sábado, 5 de abril de 2008

Crise (?!) da indústria fonográfica

O Jefferson já comentou os dados da ABPD sobre vendas de músicas em 2007, com Ivete Sangalo no topo das vendas. Mas, volto ao assunto. É que constatei que se daqui há 10 anos, um desavisado pesquisador do futuro quiser fazer um balanço do perfil do consumo de música no Brasil no ano de 2007, chegará às seguintes conclusões:

1) Não se ouve música estrangeira no Brasil - não há estrangeiros nas dez primeiras posições das duas listas (CDs e DVDs)

2) Só foi lançado um CD "de autor"- da cantora Maria Rita, que ficou na décima posição. O resto é "Ao Vivo", coletâneas, Acústicos lançados no ano anterior...

3) Os brasileiros são muuuito religiosos e a indústria fonográfica é toda católica - Padre Marcelo Rossi ocupa a primeira posição dos Cds e a segunda dos DVds.

4) São escutados somente os gêneros: pop rock de bandas dos anos 80 e 90 em Acústicos MTV (Jota Quest, Kid Abelha, o Rappa e Barão Vermelho); "pop pop" de duas cantoras (Ana Carolina e Ivete Sangalo); duas duplas sertanejas ( Cesar Menotti e Fabiano; e Bruno e Marrone) e os filhos de sertanejo Sandy e Júnior - dupla que já acabou mas ainda colhe os louros do Acústico. Mais Banda Calypso, Xuxa, duas coletâneas de Samba, High School Musical 2 - e é só!

Como sabemos que este pesquisador está equivocado, podemos concluir o óbvio. O fato de que a diversidade, riqueza, pluralidade e complexidade da música que se consome no Brasil está muito longe deste perfil. E que temos que incluir a música digital, em todas as suas expressões - vendida, trocada, pirateada, ouvida em celular, tocador de MP3 ou direto das rádios digitais na análise.

Cabe ainda destacar:

5) A queda de unidades vendidas foi somente de 17,2%. Mas, a de faturamento, corresponde a 31,2%, por conta da redução de preços dos CDs e DVDs em geral.

6) A venda digital movimentou R$ 24,5 milhões e subiu 185% em relação a 2006. Mas, isto representa 8% do mercado e ainda não compensa as perdas do item anterior.

Mas tem o outro lado - aumento de 185% num ano é por demais representativo de uma mudança de modelo de distribuição, não é?

É por estas e outras que a discussão em torno da Cauda Longa do consumo ( Chris Anderson) e das mídias de nicho é crucial para entendermos este mercado de forma mais complexa.

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