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quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Jesus Luz: polêmicas na arte de ser DJ

Como todos já devem saber, o modelo brasileiro Jesus Luz se tornou DJ de música eletrônica após se tornar famoso por seu relacionamento com Madonna. Acontece que suas performances e produções musicais têm sido fortemente criticadas e polemizadas por vários sujeitos envolvidos com a cena.















As polêmicas estão relacionadas desde a sua competência para mixar e produzir músicas (Jesus teria lançado seu primeiro álbum autoral em agosto), suas performances enquanto toca – consideradas por muitos exageradas e “cafonas” –, à exploração de seu relacionamento com uma celebridade para conseguir visibilidade na mídia até a sua própria condição de “DJ superstar”, ou seja, de “DJ celebridade”, aquele que teria notoriedade simplesmente por ser alguém famoso, e não por sua boa seleção musical ou capacidade de tocar.

Há vídeos postados na Internet que mostram uma das apresentações de Jesus (no início de sua carreira como DJ, em 2009) em uma casa noturna no Brasil, na qual se vê outro homem mixando as músicas, enquanto Jesus estaria apenas fingindo que está tocando, fazendo poses para público e não utilizando o fone de ouvido, que é quase realmente indispensável para as mixagens. Essas imagens deram margem a uma série de textos postados em diversos sites, nos quais se afirma que Jesus seria um impostor, alguém que de fato não saber tocar como DJ.



Parece inclusive que o rapaz já admitiu que contou com o auxílio de DJs auxiliares em suas primeiras apresentações e parece também que ele está fazendo um curso para aprender a tocar / aprimorar sua técnica).

Polêmicas a parte, o que tenho observado com essa história do Jesus Luz é todo o jogo entre insiders e outsiders, “nós” e “eles”, quem está dentro “mesmo” da cena e quem não está. E isso me leva a pensar: quais são as características/critérios que fazem com que alguém seja considerado do meio? É a habilidade técnica? É a seleção musical? É o tempo de existência/permanência na cena? É carisma? É tudo isso junto? E, creio ser mais interessante ainda, pegando toda uma discussão que Simon Frith e Tia De Nora fazem muito bem, existiria alguma materialidade ou concretude nesses julgamentos de valor? Ou seja, de fato podemos simplificar um pouco a coisa e dizer que “tocar bem” não é algo tão simbólico assim?

Claro que não pretendo responder a essas perguntas aqui, mas acho válido o questionamento, que pode levar a discussões bem profundas no campo da música.

terça-feira, 30 de junho de 2009

superstar djs

Superstar Djs: Here we Go! é como se chama o livro de Dom Phillips, ex-editor da Mixmag, que hoje em dia mora no Brasil.

Em entrevista a Camilo Rocha para a Dj Mag, ele fala sobre a crítica de música em geral (usando o bom e velho jargão mainstream para designá-la) e também que existe uma intolerância forte por parte da dance music em relação a críticas negativas na mídia.

De qualquer maneira, o livro soa bem interessante: ele faz um panorama da Inglaterra pós-rave, e dá a sua versão de como o DJ passou a adquirir status de popstar.

Lembrei do trabalho do colega labcultiano Marcelo Garson, que comentou bastante esta questão e está nos preparativos para ser vizinho de Phillips em São Paulo.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Dj Magal


E prá quem ainda acredita na máxima do Pierre Lévy que diz que a arte na era digital é democrática permitindo a qualquer um ser produtor de seus próprios conteúdos, extrapolando assim a comunicação unidirecional dos meios massivos, eis que nos deparamos com um texto assim:


Na onda dos DJs-bizarros, Sidney Magal assume o som

PARECE que esse negócio de DJ está meio fora de controle. Nesta terça, quem assume o som da festa semanal Musique, que rola no Boox (rua Barão da Torre 368 - Ipanema. Tel: 2522-3730) é o cigano de plantão Sidney Magal. Sabe Deus o que ele vai tocar e o que o povo vai dançar, porque o material de divulgação informa que uma escola de yoga e os atores de uma peça de teatro estarão comemorando inaugurações, estréias e afins na pista. Reza e vai. De preferência com uma máquina fotográfica.

O texto tá no Globo Online por Ronald Villardo e revela que para além da utopia de Lévy, a arte/ cultura ainda está apoiada sobre as distinções. Ainda existem vozes clamando pelo direito de legitimação. Quem pode ser dj? Quem não pode? A palavra "controle" me saltou os olhos... E o pior é que a festa já rolou! Agora é torcer por uma reedição... rs

domingo, 30 de março de 2008

Quem já viu?




Gente! Descobri uma pérola trash, deliciosa, este fim de semana na locadora. É um falso documentário (mockumentary -ugh! é assim que se escreve?) - chamado Ritmo Acelerado (It´s all gone, Pete Tong), sobre a ascensão e queda de Frankie Wilde, um DJ de Ibiza que fica surdo... E mais não vou contar, pra não estragar.

Eu não tinha nenhuma informação prévia, peguei na estante totalmente no chute, jurando que não devia prestar. Mas, foi uma surpresa. Depois de assistir e a-mar, fui fuçar na internet.Claro! - havia site oficial, um monte de comentários, verbete na wikipedia, videos no youtube, críticas no rraurl, blogs comentando, discussão se é mesmo fictício e tudo mais.

O filme é de 2005, não chegou a ser lançado nos cinemas e foi direto pro DVD.O legal é que toca no tema central da pesquisa de Marcelo Garson, sobre a ascensão dos Djs Superstars durante os anos 90 - que discutimos na última reunião do grupo na sexta.

Tá tudo lá, em tom de sátira! A farra da ilha que inventou uma certa versão da cultura eletrônica ensolarada e hedonista, os excessos, as drogas - em especial a cocaína voando pros narizes -mais o culto aos Djs tratados como popstars pelos frequentadores, os empresários oportunistas, as festas em locais lendários como Pacha, Amnesia, Privilege...

Entremeado por depoimentos "sérios" de gente como Tiesto, Carl Cox, Paul van Dyck e outros Djs top, além da participação do Pete Tong do título - Dj e referência na divulgação da cultura eletrônica, através de seu programa na BBC. Mais uma trilha sonora deliciosa e um ator ótimo, Paul Kaye, fazendo o papel do DJ ensandecido - tudo isto torna o filme um ótimo programa.

Ah! E tem uma frase que - desculpem a pieguice - é linda. A cena é quando o cara, depois de quase pirar, se conforma de que tá mesmo surdo. Começa então a lidar com o fato; depois se apaixona pela professora de linguagem labial, maluca como ele. E ela diz, lá pelas tantas: Relaxe! Se acalme! Confie nos outros sentidos!E ele descobre um monte de coisas bacanas a partir daquele momento - não, juro que não vou mesmo contar o resto! - mas é comovente.

Peguem agora na locadora ou baixem... e depois comentem aqui se gostaram...