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sexta-feira, 6 de março de 2009

Dicas do finde

O especialista em psychobilly aqui do Lab é o Tiago Rubini. Mas, como ele não se manifestou, divulgo o festival RioBilly, que acontece amanhã no Cine Lapa. Bandas de rockabilly, mais punk, ska, surf e psychobilly são as atrações.

Outro evento que a gente recomenda é o I Festival de Cultura Digital que acontece no Circo Voador amanhã e domingo. A entrada é gratuita, ou quase - o ingresso custa um kilo de alimento, um livro ou hardware (legal, né!!). E tem um monte de atrações desde as três da tarde. Estou de olho, em especial, no sábado à noite, que tem show de BNegão e no tal ChoroFunk. Este combina o funk do Dj Sany Bull, um dos caras que renovou o funk carioca, mais o choro do pandeiro de Sergio Krakovsky (do grupo Tira-Poeira).
Será que vai dar certo? Bora lá conferir!!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Ultimamente, várias das minhas pesquisas no Google têm acabado em Baltimore, capital do estado estadunidense de Maryland. Um dos caminhos que me levaram até lá: John Waters, por quem tenho me interessado bastante ultimamente. Tem também o Animal Collective, banda que conheci no ano passado - e que me foi apresentada pela Marina, orientanda do Marildo. E o bom e velho psychobilly, estilo que todo mundo deve já conhecer mas que sobre o qual eu gosto sempre de falar.
Bom, vou seguir com o Waters e com o psychobilly, e só dou a dica de que o Animal Collective é um prato cheio para quem curte música experimental e/ou simplesmente inovadora!

Acredito que já esteja muito bem disseminado que Baltimore está para o John Waters como o Rio de Janeiro está para Vinícius de Moraes (por mais infame que esta comparação pareça). Uma enorme parte dos filmes dele tem seus enredos desenrolados no espaço ora transgressor ora burguesamente suburbano de Baltimore. Não só em Pink Flamingos ou em Hairspray, mas também em outros trabalhos antológicos seus como Female Trouble e Mondo Trasho, é exaltada a receptividade e a repulsa que a população da sua terra natal tem simultaneamente em relação à juventude.
Gosto bastante de que antes mesmo dos eventos de Stonewall, ocorridos em 1969, John Waters problematizava de maneira sarcástica e inventiva tabus sexuais. Expulso da faculdade de cinema da New York University em 1966 por ter usado drogas no campus, Waters volta a Baltimore para filmar roteiros completamente anti-comerciais com seu velho amigo de infância Glenn Milstead - que ficou conhecido principalmente como a drag queen Divine. E não foi à toa que a filósofa Judith Butler fez referência a esta dupla na introdução de seu livro Gender Trouble, de 1990 (lançado dois anos após a morte de Divine). Sem reivindicar nada além do direito à ironia e ao choque, Waters foi sem dúvida um dos grandes instauradores da subversão da identidade de gênero sexual na cultura pop.
Utilizando o rock 'n' roll dos anos 50 e 60 como trilha sonora, Waters trouxe para o cinema figuras infames como Patty Hearst - que na vida real aderiu a um grupo terrorista depois de ter sido seqüestrada por ele - e Traci Lords, atriz e cantora que burlou a legislação da indústria de filmes pornográficos ao estrelar neles quando ainda era menor de idade.

Ainda pensando no John Waters, Baltimore, rock 'n' roll e drapes em geral, aproveito para indicar um link que acho bem legal: é um portal psychobilly de Baltimore, que tem uma rádio virtual bastante interessante para quem quer conhecer melhor do estilo, além do subportal The Subculture Collective, cheio de informações a respeito de psychobilly, hellbilly e rockabilly. Aviso: a página da rádio tem alguns anúncios e um aspecto um tanto quanto rústico, mas não se preocupe com pop-ups indesejadas ou spywares.

E no começo deste mês, o mundo perdeu um dos mais ativos participantes do psychobilly e do punk nova-iorquino: o vocalista do The Cramps, Lux Interior. Membro de uma das primeiras gerações de artistas que fizeram de palco o C.B.G.B.s, o Lux morreu de problemas decorrentes do coração. Sua morte repentina foi um choque para os fãs e para a sua esposa e parceira de palco, Poison Ivy, que o acompanhou durante 37 anos.
Abaixo, segue um video do The Cramps de 1995. A música, que se chama Naked Girl Falling Down the Stairs leva um tempo para começar (25 segundos).

