Desconfio que serei zoado até o fim dos meus dias por causa deste post-confissão, mas que se dane: há coisa de 15 dias, zapeando inocentemente pela TV aberta após o paredão do BBB, deparei-me acidentalmente com uma chamada do programa Amaury Jr no intervalo do Superpop (chega, né?) anunciando que o tema da edição daquela noite seria Portugal. 40 minutos e incontáveis reclames de Tele-papo-net-paquera depois, eis que o programa começa, mostrando seu inoxidável apresentador numa festa em São Paulo (onde mais?) na qual seria lançado o projeto “Lisboa convida”, que tem por objetivo aumentar a frequencia de turistas brasileiros na capital portuguesa, numa iniciativa da Associação de Turismo de Lisboa em parceria com a TAP.
De acordo com seus criadores, a proposta do “Lisboa convida” é revelar que a cidade não é só tradição, que há todo um lado moderno, dinâmico e cosmopolita capaz de atrair o turista brasileiro e ampliar a taxa de ocupação dos hotéis. O vídeo de divulgação da campanha alterna, então, imagens de castelos, bondes, casas de fado e afins com diversas cenas registradas na parte nova da cidade, revitalizada em virtude da Expo 98 e onde ficam o Oceanário, o Centro Comercial Vasco da Gama e o Parque das Nações. A julgar pelo público presente na festa de lançamento, a iniciativa é voltada para o turista de alta renda, embora a todo momento se ressalte que visitar Lisboa é mais barato do que as demais capitais européias, sem contar as afinidades linguísticas e culturais, etc etc.
Conforme o esperado, o fato de o anfitrião da iniciativa ser o Amaury Jr não ajudava muito. As entrevistas que ele fazia com os presentes eram pautadas pelo já desgastado tópico das diferenças de sotaque e a particularidade do significado de algumas palavras – pelo menos fomos poupados do clássico “entrar no rabo da bicha”. E para um projeto que se propõe a mostrar o lado moderno de Lisboa, vamos combinar que falar do Museu dos Coches (tradicionalíssimo point que reúne uma das maiores coleções de carruagens reais do mundo) não foi das escolhas mais felizes.
Mas tirando essas derrapadas, o resultado final nem foi tão constrangedor assim. Nos flashs que ilustravam a matéria, retomando imagens de uma antiga visita do apresentador a Portugal, em vez das casas de fado e dos castelos, foram exibidas cenas de um clube de strip tease (!), de um restaurante pop toda a vida decorado com miniaturas e action figures e da House of Vodka, um bar nas cercanias do Príncipe Real (a minha área!) que entrou para o Guiness por possuir a maior carta de vodkas do mundo. Tá de bom tamanho, né? Ou vocês queriam o Amaury Jr se acabando num show de post-rock na ZDB?
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Pintou na lista da Compós o link pra uma matéria super bacana da BBC Brasil sobre o Acordo Ortográfico entre os países falantes da Língua Portuguesa. O foco é um pouco diferente do habitual: saem as diferenças na escrita e entram em pauta as diferenças no falar cotidiano. Tem horas que parece o meu projeto de pesquisa resumido em dois minutos e doze segundos. E além das boas intenções, valeu para matar saudades de Lisboa: as imagens são belíssimas.
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E por falar em televisão, andou rolando durante o Carnaval no Canal Futura um bom documentário sobre as trocas musicas entre Brasil e Portugal. Co-produzido pela carioquíssima Matizar Filmes e intitulado "Carnaval para D. João", o doc parte do samba-enredo que a Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou em 2008 (sobre a vinda da Corte e o mito de Dom Sebastião) para analisar as assimetrias nas trocas musicas entre os dois países. São entrevistados, entre outros personagens, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, a filha do Roberto Medina (a propósito da realizaação do Rock in Rio Lisboa) e o músico Sergio Godinho, que reclama da pouca penetração da música portuguesa no Brasil, enquanto a música brasileira em Portugal é super conhecida e admirada. Quando eu falo...
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E pra encerrar, domingo passado, no programa do Faustão, o ator português Ricardo Pereira (da novela "Negócio da China") era o convidado do júri de um quadro qualquer sobre imitadores. Lá pelas tentas, o Faustão soltou que os artistas brasileiros são super recebidos em Portugal, enquanto a recíproca, infelizmente, ainda não é verdadeira. O apresentador invocou o áureos tempos do Perdidos na Noite, quando costumava levar a cantora portuguesa Eugénia de Melo e Castro ao programa. Valeu, Faustão! Que tal convidar a Deolinda pro Domingão?
terça-feira, 10 de março de 2009
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