por fim, gostaria de lembrar mais uma vez das estratégias de endereçamento dos conteúdos musicais. Em matéria do “New York Daily News" a cantora foi denominada como a “Beyonce do Brasil”. Apesar de aparentemente negar tal comparação, Ivete já buscava essa aproximação desde que ajudou a promover a turnê da artista pop americana esse ano aqui no Brasil. Foi ela quem abriu o show de Beyonce em Salvador e São Paulo. E em comerciais de TV a similaridade física e de performance foi amplamente explorada. Ivete chegou a adotar corpetes que lembram o figurino utilizado por Beyonce em seus shows. A estratégia de usar artistas mais conhecidos como referência ainda é uma forma bem sucedida de posicionar artistas desconhecidos em um determinado mercado musical.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Gravando!


Justamente enquanto acompanhava a contratação de reforços pela internet do meu time (e dos outros) para a próxima temporada, os primeiros reforços para a minha própria tese se apresentavam na portaria.


O primeiro a chegar foi "Gravando! Os Bastidores da Música", uma auto-biografia (bastante centrada na carreira) de Phil Ramone, produtor que já trabalhou com John Coltrane, Ray Charles, Bob Dylan, Paul Simon, Paul McCartney, Bono Vox, Stan Getz, Tom Jobim, João Gilberto, Frank Sinatra, e muitos etcs. O livro, muito bem prefaciado pelo titã Tony Belloto, dialoga com o conceito de álbum em sua formatação. Ao longo de seus capítulos, intitulados de Faixas (1,2,3 em diante até bônus track), bastante conteúdo informativo para diversas discussões sobre as relações entre produtor, artistas, estúdio, música, indústria e a diversidade de atores envolvidos (de engenheiros de som a empresários) ao longo de mais de 40 anos de histórias vivenciadas por Phil.


Muito recomendado não apenas para quem tem interesse específico em produção e produtores musicais, mas também na história da indústria fonográfica e da música massiva de um modo geral.


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Paul McCartney não morreu?

A suposta morte de Paul McCartney continua rendendo. Segue o link para um blog de um quadrinhista brasileiro que disponibilizou uma HQ online sobre essa lenda urbana do mundo pop:

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Bacalhau & rabanadas

Fiquei os últimos dias matutando como desejar a todos os amigos LabCULTianos, colaboradores e leitores deste blog, os tradicionais votos de Feliz Natal e próspero Ano Novo e blá blá blá. Aí resolvi criar uma playlist no Imeem (site para onde migrou o saudoso serviço de podcasting da anywhere.fm) com algumas músicas - portuguesas, naturally - que descobri durante minha última viagem à Terrinha e que podem servir, à sua maneira, para embalar as vossas festas de final de ano. Por enquanto eu coloquei apenas oito canções, mas a idéia é alimentar a playlis durante essa semana e a próxima com os sons que forem surgindo na minha cabeça.

Depois o projeto é transformar o [todagentetodaparte] num podcast independente do meu objeto de pesquisa, uma forma de compartilhar com vocês algumas músicas que a gente vai descobrindo pelo caminho e que, como sói acontece com as coisas bacanas, não merecem ficar guardadas na gaveta ou enclausuradas num personal music player.

Então é isso. Boas festas a todos, um 2009 pleno de realizações, defesas arrasadoras e fartíssimas bolsas-sanduíche [hehe], além de muita música poptuguesa nas idéias.

Até janeiro!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

SERTANEJO UNIVERSITÁRIO



Depois do forró, no final dos anos noventa e início deste novo século, agora é a vez do sertanejo receber o rótulo de universitário.
De acordo com uma matéria do Portal Globo, neste novo subgênero do sertanejo, "abusa-se dos violões e guitarras e até mistura percussão de axé. As letras e composições costumam ser 'fáceis', e a roupagem não é nada parecida com duplas como Zezé di Camargo e Luciano muito menos com Chitãozinho e Xororó. E o público também é outro. Os jovens que curtem o sertanejo universitário não são necessariamente adeptos de chapéus e fivelas de cinto". É o sertanejo da "night", da "balada".
A emergência de um novo movimento de produção e consumo musical como este aponta não somente para as transformações sociais que os gêneros musicais constantemente sofrem, como também para o fato de que estas transformações ocorrem dentro de características da cartografia musical do local de onde surgem (não por acaso que as boates citadas na matéria do Globo.com sejam todas de São Paulo, um dos lugares mais privilegiados para a emergência da música sertaneja moderna no final dos anos oitenta e noventa).

