Por falar em OiFuturo, que é um espaço queridinho do LabCult - até as reuniões do grupo acontecem lá no café - posto abaixo a crítica feita pela minha aluna de Estudos de Mídia Dally Schwarz sobre um outro evento.
Poiesis
A exposição que está no OiFuturo até o dia 02/12, organizada por André Vallias( grande nome da poesia visual/digital, designer e idealizador de sites e projetos como o REFAZENDA, o ERRÁTICA, entre outros), Frederich W. Bloch (pesquisador,curador,artista alemão, envolvido em vários projetos renomados inclusive vinculados a Universidade de Kassel) e Adolfo Montejo Navas( poeta espanhol,crítico,curador,colaborador de diversas revistas culturais como a Cult, Lápiz, sites, ministrou diversos cursos em instituições culturais e escreveu muitos livros ) é uma boa instigação acerca da poesia, além da palavra.
A mostra traz um bom repertório para pensarmos a poesia num universo multimidiático,onde suportes, materiais, idéias convergem e provocam sensações tão vivas quanto o esperado por muitos.
Porém, os bate-papos que ocorreram nos dias 30/10 e 31/10 não me pareceram tão ousados e pretensiosos...
No primeiro dia, além de uma platéia quase vazia, o alemão Thomas Wohlfahrt passou por sérios constrangimentos devido a problemas técnicos da estrutura do Centro Cultural, inclusive problemas de conexão, em um local que exala tecnology.Mas mesmo com os probleminhas, sua fala foi muito bem articulada. E apresentou projetos muito interessantes, como o site lyrikline.org, que reúne, num ritmo crescente, diversos poetas e poesias para serem lidas,ouvidas (com a disponibilidade de tradução em muitas línguas ) e o Festival Zebra de video-poemas, que acontece em Berlim.Os vídeos que Thomas mostrou no encontro eram de estéticas e linguagens diversas, desde animação à vídeos irônicos que diríamos, facilmente, que saíram do youtube.(Esse material está disponível na exposição)
Achei bem legal também, a reflexão em torno da idéia de que as pessoas escutam e sentem a poesia mesmo sem entenderem a língua. o que faz com que esta expressão se aproxima mais do universo da música (linhas dos tons e dos ritmos) do que da prosa.
Já no segundo dia, a sala estava mais cheia, e foi a vez do André Vallias falar e o fez muito bem,conseguindo traçar uma "história" não linear da idéia da poesia, de poiesis e da entrada do digital na conversa.A platéia também se animou mais e possibilitou um embate de falas misturando esses lugares.
Entretanto, foi um pouco incomôdo perceber que a mediadora ( Bia Correa do Lago ) e algumas vezes uns palestrantes (Adolfo Montejo Navas e Guilherme Kujawski) se mostraram um tanto quanto " se vira nos 30", apresentando muitos pensamentos soltos e que acabavam em uma divagação, como a própria Bia observou; e em algumas pérolas como o conceito de policontextualidade, que seria segundo Guilherme Kujawski mais aplicável que hibridismo e intertextualidade...
Tá bom, eu não posso só meter pau...Muitas questões levantadas foram importantes, tais como a resistência às novas maneiras de se fazer poema no contexto multimídia, onde a procura pelo tecnológico de ponta é grande; a questão nada nova acerca das possibilidades de todos serem artistas devido a internet ( questionável, ainda mais por ser esse o momento em que a Arte se denuncia em olhares puristas mesmo nos mais inovadores), a questão da imagem na sociedade contemporânea e sua força, assim como a palavra escrita que aprisiona...
Enfim, num vai e vem de pensamentos... Sempre caímos no: "Mas será que precisamos de TANTA tecnologia para fazer poemas?”... E daí deslizamos por um caminho, que para mim, desvia da intenção principal da exposição, que é nos permitirmos experimentar essas poesias em suas características. Infelizmente foi nesse deslize, e na fala de uma das pessoas da platéia que cheguei à conclusão de que percorremos todos os degraus do prédio cheio de luzes e estímulos sensoriais que nos vitalizou, para chegarmos ao terraço e nos jogarmos de cabeça.
"Para mim esse foi o momento mais vivo, mais significativo da mostra, onde se concretizou a performance, aqui foi o melhor da POIESIS
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