sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Para além de Michel Teló!

por Gustavo Alonso, com partes do site Farofafa, de Pedro Alexandre Sanches

 

Para quem tinha dúvidas de que o sertanejo já dominou há muito tempo o Brasil e tá com raiva de Michel Teló (e o sucesso internacional de "Ai se eu te pego") como se ele tivesse surgido agora, fruto de algum empresário malvado interessado no lucro fácil, aí vai uma porrada...  Michel Teló é a espuma de uma grande onda que desde 2005 toma o Brasil... lá se vão 7 anos, hein!  Sete anos de sertanejo universitário!!!  A Bossa Nova durou até quando? De 1958 a 1962?  Pode ser... 1962 foi o auge do movimento que depois migrou para outras searas... A Jovem Guarda começou em 1965 e se desfez em 1968...  O tropicalismo durou apenas dois anos, de 1967 a 1968, apesar de eu concordar que vivemos ainda seus reflexos...  Para seu principal criador, Caetano Veloso, o movimento foi no máximo até 1972, como contou em sua autobiografia, "Verdade tropical".  Ou seja, 6 anos.  A Pilantragem de Simonal durou de 1966 até 1969-70.  O sertanejo dura mais tempo do que todos esses movimentos culturais por nós valorizados.  Pois é, para quem dizia que o sertanejo univeristário era coisa passageira, já está demorando demais...  Para os envolvidos, o auge só está começando.


Será que agora, com o Google dizendo, alguém ainda duvida que 2011 foi o ano dos “novos sertanejos” no Brasil? Das dez pessoas mais procuradas pelos brasileiros no serviço, quatro são cantores do gênero. Paula Fernandes aparece em primeiro lugar, seguida de Gustavo Lima (em terceiro), Luan Santana (nono) e Michel Teló (décimo). Divulgado hoje, o ranking anual é feito, segundo o mecanismo de buscas, para refletir “o espírito do tempo” (tradução da palavra “Zeitgeist”). Segue a lista completa:
1. Paula Fernandes
2. Bruno Mars
3. Gusttavo Lima
4. Bruna Surfistinha
5. Katy Perry
6. Charlie Sheen
7. Scarlett Johansson
8. Avril Lavigne
9. Luan Santana
10. Michel Teló

E na lista das dez músicas mais procuradas, a cantora Paula Fernandes emplacou três, “Pra Você”, “Não Precisa” (duas vezes?!) e “Sensações”. Nesta aparecem ainda outros cantores sertanejos, como Jorge & MateuseFernando & Sorocaba:

1. “Pra Você”, Paula Fernandes
2. “Um Beijo”, Luan Santana
3. “Efeitos”, Jorge & Mateus
4. “Não Precisa”, Paula Fernandes
5. “Não Precisa”, Paula Fernandes
6. “Teus Segredos”, Fernando & Sorocaba
7. “Clichê”, Sorriso Maroto
8. “Planos Impossíveis”, Manu Gavassi
9. “Sensações”, Paula Fernandes
10. “Pôneis Malditos”, ???

Fonte: http://farofafa.com.br/2011/12/15/o-brasil-foi-dos-sertanejos-em-2011-parte-2/2973

Para quem ainda resiste ao termo "universitário" aplicado ao sertanejo, recomendo a leitura deste texto aqui.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

100 links para clicar antes de morrer

Na onda dos "100 filmes-músicas-livros-vinhos-etc." para consumir antes de morrer, o blog Bula Revista, auto-intitulado especializado em jornalismo cultural, publicou já tem um tempinho uma lista com "100 links para clicar antes de morrer". A lista seria uma espécie de inventário com o melhor conteúdo da web dos últimos três anos.

Claro que tem um monte de coisas super bacanas - como o site Open Library, que disponibiliza em torno de 750 mil livros pra download, e o projeto "O museu dos museus online" que reúne links de mais de 200 museus virtuais - mas algo que me chamou a atenção foi a grande ocorrência - de certa forma compreensível - de links sobre obras/gêneros culturais canônicos e/ou de alta cultura (os arquivos de Walt Whitman, grandes mestres da música clássica e por aí vai). Apesar de alguns voltados pra HQ e pro seriado Os Simpsons, por exemplo, que talvez ainda não estejam tão canonizados, a grande maioria preza por bens culturais de "alta" cultura.

Mas vale a pena dar um confere. Tem sites curiosos (como o The Brick Testament - a bíblia em Lego) e outros que podem ser super úteis pra pesquisa online (como o Mention Map, que permite checar todas as interações de um usuário no Twitter).


