quarta-feira, 21 de maio de 2008

Defesa do Heitor

É com alegria que convido a todos para mais uma defesa sob minha orientação. É do LabCultiano Heitor da Luz Silva, que defende a dissertação " Rock, Rádio e Rio de Janeiro: Uma incursão da Fluminense " A Maldita" e da Cidade " A Rádio Rock" no domínio das guitarras".
Contando com o auxílio luxuoso de uma banca bacana - Jeder Janotti Jr e Marildo Nercolini.
Im-per-dí-vel!

Amanhã (ou hoje, pois já passa da meia noite), no PPGCOM/UFF (Rua Tiradentes, 148) - as 11 horas.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Relembrando velhos tempos

Uma amiga me mandou esse comercial, diretamente de 1982 e resolvi compartilhar aqui no LabCULT. Também, fica como uma singela declaração de que estamos com saudade do Luiz Adolfo.

domingo, 18 de maio de 2008

Você conhece o Crystal Castles?

Sabe a Karon O do Yeah Yeah Yeahs? Então, imagina o vocal de Karen O num duo de electro. Pega esse duo de electro e joga para os anos 80, com direito a sintetizadores exagerados por um lado, pós punk por outro e um videogame Atari prestes a explodir. Agora pega a Karen O num duo de electro direto dos anos 80 remixados por, sei lá, o Simian Mobile Disco jogando Space Invaders, Enduro ou Pitfall. Pronto, tá mais ou menos pronta a referência para despertar a curiosidade sobre o Crystal Castles.



Faz um tempo que os descobri no MySpace, até que um amigo me obrigou a baixar e ouvir com atenção o disco inteiro. Ainda tem músicas que é preciso um tempo maior de digestão como XXZXCUZX Me (sim, é esse o nome da música). A Crystal Castles é de 2003, mas está estourando agora - será que aparecem por aqui esse ano? - e é composta por Ethan Kath e Alice Glass. Suas influências passam pelo Knives. O Last.fm relaciona-os com o Late Of The Pier (outra banda que tem aparecido cada vez mais por aí), We Smoke Fags, MSTRKRFT e o Simian Mobile Disco (olha ele aí!). 



Como todo o hype que se preze, tem gente aí vendendo-os como a grande salvação da música eletrônica etc. Prefiro partir do princípio que é mais uma descoberta interessante para ouvir durante o ano de 2008, até que uma nova dupla messiânica apareça nas próximas publicações fabricadoras de tendências.

É Proibido Fumar

Antes de deixar o cargo, o prefeito carioca César Maia lança a partir do dia 31 de Maio uma nova e polêmica lei. Estou falando da proibição de fumar em lugares fechados. Bem, pode parecer estranho o tema do meu post, mas se pararmos pra pensar um pouquinho mais, perceberemos que isso pode (se a lei pegar) alterar muito a cena de música eletrônica (entre outras) carioca.
Uma vez que as boates são espaços quase claustrofóbicos e que seu público em grande parte é adepta da nicotina, a fumaça já faz parte da rotina de quem vive a noite. A atitude promete acabar de vez com o cheiro desagradável no cabelo, ardência nos olhos, queimaduras na pele ou buracos nas roupas depois do contato com as brasas do cigarro (acabaram com uma camiseta minha na última Sexta) e claro, todo o mal a saúde causado pela inalação da fumaça que é a principal justificativa da radical lei. E lógico, já tem gente protestando, já tem gente agradecendo a iniciativa. Eu (que não fumo) sinceramente fiquei com uma boa expectativa.
O interessante é que a proibição prevê uma reestruturação dos clubes que passarão a ter (caso queiram manter a freqüência dos fumantes) fumódromos devidamente vedados, ou espaços abertos como terraços e varandas que também deverão ser vedados evitando a passagem de fumaça para as outras áreas. Em matéria do RRaul.com, um dj fumante ficou preocupado em como deixar de fumar pode alterar sua performance enquanto toca. Eu já penso que futuramente podemos ter talvez duas pistas... uma só prá fumantes. Mas o mais importante é que a boate, que muitas vezes deixa de ser um programa possível para quem não suporta o ambiente enfumaçado, passa a ser acessível e permite vislumbrar noites de sexta ao som da ME.

terça-feira, 13 de maio de 2008

A quantas anda o mainstream musical português...

