terça-feira, 21 de setembro de 2010

Arquivos raros sobre música

O Instituto Moreira Salles (IMS), criado em 1990, tem um projeto super interessante de resgate da memória sonora da música popular brasileira, a Rádio Batuta, que além de disponibilizar gravações raríssimas de músicas do início do século XX, divulga a história da sonoridade de grandes nomes da MPB, como Pixinguinha, Noel Rosa e Ary Barroso.


Lá podemos ouvir as gravações originais que a Casa Edison fez a partir de 1902, como o lundu “Isto é bom”, de Xisto Bahia, cantado por Bahiano, considerada a primeira música gravada no país. Há também gravações de clássicos de Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Catulo da Paixão Cearense, Noel Rosa, Carmem Miranda, todas gravadas, na época, em disco de 78 rpm. Aqui percebemos o intenso movimento da indústria fonográfica, em seus primeiros anos, na construção da industrialização da música popular brasileira. O livro “A Casa Edison e seu tempo”, editado pela gravadora Biscoito Fino, conta que a indústria fonográfica buscava os cantores nas ruas, em circos, teatros, para que gravassem aquilo que era produzido pelo povo e que agradasse a ele.


Além disso, a Rádio Batuta traz vários programas, como “Os batutas”, que sempre conta a história de um compositor importante da MPB, como Custódio Mesquita, Adoniran Barbosa e Pixinguinha. No “Vitamina B”, Bia Paes Leme narra a trajetória de músicos importantes para a construção de nossa sonoridade musical e disponibiliza as gravações originais de grandes clássicos.


A Rádio Batuta disponibiliza também documentários e séries sonoras, como o “Sabiás, pardocas e feitiçarias”, sobre a vida de Noel Rosa, e a série “Canção no tempo (1906-1910)”, em que podemos ouvir ano a ano as músicas que fizeram sucesso neste período da história. A rádio disponibiliza também a série de aulas-show “O fim da canção”, em que o cantor, compositor e pianista José Miguel Wisnik e o compositor, violinista e escritor Arthur Nestrovski interpretam ao vivo algumas canções e depois as comentam.


Até bem pouco tempo essa memória da música era viável apenas no papel, pela existência das partituras, ou pela interpretação de artistas novos das canções antigas. Graças às novas tecnologias, podemos ter acesso aos registros sonoros originais, e estudar de forma mais consistente a sonoridade tão particular do início do século XX.

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