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

psychobilly is all around!

Ao estar em Curitiba, você irá se deparar com muitas pessoas tímidas e, por muitas vezes, um tanto obtusas e polidas ao extremo (posso falar porque sou de lá). No inverno é muito frio, e nas outras estações do ano é, pelo menos, levemente frio. O centro da cidade e as regiões adjacentes são bonitas e limpas, e é fácil de perceber o esforço da prefeitura em manter a fama de excelência turística em toda a parte.
O slogan "a cidade da gente" nos tubos dos ônibus biarticulados, os guardas municipais tranqüilos conversando com os velhinhos que jogam dominó na Boca Maldita, as adolescentes indo fumar cigarrinhos de canela no intervalo do cursinho Positivo, o Crystal Fashion com a elite wannabe vitoriana, os chafarizes holográficos do shopping Estação e as famílias sentadas nas gramas bem aparadas do Jardim Botânico. Esta é Curitiba.

E quando as pessoas que gostam de música punk se entreolham meio constrangidas pelo tédio, sabem que estará tudo bem: acontece o PsychoCarnival em fevereiro e o PsychoFest em setembro.

Se você ainda não conhece, o psychobilly é uma vertente do punk; hoje em dia, está popularizado por bandas que beiram - ou estão completamente embebidas pelo - Pop, como os HorrorPops, cuja vocalista bonitona, Patricia Day, ostenta um enorme baixo acústico adornado com figuras de pin-ups zumbis e fofuras travestidas de elementos de filmes de terror.

Híbrido de punk e rockabilly, o psychobilly deve muito a bandas como os Stray Cats e The Cramps, ambas nova-iorquinas dos anos 70, que transformaram o bom e velho rock 'n' roll de Elvis Presley num estilo ácido e, no bom sentido, marginal, levando ao extremo aquele adjetivo - drape - popularizado por John Waters em Cry-baby. Lux Interior e Poison Ivy são os membros fundadores do The Cramps, e chegaram a se apresentar no CBGB's ao lado de gente com os Ramones e a Patti Smith. Não colheram tantos frutos com a sua arte na época, mas hoje em dia são cultuados no mundo todo. Sua performance beira o teatral, e o choque sempre foi uma boa estratégia quando aliado à sua qualidade sonora; o traje tradicional de Lux Interior é um macacão de vinil e saltos altos, e suas afetações fazem contraste com a quase sóbria postura de Poison Ivy (que também gosta de roupas extravagantes), contradizendo os papéis de gênero do rock tradicional.

The Cramps.

Fazendo jus ao que Antonio Bivar disse no seu trabalho sobre os punks paulistas, os psychobillies brasileiros construíram alianças fortes com as cenas semelhantes do resto do mundo. Curitiba é considerada por muitos a capital latino-americana do psychobilly - não só por ser a casa de bandas internacionalmente conhecidas como Os Catalépticos, os Chernobillies, o Ovos Presley e recentemente as Diabatz, mas também por causa dos festivais e eventos ligados ao gênero. Não raramente, bandas internacionais comparecem aos festivais: já os prestigiaram o Mad Sin (Dinamarca), Demented are Go! (País de Gales), e neste próximo PsychoFest estará o Frantic Flinstones (de algum lugar do Reino Unido), cujo vocalista tornou-se um dos mais novos moradores de Curitiba.

O porte dos festivais é sempre modesto, sendo que o público de cada dia geralmente não passa de 500 pessoas. De qualquer maneira, é importante para a classe média curitibana que se interessa por cultura urbana alternativa. O tradicional Festival de Teatro, apesar de consagrado nacionalmente e ter um grande público, não necessariamente corresponde a todo o tipo de expressão cultural da cidade. No PsychoFest geralmente acontecem exposições de fotografia (nesta edição contando com os trabalhos de Andye Iore), e os cartazes são da autoria de desenhistas locais que se engajam em revistas e artes para outros artistas - como o cartunista G-Lerm, que já participou de publicações como o Almanaque Entropya e fez trabalhos para a lenda psychobilly Reverend Horton Heat.

Se for passar por lá nos dias 5, 6 e 7 de setembro, vale a pena dar uma conferida. Mais informações no forum oficial psychobilly do Brasil.