Rolou na noite do último domingo a entrega dos prêmios Globo de Ouro SIC, cerimônia anual organizada pelo canal de TV português e que premia os "destaques" da cultura midiática lusa ao longo do ano que passou. Estava em Portugal no ano passado à época dos Globos de Ouro e pude conferir em tempo real toda a cafonice da festa, que não fica nada a dever ao nosso Troféu Imprensa do SBT (o que não deixa de ser intrigante, já que a SIC é uma espécie de "braço" da Rede Globo em Portugal - onde vocês acham que os patrícios assistem às nossas novelas?). Pra se ter uma idéia do nível da coisa toda, os convidados especiais da festa do ano passado foram o Edson Celulari e a menina Joana Mocarzel ("Páginas da Vida" estava bombando na SIC...).

Mas falemos da edição 2008 da festa, sobretudo daquilo que me interessa particularmente: os prêmios musicais! É uma bela oportunidade para se conferir a quantas anda o mainstream musical português. Na categoria "Melhor intérprete individual", concorriam a fadista Ana Moura, o dinossauro José Cid (espécie de Roberto Carlos de tamancos, que também começou sua carreira flertando com o rock and roll - Cid era líder do Quarteto 1111, nos anos 60 - e depois incorporou a persona de cançonetista romântico), o veterano trovador Jorge Palma (da mesma geração "engajada" de José Afonso e Sérgio Godinho) e o David Fonseca (meu favorito, que tem um trabalho bastante legal, pop até a raiz do bigode, embora estivesse concorrendo com o peso da "tradição" e acabou saindo de mãos abanando - contra David, certamente deve ter pesado o fato dele ele cantar majoritariamente em inglês). Pelo menos deu Jorge Palma nas cabeças (José Cid teria sido de doer): embora o trovador já tenha visto dias melhores, premiar o Palma é que nem dar o Oscar de diretor pro Scorsese por causa de Os infiltrados, uma forma de fazer justiça (vá lá...) à obra, mais do que ao trabalho atual do artista.

A cena da premiação pode ser conferida aqui, no site da Revista Blitz. Nitidamente alto, Palma acabou sendo vítima de uma brincadeira do mestre de cerimônias da festa, o humorista Herman José - os dois foram parar no chão. Tão interessante quanto o vídeo é conferir os comentários dos leitores, alguns reconhecendo o valor do troféu, outros lamentando que Palma tenha aceitado fazer o "jogo" dos Globos de Ouro. Dá um artigo, isso, não dá?

Na categoria Melhor Grupo, os rappers do Da Weasel (queridinhos da SIC, dizem as más línguas) venceram os mil vezes mais instigantes Clã e Wraygunn. E no quesito Revelação, a banda Mundo Cão (estes eu desconheço!) derrotou o pessoal do Oioai, que tem um som a la Kings of Leon (cantado em português!) muito do bacana.

sábado, 10 de maio de 2008

Nothing is gonna change my world


Acaba de chegar nas locadoras o ótimo filme “Across The Universe”, da mesma diretora de “Frida” , Julie Taymor. O musical retrata a geração dos anos 60 com destaque para movimento contra-cultural. A trilha sonora é construída a partir das canções dos Beatles que, detalhe, re-interpretadas pelos próprios atores, recebem nova roupagem tanto estética, quanto no conteúdo já que na junção entre trilha e imagem as músicas dos “fabfour” são resignificadas e acabam tendo ecos as vezes mais engajados, sombrios, românticos ou apológicos do que antes. Se é que é possível. O filme parece uma sucessão de videoclipes que abusam das imagens psicodélicas. Montagens truncadas, fusões e abuso de cores fortes dão o tom do filme e lógico reafirmam a áurea romântica e rebelde associada ao período, e que não é novidade nehuma. O que de certa forma denuncia a passagem do tempo; difícil, hoje, dar crédito a tanta boa vontade, tudo soa meio ingênuo. Então a canção título do filme em um momento dispara "Nothing is gonna change my world" E a gente que estuda cultura se pergunta, será mesmo possível mudança social através da arte?

