O post da Simone a partir da reportagem publicada pelo Megazine d'o Globo na semana passada (aquela sobre o 'novo hype') me fez recordar de uma crítica-crônica de autoria do jornalista, ensaísta e polemista português Miguel Esteves Cardoso. Durante sua passagem pelas revistas especializadas O Se7e e Música e Som, entre finais dos anos 70 e início dos 80, Cardoso testemunhou o boom do rock português, mantendo quase sempre uma postura ácida e crítica em relação ao que ele considerava uma "invenção de atilados empresários e jornalistas ingênuos, criando separações artificiais e provocando expectativas injustas". Concordando-se ou não com os argumentos do autor (e na maioria das vezes eu discordo), há que se reconhecer a precisão de seu estilo e a qualidade de seu texto. Alguns de seus mais vigorosos petardos contra a sociedade portuguesa podem ser encontrados no livro A causa das coisas, edição portuguesa da Assírio & Alvim (1987) que eu pesquei num sebo carioca certa feita.
Já o trecho a seguir vem da coletânea sobre música Escrítica pop - um quarto da quarta década do rock (1980-1982), publicado pela mesma Assírio & Alvim e disponível apenas para consulta no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro.
"Como as borboletas, a música pop tem uma vida de três dias. Assim, os lepidopterologistas Pop só têm de escolher entre duas práticas. Uns, para preservar e analisar a borboleta, montam-na num expositor. Outros, deslumbrados com a cores e com o vôo, limitam-se a segui-la com o olhar. Aqueles, porém, têm de matá-la primeiro. Ou ostros apenas têm de deixá-la morrer depois. Mas não valerá mais vivo durante três dias do que morto toda a vida?"
E aí? Que tipo de Lepidopterologista Pop nós queremos ser?
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Sobre pop e borboletas
Marcadores:
Crítica,
Miguel Esteves Cardoso,
relações Brasil-Portugal
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário