
As polêmicas estão relacionadas desde a sua competência para mixar e produzir músicas (Jesus teria lançado seu primeiro álbum autoral em agosto), suas performances enquanto toca – consideradas por muitos exageradas e “cafonas” –, à exploração de seu relacionamento com uma celebridade para conseguir visibilidade na mídia até a sua própria condição de “DJ superstar”, ou seja, de “DJ celebridade”, aquele que teria notoriedade simplesmente por ser alguém famoso, e não por sua boa seleção musical ou capacidade de tocar.
Há vídeos postados na Internet que mostram uma das apresentações de Jesus (no início de sua carreira como DJ, em 2009) em uma casa noturna no Brasil, na qual se vê outro homem mixando as músicas, enquanto Jesus estaria apenas fingindo que está tocando, fazendo poses para público e não utilizando o fone de ouvido, que é quase realmente indispensável para as mixagens. Essas imagens deram margem a uma série de textos postados em diversos sites, nos quais se afirma que Jesus seria um impostor, alguém que de fato não saber tocar como DJ.

Parece inclusive que o rapaz já admitiu que contou com o auxílio de DJs auxiliares em suas primeiras apresentações e parece também que ele está fazendo um curso para aprender a tocar / aprimorar sua técnica).
Polêmicas a parte, o que tenho observado com essa história do Jesus Luz é todo o jogo entre insiders e outsiders, “nós” e “eles”, quem está dentro “mesmo” da cena e quem não está. E isso me leva a pensar: quais são as características/critérios que fazem com que alguém seja considerado do meio? É a habilidade técnica? É a seleção musical? É o tempo de existência/permanência na cena? É carisma? É tudo isso junto? E, creio ser mais interessante ainda, pegando toda uma discussão que Simon Frith e Tia De Nora fazem muito bem, existiria alguma materialidade ou concretude nesses julgamentos de valor? Ou seja, de fato podemos simplificar um pouco a coisa e dizer que “tocar bem” não é algo tão simbólico assim?
Claro que não pretendo responder a essas perguntas aqui, mas acho válido o questionamento, que pode levar a discussões bem profundas no campo da música.

