segunda-feira, 31 de agosto de 2009

we all wanna be noticed

No auge da época em que adolescentes (e caham, adultos, porque não?) constroem a própria identidade a partir da cultura midiática, o produtor Felix Da Housecat lançou o single We all wanna be Prince. Pro que eu respondo com o tom da Xuxa no famoso viral, em relação a ganhar uma viagem pra Disney: e quem não quer?

Achei que vale a pena a postagem deste clip porque nele estrelam várias celebridades de Internet e Internet-celeb wannabes. O autor de um dos tablóides em formato de blog mais famosos do mundo, Perez Hilton, é uma das estrelas. Aliás, ele tem sido bem arroz-de-festa. Que eu tenha tido notícia até agora, em 2009 ele cantou num single do Larry Tee e fez uma ponta muito da trash numa música das Pussycat Dolls. Que eu acho também meio esquisitas, apesar de ter amigos que gostam.

Pros que decidirem ir adiante e ver o video: sim, ele é trash. E divertido. Vale, pelo menos, pelo valor documental das cenas reais de festas e pelas personalizações do Prince.


Ludov e as novas estratégias musicais



Ludov, banda paulista (que gosto muito) lançou em Julho o seu mais novo album. E prá não fugir a nova ordem musical, disponibilizou todas as músicas para download gratuito através do Mondo 77 FM. Aliás, já postei aqui, lá pelos primeiros meses do blog, sobre esse site que reune trabalhos de bandas independentes e na maioria das vezes disponíveis para baixar livremente. Das 19 novas músicas do Ludov, 12 foram lançadas no CD e as outras 7 só foram lançadas em formato digital. A banda também inovou ao transmitir o show de lançamento pela internet. Outra coisa interessante é a candidatura da banda para a abertura do show do The Killers no Brasil. A empresa responsável pelo show (Mondo Entretenimento) lançou um concurso no Twitter para eleger qual banda nacional abrirá para o quarteto de Las Vegas (Meu medo é que dê NX Zero). Aliás, show comentadíssimo, no qual pretendo comparecer. Mas voltando ao Ludov, essa banda já teve maior visibilidade, chegou a assinar contrato com a gravadora DeckDisc, teve vários clipes na programação da MTV e até ensairam alguns hits radiofônicos. Hoje a banda segue apoiada pelo projeto Mondo 77 (uma espécie de selo especializado na cena indie e em consumo via internet), lançando álbuns com regularidade. O Ludov é um ótimo caso à se estudar sobre novas estratégias de mediação musical. Em tempos de internet, a banda faz o trabalho de casa direitinho. Tem comunidade no Orkut, site, blog, e praticamente todas as ferramentas sociais disponíveis, todos muito bem atualizados e sempre buscando aproximar os fãs da banda trazendo informações sobre as turnês, as gravações e contando com os admiradoes para promover o trabalho do grupo. E vejam só; com eficiência, afinal o que é esse post mesmo?

domingo, 30 de agosto de 2009

dally digital

Dally Schwarz, minha colega de graduação em Estudos de Mídia, além de ser ótima aluna faz incursões artísticas das mais variadas modalidades.

Como o nosso blog gosta de apropriações criativas dos meios digitais e de cultura midiática, resolvi mostrar por aqui um trabalho dela chamado Roscharch. Aproveito também para colocar a minha sardinha mais perto da brasa, já que ela usou uma música deste que vos escreve como trilha sonora.

Vale a pena conferir o blog da moça.



dalicca
28 de agosto de 2009

Como nós vemos?
O que podemos representar?
Todas essas inquietações perpassam minha mente,
quando olho um retrato,
Ao olhar o meu
Vejo uma forma mutante
que transforma-se.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Funk "do bem"? Hein?

Hoje vou encontrar amigos na Lapa. Mas, amanhã, se ficar no Rio, com certeza estarei no festão Back2black, que rola na Estação de Trem da Leopoldina.
Tem tudo pra dar certo. Em primeiro lugar, porque aquela locação é linda, charmosa, superbacana para festas.
Em segundo, e razão principal, porque as atrações são de responsa. Banda Black Rio tocando tributo a Tim Maia; e, delícia das delícias, o funk de Sany Pitbull e dançarinos,mais os gêneros Kuduro e um tal Krumping (de Los Angeles,conheço não). Pensa que acabou? Ainda tem a festa Blax. Tudo bacana! Tudo de primeira!
Quem ainda guentar (esta parte, tô fora!), pode chegar cedo (20 horas), pra pegar o debate sobre África e afins.

