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sábado, 3 de abril de 2010

O batidão do Batida

No último encontro do LabCULT, a propósito de uma conversa sobre as descobertas musicais que fiz durante o meu doutorado-sanduíche em Lisboa, alguém me perguntou o que seria o "batidão" made in Portugal. Citei o exemplo do Buraka Som Sistema, que vem arrebentando Europa e mundo afora graças a uma mistura atrevida de kuduro, funk e demais beats globais; falei da cena hip hop, fortíssima na Margem Sul da capital lisboeta e nos bairros periféricos da Amadora; mas o que me pareceu mais característico do momento musical português e, ao mesmo tempo, mais difícil de definir em poucas palavras, foi o som do projeto Batida - cujo CD de estreia, "Dance Mwangolé", lançado em finais de 2009, já começava a entrar na lista de melhores do ano que passou.

Em Angola, chamam "batidas" às compilações piratas de kuduro que saem dos subúrbios de Luanda para a cidade. Em Portugal, Batida virou o nome de um programa de rádio transmitido pela emissora Antena 3, e de um projeto capitaneado pelos DJs Mpula, Beat Laden e Ikonoklasta. O arquivo fonográfico da gravadora Valentim de Carvalho e o acervo de imagens do canal televisivo RTP referentes à Angola forneceram a base para a recriação proposta pelo trio. Bandas angolanas dos anos 70, discursos do presidente José Eduardo dos Santos e intervenções visuais que dialogam com o imaginário dos quadrinhos e da pop art fazem parte do caldeirão sonoro e audiovisual do Batida. E se a contagiante "Bazuka" não te parecer uma prima distante do nosso funk, melhor consultar um otorrino com urgência.