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sábado, 25 de setembro de 2010

CSS: Ser ou não ser indie?

A banda Cansei de Ser Sexy, à qual fui apresentada nos idos de 2006 pelo Lucas e que se tornou um dos cases da dissertação dele, reapareceu no Brasil esta semana depois de longuissimo sumiço. E ganhou duas folhas da Ilustrada da Folha (não tenho o link, pois não sou assinante).

Sob o título "Cansei de Ser Indie", o tom da matéria é o de que a banda se profissionalizou, não toca mais "no quintal da casa de alguém", como fazia antes e que quer fazer uma grande turnê no Brasil, para retomar a ligação com os fãs brasileiros.

Com 7 anos de estrada e de volta à terra natal depois para gravar o terceiro disco, eles declaram que pretendem "retomar a pegada mais espontânea do primeiro" e se afastar de uma certa pretensão de seriedade roqueira do segundo (o Donkey, de 2008).

Ao mesmo tempo, salpicam na matéria informações de que a turnê deles é agora bem mais cara, por isto mais difícil de ser contratada no Brasil. Isto porque conta com uma estrutura que não tinham antes:"empresário, asssistente de palco, iluminador, técnico de som - o mesmo que trabalha com o Motorhead e o AC/DC" - declara a baterista (Carolina Parra).

A gente torce para dar certo. Mas, sei não... fico com a impressão de que a banda ainda não resolveu o dilema "ser ou não ser" indie, que parece ter atravessado a produção do disco anterior e a própria carreira da banda depois do sucesso do primeiro disco. Pois, não custa lembrar que foi exatamente a sonoridade tosca, espontânea, com letras divertidas e despretensiosas. Mais um nome de batismo da banda roubado de uma frase da diva pop Beyoncé - e a sensação de que - sim! aquele bando de desvairadas fofas que não sabia tocar um instrumento mas que se divertia muito no palco ia tocar no quintal da sua casa a qualquer momento! - que despertou o interesse dos fãs pelo grupo.

Depois, veio o sucesso na Internet, o lançamento do priemiro disco pela Trama, depois pela SubPop e o reconhecimneto de revistas tais como a NME, que as indicava como uma das bandas mais hypes do momento a seus leitores.

Eu mesma, quando estava em Montreal em 2008, pude testemunhar o espaço que a banda ganhou nos cadernos culturais indies por ocasião de sua passagem pela cidade, para tocar no Festival Pop Montreal. É assim que esta banda - que tornou-se conhecida por suas estratégias underground e foi uma das primeiras bandas de internet a estourar no Brasil e fora, parece agora estar fazendo o caminho oposto, buscando se legitimar a partir da afirmação de uma carreira mais "profissional". O que, soa, vamos ser sinceros, como um certo retrocesso, não?

Então, é esperar pra ver... Enquanto isto, vamos curtir a deliciosa "Let's Make Love and listen to detah from above" - tosca, fresca, espontânea, electro como poucos faziam no Brasil nos idos de 2005/2006.