Alívio ver o funk (só) nas páginas de atrações do fim de semana. É que este debate que tem rolado em torno do projeto de lei que dificulta as festas do funk teve falas bizarras.
Antes que alguém se manifeste - não preciso repetir que adoro funk e acho, plagiando o DJ Marlboro, que esta é a música eletrônica popular brasileira por excelência.

Por isto mesmo, tremo quando leio declarações tais como a da nossa secretária de educação, Teresa Porto, que diz que defende o "funk do bem, sem incentivo à sexualidade e à violência".No argumento da senhora, a defesa do funk e o apoio ao tal projeto que propõe a transformação do funk em movimento cultural - encabeçado pela Apafunk - vêm junto com a idéia de usar o funk nas escolas, "com letras positivas".

Meda, meda, meda! Isto me lembra os mentores culturais da ditadura do Getúlio Vargas, durante o Estado Novo, quando resolveram fazer uma "pedagogia" para "melhorar" as letras do samba. E aí, censuraram um monte de músicas que falavam do malandro, cujo caso mais notório foi o da canção "O Bonde de Sâo Januário" (que teve que mudar o refrão "leva mais um otário, sou eu que vou trabalhar - para "leva mais um operário, sou eu que vou trabalhar".

Não, não estou dizendo que estamos na ditadura e reconheço os contextos culturais distintos. Também reconheço as boas intenções do argumento. Mas, a comparação surge porque me parece que os "letrados" têm muita dificuldade para lidar com o funk, dentre outras razões, por conta das letras "pobres". Claro que não acho nada disto pobre, não. Acho divertido, criativo, sacana, despudorado. Só um exemplo - O rap das armas - do mesmo Leonardo (mais o Júnior) que dirige a Apafunk - é maravilhoso porque traduz em onomatopéias a presença das armas (tá,tá,tá,tá,tá,tá,tá, tá,tá.) Criativo, poético e, ao mesmo tempo, um soco no estômago.
E têm mais dificuldade ainda -junto com a esquerda - para lidar com expressões que são puro entretenimento.

Funk não é hip-hop, minha gente! Graças a Deus, não é! O funk nunca quis "conscientizar" ninguém. E nem por isto deixou de traduzir as múltiplas vozes dos favelados, pretos ou quase pretos do Rio de Janeiro.

Mas, nem tudo é consciência. Diversão é solução sim! já urraram os Titãs.

Aqui, abro parêntese para aluninhos de graduação desavisados e engajados. Não, isto não é alienação. Pelo contrário. É o reconhecimento de que a dimensão lúdica, festiva, ritualística da vida cotidiana tem que ser respeitada como ela é, aqui e agora! Gostem ou não os "regradores de povo".

Então, em alguns discursos que li nestes dias, senti que esqueceram o principal. Que funk é bom porque é musica pra dançar, tocado em caixas de som altissimas, que enfatizam os sons graves. É bom porque é música que mexe com os quadris e com o bumbum.É corporal, erótico e poderoso como toda a música negra que saiu dos guetos e conquistou o mundo.

Então, vida longa ao funk e à luta pela sua livre expressão e visibilidade.Contem com meu apoio.
E fora! a qualquer discurso moralizante, oportunista e "melhorista" do funk.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

we were warned


O último filme de Roland Emmerich, diretor de Independence Day, se chama 2012.

Já deve ter chegado até os ouvidos - ou olhos - do(a) leitor(a) que este ano será supostamente o prazo para o acontecimento do apocalipse. Eu não acredito muito nisto, apesar de querer muito que dê tempo de ver um show do Bowie até lá.

De qualquer maneira, eu não estou aqui para refletir sobre profecias. O que chegou até mim foi este novo poster publicitário do filme, em que o Cristo Redentor está a ponto de cair sobre os pobres turistas que deram azar de dar as caras no Corcovado no dia do juízo final.



Tem brasileiro que achou de mau gosto. Mas será que este é mesmo o caso? Ora, lembremos que o plote de Independence Day é sobre uma guerra entre humanos (norte-americanos, lógico) e alienígenas bem no 4 de julho.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

DJ de celular


E Falando em DJ, olha que interessante esse lançamento. The Beat Edition é uma nova linha de celulares que privilegia a música como função agregada mais importante e apresenta vários recursos de escuta, armazenamento e manipulação de arquivos sonoros. O hotsite está super sofisticado e apresenta todos os recursos dos aparelhos. Entre eles está a interface, dotada de uma tela sensível na qual um disco permite fazer scratch nas músicas em reprodução. A ferramenta promete ao usuário ter a experiência de um DJ via celular. Associada a rede MTV, a Sansung lança também um concurso que pretende eleger o melhor músico de celular. A empresa está correndo atrás do prejuizo depois que a Motorola e a Sony Ericsson investiram pesado em "aparelhos celulares musicais" com bastante sucesso. O design desses novos aparelhos servem para afirmar como o telefone móvel é hoje uma das plataformas musicais mais privilegiadas pela nova geração e, ao contrário do que se poderia pensar, esses novos consumidores não dispensam a materialidade nas práticas de escuta musical, apenas tem mudado, em alguns casos, o foco de determinados formatos (vinis, cassetes e CDs) para outros (o próprio player). Ah, antes que me perguntem, os tais celulares também trazem a função rádio FM, com direito a RDS.