Mas talvez o principal motivo de se assistir a “Across” resida no fato de que o que está sendo defendido na película é a centralidade da cultura no âmbito da revolução de 68. As vozes que se abrigam na contra-cultura são desenhadas no filme através dos personagens que representam cada um o seu movimento; seja negro, gay, feminino ou hippie estão todos ali.

Sem querer estragar as surpresas do filme, acho interessante contar um trecho em que o protagonista Jude (isso mesmo, os personagem levam os nomes de canções dos Beatles) é questionado pela sua namorada Lucy sobre a falta de engajamento político e este responde pintando quadros ao som de Strawberry Fields Forever, no qual os morangos remetem aos sangue derramado na guerra do Vietnã e mais tarde acaba virando logomarca de uma gravadora. Ou seja, para além das manifestações de rua, embates com a polícia, quebra-quebra e bombas caseiras, a arte mostra-se “arma” privilegiada na luta ideológica. Acho que isso é o que torna o período de 68 tão marcante e atraente. E isso o filme reconhece muito bem!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Jabá duplo!

Duas chamadinhas.

A primeira é para a edição especial da Revista O Grito com especial sobre o funk onde colaborei com um artigo
A Revista é bem bacana e por isto faço aqui o jabá.

A segunda é sobre a edição do Café literário da Intercom, que acontece amanhã no auditório da Biblioteca Nacional, cujo tema é Música e Comunicação. Vou participar, junto com o colega Eduardo Coutinho (da UFRJ) e mediação de Raquel Paiva e Ana Paula Goulart.

O formato do Café é interessante, pois é um bate-papo acadêmico sobre o tema.
Para quem puder aparecer, é no auditório da Biblioteca Nacional (entrada pela Rua México), as 12.30, entrada gratuita.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Games em pauta

Quem não acompanhou o drama do Padre Carli, que desapareceu no sul do Brasil ao tentar fazer uma travessia, voando amarrado em balões? Depois de estampar capas de jornais e sair na TV, a notícia ganhou outro formato para circular. Agora, quem quiser saber como foi a fatalidade pode também jogar o game do Padre Voador. Criado pelo internauta Alvaro Rodrigues, o jogo esta disponivel gratuitamente na internet.
Não se trata de sarcasmo e sim de uma nova forma de fazer jornalismo, chamada de "Newsgames", que é muito comum no exterior. Nos Estados Unidos, um dos exemplos mais conhecidos é American Army - um game criado pelo exército que retrata a guerra no Iraque. Contudo, este jogo não serve apenas para divulgar o conflito e sim estimular jovens americanos a lutar. Quem conhece um pouco de narrativas digitais sabe que os games fazem seu usuário interagir de uma forma particular com a história, armado-se de prazeres especificos do meio eletrônico - como imersão, transformação e agência.
O Newsgame me parece uma proficua tentativa de atrair e envolver uma geração acostumada a jogos eletrônicos, que parecia estar pedida para o jornalismo, utilizando como tema as principais manchetes dos noticiários. E serve também como resposta para aquelas pessoas que teimam em tratar a questão dos games digitais com pouca seriedade. Vale lembrar que o cinema e a televisão também já sofreram com este preconceito. Agora chegou o momento de parar de enxergar os jogos eletrônicos como mero entretenimento juvenil e encará-los como um objeto concreto de estudos, com um potencial fascinante. Quem quiser conhecer o game do Padre Carli basta clicar aqui. E creditos para a minha amiga Adriana Rodrigues, que me indicou este jogo.