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

V Jornada da AIM - HOJE no Real Gabinete Português de Leitura (RJ)

Tá meio em cima da hora (eu diria muito em cima...), mas não custa nada divulgar...

V Jornadas da AIM
6 Dezembro 2011| 14h30
LCV - Laboratório de Cinema e Vídeo
Universidade do Estado do Rio de Janeiro/Universidade Federal Fluminense

Local: Real Gabinete Português de Leitura [mapa]

Programa
. Mario Cascardo (UFRJ): "Persistências em Juventude em Marcha, filme de Pedro Costa."
. Mônica da Silva Pereira (PURO-UFF): "A Filmografia do CPC"
. Tiago José Lemos Monteiro (UFF): "Isto é uma canção de baile que foi feita pra dançar: formas tradicionais e quadros de modernidade na produção de videoclipes pop/rock portuguesa dos anos 2000"
. Marcela Amaral (UFF):l "Encenações e Jogos de Cena - Formas de dissolução e novas construções do personagem no cinema contemporâneo"

Na permanente procura e divulgação de investigações sobre "imagem em movimento", a AIM decidiu promover as suas V Jornadas no Rio de Janeiro, em colaboração com o LCV - Laboratório de Cinema e de Vídeo da UERJ/UFF. Como primeira iniciativa fora de Portugal, a AIM decidiu convidar três investigadores locais que mantém alguma relação com temática portuguesas e solicitou a colaboração do Real Gabinete Português de Leitura. Também para sublinhar a diversidade de estudos que actualmente se desenvolve no Brasil sobre "imagens em movimento", os investigadores convidados trabalham em instituições e frequentam cursos diferentes. Pretende-se que estas sejam apenas as primeiras de várias Jornadas a realizar fora de Portugal que ponha em contacto investigadores a trabalhar com "imagens em movimento" e que enriqueça o debate e a troca de ideias dentro da comunidade de investigadores da AIM.

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COMUNICAÇÕES (abstracts e mini-bios)

Mario Cascardo (UFRJ) "Persistências em Juventude em Marcha, filme de Pedro Costa."

A presente pesquisa observa as formas como persistem certos temas no filme Juventude em Marcha (2006). O longa-metragem, que conclui a “trilogia das Fontainhas”, retoma imagens tanto dos filmes anteriores de Pedro Costa quanto de obras de outros artistas. A nossa hipótese é de que, através da montagem, do tratamento plástico, da sonorização e da mise-en-scene, imagens de diversos tempos históricos e ficcionais persistem na duração de Juventude em Marcha.

A partir desse pressuposto e do contexto (método, momento, tecnologia) em que o filme foi feito, entenderemos, em primeiro lugar, as afinidades existentes entre suas imagens e as imagens que lhe foram referenciais. Em segundo lugar, pensaremos a noção de persistência como um motivo formal de Juventude em Marcha, a partir do qual vários aspectos fílmicos poderão ser apontados e relacionados entre si.

[Mario Cascardo é mestrando na linha de pesquisa Tecnologias da Comunicação e Estéticas, do Programa de Pós-Graduação da Escola de Comunicação Social da UFRJ. Graduou-se em Jornalismo na PUC-Rio, onde organizou os cineclubes CinePUC e CinePUC Brasil e participou da pesquisa de iniciação científica (Pibic/CNPQ) “Estéticas do Real no Cinema Brasileiro Contemporâneo”. Apresentou parte de sua pesquisa sobre o cinema de Pedro Costa no Socine de 2011. No mesmo ano, propôs ao Centro Cultural Banco do Brasil o projeto de mostra cinematográfica “Portugal Interior”, atualmente em fase de avaliação pelo instituto. É também músico e diretor de fotografia para vídeo e cinema, tendo realizado inúmeros curtas-metragens e trabalhos para televisão e internet.]

Mônica da Silva Pereira (PURO-UFF): "A Filmografia do CPC"

É recorrente a assertiva de que os anos Gulbenkian são de especial importância para o entendimento da história do cinema português. Por esta razão a presente pesquisa se propõe a listar, de forma não exaustiva, a produção do Centro Português de Cinema. A filmografia encontrada por mim até hoje do Centro Português de Cinema é muito variada, algumas fontes citam alguns filmes, outras fontes citam outros e alguns filmes são sempre citados, por isso para descrever a produção do CPC financiada pela Fundação Gulbenkian usarei como referência, algumas atas de reuniões entre a Fundação Gulbenkian e o CPC disponibilizadas pela Fundação equivalente ao período de 1968 a 1979. Além disso, analisaremos as diferentes fontes de financiamento e os valores para cada plano anual da produção do supracitado centro.