Segue o link para a matéria que fala sobre a emergência do tal sertanejo universitário.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Rock the vote - o papel central da música na campanha americana

Eleições dos Estados Unidos se aproximando e embora o presidente eleito ainda não tenha sido definido ( ou já?) uma coisa é clara; a música foi um elemento central na campanha americana, particularmente para o candidato Barack Obama. Foram os democratas que lançaram um CD com músicas da campanha interpretadas por grandes nome da música pop americana como Stevie Wonder, Sheryl Crow, Kanye West e John Legend. Intitulado "Yes We Can: Voices of a Grassroots Movement", o álbum tem a renda destinada para a campanha e só após a eleição o lucro ficará com a gravadora responsável "Hidden Beach Recordings". O partido democrata também lançou na internet diversos videoclipes promovendo seu candidato. Com música do vocalista da banda Black Eyed Peas, Will.i.am, e participação da atriz e cantora Scarlet Johansson o vídeo virou hit no You Tube. Isso tudo sem falar nas várias declarações de apoio de artistas como Michael Stipe do R.E.M., Madonna, Joss Stone, Alicia Keys e Jay-Z. Num país que forjou a música pop e que tem em Hollywood um forte referencial para o imaginário social, essa aliança entre cultura e política tem um peso considerável nos rumos da eleição e vem apontando em direção à Obama. Ainda mais quando os jovens são grande parte do eleitorado, capaz de decidir a eleição, como vem apontando as pesquisas (ou será que não devemos confiar muito nelas?). Nos E.U.A. existe até uma fundação chamada "Rock the vote" que usa ícones do mundo pop para inserir os jovens na discussão política. Aqui tem o link para um trabalho apresentado no NP de Tecnologias da Informação e da Comunicação no INTERCOM desse ano que trata justamente do papel das novas tecnologias na campanha americana. Além da música, ressaltada nesse post, os pesquisadores apontam como o celular, o You Tube e outras ferramentas midiáticas foram utilizadas para promover o candidato democrata. Já o republicano John McCain, que não conta com um apoio tão intenso por parte da classe artistica americana, sendo muitas vezes impedido por bandas de utilizar suas músicas na campanha, e nem possui um caixa tão recheado como o de Obama, cita todo arsenal midiático do concorrente com ironia lembrando que "toda campanha publicitária é melhor que o produto".

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Música, Ídolos, Poder e André Midani


“Midani foi fundamental para que não acontecesse com a MPB o mesmo que se passou com o cinema brasileiro, eterno artesanato acachapado pelo grande cinema internacional. Graças à sua sensibilidade, pude ouvir Lulu, Rita Lee e os Titãs em pé de igualdade com os Rods, os Micks, e afins”.

A declaração da atriz Fernanda Torres, encontrada num “teaser” que recebi do livro “André Midani: Música, Ídolos e Poder – do vinil ao download”, dá a medida da importância de André Midani especificamente (mas também de todos os produtores musicais em geral) para a história da indústria fonográfica no Brasil, contribuindo para o estabelecimento de um mercado interno razoavelmente sólido para a música brasileira (ao contrário das dificuldades sofridas pelo cinema nacional nesse quesito, como faz muito bem em comparar a atriz).

O livro está na minha lista de compras de fim de ano. Que venha logo o meu 13º!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Não é piada

Reflita durante alguns segundos sobre a expressão “música portuguesa”. Qual destas imagens ou sonoridades passou mais vivamente diante de seus olhos e ouvidos?

(a) o fado melancólico de Amália Rodrigues
(b) o infame “vira” de Roberto Leal
(c) bolinhos de bacalhau (ok, eles não têm muito a ver com música, mas enfim...)
(d) Vasco da Gama (o time de futebol, e não o navegador)

Aos que assinalaram a opção (a) ou (b), uma conferida no site/blog http://rockemportugal.blogspot.com/ pode servir para oxigenar as idéias. Seu criador, Aristides Duarte, além de atuar como professor do Ensino Fundamental (!) no Distrito da Guarda (Concelho de Sabugal – em Portugal, onde mais?), acabou de lançar a terceira edição, revista e actualizada, do livro Memórias do rock português. Funcionando para o “rock de tamancos” como o BRock de Arthur Dapieve funciona para o “rock de bermudas” (estereótipos à parte), o livro parte de uma breve trajetória histórica do rock and roll em Portugal desde os anos 60 até hoje, para em seguida se deter nas biografias das bandas e artistas mais representativos, como os veteranos do Xutos & Pontapés, GNR, UHF e Rui Veloso, bem como os novos Clã e Mão Morta.

Em que se pesem as eventuais derrapadas que toda obra gestada no peito e na raça geralmente apresenta (como foi editado pelo próprio autor, o livro é bastante problemático no quesito revisão), as Memórias... de Aristides acabam se configurando como referência bibliográfica indispensável sobre o assunto, já que A arte eléctrica de ser português – 25 anos de rock’n Portugal (1984), de Gonçalo Duarte, está esgotado há décadas. O blog, por sua vez, disponibiliza vídeos, fotos e capas de alguns discos clássicos. É curioso perceber como as trajetórias midiáticas destes dois “rocks nacionais” em muito se assemelham, embora saibamos muito pouco ou quase nada a respeito do rock d’Além-Mar.

A pesquisa “Ruídos e assimetrias no intercâmbio Brasil-Portugal: consumo musical e identidades juvenis entre a ‘modernidade’ e a ‘tradição’”, que desenvolverei como aluno do doutorado em Comunicação da Universidade Federal Fluminense a partir deste ano, gira em torno destas e de outras questões, relacionadas à música popular massiva portuguesa contemporânea, sobretudo em seu diálogo (às vezes silencioso, na maioria das vezes inexistente) com o imaginário musical brasileiro. Lançar uma luz sobre esse rock português, virtualmente desconhecido entre nós, será um dos objetivos das minhas intervenções neste espaço do LabCULT.

Sejam bem vindos à discussão, ó pá.