segunda-feira, 14 de julho de 2008

Hilários e fedorentos

Para algumas pessoas, Portugal é sinônimo de piada. Indo muito além das célebres "piadas de português" tradicionalmente consagradas entre nós e fazendo um humor que fica entre o Saturday Night Live e o Monty Python Flying Circus, com pitadas de Casseta & Planeta, Pânico na TV e CQC (ufa!) estão os gajos do Gato Fedorento, célebre grupo humorístico da TV lusitana, atualmente comandando o show "Diz que é uma espécie de Magazine" em exibição pela RTP (rola todo domingo, às 15 horas).

A trupe, oriunda do teatro e da stand up comedy, é formada por Ricardo Araújo Pereira, Zé Diogo Quintela, Tiago Dores e Miguel Góis. No programa, há espaço tanto para a sátira política quanto para a paródia dos programas da TV portuguesa. O mais bacana do Gato Fedorento é, ao mesmo tempo, o que torna o humor do grupo algo restrito aos patrícios: todas as piadas são muito "enraizadas", por assim dizer, nos costumes da sociedade lusa. Quem é de fora ou não conhece de perto os leitmotivs das piadas corre o sério risco de não achar a menor graça. Ri-se de tudo no Gato Fedorento: do conservadorismo português, do apego ao passado, da hipocondria das "velhas quadradas", num estilo entre o propositadamente tosco e o falsamente elaborado.

Os dois trechos a seguir são exemplares nesse sentido. O primeiro é uma competição entre duas velhinhas para saber qual delas possui mais doenças. O segundo é uma paródia mista do Big Brother com o programa da RTP Grandes Portugueses, que durante o primeiro trimestre de 2007 se propôs a eleger precisamente o que o título do show anunciava, e no final das contas todo mundo se surpreedeu com a vitória do ditador Antonio Salazar, que comandou o país por quase 50 anos. Na gozação do Gato Fedorento, Camões, D. Afonso Henriques (o unificador de Portugal), o Marquês de Pombal e Fernando Pessoa (com seus heterônimos, naturalmente) dividem a casa com um típico tuga que resolve tudo na base dos palavrões. É divertidíssimo, vale conferir.



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