[Mônica da Silva Pereira é graduanda em Produção Cultural pela Universidade Federal Fluminense, bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica- PIBIC no projeto “Passagem da Comédia aos Anos Gulbenkian”, sob a orientação do Professor Doutor Leandro José Luz Riodades de Mendonça no período de 2009 até o presente momento. Pelo currículo multidisciplinar, atua também como pesquisadora nos projetos: “A Cadeia Produtiva da Cultura na Região Baixada Litorânea” e “Memorial do Tropeiro”. O segundo resultará na constituição de um museu no município de Rio Grande-RS.]

Tiago José Lemos Monteiro (UFF) "Isto é uma canção de baile que foi feita pra dançar: formas tradicionais e quadros de modernidade na produção de videoclipes pop/rock portuguesa dos anos 2000"

A percepção hegemônica relacionada à música portuguesa, no Brasil, tende a se dar pela mediação de estereótipos relacionados a elementos da tradição musical lusa, nomeadamente no âmbito do fado e das manifestações rurais. O objetivo desta comunicação é investigar em que medida o pop/rock feito em Portugal a partir dos anos 2000 (cujo marco pode ser localizado no êxito midiático do Projeto Humanos) articula tais matrizes tradicionais a determinados quadros de modernidade, na consolidação de um imaginário híbrido e em sintonia com certos imperativos do universo pop global. A análise tomará por objeto alguns videoclipes representativos desta "nova vaga" pop, como "Dona Ligeirinha", do Diabo na Cruz, "A marcha dos Golpes", dos Golpes e "Um contra o outro", da Deolinda.

[Tiago José Lemos Monteiro é Doutorando em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense, Mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006), e Bacharel em Comunicação Social (Radialismo) pela mesma instituição (2004). Desde 2010, atua como Professor efetivo do Curso de Produção Cultural do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, responsável pelo setor de Audiovisual. Participa, ainda, como membro do LabCULT - Laboratório de Pesquisa em Culturas e Tecnologias da Comunicação na Universidade Federal Fluminense e encontra-se vinculado ao Núcleo de Pesquisa Comunicação e Culturas Urbanas do INTERCOM. Sua produção bibliográfica incluir artigos publicados nos periódicos E-Compós, Matrizes, Comunicação & Sociedade e ECO-Pós, bem como na Edição 2009 do Anuário Internacional de Comunicação Lusófona e na coletânea Comunicação e Música Popular Massiva (2006).]

Marcela Amaral (UFF):l "Encenações e Jogos de Cena - Formas de dissolução e novas construções do personagem no cinema contemporâneo"

Este seminário visa apresentar uma breve discussão sobre a mise-en-scène no cinema contemporâneo, a partir de noções relevantes como a criação do personagem no filme narrativo, sua composição, a abordagem da câmera e a construção da cena através do posicionamento e movimentação de atores e do uso da montagem. Apoiando-nos no conceito de "dissolução do personagem", proposto pelo teatrólogo Patrice Pavis (2000), nos três diferentes gêneros da ficção -- o romance, o teatro e o cinema --, e intentando um diálogo deste com as noções sobre a mise-en-scène no cinema, defendidas pelos teóricos Jacques Aumont e David Bordwell, e secundariamente com outros autores; busca-se identificar e discutir os efeitos de uma possível desdramatização no cinema, e de um conseqüentemente afastamento da tradição da mise-en-scène -- dispositivo de origem teatral, que se consolidou no cinema como modelo de representação e considerado por muitos autores como a arte deste meio.

[Marcela Amaral é mestranda do curso de Ciência da Arte, da Universidade Federal Fluminense, tendo atuado como professora nesta mesma instituição por quatro anos, ministrando as disciplinas de: edição, montagem, efeitos especiais, realização fílmica e direção cinematográfica. Atualmente ministra aulas como mestranda sobre os temas: cinema contemporâneo e mise-en-scène. É também orientadora e professora no Laboratório de Criação e Investigação da Cena Contemporânea (LCICC), dirigido pela Profª. Draª. Martha de Mello Ribeiro, na UFF. Em trabalhos que já apresentou, destaca-se o artigo Alice Guy and the narrative cinema - Narrativity and pioneering in the early cinema, sobre a cineasta do período mudo, apresentado no 5º congresso Women and the Silent Screen e publicado em 2010. Atua também profissionalmente como assistente de direção em televisão e cinema, participando da realização de um longa-metragem, duas novelas, dois seriados e diversos curtas-metragens. Atua ainda como editora e finalizadora, especialmente em curtas-metragens e televisão.]