Não vote em mim! DJ Mag e sua busca por legitimação

Muito tempo depois daquela postagem minha sobre a votação de melhor DJ do mundo realizada pela revista DJ Mag, tema que gerou uma produtiva discussão em nossos encontros e teve pesquisa aprofundada na dissertação do colega labcultiano Marcelo Garson, eis que o "concurso" volta a gerar polêmica. O DJ de Hong Kong Ricky Stone tem circulado na rede uma campanha contra a votação intitulada "Don't vote for me" - Não vote em mim. Ao afirmar "nós não acreditamos nessa lista, ela não significa nada", o DJ alega que o resultado da votação resume-se a uma campanha de marketing. O comentário deixou a editora-chefe da revista DJ Mag Lesley Wright incomodada. Veja o que ela disse ao site Rraul:

"Ele sugerir que a votação é apenas um espelho de quem tem um marketing forte é certamente engraçado. Eu nunca vi ninguém embarcar em campanhas tão fortes quanto Stone".

"É engraçado da parte dele chutar o Top 100 depois de ter se anunciado como 'o DJ número 1 da Asia' logo após sua primeira aparição na lista, continuou. "Não há dúvida de que ele ganhou mais fama e mais gigs por conta disso".

Como é possível notar, não são apenas os DJs que lutam para se legitimar, a própria DJ Mag busca sua legitimação. A Votação já está aberta e esse ano vai até 23 de Setembro. Vale a pena votar? Só fiquei na dúvida sobre a posição do site Rraul. Segue o link para o texto na íntegra. Tire suas próprias conclusões.

Hoje é dia de Feira

Alguém é servido?

Alguém é servido? - Parte II

Entrelinhas


Para Anton Corbjin



A termofotografia de Adolfo Luxúria Canibal revela que o vocalista do Mão Morta está à beira da combustão.


A coisa mais divertida de se fazer em Lisboa durante o mês de agosto é apanhar uma barca ou os comboios transtejo da Fertagus e conferir as inúmeras festas populares que rolam do lado de lá do rio, em locais como Amora, Corroios e Barreiro. Noves fora o perrengue que é para voltar depois, a experiência costuma ser bastante divertida. A margem sul estaria para o lado de cá de Lisboa mais ou menos como Niterói estaria para o Rio de Janeiro, embora seja uma Niterói com pitadas de Baixada Fluminense e Subúrbio Carioca – o que quer que signifique essa conexão que acabei de fazer. Há aquele onipresente cheiro de fritura no ar, inúmeras barraquinhas de churros cada uma mais multicolorida do que a outra, bancas vendendo de bolsas a sapatos, passando por brinquedos made in china e artesanato africano (e quando as vendedoras, uma de cada lado da rua, começam a disputar clientela em altos brados – “cincó euros, cincó euros” – é de rolar de rir) e uma polifonia musical de fazer inveja ao bakhtiniano mais convicto. Imaginem que, para além dos sistema de som da própria rua e do falar ininterrupto das pessoas, cada banquinha às vezes inventa de fornecer o seu próprio som. Outro dia mesmo, no Barreiro, pouco antes da apresentação do fadista Camané no palco principal, “Você não vale nada mais eu gosto de você” disputava freqüências sonoras como “Total eclipse of the heart”...
As Festas Populares são uma mistura de circo e feira, pontuadas por atrações musicais – gratuitas! – que primam por um ecletismo beirando o nonsense. O palco principal das Festas de Amora, por exemplo, abrigou desde a veterana banda de rock UHF até o one-man-(boy)-band Angélico, spin off musical da consagrada novelinha teen Morangos com Açúcar – embora haja quem sustente que a diferença entre UHF e Angélico não seja tão grande assim. Em Corroios, rolam shows tão díspares entre si quanto o hardcore visceral do Mão Morta e os bacalhaus & cabritinhas do mestre Quim Barreiros. Encerrando a programação, as baladas melosas do inclassificável Marco Paulo.
Acima, uma seleção de fotos capturadas durante as Festas Populares da Margem Sul. No dia em que inventarem fotos-com-som, aí sim a experiência será completa.