Mostrando postagens com marcador U2; You Tube. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador U2; You Tube. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

U2 no You Tube - ironia ou convergência?

Transição. Sabemos que esta é uma palavra que não diz muita coisa. Dependendo do ponto de vista qualquer tempo pode ser de transição. O ponto de mudança, ou por outro lado, de continuidade, é sempre percebido a posteriori. E de acordo com a posição onde estamos.
Calma! Esta não é uma reflexão filosófica numa bela manhã de sol carioca.
É que acabo de saber (via twitter da @lathurler, citando o bluebus) que o show do U2, transmitido ao vivo na madrugada de segunda-feira no canal da banda no You Tube, de domingo para segunda, teve 10 milhões de acessos simultâneos, na hora do show. O que transforma esta transmissão na de maior público do canal de vídeos.

Mas, quem é este público? Ou melhor, quem é esta banda? Não, não é uma banda que surgiu na Internet. Nem é o último sucesso midiático da última semana. A ironia é que esta é a maior banda pop do século XX ainda em atividade. (Ok – pra alguns também a mais chata...mas não vamos falar disto.)Um dos dinossauros que, ao lado de Madonna e Michael Jackson, construiu sua reputação junto a um público fiel a partir das principais estratégias da indústria da música massiva no século XX. Falo, claro, dos videoclipes carissimos dirigidos por diretores badalados, da puta produção, nos discos e nos shows da banda desde os anos 80, da gravadora sustentando os lançamentos e distribuindo os discos mundialmente, das turnês grandiosas. Sem falar no discurso "vamos salvar o mundo" globalizado e politicamente correto de Bono Vox. Do tipo - "ganho muito dinheiro com os fãs mas também sou legal".
Então, não tem como não pensar na palavra transição para explicar o fenômeno.Ou mais sofisticadamente, na noção de convergência do mídias(Ave, Jenkins!) Pois, 10 milhões de pessoas é um público massivo, que a banda herdou daquele outro momento. E a pergunta que fica é se alguma banda de hoje, surgida do ambiente das redes, conseguirá algum dia o mesmo feito; ou se este modelo dos milhões de fiéis escudeiros é resquício daquele momento.

Cris Anderson, lá naquela discussão da Cauda Longa, aposta que teremos mais artistas sendo ouvidos por menos público, mas menos unanimidades. Pluralidade de vozes, fragmentação, efemeridade,volatilidade dos gostos – estas algumas das consequências do modelos de negócios da rede. Eu também aposto nisto. Mas, é que estanos ainda na , oops, transição.

O evento também permite outras reflexões. Como, por exemplo, a do povo assistiu fazendo ao mesmo tempo comentários no twitter, em rede, para os amigos.
Que tipo de recepção e de performance são estas? Com certeza, é diferente daquela de ir ao show e pagar ingresso. Pois, neste caso, ainda que em tempo real, o show não é o alvo central da atenção, dividida entre assistir e compartilhar as impressões com o círculo de seguidores. Comentários que, por sua vez, deslocam o show de seu contexto local – LA, Califórnia – permitindo a apropriação - de novo, em tempo real - por fãs de outras cenas, ainda que unidos pela paixão pelo U2 ou pelo menos pela curiosidade de ver se a tecnologia ia funcionar.
Já sabemos que funcionou bem pra cacete! A mega-fucking-parafernália sonora, as mensagens
melodramáticas de Bono, a guitarra poderosa do The Edge – tava tudo lá na transmissão via You Tube.
Momento histórico - disseram alguns no twitter.
Mas, o que acho mais bacana é o monte de provocações do episódio, que, claro, são prato cheio pra virar o próximo artigo acadêmico da galera do LabCult.
PS - Veja também o comentário do blog do André Pase, bem analisando os aspectos técnicos da trsnmissão.