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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Diálogo entre blogs: crescendo e envelhecendo em uma subcultura

Acabei de ler um post super interessante da Adriana Amaral em seu blog no qual ela traz à tona, com base no projeto de pesquisa do sociólogo Paul Hodkinson, questões relacionadas a como os sujeitos envelhecem dentro de determinadas subculturas, como a gótica, sempre muito atreladas à faixa etária da juventude.
Fora a brincadeirinha do cartoon, o post me remeteu à crítica que David Hesmondhalgh, professor da The Open University e autor de The Cultural Industries, faz ao imbricamento quase necessário entre juventude (enquanto faixa etária e não "espírito do tempo") e música popular nos estudos acadêmicos que, segundo ele, ofuscaria um melhor entendimento tanto da música quanto da sociedade. Ele debate sobre isso e sobre os próprios conceitos de "subculturas", "cenas" e "tribos" no ótimo artigo "Subcultures, Scenes or Tribes? -None of the Above" que a querida Ari compartilhou comigo direto do doutorado sanduíche com Will Straw no Canadá (thank you once again, dear ;)). Quem quiser o texto é só pedir que eu mando (se Ari liberar, é claro rsrs).

Ele argumenta que esse entrelaçamento entre música popular e os jovens "foi o resultado de circunstâncias históricas particulares": 1) os estudos do pessoal do CCCS de Birmingham, 2) uma certa generalização na importância da música para os jovens (e esquecimento de que ela importa muito para outras pessoas também) e 3) o próprio ensino de disciplinas ligadas à música popular que tendem a enfatizar esse entrelaçamento e negligenciar o "significado emocional e social" da música não só para jovens, como para todos.

Resumindo:

"The close relationship between the study of youth and that of popular music was the result of particular historical circumstances, and the privileging of youth in studies of music is an obstacle to a developed understanding of music and society" (HESMONDHALGH, 2007, p. 38)

É "food for thought"...


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Consumo de Música & Estatísticas

Pessoal, não sei se vocês conhecem o site IT Facts, que basicamente pode nos interessar por trazer resultados quantitativos de pesquisas sobre usos e consumo dos mais variados produtos e serviços relacionados à Tecnologia da Informação, como telefones celulares, Ipods, games, Internet e televisão, para citar alguns.


















Ao clicar na categoria "Music", encontrei uma série de pesquisas muito bacanas que mostram, por exemplo, que 33% de toda música vendida em 2008 era digital ou que a música mais ouvida no rádio no mesmo ano foi "No One" da Alicia Keys ou ainda que impressionantes 92% dos jovens entre 14 e 17 anos na Inglaterra têm um mp3 player. (Só achei estranho o fato de só haver pesquisas até 2008. Vai ver ainda não deu tempo de organizar e publicar os dados de 2009).

Fazendo um link com o assunto, ontem vi passar um estudo na Management TV, no qual o pesquisador ia a escolas britânicas para investigar como as crianças e jovens adolescentes consumiam música e praticamente todos, senão todos, tinham aparelhos celulares que tocavam música e/ou mp3 players de última geração e ele mostrava - até onde vi do programa - que ao contrário da premissa que muitos apoiam de que esses gadgets de escuta individual levariam a comportamentos mais individualistas e menos sociais, as crianças interagiam constantemente entre si, comparando aparelhos, mostrando músicas umas para as outras e conversando sobre suas preferências musicais.



De fato, como Tia DeNora mostra no primeiro capítulo do seu livro Music in Everyday Life, a relação entre música e sociedade é muito mais complexa do que Adorno supôs e parece realmente mais interessante, de acordo também com Simon Frith, entender como a música constrói as pessoas e como a usamos para organizar as nossas vidas do que partir da hipótese de que a organização musical é apenas um simulacro para a organização social.



terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Samba na rede"







Lendo a revista "Cante com a gente", distribuída pela prefeitura para divulgar os sambas-enredos das escolas do Rio de Janeiro, me surpreendi com o tema da Portela: "Derrubando fronteiras, conquistando liberdade... Rio de Paz em estado de graça!"... Não deu pra sacar né?? Mas ao ler a letra do samba tudo ficou mais claro:

Portela segue os passos da evolução... Liberdade!
Num clique deleta barreiras
Derruba fronteiras da realidade
Desperta o bem social
Acessa o amor digital
Faz da criança um cidadão
Positivo pra nação
Na rede nossas vidas vão se transformar
Do ventre mais um ser nascerá
O dia de graça que o mestre cantou
Já raiou!


O meu pavilhão é minha paixão!
A luz da ciência é ela...
É samba, é jaqueira que não vai tombar
Sou Portela!


Mãos unidas pela inclusão
Povos, raças em comunhão
Vai meu verso ao mundo ensinar
É preciso navegar!
Brilhou no céu mais um sinal
Cruzando o espaço sideral
Portela... Portal cultural de um país
Um link com a nossa raiz
Rainha da passarela
Revela um rio de paz pra viver
A senha de um amanhecer
Mais feliz


Minha águia guerreira
Vai voar... Viajar!
Pousar no sonho de ganhar o carnaval
E conquistar o mundo virtual!


É isso mesmo... o enredo da escola é a "inclusão digital"! Bacana né?


Visitando o site da escola me deparei com um hotsite no qual o enredo é apresentado em formato de chat numa conversa informal entre um garoto (Pedrin da Portela) e seu professor. O que dizer...Genial! Além disso o site está cheio de referências visuais a cibercultura com telas de computador e linguagem java a la Matrix.


Para todos nós é imprescindível visitar o link e acompanhar esse desfile que vai trazer fantasias e alegorias futuristas como "Código binário", "Nanotecnologia", "Senha para a liberdade" e Ctrl Esc = Iniciar". Estou louco de curiosidade. Mas enfim... Olívia, fiz minha parte...agora é com você!


Desde já anuncio que vou ficar com a "árdua" responsabilidade de ser correspondente do carnaval baiano. Só para adiantar, esse ano Salvador está homenageando o trio elétrico de Dodô e Osmar Macedo. Acho que vai render boas discussões sobre a relação música e tecnologia.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Salve ela!



Dediquei quatro anos da minha vida a esta mulher!E não me arrependo. Minha musa, pra mim ela é "o cara".

Como vocês já devem ter ouvido em algum Jornal Nacional da vida, Carmen Miranda faria cem anos na data de hoje.

O que dizer sobre ela... Bem, muito do que eu queria dizer, escrevi na minha tese de doutorado e depois no livro - que se chama Baiana Internacional - As mediações Culturais de Carmen Miranda (MIS-2001)
.
Mas, só pra lembrar - foi uma das mais importantes cantoras do Brasil.Participou da invenção da indústria do entretenimento musical, foi a cantora mais bem paga da década de 30, arrebentou nas telas de Hollywood, inventou modas copiadas até hoje, inspirou meio mundo - do Caetano tropicalista até o movimento gay e de quebra, fica impossível falar de música e identidade nacional no Brasil sem tocar no nome dela.

Acho pouco qualquer homenagem que se faça a Carmen.E, mesmo já distante da pesquisa que realizei sobre esta personagem tão bacana da música e da cultura brasileira, posso sentir as marcas que ela deixou na minha vida - no amor que tenho pela música do Rio de Janeiro, pelas boas risadas que dei ao assistir aos filmes dela para a tese e ao encanto que ela ainda produz cada vez que vejo sua imagem tropical explodir em qualquer fotografia.

Faço coro com Caetano, então, pra cantar - Viva a ban-da-da-da, Carmen Miranda,da-da-da-da!