domingo, 1 de julho de 2007

Astronautas - Mutantes - Libertados!!!!


Escrevo ainda sob o impacto do show dos Mutantes. Confesso que quando ouvi alguém comentar que os Mutantes iriam voltar, torci o nariz. Os irmãos Baptista e Rita Lee novamente juntos, depois de tantos anos, pareceu-me no mínimo bizarro. Depois começaram a sair notícias pela imprensa dando conta de que seria uma volta sem Rita e, mais estranho ainda, em seu lugar estaria Zélia Duncan. Torci o nariz novamente. Mas como? Duncan? É outro estilo. Parecia-me que não tinha nada a ver. E me veio a cabeça a velha jogada levada a cabo por vários grupos de rock argentino já desfeitos que se reuniam novamente para alavancar a carreira de seus antigos componentes, em baixa, e para engordar a conta bancária, também em baixa. Andei meio desligado, não fui ver seus shows quando se apresentaram no Rio depois de Londres e do giro internacional. Vi-os cantando alguma coisa no Programa do Serginho Groismann e me parecia que não havia química. Comida requentada.

Agora, quando retornaram ao Rio, com espetáculos no Circo Voador, resolvi deixar preconceitos de lado e encarar. O que vi e ouvi me deixou impressionado. O show funciona e funciona muito bem. No palco eles são monstros do rock. Cheiro de mofo? Passou longe. Vi, ouvi e senti, sim, muito rock e do bom. Impressiona a alegria, sobretudo de Arnaldo, de tocar. Estavam se divertindo no palco, e isso contagiou os demais músicos e, sobretudo, o público, na grande maioria, jovens enlouquecidos pelo som que ouviam e pela performance que viam. Claro que eles não são mais adolescentes ou jovens como eram, a voz falta de vez em quando, daí o auxílio de outros vocais a dar sustentação.

As músicas são antigas e ao mesmo tempo não o são. Por um lado, elas não envelheceram, estão aí, não com o impacto absolutamente inovador que tiveram a seu tempo, mas continuam vivas e vibrantes; e por outro, novos arranjos, outros instrumentos e músicos que foram incorporados deram a essas músicas uma alma rockeira renovada. Presentificadas, “agorizadas”, elas novamente empolgaram.

O mais impressionante foi o clima de festa e diversão dos velhos “moleques” Arnaldo e Sérgio Dias renovados diante de uma Zélia Duncan que entra no jogo e, decididamente, não faz feio. Zélia, de maneira perspicaz e inteligente, não tenta travestir-se de Rita, nem nos gestos, nem na roupa, nem, tampouco, na interpretação. E com isso ganha o jogo, a platéia e os músicos. Ela não entra para substituir ninguém, até porque seria covardia – e canastrice - tentar repetir Rita. Zélia é Duncan do início ao fim e isso fez a diferença.

No palco, astronautas-rockeiros libertados; na platéia, público embevecido e em sintonia. O ritual do rock se fez presente e que bom, eu estava lá.


2 comentários:

Unknown disse...

Sensacional! Tirou as palavras da minha boca. Torci o nariz várias vezes até ir ao Circo conferir essa "tal" volta dos Mutantes e mudar de opinião. Só é uma pena que o Arnaldo esteja tão debilitado, tão longe daquele de Loki?, né? Se bem que o Let it bed, de 2004, tem coisas bacanas... Abraço ao LabCULT!

Marildo Nercolini disse...

Valeu, Pedro! continue em contato.